17/05/06

Jacarandás de Coimbra, por Pretória

Hoje e após acompanhamento quase diário, verifiquei que o Jacarandá da Solum já floriu em dois ou três ramos. Todos os anos por esta altura de meados a final de Maio, este Jacarandá é sempre o primeiro a florir cá em Coimbra. Depois deste, incandescia o Jacarandá da Mondorel. Incandescia, porque já o não fará mais. A construção da avenida de acesso ao Fórum Coimbra limpou o sebo ao maior e mais bonito Jacarandá de Coimbra, que quando em plena floração variava - conforme a luz do dia -, de um mar de azul intenso a uma bola de fogo de roxo incendiário. Paciência, perdeu-se um Jacarandá, ganhou-se uma Fnac, e nestas coisas não se pode ter tudo. Pena é que nas novas árvores, a Câmara não aposte em Jacarandás e teime nos insossos e asmáticos Plátanos, com uma pitada de Albizzias quando lhe dá para o tropical.

Depois e pela velha ordem, florirá em pleno “azul estonteante” o Jacarandá do Trianon de Celas, a que se segue o do Penedo da Meditação e por último a velha guarda da rua lateral da Sereia, que hoje, de tão velhos, apenas apresentarão uma pequena amostra daquilo que noutro tempo era um mar imenso de azul intenso.

O velho Jacarandá do Botânico fechará então o ciclo de floração destes gigantes tropicais, que alegram a vista e demarcam para mim, a transição de ano. Mais do que o oficial ano novo, infelizmente colado à pessegada do natal, a floração primaveril dos Jacarandás marca o advento de uma nova cor, novo calor, nova luz e nova vida.

Coimbra, infelizmente e fora dos magníficos exemplares que mencionei, não tem muitos mais Jacarandás, ao invés de Lisboa que nesta altura se transforma numa quase Sevilla, cidade-raínha desse “azul estonteante”. Não passem distraídos, olhem à vossa volta e vejam com olhos de ver os Jacarandás.

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