20/06/06

Camarões Furiosos Grelhados Com Justiça, por Kzar

Uma vez na cozinha, o verdadeiro coração de um lar equilibrado, o cidadão abre o congelador e saca de lá uns poucos camarões Jumbo, de cerca de 300 gr. cada e em número idêntico ao dos alarves que estão na sala.

Passa-os por água, para remover algum gelo com o mau senso de se lhes ter pegado, e congelados como estão dá-lhes com a faca, a meio da lámina e começando pelo bico, em que a dita se apoia, fazendo um corte único que vai daí até à cauda, sem serrar, abrindo o artrópode marinho longitudinalmente, em duas rigorosas e simétricas metades.

Todas postas lado a lado em cima de um grelhador (eléctrico, grande e em potência média), assentes na casca e de carniça translucida para cima, são polvilhadas de sal grosso q.b. (muito) e deixa-se grelhar a bicheza até a carniça esbranquiçar, revelando com toda a evidência que ficaram grelhados com justiça. Alguma negritude da casca e um certo fumo são sinais de que a coisa corre bem e não acidentes a evitar.

Assim confeccionados, os crustáceos são dispostos pelo mesmo modo, mas agora em cima de adequada travessa e ligeiramente regados com o molho preparado de antemão:
vinho branco seco, duas ou três colheres de sopa; dois dentes de alho picado; uma pouquita de salsa picada; duas colheres de sopa de manteiga; pimenta branca a gosto (não muita); duas ou três rodelas de limão (sem espremer) - esta mixórdia é aquecida fazendo ferver a manteiga e o vinho, sem violências, até que o cheiro a vinho fique pouco mais intenso do que uma reminiscência de adega.

Serve-se para comer de imediato, sem contemplações pelas peripécias da bola, momentaneamente postergadas, que o raio dos animais custa uma nota furiosa.
Quanto a líquidos, tenho-me dado muito bem com o rosé da Quinta da Pellada, mais fresco do que aconselha o rótulo, e em equipa que ganha não se mexe...

Quem é amigo, quem é?

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