21/02/06

I Love Mozart!, por Melo Mano

Este ano estou de parabéns! Acontece que adoro Mozart, sempre adorei Mozart, tenho mais discos dele que dos próprios Rolling Stones (para quem me conhece isto deve parecer incrível mas é a realidade!). É verdade que raramente ouço Mozart quando estou acompanhado, mas é, talvez, o compositor que mais ouço quando estou sózinho. E como estou sempre a ouvir música quando estou sózinho…

Agora é uma alegria para uma pessoa como eu porque há muitos programas sobre o Génio na rádio e na TV, artigos de jornais e de revistas e reeedições a preços razoáveis das sua obra ( e há muito para fazer nesta matéria: a produção mozartiana dá para cerca de 700 cds. O homem fez mais música num ano do que os Beatles em toda a sua carreira).

Aqui há uns tempos atrás um canal da tv cabo passou 24 horas de música do compositor: foi um fartote! Vi o Don Giovanni emocionado e delirei, mais uma vez, com a cena final da descida do Fidalgo Espanhol ao Infernos. Também chovem artigos interessantes de todos os lados e até o Amadeus, o filme seminal de Milos Forman, passou outra vez para que eu o revisse pela centésima vez. Parece que, segundo a historiografia recente, aquele Mozart nunca existiu: embora sendo um génio, Mozart trabalhava arduamente e também não parece ser verdade que tenha morrido na miséria…

Não sei porque é que adoro tanto a música de Mozart. Gosto das obras sou fanático por todas as que conheço, a Flauta Mágica acima das outras, o Don Giovanni, as Bodas de Fígaro. Sou um ouvinte compulsivo do Requiem, das missas, dos concertos para piano e orquestra, da sinfonia Júpiter, sei lá, gosto de tudo, prontos… Acho que é pela amplitude de emoções que ele consegue criar.Tanto é capaz de compor melodias tão suaves e comoventes, como faz descargas de energia poderosas como ouvimos no Requiem ou em Don Giovanni. É incrível, é como se fosse um pintor ao mesmo tempo expressionista e impressionista e surrealista e classicista e romântico e gótico e o contrário disso tudo... Não há rótulos que o definam , chamar-lhe «clássico» pouco diz no seu caso. É por isso que ele é o maior génio da história. A sua música tanto toca o sapateiro como o erudito, a criança como o adulto, o fascista como o comunista. Mas acho que nunca ninguém soube exprimir tão bem o fascínio que há na música como o pianista português, António Rosado – também ele, tal como Mozart, salvaguardadas as distâncias, um menino prodígio que já tocava piano aos 4 anos. Dizia Rosado, cito de memória:

«A música de Mozart é complexa e ao mesmo tempo tem a inocência de uma criança. À medida que vamos crescendo vamos estando cada vez mais longe dela. Nunca toquei Mozart tão bem como em criança. Agora é-me muito mais difícil chegar lá.»

E é isso que eu também sinto naquela música divina: que nela permanece a simplicidade de uma criança – apesar da sua sofisticação – e que ouvi-la é como que assimilar um pouco dessa pureza. Se Mozart fose vivo convidava-o para uma janta do Tapor!

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