12/02/10

Mais uma Cabala!, por Paulinho Bói


1. Hoje não consegui comprar a edição histórica d`O Sol e fui a 5-cinco-5 quiosques! A providência cautelar metida por um bói sem curriculum que ganha um milhão de euros por ano na PT teve o efeito de ricochete previsível. José António Saraiva, o director do Sol, não podia desejar melhor. E ainda por cima, como não somos lorpas, ninguém vai acreditar que foi mesmo o tal bói a ter a iniciativa da providência cautelar. todos sabemos que os cordelinhos foram mexidos a montante, para que não se pudesse acusar este impoluto governo de atentar contra a liberdade de expressão.

2. Como é que aquele bói ganha aquela pipa de missa com o curriculum jota esse que possui? até esta falta de respeito pelos portugueses deveria ser um escândalo nacional.

3. Por falar em liberdade de expressão, há por aí muita gente bem intencionada a desfocar o tema. Diz-se que o zé socas não suporta a liberdade de expressão e por isso é que comete todos estes atentados. Também acho que o homem é pequenino e como todos os pequeninos não suporta que o contradigam. Mas o que o leva aos excessos inqualificáveis que estas escutas revelam, não é o facto de ele não suportar as ideias diferentes, como por aí se diz. Não, nada disso, isto não é um caso de o homem ser socialista e não gostar de teses neo-liberais, nem de ser calvinista e não suportar ideias católicas nem de ser hegeliano em vez de kirkeggarddiano. Não, o problema em rigor não tem a ver com a liberdade de expressão e de opinião.
O problema é que alguma comunicação social- devo dizer a única, porque a comunicação social entregue ao DN dos marcelinos e ao JN dos leites ferreiras, «jornalistas amigos», não é mais que um grotesco espectáculo de robertos - foi revelando, um a um, os podres que envolvem zé socas e sus muchachos. E o avolumar desses escândalos levou à emergência do plano de controlo dos media, como estratégia de sobrevivência. Controlar os media não tem a sua raiz numa espécie de incompatibilidade intelectual entre socas e as opiniões diversas. É muito mais prosaico: trata-se, simplesmente, de impedir que jornalistas independentes revelem todos os casos vergonhosos que foram revelando.

4. É certo que o povo português votou nos xuxas, ainda assim. Mas isso não é de admirar. É o mesmo povo que reconduziu isaltino, avelino, fátima felgueiras ou valentim, noutras eleições... A diferença entre estes todos e socas é apenas de grau: socas fez muito pior! Mas mesmo assim, o jogo da política, que é um jogo de aparências, exige uma máscara de decoro. E é essa máscara que foi caindo sucessivamente a zé socas. Lentamente, regularmente, penosamente:
- a licenciatura tirada no Omo;
- O caso do aterro da Cova da Beira;
- o fripó;
- O tó morais;
- a compra da casa de luxo a preço de amendois;
- o fripó;
- a reforma da santa mãezinha;
- o fripó;
- o tio e o primo de shaolin;
- as casinhas da guarda-covilhã/covilhã-guarda;
- o fripó;
- o lopes da mota;
- o fripó;
- o vara e os penedos;
- as escutas.

5. Controlo da comunicação social porque não gosta das opiniões alheias? Zé socas tá-se nas tintas pás opiniões alheias. O que lhe dói, o que magoa até ao osso, são as notícias sobre os casos indecorosos que o envolvem.

6. Em vez de fazer uma das duas únicas coisas possíveis - dizer que as escutas são forjadas ou demitir-se - socas e o seu clone silva pereira preferem chamar-nos matarruanos com aquele paleio de chacha da fuga ao segredo de justiça e do «jornalismo de buraco de fechadura». A estratégia de vitimização e fuga em frente já enjoou. Agora atingiu um novo patamar: mete asco!

7. De uma coisa este governo e os seu primeiro ministro podem orgulhar-se: são, sem dúvida, os detentores da maior taxa de cabalas a eles dirigidas, de toda a Europa.

11/02/10

The Office, por Sumo Sacerdote

The Office, na versão original produzida pela BBC (não conheço nem tenho grande curiosidade em conhecer o remake americano da série) é humor do melhor, na grande tradição das grandes séries britânicas do género. E quando digo humor falo de inteligência que o humor é uma das manifestações mais sublimes de inteligência. Recomecemos, pois:

The Office, na versão original produzida pela BBC, é inteligência pura. A série, realizada pela dupla Ricky Gervais e Stephen Merchant, tem o formato de um pseudo-documentário e aborda o dia a dia de uma pequena firma. Os personagens têm espessura e alguns são mesmo hilariantes. Pessoalmente adoro o fuinha do Gareth e o Robert (Ricky Gervais) é uma criação patética e adorável.
Aquela malta fala para as câmeras com um ar muito sério e há, permanentemente, um registo não verbal cheio de sentidos a que é preciso estar atento. De facto, muita da força de The Office vem-lhe da absoluta excelência dos seus actores e do modo como tudo aquilo é filmado. O género «pseudo-documental» dá um tom meio amador, parece que há um camera man a seleccionar a seu critério os pormenores e tudo funciona. A focagem contribuiu para o delírio geral: é como quando estamos a ver uma cena marada na vida real e nos apercebemos de um aspecto burlesco, mas só nós e um amigo é que nos damos conta disso e essa cumplicidade que então se cria é que é divertida. The Office tem este efeito, cria o mesmo tipo de cumplicidade entre o espectador e o camera-man e é isso que faz parecer tudo aquilo hilariante.

Ricky Gervais e Stephen Merchant não são só os homens de The Office. São também os ciradores de outra série excelente, Extras, o que prova que nada do que ali se vê é por acaso. Depois dos Monthy Pithon e de Larry David e do fabuloso Jerry Seinfeld, a humanidade estava a precisar, desesperadamente, de nova dose de inteligência em estado puro. The Office realiza essa necessidade. Mas é pena que em Portugal a série vá chegando a conta gotas. Das quatro temporadas que The Office já leva no Reino Unido, só vimos as duas primeiras no nosso país (embora eu já as tenha visto e revisto praí meia dúzia de vezes cada). Assim é difícil de aguentar a vil e apagada tristeza deste portugal cada vez mais pequenino.
Deixo-vos com malta lá do escritório a dar uma de Marretas: http://www.youtube.com/watch?v=aMWLNlPXcrs !Fabuloso!

08/02/10

Quem é o Cromo Quem é?, por Mijacão

Esta contou-me o meu amigo R. e jura por todos os santinhos que é verdade. Passou-se tudo num jantar de apoio a um candidato político. No meio dos eferreás e, como o jantar já corria há muito e com ele a bebida a rodos, o meu amigo foi à casa de banho. Foi aí que encontrou uma das vedetas do jantar, um conhecido peso pesado do xuxialismo reinante. Saudaram-se, pois que se conheciam de outras lutas e, entretanto, entra um conhecido do dinossauro. Este não tem mais nada e estende-lhe a mão, com os cumprimentos da gerência, ó meu caro amigo e como está a família, etc e tal... Dois dedos de conversa de circunstância e mais uma palmadinha nos ombros até que o outro se despede, até já ó joca, e comenta o eminente político da nossa praça para o meu amigo R.:
- É pá, lavar as mãos pra quê? Este já mas começou a limpar. É só apertar mais uns bacalhaus a mais meia dúzia deles e nem é preciso gastar água (risada boçal)...
Este episódio só confirma o que já se sabe da tribo xuxa: há deles que estão na vida como quem está na casa de banho. Sem sequer lavarem a porcaria das mãos.

Ana Moura no Cae da Figueira da Foz, por Marceneiro

No sábado passado fui ver a Ana Moura ao Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz. Pois, da Figueira da Foz... Não tenho nada contra - pelo contrário - a oferta de espectáculos de qualidade no CAE da Figueira. Quantos mais melhor!

Mas não consigo perceber porque é que a Ana Moura, a excelente Ana Moura, dá um concerto na Figueira e Coimbra fica de fora. Não é só de agora: há muitos anos que Coimbra, a «cidade da cultura e do conhecimento» (deve ser ironia), fica fora dos roteiros de espectáculos deste país. Tá bem, falam-me dos U2 ou dos Stones, mas isso é a excepção. E acho que seria mais positivo para a cidade se se apostasse numa certa regularidade em espectáculos de qualidade, do que trazer uma vez de 5 em 5 anos uma grande banda. Preferia que o hábito da fruição cultural fosse uma possibilidade real na minha cidade e não é. Pena...

Bom, como estava a dizer, lá fui à Figueira ver a Ana Moura. O concerto foi bom, descontando o escasso tempo da sua duração. A Ana começou a cantar já o Benfica jogava em Setúbal e acabou ainda o Cardoso não tinha falhado aquele maldito penalti. É pouco tempo.

De resto a fadista confirmou tudo o que eu já aqui escrevi acerca dela (uns posts mais abaixo, s.f.f.). É uma super star de uma beleza estrondosa, tem uma voz invulgar e uma presença arrasadora. O espectáculo está muito bem pensado, também do ponto de vista cénico. A entrada da Moura, de vestido preto e xaile sobre os ombros é majestosa, os gestos e as poses são cuidados e, acima de tudo, ela tem a qualidade vocal e a alma das grandes intérpretes. Mais uma vez, o espírito de Amália esteve presente, embora Ana Moura faça lembrar mais uma outra fadista, Teresa de Noronha, pela sua pose aristocrática. De facto, ao ouvir Ana Moura quase me esqueço de um certo lado folclórico e popularucho do fado: aquilo é ascético, nobre, espiritual. No fim ela temperou esse cunho mais aristocrático com a interpretação de um malhão que fez as delícias do povo ancião presente. E que bem que ficou à Ana a frase: «gosto de malhões!»...

Uma nota final: embora ela seja, efectivamente, uma grande artista, parece-me que o reportório que apresenta, não sendo mau, não está à sua altura. É ela que transcende aquelas canções, não as canções que a levam mais longe, de um modo geral. Falta-lhe, parece-me, descobrir o seu Alain Oulman (o homem que redimensionou a música da Amália). Acho que uma cantora com a dimensão da Ana não pode andar a catar canções do Tó Zé Brito e do Jorge Fernando. Acredito que no dia em que ela encontrar o «seu» compositor a música dela vai atingir um nível ainda mais estratosférico. Mas até lá o que podemos ouvir/ver já é de outra galáxia!

03/02/10

Calhandrices, por Conan

Depois da licenciatura saída no Omo, das casinhas, do fripó, do apartamento, do aterro da cova da beira, da manuela moura guedes, das escutas e da face oculta e de mais coisas de que já nem me lembro, é natural que o recente caso das pressões socretinas a um director da SIC para correr com o Mário Crespo e o Medina Carreira, já passem quase despercebidas. A sociedade portuguesa parece ter atingido uma espécie de estado de nirvana moral e já é incapaz de se sentir chocada.

No meio disto tudo foi espectacular a resposta do Mário Crespo à pretensa acusação do zé socas que o terá considerado «um incompetente»:
- Incompetente, eu?, disse o Mário. Por amor de Deus, até fui professor na Universidade Independente...
Embrulha.

31/01/10

Moral SS, por Ribentrôpego

- Pois é, Zé Carlos,apesar de achar que esta lei é injusta, vou cumpri-la. E sabes porquê? Porque o meu pai foi polícia e sempre me disse para cumprir sempre a lei. O que é que achas?
- Acho que ainda bem que o meu pai não foi polícia.

25/01/10

“PIGS”?, EU SEJA CÃO SE SOU PORCO!, por AlquimistaDaDor



No programa Plano Inclinado de Sábado passado fiquei a saber que era Porco. Ora, considerando-me eu um verdadeiro Porco, para mais fazendo parte deste nobre blog porcino, estranho seria considerar-me outra coisa que não fosse parte essencial da vara.

Contudo, uma coisa é ser, outra coisa bem diferente é alguém de fora dizer que o somos. Nesse caso aí, alto lá, Porco é o Senhor seu pai!

Ao que parece, por esse norte europeu a fora, ganha foros de piada e pujança de juízo económico a designação dos países do sul da Europa como: PIGS. Nem mais! Ou seja: Portugal, Italy, Greece and Spain! PIGS, pá!

Ao invés dos nórdicos do trabalho, da poupança e da legalidade, nós os PIGS somos a malta do descanso, da despesa e da corrupção. Malta do sol, da máfia e da porcaria. Se já era chato a antropomorfização de um país inteiro, a maltosa das neves vem agora antropomorfizar meio continente. Já nos toparam.

Pigs! Ainda se fossem só os espanhóis e os gregos que é malta que não se lava e usa ceroulas tudo bem, mas nós, pôrra? Nós que descobrimos esse mundo todo? Nós que tanto brilhamos nas estatísticas todas? Pigs?

22/01/10

E Agora Numa Sala de Cinema Perto de Si..., por Calheiros

Como eu dizia no post anterior, o mundo da bola na chincha está ao rubro. Não bastava o incontinente mental do sá pinto fazer o que fez, temos agora a publicação das escutas do pintinho. Aquilo é arrasador e mostra com uma evidência irrefutável como é que o fóculporto foi construindo o seu império. Nem vale a pena comentar as escutas: o que lá está, lá está e o meu objectivo, ao falar neste assunto, não é converter fiéis religiosos. Ouçam e façam o vosso juízo.

Numa escuta «o primeiro engenheiro» (sic) dá instruções ao árbitro para chegar a sua casa numa visita que foi, segundo o mesmo «primeiro engenheiro», surpresa. Surpresa!!!

Noutra o mesmo «homem da Caixa» (sic) acerta com o intermediário araújo a «fruta para dormir» e o «café com leite» para o árbitro, jacinto paixão. Pelo meio há uma chamada em que o mesmo araújo fala de «três deusas» que tem ali. Fruta para dormir???? Café com leite pó paixão??? Três deusas?

Numa terceira o «número 1» (sic) acerta com o amigo valentim um processo ao liedson do sportem e faz umas pressõezitas, pelo meio, sobre árbitros. Acontece que o valentim era o presidente da liga!Como é que isto se diz em Direito?

Noutra o «jorge» combina com o pseudo-jornalista tavares telles, outro senhor com grande pose de isenção, uma notícia falsa a publicar no jornal deste.

Numa outra acerta directamente com pinto de sousa a nomeação de árbitros para jogos do fóculporto. Este pinto de sousa, um «senhor» muito senhorial que eu me recordo de ver inúmeras vezes na TV a debitar sobre ética, era só, à data, o presidente do conselho de arbitragem! E para isto? que nome é que se dá em Direito?

... E etc, etc, etc. Não me quero alongar sobre estes materiais que são eloquentes. Cada um que faça os juízos que entender. Estou-me nas tintas para os formalismos ridículos que impedem que isto valha como prova em tribunal. Ninguém desmentiu nem desmentirá o conteúdo, que é o que mais importa. E lanço só um repto: gostava de ouvir os comentários do tavares, não do telles mas do outro, do lixívia sousa tavares, acerca do conteúdo destas gravações feitas por entidades judiciais competentes. O que este homem não disse na altura sobre cabalas e campanhas negras. Bolas, é uma asociação de ideias tramada, mas porque é que sempre que penso neste tavares penso no bom velho costume do faroeste do alcatrão com penas?

21/01/10

E Se o Seu Patrão Lhe chegasse a Roupa ao Pelo?, por Doberman

O mundo da bola na chincha ferve, fora das quatro linhas. O director desportivo do zebordem, o dr. Sá Pinto, agrediu ontem o seu subordinado heirárquico, o ponta de lança Liedson que lhe respondeu a soco. O zebordem apresenta-se como um clube de elite mas tem dois ícones como sá pinto e o sousa cintra... Não bate certo. Entretanto as acções do zebordem na bolsa cairam estrondosamente durante o dia de hoje.

Sá pinto não é o principal culpado. O homem até já tinha cadastro em matéria de andar à chapada, como todos sabem. O principal culpado não é ele - pobre hooligan! - mas a mente prodigiosa que achou que um rapazola com o perfil deste incontinente podia dirigir um sector fundamental de uma empresa cotada na bolsa. Durou três meses. E o Liedson não saiu lesionado e pode jogar domingo. Já não foi mau de todo.

15/01/10

Anita Dark – O Terror Do Anal, por Porco&Mundo



Part Two – The Anal Years


Anita Dark sempre teve uma relação muito complicada com o Anal. Ora, tal melindre numa estrela europeia é coisa difícil de gerir. É que se o porno americano vive dos grandes seios e o brasileiro das grandes bundas, certo é que no porno europeu o anal é fundamental.

A menina numa das suas entrevistas veio proclamar o seu entusiasmo pelas cenas de sexo anal, negando a intenção de quem lhe questionava a relutância. Nos primeiros filmes há de facto muito anal, e até DP com fartura, mas o que é certo é que a relutância existe, a relutância é triste, mas tudo aquilo é fado! Ou foca!

Apesar do proclamado entusiasmo, certo é que em muitas cenas com anal ou DP há esgares faciais que seriam perfeitamente evitados. Aliás, é a própria que confessa numa outra entrevista e sobre o seu primeiro filme: "it was very difficult. I had anal sex for the first time in my life. It felt so weird!". E esquisito também se deve ter sentido o Pierre Woodman no Casting da menina para a Private, já que no mesmo se vê a entrevista, o strip e …, mais nada, népias, nada de castigo e todos sabemos qual era o castigo habitual e como a Private gosta de facturar com eles. Pois com a boa da Anita, ficou tudo Dark.

Por último, não restam dúvidas que este seu terror do anal – quem nunca teve pesadelos destes que lhe atire a primeira pedra -, foi um dos mais fortes factores para que a menina fugisse da tara europeia e se refugiasse na solarenga Florida para cair no remanso do abraço da Anita Blond, sua compincha de eleição. E embora outros factores se tenham atravessado como adiante se verá – talvez na parte III -, certo é que a Anita deixou de fazer anal. A partir de 1999 deixou de fazer hard-core com modelos masculinos e em 2000 foi para a Florida onde passou a fazer exclusivamente – desde então e até hoje - hard-core feminino e foto-modelismo lésbico e softcore. Actualmente a menina apenas faz filmes porno lésbicos e faz a gestão do seu site a partir da Florida.

Esta progressão motivada em parte pelo horror ao anal, é coisa que um macho não lhe pode levar a mal. Afinal a menina não gosta de coisas por detrás e acaba por gostar do mesmo que nós: mulheres! Ich Bin Ein Lesbo!


(Continua na Part Three – The Tragedy – Anita Dark – O Michael Jackson Em Versão Fêmea)

10/01/10

Focas VS Bacalhaus, por Odin

Na sexta feira passada lá fomos jantar pela segunda vez em dois anos ao melhor restaurante conimbricense ( e não só), o Arcadas da Capela. Aquilo não é bem um jantar: é mais uma experiência estética, não é por acaso que o Arcadas é o único restaurante a norte do Tejo com uma estrela Michelin. Sobre a excelsa qualidade do repasto não me vou alongar, até porque me repetia. Há por aí um post atrasado onde já me pronunciei sobre o Arcadas, é irem ao searcher do blog, quem tiver curiosidade... Mas durante a jornada houve uma ocasião em que nos embrenhámos numa discussão teórico-filosófica na qual muito aprendi e que desejo aqui partilhar.

Começo por esclarecer que sou um apreciador de nichos de sabedoria. Adoro aqueles gajos que sabem tudo acerca de coisas que não passam pela cabeça de ninguém, é que adoro mesmo, quero logo saber tudo sobre essas matérias insólitas, às quais se dedicam meia dúzia, se tanto, de cabeças eruditas. Ouço com prazer discussões apaixonadas sobre os melhores defesas laterais do mundial de 1962, leio compêndios sobre stress galináceo, aprecio dogmas sobre os maiores exportadores mundiais de água pé, explicações detalhadas sobre filósofos romanos estóicos e contendas sobre a capital do Brunei. É uma tara como outra qualquer e, ao menos, não prejudica ninguém.

Ora no nosso último jantar, tivemos o prazer de contar entre os convivas com um dos maiores especialistas vivos em... bacalhau. O J. sabe tanto de bacalhau que é um prazer ouvi-lo. E foi o que fizemos a determinado momento quando ele começou a dissertar sobre o fiel amigo: qual é o melhor bacalhau, em que altura se pesca, as complexidades da sua produção, até o insuspeito, para mim, problema da manipulação do bacalhau, que eu jamais sonhara que pudesse existir. Foi um prazer e uma oportunidade de nos cultivarmos, ouvir o J. falar com autoridade insuspeita sobre bacalhau.

Mas o mais espantoso foi quando ele denunciou a foca como principal inimiga do bacalhau. Eu não fazia a mínima ideia de que a foca podia ser uma verdadeira peste negra para o bacalhau. Pelo contrário, como toda a gente, sempre encarei as focas como uma espécie em vias de extinção, que devemos defender a todo o custo da perseguição de codiciosos perseguidores. A foca, de resto, como o golfinho ou a baleia anã, é até um dos ícones do ecologismo... Compreende-se: as focas são kiduchas, têm um look simpático e parecem pacíficas. Ainda por cima contaram com a Brigitte Bardot na luta encarniçada pela sua defesa. Ora acontece que, segundo o J., não é assim. O J. arrasou-nos com os dados esmagadores que nos apresentou. Parece que as focas comem bacalhaus... Sabiam que cada foca consome, ao fim de um ano, centenas de quilos de bacalhau? Ah, pois é, uma só foca é responsável pelo morticínio anual de milhares de pequenos e grandes bacalhaus.

Um gajo nunca pensa nisto. As causas ecologistas parecem ser sempre muito simples - mas quem é que, em perfeito estado de saúde mental não se sensibilizaria com a nobre causa da B.B.? Claro que sim, vivam as focas, abaixo os criminosos! Mas depois de ouvirmos o J. percebemos que afinal as coisas são muito mais complicadas. A natureza é cruel e obriga-nos a optar: somos pelas focas ou pelo bacalhau?

A polémica instalou-se à mesa e o N. defendeu as focas e considerou um cirme ecológico o que lhes fazem. Que se lixe o bacalhau, há que proteger as coitadas das focas indefesas e fofinhas. Mas o J. assanhou-se na posição contrária e considerou que era por causa do ar inofensivo dessas predadoras que qualquer dia deixamos de ter bacalhau à mesa. É isso que queremos? As putas das focas, só à paulada, se queremos ter bacalhau. E a conversa ia-se desenrolando nestes termos, até que o G., naquele seu jeito meio aristotélico de encontrar a media res, decretou do alto dos seus 12o kilos de autoridade gastronómica:
- Pois eu sou a favor dos dois, da foca como do bacalhau. Um bom bocalhau com broa ou à zé do pipo, pois é verdade que cai sempre bem. Mas porque raio é que não começamos a experimentar umas postas de foca? Quem pesca o bacalhau, fazia mais umas horinhas e apanhava também umas focas. Ficávamos todos a ganhar: os comilões, os bacalhaus e as focas que assim como assim também devem estar preocupadas com o equilíbrio ecológico.
...E prontos, agora venham lá dizer que não se aprende nos nossos jantares... O Arcadas da Capela é mesmo um restaurante fora de série!

09/01/10

Cinema 2010 , directed by Supernova


2010 já cá está e deixa para trás um ano muito pouco produtivo no que ao cinema diz respeito. A qualidade dos filmes do ano que passou deixa muito a desejar e se não fosse o 3D poucas teriam sido as razões para ir ao cinema. Tivemos o “Knowing”, District 9”,“ State of Play” e o “Avatar” a salvar o ano porque de resto foi muito pobre mesmo. Mas o novo ano promete e vamos ter muito a desejar falta saber se as expectativas serão correspondidas.

“Clash of the Titans” vai ver novamente a luz do dia e se tiver metade da qualidade do argumento , produção e realização do filme de 81 já me darei por contente. O filme que junta no seu elenco a nova estrela Sam Worthington a Ralph Fiennes e a Liam Neeson e tem Louis Leterrier como realizador fazem das expectativas legítimas. As imagens do filme prometem.

Iron Man 2 está a chegar, aquele que é um dos filmes adaptados da BD mais bem conseguido, talvez só igualado pelos Batman de Tim Burton e pelo “The Crow”. O Homem de Ferro vai combater o grande Mickey Rourke que vai andar de chicote em punho. O filme de certeza não vai desiludir e certamente ainda conseguirá bater o primeiro. Qualidade gráfica e acção não faltarão.

Tim Burton vai estar de regresso, apoiado nos seus habituais actores de eleição Johnny Depp e Helena Bonham Carter, com “Alice in the Wonderland”. Um filme em 3D que nos vai levar pela toca do coelho abaixo e fazer-nos entrar, ou dar a sensação pelo menos, num mundo de maravilhas. Pena é que não seja uma versão do jogo de 2000 “Alice” em que a Alice anda de faca em riste num mundo distorcido.

“Prince of Persia:The Sands of Time”, o popular jogo de plataformas/acção chega pela primeira vez às telas dos cinemas e muitos serão os fans que não vão querer perde-lo. O filme vai ter as representações, entre outros, de Jake Gyllenhaal e de Ben Kingsley.

Martin Scorsese vai regressar com o Thriller “ Shutter Island”. O filme vai contar com a presença de Leonardo DiCaprio que vai investigar o desaparecimento de um assassino dum hospital psiquiátrico.

DiCaprio vai ter um ano em cheio e como se não fosse suficiente entrar em mais um filme de Scorsese, vai juntar-se a Ellen Page e vai ter com toda a certeza mais uma grande representação no novo filme de Christopher Nolan (Memento, The Prestige, Insomnia) “Inception”.

Espero que estes filmes façam deste ano um ano de bom cinema, anos desses já fazem falta porque nem 2008 matou a sede.

06/01/10

O Que Vai Ser de Nós?, por Brit

No post anterior discute-se o Kindler, vantagens e desvantagens... No meio da discussão foram avançados alguns argumentos contra o Kindler. De entre eles queria destacar aqui uma observação do Brit que merece, indiscutivelmente, honras de post. Deixo as sábias palavras do Brit para quem não pensou profundamente naquilo que podemos vir a perder se o livro de papel for morto pelo E-Book:

«Nos tempos idos em que me dedicava, com minguados proveitos, ao estudo e à leitura na Biblioteca Geral, pelava-me por observar o sortilégio e a sugestão erótica do gesto grácil das minhas colegas, que levavam o dedo médio à comissura dos lábios ( os homens, óbvios, usam o indicador), humedeciam-no com a turgidez tépida da ponta da língua e, cariciosas, viravam a folha com desvelo digital.
O meu mundo está a acabar. O que vai ser de mim?!»

04/01/10

O Kindle, por Amazona

Já tivemos esta discussão em muitas outras ocasiões: discutiu-se muito se o cinema mataria a leitura, se vídeo ia liquidar o cinema, se o CD liquidaria o vinil, se o telemóvel daria cabo do telefone fixo, etc, etc... Geralmente o advento de um novo medium é contemporâneo de anúncios apocalípticos de outros. E as respostas variam , caso a caso. Nuns casos, sim, há um novo medium que destrói outro ( o CD praticamente anulou o vinil e liquidou de vez a cassete, mas o vídeo apenas alterou o cinema sem o matar em definitivo...).

Agora a discussão ressurge a propósito do Kindle. O Kindle é a nova maravilha da Amazon, a primeira geração de uma nova ferramenta, o livro digital, que a meu ver revolucionará o futuro. Tem a forma de um livro normal, um peso rídiculo e a grossura de um lápis. E não, não me parece que o livro digital acabe de vez com o livro tradicional, mas que vai mudar profundamente o panorama, isso vai.

São-nos familiares os argumentos dos defensores do livro em papel: o cheiro, o lado sensorial do livro, a comodidade de leitura, etc. Balelas! Não que eu não reconheça essas virtudes todas e muitas outras ao livro em papel (por alguma razão sou um leitor compulsivo)... Mas acontece que as imensas potencialidades do Kindle vão arraasr simplesmente a concorrência. Cito algumas:
1. O Kindle permite o carregamento de milhares e milhares de livros num pequeno suporte, levezinho e com a espssura de um lápis. Significa que vamos poder ter a nosa biblioteca toda, aquela coisa que nos ocupa estantes e estantes e divisões lá em casa, num pequeno espaço que cabe no bolso de um casaco. Já pensaram nas possibilidades que isso dá? De agora em diante, quando formos de férias não temos que estar a escolher 3 ou 4 livros para levarmos na mala. Vai a biblioteca toda num pequeno volume que viaja connsoco e está a sempre à mão. Na praia, no campo e na montanha está tudo ali acesível a um click. Acabaram-se as esperas desprevenidas. Com o Kindle podemos sempre ler, seja onde for, temos milhares de opções para matar o tempo. Acabaram-se as secas no médico.

2. As possiblidades interactivas são fantásticas embora não estejam ainda completamente desenvolvidas. No futuro o E-livro terá, obviamente, aceso à internet. Podemos estar a ler um livro sobre pintura e ir ver os quadros - seria uma experiência muito diferente ler, por exemplo, O Pintor de Batalhas do Reverte e poder contemplar ao mesmo tempo o quadro de Brueghel que o inspira. Referências musicais, de cinema, de arquitectura, outros livros, críticas, tudo à mão de semear... E jornais, revistas, blogs, fóruns de discussão, e-mails de passagens mais marcantes para amigos, é impressionante como o hábito da leitura se pode transformar tão profundamente.

3. Já pensaram bem nas implicações profissionais da coisa? Um conferencista, um professor, um advogado, um médico, praticamente toda a gente, passa a ter obras marcantes à disposição imediata. Numa conferência podemos cruzar referências, fazer citações exactas...

4. E ainda há questões de forma. Quando nos dizem que ler no écran é mais cansativo para a vista, respondo que é uma questão de tempo e de hábito. A tecnologia digital vai permitir uma leitura ainda mais cómoda que o livro. Há técnicas que simulam o próprio gesto de desfolhar: com um dedo passamos de uma folha para a outra, como num livro. E,se pensarmos nas limitações do livro, vemos que o E-livro só pode melhorar o cenário. Pensemos na limitação da letra, por exemplo, o tamanho minúsculo de certas edições que, praticamente nos impede a leitura. Com o Kindle podemos aumentar o tamanho de letra, variar a cor, dar-lhe a forma que quisermos. Em matéria de conforto o cenário é para melhorar e não o contrário.

5. Para nós, portugueses, há ainda outra vantagem. É que vamos passar a ter acesso ao imenso mercado brasileiro (e não só). Milhões de livros que não se encontram nas nossas livrarias, porque nunca foram editados, vão passar a estar disponíveis.

6. E o tempo trará, concerteza, o advento daquilo que erroneamente se chama a «pirataria». Mais tarde ou mais cedo vamos poder trocar livros. Olha gostei da poesia do Camões. Toma lá e passa-me a Mensagem do Pessoa. Já imaginaram a facilidade?

7. Last, but not least: o preço. E se todos os outros argumentos não vos convenceram, avanço com o último: o preço. Neste momento um livro que sai a 25 euros em suporte de papel pode ser adquirido por 10 em suporte digital! E a tendência é que o E-livro desça (para não falar na possibilidade já referida da partilha dos ficheiros).

Concerteza que haverá desvantagens. Mas não posso ser eu a fazer tudo. Avançem vocês com as desvantagens do Kindle na caixa dos comments. Entretanto, e até que alguém me convença do contrário, eu declaro-me desde já um adepto do livro digital. Neste momento a coisa sai por cerca 200 ou 300 euros. É uma questão de tempo e todos teremos o nosso Kindle.

02/01/10

A Star is Born, por Sr. Alfredo

Ana Moura não é apenas uma cantora de fado, uma excelente cantora de fado. Ela tem algo mais, tem presença, tem aura... Faz lembrar uma sibila, tem uma aura antiga e pagã e o facto de ser cantora de fado não é alheio a esta evocação. Com certeza, se fosse cantora de um outro género musical que não o fado, não despertaria esse sentimento. Mas, sendo como é uma espantosa fadista, não posso deixar de a ver como a continuadora de uma longa tradição que vem de Amália, de Teresa de Noronha, de Marceneiro... Ela não é só ela: é ela e esta grandiosa tradição. Ana está, umbilicamente, ligada ao nosso passado mais profundo.

Mas, simultaneamente, Ana Moura tem uma inequívoca dimensão de super star que é imediatamente perceptível, mesmo sem a ouvirmos cantar. Quem já a viu/ouviu em corriqueiras entrevistas televisivas sabe do que falo. Ela tem uma presença absorvente, não é uma simples mulher bonita. Enche o écran, como deve encher o palco (ainda não a vi ao vivo). Sabe exprimir-se e, ainda que não seja verdade (não sei se é nem se não), dá-nos a impressão de uma grande autenticidade. Ela é, pois, do passado e do futuro, é tradicional e moderna ao mesmo tempo,é xaile negro e glamour, é sibila e super-star...


Tim Ries, saxofonista de longa data dos Rolling Stones reconheceu-lhe o carisma quando a convidou para o projecto Stones World. Ries reuniu músicos de diferentes géneros musicais para gravar novas versões dos clássicos da banda. A Ana coube No Expectations e Brown Sugar. Mais tarde haveria de ser convidada por Jagger e por Richards para cantar com a banda, em pleno estádio «Alvalixo», No Expectations (diga-se de passagem que não correu nada bem, embora por motivos alheios à fadista: o som estava péssimo!). E, mais recentemente, foi Prince quem se apaixonou pela sua música (só?). O Artista veio a Portugal, Ana tem ido a Detroit e estamos à espera de um disco do duo...

O seu penúltimo disco, Para Além da Saudade, é o que mais passa no meu leitor de CDs. Tenho uma sensação que deve ser parecida com a dos meus pais quando apareceu a Amália. Até ouvir este disco eu pensava que o fado era um género musical prisioneiro dos velhos cds da Amália. Mas agora vejo que não. A Ana Moura não é a Amália e nunca virá a sê-lo. Mas é sem dúvida um imenso sopro de vida num género musical que precisava desesperadamente de uma estrela a sério e não só de simples estrelas locais. Ana Moura, que é antiga e moderna, por mais paradoxal que isto possa parecer, é essa super-star.