06/02/06

O Fado Instrói, por Chique Tecnológico

Apesar de gostar de fado e de considerar, até, a Amália Rodrigues um dos maiores vultos da música popular de todos os tempos, nunca tive paciência para o Carlos do Carmo. Achei-o sempre um personagem bizarro e é o mínimo que se pode dizer de um comunista empedernido vestido de fato e gravata mesmo nos tempos exaltadosda revolução Um dia destes reparei na letra de uma das suas músicas e reforcei, ainda mais, a minha convicção de que o personagem não deve ser bom da cabeça. O refrão da música, um «clássico» do seu repertório, acho, diz o seguinte ( e podem cantar, a música é essa mesmo):

Ai que cheirinho tem o lindo caldo verde que tu trazes nos teus olhos
Ai que cheirinho tem o alecrim da esperança que tu me atira aos molhos
Ai que cheirinho têm as roupas de linho que tu estendes nas janelas
Ai que cheirinho gosto mais de amor contigo do que das iscas com elas.

Se alguém consegue perceber o alcance poético destes versos, faça o favor de mo explicar nos comments a este post. A mim intriga-me a imagem do «caldo verde que (ela) traz nos olhos»… Estará esfomeada, a bem amada do carlos, e sonha com pratadas de caldo verde condimentado cuns bons nacos de chouriço serrano? E atira lhe, ao carlos, «alecrim aos olhos» porque carga de água? Pobre carlos… Talvez o alecrim tenha alguma propriedade mágica, quando atirado aos olhos das pessoas. Mas o alecrim não é conhecido pelo seu cheiro perfumado? Então devia ser atirado ao nariz do carlos…

Mas o mais misterioso neste refrão é o verso final em que o nosso herói diz que «gosta mais de amor contigo do que das iscas com elas.» Aqui, confesso, fico K.O. Gosta mais amor com ela do que das iscas com elas? Com elas quem? E as iscas a que ele se refere serão iscas de fígado? Tirando as iscas do Painel, ali na Bairrada, que são uma especialidade, as iscas de fígado nem me parecem grande prato… Quando era puto até tinha pesadelos com as iscas de fígado e com a sopa. E mesmo que sejam acompanhadas com «elas» seja lá o que isso for, será um grande elogio dizer-se a uma mulher que fazer amor com ela é melhor que comer umas iscas (embora com «elas, é certo)? Eu, se fosse mulher, não gostava nada que o meu namorado me dissesse:«filha,gramo mais uma queca contigo que emborcar umas iscas com elas»… Não soa bem, pois não?Ou então esta letra é cabalística. Talvez o Carlos estivesse esfomeado quando a escreveu. Ou talvez seja uma mensagem críptica, um código com instruções secretas acerca dos melhores pratos da culinária portuguesa para quando os extra-terrestres nos invadirem. Talvez, sim… Eu agradecia, caso alguém saiba decifrar esta letra, que mande umas bocas ali em baixo na caixa dos comments. Bem haja!

Sem comentários: