02/04/06

O Fim de Semana do Tapornumporco, por Pigmaleão

Este fim de semana, o Porco lá esteve na Casa da Cultura de Coimbra para, dar uma força no lançamento d`O Preço da Chuva, o novo livro do Daniel Abrunheiro, vulgo Dog aqui pá malta… O lançamento correu bem, mas houve uma coisa alarmante: no fim, de entre os múltiplos Tapores que por lá andavam, fomos a ver, e, ao fim, éramos só três a jantar: eu, o Grunfo e o Francis Presunto. Eu achei um péssimo sinal!

Houve de tudo e pra todos os gostos: os que não puderam ir porque estavam em família, os que não puderam porque tinham um jantar com polacos (fónix, ele há cada um!!!), os que chegaram e não puderam porque vazaram usando um daqueles aparelhos de tele-transporte instantâneo da Startreck, houve até um cromo que só quando chegámos ao restaurante é que se lembrou que afinal tinha prometido em casa que jantava em família, enfim, lá ficámos os três, eu o Grunfo e o Francis no Porquinho.

Devo dizer que o jantar foi óptimo, aliás. Ao contrário do que me tinham dito, o Porquinho é um excelente restaurante, com uma óptima cozinha muito rica em ervas aromáticas, bastante variada, uma razoável carta de vinho e preços aceitáveis. O serviço revelou-se competente e amável e o espaço é de indiscutível bom gosto, arejado e moderno. É claro que para quem vai lá comer leitão, não sei, não…
A conversa foi agradável. Falámos de Winkelman, de Heidegger, do Romanée Conti a 2600 euros, do livro do Cão, de Hegel e outra vez de Winkelman, e pelo meio, como sempre, javardou-se. Depois voltámos a Winkelman e javardámos outra vez. Portanto a conversa foi óptima.

Hoje fomos ao golf a Montebelo. Só três de novo: eu, o Francis e o Gengis Kahn. Eu portei-me vergonhosamente com 116 pancadas no gross e uns míseros 25 pontos no net. Já o Francis esteve fabulástico com 106 pancadas e alguns dos seus melhores drives dos últimos tempos. E o Gengis, bem, o Gengis foi ele próprio: A-L-U-C-I-N-A-N-T-E!!!! Só vos digo: este homem a jogar assim, ainda há-de ser alguém na vida. Ficou uma-pancada-uma acima do par do campo, com 75 pancadas, pode lá ser… Fez coisas incríveis, saídas em S, shots em curva, slices, fades, hooks, este homem é um mister, senhores. O Gengis está na sua melhor forma de sempre!

E esteve ainda melhor quando, parámos para lanchar em Tondela no pátio de uma tasquinha que a malta conhece. Comemos uma boa punheta de bacalhau, ossos e chispe e, o Gengis, às tantas, saca de uma caixa e tira lá de dentro, imaginem, a minha cara ficou parva de espanto, um extraordinário e mítico, BATUTA 2003. Só vos digo, meus amigos, eu e o Francis, parecíamos os pastorinhos a ver a Senhora em cima da azinheira. O Batuta é um daqueles vinhões que fazem um dia inteiro. De aromas intensos a frutos vermelhos, com notas de cereja maispronunciadas, muito prolongado, com uma acidez perfeitamente equilibrada com a complexidade do vinho, notas de eucalipto e de urze (!?) segundo o nosso Francis. Quer dizer, o vinho era uma pomada do caraças mesmo, do melhor que provei nos últimos tempos e éramos só três a mamá-lo e, portanto, deu boé a cada um. Fixe! Pelo meio ainda chateámos o Grunfo por telemóvel a anunciar-lhe que tínhamos um Batuta, da Niepoort, entre nós. O Gajo devolveu-nos logo o sms com isto escrito:
-Batuta, o caralho!
Ao que eu respondi:
- Batuta, casa Niepoort, vinhos s.a.Vila Nova de Gaia, fundado em 1849. E tenho cá a rolha. Chega?
O Grunfo demorou a responder. A demora foi entendido por nós como tempo gasto por ele a confirmar nos seus preciosos arquivos de literatura etílica, a veracidade da informação que eu lhe mandara. Até que finalmente o meu telemóvel tocou. Era o tão esperado sms do Grunfo que dizia assim:
- Batuteiros!
Na mouche. O gajo devia estar a roer-se por dentro. Ele há fins de semana fantásticos!

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