27/10/06

Pequena História de Portugal, por Revisor

O Marquês de Pombal foi um déspota sanguinário – basta lembrar o cruel e insidioso processo aos Távora e as mortes horríveis que o Marquês lhes decretou. Pombal, acusou-os – num processo forjado e sem provas concludentes – de terem tentado assassinar o rei, D. José. Desse processo, habilmente controlado pelo Marquês do Reino, resultou a condenação de toda (!) a família Távora a uma morte horrível num palanque erguido na zona do Estoril para gáudio da populaça.

A família condenada foi obrigada a assistir ao horrendo fim dos seus entes queridos. Os mais afortunados começaram por ser enforcados ou decapitados. Mas como as torturas deviam obedecer a um critério de variedade para entreter o povo, outros não tiveram tanta sorte. Os mais desgraçados foram queimados vivos, outros ainda foram degolados ou esmagados pelas marretas dos carrascos. Nem os apelos de piedade de gente distinta do reino, como a própria princesa Dona Maria, futura rainha Maria Pia, demoveram Pombal do seu desígnio tenebroso. E nem vale a pena falar da horrenda perseguição aos Jesuítas.

Hoje querem que recordemos este homem como um modernizador, como um ser culto e avançado que fez o país andar para a frente. É de doidos! Pombal merecia ser lembrado como um dos maiores facínoras da nossa história, estou-me nas tintas se fez a reforma da educação e da indústria e se reconstruiu Lisboa. Ao pé da sua crueldade isso são pormenores irrelevantes. Repuga-me ver os putos a aprenderem na escola a admirar um indivíduo destes. Espanta-me o branqueamento que lhe fazem os professores de história (pelo menos alguns). Salazar também recuperou a economia e nem por isso as suas estátuas lhe sobreviveram. O Marquês devia ser lembrado, isso sim, pela sua inusitada crueldade. Jamis deveria ter estátuas e avenidas com o seu nome na capital do país. E já estava na hora do ridículo rei D. José ser apeado do cavalo. Parecemos os Mongóis a venerarem o Gengis Kahn, caramba, que espécie de povo somos nós?

Staline também reconstruiu a Rússia e não me consta que haja nenhuma estátua do facínora na Praça Vermelha, nem nenhuma Avenida Josef Staline em Moscovo. E os chilenos estão agora a ajustar contas com o pilantra do Pinochet, tal como os argentinos já fizeram com os seus generais. Os espanhóis também fizeram justiça ao seu ditador e removerem a presença de Franco do seu quotidiano. Só nós continuamos a conviver impavidamente com esta vergonha quando, como os outros, já tivemos mais que tempo para rever a nossa história. A estátua do marquês devia ser dinamitada e em seu lugar erguer-se uma estátua à rainha D. Maria Pia que afastou Pombal e, pela primeira vez na Europa, decretou a abolição da pena de morte, isso sim um exemplo de civilização que a nossa história oficial remete para o estatuto de nota de rodapé! E aquela enorme avenida que tem o nome do marquês devia passar a chamar-se Avenida dos Távoras. Era o mínimo, se a memória dos homens não fosse uma triste anedota.

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