14/09/09

A Arte de Regatear, por Buraq


Na Tunísia, como em todos os países árabes, fazer uma coisa tão
simples como uma compra pode ser o cabo dos trabalhos. Para um ocidental, essa operação não tem nada que saber: os preços estão marcados, temos dinheiro pagamos; não temos, pomo-nos na alheta. Mas nos países árabes não é assim. Tudo se negoceia, tudo se regateia. Os preços dos produtos não só não estão marcados, como são muito difíceis de descobrir. Geralmente é a última coisa de que se fala e, em regra, os vendedores pedem-nos entre cinco a dez vezes mais do que preço que estão dispostos a aceitar. Os Guias, como o American Express, dizem todos que isto é muito típico e que regatear é um jogo e uma experiência (cultural?) fascinante. Pois bem, eu não achei piadinha nenhuma!

Ainda me lembro de quando andava na baixa de Coimbra e os vendedores estavam à entrada das respectivas lojas a moerem-nos a cabeça para entrarmos. Aquilo era a melhor maneira de me fazer fugir a sete pés. Felizmente evoluímos e agora até nas lojinhas da baixa uma pessoa pode entrar sem ter melgas a morem-nos os miolos... Agora imaginem sítios onde a pressão dos vendedores é mil vezes pior do que a baixa coimbrinha dos meus velhos tempos. Na Tunísia as ruelas labirínticas das Medinas são muito apertadas e há lojas que são simples cubículos onde não cabem mais que duas pessoas. Nunca vi tanta gente em tão pouco espaço, berram, praguejam, discutem e, pior que tudo, agarram-nos e puxam-nos... No Ocidente chegámos à conclusão inversa - que é mais eficaz deixarmos o cliente à vontade, ainda que ele possa nada comprar. Nos nossos centros comerciais, nas nossas livrarias, nas nossas lojas podemos passar tardes inteiras a olhar e a mexer sem comprar absolutamente nada e ninguém nos chateia. Pelo contrário, na Tunísia há equipas de melgas a puxarem-nos e a matraquearem-nos a cabeça com parvoíces em série do tipo «Português - Cristiano Ronaldo - Batatas com bacalhau (!!!)»... Passear no meio daquela confusão não tem nada de agradável.

É claro que as Medinas não são todas iguais em todo o lado - se nas zonas turísticas aquilo é uma inferno, se em Tunes mal se consegue andar, já em Kayrouan, cidade santa do Islão, torna-se possível passear tranquilamente por entre os labirintos da cidade velha. O problema é que, descontando alguns aspectos típicos (como pequenas oficinas tradicionais de coisas tão estranhas como amoladores ou afiadores de facas), andar perdido no meio de um labirinto como aqueles não é, para mim, muito aliciante.

Mas, ok, vamos imaginar que até aguentamos isto tudo e mostramos interesse por um produto, vá lá, uma camisa com o crocodilo da Lacoste ao contrário ou uma t-shirt Galvin Klein. Aí chega o pior. É que depois de se desfazer em simpatias e de eleger a qualidade genuína dos seus produtos, o vendedor diz o seu preço que, invariavelmente, nos faz desmanchar a rir. Começa por pedir um preço absurdo e quando cumprimos a nossa parte neste ritual e baixamos o mesmo para 5 vezes menos, o indivíduo lança-se num chorrilho de lamentações, deita as mãos à cabeça, diz-se insultado e, não raramente, entra no insulto pessoal. Tudo isto é uma inconcebível perda de tempo - que saudades que eu tive dos preços tabelados do Ocidente, as oportunidades que eu desperdicei só porque não tive a pachorra de perder a tarde a regatear.

Mas o pior é que os vendedores, não tão excepcionalmente como se possa pensar, insultam-nos mesmo quando não estamos dispostos a pagar as exorbitâncias que eles acham que a contrafacção merece. Que somos uns avarentos, uns racistas e uns exploradores porque na nossa terra pagamos ainda mais pelos «mesmos» produtos; que somos uns mal vestidos que usamos roupa pior do que a que pretendemos adquirir, uns bandidos, etc,etc, etc... Mas quando lhes viramos as costas correm atrás de nós com a mercadoria, a berrarem que aceitam o nosso preço, mas depois já não é bem assim, já é um pouco mais, fónix, mas isto tem piada? Cheguei a enervar-me com um parvo porque achei que ele estava a passar das marcas. Se no meu país me dissessem metade do que ouvi na Tunísia nesta provação de regatear preços, garanto-vos que não só não comprava o que quer que fosse, como era bem capaz de me passar da carola. Mas enfim, estava a jogar fora da casa, um gajo controla-se e prontos...

Escolhi para ler nestas férias na Tunísia, muito a propósito, um dos últimos livros de John Updike intitulado O Terrorista. O livro conta a história de um jovem muçulmano americano que se embrenha nos meandros do fundamentalismo e decide levar a sério a Jihad. A páginas tantas, Updike, fala-nos de um comerciante líbio, emigrante na América que encontrou nos EUA o país ideal para viver, em contraste com a sua terra de origem. Chamou-me a atenção o discurso deste personagem a propósito desta tipicidade árabe de regatear os preços. Imaginem o efeito destas palavras numa pessoa que vivia directamente este inferno de regatear preços com gente tão agressiva:

«(Nos EUA) se temos uma coisa boa para vender, as pessoas compram. Se temos um emprego para oferecer, há quem apareça para o aceitar. Tudo é claro, à superfície. No Velho Mundo (isto é, no Mundo Árabe)pensamos em pôr os preços altos para depois os regatearmos. Mas ninguém compreende. (Nos EUA) até um pobre Zanj que entra para comprar um sofá ou um cadeirão paga o preço da etiqueta tal qual como na mercearia. Mas vêm poucos. Compreendemos e pomos os preços que esperávamos obter mais baixos e vêm mais. Este país é honesto e simpático.»

Não é que eu veja o mundo a preto e branco, mas nesta coisa da clareza também me parece, como ao emigrante líbio do Updike, que vamos uns séculos à frente dos àrabes. Ou então sou eu que sou um Infiel do camandro, que sei eu...

12/09/09

Frei Tomás, por Peripatético


Acabei de ver o debate socas/Ferreira Leite. O socas tentou passar a ideia de que o ps é a esquerda porque representa a garantia da manutenção do serviço público na segurança social, na saúde, na educação (isto apesar de ser líder do governo que mais atacou o estado social desde o 25 de Abril)... Tenta passar a ideia de que Ferreira Leite quer privatizar todos esses sectores, apesar da senhora dizer com firmeza e explicar que NÃO, NÃO QUER PRIVATIZAR A SAÚDE, A SEGURANÇA SOCIAL, A EDUCAÇÃO!

Socas é uma simples marioneta das equipas de propaganda que contrata. Este homem não tem espessura, é oco, de fancaria: o seu «pensamento» resume-se a matraquear dicotomias simples, fáceis de decorar pelas massas,neste caso, direita = privatização/esquerda (quem, ele?)= serviço público. O esquema não pegou no debate, mas convém saber, digo eu,quais as escolas em que socas e ferreira leite educaram os seus filhos. Vai-se a ver e,pois, é giro... Ferreira Leite educou os seus filhos no público; os do cokas, perdão do socas frequentaram e frequentam o... Colégio Alemão, o mais caro e chique do sítio. Bem prega frei Tomás...

Post scriptum - nota positiva para Clara de Sousa, isenta e correcta, sem se preocupar com a delicada sensibilidade de virgem ofendida do sr. socas. Depois do deploráveis exemplos da gaja do Prós e Prós cujo nome nem fixei e da judite de sousa nestes debates eleitorais, um pouco de isenção soube bem, para variar. Mas se o mokas, perdão, o socas, ganha as eleições a Clara que se cuide...

10/09/09

Requiem. Ni



Foste embora. Sem avisar. Sem te avisarem. Deixaste o teu olhar em falta pelas janelas que sonhaste transpor num sonho sempre adiado. A vida foi demasiado pequena para ti. E tu, outrora sorridente, sempre tímida, alheia a todas as guerras, não quiseste perdurar na penumbra dos dias sem sentido, numa luta que não percebeste qual a vitória. Deixaste um vazio cheio de recordações. De imagens. De sentimentos. Que não chegaram a ser vividos, mas pensados, planeados, adiados. O medo de viver foi sufocado por um existir sobrevivido. Merecias mais. Muito mais. As palavras traem e desvirtuam o sopro do sentir. Ficou uma angústia por explicar. Uma vida por respirar. Um desejo por cumprir. Não sei onde estás. Mas sei que, seja onde for, estarás feliz. Necessariamente. Para poder acreditar que há um sentido…

06/09/09

Glass Ceiling, por G.


Não se conhece nada de um país quando não se conhece, pelo menos, uma ou duas pessoas, quando não as ouvimos falar e rir, quando não partilhamos com elas diferenças e semelhanças na forma de dizer, de fazer e de pensar, quando não deixamos com elas algo de nosso e não trazemos esse pouco da essência de outro país que estão dispostas a dar.
Por isso, não conheço a Tunísia. Só sei do que vi. A estes rostos, tão bonitos, olhei como quem olha paisagens. De diferente só o facto de ter pedido licença para os fotografar.

04/09/09

Ligados à Máquina, por Dr House


Hoje, em Portugal, já não se discute política. As pessoas pensam que sim, mas não. O mais importante já não é a discussão acerca das políticas do governo nas várias áreas - que, pessoalmente, acho calamitosas. Nem se trata de saber quel o melhor partido para dirigir Portugal...

Antes disso, a questão é, simplesmente, anterior a isso. Numa democracia saudável, sim, discute-se se este ou aquele partido apresenta um programa melhor ou pior que aqueloutro, se esta equipa partidária tem quadros melhor ou pior qualificados, se este líder está mais preparado que outro, as diferenças ideológicas... Isso é o normal. Só que Portugal não é uma democracia saudável.É por isso que em Portugal a questão prévia não chega a ser política: é um problema de falta de credibilidade pessoal e moral de um líder, o actual primeiro ministro, para se manter em funções.

Em qualquer democracia normal, um líder que carregasse às costas tantos casos como o freeport, a licenciatura marada, o caso do apartamento de luxo comprado a preço módico, o caso cova da beira, o caso dos projectos Guarda/Covilhã, a «famiglia» mencionada como estando envolvida num caso de licenciamento público de um projecto privado - o freeport -, o primo de shaolin, o novo primo que também não está no país e é citado como intermediário no caso freeport, o escandaloso silenciamento da redacção da TVI, ufff, etc, etc, etc, tudo isto é demais e só fiz uma pequena selecção assim de memória...

Não se trata de política, trata-se em primeiro lugar de um padrão: são casos a mais para uma só pessoa, que não podem ser pura e simples propaganda da oposição. Trata-se de lodo a mais! Encarados com um mínimo de seriedade, todos estes casos só podem levar a uma conclusão: socas não tem condições para continuar a governar, quanto mais para vencer ou sequer apresentar-se a eleições. Socas é, no mínimo, suspeito em demasiados casos nunca cabalmente esclarecidos e isso devia ser mais que suficiente para que se demitisse ou fosse obrigado a tal.

Uma sociedade que permite, sem se indignar, que um indivíduo ligado a tanto caso, continue no poder, é uma sociedade que está doente. Doente de fraqueza, sem energia, sem cojones, como diriam nuestros hermanos. Acho espantoso como é que ainda não se deu neste país um movimento de impeachment. Num país evoluído há muito que socas estava no olho da rua. Mas aqui as pessoas continuam a espantar-me com os argumentos acéfalos e desesperados com que continuam a defendê-lo. «Mas o homem não fez nada de bom?» Claro que sim. Até Hitler e Mussolini fizeram algumas coisas boas. É só isso que esperamos de um político - que faça «alguma coisa de bom» em quatro anos, seja lá o que for e quanto ao resto, vale tudo porque «todos fazem»? Como é que os portugueses não se indignam? Não compreendo quando me dizem «mas os políticos são todos assim» sem sequer concretizarem, sem sequer perceberem que não houve nunca neste país um político com tanto caso suspeito às costas.

A apatia com que a sociedade portuguesa reage a tudo isto é mais grave que os factos em si. É o sintoma de uma doença, de uma doença terrível da nossa sociedade - a da degenerescência da consciência cívica. Estamos doentes, não temos o mínimo grau de exigência perante aqueles que nos governam. E, o que é mais grave, ainda não percebemos que a maior falta de respeito que a nossa indiferença encerra não é para com os outros: é para connosco próprios.

03/09/09

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO POLVO, por Merdaíl

Já toda a gente sabia que aquilo não podia perdurar. O Jornal Nacional e a Manuela Moura Guedes eram um incómodo, um espinho atravessado na garganta do poder xuxa e em especial do querubim que nos desgoverna.

Ninguém tem dúvidas que a Prisa, dona da TVI e amásia do governo espanhol e do Zapatero, procurou agradar agora ao poder. Já o tinha feito com as pressões para a saída do José Eduardo Moniz e agora fez o servicinho final.

É engraçado que o querubim há dias tinha finalmente cedido à realização de debates com todos, mas comunicou que se recusava a ir à TVI, alias na senda da sanha da abertura do Congresso Xuxa. Acontece que ontem lá estava o querubim a debater com o paulinho das feiras na TVI.

O que é que mudou entretanto para que a administração da TVI tivesse dado a volta ao querubim? O que é foi concedido ao querubim pela administração da TVI para que o homem entrasse e se sentasse em tão nefanda casa?

Ao que parece o Jornal Nacional de amanhã iria abrir com mais uma peça jornalística sobre o querubim e o freeport. Já não vai. A administração proibiu e a Manuela Moura Guedes e a sua equipa demitiram-se em bloco. O Vasco Pulido Valente rescindiu a colaboração com a TVI. E amanhã lá teremos os amanhãs que cantam na TVI, como na RTP e na SIC. Há polvo na costa.

E importa sublinhar que o Freeport deu um salto de gigante há poucos dias. O Sr Dr Carlos Guerra, amiguinho e subordinado do querubim tinha 200.000 na sua conta bancária, recebidos por transferência de outras contas e outros arguidos do Freeport e na altura do licenciamento da coisa. Este é um dos aparatchiks do querubim que andaram pelas tvs a justificar a injustificável bondade da coisa.

Acho que vou ali ao Zé Manel dos Ossos tentar comer um polvo areado para desenfastiar.

02/09/09

Korbous, por Buraq


De Lisboa à Tunísia são apenas duas horas e meia de voo. Mas é impressionante como um sítio tão próximo geograficamente seja, ao mesmo tempo, tão distante culturalmente. Da Palermo a Cap Bon vai-se de ferry boat; de Barcelona a Tunes é uma hora de avião. E, no entanto, a tunísia é, para nós, um mundo insomensuravelmente tão distante...

Viajar para a Tunísia é viajar para outra civilização, é fazer uma mudança cultural, apesar de demorarmos o dobro do tempo a chegarmos de carro ao Algarve, se sairmos de Coimbra. O Brasil fica a cerca de 10 horas de voo de Lisboa; e no entanto sentimo-nos em casa, está logo ali, em termos culturais...

Sim, bem sei que há países muçulmanos muito mais duros, portanto, muito mais distantes de nós, culturalmente. A Tunísia é até apontada - juntamente com Marrocos - como o país mais moderado e ocidentalizado do Magreb. Os próprios Tunisinos estão sempre a dizer que são gente calma e que os argelinos e os líbios, esses sim, é que são agressivos e nervosos. Mas, mesmo assim, sente-se e não é pouco, a mudança de registo e o impacto do abismo civilizacional.

Pode ser que eu volte ao tema, um destes dias. Por agora deixo-vos com esta foto de um lugar fantástico chamado Korbous, situado na província de Cap Bon. Desce-se da montanha com paisagens rochosas mediterrânicas de cortar a respiração, a água azul, a brilhar lá ao fundo das falésias, e chega-se a Korbous. É um lugar famoso entre os nativos pelas qualidades termais das suas águas. Sentimos logo, ainda longe, um cheiro intenso a enxofre, porque a este sítio vai desaguar uma nascente da montanha de águas quentes. Os nativos, gente humilde, muitos com o típico «bronzeado à pedreiro», acotovelam--se para se apinharem no sítio mais próximo da cascata de águas ferventes milagrosas. Há centenas de pessoas e uma vaca a paseear na estrada, como na ìndia. Estilhaços de polvo esvoçam por todo o lado (os nativos estão constantemente a apanhar polvos que estilhaçam contra os rochedos).
Experimento mergulhar ao pé daquela multidão dos homens e das poucas mulheres que se banham com os seus púdicos fatos islâmicos. A sensação é excelente, à medida que me afasto a temperatura da água vai esfriando, junto às cascatas é quase fervente. É interessante: para os padrões ocidentais Korbous pode parecer um lugar ascoroso. «Que nojo! Isto é uma porcaria», diz o R. Mas eu não acho. Não sinto nojo nenhum naquele sítio, a água quente vem de uma nascente na montanha, o cheiro intenso é do enxofre e não de esgotos a céu aberto, como na Figueira da Foz, e o mar é azul, límpido e infinito. O que será mais nojento - Korbous, a da foto, ou uma piscina de hotel, tratada a baldes de cloro e povoada de hordas de ingleses vermelhos do sol a suarem em bica?

01/09/09

Tesourinho Deprimente, por Microfone Desgraçado

É uma verdadeira vergonha: aquela senhora, uma Judite de Sousa, estendeu a passadeira vermelha ao outro senhor José Sócrates. E de forma descarada. À vista de toda a gente.

Passeou a sua ignorância, permitiu todas as lides que o senhor quis fazer, deu-lhe tempo de antena.

Denotou uma ignorância profunda acerca dos temas que, supostamente, deveria ter preparado para, no mínimo poder perceber o que poderia e deveria perguntar, questionar, problematizar.

É acintoso para quem assistiu.

Um sorriso permanente de aquiescência, um dobrar de espinha, uma vassalagem sem igual!

Perguntas incómodas? Perigoso… questionar o que o senhor dizia? É melhor não. Saber o que podia (e devia) contrapor? Hum, para quê, estou aqui tão sossegadita…

É uma ofensa para os verdadeiros jornalistas terem de assistir a esta coisa.

Perante esta oferta de inanidades, obviamente que o outro senhor disse o que quis, o que lhe apeteceu, o que se lembrou, o que lhe passou pela cabeça.

Chegou a ser patético apreciar aqueles momentos em que a dita jornalista deveria colocar questões e, ficando calada, o senhor teve que continuar a ladainha porque do outro lado era o vazio.

O que o senhor proferiu, bom, o “tá a gravar” tem momentos mais sérios e honestos. Vejam lá que até apelidou de “patriótico” o que fez pelo país, qual Liedson, o mais recente “herói do mar”.

A coisa promete…

31/08/09

Carolina Patrocínio Precisa Que Lhe Tirem O Caroço!, por DervicheRodopiante



A menina aqui do lado chama-se Carolina Patrocínio e é a mandatária do Partido Socialista para a Juventude, seja lá o que isso for. Mas seja o que seja, a menina não é má. Parece-se até e muito com uma cereja. Com caroço.

Vem isto a propósito de um vídeo de (vide google ou you tube) de promoção da menina politica em que esta confessa candidamente que não consegue comer cerejas sem que a empregada em primeiro lhe tire os caroços. Tem horror à fruta com caroço e só gosta de uvas sem grainhas. Para as melancias tem duas empregadas. Até porque prefere fazer batota a perder. E na rentrée do PS na Praia de Santa Cruz até leu um papelinho onde alguém lhe escreveu coisas como “retoma” e “fim da recessão técnica”. Eis a nova e boa geração Xuxa.

Pois a menina do socialite, apresentadora inane de tv e que desfila em fio dental pelas passerelles, também é politica e como tal gosta de dar emprego ao povo, nem que seja a tirar-lhe os caroços. E eu penso que o povo até gostaria de lhe tirar o caroço. Porque o povo é malandreco.

Ora esta ideia da nossa menina é genial por três ordens de razões. Em primeiro por causa da Fruta. Portugal tem fruta como catano e toda a fruta tem caroço. Em segundo lugar por causa do “Fim da Recessão Técnica”. Portugal tem desempregados a dar com um pau e precisa de lhes dar emprego. Atenção que não é dar trabalho, trabalho há muito por aí. Falamos de um emprego. E uma coisa levezinha como tirar caroços à fruta, que é coisa que se faz bem e ainda melhor se for feita com vínculo à função pública e demais mordomias de lugar de estado e estalo. Dirão vocês que isto é insano e não há dinheiro. Ora aí é que vocês estão enganados e erram em grande. E entra aqui a terceira ordem de razões. A “Retoma”. É que Portugal está podre de dinheiro a ponto de não saber o que lhe fazer razão pela qual desatou a a fazer TêGêVês e aeroportos e terceiras autoestradas Lisboa-Porto etc coiso e tal. E existe alguma forma mais rápida de injectar dinheiro na economia e no povo do que contratar descaroçadores de fruta? E ó se a malta gosta do caroço. E o povo tem direito ao caroço!

A menina Carolina ao poder! Vamos-lhe tirar o caroço!

14/08/09

Dos Contos do Deserto - IV, para o Cão, por Mangas

Vou pela auto-estrada 75 para Oeste. Ultrapasso um Chevrolet prateado, modelo de 80. Ponho-me a pensar no que andei por aí a fazer nos anos oitenta. Pelo retrovisor vejo o grelha do Chevy com alguma ferrugem dos lados. Também não tem matrícula. Vi carros em Chicago com matrículas personalizadas com a palavra Godfather. Há uma grande fila à minha frente. Sirenes da polícia na beira da estrada. Pelo retrovisor, chegam-me dois homens com fardas azuis e estrelas no peito que brilham com o sol. Dão indicações aos condutores para prosseguirem. Com cuidado. Calculo que deve haver uma razão qualquer para o fazerem. Vejo muita coisa por este retrovisor. Enfio uma cassete no auto-rádio. Engole-a sem protestar. Onde é que eu estava nos oitenta? Havia músicas dos Táxi nos corre­dores do Liceu, um polícia a dançar na rua enquanto dirigia o trânsito num anúncio da Lois, bailes de sábado à noite até às tantas, cartas que o meu pai me escrevia de Jerusalém e do deserto do Negueve. Esta cassete tem músicas de Ban e Sétima Legião. Tem sons de acordeão e uma canção com palavras de saudade. As músicas desta cassete não passam na MTV e eu pouco me importo. Dou comigo a pensar na razão por que me esqueço dos nomes de alguns actores, de alguns filmes que me deram algum gozo. (Tenho de virar à esquerda, na direcção daquela placa INDIANA LEFT). Antes de prosseguir, ajeito pela última vez o retrovisor para ter o maior ângulo de visão possível. Chego à conclusão de que talvez me esqueça do que tem pouco interesse lembrar-me, porque ainda sei quem foram o Marlon Brando, o António Silva e o Vasco Santana.
Grand Rapids, Michigan, Setembro/93

in, O Vale dos Deuses

10/08/09

O Outro Mick, por Dandelion


Eu continuarei a ir ver os Rolling Stones às Ruínas de Alvalade mesmo quando eles tiverem 80 anos (e já nem falta assim tanto). Mas sei que corro atrás do mito. O que eu gostava mesmo era de me meter numa máquina do tempo e vê-los nas digressões dos anos 70 com o Mick Taylor.

Taylor entrou para os Stones em 1969 e saiu em 1974. Foi um músico genial, o mais brilhante que já passou nos Stones! Foi anunciado como substituto de Brian Jones, encontrado morto na sua piscina particular. Tratou-se de uma indicação directa do guitarrista de blues John Mayall que havia tocado com ele. Taylor era, à data, um menino prodígio, um super talento precoce, e confirmou esses atributos com os Rolling.

Não era um performer nem um músico de Rock n Roll como Keith Richards e Ron Wood. Era muito mais que isso: desenhava arabescos na guitarra, interagia com a loucura de Jagger, tinha improvisos que mais parecem de free jazz... Há quem diga que ele saiu dos Stones porque o heroína-man do Keith tinha ciúmes do seu brilhantismo. De facto nas performances que podemos ver no precioso you tube, como nos discos em que o Mick Taylor entra, Richards passa, claramente, a segundo guitarrista. Keith passa a gerir o som duro, os riffs da banda, mas o papel de solista e de guitarrista principal é ocupado por Taylor.. . Richards era, desde a saída de Brian Jones, o front man do grupo, juntamente com Mick Jagger. Mas, de repente, aparece este puto talentoso e ultrapassa-o pela porta grande. Os vídeos do you tube são engraçados porque os solos são do Taylor mas os gajos estão a filmar o Keith... Ou seja, as imagens não espelham a realidade da música. Compreende-se que Keith não tenha gostado de ver o seu trono ocupado. Segundo os próximos terá começado a fazer cenas e a sabotar o trabalho de Taylor. Fala-se em explosões de Keith, por exemplo nas sessões de gravação de Goat`s Head Soup nas quais terá berrado em plena gravação «Fuck you! You play too much loud».

Mick taylor apresentou dois motivos para sair dos Stones:
Primeiro - o facto de não lhe ser reconhecida a co-autoria de duas músicas de Its Only r n r (The time waits for no one e till the next goodbye).
Segundo: achar que a banda se tinha desleixado (atrasos às sessões de gravação, problemas com drogas, Jagger no jet set, putas, etc).

Mas, tal como ele explicou, depois, diplomaticamente, no fundo nunca se sentiu um Stone e nunca pensou que acabaria a vida nos Stones. Aquilo não era um casamento e mesmo estes não duram sempre…Pode ser. Mas lá que os gajos nunca mais foram o mesmo, isso é verdade. E sendo geniais, foram-no um pouco (um muito) menos sem o outro Mick.

Deixo só uma nota final para que se apercebam da importância dele nos Stones: o gajo esteve com a banda de 69 a 74. Foram os melhores anos dos Stones, ao vivo e em estúdio. Vejam só a sequência de álbuns que ele grava com os Rolling: 69 - Let it Bleed - OBRA PRIMA; Sticky Fingers (70) - OBRA PRIMA; Exile on Main Street (71 ou 72)- OBRA PRIMA. São só os três primeiros álbuns de Mick Taylor nos Rolling Stones! Se lhes acrescentarmos Beggars Banquet (68), imediatamente anterior a Let it Bleed, temos aqui o melhor período e os melhores discos da história dos Stones, que digo eu, da história do rock!

Street Fighting Man,1973, Frankfurth, gandas Micks:

06/08/09

Dar uns Toques, por Homem Mosca


Reunião do Aparelho destinada à preparação das próximas eleições. O Aparelho está preocupado com a queda eleitoral do Partido e há que fazer qualquer coisa, traçar diagnósticos, decidir e aplicar estratégias. Ambiente crispado, os camaradas estão aterrorizados com a iminência de ficarem no desemprego. Mas as reuniões do Aparelho são sempre muito à frente e o nível do discurso político-filosófico-ideológico é de alto calibre. A sofisticação conceptual é avançadíssima. Imaginemos, não deve ser muito diferente disto:

- Pá, isto tá a correr mal, só temos uma saída: caçar votos à esquerda. Pra isso temos que arranjar umas caras novas para irem nas nossas listas. Dar uma imagem de renovação , os intelectuais, os jovens e as gajas boas tão connosco e isso...Ou captamos umas figuras à nossa esquerda ou tamos fodidos.
- Tens toda a razão, camarada. É por isso mesmo que já apresentámos algumas listas com umas caras larocas mais ou menos ligadas à esquerda.
- Pois é, em Ventosa de Baixo já temos a Inês Madeireira, é bem visto.
- E em Alcarraques caçámos o Anástácio Cipriano, um gajo vestido de preto e de barba por fazer, ficam sempre bem e dão votos.
- Mas em Alguidares, temos um problema pá. Quem é que caçamos em Alguidares?
- Podia ser a Júlia Amélia, pá, a gaja tá mal vista no partido dela, lixávamos esses comunas de merda e ainda somávamos uns votitos. E é boa, fica bem na foto e tudo.
- Tá bem visto, pá, vamo contactá-la. Ouve lá, ó Silva, quem é o nosso homem em Alguidares, para tratar do assunto?
- O nosso caçador em Alguidares é o Tó Saraiva, o filho do Saraiva... O gajo conhece a tipa, pode-lhe dar um toque...
- Então ele que dê o toque e fica o assunto de Alguidares resolvido.
- Mas ó Zé, ele tem que ter carta branca pra prometer um tacho à gaja se ela aceitar, sabes como é, isto não vai lá com lentilhas...
- Tudo bem, pá, diz-lhe pá avançar que tem carta branca da minha parte. Mas, ouve lá, se a coisa der pó torto e a gaja abrir a boca não tenho nada a ver com isso, ele que se amanhe, hã... Se der merda o Tó que se aguente sózinho, eu nunca disse nada, é iniciativa dele...
- Ok, ok, vou ligar pó gajo e ele faz o contacto já amanhã.
- Porreiro pá!

P.S. Qualquer semelhança entre este diálogo e a realidade é mera coincidência. Ás vezes dão-me estes flashs, é tudo...

04/08/09

Tattoo You - Restos Que Valiam Milhões, por Cáolho

Não é o meu disco preferido dos Stones (nem por sombras), mas tem uma história curiosa que vale a pena contar. Falo de Tattoo You, álbum de 1981 dos Rolling Stones.

Há pessoas que têm um talento raro para fazer óptima comida com os restos dos almoços e dos jantares que se encontram lá por casa. Chris Kimsey, produtor de Tattoo You, parece ser uma delas. É que o disco é uma selecção de gravações rejeitadas, outtakes e melodias esquecidas de álbuns anteriores. Comida requentada, portanto...

Em 1981 os Stones estavam numa fase mais ou menos delicada, enfrentando dúvidas e uma barragem de críticas que os acusava de viverem dos louros colhidos no inicio dos anos 70. A banda precisava de um bom álbum, ainda por cima depois do relativo fracasso de Emotional Rescue de 1980 (quanto a mim um excelente álbum injustiçado pelos saudosistas). Foi uma época de algum impasse criativo, segundo a crítica...
Kimsey salvou a situação quando propôs à banda a gravação de um novo álbum com material completamente esquecido. Mas Chris viu ouro nesse material requentado e não se enganou.

A faixa de abertura do disco é, nem mais nem menos, Sart me Up, uma das músicas que mais milhões rendeu e um standard absoluto dos Stones. A canção data das sessões de gravação de Some Girls (78). Foi gravada no mesmo dia em que os Stones gravaram Miss You, começou por ser uma faixa Rock e foi refeita em versão reggae. Resultado: toda a banda e, especialmente, Keith Richards, odiou a música que ficou na prateleira durante 3 anos até ser redescoberta por Kimsey e re-trabalhada pelos Stones com o sucesso que se conhece.

Slave, outra excelente música, que contou com a presença de Sonny Rollins no sax, foi recuperada das sessões de Black and Blue de 76, tal como Worried about You. Hang Fire e Black Limousine vêm do tempo de Some Girls (78), Little T and A de Emotional Rescue (80) e Waiting on a Friend e Tops dos tempos remotos de Goat`s head Soup (74).

Conhecendo-se a qualidade de algumas destas músicas não se percebe como é que ficaram de fora dos álbuns citados. Goat`s Head Soup, pese embora a presença de clássicos como Angie e, sobretudo, Star Star, é, a meu ver, um dos álbuns mais fracos da banda. Como é que não aproveitaram uma canção tão fantástica como Waiting on a Friend? Slave com o seu balanço jazzistico faz lembrar Can´t You Hear me Knoking do imortal Sticky Fingers (70). Não coube em Black and Blue?

Seja como for, admito que esta coisa de escolher faixas para um disco deve ser como fazer equipas de futebol: há os treinadores de bancada, como eu, que acham que o jogador A deve jogar a titular, mas a questão é que que quando nos perguntam «quem é que tiravas para entrar esse?» ninguém se entende... Chris Kimsey declarou depois que o problema estava na organização da banda: o homem passou longas temporadas literalmente à procura de gravações, já que ninguém sabia onde se encontravam as tapes. Nada era catalogado, o material estava disperso nos mais variados sítios. Incrível, tratando-se da fábrica de fazer dinheiro que eram e são os Rolling Stones! E depois, há faixas que não resultam numa altura, mas que acertam em cheio dez ou vinte anos mais tarde. Uma questão de Kairós ou de oportunidade. Voltando à analogia gastronómica, Keith Richards, di-lo-há como ninguém:

«A maneira como estas faixas amadureceram é exactamente como o vinho - limitas-te a guardá-lo numa cave por uns tempos, e, alguns anos mais tarde, quando sai para fora, vem um pouco melhor».

02/08/09

Stephen King’s The Stand , por Supernova



Agora que 2012 está a chegar e em que ano após ano somos assombrados com novas estirpes cada vez mais mortais do vírus da gripe, The Stand renasce e surge como uma obra quase profética que nos envolve num mundo pós-apocalíptico, numa clássica luta entre o Bem e o Mal tão comum no génio de Stephen king.

This is the way the world ends
This is the way the world ends
This is the way the world ends
Not with a bang but a whimper.
T.S. Eliot

E eis que aos primeiros segundos nos é dada a apresentação da mini série de quatro episódios com aproximadamente uma hora e meia cada (The Plague, The Dreams, The Betrayal e The Stand), através dos últimos versos de “The Hollow Men” de T.S. Eliot, poema que viaja pelo reino dos mortos.

The Plague
Tudo corre bem, afinal, há crianças a brincar numa Reserva do Governo americano bem guardada por uma cerca electrificada. Tudo normal! É nessa reserva/ laboratório que um vírus da gripe está a ser manipulado. Sob a observação de um corvo (Randall Flagg), o vírus escapa e enquanto um guarda das instalações foge com a sua família vemos um laboratório cheio de corpos que nos são mostrados ao som de (Don't Fear) The Reaper dos Blue Oyster Cult, nesta passagem, e enquanto o apocalipse ganha forma, vê-se uma televisão preocupada com concursos tão úteis para a felicidade do mundo! Estava lançado o mote.Em “The Plague”, aquele que para mim é o episódio da série mais bem conseguido – o episódio que agarra, assistimos ao avanço do vírus e ao circo militar, somos levados pela Califórnia, Texas e Arizona. New York e Maine, a casa de King (outros estados e cidades serão atravessados ao longo da série). São introduzidas algumas das personagens de maior relevo na história. Randall Flagg (o Mal), a velha Mother Abigail, que é a personificação do Bem e que reúne as tropas em sonhos, Nick Andros (surdo-mudo), Stu Redman (um habitante de shit hole, Texas USA) e Larry Underwood (um cantor). Este episódio termina a fazer lembrar o filme de John Carpenter “In the Mouth of Madness” cabendo a Stu Redman a visão de John Trent no filme de 1994.

The Dreams traz-nos o resultado da propagação do vírus e começa com uma imagem forte, ao mostrar uma filha (Fran) a ultimar a mortalha que envolve o pai. É visível neste episódio o vazio e a solidão que abraçou a Terra, por todo lado há cadáveres a apodrecer.
Surgem novas personagens, com destaque a Nadine, que haverá de ser a esposa de Randall, e Tom Cullen, um mentally retarded analfabeto que luta para dar um toque de normalidade à sua cidade e que acaba por se cruzar com Nick Andros dando início a uma amizade difícil mas que acaba por vencer as barreiras à comunicação. Neste episódio a construção das personagens ganha força e começa a viagem das mesmas para Hemingford Home (a casa da mãe Abigail). Os sonhos começam a dar cada vez mais pistas e muitos deles tornam-se em pesadelos. É o episódio do recrutamento por parte de Randall que começa a organizar os nomes da sua ofensiva, escolhendo como quartel-general a cidade do pecado!
Surge nesta segunda hora e meia da série o primeiro frente a frente do Bem e do Mal.

The Betrayal marca a mudança de Hemingford Home para Boulder, a Zona Livre. Estabelecem-se novas relações e solidifica-se a união de Flagg e Nadine, ela que irá servir a traição numa refeição em que o prato principal será palavras confeccionadas com veneno e acompanhadas com uma sobremesa sexual. Esta cena é concretizada através de uma boa harmonia entre representação, realização e música (na minha opinião a melhor cena a nível cinematográfico do episódio). Neste episódio é criado, pelos sobreviventes e ao som de The Star-Spangled Banner, um comité que surge como o centro de decisões de um novo Governo. Esse comité será responsável pelo o envio de três espiões a oeste na tentativa de observar as movimentações de Flagg. Assume grande importância para o desenrolar da série a ida e volta de Mother Abigail de um retiro do qual traz as suas ultimas directivas e das quais resulta a viagem de quatro salvadores rumo á destruição do Mal. Uma nota neste episódio para o tributo de Stephen King a Hitchcock. King gosta sempre de fazer uma aparição nas suas adaptações ao cinema/TV e neste episódio é agradável ver a sua representação.

Em The Stand a viagem do quarteto continua enquanto o casamento de Randall e Nadine é consumado no meio de gritos de desespero. Começa aqui a ganhar forma o fim do círculo do Mal e tudo parece fugir ao controlo de Randall. É o episódio do arrependimento máximo e do último sacrifício enquanto Randall desespera para matar os três espiões que foram mandados para observar as suas acções.
Com argumento de Stephen king e realização de Mick Garris (Sleepwalkers, Tales from the Crypt, The Shining TV mini-series, Masters of Horror) The Stand é uma adaptação para televisão do livro homónimo de King. Conta com boas representações, outras nem tanto, com caracterizações muito bem realizadas e tem no seu elenco nomes como Gary Sinise (Snake Eyes), Molly Ringwald, Jamey Sheridan, Ruby Dee, Miguel Ferrer (Twin peaks), Corin Nemec, Adam Storke, Rob Lowe (Brothers & Sisters), Laura San Giacomo e Ossie Davis. O elenco é ainda abrilhantado com as participações de Ed Harris (Pollock), Kathy Bates (Misery), Kareem Abdul-Jabbar (Game of Death) e Sam Raimi (realizador de The Evil Dead).

É uma série a não perder sobretudo para quem é fã das adaptações de King, estes sentirão a falta de uma personagem como Molly Anderson ou Mrs. Carmody, e para quem gosta de filmes que metam à prova a condição humana. Tem efeitos especiais que deixam algo a desejar mas é agradável ver uma produção com puppets em vez do cada vez mais habitual recurso ao CGI. The Stand leva-nos a viajar por um mundo em ruína enquanto aproveitamos a paisagem americana através da fotografia da série.