07/01/09

MONICA ROCCAFORTE, A SUBMISSÃO AUSENTE, por Porco&Mundo

Porque O Meu Mundo Não É Deste Reino
Parte DOIS – O Desabotoar Do Casaquinho Amarelo

Mas o Tapor, quando estuda e escava vai ao fundo e descobre qualquer cidade perdida. Assim, após aturada investigação, dezenas de horas na net, das wikipédias, aos fan sites, dos blogs marados aos doidinhos de todo, dos sites de fans italianos apaixonados aos húngaros diabólicos, após dezenas de fóruns e newsgroups, alguns de onde o autor foi expulso logo que levantou legitimas questões, aqui fica a postagem sobre a novel menina, Monica Roccaforte, uma das maiores porn stars europeias de sempre. Um caso sério de popularidade em Itália. Uma Autêntica Diva.

A biografia da Monica Roccaforte é o exemplo claro de como vivemos num mundo globalizado. Uma menina Húngara é descoberta num casting em Budapeste pelo Francês Woodman ao serviço da multinacional Sueca Private, que a leva para Itália, onde faz uma carreira fulgurante e estrondosa e onde conhece outra porn star, o Venezuelano Franco Roccaforte, com quem casa, retirando-se então ambos para o Chile onde criam os filhos.

Apesar da curta carreira, ou se calhar por causa dela, a Monica Roccaforte criou um verdadeira legião de fans e o culto à volta das suas performances atinge um verdadeiro fanatismo purista. Nos newgroups de fans onde o Tapor se foi obrigado a inscrever para penetrar e escavar, impera uma verdadeira religião de adoração da menina, que não tolera qualquer heresia. No mais informativo destes antros de adoração, um newsgroup da Yahoo, depois do copy past geral, levantei a questão de um suposto “booby-job” que tinha ouvido falar e tunga, fiquei a falar sozinho no hiper-espaço, excluído no segundo imediato. Foi gente desta que defumou presunto herege nas fogueiras públicas. Torquemada vive ainda. Está escondido nos newsgroups de fans da Rocca. E dá-lhe Forte.

O primeiro grande segredo sobre a vida da Monica Roccaforte é o seu verdadeiro nome. Sabemos que é de nacionalidade húngara e que foi descoberta pelo Pierre Woodman em Budapeste, em 1997, ao serviço da Private. Mas, nada mais do que isso. Nem a Private, nem a Salieri Entertainment que a “raptou” e muito menos o seu site oficial, nenhum deles revela o nome da Senhora. Adoptou o nome profissional de Monica e o nome de Roccaforte quando se casou com o venezuelano por quem se apaixonou. Mesmo os groupies mais fanáticos não sabem ao certo o verdadeiro nome da Senhora. O IADF, o ISEEK e o IMDB falam de vários nomes: Sandra, Jolan, Jenny, mas certo certo, só sabemos o que é revelado pela própria no Private Casting Nº 18, quando desabotoa o famoso casaquinho amarelo e responde ao franciú dizendo que se chama Szilvia, isto tanto quanto se percebe.

A menina Szilvia, nasce na Hungria, em 1978 (fala-se de 14/01/1978, mas parece que só o ano é certo, embora também se fale de 1971), pelo que conta hoje com 30 anos. Nasceu no seio de uma família de classe média e obtém o diploma numa escola comercial de import-export, após o que inicia uma actividade de foto-modelo. É no âmbito desta actividade que responde aos anúncios de modelos fotográficos para a Private. Em 1997 com 19 anos comparece no casting de Pierre Woodman em Budapeste.

No vídeo do casting – Private Casting X 30, ou Casting 30 -, percebe-se a incomodidade da menina perante o poderoso mundo multinacional que a Private lhe apresenta nas revistas desfolhadas. Contudo, certo é que o casaquinho amarelo é desabotoado e segue-se o contrato com a Private. Estranhamente, depois da desabotoadela não há visionamento da ensaboadela tradicional do porco francês. O Casting 30 termina com o photo shoot e prossegue com imagens do primeiro filme da Monica para a Private, o “Weekend In Bologna” (Private Gaya 3, também de 1997). Não existe, a aplicação do dedo milagroso que tanto afamou o Pierre. A menina assinou, mas não facilitou com o tal ponto g de ciência certa. E isto é tanto mais estranho quanto os famosos Castings se traduzem sempre no afiambrar da Castingada. A Monica escrevinhou mas recusou-se a ir ao castingo.

(Continua na Parte TRÊS – Il Confessionale, e na Parte QUATRO - It (Almost) Never Hurts To Show Respect)

MONICA ROCCAFORTE, A SUBMISSÃO AUSENTE, por Porco&Mundo

"Porque O Meu Mundo Não É Deste Reino".
Parte UM - Mistério Sério

Antes de mais um ponto de ordem. O Tapor não faz porno, nem publica posts porno. Para isso, há todo um outro mundo por essa net afora. O Tapor faz posts sobre o mundo porno, que é coisa radicalmente diferente. Portanto, as alminhas que andam para aí salivar, bem podem arrepiar caminho e arder noutro inferno, que a coisa aqui é séria. Estudiosa, investigadora e séria, muito séria.

De todo o modo e à laia de aviso a algumas almas penadas que possam andar aqui ao engano aqui fica o aviso: Deixai Toda A Esperança, Vós Que Entrais, Que Para Lá Destas Portas Só Há Maldição, Monica e Profanação!

O segundo ponto de ordem, resulta do facto que este é o segundo Post Porno de encomenda. Excepção feita à encomenda vinda dos Açores sobre a Marilyn Chambers, na tiragem anterior foi sempre respeitada a liberdade criativa do artista. Mas aqui, na boa da Monica a coisa foi encomendada, quase ordenada. Embora o animal da encomenda se tivesse enganado e referido à porn star do Fuga Dell`Albânia, que no caso não é a Monica, mas sim a francesa Karen Lancaume, certo é que a Monica não seria para vir para aqui desde já. A coisa está demasiado fresca e a história não se consegue fazer em cima da batalha. Há muita poeira ainda no ar e o cheiro a pólvora está muito fresco. Mas adiante, nenhum arqueólogo trabalha sobre condições ideais. Vamos a ela. E por partes, quatro mais precisamente.

Isto posto, importa também esclarecer desde já que esta menina é difícil. Muito difícil. Até agora e sobre as figuras do mundo porno que o Tapor se debruçou – à excepção da Melissa Melendez -, existe toda uma abundância de dados que se torna fácil biografar a porn star em questão e escolher a matéria com maior interesse. Em primeiro, tal deriva do facto de a maioria das porn star terem carreiras longas e compridas o que avoluma a matéria em circulação na net. Por outro lado, a maioria delas é americana e os Américas nestas coisa não brincam em serviço. Em último lugar, uma porn star é a última das pessoas a cultivar a privacidade ou esconder o que quer que seja. Que diabo, uma pessoa disposta a expor as suas partes pudendas a uma objectiva tamanho gigante colocada a poucos centímetros, dificilmente se preocupará com questões de privacidade. Pois com a nossa menina nada disto é assim.

A carreira de Monica Roccaforte é fugaz, cometa mesmo, sem trocadilho ou metáfora. Em 1997 é descoberta pelo Porco francês do Pierre Woodman - já aqui biografado -, e 18 filmes depois em 2001 a menina está retirada, casada e a criar os filhos. Se compararmos com os 1600 filmes do Holmes ou os 1800 do Siffredi, já verão uma diferençazita. Depois, a menina é europeia e pouco ou nada penetrou – sem gozo ou trocadilho, factual -, no mercado americano, já que estes pudicos da treta boicotam a Salieri Entertainment. Por último, a Senhora reteve ao máximo toda e qualquer informação pessoal. O seu próprio site oficial, ainda activo, que disponibiliza toda a sua criação artística, nada diz sobre o seu nome verdadeiro ou a sua biografia. Zero. Sigilo Absoluto. Incomum e incrível numa porn star. Mistério sério.

(Continua na parte Dois)

06/01/09

PR: abreviatura de praga? por Sumo Pontífice

Para que serve um Presidente da República? Quanto gastamos com ele e com tudo que lhe é inerente? E, na prática, o que garante ele? Estaríamos pior se ele não existisse? A democracia ficaria um caos? Estaríamos endividados? Com pior qualidade de vida? Os combustíveis estariam mais caros? O governo estaria a fazer pior (como se isso fosse possível)? Os deputados faltariam à generalidade das sessões? Não haveria alguém para cortar fitas e presidir a actos solenes? Não se levantaria uma palavra para criticar as injustiças quotidianas? A Banca e os patrões mandariam no país? Ah, aquilo dos Açores, pois… cá me parecia que faltava qualquer coisa.

Recentemente, com a solenidade de quem come um belo bolo-rei, o PR (abreviatura carinhosa) promulgou o diploma acerca da avaliação dos professores. Muito bem. Não havia qualquer problema legal, tudo certo. Mas, pensemos, é para isto que os diplomas vão ao senhor? Politicamente, não tem uma palavra a dizer? Concorda, assina de cruz, recomenda, acha bem, força com isto cambada de malandros…? Nada. Nem um singelo ai.

Assim, de repente, parece que “as guerras” são compradas, mas com calculismo geométrico.
Perante uma contestação enorme no seu país, e debatendo-se uma questão tão sensível e fulcral para as pessoas das quais é presidente, o que faz o eleito? Com uma indolência e fleuma além fronteiras recomenda calma e “que se entendam”! Ponderou o decreto? Analisou a substância? Perspectivou as consequências? Concorda com a essência? Provavelmente engasgou-se com o bolo-rei: nem uma palavra. Para uma figura inane, de corpo presente, justifica-se essa carga que se abate sobre nós e que a pagamos bem cara? Juntando-se isto àqueles deputados todos que têm de trabalhar à sexta, estamos bem arranjados… Não sei se uma PRaga traria consequências tão nefastas…

05/01/09

Canileituras 2008 – por Cão

A pedido de várias famílias, aqui vai alguma da livralhada com que me cocei em 2008.

Janeiro

A coisa arrancou bem: Viagens com a Minha Tia, do grande Graham Greene, e Single & Single, do John le Carré. Fiz um stop nos Ingleses e fui ler poesia alemã traduzida pelo Professor Paulo Quintela: Poemas de Wolfgang Bächler (gajo que esteve em Coimbra, julgo que em 1977). Depois, voltei às leituras inglesas (de um volume excelentíssimo de Horror Stories: assim me chegaram os contos Mr. Pemberton’s Commission, de Freeman Wills Crofts), Who Killed Castelvetri, de Gilbert Frankau, e The Aluminium Dagger, de R. Austin Freeman. No meio disto, tempo ainda para Derrubar Árvores – uma imitação, do maluco do Thomas Bernhard. Janeiro passou-se assim.

Fevereiro

Foi um mês fixe também: The Glyston Sander, de Herbert Jenkins, Caramulo – crónica romanceada, de A. Passos Coelho (familiar do gajo do PSD que perdeu o PSD para a Nela Ferreira Leite), Fumo de Verão, peça do grande-grande Tennessee Williams, O Crocodilo que Voa, do Luiz Pacheco, e O Azul do Céu, do senhor Georges Bataille.

Março

Ora deixa cá ver alguma coisita de março-marçagão: A Honra de Israel Gow, de G. K. Chesterton, Vida Irónica, do Fialho de Almeida, Arsène Lupin in Prison, de Maurice Leblanc. E ainda uma releitura de BD que me é (sempre) preciosa: Matt Marriott em Rosas para a Irmã Eulália (história de James Edgar para o desenho insuperável de Tony Weare).

Abril

Águas mil etc. Maravilha: releituras de Ruy Belo, Aquele Grande Rio Eufrates, O Problema da Habitação – alguns aspectos, Boca Bilingue, Homem de Palavra(s), País Possível, Transporte no Tempo e A Margem da Alegria. Ainda inglesei um bocado com a Baroness Orezy: The Fenchurch Street Mistery.

Maio

Fiz 44 anos que me lixei. Mas li o gigante Henry James (O Desenho no Tapete), reli Ruy Belo (Toda a Terra e Despeço-me da Terra da Alegria), lacrimejei sem mariquices com O Mito dos Amores de Pedro-Inês no Florilégio da Poesia Europeia, de Carlos Mesquita e Melo, e fiz uma primeira leitura preparatória para um romanceco (mais um) que ando a ver se escrevo: Sãozinha, biografia da Florinha da Abrigada escrita pelo senhor Padre Oliveiros de Jesus Reis.

Junho

Peter Godfrey (A Mulher e o Dragão), F. Scott Fitzgerald (A Viagem da Velha Sucata), Waterloo (ed. Quidnovi), A Grande Leva e O Estranho Pastor (mais dois Marriott, nºs 1091 e 1082, respectivamente, do Mundo de Aventuras), e bastante inglesice: Peacock House, de Eden Philpotts, The Vanishing Diamond, de John Rode, Stanley Fleming’s Hallucination, de Ambrose Bierce, The Italian’s Story, de Catherine Crowe, The Ghost of Dorothy Dingley, de Daniel Defoe, e To Be Taken with a Grain of Salt, do senhor Charles Dickens. Nisto, Junho foi com o carago.

Julho

Pouca coisa: releitura do primeiro volume do Trabalho Poético de mestre Carlos de Oliveira, Bocage – sua Vida Histórica e Anedótica (compilação de Carlos José de Menezes), e uma tradução francesa do gajo que escreveu A Laranja Mecânica, o Anthony Burgess: Rome sous la Pluie.

Agosto

Do mês pimba, recordo a releitura do segundo volume do Trabalho Poético de mestre Carlos de Oliveira. Isso e A Saca de Orelhas, do maluco do Alexandre O’Neill.

Setembro

Maravilha: li finalmente 62/Modelo para Armar, do maravilhoso Julio Cortázar, reli uma BD muito bem esgalhada, A Ilha Misteriosa (F. Caprioli a partir de Jules Verne), e ainda The Phantom Coach, de Amelia B. Edwards, e Madame Crowe’s Ghost, de Sheridan Le Fanu, entre outras coisitas.

Outubro

Tudo nisto: um livro fabuloso do fabuloso António Osório, Casa das Sementes.

Novembro

Andei a ler devagarinho uma colectânea portuguesa organizada e anotada pelo Professor Rodrigues Lapa: Poetas do Século XVIII. Li uma velharia de propaganda colonialista (Angola, 1961) cá do quintal: Labaredas de Ódio, de Pedro Pires. Reli muito o meu Eça. E pouco mais.

Dezembro

O mês do filho-da-puta do pai-natal deu para reler o malogrado poeta Luís Miguel Nava (Películas), a Fotobiografia (Impossível) de Francisco Rodrigues Lobo, de Carlos Ascenso André, e as maravilhosas Jornadas em Portugal, de Antero de Figueiredo (tenho um exemplar de 1918 – e gosto muito de o ter).
Acabei o ano com o nº 198 da lindíssima Colecção Vampiro: Mundo de Paixões (versão portuguesa de End of Chapter, obra de Nicholas Blake, pseudónimo do poeta Cecil Day-Lewis, que foi em vida pai do actor Daniel Day-Lewis).

Não foi um ano mau. Este ano de 2008, comecei com Manuel de Seabra e António Osório. Mas disso falamos depois. Ão, ão.

Já não há bailes, por Cão

Nascer português e continuar a sê-lo a vida toda – é como casar repetidamente com raparigas pobres que repetidamente se nos desquitam. Digo: é uma insensatez voluntária, um solecismo autocapcioso, um, enfim, voluntarismo insensato.

Ultimamente, tenho-me sentido algo cansado de não ser espanhol. Ultimamente, no meu caso, significa trinta anos de decepção, que os primeiros catorze até nem me correram mal de todo. O País não reparou no excelentíssimo nadador e no genial xadrezista que eu era para ter começado a ser aos doze anos. A Pátria não quis saber do pianista que, às mãos ambas, estive em casa para ser, só por causa de uma vez em que acertei quatro marteladas num xilofone de lata.

Mas é que, logo em menino, vi porrada entre grandes à porta de bailes esquentados pelo vinho, pela sexualidade e pela pobreza. Era em bairros que só coruscavam quando o sol perdia quilos. Um desses era o meu bairro. Havia bailes no Clube. Eu fui ver. Era a imitação de Inglaterra e de França. Já estavam mortos os Oliveiras e os Silvas da fundação pretibranca do Clube. Eu gostava da música: parecia-me de uma altura a que talvez fosse maravilhoso chegar sem martelar lata.
As raparigas apertavam-se em chitas de pechisbeque e eram de uma aura apenas desmentida pela pobreza dos sapatos, a escassez de unhas e a nulidade da ortoépia. Transitava dos lados do vento algum rumor de sardinhas queimadas pelo rubi do carvão. Um único plátano vicejava oxigénio, balia o sino coruscações brônzeas sobre tanta laicidade. Motorizadas cilindravam asmas tóxicas, à aproximação do mármore clúbeo sangrado a lâmpada e a bilheteira. Uma carrinha tinha trazido os amplificadores. Os vocalistas ladravam um inglês fonético maravilhoso. Os músicos bebiam ginja como toda a gente.
Havia baile e eu era menino. Houve meninos e eu já não bailo. Agora sou só português.

04/01/09

A Lista 2008 da Theresa

Isto da blogosgfera é do caraças! Como é tradição no Tapor deixámos aqui alguns posts das nossas leituras de 2008, umas linhas mais abaixo. Acontece que um dos livros referidos foi o Na Rota da Pimenta da autoria da historiadora T.S. Castelo Branco e, como tal, fiz-lhe uma nota na minha lista pessoal. Surpresa das surpresas, eis que a ilustre autora, veio aqui ao Porco agradecer a preferência, tendo ainda correspondido ao nosso desafio de nos mandar a sua lista de leituras de 2008. Assim fez nos comments do post que está lá em baixo da autoria do Adérito. É essa lista que agora o Porco tem a honra de aqui publicar com o nosso agradecimento à Theresa Schedel Castelo Branco. São boas sugestões para 2009. Ela aí vai, a lista e as palavras da Theresa:

«Na maioria por o tema me interessar, alguns, para ver se eram tão maus ou tão bons como se dizia. Romances recém-publicados, poucos. Espero. Quando me apetece ler o género, escolho entre os que tenho e, releio. Sou uma grande re-leitora.

História; Biografia e Memórias Históricas:
Peter S. Wells Die Schlacht im Teutoburger Wald (A batalha na floresta de Teutoburg trad. do Americano). Porque em Setembro de 2009 passam 2000 anos sobre uma das batalhas que mais influiram na configuração da Europa, e ainda hoje fascina os arqueólogos (local exacto da batalha?) e os interessados em história militar (que tipo de encontro?).

Ritter-Schaumburg Hermann, der Cherusker. Porque é outra tentativa de explicar a batalha de Teutoburg, focando o homem que comandou as tribus germanicas que aniquilaram as legiões de Varus.

Ruediger Safransky Romantik. Porque o romantismo é um movimento complexo e em meu caso ainda não bem entendido.

Sharon Ruston Romanticism idem.

Dorinda Outram O Iluminismo idem.

Otto v. Bismarck Gedanken und Erinnerungen. Porque é uma das grandes Memórias históricas e políticas e uma obra prima da literatura alemã.

François Hartog Le XIX siècle et l’Histoire. Porque o século XIX viu nascer a História como hoje a entendemos, e procuro sempre mais sobre esse tema.

Romance Histórico:
Robert Harris, Imperium. Porque tinha lido ‘Pompeia’ do mesmo autor, que achei magnífico, e esperava o mesmo deste seu último livro. Não me desiludiu. Cicero é uma figura de quem não me canso de querer saber mais. Não sei se gostaria dele como pessoa, não gosto de trocistas, mas tudo se perdoa a quem uma vez disse: “Quanto tempo aínda, Catilina….?”

Livros sobre Livros:
Bernard Pivot Le Mêtier de Lire
Porque gusto de livros sobre livros.

Nick Hornby The Complete Polyssylabic Spree Idem.

Pierre Bayard Como falar dos livros que não lemos Idem.

Hans Joachim Griep Geschichte des Lesens . - História da Leitura - porque a leitura é uma das maiores criações da humanidade.

Ensaios:
Myriam Cyr Letters of a Portuguese Nun
Porque gosto de enigmas históricos e literários, e este continua por resolver.

Jean d’Ormesson Qu’ai je donc fait? Porque a minha filha mo deu.

João Pedro George Couves e Alforrecas. Por curiosidade, E gostei. É desassombrado e invulgar.

Pierre Assouline Brèves de Bloc Le Nouveau âge de la conversation. Porque me estreei neste mundo dos blogues e me interessa ler sobre experiências de bloguistas. E estas são de monta.

Viagens:
Alfred Wallace A Narrative of Travels in the Amazon and Rio Negro 1863

Porque gosto de relatos de viagem de exploração.

Crime verdadeiro: Roberto Saviani Gomorra Porque os casos Mafia e Camorra me fascinam
e crime em ficção

John Le Carré Devo ter lido algum, porque leio todos os livros dele.

Michael Connelly The Closers Porque me afeiçoei ao detective Harry Bosch e o sigo com entusiasmo nas suas pesquisas.

Patrícia Cornwall Li mais que um dos seus livros, porque acho que ela criou uma investigadora inteligente e lógica. Mas salto os relatos de autopsia.

Stieg Larsson The Girl with the Dragon Tattoo. Porque li os entusiasticos comentários, e tive curiosidade de ver se era finalmente um best-seller que cumpria o prometido. É.

Livros “light”
Margarida Rebelo Pinto, Português Suave Porque queria saber “como na verdade era”.

Maria Roma, Espera por mim no Sal, Nina idem».

02/01/09

Ontem Fui à Baixa - parte III. O Santa, por Roger Moore

Ontem fui à Baixa. A meio do meu percurso entrei no velhinho Santa Cruz, como fazia dantes. O Santa sempre foi um ex-libris dos cafés da Baixa e é, ainda hoje, juntamente com o Nicola e a Briosa, que nunca apreciei, um dos raros resistentes ao extermínio decretado aos cafés pelas leis do consumismo e da (in)cultura dos novos tempos. Mas também o Santa está diferente.
É certo que o velho sr. X ainda lá trabalha, tão eterno como o próprio café. Mas a clientela, essa, mudou radicalmente. Nos guias turísticos o Santa Cruz aparece como um vestígio precioso da Coimbra ancestral, com os seus doutores, estudantes, artistas e intelectuais. Eu nunca conheci um tal Santa Cruz. O meu, onde há uns anos, antes de abrir o Ranhoso, eu tomava o café com o G. o D. e o P., era um sítio fumarento frequentado pelos empregados dos escritórios e dos bancos das proximidades, pelo pessoal da Câmara, por chulos e putas, expulsos do falido Internacional e por um gajo meio esquisito que lia revistas Gina enquanto tomava, placidamente, o seu cafezinho. Agora, engodados pelo Guias, os turistas vão ao Santa ao engano e não vêem nem estudantes, nem artistas, nem intelectuais, muito menos os chulos e as putas que os Guias, pudicamente, ignoraram.
Vêem, sim, outros turistas como eles, ingleses, franceses, espanhóis e japoneses que mandam vir Portos Rubys que não há em vez de cafés que há, mas vinte cêntimos mais caros do que quando eu frequentava o Santa. Os turistas entram no Santa para se verem a si próprios, nunca vi espelhos tão metaforicamente bem colocados num sítio como os das paredes do café Santa Cruz. Nós, os nativos, doutores, artistas, estudantes, empregados de escritório, da câmara e dos bancos, intelectuais, chulos e putas e leitores de Ginas públicas, há muito que saímos do Santa Cruz. Afinal, ali mesmo ao lado, é só passar a rua, há um óptimo indiano, onde antigamente era um restaurante conhecido, que tem o café vinte cêntimos mais barato. Tá cheio de portugueses, coimbrinhas de gema, topam-se à légua, o diabo do Indiano.

01/01/09

PUBLICIDADE - TÁ PARA BREVE, O REGRESSO DO VELHO SENHOR

É o regresso do velho senhor. Belo Zebu, o melhor crítico porno do Tapor, está em fase de conclusão do seu aturado trabalho de investigação acerca da artista seminal dos nossos tempos a actriz italiana, expoente máximo do período áureo do porno neo-barroco, Monica Roccaforte.

Depois de anos de investigação que passaram por sites da CIA e do FBI, fóruns de tarados sexuais e documentação vária, Zebu anunciou em plena mesa do Ranhoso, que «vai voltar às páginas do Porco». Depois de anos e anos de investigação, o seu trabalho está perto do fim. Não perca na próxima ou ainda durante esta semana no Tapor: Monica Rocca forte, o mito - donde vem? Para onde foi? E porque será que não aparece? Brevemente, aqui no Porco (pelo menos a julgar pelas promessas do Zebu mas sabe-se que o gajo nã é famoso por cumprir as suas promessas por isso a ver vamos como diz o outro...).

31/12/08

Ontem Fui Passear à Baixa - parte II, por Averell D.

Não chegava a foleirice dos enfeites de Natal para estragar a Baixa. Pessoalmente detesto os enfeites de natal com o seu excesso de luzinhas berrantes, rotundas em versão néon dos autarcas que já não sabem o que fazer para contentar o mau gosto do povo. O pior é a música nas ruas. Só quem não passou este natal pelas ruas da baixa é que pode ignorar como aquilo é ensurdecedor. Um gajo nem falar pode, é como a porcaria da música que deram em meter no intervalo dos jogos da bola…
Os jingle bells e os merry christmas do costume sempre me meteram os nervos em franja. Não sei, sinceramente, como é que um desgraçado de um empregado de uma «grande superfície», por exemplo, consegue aguentar o dia inteiro a overdose maciça destas musicazetas de merda sem sucumbir a um ataque de nervos. Eu pensava que a música de natal era má porque era de natal. Agora, ao passear na baixa nesta quadra, descobri que não - que afinal é a própria existência de música nas ruas, por melhor que seja, que me desconcerta.
Entendamo-nos. As músicas que ouvi na Baixa são boas, algumas são até mesmo muito boas… Assim de rajada lembro-me de ter ouvido o Eleanor Rigby dos Beatles (suprema ironia aquele refrão gritado «Ah look at all these lonely people» nesta quadra natalícia do encontro e da comunhão), o The Great Gig in The Sky dos Pink Floyd, o My Way cantado pelo imortal Sinatra ou os fados da Marisa. Não se pode dizer que esteja mal…
Mas intervalar estas músicas com slogans natalícios e com publicidade às lojas da Baixa ainda é pior do que se fossem músicas do Tony Carreira. Aquelas músicas estão descontextualizadas ali, percebe-se que quem as escolheu tem bom gosto, mas que raio, quando eu quero ouvir os Beatles, os Pink Floyd ou a Marisa, não o faço na Baixa, mas no silêncio sagrado do meu quartinho ou no calor de um bom bar… Parece que se perdeu um certo sentido de sacralidade que devia estar associado à música. Como se esta se tivesse tornado numa espécie de irritante banda sonora de fundo em vez de ser, como merecem as músicas a sério, o objecto principal da minha atenção Ainda por cima não havia necessidade de tanta coluna por todo o lado com o volume tão insuportavelmente alto. Fica mal ouvir o John Lennon a berrar-me o Imagine aos ouvidos enquanto montras apocalípticas anunciam a Liquidação Total...
Pic da excelente Adbusters que um dia merecem um post...

30/12/08

A baixa da Baixa, por Baixote

Ontem fui passear na Baixa. Passear na Baixa foi, durante muitos anos, ainda antes da invenção dos shopings, um clássico coimbrinha. Mas a Baixa está diferente, está mesmo muito diferente... Agora salta a olho nu a decadência do pequeno (outrora grande) comércio com as suas montras foleiras que anunciam espantosos descontos de 50 e mais por cento em produtos que não interessam nem ao menino Jesus. E fazem falta os cafés, o Arcádia e a Brasileira, principalmente, agora substituídos por lojas de roupa em «Liquidação Total».
Mas há uma espécie de sublime justiça divina na putrefacção do comércio da Baixa. Chega a ser irónico que alguns comerciantes que nos seus bons velhos tempos tratavam os clientes com um desdém inenarrável venham agora recorrer ao slogan estafado do «atendimento personalizado» como imagem de marca que os diferenciaria dos shopings impessoais que cercam a cidade. Importam-se de repetir? «Tratamento personalizado» é coisa de que esta gente se lembrou quando já foi tarde demais. Mil vezes o anonimato do Fórum ao «tratamento personalizado» que dantes nos davam nas lojas da Baixa. É verdade que mete uma certa pena a desolação em que a Baixa se tornou, mas não deixa de haver uma espécie de justiça irónica nisto tudo.

29/12/08

A Lista 2008 do Mangas, por Mangas

Vocês lêm muito, pá!
Eu só li O Guarda do Pomar do Cormac MacCarthy, agora iniciei o Meridiano de Sangue, também dele; Sopa de Miso, Ryu Murakami - a noite do sexo e dos comportamentos afins em Tóquio, intenso -; reli a Antologia Indispensável da Flannery O`Connor - gosto muito deste livro, destas histórias, decobri-o pela mão do G. -; Insónia, Stephen King - absorvente para quem gosta do género -; Terminação do Anjo, do Daniel Abrunheiro, já aqui falado; E estou também com Os Homens Esquecidos de Deus, Albert Cossery - contos magistralmente escritos com fino humor e miseravel drama sobre a condição humana.

P.S. Na foto essa mulher horrível, repugnante, vulgar, esse «pãozinho sem sal», como um dia foi classificada pelo nosso Mangas...

23/12/08

Os meus livros de 2008, por Jágora

Em resposta ao desafio do Adérito e mesmo não tendo feito parte do círculo original de leitura liceal, aqui vai a minha lista de livros (não todos, mas alguns que me apeteceu destacar) que li em 2008. Alguns são audiobooks ou livros digitais de que se pode fazer download na net, e deixo link para o efeito.

As Cruzadas Vistas pelos Árabes
, Amin Maloouf. Lido de uma penada, o que é sempre bom sinal. Grandessíssimo livro deste escritor libanês, que introduz um ponto de vista refrescante sem ser faccioso sobre as cruzadas e o eterno estado de conflito (sobretudo entre muçulmanos…) no médio oriente.

Letter to a Christian Nation, Sam Harris (audiobook). Uma das figuras de charneira do chamado “novo ateismo” (a par com Richard Dawkins, Dan Dennet ou Christopher Hitchens), uma tendência mais afirmativa de combate e crítica às tradições religiosas e ao pensamento místico ou supersticioso. Do mesmo autor li também este ano O Fim da Fé que, este sim, está editado em Portugal e desenvolve com maior profundidade as suas ideias.

Império, Gore Vidal. Monumental romance histórico nos “bastidores” de figuras de charneira da história dos EUA, como Theodore Roosevelt ou William Randolph Hearst. Nos bastidores da ascensão dos Estados Unidos como incontestada potência mundial.

The Demon Haunted World, Carl Sagan (ebook). Um livro extraordinário que devia ser de leitura obrigatória, como era antigamente a tropa. Ao fim do liceu, zás, o jovem teria uma semana para ler esta obra iluminadora. Li o ebook em inglês mas está traduzido e editado em Portugal pela Gradiva.

A Cidade do Sol, Tommaso Campanella (ebook). Uma obra maior da literatura do Renascimento que qualquer um pode ler aqui. Nesta “onda” também aproveitei para ler, há uns dias atrás, o Utopia de Thomas Moore (aqui), outro livro que muito aconselho, sobretudo quando o autor debate a vida e o mundo com o sagaz aventureiro português Rafael Hitiodeu.

Uma História da Guerra, John Keegan. Uma obra monumental de um dos maiores historiadores militares da actualidade. O autor inglês vai às raízes antropológicas, sociais, políticas e culturais do fenómeno da guerra e da agressividade humana. Um tratado incontornável.

Walden, de Henry David Thoreau (audiobook acessível aqui que é um sítio onde há milhares de audiobooks fantásticos). Mais um livro sonoro, mais uma pérola da literatura e do ensaismo universal. Uma apologia da vida simples e da sintonia com a natureza. O relato cativante e inspirador de uma experiência de vida (dois anos de auto-suficiência numa cabana remota) de um dos mais influentes autores norte-americanos do século XIX.

Terminação do Anjo, Daniel Abrunheiro. Sobre este já escrevi ali mais para trás no Tapor.

Da (in)Humanidade da Religião, Raoul Vaneigem. Um livro furioso do pensador belga para arrasar com os misticismos que escravizam a mente humana. Leitura estimulante.

Mais Platão, Menos Prozac, de Lou Marinoff. Um dos livros mais estimulantes que li este ano. Marinoff é um dos expoentes de uma nova “corrente” da Filosofia, eventualmente mais próxima do quotidiano dos homens (e das mulheres). Há quem lhe chame “mais prática”. É precursor da cada vez mais popular “filosofia de aconselhamento”. Um excelente livro de estímulo ao gosto por uma disciplina do saber cada vez mais desprezada até nos currículos escolares. Recorrendo aos clássicos, o autor desce da “torre de marfim” e mostra numa linguagem acessível ao comum mortal a importância que o pensamento filosófico pode ter nas nossas vidas.

Os Livros da Minha Vida, de Henry Miller. Obra interessante e de leitura muito agradável (ideal para tardes de praia). O título diz quase tudo, só não diz que é também uma compilação de reflexões em registo auto-biográfico. Um must para quem é devoto do autor.

Sobre Humanos e Outros Animais, de John Gray. Um autor bastante polémico que questiona aqui a ideia de progresso acarinhada pelo humanismo secular dominante na cultura ocidental. O filósofo inglês tenta reflectir criticamente, enfim, acerca do que é “ser humano”. Aconselha a reduzirmo-nos à nossa insignificância animal e a uma existência dedicada à contemplação. Um livro poderoso e controverso. Excelente e desconcertante leitura.

A Marioneta e o Anão, de Slavoj Zizek. Uma excelente compilação de ensaios ácidos sobre o cristianismo. Reitero o que disse o Adérito acerca do filósofo esloveno (quem não conheça pode começar por aqui).

Do Fanatismo – O Verdadeiro Crente e a Natureza dos Movimentos de Massas, de Erich Hoffer. Um ensaio muito aconselhável e ainda, ou cada vez mais, oportuno (foi escrito numa altura em que fascismos e comunismos despertavam maiores extremismos) de um grande livre-pensador norte-americano do século XX.

Iluminações e Uma Cerveja no Inferno, Arthur Rimbaud. Uma tradução de Cesariny para uma excelente edição bilingue da Assírio&Alvim de duas obras fundamentais de Rimbaud. Uma espécie de “testamento espiritual” do escritor francês. Leitura obrigatória e compulsiva. Está aqui o essencial da produção do poeta maldito francês.

Sobre a Liberdade, John Stuart Mill. Li finalmente este clássico incontornável de um grande pensador liberal inglês. Grande leitura.

As Onze Mil Vergas, Guillaume Apollinaire. Um colosso da literatura porno-erótica. Sadismo e sangue a rodos para alegrar os menos impressionáveis. Uma escrita soberba, na linha do também colossal libertino Marquês, para um estilo (literário e de vida) proscrito.

O Papalagui, excelente tradução de Luiza Neto Jorge (Antígona) para esta deliciosa recolha de impressões de um chefe tribal do Pacífico Sul (Samoa), de seu nome Tuiavii, acerca dos homens brancos ocidentais e dos seus costumes no início do século XX. Impressões que permanecem actualíssimas.

Baudolino, Umberto Eco. Outro finalmente. Um livro a todos os títulos magnífico. Um passeio pela história, uma epopeia fantástica e de uma imaginação delirante, apoiada em factos, mitos e lendas da época medieval. Um livro que se devora com prazer.

Fundação e Império, Isaac Asimov, terceiro volume do magistral ciclo Fundação. Mais uma prova, a juntar às Crónicas Marcianas citadas anteriormente pelo Adérito, que a Ficção Científica está longe de ser um género menor.

Gente Independente, Halldór Laxness. Uma obra maior do maior escritor islandês. Um romance extraordinário, de uma vitalidade telúrica cativante.

Estaline A Corte do Czar Vermelho, de Simon Sebag Montefiore, provavelmente A Biografia definitiva do ditador soviético. Uma viagem fascinante e rigorosa pela vida de Estaline e dos seus colaboradores mais próximos no Kremlin. Voando sobre um ninho de cucos.

Einstein e Buda Palavras Comuns
, Uma obra curiosa e de agradável leitura, que coloca em evidência as similitudes (algumas impressionantes, realmente), entre as ideias de gente como os físicos modernos Einstein, Max Planck ou Niels Bohr, e antigos preceitos budistas.

Ninguém Escreve ao Coronel, Gabriel Garcia Marquez. Releitura. Um regresso que confirmou a grandeza deste “livrinho” do escritor colombiano.

O Coração das Trevas, Joseph Conrad (audiobook). Outro regresso, desta vez ouvido entre viagens no seu original inglês. Um livro perturbador que continua fascinante.

Contra as Pátrias, Fernando Savater. Uma obra maior do escritor e pensador basco, um livro essencial que parte da realidade pluri-nacional espanhola e da luta independentista basca para a realidade maior e daninha dos nacionalismos.

Global Trends 2025 – A Transformed World. Um bocado fora do contexto, mas não deixa de ser um livro e não deixa de ter sido das leituras mais interessantes do ano. Um documento elaborado National Intelligence Council dos Estados Unidos, que congrega todas as agências de segurança e inteligência do país. Projecções para os próximos 20 anos que ajudam a perceber melhor o mundo em que vivemos. Acessível aqui.

Ps: Não sabia com que havia de ilustrar o post, por isso resolvi enfeitá-lo com uma gaja boa, que é sempre um bom enfeite e fica bem com qualquer coisa.

Hoje Fui às Compras de Natal Com o G., por Pê Agá

Para a vítima comum do «espírito natalício», esse vírus funesto que dá nas pessoas por esta altura do ano e que as leva a entupir, compulsivamente, os centros comerciais, o Natal é uma encasinação dos diabos. Lido diariamente - lidamos todos - com dezenas de pessoas que se mostram natalícios por fora e completamente à toa por dentro, enquanto zunem com inenarráveis listas de presentes de natal para 10, 20, 30 ou mais pessoas. Para o Abílio um livro (mas de que livros é que ele gostará?), para o Zeca um dvd (mas sei lá agora que género de filmes é que ele vê), para o sr. Soares uma camisola (usará gola alta? Gostará de preto?), para a Francisca um pompom (mas que sei eu de ponpoms, porca miséria?) and so on... Fazer uma lista de compras de natal para uma multidão é sempre, o cabo dos trabalhos, por mais que digam contrário.

Mas isto é para o comum dos mortais. Não para o G. O G. é um animal à parte que criou uma espécie de imunidade ao sacana do «espírito natalício». Hoje fui fazer compras de Natal com o G. e acreditem que para ele não tem nada que saber. O gajo entra na loja de vinhos do V., põe em fila indiana em cima do balcão umas 10 garrafas de tinto, pede um saquinho natalício para cada uma e prontos, tá resolvido o problema das compras de natal. Assim é fácil: 10 pessoas, 10 presentes, 10 garrafas de tinto, não tem nada que saber.Também, notou o V., você só dá vinho, só dá vinho... Nem ao menos uma aguardente velha, para variar...

22/12/08

A Minha Lista 2008, por Adérito



O hábito já vem do velho Liceu D. Maria. No final do ano, mais ou menos por esta altura, a malta juntava-se e elegia os melhores discos e livros que tinha ouvido e lido durante esse ano. O Cão era imbatível na lista de livros: ele lia sempre dez vezes mais que todos os outros e ainda hoje deve ser assim. A seguir vinha o Zebu que com o tempo se tornou num inveterado bibliófilo. Depois a lista dos livros que lemos no ano em cada ano que passa começou a ser postada aqui no Tapor, para desespero dos O. Malvados que acham que«estes gajos não têm mais nada que fazer». Já aqui foram publicadas, em anos anteriores, as listas das leituras da malta. Eu retomo de novo essa sã tradição e aqui vai a lista dos livros que eu li em 2008. Sobre alguns até fui escrevendo aqui no Tapor. Outros não porque não calhou ou porque, como diz o Octávio Malvado, tenho mais que fazer. E os vossos? Chovam as vossas listas que isso dá posts. Aí vai disto, a minha singela lista de leituras de 2008: 

Vladimir Bartol – Alamut. Adorei este livro! Uma obra prima.

Phillip Roth – Todo o Mundo. Este foi dos melhores que li em 2008...

Esteban Martin e outro gajo cujo nome não me recordo - A Chave Gaudi. Nem sei porque é que cheguei ao fim deste livro. Deve ter sido por causa da informação acerca de Gaudi, da sua arquitectura e da sua ligação ao hermetismo.

Umberto Eco – A História do Feio. Mais uma obra de consulta que outra coisa. Nesse género é muito interessante.

Olivier Rolin - O Cerco de Cartum. Asa. E não é que gostei?

Slavo Sisjek – Bem Vindo ao Deserto do Real. Uma obra incontornável de um pensador marcante da Filosofia contemporânea. O estilo ecléctico deste escritor esloveno que mistura cinema, psicanálise, filosofia política e literatura é uma pedrada no charco na era do pensmento especializado.

Luís Adão da Fonseca – D. João II, Círculo de Leitores. D. João II é uma das minhas personagens históricas favoritas. O livro só peca por execessivo academismo. Deveria ter sido depurado, tendo em conta o mercado alvo.

Don Delillo – O Homem em Queda. Este faz parte da lista dos que não cheguei a ler. Desisti, apesar das referências elogiosas.

Fernando Campos – A Esmeralda Partida, Difel. Uma obra prima. Um escritor Palop mas ao contrário.

Fernando Campos – O Prisioneiro da Torre Velha, Difel. Outro grande livro de um dos maiores escritores portugueses vivos... E o mais ignorado de todos os grandes, sem dúvida.

James Reston Jr. – Os Cães de Deus, Bertrand. Um exemplo de como se escreve história de uma forma não maçuda para o grande público.

Fernando Campos – O Lago Azul, Difel. O último livro de Fernando Campos está longe se ser o seu melhor.

Martin Page, A Primeira Aldeia Global, Casa das Letras. Mas como é que os ingleses conseguem falar da nossa história de um modo tão cativante?

Arturo Perez-Reverte, As Aventuras do Capitão Alatriste - Limpeza de Sangue, Asa. Regresso ao meu persoangem favorito de romances de capa e espada. Qual D`Artagnan?

Luís Miguel Duarte – Aljubarrota, Crónica dos anos de brasa, Academia Portuguesa de História, 2007. O contrário do livro de Adão da Fonseca. Um bom exemplo de como se escreve história para nós, os leigos.

Mário Domingues – Grandes Momentos da História de Portugal, Fundação Nacional Para a Alegria no Trabalho, 1958. Um regresso ao passado e ao «publicista» Mário Domingues. E no entanto, há um lado romanesco na escrita deste homem que acaba por valer a pena. A questão é: ciência ou ficção?

Fernando Campos, A Ponte dos Suspiros, Difel. E se D. Sebastião tivesse sobrevivido a Alcácer Quibir e regressado a Portugal?

Vírgilio Ferreira, Em Nome da Terra. Move-se nos mesmos territórios tenebrosos de um Roth ou de um Sartre, mas não tem a garra do primeiro nem a lucidez tranquila do segundo.


J. Lucas Dubreton, Os Bórgias, Círculo de Leitores. Uma péssima tradução. Mas teve o mérito de me chamar a atenção para a saga desta família. A coisa não parou aqui e a seguir li: 

Mário Puzo, A Família, ed. Bertrand. Brilhante! Vale a pena ver o filme que estreou em Portugal este ano e comparar com a versão de Puzo. O filme não chega à densidade do livro. 

Miguel Delibes, El Hereje, Ed. Destino. Uma revelação. Um grande livro de um autor que, infelizmente, não está traduzido entre nós ( e estão à espera de quê?).

Isabel La Católica - Não me lembro do autor, ando em arrumações cá em casa e não vou perder meia hora a procurar o livro. Para quem quiser saber da vida de uma das figuras mais importantes da História de Espanha. Eu quero.

Ray Bradbury, Crónicas Marcianas. E ainda há quem diga que a FC é um género menor?

Machado de Assis, O Alienista. Delicioso!

Theresa M. Schedel de Castello Branco, Na Rota da Pimenta, Presença. Um documento pedagógico sobre a História grandiosa ( e sanguinária) dos nosso vice-reis das Índias e muito mais.

Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas. Uma das obras primas de um dos grandes da língua brasileira. Assis prende-nos até quando não se passa nada!

Laurentino Gomes, 1808, Planeta. A saga da corte portuguesa em fuga para o Brasil dos exércitos napoleónicos.

Vários - Carlos V, El Pais. Apanhei-o num alfarrabista. Muito pedagógico acerca da colonização espanhola da América e sobre o imperador Carlos V.

Ballester – Daphne e Chloe. Outro que não consegui ler, eu que tenho magnífico D. Juan do mesmo autor como uma opbra prima absoluta! Ainda tenho que fazer a lista dos livros que tentei e não consegui ler em 2008. Uma vergonha é o que é...

Reverte, O Sol de Breda. De novo a saga do valente capitão Alatriste! É apanhá-los, aos livros da saga, e devorá-los. É o que fazem nuestros hermanos. O capitão Alatriste é um mega sucesso em Espanha.

Mário Vargas llosa, O Paraíso na Outra Esquina. Gauguin e uma activista francesa: o paraíso no outro lado do mundo e a revolução...

Leon Tolstoy, A Morte de Ivan Ilitch. Uma pequena grande obra prima da literatura russa! Um clássico.

Hermann Melville, Bartleby + Agamben , Ensaio sobre Bartleby. O que é mais escandaloso - ue eu nunca antes tenha lido o Bartleby de Melville ou Agamben?


Giorgio Agamben – A Ideia da Prosa. Um conjunto de textos brilhantes. Agamben é um grande filósofo, é notável a forma como retoma a grande tradição ontológica de Aristóteles a Heidegger. 

Giorgio Agamben – A Comunidade Por Vir. É a partir da identidade que se cria o conflito. A vantagem do ser qual quer. Ainda a política pensada a partir da ontologia.


Machado de Assis, D. Casmurro. Eu era capaz de ficar a ler Assis durante anos mesmo que ele não tivese nada para dizer. Como é que se pode escrever com esta frescura? 

João Ubaldo Ribeiro – Diário do Farol. O farol: metáfora de Lícifer (o que traz a luz). Paradoxalmente, um livro negro. Ubaldo Ribeiro é uma bofetada contra a literatura académica e moralista.

Idem – A casa dos Budas Ditosos. Um dos melhores livros porno-eróticos que alguma vez li!


Idem – Viva o Povo Brasileiro. Fiquei a meio da obra prima de Ubaldo Ribeiro, em grande parte, pela dificuldade da linguagem. É que há ali páginas escritas em dialectos brasileiros que, pura e simplesmente, são chinês para mim... 

Vários – Os 100 Melhores Contos Brasileiros do Séc. XX. E olhem que há por aqui muita coisa mesmo muito boa...

António Sarabia – A Taberna da Índia, Asa. O mexicano Sarabia não é um grande escritor, mas é um escritor competente que sabe contar uma história sem descurar o necessário rigor histórico.

E agora saiam as vossas listas para serem postadas no Porco e guardadas para a posteridade. Vá lá. Fazemos posts com as listas de quem quiser. E não pagam nada...

18/12/08

Russofobismo, por Russofubu

Da mesma forma que duas mãos cheias (?) de génios criadores não fazem da Idade Média uma era de conhecimento e inovação, também duas mãos cheias de grandes artistas ou cientistas não fazem da Rússia uma referência de criatividade e sabedoria. Um Dostoievski não faz a Primavera e a Rússia apesar da antiguidade ainda é um pais politicamente incipiente e culturalmente segundo-mundista.

Os prémios Nobel, já agora, são uma batata mas também um bom indicador do grau de maturidade/produtividade intelectual de um país. É evidente que pode ser discutível, este critério, mas não tenho dúvidas de que é um indicador de qualquer coisa daquele género. Por exemplo, uma comparação do tipo guerra-fria: Os Estados Unidos têm 309 e a Rússia 22 (menos que, por exemplo, a Grã-Bretanha com 114, a Alemanha com 101, a França com 57 ou a Suíça com 25). Se pela produção intelectual se mede a maturidade cultural e criativa de um “povo”, então a Rússia é um adolescente - os países islâmicos serão catraios ranhosos, como aquelas pessoas que envelhecem mas não crescem. O que se torna mais estranho, dada a dimensão e os recursos do país, eventualmente à escala dos EUA ou maior.

A resposta para a disparidade criativa está, naturalmente, no campo da política, e sobretudo no campo dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. A Rússia é, antes de mais, um país democraticamente muito imaturo, mais imaturo do que Portugal e mais imatura até que a generalidade das novas repúblicas africanas pós-colonialismo – neste aspecto a Rússia “beneficia”, em termos de maior estabilidade social, de uma maior antiguidade enquanto estado nacional. Mas de facto, a experiência democrática russa tem pouco mais do que uma década e é extremamente deficiente e traumática. Como se o povo russo, depois de séculos de czares, imperadores vermelhos e pensamento único, tivesse sido formatado para a tirania. É óbvio que não, e que a persistência secular de uma administração estatal extremamente centralizada e autoritária, que o actual czar pós-estalinista Putin perpetua, é um factor determinante para que a democracia e as liberdades cívicas e económicas não floresçam. Mas a julgar pela popularidade maciça de Putin e do seu politburo de fiéis devotos do KGB (porque não existem ex-KGB’s), questionamo-nos realmente acerca da apetência democrática daquela gente.

Acho até que os chineses, precursores do chamado capitalismo de estado (sistema que o Kremlin está a tentar abraçar atabalhoadamente) lá chegarão mais depressa, à democracia de estilo liberal, às liberdades e a uma globalização mais ética e sustentável. Tenho a impressão, por exemplo, que os líderes chineses, apesar de tudo, são menos dogmáticos e mais pragmáticos, cada vez menos ideológicos. A China sonha com uma futura Era de Ouro, a Rússia sonha com uma era passada que só foi de ouro para as chefias e para a tropa.

As eleições presidenciais norte-americanas foram, a propósito, um banho e uma lição de vitalidade democrática e de como uma sociedade tão complexa, enorme e plural como é a norte-americana consegue mudar de rumo sem sangue nem revoluções.

Por tudo isto e mais alguma coisa, a Rússia, a par com o terrorismo, sobretudo islâmico, e os desastres naturais, é uma das grandes ameaças ao nosso futuro comum. É um país com mentalidade de cerco, sedento de replicar glórias equívocas, com gravíssimos problemas internos - do envelhecimento populacional à decrepitude das infra-estruturas civis e militares, passando pelo alcoolismo, uma riqueza gerada e distribuída ao estilo saudita e pelo crime organizado - e, como sempre, uma miragem de estado de direito. E é a segunda maior potência nuclear do mundo. Com um controle muito duvidoso desse arsenal. Tudo isto parece muito dramático e se calhar a realidade não é assim tanto e sou eu que tenho mentalidade de cerco, mas vem isto a propósito de uma notícia mais ou menos esquecida de 2008, lembrada pela revista Foreign Policy, numa lista de factos importantes do ano que passaram mais ou menos despercebidos. A propósito do “cerco” energético russo à Europa, em que caímos que nem uns patinhos, cantando e rindo. A propósito de gás e a propósito das zilionárias recentes investidas do Kremlin, por via das suas empresas estatais, em África. Sobretudo no Norte de África e em investimentos em infra-estruturas que, a vingarem os negócios, farão com que a Europa (toda a Europa, incluindo Portugal) esteja quase totalmente dependente de torneiras russas.

E se algo corre mal? E se algo semelhante à Georgia ocorre na Ucrânia? E se os polacos e os eslovacos e os checos e toda essa gente que já conheceu os russos mais de perto se envolvem? E se a coisa alastra? Que pode a Europa, ou a Nato, fazer perante um cenário de guerra regional ou mesmo perante uma agressão russa? Népias, zero, nada, não nos podemos mexer porque os homens cinzentos de Moscovo têm as mãos nas torneiras e podem paralisar a Europa num fósforo…

Não sei porquê, deve ser por gostar tanto de história, mas este tipo de notícias deixa-me perturbado.