31/10/06

The Big Crash, por Piçágoras

Quase passou despercebida a notícia bombástica da semana passada: o Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra deu razão a uma aluna que recorreu da invenção da espantosa ministra da educação que decidira repetir os exames de Química e Física do 12º ano. Conhece-se o enredo: foi criada, com esta estapafúrdia invenção ministerial, uma situação de excepção que beneficiou apenas os alunos de Física/Química e dentre estes, apenas os que haviam feito o exame na primeira fase. Houve logo vários recursos em tribunal e agora uma aluna de Coimbra viu a sua razão ser reconhecida: o Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra considerou e bem quea aluna não podia ser prejudicada e ordenou que tivesse acesso a um segundo exame. Era óbvio, só para Maria Lurdes é que não…

A reacção de Lurdes Rodrigues a esta decisão do tribunal é fantástica e ninguém parece ter-se apercebido da gravidade das suas afirmações. A senhora diz que respeita a decisão do tribunal e cumpri-la-á, ordenando, portanto, um exame especial para a aluna em causa. Como? Terei lido bem?

Em primeiro lugar creio que não passaria pela cabeça nem ao diabo que a senhora não cumprisse a decisão do tribunal. Era o que faltava. Mas cumprindo-a e reconhecendo-lhe razão, a ministra reconhece assim o erro da sua decisão original: a da repetição dos exames. Isto já é grave e devia merecer consequências políticas. Como estamos em Portugal, seria de esperar pelo menos a demissão de um porteiro do Ministério da educação. Mas não. Parece que «no pasa nada»…

Mas o pior é que a dona Maria de Lurdes ficou-se pelas meias tintas. Não, ela não se deveria limitar a mandar fazer um exame apenas para a aluna em causa. Devia, isso sim, como Ministra da Educação que é suposto ser, MANDAR REPETIR TODOS OS EXAMES DE TODOS OS ALUNOS EM IGUALDADE DE CIRCUNSTÂNCIAS COM A ALUNA QUE GANHOU O RECURSO. Mais: com todos os alunos – não só os de química – que ficaram prejudicados em relação aos seus colegas que usufruíram de um regime escandaloso de excepção. De outro modo o que Maria de Lurdes está a admitir é que a justiça só vale para quem tem dinheiro para mandar meter recursos. E os milhares de alunos que, infelizmente, não têm possibilidades monetárias para fazer idênticos recursos? Esses ficam na mesma, discriminados e tratados como cidadãos de segunda só porque não têm meios económicos para meter recursos. E a ministra esquece quem é, esquece que é ministra e que é da educação e deixa-os assim, como se nada fosse com ela, como se não tivesse qualquer obrigação, ética, cívica, meramente profissional, que seja, para com eles… É triste!

É claro que se isto se passasse num país a sério e não nesta África ocidental onde vivemos, a indignação das pessoas far-se-ia sentir. Mas o pessoal quer é bola, floribela e morangos. Batatas! E os políticos do governo que estão sempre a atirar-nos à cara com a superioridade das sociedades nórdicas perdem aqui uma boa oportunidade para lhes seguirem o exemplo. Já que o enfadonho e apático povo português não se indigna como deveria e não pede em uníssono a demissão desta ministra, porque razão não se porta Sua Excelência como uma sua congénere Sueca ou Finlandesa e segue o único caminho que, em coerência lhe restaria num país culto e civilizado, que é como quem diz, o caminho do olho da rua?

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