28/08/06

Pop-Golf, por Madeira 3

Na última quinta feira uma delegação do D.G. T. (Departamento Golfista do Tapor) dirigiu-se ao Campo Real, próximo de Torres Vedras, para mais uma missão de reconhecimento e expedição punitiva gastronómica. Por unanimidade e aclamação a jornada mereceu os mais rasgados elogios da comitiva.

O Campo Real oferece alguns dos melhores buracos que já jogámos, como o 17, um par 5 de 460 metros que apresenta um tee de saída que é um verdadeiro miradouro. Aí fizemos os melhores drives de que temos memória. Os fairways do campo estão tratados de forma irrepreensível . Os greens impecáveis. Acima de tudo, ressalta à vista o profissionalismo, a cortesia e a simpatia de todo o pessoal do campo, empregados do restaurante incluídos. Ficámos admirados: a excelência não é hábito.

O serviço do campo inclui o transfert gratuito em buggie do buraco 2 para o 3, uma vez que se trata de escalar um verdadeiro mini himalaia, tarefa inacessível a alguns golfistas menos pujantes. É inacreditável que, durante este mês de Agosto e do próximo de Setembro, o green fee continue a custar a irrisória quantia de 10 euros, mesmo para não sócios! Por este andar ainda nos pagam para jogarmos golf. É em momentos como este que me lembro que, numa das últimas vezes que fui ao futebol, paguei 25 euros para ver um Beira-Mar/Académica. E depois o golf é que não sei quê..

O campo tem, no entanto, erros claros de concepção. Nota-se perfeitamente que foi feito de acordo com uma lógica urbanística e não golfística. Isto é, como o campo faz parte de um condomínio fechado com casas de luxo e apartamentos à venda, percebe-se que a perspectiva de quem o desenhou foi o de valorizar as casas. Por isso é que o campo segue um traçado de grande exigência física, com distâncias enormes entre os vários tees de saída. Mas é claro que a vista para o campo valoriza cada casa. Quem o desenhou deve ter pensado: que se lixem os golfistas – aluguem um buggie se quiserem (a propósito a promção green fee + buggie só custa uns incríveis 15 euros)!

Mas enfim, estes óbvios defeitos não impedem que estejamos perante um campo muito interessante que coloca muitos desafios e recompensas ao fanático golfista. É um bom campo e merece nova visita assim que o Mau estiver disponível.

Mas há quem diga que o melhor do golf é o buraco 19. Nesse aspecto, uma grande virtude do campo Real é a sua proximidade do restaurante Trás D`Orelha, uma surpresa absoluta que, positivamente, nos arrasou com a sua qualidade. O gerente não faz a coisa por menos e, sem falsas modéstias, quando vem à mesa vender os seus produtos, adjectiva sem qualquer receio as suas criações:
- Temos um ensopado de safio fabuloso, uma sopa de cação extraordinária…
E por aí além… Com tanta confiança convenceu-nos logo. Ninguém dá a cara desta maneira sem uma inabalável confiança no que está a fazer.

Não me vou pôr aqui a elogiar a excelência dos pratos, nem vou dizer que a gastronmia nestes casos é uma verdadeira arte. Já o disse. Vão lá e prontos. Digo-vos só que o banquete incluiu as seguintes iguarias:
- pimentos de pádron – nem em Espanha comi melhores!
- camembert derretido com ervas aromáticas – um novo sabor, uma nova memória…
- ovas de cherne – uau!
- sopa do mar – honesta.
- sopas de cação – uma obra prima!
- massinha de cherne – bateu-se bem.
- ensopado de safio – oh my god!
- cabidela de pica no chão – yes, yes, yes…
- gelado de bauninha com passas de ameixa – a arte do contraste. Expressionismo puro!

Bebeu-se um vinho branco ao qual, confesso, não dei a atenção devida porque era eu que ia conduzir, mas sobretudo porque, foi escolhido sem convicção (os melhores vinhos estavam a preços proibitivos). O serviço foi inexcedível.
Um dia de férias assim, em que tudo está no limiar da perfeição, vale por uma semana ou duas no gelo da praia da figueira. E o preço acaba por ser muito inferior. Viva o 19º buraco do Campo Real! Viva!

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