07/02/06

País em choque tecnológico, por inginheiro paisagista

Portugal é um país com um ritmo vertiginoso. Tudo anda muito depressa. Veloz. Alucinante.
Conjugado com isto, temos um país muito atrasado. Pouco progressista. Provinciano.
Vai daí, aqueles cérebros brilhantes, desenvoltos, bacteriologicamente honestos e incorruptíveis, que se elegem de quatro em quatro anos e se preocupam com o bem-estar do mundo, decidiram fazer um “dois em um”: inventaram os semáforos de velocidade. Pois. É que, de uma assentada, resolvem-se dois problemas: abranda-se o ritmo e dá-se um ar de modernidade e de avanço tecnológico.

Assim, na mais pacata aldeola de Portugal, com setenta habitantes, dois burros, quatro vacas e quinze automóveis, temos cinco semáforos de velocidade: um, antes da casa do presidente da junta; outro, depois da casa do presidente da junta; um outro junto à casa do amigo merceeiro; outro, perto da casa paroquial e, finalmente, o último colocado à porta do senhor que financiou a campanha para as últimas autárquicas (como já não havia verba, não se colocou aquele junto à Escola do Ensino Primário).

Estes símbolos do progresso (tão bonitos que ficam a piscar) são colocados de quinhentos em quinhentos metros, com critérios que fariam inveja às directrizes da U.E.
A minha esperança é que estes critérios também se apliquem quando o propalado T.G.V. vier a passar em Portugal. Para sermos um país verdadeiramente turbo-lento.

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