07/04/06

O Barcelona ganhou ao Benfica por 2 a 0. Aconteceu em Espanha. A análise do Jogo, por Automotora

Foi um grande jogo de futebol, como se costuma dizer, aquela a que anteontem se assistiu no Nou Camp, entre o Barcelona e o Benfica. Mas o desfecho, se bem que inesperado para muitos, não foi surpresa para mim. Desde há algum tempo que venho dizendo: não ponde o Petit a jogar naquela posição, pelo miolo do terreno!

Isto porque, convém dizer, sempre fui apologista da táctica 1x3x3x4, com um médio recuado e lateralizações pelos flancos, a fazer a dobra. Da forma a que ontem se assistiu, nunca! O único que esteve bem foi o Marcel, a fazer lembrar o Humberto Coelho, com os seus passes milimétricos para o Luisão, num esforço assinalável de sinergias a que se associou o Manuel Fernandes, esse poço de garra, sempre na dobra.

O Beto, por sua vez, parecia perdido nas dobras, sem uma clara linha condutora, afunilando o jogo pelos flancos, a fazer lembrar o Humberto Coelho. Valeu-lhe o Geovanni, esse poço de força, a fazer as dobras, a meter o pé nos flancos, sem se amedrontar com o Larsson, que não o largava, no homem a homem. Esteve também muito bem o Léo, esse dinamo, esse animal de área, como costuma dizer-se, a fazer lembrar o Humberto Coelho, imbatível no um para um (-----»«-----), sempre na dobra, ali, no miolo, a lateralizar para a grande área. Um autêntico perigo para o sector médio defensivo contrário.

E o Miccoli, esse italiano d’oro, esse animal do miolo? Ó meus caros, é o que eu sempre tenho dito: ponde-o no ataque, que ele dá conta do recado! Meu dito, meu feito! A gizar jogadas, daquela forma, nem o Valdés o segura. Foi o melhor em campo. Pecará, talvez, por algum individualismo, mas mesmo essa sua faceta é compensada pela sua entrega ao jogo, pela sua alegria de viver. Em suma, esteve eficaz, e aquele seu pé esquerdo fez estragos na defesa contrária, a fazer lembrar o Humberto Coelho.

Os barcelonistas chegaram mesmo a andar de cabeça perdida, e foi muito feio, muito feio mesmo, aquela atitude do Puyol, que só o árbitro não viu. Não viu muita coisa, diga-se de passagem… Uma palavrinha sobre o árbitro: árbitros desta categoria dignificam o espectáculo. Ali, sempre na dobra, sempre a lateralizar pelos flancos, foi um dos homens do jogo. Nota 10, portanto, a fazer lembrar o Humberto Coelho.

Uma última palavra para o Moretto, esse poço de força e de alegria. Mas aquela posição não é claramente a dele, e isso foi patente ao longo de todo o encontro. Não se percebe que o Benfica vá buscar um jogador destes, e o desaproveite daquela forma. Sente-se que joga de forma triste, sem garra, e não ajudam atitudes como aquela que o Anderson teve para com ele. Foi triste, uma mancha negra na sua carreira. Mas é jovem, e tem tempo para arrepiar caminho.

O Treinador do Benfica, o holandês Roland Koeman, tem um longo trabalho de balneário pela frente… E vou eleger agora a melhor jogada de todo o encontro: aos 35 minutos, o Luisão conduz a bola. De repente, vê o Miccoli e lateraliza pelos flancos, corre trinta metros e passa ao Karagounis. Este por sua vez, corre pela esquerda, em sinergia com o Andersson, e passa a bola ao Leo num passe milimétrico de trinta metros, que o árbrito deixa passar, e muito bem, numa boa leitura do jogo. Infelizmente, não havia ninguém a fazer a dobra e a bola perdeu-se pelos fundos.

Quanto ao Barcelona, não há muito a dizer. Dignificou o espectáculo e foi um justo vencedor, embora tivesse sido triste aquela atitude do Deco. Atitudes como aquela ficam-lhe mal e não contribuem para a dignificação do espectáculo. Bom, finalizando, o resultado podia ter sido outro, se o desfecho tivesse sido diferente, mas a vida é como é, sempre na dobra, sempre pelos flancos, a fazer lembrar o Humberto Coelho.

Sem comentários: