30/03/06

A Parábola Das Dez Virgens, de Mateus-25, por Heresiarca

No Evangelho segundo São Mateus, no capítulo 25, aparece a Parábola das Dez Virgens, que é das parábolas mais bonitas e estranhas do Livro. E antes de mais considerandos, passo a transcrever:

“O Reino do Céu será semelhante a dez virgens que, tomando as suas candeias saíram ao encontro do noivo. Ora, cinco delas eram insensatas e cinco prudentes. As insensatas, ao tomarem as suas candeias, não levaram azeite consigo; enquanto as prudentes, com as suas candeias, levaram azeite nas almotolias.

Como o noivo demorava, começaram a dormitar e adormeceram. A meio da noite, ouviu-se um brado: Aí vem o noivo, ide ao seu encontro! Todas aquelas virgens despertaram, então, e aprontaram as candeias.

As insensatas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas candeias estão a apagar-se. Mas as prudentes responderam: Não, talvez não chegue para nós e para vós. Ide, antes aos vendedores e comprai-o. Mas, enquanto foram comprá-lo, chegou o noivo; as que estavam prontas entraram com ele para a sala de núpcias, e fechou-se a porta.

Mais tarde, chegaram as outras virgens e disseram: Senhor, senhor, abre-nos a porta! Mas ele respondeu: Em verdade vos digo: Não vos conheço.

Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.”

A lição base a tirar da parábola, segundo ensina a versão da Difusora Bíblica, centra-se no dever de estar sempre preparado porque o Senhor pode chegar a qualquer momento.

Mas para além desta moral de algibeira, a história tem muito mais que se lhe diga. Levanta muitas interrogações, ilações e suscita confusões. Já quis discutir isto com algumas Jeovás domingueiras e madrugadoras, mas as matronas ou desconfiaram da minha candura em pijama ou abominaram o título da parábola, certo é que fugiram como se vissem o demónio. Tá mal. Que diabo!, a parábola vem lá e a interpretação é livre, ou devia ser, que o Livro é humano e não divino.

Só queria discutir algumas das questões que isto suscita. Por isso aqui venho ao espaço de liberdade porcina. Façam favor e não se acanhem. Aqui não se absolve nem se condena ninguém, muito menos se sacam almas e duvida-se que ande por aqui alguma virgem de candeia apagada. Se anda, é insensata…

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