12/04/06

Afinal, Que Raio Bateu Tão Fundo Em Santa Teresa?, por Seta De Fogo

A nossa Irmã Lúcia que há pouco bateu a bota – prontos, não resisto, a nossa Bidente -, fazia parte do Convento das Carmelitas cá do burgo Coimbrão. Estas pinguins de crucifixo ao pescoço, regem-se por uma ordem ascética e austera, que chega a raiar o absurdo. Há votos de silêncio, fome de rapa à conta de frugalidade e pezinhos descalços que deus nosso Cristo nem dinheiro tinha para sãoDálias, Senhor!. Enfim, mistérios da fé.

Pois as nossas Carmelitas num están solas por sepuesto. A Venerável ordem está espalhada também por nuestros hermanos, sobressaindo em alto relevo as Carmelitas de Ávila, de onde avulta e se agiganta a santérrima Santa Teresa de Ávila. Ora, Santa Teresa de Ávila escrevinhava que se fartava. Fazia, até, poesia. Memorável, é uma das suas poesias-canções de rogo ao Senhor para que este livrasse as Carmelitas de Ávila de uma praga de piolhos na cabelugem. Há quem fale de chatos, mas isso são bocas ímpias das Carmelitas de Salamanca e de Toledo que sempre que puderam afiambraram na Santa, agastadas com as insistentes reformas e visitas de inspecção da Teresa. Sim, porque a Teresa para o que nos interessa num estava fechada em Convento e antes passou a bidinha a calcorrear as carreteras e camiños de convento em convento a reformar e a moer o juízo às abadessas.

Mas adiante com as rivalidades pinguínicas que fizeram a cabeça em água à Teresa. O que aqui me traz são as experiências místicas da dita. Eu já nem vou pela suspeita de que todas aquelas andanças da Santa pelas cruéis carreteras do cruel planalto do Séc. XVI, não dariam coisa boa. E é de suspeitar que de todas aquela viajança não tenha resultado nenhum contratempo, assim que a modos pró místico, com nenhum dos inúmeros bandalhos que infestavam tais camiños.

Contudo, certo é que os textos resultantes das experiências místicas da avilense, me parecem muito pouco místicos e assim que a modos pró encruados. Mas se calhar, sou eu e as minhas taras pinguínicas. Leiam vocês e vejam se percebem o que deu na Santa:

“Por vezes vêm estas ânsias, e lágrimas, e suspiros, e os grandes ímpetos que já disse (que tudo isto parece que procede do nosso amor com grande sofrimento, mas tudo não é nada comparado com esta outra coisa, porque esta parece um fogo que lança fumo e pode suportar-se, embora sofrendo); andando assim esta alma a abrasar-se em si mesma, acontece muitas vezes por um pensamento muito leve ou por uma palavra que ouve de que demora o morrer, vir de algures – não se entende de onde nem como – um golpe, ou como se viesse uma seta de fogo (não digo que seja uma seta, mas seja o que for, vê-se claramente que não podia proceder da nossa natureza; tão-pouco é um golpe, embora eu lhe chame golpe; fere mais profundamente, e não é onde se sentem cá as dores – parece-me -, mas no mais fundo e íntimo da alma), onde este raio, que num instante atravessa tudo o que acha de terreno na nossa natureza e o deixa feito em pó, que enquanto dura é impossível ter presente seja o que for do nosso ser; pois num momento ata as potências de maneira que não ficam com nenhuma liberdade para nada, senão para o que lhe há-de aumentar essa dor.”

1 comentário:

Anónimo disse...

O que agora exijo de você, caro "seta de fogo", que respeite a maneira dessa heroícas mulheres vivem. Sou da Policia Federal há muitos anos e já se deu mal muita gente como você por descriminação religiosa . Tome cuidado com suas palavras. Só exijo respeito para você não fazer essas afirmações pois pode ser preso por falso testemunho.