31/10/07

O Mentiroso, por DervicheRodopiante

O inginheiro Pinto de Sousa ficou muito ofendido com as mais recentes manifestações dos comunistas e além de lhes chamar comunistas, manifestou-se por sua vez muito desagradado por tais manifs o ofenderem pessoalmente. Diz o homem que ofenderam na sua honra e dignidade, nomeadamente por repetidamente lhe chamarem Mentiroso.

E eu, pasmo. Mentiroso? E daí? Não o é? Estranho. Mas de repente fez-se luz. Atão se o homem num trabalho de formatura e de meia página de Inglês Técnico dá 19 erros, natural é, que se lhe escape também algum português.

E atento às necessidades educativas deste país, eu passo a explicar a coisa ao Sr Pinto de Sousa, assim que a modos e jeito de carta aberta:

- Ó Pinto, isto é assim, quando tu foste eleito prometendo que jamais aumentarias os impostos e depois de eleito não aumentaste nem um, nem dois, nem três mas todos e brutalmente de uma vez, a isso chama-se ser mentiroso;

e quando te justificaste dizendo que o partido anterior te deixou um défice de mais de 8%, que afinal depois se vem a ver que era de menos de metade, isso também é ser mentiroso,

mas mais, quando tu prometeste fazer um referendo ao tratado constitucional e agora achas que não é necessário e não fazes, isso é mentir. É de mentiroso portantos! Digo eu e diz o dicionário,

e quando prometeste criar 250.000 empregos e afinal a taxa de desemprego rompe com todos os recordes, a isso também se chama mentir!

Eu sei que dói, mas vais ver meu caro Pinto que é mais fácil assumir do que passar a vida a negar a evidência. Meu caro Mentiroso, Assume-te! Sai do armário.

30/10/07

O Fim, por Lélé da Cuca

Acabara-se tudo! Tornara-se impossível suportar aquela mancha negra como a noite mesmo no centro. Além disso amarelecera com o tempo, estava cada vez menos nítida e eu desesperava sem perceber o que ela dizia. Estava farto, farto! Nada é eterno, pensei resignado, mas convicto da decisão que acabara de tomar...
- E qual é o modo de execução que prefere? - o empregado da papelaria interompeu-me os pensamentos. De momento temos um óptimo serviço de forca, mas se desejar o fuzilamento há agora a promoção de Outono e sempre poderá poupar nos custos. E, bem vê, se optar pela guilhotina, claro, sempre é uma coisa com tradição, com salero, enfim com nobreza...
- Pode ser o enforcamento. Posso pagar com multibanco? - respondi secamente.
Ao sair olhei uma última vez para o letreiro pendurado na porta porta da papelaria Marciano que dizia:
«Executam-se fotocópias».
Esta, pensei, já não volta a chatear mais ninguém.

25/10/07

Lá Vamos Perder Mais Um Bom Assador De Leitões E Ganhar Mais Um Manhoso Inginheiro-Doutor, por Birgolino


O inefável Walter Lemos, qual guru supremos destas coisas, veio hoje anunciar que não tem sentido chumbar alunos por faltas e como tal os minino deixam de chumbar por faltas. Segundo ele, guru, há integrar e não que excluir.

O aluno que chumbe por faltas, digo, que atinja um certo limite de faltas, uma vez que já não chumba, passa a ser obrigado a fazer uma prova de recuperação. Assim o sistema escolar a passa a ser inclusivo e a não meter os minino na rua, na droga, no assalto e no parque Eduardo bibi.

A malta que já não conseguia chumbar por não saber, deixa agora de poder chumbar por faltar. O último reduto pelo qual o sistema ainda poderia ter alguma exigência e controle sobre os jovemzarros selváticos deixou de existir. Porque a escola foi eleita como salvadora da pátria.

Ranking, por Cão

Uma "boa escola"? Uma "boa escola"?
Só quando importarmos (como fazemos a tudo o resto) o modelo Americano.
Quantos mortos em quantos atentados?
Sabes, aquela cena dos putos adolescentes que compram armas pela net à National Rifle Association porque não entraram no 5 do basquetebol ou do baseball, tázaver, e a gaja mais peituda, a cheerleader, curtiu com outro gajo igual a eles mas não com eles no Prom, que é o baile da iniciação, tázaver, adultos e assim, depois US Army e bora a matar por oil, tázaver, for christ's sake.
isso é que era um ranking.
mas já estou a ver a lusa pobreza de resultados:

14 coxos na Avelar Brotero.
duas janelas partidas no S. Pedro.
no S. Teotónio, um preto da guiné com uma colher de café.
no Rainha Santa, dois hambúrgueres e uma fanta.

etc.

digo isto porque ando chateado de há tempo não me chegar da América, tirando os incêndiozitos de agora na califórnia do schwarzenneger, um furacão à maneira, um tiroteio de liceu, sei lá, um náinilévânezito p'ra entreter.
rankings das escolas portuguesas?
valha-te deus, méne.

(adaptado de um comment do próprio Dog)

24/10/07

O Mistério Dos Bons Docentes Que Só Há No Dona Maria, por Hérculeo Coirot


As notícias de rádio de hoje de manhã, abriram com a publicação do Ranking das escolas do país. E pela enésima vez lá vinha a escola secundária Dona Maria de Coimbra entre as melhores. Segundo parece, neste ano o velhinho Dona Maria é até a única escola pública que entra nas 10 primeiras do Ranking.

A rádio, no caso a TSF, foi depois entrevistar a Directora do excelso Liceu capaz de tais maravilhas e prodígios. E onde esperava alguma sensatez e comedimento, até porque todos sabemos das envolventes destes Rankings, eis quando não, a senhora desata a auto-elogiar-se falando de um “Bom Corpo Docente”, de um elevado grau de exigência, e que de facto já estão habituados porque todos os anos lhes é reconhecida a qualidade, e só com muito trabalho e esforço, etc etc. E aos costumes nada mais disse.

Ora, sabendo nós que o Dona Maria como todas as escolas, não escolhe os professores, nasce assim um mistério sério. Porque raio é que o Dona Maria fica sempre nos lugares cimeiros do Ranking? Mistério. Bom Corpo Docente? Acima das outras escolas todas?

23/10/07

Rolling Stones em Coimbra, por Automotora


Pessoal:

Quinta feira vou prás bombas da Adémia ver se arranjo bilhetes prós stones. Um gajo hesita, porque os bilhetes são caros, e depois dá uma espécie de comichão de remorso que não se aguenta. Pronto, se mais alguém quiser bilhetes, diga agora. Posso comprar até dois mil, que é o número dos que vão estar à venda na galp.
Eu também falei com o Mick Jagger ontem
- Tinó, méne, estás porreiro?
- Olá mick. Vai-se andando, com a cabeça entre as orelhas.
- Hehehe. E a família?
- Bem, obrigado. Diz lá o que queres.
- Era para saber se vais a Coimbra ver a malta...
- Talvez, méne.
- Já tens bilhete? Se quiseres arranjo-te.
- Pó caralho! Já me arranjaste um há vinte anos para Alvalade e nunca mais te calaste com isso. Vou às bombas da adémia comprar um. E se me der na cabeça, nem vou! Fico em casa a ouvir os beatles!
- Vá lá, tinó! Olha, arranjo-te um salvo conduto prós camarins! Vens beber uns copos com a gente!
- Não me apetece. Se for, vou prá relva. Melhor, vou prá bancada mais longe. Sou até capaz de ir ver a coisa pró viaduto do Norton de Matos...
- Fónix, sempre esse mau feitio! Nunca estás satisfeito com nada! Eras puto, já eras assim. Por falar nisso, manda lá mais letras de canções, méne. Andamos para aqui a repetir as músicas velhinhas, só porque sua excelência não lhe apetece fazer mais!
- É pá, ando sem cabeça para isso. És tu a chatear, é o Robbie Williams a chatear, é o Bono a chatear...Vá lá que o Frédi Mércuri já quinou! Vê lá se vocês puxam também da mona um bocadinho, catano!
- Olha, por acaso fiz uma há bocadinho. Vê lá se gostas: hey, you, get off of my cloud..
- Hehehe, estás a ficar xéxé...
- Porquê? Não percebi. Olha lá uma coisa: eu ontem falei com um tal luzi pelo telefone. Andava aqui a ligar números da Solum ao calhas e apanhei um luzi. Tive praí meia hora a falar com o gajo, mas já não me lembro nada do que dissemos um ao outro. Mas falava bem inglês, o cabrão! Se conheceres o gajo, pede-lhe desculpa por mim. Maldita cocaina...
- Tá bem. Esquece.
- Só mais uma coisa: já me esqueci como era aquela receita da chanfana...
- Arre! Compras cabra velha, colocas num caçoilo de barro, barro preto de Molelos, de preferência, enches de vinho carrascão, um pouco de azeite, pões pimenta, salsa, cebola, podes pôr uma cabecinha de cravinho, se gostares, levas ao lume e depois vai apurando para aí duas horas, no mínimo. É preciso estar sempre a repetir a mesma coisa? Pronto, dá lá cumprimentos à malta. A sério que se puder vou ver-vos. Xau, xau, pronto, desliga lá... vou desligar pá, tem que ser, pronto... ok, xau, agora tenho mesmo que desligar...piiiiiiiiiiiiiiiiiiiii


Com significativo atraso, aqui fica mais um mail do Automotora, da era Pré-Porco, em 09 de Setembro de 2003

19/10/07

Estou-me a Vir, por Garoto de Ipanema

Na passada quarta feira Caetano Veloso, um dos maiores génios vivos da história da música contemporânea, veio a Coimbra apresentar ao vivo o seu último disco, Cê. Pelo que me apercebi, uma grande parte das pessoas não gostou do concerto. Compreende-se: as pessoas deviam ter sido avisadas antes de comprarem os bilhetes. Um pouco como quando compramos tabaco e temos que gramar com imagens de crâneos humanos nos maços e letras estridentes a avisarem-nos que «O tabaco mata». Até era giro, um bilhete para a primeira plateia e no verso a letras garrafais: «Aviso: este concerto é só para incondicionais. Pode prejudicar gravemente a sua saúde».

Pois foi. Caetano podia ter avisado a malta… Dizia logo no início: «não toco o Leãozinho nem o Sozinho nem o Menino do Rio. Não que não sejam excelentes músicas, que obviamente são, mas tou farto, prontos!»
Mas não foi por estar farto, digo eu, que o Caetano não tocou as suas músicas mais populares. Acontece que cada concerto dele tem subjacente um conceito. Vi o génio da Bossa Nova 6 vezes ao vivo e não houve um único concerto igual. Caetano parte sempre de uma ideia que desenvolve e explora. E no conceito subjacente a este concerto não entravam os sucessos e, muito menos, versões clean dos sucessos. Quem o conhece já sabia previamente ao que ia. Quem não o conhece devia ter tido o tal aviso no bilhete.

A primeira vez que o vi ao vivo, no Coliseu de Lisboa, o conceito foi a Simplicidade, a Pureza., a Natureza... Foi um concerto solar quase unplugged com violões e batuques. Fiquei siderado! No fim, após três ou quatro encores, o menino do rio, ainda teve arrojo para descer do palco e vir sentar-se numa cadeira diante do público, já com as luzes do Coliseu acesas, para nos brindar com uma inesquecível interpretação de Tigreza. Só voz e violão.

O segundo concerto que vi dele, chamava-se Totalmente Demais e deu nome a um disco. O conceito foi a Intimidade. Foi uma coisa quente, apaixonada, num formato small space: no Brasil Caetano fez esta tornée em pequenas salas, aquilo tornou-se um mega sucesso e em Portugal acabou por passar, mais uma vez, nos Coliseus. Mas manteve-se algo daquele clima original de intimidade e confessionalismo. Lembro-me de uma versão de Billy Jean de Michael Jackson, que haveria de ser gravada posteriormente. Fantabulástica! Caetano faz ouro do que quer que seja…

Pelo meio vi-o numa Queima das Fitas em Coimbra, ainda no velhinho Parque Manel da Nóbrega. As Queimas devem ser os piores locais de todo o planeta para músicos com a qualidade de Caetano. O concerto foi prejudicado pelos beberrões habituais e pelos putarrecos armados ao pingarelho, mas percebeu-se algo da ideia inicial de Caetano. Eu diria que a Transgressão foi o conceito adoptado, numa tentativa de se adequar a um hipotético ambiente estudantil. Guardei desse concerto a memória das canções ambíguas de Caetano (como Ele Me Deu Um Beijo Na Boca), um Caetano muito próximo de Ney Matogrosso. A estudantada não achou piada, pudera, mas até aí Caetano foi ele mesmo e não cedeu a facilitismos. Despediu-se com um beijo na boca ao guitarrista.

O quarto concerto foi o pior de todos. Achei o Caetano irreconhecível. Toda a gente sabe que Prenda Minha foi o álbum que fez explodir comercialmente a carreira de Caetano Veloso. Muito por culpa da música Sozinho (ironia das ironias, nem sequer é um original de Caetano). Caetano veio ao Porto e deu o mais comercial de todos os seus concertos: reproduziu, quase integralmente Prenda Minha, como fazem todos os músicos que não são geniais como ele. O Coliseu do Porto veio abaixo e eu não reconheci Caetano. No fim acabou tudo a dançar os sambas que ele tocou como no disco e eu nem reagi. Não que o concerto fosse mau, não que não goste de Prenda Minha, mas é o Caetano, pá, eu tenho o Caetano como um dos meus maiores heróis musicais, praticamente no mesmo patamar de Mozart, de Amália, de Brel, de Vínicius, dos Stones dos velhos tempos, dos Beatles…
Mas o Caetano também não gostou do retrato de Prenda Minha. Ele próprio confessaria mais tarde que aquele disco não era o Caetano Veloso genuíno, o músico genial que já tinha mais que uma boa dezena de discos editados, sem atingirem, todos juntos, os milhões de vendas de Prenda Minha. Podia ter-se rendido e ficava a fazer mais música daquela. Mas não: decidiu continuar a experimentar e a explorar novos conceitos musicais. Vi-o pouco depois em Coimbra num dos melhores concertos a que alguma vez assisti: Noites do Norte.

Noites do Norte voltava a ter um conceito que não a reprodução das faixas mais populares com o anterior. É incontornável a presença de Jacques Moremlembaum nesse disco. Dele disse Caetano, que o ensinou a «não ter medo da música». Morenlembaum é um músico de formação clássica, toca violoncelo e acompanhou, entre outros, músicos de vanguarda como Arto Lindsay e compositores magistrais como Riuchy Sakamoto. Noites do Norte tem a sua marca. Acho que o concerto teve com conceito chave a ideia de Miscegenação. Caetano misturou os géneros, às tantas não sabíamos se o que estávamos a ouvir era rock, se musica de câmara. Foi brilhante, um dos melhores concertos que já vi, infelizmente prejudicado, mais uma vez, por hordas de jovenzarros que foram para ali conversar em vez de ficarem nas docas a emborcar cervejolas. Foi em Coimbra, pois, e houve um criminoso qualquer que se lembrou de meter os bilhetes a vinte e cinco tostões. Resultado: caiu lá toda a tralha e aquele momento único só não foi estragado porque a boçalidade não arranha a genialidade. Não me lembro de nenhuma música em especial desse concerto: lembro-me da sonoridade, lembro-me daquela noite como se todas as músicas fossem uma só, tal a fusão e a envolvência conseguidas, não por um, mas por dois génios da música contemporânea: Caetano e Morenlembaum.

E foi depois de todo este percurso que voltei a um concerto do Caetano: na última quarta, Cê. O concerto foi, mais uma vez, brilhante, absolutamente genial, com momentos de criatividade absoluta. O conceito? Entropia. Caetano subverteu tudo. Tocou as músicas de Cê, considerado pela empresa especializada americana como um dos melhores álbuns de rock do ano. Com uma formação band garage – bateria, baixo, guitarras -, Caetano foi buscar as músicas que mais se adequaram a este conceito. Tocou, de fundo de catálogo, algumas bem antigas da sua fase londrina – como You don`t know me de Transa (1972), Nine out of Ten e Shy Moon (de Velô). Até cantou uma das minhas músicas preferidas – London London, mas numa versão completamente entrópica, de acordo com o conceito subversivo do concerto. Rebuscou O Homem Velho, Os Novos Baianos, uma excelente versão de Fora da Ordem e passou Cê, quase de fio a pavio. Pelo meio tocou dois temas mais conhecidos – Desde que o Samba é Samba, o inesquecível Cucurrucu Paloma (já comentado no Porco em Post aqui: http://tapornumporco.blogspot.com/2004/05/as-msicas-do-porco-cucurrucuc-paloma.html) aqui numa versão em que se nota a falta do violoncelo de Morenlembaum, mas sempre sem cedências. Desde que o Samba é Samba é uma bossa nova certinha, bela, compassada: na versão apresentada no concerto tem um enorme solo de bateria pelo meio. Eu achei coerente, em conjugação com o estilo radical e surpreendente do concerto. Não que não adore as versões originais, mas tudo tem o seu lugar. E houve tempo ainda para Estranha Forma de Vida da Deusa Amália.

No fim do concerto encontrei por lá o nosso Arquitecto, himself, talvez o esteta mais radical do Tapor, o único ser humano que alucinou com uns gajos barulhentos que um dia vieram a Coimbra fazer a primeira parte dos Stones e de cujo nome já ninguém (nem ele) se recorda. «Ora aqui está alguém que adorou, como eu, o espectáculo», pensei. Mas não. O Arquitecto não foi lá muito à bola com aquela «estragação» do Caetano. Percebe-se, pois, o nível de arrojo estético a que chegou Caetano, pois se nem o Arquitecto…
No meio daquilo tudo houve uma música que, sem dúvida, marcou todos os presentes. Faz parte de Cê e chama-se Estou-me a Vir. Nela Caetano grita e geme e grunhe, em português de Portugal, que se está a vir umas 50 vezes. O Pavilhão Multiusos riu às gargalhadas enquanto Caetano interpretava esta música de letra impronunciável. No fim dos cerca de 5 minutos que dura a canção, alguém gritou, da plateia: «És tântrico». E foi…

Quem Guarda A Tropa??? Centurião da Privada.


Uma semana depois percebi o motivo que originou a notícia no jornal “O Sol” da semana passada. Informava que o pessoal civil dos quartéis se recusava a fazer outras tarefas para além daquelas para que tinham sido contratados e por isso, não sei se seria só por isso, não havia quem guardasse os quartéis. A solução adoptada foi contratar segurança privada para guardar os quartéis. Em Lisboa há pelo menos dois quartéis que estão a ser guardados por seguranças de empresas privadas.

A ideia à primeira vista pareceu-me razoável, temos de ter alguém que guarde a tropa, e até me suscitou algumas reflexões do tipo não vá algum meliante de ponta em mola na mão atacar um inocente sargento que, por distracção, se faz acompanhar de uma pistola sem cartucho de balas, ou até, quem sabe, não vá algum general ser incomodado por um crente da igreja da geografia a espalhar a sua boa nova…

Conclui que já não há confiança nos soldados, nos cabos, nos aspirantes e nessa tropa toda que deveria guardar a tropa toda e que deveria ser capaz de se guardar a si própria.

Um cidadão que é caixa num banco não merece protecção, tem braços e pernas e deve saber defender-se e guardar o cofre, agora um tropa não, deve ser guardado por um segurança privado. Estava convicto do que acima refiro até ser esclarecido pelo Porco.

Claro que li, ainda que com algum atraso porque tenho andado longe da gamela, o artigo do Hiper Camarada colocado aqui em baixo, e depois estarreci e fiz auto censura por pensar mal da tropa e de quem manda nela, claro que a tropa não pode guardar os quartéis porque anda a vigar e a bater nos comunistas, nos professores e noutras classes de manifestantes anti regime.
Ora aí está, também não percebo porque é que o jornal não esclareceu logo. É claro que o Porco está sempre atento e não falha…

17/10/07

Um Poema Faxioso para Engedinheiros com Receita no Modo Conjuntivo ao Gosto 25-linhas-papel-selado – por Cão

Sócrates Sarkozy Sarkókrates Sarkozyócrates
Sócrates só-que-te-rates
só-que-te-rates
só-que-te-rates
só-que-te-rates
só-que-te-rates

Não é preciso ter tomates
só-que-te-mates
só-que-te-mates
só-que-te-mates
só-que-te-mates.

15/10/07

Chamem-lhe «engenheiro», por Hiper Camarada

Na próxima quinta feira há uma manifestação contra o governo marcada para a capital. Na última, se bem me lembro, estiveram presentes cerca de 70 000 manifestantes. Comunas, claro. Entretanto, como os comunistas se multiplicaram, de então para cá, como os coelhos, desta vez estão previstos ainda mais. Com uma dificuldade acrescida. Parece que o primeiro ministro, pinto de sousa, é um rapaz sensível que se ofende facilmente quando é alvo de contestação pública. Não se vão poder gritar slogans ofensivos, como por exemplo, «25 de abril sempre» nem «fascismo nunca mais» nem «mentiroso». Então o que é que pode gritar - «Sr primeiro ministro, por favor, já está a ser ligeiramente irritante coa breca?»
Eu tenho uma proposta para evitar que sua excelência se ofenda: chamem-lhe «engenehiro», simplesmente «engenheiro». Vão ver que 70 000 gargantas a berrar «engenheiro» do Rossio até á baixa, dá um efeito surrelista à coisa que não é menosprezável. E, enfim, não se pode dizer que ofenda alguém. Digo eu...

11/10/07

Quem quer tramar Peculiar?

Vasco Graça Moura considerou-o o melhor livro de 2006. Eu não sou capaz de confirmar o dito, porque não leio o suficiente nem sei o bastante. Mas sei que o que li basta para o considerar um excelente livro, de leitura obrigatória por estar muito bem escrito, denotar um profundíssimo conhecimento dos factos que aborda, por adiantar interpretações inteligentes e esclarecedoras, por se referir a um assunto importantíssimo que não poderia ser mais actual apesar de velho de nove séculos. O livro é a biografia de Afonso Henriques publicado pela editora Temas & Debates depois de uma primeira edição pelo Círculo de Leitores. O autor é o consagrado José Mattoso, o nosso melhor medievalista, o mais original e rigoroso de todos os historiadores que se têm dedicado ao estudo da formação da nacionalidade e encontrado aí, no estudo do processo das origens, o terreno próprio, como já o fizera Herculano, para o questionamento e redifinição da identidade nacional.


Um dos aspectos que destaco da leitura deste livro é a importância reconhecida pelo biógrafo a D. João Peculiar. Mattoso não descobriu nada neste ponto. O papel do fundador de Santa Cruz e arcebispo de Braga na condução do processo de independência do condado, a sua influência junto do rei, a sua habilidade diplomática, a sua capacidade política, a força do seu carácter, a inteligência da sua estratégia, a sua actividade incansável já haviam sido notadas e reconhecidas por muitos outros historiadores, ainda que Mattoso derrame nova luz sobre os factos à custa de estimulantes hipóteses interpretativas.


De tal forma Peculiar foi importante que o índice remissivo do livro, ilustrando a omnipresença de Peculiar em todo o processo da independência, revela que o arcebispo é citado em 71 das 376 páginas do livro! Sem contar com o nome do próprio biografado, naturalmente, só Afonso VII merece mais referências, o que se entende.


Ora, o caso é o seguinte: se a figura e a acção de D. João Peculiar foram de tal modo determinantes, como é reconhecido pela historiografia mais isenta e rigorosa, porque razão os manuais escolares omitem o nome do arcebispo de Braga e fundador do importantíssimo mosteiro de Santa Cruz? Das dúzias de livros escolares que desfolhei, do 1º ao 12º ano, não encontrei um único que lhe cite o nome ou destaque a importância da sua acção. Pode ser que me tenha escapado alguma coisa, até pode acontecer que haja rodapés que me desmintam, anexos escondidos numa página final que contrariem o que afirmo, mas a razão da pergunta mantém-se. Tanto mais quanto o destaque dado a personagens como Jorge Sampaio ou José Saramago em alguns manuais escolares do 6º ano, por exemplo, torna mais chocante e inexplicável a ostracização de Peculiar.

09/10/07

Socialistas de Pechisbeque, por Perigoso Comunista

O primeiro ministro pinto de sousa, esse mesmo em quem agora ninguém votou, afirmou a propósito da milésima manifestação contra a sua pessoa e a política do seu governo que estas manifestações são organizadas pelos comunistas. Se são fazem bem, os comunistas, mas obviamente ninguém acredita que o descontentamento e a revolta que vemos um pouco por todo o país, seja corporizada apenas por comunistas. Estas declarações são rídiculas, cavernosas e neo-fascistas (era este o discurso de Salazar a propósito das oposições: eram sempre os ubíquos comunistas).
São declarações ridículas, ainda por cima vindas do líder de um partido que angariou camionetas para arregimentar bimbos da província para «abrilhantarem» a vitória de António Costa na Câmara de Lisboa. São ridículas vindas de um indivíduo que pagou a criancinhas para simularem manifestações de apoio ao governo aquando da entrega de uns computadores numa escola.

É chocante que socialistas como Mário Soares e outros «combatentes da liberdade» não se pronunciem sobre o clima de coacção que se vive no país. Soares foi o inventor do «direito à indignação» quando se tratou de fazer oposição a Cavaco. Até a manifestação na ponte 25 de Abril, essa sim, uma provocação que meteu jagunços contratados e tudo, se esconda num silêncio vergonhoso. Não tem nada a dizer quando manifestantes que contestam a política do governo são isolados por um cordão de segurança pelas forças da ordem em Montemor-o-Velho? Nada a declarar a propósito da rusga policial ao Sindicato dos Profs na Covilhã (deviam estar a preparar algum atentado à bomba, sei lá…)? Bem prega frei Tomás… E onde estão que não os ouço os indignados de outrora: o Sampaio, o Alegre e a horda pêesse de então? Emigraram? Foram todos para o Parlamento Europeu e não voltaram?

Numa altura em que o ex-ministro pêesse, Cravinho afirma que o maior choque que teve na sua vida política foi ver o incómodo do pêesse quando ele propôs medidas contra a corrupção, a polícia está preocupada com os perigosos sindicalistas-comunistas que andam a pensar em organizar manifestações contra o Governo. Mas não se justificaria antes, a julgar pelas declarações de Cravinho, uma rusga à sede do pêesse?

06/10/07

E você, sabe o que é o North Star?, por Desnorteado

Nós também não sabíamos. E viajámos cerca de 100 klms para tentarmos saber. Perguntámos a meio mundo. Ninguém ouvira, jamais, falar. «Perguntem áqueles», disseram-nos como quem fala para terroristas. Finalmente um velhote explicou-nos o que é o North Star.
E você? Sabe o que é o North Star? Será uma nova marca de artigos desportivos? Uma loja de pronto a vestir? Uma nova divisão de Rangers? Dê a sua opinião nos comments deste post. Se acertar, pagamos-lhe duas mil libras... Turcas.

04/10/07

O Que É Da Gente, por Al-Tomotora


Pessoal, tenho novidades! Venho agora da conservatória do registo predial e trago uma certidão que diz que o que nos pertence é isto (por ordem de importância):

a) Dois metros quadrados em volta do mostruário de caramelos da Ideal dos Chupas de Badajoz
b) o quiosque do Record e da Bola em Poubelle-Sur-Senne
c) o Algarve nos dias nublados de Dezembro e Janeiro
d) Lisboa nos dias de greve simultânea no corte inglês e no banco santander
e) as berlengas e os farilhões, quando as gaivotas estão ao largo
f) as cabinas da terceira classe do cacilheiro Algeciras-Ceuta
g) um milhão de metros quadrados de cinzas de eucalipto, à esquerda de Fuentes d’Onoro
h) a zona demarcada de merendas de arroz de tomate e filete de pescada no areal de Buarcos
i) um canteiro de salsa algures em Idanha-a-Nova
j) o enclave de Alcarraques;
h) uma jante especial, encontrada na berma da estrada entre Vigo e Porriño.

Entretanto fiquei preocupado com o que a malta anda aqui a dizer por causa dos mouros andarem a querer invadir outra vez o ocidente e a nossa terra também. Aos pulos de calhau em calhau os cabrões daqui a nada estão aí outra vez a plantar alfaces e tomateiros, que não dão sombras tão boas como os chaparros. E o pior de tudo é que vamos ter de começar a ouvir a rádio marrocos, que por causa daquela música deles nunca se sabe se está ou não sintonizada. Eu acho que devemos é ir todos outra vez prás Astúrias. O primeiro da confraria a chegar lá guarda lugar prós outros!

03/10/07

EU É MAIS GASES – por Cão



Arroto às vezes como se ladrasse.

Sobem-me do porão gases canoros

– e a mulher, em casa, vergonha na face,

odeia os arrotos, mas eu cá ador’-os.




Por vezes (pior), são gases mais fundos

os que me desfazem em cloro de estufa.

E à minha mulher, que já viu mais mundos,

cheiram-l’ eles a Verd(i)e e a ópera-bufa.

02/10/07

E ninguém lhe atira com isto à cara quando ele vai fazer jogging pró estrangeiro?, por 8,3


Cito do portal da iol:
«A taxa de desemprego portuguesa ultrapassou a espanhola em Agosto deste ano, pela primeira vez em 20 anos. Portugal foi um dos únicos três países da União Europeia onde o desemprego aumentou em Agosto face ao homólogo.
De acordo com os dados do Eurostat, o instituto de estatística da União Europeia, a taxa de desemprego nacional alcançou os 8,3% em Agosto, subindo uma décima face a Julho e oito décimas face aos 7,5% do mesmo mês de 2006. Esta foi, também a maior subida homóloga da taxa de desemprego da União. Além de Portugal só a Irlanda e o Luxemburgo registaram subidas da taxa, de três décimas cada.
Nos restantes Estados-membros, as taxas baixaram, sendo que a Polónia e a Lituânia lideraram a tendência, com recuos de 13,3 para 9,1% e de 5,8 para 4,1%, respectivamente.
Com este comportamento, Portugal está assim a divergir da tendência europeia e afasta-se cada vez mais dos padrões dos parceiros da UE. O nosso país regista agora a quinta taxa de desemprego mais alta da União e a terceira mais elevada da Zona Euro. Portugal ultrapassa mesmo a vizinha Espanha, cuja taxa de desemprego está agora nos 8%. À frente de Portugal estão apenas a Eslováquia (com 11,1%), a Polónia (com 9,1%), a França (com 8,6%) e a Grécia (com 8,4%).
Em termos mensais, a taxa de desemprego da Zona Euro manteve-se estável nos 6,9% e baixou uma décima na União Europeia para 6,8%. Já em termos homólogos, ambas as áreas registaram uma queda significativa, já que em Agosto de 2006, a taxa era de 7,8% em ambas as áreas.
As taxas mais baixas couberam à Dinamarca e Holanda (3,3% em cada) e as mais altas à Eslováquia (11,1%) e Polónia (9,1%).»


Informação complementar: o mesmo relatório da Eurostat afirma que o desemprego no nosso país é particularmente grave e vem aumentando no caso dos jovens até aos 25 anos e no caso das mulheres. Isto para já não falar nessa chaga que é o emprego precário ou o falso emprego que, como se sabe, entra nas estatísticas como sendo emprego real...

Ainda no mesmo portal da iol, lê-se noutra notícia publicada há mais tempo, o seguinte:

Cerca de 60 mil empregos foram criados desde que o governo socialista tomou posse, a 12 de Março de 2005.A garantia foi dada esta sexta-feira pelo secretário de Estado da Segurança Social, Pedro Marques, à «Lusa».
«Há um reforço da tendência de criação de emprego no período em que este governo está em funções», sublinhou Pedro Marques, sustentando que desde que o executivo «tomou posse até agora foram criados mais 60 mil postos de trabalho».
Pedro Marques falava a propósito dos dados hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e que apontam para uma taxa de desemprego de 7,9 por cento no segundo trimestre do ano, menos 0,5 pontos percentuais que no trimestre anterior.
«Tivemos uma evolução positiva, foi a maior queda em cadeia (trimestre anterior) dos últimos sete anos», realçou o secretário de Estado.»


Portanto este tal de Pedro Marques e o competente Instituto Nacional de Estatística dizem que estamos no bom caminho e que o Governo criou 60 mil empregos. O Eurostat diz, precisamente, o contrário. Conclusão: os tipos do Eurostat, o Instituto de Estatística da União Europeia, são uns mentirosos, obviamente ao serviço da Oposição, dedicados a denegrir a imagem do excelente governo de Portugal. Como não percebo nada de economia, só tenho um singelo comentário a fazer: chapem estes números nas ventas do pinto de sousa e da sua excelente equipa. Eles é que sabem destas coisas

Quinta Grande Vaca de Fundo Para Que O Xeco Volte, por Mangas

Lembro-me perfeitamente que a primeira vez que fui a um jantar da Confraria, Lampreia em Montemor, no dia seguinte, ao almoço com a minha família, contei resumidamente como tinha corrido a noite e disse que vos achava a todos uns loucos divertidos para tornar a coisa menos censurável aos olhos da minha querida mãe. A minha irmã perguntou-me se, afinal de contas, eu já fazia parte da Confraria e eu respondi-lhe que antes teria de dar provas de o merecer.

Posteriormente, e após cada expedição em que participei, não foram muitas confesso, mas as bastantes para sentir que tocava de perto uma coisa sagrada e especial, regressava sempre a casa com a noção clara do quanto me sentia privilegiado por ter, com todos vós, estabelecido uma relação de convívio que começava a ganhar contornos de algo parecido com amizade como eu a vejo - somos quem somos, respeitados e aceites como tal, a marrar com o que está ao lado ou a dar-lhe um abraço, o que interessa é sentir que fazemos parte da mesma tribo, da mesma irmandade e há algo que possuímos e mais ninguém possui: nós próprios.

Quando finalmente entrei de corpo inteiro na Confraria, no memorável Leitão do Bolho, talvez vocês não tivessem reparado, mas senti que devia ser um gajo um pouco mais interessante, um pouco mais importante do que a restante população que não pertence à Real Sponto do Tinto. Achava eu que, talvez não tivesse bastado ter cumprido os requisitos. Achava eu que talvez tivesse sido decisivo ter mostrado algo mais, algo que não vem num “Dogmário Para Mil Anos” nem em nenhuma alínea da Constituição. Algo que me tivesse feito convergir para o espírito que presidiu à fundação da coisa, à ideia de juntar uns amigos a uma mesa a pretexto de uns bons tintos. E ainda acho.

Serei talvez o mais novo Confrade de entre todos vós, se calhar aquele que menos legitimidade tem em tecer comentários ou reflexões nostálgicas. Contudo, não posso esquecer o direito que tenho em me sentir FODIDO com esta salganhada toda com o rumo que as coisas parecem tomar. Não pretendo impor a ninguém a minha opinião, mas não abdico de a manifestar. Não interessa saber quem falhou, se é que falhou, que voltas e revoltas deu o fio à meada até virmos parar aqui. Interessa isso sim, na minha modesta opinião, resolver a situação quanto antes e chegarmos a um consenso ou a uma decisão democrática. Penso que é notório que a alternativa mais escorreita será fazer uma nova VAGA DE FUNDO para o REGRESSO do XEKO, a qual inicio aqui e desde já: Xeko, volta, sou eu que te peço! Juízo!! Atinem!!