30/10/06

A Culpa é do Dedão!, por Dédalo

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Para assumirmos uma bipedia permanente, abdicámos da oponibilidade do polegar dos membros inferiores e da capacidade de preensão característica dos restantes primatas. O dedo grande do pé é essencial à locomoção bípede. Experimentem andar descalços e sem tocar com o dedão no chão. Tornam-se lentos e pesados, andam aos pulos como crianças que aprendem a andar. Na aurora dos tempos, nas savanas africanas, isso significava, para os muitos predadores, uma só coisa: sobremesa fácil! O dedão autonomizou-se e os predadores tiveram que procurar outros manjares. Com o dedão requalificado e dispensado da oponibilidade, podemos correr e fugir, dar o impulso final do salto que nos permite alcançar o galho da árvore e assim salvar a vida, mudar de direcção bruscamente e iludir os perseguidores, verticalizarmo-nos e elevar o ângulo de visão, melhorando a capacidade de percepção do perigo, pois podemos pôr-nos de pé e ver mais longe. Foi uma mudança decisiva. O desvio do dedão relativamente à sua função natural teve um preço: o dedo grande do pé já não serve para agarrar. Esta novidade, incorporada geneticamente nas características da espécie, dificultou-nos a acoplagem ao corpo materno. Um orangotango bebé agarra-se ao corpo quadrúpede e peludo da mãe com os 4 membros. Uma cria humana tem uma mãe bípede e sem pêlos e só dispõe de dois membros para se segurar. A bipedia inutilizou-lhe os pés para este fim específico. Tal facto exige que a mãe lhe empreste os seus dois membros superiores e o ampare ao colo. A mãe emprega os membros inferiores na locomoção e os superiores a segurar a cria. Torna-se inútil além da maternidade. Incapaz de lutar, está indefesa. Incapaz de colher alimentos, carece do auxílio dos machos. Cria-se uma relação de dependência da fêmea que exige a protecção do macho. Há quem veja aqui o início da monogamia. As relações sofisticam-se e requerem a linguagem e há quem especule que a origem da fala decorre assim desta vulnerabilidade das crias. Tudo começou com um dedo desviado do fim natural e que deixou de se opôr aos restantes! Incrível! Terá toda a história da Humanidade resultado de uma correcção tão ínfima? Fascinantes reflexões a propósito de um artigo da National Geographic sobre a «Menina de Dikika», fóssil de uma criança de 3 anos de idade achado no deserto da Etiópia e datado de há 3,3 milhões de anos! Artigo disponível na edição portuguesa que hoje saiu com um preço de promoção: 1 euro! A comprar já. Disponível on-line também.

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