07/02/06

A tolerância, por Kzar

Aquilo que episodicamente muitos vêm sublinhando, expondo-se de imediato aos invariáveis epítetos de “xenófobos”, “racistas” e enfim “fachos”, tornou-se agora ainda mais brutalmente evidente: as massas islâmicas pretendem subjugar tudo e todos às suas medievais manias, julgam-se cada vez mais capazes disso, com imperial direito a isso e exigem-nos um cumprimento subserviente, mesmo nos nossos ocidentais países, das suas teocráticas determinações.

Os prosélitos estão entre nós, são cada vez mais e vamos séria e rapidamente lamentar não termos sempre feito questão de lhes exigir que ao entrar deixassem à porta aspectos da sua cultura que para nós são inaceitáveis e até imorais, e respeitassem pelo menos os elementos básicos da nossa civilização. Pelo contrário, além da frequência do uso dos referidos epítetos contra os mais sensatos, nunca faltou quem até relativizasse sobre os cortes de clitoris das miúdas, sobre os imãs que vociferam nas mesquitas contra as instituições dos países que os acolheram, de amiúde ensinarem que as fêmeas podem levar pancada à vontade e até ocasionalmente de ensinarem nos mesmos sítios os modos de o fazer sem que as autoridades dos infiéis dêem com a coisa – ao que tudo acresce um largo etc.

Por muito que um falinhas mansas como o “sheik” dessa gente em Lisboa insista em pregar que a sua retrógrada religião nutre um acrisolado desvelo pela paz e o amor, condenando veemente a violência, e outras mentiras despejadas no pressuposto de que somos todos idiotas chapados, o facto, indesmentível, empírico, de uma historicidade brutal, quotidianamente evidente enfim, é a atroz e cega violência obscurantista que caracteriza pelo menos uma larga porção dos seguidores de Mafoma.

É vê-los, em festejos bárbaros e ululantes quando uns aviões chocam contra edifícios de Nova Iorque e matam milhares. É vê-los, a manifestarem-se aos milhões, por todo o lado, sempre mais ou menos nos mesmos termos doentios, contra o Rushdie da Índia ou a Nasreema do Bangladesh, e tantos outros. É vê-los, ao bin laden e sus muchachos, quando abrem a boca hedionda com as suas ameaças e exigências histérico-fanáticas. É vê-los, grotescos, a mandarem obuses e patéticos tiros de metralhadora contra estátuas de Buda com dois mil anos, até fazê-las cair. É vê-los, a exibir reféns ocidentais, primeiro vivos e depois sem cabeça, na televisão. É vê-los, no Sudão por exemplo, a chacinarem e escravizarem os não muçulmanos. Mais, é vê-los, um pouco por todo o lado, a envolverem-se em confrontos com os fieis de todas as outras religiões e mais os ateus.

Todos estes maníacos são o quê? Seguidores da tal religião da tolerância, da paz e do amor? E isso não causa repugnância a quem o diga? Ou serão cristãos? Hindus? Budistas? Judeus? Xintoístas? Animistas? Ateus? São obviamente muçulmanos, diga o tal “sheik” o que disser. Em todas aquelas infames circunstâncias é por Alá que clamam e é infiéis o termo com que insultam os outros. Quem dirigia os aviões, quem põe as bombas, quem chacina com furor animalesco sempre que um bonzo lança uma “fatwa”, quase sempre grita ao mesmo tempo que “Alá vencerá”. A religião deles é totalitária. E não importa destrinçar religião, práticas sociais, usos e costumes dos países islâmicos, para evitar que com estes últimos, em cuja censurabilidade tacticamente e a contragosto se concede por vezes, seja contaminado o suposto valor ideal e impoluto da primeira: é à sombra dela que todos florescem neste nosso século XXI (XV ou XVI deles, o que é significativo); é ela e são os seus áulicos que prometem as virgens aos autores das proezas mais brutais. Não é o cristianismo que gera semelhante mal, ou pelo menos já não é.

A nossa civilização levou centenas de anos a libertar-se da tutela dos bonzos, e só há pouco mais de duzentos é que começou a consegui-lo significativamente. Respeita a fé deles, a organização deles e a intervenção social deles, mas não os deixa mandar ou impor. No meu país, escrevo, ou pinto, ou esculpo, ou falo sobre Deus e o clero, ou sobre qualquer outra coisa, o que me apetecer, o que me der na realíssima gana, sem admitir por um só momento que um primitivo qualquer da igreja me venha dizer que por ser ditame da sua fé não fazer isto ou aquilo, eu o não possa fazer também. Era o que me faltava. O limite é a Lei Penal, e dizer ou insinuar em caricatura que a religião muçulmana instiga a violência está longe, muito longe, de configurar os crimes de “ultraje por motivo de crença religiosa” ou de “ultraje a acto de culto”, previstos nos art. 251.º e 252.º do Código Penal. Por outras palavras, dizê-lo, escrevê-lo, ou desenhá-lo, é um direito meu, é uma liberdade de que não abdico.

O Sr. “sheik” não gosta? Problema dele. Digo e repito as vezes que quiser e ele diz o que lhe apetecer a ele. Fica ofendido? É lá com ele. A mim ofendem-me profundamente algumas práticas da sua religião e princípios da sua fé, mas nem por isso vou para as ruas gritar morras, espancar pessoas, pegar fogo a carros ou apedrejar embaixadas, e nem sequer defendo que ele seja proibido de ter a religião que lhe der na bolha. E ofende-me mais ainda que defenda, com aquele ar cândido, que eu não possa pintar quem ou o quê me apetecer por qualquer acto de respeito pela sua religião, mas nem por isso me manifesto para que o matem. E enfim não me insulte mais com essa da religião da paz e da tolerância; não o vi a ele nem a nenhum muçulmano a manifestar-se e a partir embaixadas contra a destruição dos Budas, contra o assassinato do Teo Van Gogh, contra os aviões, contra a perseguição ao Rushdie e outro larguíssimo etc. Não há igrejas cristãs, templos budistas ou hindus e nem sinagogas em Meca, mas não faltam mesquitas em Roma ou em Lisboa. Não me venha falar de tolerância com ar professoral e ecuménico que me dá vómitos. Ele e os ministros católicos, seus improváveis aliados de ocasião, com o olho na possibilidade de proibirem também caricaturas do papa com camisinha no nariz.

Mas verdadeiro asco provocam-me os políticos do compromisso, aqueles que não vêem, não percebem, ou fingem não ver nem perceber, que certos valores ou se defendem absolutamente ou se perdem absolutamente. Os nossos governantes, que deviam defender com raiva inflexível o nosso direito de pintar ou escrever o que quisermos, mas que começam logo a tergiversar, sobre como são amigos da liberdade de expressão mas ao mesmo tempo apelam ao respeito pela religião, e mais um largo etc. Os que nos deviam estar a preparar para a guerra que tarde ou cedo os furiosos nos vão mover, mas em vez disso escondem a cabeça.

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