26/05/06

Deixem Arder Que O Meu Pai É Madeireiro, por Nero

Verão, calor, praia, gelados, calções de banho, enfim um grupo de palavras que associamos de imediato com o primeiro calor primaveril em corrida final para o Verão e o mergulho no mar. Só que a associação de palavras vai aumentando e ultimamente surge uma actualização: incêndio.

Claro, já estamos na época dos incêndios, tal como na dos Morangos. O que ocorreu nos últimos anos não foi lição para nenhum dos reles políticos e ministros que empurram esta nau de forma medíocre, e lido o “espesso” deste último sábado, e confiando, ficamos a saber que temos uma feroz acção fiscalizadora de umas dezenas de senhores da GNR que andam de arma à cintura para matar os fogos… os GIPS.

Eles são a redenção salvadora, aptos a enfrentar o stress e a pressão. No entanto, a par com esta novidade, as matas continuam sem ser limpas, as dos particulares e sobretudo as do Estado, os PROF (Planos Regionais de Ordenamento Florestal) e os Planos Municipais de Defesa da Floresta ainda não foram aprovados, quanto mais implementados no terreno…

Enfim, este ano em Coimbra vaticino que vai arder a mata da Sereia, O Jardim Botânico, o Jardim da Rua Sá da Bandeira e o Jardim da Manga, creio que os Jacarandás se salvam, isto enquanto Bombeiros Municipais e Protecção Civil discutem qual deles é que deve salvar os Patos da Sá da Bandeira e os peixes do Botânico.

Mas para além de tais pormenores sem importância, estou convicto que a Sra Maria de Bom Velho de Baixo quando acender o fogareiro para assar as sardinhas ao marido vai ser surpreendida com um GIPS espadaúdo a apontar o cano da arma matando o fogo com três disparos e com a outra mão a passar o auto para a Coima da ordem.

Isto baralha-me, em geral há leis e não há fiscalização, agora aprenderam, temos fiscalização e assim nem é necessário quem apague fogos e quem os evite… Deixem arder que o meu pai é madeireiro.

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