07/11/06

Alá Akbah!, por Wickie o Viking

Saddam Hussein foi condenado à morte por enforcamento. Não é que a morte de um tal facínora me suscite qualquer espécie de compaixão. Ele foi justamente acusado de uma série de crimes monstruosos e declarado culpado. Até aqui tudo bem. Mas não concordo que se responda aos seus crimes com a perpetuação de um crime de estado que é, no fundo, a pena capital.


Já nem quero focar a discussão na legitimidade da pena de morte. Sublinho apenas a superioridade da Europa relativamente aos EUA neste particular. Mas basta pensarmos que os Americanos – sim, são eles os juízes deste processo Saddam – estão a criar mais um mártir da «causa muçulmana» quando o ex-ditador iraquiano estava reduzido a uma figura risível. Vivo Saddam era uma personagem de pechisbeque, até para os alucinados de turbante que não simpatizavam com ele. Morto, «assassinado às garras do Grande Satã» vai transformar-se num mito, vai ser elevado à categoria de Super-Herói do Islão. Bush persiste, tenaz, na asneira e perde mais uma oportunidade para demarcar a civilização da barbárie. Do fundo de uma gruta, algures no Afeganistão, Bin Laden agradece...


P.S. Ao que consta os governos europeus já se demarcaram desta infeliz decisão. Há um estado europeu, o seu presidente da república e o seu primeiro-ministro, que persistem, porém, em manterem-se calados, em escudarem-se em cínicos «Suas Excelências não têm nada a declarar» (a não ser que os obriguemos, claro). Falo do nosso Portugal, pois claro. «Não hostilizarás o Poderoso», assim reza o primeiro mandamento da Bíblia Hipócrita de Zé Aníbal Sócrates Cavaco, neste como noutros casos.

Sem comentários: