Dexter Morgan é um Assassino. Arrepiante como nenhum. E é também uma série televisiva como há poucas. Falamos obviamente da divisão de um Seinfeld ou do Sopranos. De culto e imortal. A coisa passa no canal FX da Tv Cabo, com licença da palavra, e julgo que tem andado a passar também na RTP 2. No FX da ZON, de novo com licença da palavra, vai começar a passar no próximo dia 28 a Terceira Temporada. Para quem quiser ver a Primeira e a Segunda tenho lá em CD. A generalidade das alminhas podem ir à Net em download através do Shareminer ou em torrents através do Pirate Bay, que têm lá tudo.A série tem como protagonista o próprio Dexter, assassino e Serial Killer. O homem mata e mata muito. À superfície o homem é um polícia, um perito de sangues, seja lá o que isso for, e um analista de laboratório. Crime Scenes Expert como eles dizem. Pelo meio tropeça em bandalhos que a policia não consegue deitar a mão, ou bandalhos que ele próprio escava. E mata. Como só ele. Com requinte e muito, muito plástico.
A coisa começa logo a deslumbrar no genérico inicial. É fabuloso. Os fazedores de tal maravilha jogam com a música típica dos filmes de terror e suspense e criam uma sucessão de imagens que nos levam ao engano e que afinal se revelam do mais inocente que pode haver. O que abre logo para o tom da série. É que o Dexter sendo serial killer é também o herói e o bom da fita.
É um homem que por via de umas cenas muito graves na infância - não digo mais para não estragar -, não consegue sentir nada. Nem empatia, nem amor, nem nada por ninguém. É um vazio absoluto que não chora, não ri e não sente. Nunca sentiu a necessidade de se divertir, de espraiar ou de namorar. Sexo?, idem aspas, aspas. Quando o homem começa a namorar, fá-lo por necessidade de integração e normalização social e nada pede nem avança com a namorada, porque simplesmente não sabe nem quer.
A cena em que a namorada, agradecida, desce sobre a cadeira onde o homem está e lhe faz um Blow Job – Serviço De Sopro em português -, é uma cena de antologia. Nada se vê, é claro, a não ser a expressão de espanto, alguma satisfação e sobretudo, um reconhecimento: ah, então é isto, hum…, não é que seja mau, é esquisito, mas também já me fizeram coisas piores, prontos está bem, ela parece saber o que faz e desde que não se aleije, eu não a vou contrariar. Só visto. Uma interpretação fora de série do actor Michael C. Hall que o protagoniza e que faz também a voz do narrador, que é o próprio Dexter dentro de cuja cabeça estamos em permanência. Os pensamentos e as dúvidas da personagem são-nos colocados a nós também.
Na série, Dexter mata de forma certeira e infalível. Deus Ex Machina. Nunca se engana. E numa cedência clara ao politicamente correcto somos sempre esclarecidos da culpabilidade do facínora a assassinar. Mas a série é do menos digerível que pode haver e provocou ondas de indignação por toda a América. Mata-se ali com fartura e com muito sangue à mistura. E sobretudo, a série é completamente imprevisível, com reviravoltas constantes no enredo. Os diálogos são do melhorio. Há personagens extraordinárias como só numa série destas poderia haver. Uma coisa de culto.
Pelo meio há sangue inocente. Como sempre e o Dexter – apesar do papel de Deus ex-machina -, não consegue evitar que alguém inocente morra, e que morram até inocentes do seu interesse. Não é ele que os mata, mas a morte deles cai que nem ginjas. E o ginjal do Dexter é grande comó catano. Dia 28, prendam uma âncora no pé, não desistam à primeira esguichadela. Peguem em cereals e sigam o serial. Firmes e hirtos. Dêem-lhe uma oportunidade e vão ver que não conseguem arredar a olheira. Porque matar é do mais humano que pode haver.













