21/09/06

As Músicas do Porco – Brass in Pocket, The Pretenders, por Pop Eye

A New Wave rebentou nos anos 70/ início dos 80. É difícil defini-la devido à ausência de uma unidade estética. Mas se nos restringirmos humildemente à música, a onda é devedora do Punk e afasta-se quer do Rock progressivo quer do Disco Sound, consideradas as pragas da época (como podemos ser injustos e cegos quer dizer surdos).

A New Wave ultrapassou a anarquia estética e o primarismo musical dos punks que se gabavam de não saberem mais que três ou quatro notas por oposição aos virtuosos do rock sinfónico: Rick Wakeman vs Sid Vicious… É mais melódica e cuidada que o punk mas sem se aproximar, nem de perto, das pretensões das super bandas sinfónicas como os Pink Floyd, os Génesis ou Yes com as suas faixas de 20 minutos e álbuns de apenas quatro composições. A N.W. significou pois o triunfo, o eterno triunfo, da Pop Music.

Mas ao mesmo tempo manteve algo da frescura e da rebeldia dos Punks. No visual, na recuperação da simplicidade e do paradigma duas/três guitarras, bateria e voz e muita electricidade e energia. Houve grupos que nunca se renderam e nunca deixaram de ser punks, como os Sex Pistols, os Damned ou os Ramones. Mas outros houve que fizeram a transição do Punk para a New Wave, como os Stranglers ou o Ian Dury e os seus Blockheads. O Joe Jackson, os próprios The Police ou os Talking Heads, quanto a mim, nunca foram Punks. Foram sempre new waves… E depois ainda havia umas quantas bandas efémeras que lançaram um disco e morreram como pirilampos, mas que eram componentes essenciais da onda: alguém se lembra dos Knack, dos Undertones ou dos The Vapors? Pois, mas se eu falar em músicas como Turning Japanese, My perfect Cousin e My sharona há muita gente a lembrar-se.

Eu gostava muito das bandas New Wave. Depois passei a achá-las demasiado Pop. Na altura achei que faltava a estas bandas a energia do Rock que encontrava nos Led Zeppellin, nos eternos Stones ou nos jovens – à data – The Clash… Mas agora recuperei outra vez as velhas canções new wave como All this useless things de Elvis Costello … Mas sobretudo re-descobri Brass in Pocket dos Pretenders – uma música fantástica, um clássico dos anos 80. Ainda por cima recuperada por Sofia Coppolla em versão karaoke no brilhante Lost in Translation. Brass in Pocket realiza, como poucas músicas da altura, a síntese entre a energia do punk e a elegância pop da new wave. É uma música melódica, versátil e, ao mesmo tempo, delicada. E é uma sorte que tenham inventado o you tube e que Brass in Pocket se possa ouvir nas colunas do vosso computador. Ora ouçam:

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