13/06/06

Rodovalho À Suicidário, por Kzar

Retomando o fio à meada, rudemente ensarilhada, estamos na aflitiva situação de o jogo andar pelo intervalo, não estar a correr lá muito bem e dos camarões já só sobrarem as cascas e cabeças ocas (haver malta que ainda tenha rosé para bebericar é sinal evidente que o camarão estava baril e os dentes trabalharam mais do que as beiças).

Nessa altura, enquanto a comandita prognostica o devir do desafio e os seus componentes mutuamente se congratulam por as patroas os andarem a encornar com os amantes que as aturem, se queixam desta vida de só trabalhar e de os pobres não quererem mas é fazer nenhum e ainda mamarem do rendimento mínimo, o verdadeiro artista volta à cozinha.

Aí, ó meus amigozes! Vamos dar ao Sr. Rodovalho o tratamento que justamente merece (e não poupamos esforços se se fizer representar pelo seu amigo pregado, pelo contrário).

Limpamo-lo prodigiosamente, expurgando-o de qualquer resto de escama, tripa ou qualquer cena que não seja carniça e pele, mantendo todavia as espinhas e a substância gelatinosa que lhe guarnece as dorsais e ventrais (um petisco dos césares).
Cortamo-lo em postas uniformes, sobre o compridotas e estreitas, e salgamos.
Mergulhamo-las em azeite, puro, vertido em tacho ou panela competente, na companhia de um dentito de alho com alguns furos e abundante zesto de lima e limão, picado grosso.

Pomos o lume em jeito de nunca levantar fervura mas manter-se bem quente, de tal sorte que com o correr dos minutos (longos) as queridas postas fiquem cozidas, sim cozidas, ó glória divina.

Puxam-se para fora essas piquenas, sem preocupação de as escorrer, empratam-se na companhia de boa batata cozida (tamanho miúdo) e côa-se algum do azeite de cozer para instrumento que depois permitirá regar com ele os tubérculos ainda fumegantes.
Não é regra universal a de que se não comam só as espinhas e a pele, e o deixo à consideração dos confrades escolherem, de entre a bem fornida garrafeira do chefe, o líquido branco (bom, em rigor, amarelado) que lubrificará melhor os aparelhos mastigantico/digerentes - tarefa de que podem desembaraçar-se enquanto a cocção do bicho se produz e com tempo de refrescar as botelhas necessárias.
Se sobrar peixe, suicido-me.

Quem é amigo, quem é?

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