Ainda a propósito do corajoso artigo de Mário Crespo que está aí em baixo, fui alertado por um comentador para a existência de um blog - mais um! - daqueles que se dedicam à defesa esganiçada do governo e do ingenheiro socrates. Trata-se do blog da namorada do senhor ingenheiro, de seu nome fernanda câncio. Passei por lá e nem acreditei no que a senhora escreveu. Câncio ousa adjectivar a cabeça de Crespo e duvidar do seu estatuto de jornalista, da sua deontologia e da sua imparcialidade.Blog da RS.T - Real Esseponto do Tinto - Coimbra - Os Três Pastorinhos também bebiam o seu copito
11/02/09
P.S. I Love You, por João Lenão
Ainda a propósito do corajoso artigo de Mário Crespo que está aí em baixo, fui alertado por um comentador para a existência de um blog - mais um! - daqueles que se dedicam à defesa esganiçada do governo e do ingenheiro socrates. Trata-se do blog da namorada do senhor ingenheiro, de seu nome fernanda câncio. Passei por lá e nem acreditei no que a senhora escreveu. Câncio ousa adjectivar a cabeça de Crespo e duvidar do seu estatuto de jornalista, da sua deontologia e da sua imparcialidade.09/02/09
Com a Devida Vénia, por Citador
Com a devida vénia, aí vai o excelente artigo de Mário Crespo, saído hoje no DN. É um bom diagnóstico da situação em que vivemos. Condidero-o incompleto, mesmo assim, já que Crespo nem sequer menciona as deploráveis políticas deste governo para a saúde (fecho de centros de saúde e hospitais, maternidades-ambulâncias, etc, etc), nem para a educação (das trapalhadas dos exames de física repetidos, das ilegalidades e abusos cometidos contra os professores, da política de falseamento de resultados escolares, do trabalho para as estatísticas, da morte de disciplinas capitais, etc, etc), da Justiça ou do Ambiente (o pins, a co-incineração, o fripor)... Mas nem é preciso. O que aí vai, dito lapidarmente pelo Mário Crespo, chega e sobra para termos a noção preciso do estado deprimente a que chegou a democracia em Portugal. Parece que é um artigo sobre governo. Mas não é. É sobre os Portugueses e a sua deplorável imaturidade cívica e democrática. Pois um povo que consente nisto tudo e que, ainda por cima, apoia, não é um povo, mas um capacho submisso.Está bem... façamos de conta
Por Mário Crespo
(in "Jornal de Notícias" de hoje)
Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.
06/02/09
«Eu cá gosto é de malhar», por Gabiru
O ministro da propaganda do regime santos silva, afirmou um destes dias aos microfones da rádio, num tom de voz tão raivoso que metia medo às criancinhas, que:«Eu cá gosto é de malhar na direita, e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas que se situam, de facto, à direita do PS. São das forças mais conservadoras e reaccionárias que eu conheci na minha vida, e que gostam de se dizer de esquerda plebeia ou chique. Refiro-me, obviamente, ao PCP e ao Bloco de Esquerda». (sic)
Se tivéssemos um raivómetro para medir o ódio contido nestas frases, o homem tinha rebentado com a escala. Ele «gosta de malhar» e, pelos vistos, gosta tanto que malha em praticamente tudo o que não é propaganda oficial do governo. Chama nomes à direita do PS (ao CdS e ao PSD, pelo menos, presume-se) e aos plebeus e chiques do PC e do Bloco. Ele malha à esquerda e à direita, é chumbo para todo o lado, ele gosta tanto... Ainda por cima esta pérola do vómito político pretendeu atingir os militantes do ps que criticaram as políticas pinocráticas. O que resta, afinal, se nem os próprios militantes do seu partido lhe escapam? O silva himself e mais umas quantas vozes do dono?
Ou seja, este gabiru «malha», afinal, em tudo o que é vida, em todo e qualquer vestígio de resistência, ainda que tímida, à propaganda xuxialista. Nada de novo: estas declarações são uma simples reformulação- 2009 da máxima número 1 do pensamento xuxa, formulada de modo axiomático pelo grande filósofo jorge coelho: «quem se mete com o pê esse leva». É pena que esta gente de dimensão menor não consiga perceber que são coisas deste tipo que afastam cada vez mais as pessoas da política. Isto é pestilento!
A política, na versão deste troglodismo ideológico, era bonita se fôssemos todos como o silva e passássemos o tempo a louvar hossanas ao ingenheiro. Isso sim! O azar é que não somos. Mas a raiva deste espécime é tanta que ele não desdenharia adaptar a monumental frase de outro ministro da propaganda, Goebbels de seu nome:
«Eu quando ouço falar de pensamento saco logo da pistola». E ainda por cima «gosta»!
04/02/09
DO PATRIOTISMO E ARREDORES, por Cão
O patriotismo é a fórmula que o inconsciente colectivo encontrou para amar a merda.Posso dizê-lo de outra maneira – e tenho-o feito – mas fica esta: amar a merda.
O inesgotável filão de imbecis desta puta-pátria tem o seu quê de transcendente, de quase divino, por tão humano e imanente e imbecil.
Eu deste país de merda só queria meia dúzia de oliveiras, talvez nem tanto.
Manhãs rentes ao mar, ele há muitas noutros países.
Isto é tudo tão merdoso, que nem me cansa.
Para me cansar, teria de correr – e estes paços não merecem um passo sequer.
Falo a sério, chiça.
Os insuficientes mentais da rádio-televisão, a quadrilha dos bancos, as seitas evangélicas, os poetas, os de Braga, os actores, os engenheiros, os anais e os menstruais, os cancerosos, os que alugam barcos, os à esquerda da direita e os do avesso da esquerda, os solícitos solicitadores, os abstémios, os não-fumadores, os de Setúbal, os filhos-da-puta em geral e as mães deles em particular, os sindicalistas que não fazem boi e os bois que vão para sindicalistas, os bulímicos, os químicos, os de Abrantes, os que usam cachecol, os que usam o Estado, o estado do uso, o estudo do abuso, os coimbrinhas, os que só dão o cu mas aparecem de piça à lapela, os tónico-capilares, os bic-laranjas, os rosa-cristal, os ciganos e os cigmeses e os cigsemanas e os cigdias e os cigminuto-a-minuto,, os lopes, os palopes, os motores, os promotores, os disto e os daquilo, os reformados, os reformistas, os reformadores, os formadores, os dores, os de Beja, os taxistas, os utentes, os entes, os doentes, os hirsutos, os mansos e os brutos, os anémicos, os da Pampilhosa, os que tossem, os que rumorejam, os do cinema de produção nacional, os nacionais de produção teatral, os que cortam árvores, os que rotundam, os que se arredondam, os que vendem a salvação em brasilês, os que dizem é-assim de cinco-em-5 segundos, os que dão aulas e os que faltam às aulas, os que superbockam, os que acham bem tant’auto’strada entre nenhures e sítio algum, os que amocham com o andor nas procissões, os que mesmo não sendo mulheres não têm colhões, os que tendo mulheres as deixam ir a pé a Fátima ou sabe-se lá aonde, os de Leiria, os cabeleireiros mais fêmeos do que o elástico dos soutiens, os que já redigem sutiãs, os que se pudessem não deixariam ninguém poder, os suinicultores, os que mexem nas partes dos netinhos, os netinhos, os de Tavira, os que mordem a haste dos óculos, os que bebem o vermute com o mínimo esticadinho até à unhaca de tirar cerume dos pavilhões capiloso-auditivos, os dentistas, os aut(omobil)istas, os que têm o cu virado para África, os que nos venderam a Bruxelas, os que estão em Bruxelas a vender-nos ao resto da Bélgica, os que estão em Bruxelas mas voltam, os que rogam por-obséquio, os que pedem tenhamos-a-fineza, os que nunca leram o Nuno Bragança, os que lêem o Torga, os que vomitam, os que crocitam, os que caganitam, os que gritam, os que se vêm mas não se vêem, os que compram nos chineses camisolas para levar à manifestação contra o desemprego, os secredromedários de Estado, os mais altos camelos da Nação, os do Porto, os do FC do Porto, os que têm cataratas no olho-do-cu, os que têm dois-olhos-do-cu na cara, os que fumam mentol, os que dizem cagalhão com boquinha francesa, os que estão sempre a falar no exílio de Argel, os que expectoram pescada, os das poupanças-reformas, os pais-natais, os meninos-jesuses, os das rifas, os do vê-mazé-se-te-abifas, os do torrão-de-Alicante, os de Nelas, os da tropa, os da Europa, os que põem as filhas no ballet ao dispor dos pedófilos que dão Religião & Moral, os que põem os filhos na heroa, os que dolcegabanam e os que só abanam, os que confundem os canhões de Navarone com a ponte do rio Kwai, os que são mágicos, os trágicos, os que são marítimos, os histamínicos, os cómicos, os noz-vómicos, os da Covilhã, os que trocam a rata da mãe por duas embalagens de bacalhau pré-demolhado, os que são trocados pelas mães, os de Bragança, os de Silves, os do Funchal, os do Pico, os de Cantanhede, os de Viseu, os de Peniche, os de Évora, os de Aveiro, os de Pinhel, os de Newark, os de Portalegre, os de Goa, os da Trofa, os de Sacavém, os de Berna, os só-de-taberna, os de S. Paulo, os de S. Paulo de Frades, os de Oliveira de Azeméis do Hospital de Frades do Bairro, os que paulocoelham, os que siddhartam, os que se peidam que nunca se fartam, os que dizem ámen e os que amenizam, os que vertem e os que entornam, os que tornam, os que se encornam, os que se autorretratam e os que nunca se retractam, os que vêem o telejornal, os que já viram ovnis chamados ufos, os bufos, os tartufos, os alecrínicos e os manjerónicos, os que blogueiam, os que bloqueiam, os que manoeldoliveiram no pátio das cantigas, os que nunca se movem, os que se comovem, os que bradam, os que ladram, os que votaram neste cabrão mas agora juram que não, os não foram eles, os que são outros em vez deles por não ter sido o pai deles a foder a mãe deles, os que mandam nas urgências, os médicos, os que têm tétano por profissão, os que fazem do tédio negócio e os do ódio ócio, os ósseos, os seminais, os seminaristas, os sacerdotais e os chupistas, os que foram às urgências para morrer em casa, os que nascem em ambulâncias, os que nem casa têm onde cair mortos, os de Alenquer, os sibaritas, os hermafroditas, os foditas, os jesuítas, os juristas, os naturistas, os que chupam cabeças, os da bandadalém e os que ficam sempre aquém, os de Sintra, os da Madragoa, os porteiros, os parteiros, os excêntricos, os teocêntricos, os dos amanhãs-que-cantam-quando-a-galinha-tiver-cáries, os de Pombal, os que anoitecem de manhã, os que tonycarreiram, os que encarreiram, os que encarneiram, os do poder local, os do foder boçal, os que vendem meias a paraplégicos, os que ladram Deus ao domingo, os que arrolam testemunhas na esquadra de Jeová, os holocáusticos de David, os do tremoço e os da pevide, os que não comem carne de porco sabe Deus porquê, os que dão sangue mas só o do fim da borbulha, os do Estoril e eu também – tudo merda.
Tudo.
02/02/09
Guerras e Campanhas Militares da História de Portugal, por Viriato dos Santos
Apesar de ser um leigo na matéria, a História sempre me interessou. Infelizmente o sistema educativo e mediático português tem desconsiderado e muito esta importante disciplina, ao ponto do português culto comum ( se é que isso existe) ser, hoje, pouco mais que um ignorante na matéria, mesmo quando falamos em História de Portugal. É uma evidência. A generalidade do português comum não faz a mais pequena ideia de quem foi o Infante Santo, D. António Prior do Crato, D. João II ou os Távoras e acha que as casas de Avis ou de Bragança são palacetes algures ali para o Norte. Os responsáveis por este estado de coisas não são os nossos concidadãos, é claro, que são mais vítimas que outra coisa. Os responsáveis são sim a chusma de governos e políticos ignorantes que se têm sucedido e que têm promovido a desvalorização da formação humana em nome de uma noção neo- positivista e imbecil que identifica a cultura com a tecnocracia (vide os actuais episódios do famigerado Magalhães). Pode ser que um dia seja a própria História a julgar estes ininputáveis que nos governam...Neste contexto de verdadeira pobreza franciscana é assinalável o esforço de algumas entidades privadas que teimam em remar contra a maré. É o caso da Academia Portuguesa de História que se vem distinguindo pela edição de um conjunto de obras que merecem aplauso. É o caso da excelente colecção dedicada à História de Portugal intitulada Guerras e Campanhas Militares. Os autores são especialistas portugueses que estudaram algumas das campanhas mais importantes da nossa história. Li dois livros desta excelente colecção (e tenho mais alguns em lista de espera) que aconselho vivamente: Aljubarrota de Luís Miguel Duarte e aquele que julgo ser mais recente título da colecção, A Perda da Independência - de Alcácer Quibir aos Açores, 2008, da autoria de Carlos Margaça Veiga.
Esta colecção, parece-me, pretende superar alguns dos problemas que o leigo, como eu, interessado em História, encontra em alguma da bibliografia que se publica entre nós, nomeadamente o seu academismo excessivo, a sua tecnicidade e o preço elevado. Ao contrário de uma certa tradição editorial, os autores desta colecção escrevem para o público e não se limitando a publicar as suas teses de doutoramento. Pelo contrário nota-se nestas edições um esforço notável de traduçlão de conteúdos mais técnicos para uma linguagem mais acessível ao leitor comum. Há a consciência clara de que receptores diferentes exigem linguagens diferentes. Trata-se ainda de edições simples, graficamente cuidadas que incluem imagens de boa qualidade e num formato quase de bolso. Muito diferente dos calahamaços enciclopédicos com mil e um anexos de grande interesse académico mas pouco ou nenhum interesse para o leitor médio. Além disso, last but not least, o preço destes livros é extremamente acessível: 4.90 euros na Fnac!
Nos países anglófonos há muito que este trabalho de edição histórica acessível se efectuou, existindo, hoje, um vasto público consumidor deste «género literário». Em Portugal está tudo por fazer e o esforço da Academia Portuguesa de História é um passo importante que merece ser assinalado. No país das licenciaturas tiradas aos domingos de agosto, se estivermos à espera das medidas do governo dos magalhães bem podemos esperar sentados... Mais facilmente alteram a Zona de Protecção Ambiental de um qualquer estuário perto de si.
31/01/09
29/01/09
Passarada dum raio, por Senhor Lord of the Flies
O caso que vou relatar não é novo, mas é eterno enquanto dura, como dizia o poetinha a propósito das erecções.Dá-se então o caso de a ponte Rainha Santa Isabel, em Coimbra, ter umas barreiras transparentes com uns pássaros desenhados, que eu pensava que tinham meros propósitos cénicos. Olha que lindas andorinhas; deve ser uma homenagem às andorinhas de louça que as nossas avós e avôs mais apaneleirados penduravam nas paredes de suas casas - dizia eu para mim, sonhador, olhando nostalgicamente para as avezitas, quando por lá passava, enquanto chocava com as traseiras dos volvos em rota para carregar brita em Pombal. Muito fui eu a Santa Clara só para ver as andorinhas da ponte, caramba…
Afinal, soube agora, aquilo não são andorinhas, mas sim aves de rapina destinadas a espantar os passaritos, evitando que choquem com as barreiras. Ora aqui está: toda a gente sabe que os passaritos são demasiado espertos para serem enganados com desenhos. Aves de rapina mas é o tanasdávó! - pensam eles - aquilo alí à frente são é grafites! Bute lá esborrachar as nossas cabeças, malta penosa! Banzaaaai! E pumbas, é assim que muitas lá falecem, indo-se acolher no regaço do São Francisco de Assis. As crentes. As agnósticas ou adeptas do União de Coimbra são simplesmente depositadas no aterro sanitário municipal ou recolhidas para fritadas pelo pessoal do Hotel da Quinta das Lágrimas, ali ao lado, sobretudo para servir a malta que vai lá jogar golfe e almoçar no restaurante, os patos.
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Mas assim ou assado, o facto é que esta mortandade passaral aborreceu algumas associações ambientalistas – de pessoas que se associam para se aborrecer com coisas destas, precisamente - e a Câmara Municipal, motivando reclamações junto da empresa Estradas de Portugal, EP, responsável pela ponte e por desenhar pássaros nas pontes, as propriamente ditas obras de arte das infra-estruturas rodoviárias. Que a coisa não funciona como devia, patati, patata, piupiupiu quáquáquá.
A resposta da empresa pública foi caros senhores, em referência à exposição tantos, temos a informar que nem aquela area está classificada como area protegida, nem aqueles pássaros correspondem a espécies protegidas ou têm algum estatuto de conservação, do que se conclui que os pássaros não têm nada que se queixar, porque a lei não os autoriza a tal atrevimento e aliás aliás nem morrem assim tantos como eles alegam. Ou seja, em rigor e nos termos da lei não há nenhuma diferença entre pedras de granizo e as cabeças destes pássaros rafeiros. Desenhar pássaros nos painéis já foi um zelo excessivo de um homossexual que nós aqui temos amante dos pássaros, se não resulta, não resulta, paciência, a bem da nação, obrigados e sem mais de momento, com os melhores cumprimentos.
Portanto, os pássaros que não pertencem ao Country Club nem têm anilha de brasão, se ninguém o fizer por eles, devem eles próprios acautelar-se preenchendo e entregando um formulário, requerendo pela sua saudinha que sejam dignos de protecção, enquanto vão ao outro lado da ponte buscar minhocas para os seus pobres filhinhos que aguardam no ninho. Ó filhos, vós sois mais que as mães e a gente não dá conta da papelada e olhem lá, morrendo muitos de vocês, talvez a gente vos carimbe com o estatuto de aves raras e se safem vão lá à vossa vida. Assim como há senhoras e mulheres, há aves e há pássaros. Olha, se por exemplo fosse o Pato Donald a dar lá com os cornos, era um valha-me deus de conflitos diplomáticos com a Casa Branca.
Bom, a bem da verdade, que ainda vou a tempo, a irmandade dos Lords of The Bridges também diz, no final do mesmo comunicado, num arroubo de caridade transbordante, que vai ver o que pode fazer pelos animais e fala em monitorização, avaliação da necessidade de reforço de medidas, quaquaqua. O que deve ter sido uma revolução epistemological que merece a admiração geral da Nação. Isto de decidir de repente coisas que não estão previstas em directivas comunitárias e diplomas publicados em Diário da República não está ao alcance de qualquer um, não está não.
Mas ó senhores, até eu, eu que quebrei algumas tibias de passaritos em puto com alguns costelos armados nos pinhais das gândaras e que, por isso, só a salto e de noite devo chegar ao Céu, eu que até comi gaivota (sabe a papel canelado, se bem me lembro), fiquei, como dizer, mais tonto com tudo isto do que se tivesse marrado com a cabeça num pilar da ponte ornitófoba. Compreendeis o que quero dizer, ou quereis um regulamento comunitário para esclarecer?
27/01/09
Ó Tio, Ó Tio!, por Tiro Liro
O 24 Horas brindou-nos hoje com uma das capas mais hilariantes da história do jornalismo recente. O Porco não podia deixar de a imortalizar. Essa que aí podem apreciar.Estas notícias chegam na sequência das comprometedoras revelações do tio do ingenheiro socrates, a propósito do caso Freeport. Ele é o tio, o primo, até a própria mãe do primeiro ministro se pronuncia sobre o tio Júlio nas páginas do jornal. Afirmam eles que o tio sofre de uma doença neurológica, que «tem sombras no cérebro», «que se esquece das coisas», que «tem células destruídas pela doença» e que «as faltas de memória têm-se agravado». «Já nem o reconheço», diz a própria mãe de socrates a propósito do tio Júlio. À escala europeia é um estranho e inédito caso jornalístico: a família de um primeiro ministro, pasme-se, vem em peso para as páginas de um tablóide falar das mazelas mentais dos seus membros e das simpatias do clã!
Percebe-se o sentido implícito desta fabulosa primeira página, percebe-se até a sua pertinência jornalística. O primeiro ministro está literalmente acossado no caso Freeport e as declarações prestadas pelo tio, só vieram afundá-lo ainda mais. Portanto o sub-entendido destas notícias é claro, é como se nos dissessem: «não liguem ao homem que ele não anda muito bem da cabeça e não sabe muito bem o que diz». Trata-se de uma óbvia descredibilização do testemunho do tio Júlio, embora, do meu ponto de vista, se esteja a ir um pouco longe demais, ao envolver a família nisto...
No entanto eu quero dizer aqui que acredito inteiramente no testemunho da família do primeiro ministro. É até absolutamente plausível que o tio de socrates tenha problemas de memória. Nem sequer é novidade na família. Então não foi o nosso primeiro que, quando lhe perguntaram quem eram os professores do célebre curso de ingenharia tirado num mês de Agosto na Independente, declarou que não se lembrava? Só o professor Morais do Inglês-Técnico foi professor de 4-cadeiras-4. Mas socrates não tinha qualquer lembrança... Claro, deviam ser as tais «sombras no cérebro» a atacar... E quando lhe perguntaram sobre os colegas, também não se lembrava de nenhum... Normal: «células destruídas». Ainda recentemente socrates foi chamado à atenção por fumar a bordo de um avião depois de, ele próprio, ter aprovado a lei que o proibia. Outra falha de memória, certamente. Pelos vistos o mal de memória não é exclusivo do tio Júlio. Deve ser um cromossoma maligno que ataca toda a família.
26/01/09
Da Maria Absoluta e doutros insectos, por Cão
Somos um país de insectos. Como insectos, somos esmagáveis com uma facilidade de chinelada. Vem a imagem lepidóptera (mais a ver com traças do que com borboletas) da tragicomédia em que esta terra se volveu.´É o tremendo sr. Sócrates a requerer a “Maria Absoluta”, essa gaja tenebrosa.
É o inenarrável sr. Madail, ao arrepio das finanças nacionais, a encomendar o Mundial da Bola 2018, depois do fartote pato-bravo que foi o Euro 2004.
É a “benesse” ético-coisital dos casamentos gay (com adopção ou sem adoção de meninos?).
É o desbocado sr. Policarpo, cuja religião não permite sacerdotisas, a dizer aos papás que livrem as filhas de casamentos com aquela maltosa que passa férias em Guantánamo.(E já que a crónica mete o Cardeal ao barulho, pegue-se na Bíblia, encontre-se o Livro dos Provérbios e leia-se este apotegma: “Por três coisas se alvoroça a terra, e a quarta não a pode suportar: pelo servo, quando reina; pelo tolo, quando anda farto de pão; pela mulher aborrecida, quando casa; e pela serva, quando fica herdeira da sua senhora.”.)
A “senhora” em causa é, claro, a Maria Absoluta. O “tolo” é quem casa com ela.
Assim andam e desandam as coisas cá pelo “reino cadaveroso”. A canalhada mandante é vil. A desvergonha atinge foros de paroxismo. O saque é geral. A perspectiva é nula. A expectativa é magra. O “poder local” deveria levar “h” depois do “p”. O bacalhau sabe a tainha. O vinho das cooperativas é todo igual ao litro. E a traça nunca será borboleta.
Agora, que o meu leitor volte a cabeça de repente e para cima: vê? É o chinelo.
Crónica nº 87 da série Rosário Breve (O Ribatejo, www.oribatejo.pt)
22/01/09
AÇORES, BALEIAS E A TIA HORTÊNSIA, por AzimutePerdido
De Onde Se Bate Nos Açores, Salvo O Devido Respeito Pelo Ilhas E Pelo JNAS.
Hoje tropecei numa publicidade de cartaz aos Açores onde se vê o logótipo do turismo açoreano, salvo erro da Direcção Regional de Turismo. Ao lado da palavra Açores aparece uma flor, mais concretamente uma Hortênsia estilizada, se é que se pode estilizar tal mostrengo averdongado. E fiquei a matutar no quão errado aquilo me parecia.É que o raio da flor pouco ou nada tem de apelativo. Os Açores no imaginário da malta é mar, é meros – se é que os nossos amigos do Catilinário ainda deixaram algum para amostra -, Açores é bicheza marítima e é sobretudo cachalotes e baleias. O imaginário turístico açoriano deve viver do mar, do café sport, do paredão da Horta, da vida anterior à volta da baleia e sobretudo da baleia e da sua observação. Para ver flores há milhentos sítios melhores por esse mundo fora. Ah, o cartaz fala depois do azul das baleias. Abelha.
Porque raio é que o símbolo base dos Açores e o logótipo do seu turismo não é uma baleia. Enorme. Gigante. Azul. Um colosso a descobrir antes que os jipónicos e os noruegos as comam a todas. Esse devia ser o símbolo dos Açores. Um animal, poderoso, mítico, raro e inatingível.Atão mas alguém vai aos Açores ver as florinhas?. A malta quer é ver baleias, gordas, luzidias, jurássicas. Meter florinhas, quando têm à mão um dos ícones mais poderosos da criação é o mesmo que vender o Kénia com a floração das buganvílias e o Kruger Park com a beleza estonteante dos jacarandás. Ora vejam lá se o Allgarbe não se vende com as mamas das lontras inglesas. Ou andam lá a meter a flor da alfarrobeira?
Ainda por cima uma Hortênsia. Mas que raio de cabecinha chama Hortênsia a uma flor, e porque não Gertrudes ou Hermengarda? E a malta dos Azores eleva a Hortênsia à categoria de máxima representante e figura de proa da região. Quanto a mim mal. Eu dos Azores quero as Baleias. Faraónicas e dinossáuricas. Belas e livres como nenhum outro bicho. Hortênsia é tia afastada e a cheirar a bolas de naftalina.
21/01/09
SÓCRATES, UM POPULISTA DEMENTE, por AzimutePerdido
Mundial 2018?, Valha-nos Deus E O Diabo!
O inefável Sr Engº Gilberto Madaíl – não há frio ou tumba que o tombe -, veio agora anunciar que, depois de falar com o outro Sr Engº, Sócrates de seu nome, Portugal irá tentar sacar o Mundial 2018.
Obviamente, lá se sucederam os anúncios: que é bom para Portugal, que Portugal só irá lucrar, que não se irá gastar muito, etc, etc. Esta gente de memória curta e inteligência mais curta ainda, esquece-se de que já anunciaram o mesmo com o Euro 2004, que encheu este país de Estádios idiotas e desertos, alguns dos quais rentabilizados com casamentos e baptizados.
Ontem veio e bem, o Sr Dr Ministro das Finanças Teixeira dos Santos dizer que: a ver vamos, não é prioritário, há outras coisas, se calhar nim, que ninguém falou com ele, etc coiso e tal. Ou seja, estejam mas é quietinhos que em primeiro há que arranjar dinheiro para mandar cantar o ceguinho e depois se sobrar dá-se uma moedita ao habilidoso da bola.
Temos assim que Sócrates saltou e pulou e garantiu ao Madaíl. Do outro lado Teixeira dos Santos de nada sabe e nega-se à esbórnia: olhe lá doutor engenheiro e coiso, que isto é bocadito mais carote que a Independente.
Hoje ou amanhã, um dos dois irá arrepiar caminho. Vale uma garrafita? Eu aposto que é o Teixeira que vai torcer. E Vocês?
19/01/09
DEXTER, UM ASSASSINO INCÓMODO, por DervicheRodopiante
Dexter Morgan é um Assassino. Arrepiante como nenhum. E é também uma série televisiva como há poucas. Falamos obviamente da divisão de um Seinfeld ou do Sopranos. De culto e imortal. A coisa passa no canal FX da Tv Cabo, com licença da palavra, e julgo que tem andado a passar também na RTP 2. No FX da ZON, de novo com licença da palavra, vai começar a passar no próximo dia 28 a Terceira Temporada. Para quem quiser ver a Primeira e a Segunda tenho lá em CD. A generalidade das alminhas podem ir à Net em download através do Shareminer ou em torrents através do Pirate Bay, que têm lá tudo.A série tem como protagonista o próprio Dexter, assassino e Serial Killer. O homem mata e mata muito. À superfície o homem é um polícia, um perito de sangues, seja lá o que isso for, e um analista de laboratório. Crime Scenes Expert como eles dizem. Pelo meio tropeça em bandalhos que a policia não consegue deitar a mão, ou bandalhos que ele próprio escava. E mata. Como só ele. Com requinte e muito, muito plástico.
A coisa começa logo a deslumbrar no genérico inicial. É fabuloso. Os fazedores de tal maravilha jogam com a música típica dos filmes de terror e suspense e criam uma sucessão de imagens que nos levam ao engano e que afinal se revelam do mais inocente que pode haver. O que abre logo para o tom da série. É que o Dexter sendo serial killer é também o herói e o bom da fita.
É um homem que por via de umas cenas muito graves na infância - não digo mais para não estragar -, não consegue sentir nada. Nem empatia, nem amor, nem nada por ninguém. É um vazio absoluto que não chora, não ri e não sente. Nunca sentiu a necessidade de se divertir, de espraiar ou de namorar. Sexo?, idem aspas, aspas. Quando o homem começa a namorar, fá-lo por necessidade de integração e normalização social e nada pede nem avança com a namorada, porque simplesmente não sabe nem quer.
A cena em que a namorada, agradecida, desce sobre a cadeira onde o homem está e lhe faz um Blow Job – Serviço De Sopro em português -, é uma cena de antologia. Nada se vê, é claro, a não ser a expressão de espanto, alguma satisfação e sobretudo, um reconhecimento: ah, então é isto, hum…, não é que seja mau, é esquisito, mas também já me fizeram coisas piores, prontos está bem, ela parece saber o que faz e desde que não se aleije, eu não a vou contrariar. Só visto. Uma interpretação fora de série do actor Michael C. Hall que o protagoniza e que faz também a voz do narrador, que é o próprio Dexter dentro de cuja cabeça estamos em permanência. Os pensamentos e as dúvidas da personagem são-nos colocados a nós também.
Na série, Dexter mata de forma certeira e infalível. Deus Ex Machina. Nunca se engana. E numa cedência clara ao politicamente correcto somos sempre esclarecidos da culpabilidade do facínora a assassinar. Mas a série é do menos digerível que pode haver e provocou ondas de indignação por toda a América. Mata-se ali com fartura e com muito sangue à mistura. E sobretudo, a série é completamente imprevisível, com reviravoltas constantes no enredo. Os diálogos são do melhorio. Há personagens extraordinárias como só numa série destas poderia haver. Uma coisa de culto.
Pelo meio há sangue inocente. Como sempre e o Dexter – apesar do papel de Deus ex-machina -, não consegue evitar que alguém inocente morra, e que morram até inocentes do seu interesse. Não é ele que os mata, mas a morte deles cai que nem ginjas. E o ginjal do Dexter é grande comó catano. Dia 28, prendam uma âncora no pé, não desistam à primeira esguichadela. Peguem em cereals e sigam o serial. Firmes e hirtos. Dêem-lhe uma oportunidade e vão ver que não conseguem arredar a olheira. Porque matar é do mais humano que pode haver.
15/01/09
Higiene, coentros e maduro, por Cão
Pergunta-me um amigo se vi pela TV a entrevista do primeiro-ministro. Disse-lhe que não. Não vi por uma questão de higiene. Mental. Minha. Muito minha e muito mental. Não vi. Não quero saber. Não sou um jornalista ao serviço dele. Nem dele nem de ninguém.À hora da dita entrevista, estava eu em casa muito sossegadinho a ler o meu dicionário da Porto Editora, escrito ainda sem a porcaria ortográfica pró-brasuca que aí vem. “Higiene mental: ramo da higiene destinado a manter a saúde mental e a assegurar a profilaxia das neuroses e das psicoses, combatendo os factores nocivos (excessos de tabaco, choques emocionais, intoxicações, alcoolismo, etc.)”. Tirando a parte do alcoolismo, percebi tudo.
Como não rimo “jornalista” com “acólito”, não assisti, nem de joelhos nem de cócoras, à tal entrevista. Tinham-me dado uma rica garrafa de tinto maduro, a mulher tinha trazido broa e bacalhau desfiado, num frasco de vidro grosso havia azeitonas perfumadas de alho e coentros em sal também grosso. Comemos e bebemos à saúde um da outra. Nem ela nem eu vimos a entrevista do senhor. Não vimos. Cheira-me que também não vamos ver a próxima.
A minha mulher também é muito higiénica. Por dentro e por fora. Foi uma riqueza que me aconteceu, a minha senhora. Às vezes, estamos na cama e rimo-nos muito. Eu digo o nome de um ministro (um qualquer) e ela desata-se a rir, contagiando-me irreversível e inelutavelmente. Depois, ela diz o nome de outro (outro qualquer) e eu desmancho-me, contagiando-a inelutável e irreversivelmente. De modo que somos felizes assim, felizes com a desgraça dos outros portugueses que já não se riem. Podia dar-nos para pior.
O amor é assim: nenhuma TV e um fio aromático de coentros cortando a espuma roxa de um tinto para esquecer.
Crónica nº 85 da série Rosário Breve
nO Ribatejo (www.oribatejo.pt) de 9/1/09
14/01/09
Nem Bom Vento nem Bom Casamento, por Mau Mé Mé
O cardeal patriarca de Lisboa D. José Policarpo avisou ontem as mulheres portuguesas para terem «Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano - disse D. José - pensem, pensem muito seriamente. É meterem-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam.» Hoje as organizações muçulmanas sempre muito indignadas com as discriminações quando estas se passam nos países não muçulmanos e praticamente omissas quando coisas bem mais graves ocorrem nos seus países de origem, já vieram a terreiro expressar a sua «justa indignação». Parece que exigem justificações ao patriarca por ter dito o que disse...
Mas é preciso justificar o quê? As organizações muçulmanas ignoram a forma como as mulheres são tratadas nos países muçulmanos de referência, como a Arábia Saudita, pátria das cidades santas e da polícia religiosa? Em que país muçulmano é que os direitos das mulheres são reconhecidos? No Paquistão das agressões com ácido sem punição? No Irão da sharia? Na Nigéria dos apedrejeamentos públicos? Mesmo no ocidental Dubai onde os usos e costumes limitam a liberdade das mulheres? É claro que uma mulher portuguesa que case com um muçulmano e que se veja na eminência de ir viver com ele para o seu país de origem, só por ignorância pode ignorar a alhada onde se vai meter. E como a ignorância abunda no nosso país fez muito bem D. Policarpo em avisar as incautas.
É certo que os muçulmanos, de um modo geral, são gente tão decente como qualquer outra. Mas D. José limita-se a fazer um aviso, não diz que condena todo e qualquer casamento com muçulmanos.
É também verdade que a mesma coisa ganha uma ressonânca completamente diferente se for dita pelo comum mortal ou por um cardeal patriarca da Igreja. Mas o cardeal de Lisboa não é mulá de ninguém: é representante dos cristãos e não dos muçulmanos e deve preocupar-se com aqueles e não com estes. Porque sabe dos «molhos de bróculos» de que fala, avisou directamente as mulheres a quem se dirigia na ocasião. Quem tem que avisar os homens muçulmanos para pensarem duas vezes antes de se casarem com mulheres portugueses, se for caso disso, são os mulàs. O cardeal preocupou-se com quem devia: com as mulheres portugueses para quem falou e não com os homens muçulmanos. E o que ele disse é de uma clareza linear. Importam-se, pois, de parar com a barulheira que está a ser feita por causa disto?
No Pic uma bela muçulmana envergando o fato de banho da moda lá do sítio: o burquini.

