08/10/06

Leituras – 1996, por Cão

A pedido de várias famílias e de outros tantos polemistas do nosso chiqueiro, aqui vai uma súmula “pró-goto” das leituras que me aconteceram em 1996.

Janeiro

Comecei a refrega com sete adaptações BD de outros tantos clássicos da literatura corrida. Nomes bons e grandes: O. Henry, Melville, Stevenson, Dumas (o papá), Shakespeare, Hawthorne e Rostand.

Depois, dei-me ao delíquio impressionista de um dos mais formosos prosadores da língua portuguesa: Wenceslau de Moraes (“Traços do Extremo Oriente”). Segui com Carlos Fuentes. A páginas tantas, estava de volta dos “Contos de Nick Adams” (muito bem escritos) de Hemingway. E Janeiro não acabou sem Borges (“Os Conjurados”) e um livro do meu amigo Joaquim Jorge Carvalho, “Zarco à Vela”.

Fevereiro

Fevereiro entrou com Bloch e o divino Ray Bradbury. Vai-não-vai, na noite de 14 acabei “Giulietta”, de Fellini. Houve o espanhol Javier Tomeo? Houve. Li as “Onze Histórias de Futebol”, do CJ Cela, e dois Woody Allen, “Não Bebas dessa Água” e “Annie Hall” (lembram-se do filme, claro).

Março

Em Março, li pouca coisa. Mas não deixo em claro “The Best of Saki”, um escritor inglês de princípios do XX que é de um humor perfeitamente corrosivo.

Abril

Abril foi melhor: o mágico Hammett, o mágico Poe e o mágico Lovecraft, entre outros de mediana magia. Também li uma coisa de que me esqueci: “Para uma Arqueologia do Discurso Imperial (elementos)”, de Fernando Gandra.

Maio

Em Maio, fiz 32 anos. Safoda. Li Camilo, Kundera, Tolstoi, Sylvia Plath (divinal “A Campânula de Vidro”) e Carpentier. E ainda um voluminho porreiraço: “Outstanding Short Stories”. Topem-me só os gajos (maila gaja) antologiados: HG Wells, O. Wilde, PG Wodehouse, Katherine Mansfield (esta é a gaja, ó Grunfo Sapock), EA Poe, Anthony Trollope e WS Maugham.

Junho

Junho e o carago, e aqui vai disto: a 18, uma obra-absolutamente-prima: “Winesburg, Ohio” do gigante Sherwood Anderson. Li uns portugueses muito fraquitos, ah pois li. Safodam. E li Thomas Mann, que não é português nem fraquito. Mais PJ Farmer (boa ficção científica).

Julho

Zinga-zinga, Julho. Entre outras merdas, espetei-lhe com “El Olor de la Guyaba” (o Gabo em conversa com Plinio Apuleyo Mendoza) e “A Festa de Mrs. Dalloway)” da maravilhosa louca que viveu sob o nome de Virginia Woolf. Lá mais para diante, o comovente “Adeus, Mr. Chips”, de James Hilton (todo o professor deveria ler este livrinho). Para o fim do mês, Carson McCullers (é gaja, ó Grunfo!) e Deus-em-Pessoa, isto é: Julio Cortázar (“Octaedro”).

Agosto

Foi um rico mês: li 18 coisas. Destaco: Javier Marías (“Vidas Escritas”), Calvino (“Porquê Ler os Clássicos?”), Erasmo (“Elogio da Loucura”) e um livrinho que muito poderia ser útil ao Grunfo: “As Onomatopeias e o Problema da Origem da Linguagem”, de Rodrigo de Sá Nogueira. Houve ainda tempo para Strindberg, Maruja Torres (gaja, espanhola), um Maigret (nº 585 da Vampiro) e mais umas tretas esquecíveis e esquecidas.

Setembro

Rica coisa, mamã: comecei Setembro com o meu adorado Nicholas Freeling (“Herança de um Inferno”, Vampiro nº 289). Também li aquela brincadeira do gordo brasileiro Jô Soares, “O Xangô de Baker Street”. Li um José Gil: “Salazar: a Retórica da Invisibilidade”. E “Infernos”, de “São” Genet.

Outubro

Dez livros em princípios desse outono acabado. Entre os quais, coisas mundiais: “Arte Poética – O Meridiano e Outros Textos” (Paul Celan), “Sob o Sol Jaguar” (I. Calvino), “A Era do Vazio” (G. Lipovetsky – leste, Baice?), “O Ministério do Medo” (G. Greene), “O Som e a Fúria” (outro Deus-na-Terra: W. Faulkner) e aquela coisa muito hippy & etc, “Siddharta” (H. Hesse). Também uma coisinha didáctica sobre as maçonarias, “As Sociedades Secretas”, de Serge Hutin.

Novembro

Uma coisa fantástica: “Amanhã na Batalha Pensa em Mim”, de Javier Marías. E foi o único em todo o mês. Devia ter mais que fazer.

Dezembro

Li dois Simenon em Dezembro, um dos quais fica aqui: “O Homem que Via Passar os Comboios”. Obra-primíssima: “Autobiografia do General Franco”, de Deus-Catalão: MV Montalbán. Mais um Cela esquecível. E, então, uma obra que relerei: “A Montanha Mágica”, de Thomas Mann – merece a fama. Li “A Boa Viúva”, do José Vilhena, e acabei com uma coisa extraordinária: de Marguerite Yourcenar (gaja, Grunfo, e fufa), “Peregrino e Estrangeiro”.

Não li Morris West.

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