22/05/10

Still Is Coimbra, por Dr. Formidável


Esta semana abriu, ou melhor, reabriu em Coimbra a velha sede da Académica - OAF no mesmo local de sempre, mesmo na esquina da rotunda do Papa, aos arcos do jardim botânico. A velha sede da OAF sempre foi um local de culto. Passei lá muitas noites nos antigos jardins da AAC com grandes conversas sobre tudo, até sobre futebol. Foi uma pena quando fechou. Hoje voltei lá, os tempos são outros e o espaço é outro.

A AAC concedeu a um privado a exploração deste espaço. Chama-se Still Is Coimbra, foi inaugurado com pompa e circunstância, foi destaque jornalístico na imprensa local, na Bola, na TVI e até meteu a presença do Pantera Negra - que por acaso é do Benfica e chama-se Eusébio. Fui lá esta noite e gostei. Não foi por causa da comida que, por acaso, até era sofrível.

No entanto aquele espaço é quase um Museu. Alguém teve a ideia brilhante de decorar as paredes do Still com as páginas ampliadas do livro Académica - História do Futebol, da autoria de João Santana e João Mesquita (entretanto já falecido, uma pessoa que deixa saudades). Gostei da sensação de andar a passear pelas páginas de um livro!

A edição deste livro foi um verdadeiro acontecimento. Trata-se de um documento impressionante, um manancial de informação rigorosa recolhido pelo espírito minucioso de João Santana, cuja elaboração implicou anos e anos de trabalho dedicado. Mas para além disso o livro conta ainda com a pena brilhante de João Mesquita que lhe confere humanidade e lhe acrescenta a pequena história exemplar, tão bem ilustrada na vida contada de tantas personagens academistas.

Não há nenhum clube em Portugal que tenha uma obra de referência com esta qualidade. E não sei se haverá mais alguma coisa parecida em mais algum clube fora de Portugal... Pois bem, quem não conhece o livro, tem agora uma oportunidade de o conhecer. Basta ir ao Still cujas paredes estão decoradas com as suas páginas, com todas as suas fotos- algumas magistrais! - e com os textos do João Mesquita.

Mesmo não sendo, propriamente, um academista convicto - gosto da AAC mas é o meu segundo clube - gostei do Still e acho que é um espaço original na cidade de Coimbra. Trata-se de um espaço vivo porque as paredes estão carregadas de energia... As paredes e as pessoas que percorrem, comovidas, a história da AAC dispersa ao longo de várias salas e não sei quantos pisos. Grande ideia esta de fazer do livro um restaurante, de fazer do livro a sede da AAC, de lhe dar nova forma e de o fazer viver de outra maneira.

Aquando da inauguração do Still, A Bola escrevia que a decoração e concepção do espaço tinha tido a colaboração do «grande historiador e investigador, João Santana». Está errado: João Santana não é historiador profissional nem de formação. No entanto, depois, desta visita de hoje ao Still eu fiquei com a ideia de que isto é uma outra forma de fazer história. Não a História erudita e tradicional. Mas para que é que serve a História senão para nos dar lições de vida e para, assim, nos fazer sentir mais vivos? Quando vejo tantas pessoas que se passeiam pelas muitas salas do Still, que comentam emocionadas as fotografias e os textos que decoram as paredes, eu penso que a História a sério, também é isto. Senão é isto, então o que é? Um pergaminho inútil? E, neste sentido, o erro da Bola acaba por se tornar verdadeiro: João Santana (e acrescento o nome do saudoso João Mesquita) é, sem dúvida, «um grande historiador e investigador».

20/05/10

Uma Menina De Peito Feito, por Stagliano

A menina era conhecida por duas características base. Os peitinhos em forma de pêra pronunciada e os gemidos sonoros e diferentes de tudo quanto se ouvira até então. Depois, ainda ficou mais conhecida. Meteu tudo dentro da prisão, desde a gerência da agência de modelos Jim South's World, bem como a gerência, staff, actores e actrizes da X-Citement Vídeo, Inc. Foi tudo dentro. Dezenas e dezenas de pessoas, arrastadas num processo que durou anos e anos com acusações federais de violação de menor. Os próprios Ron Jeremy e Tom Byron tiveram que assentar o cu no mocho e defenderem-se numa de Chuck Berry: "Well She Did Looks Old Enough For Me!"

É que a cachopinha mentiu. Fugiu de casa dos papás e mergulhou de peito feito no mundo porno com uma certidão de nascimento na mão que lhe garantia os vinte e dois aninhos. Depois de ter actuado em mais de 107 filmes porno, vem-se a descobrir que a certidão de nascimento era da irmã do namorado e que a cachopa quando começou a contracenar, apenas tinha 15 aninhos. Em 1986 a bomba estourou e só se safou a criancinha. Que em 1986, já tinha 18 anos. E diga-se que o estouro da bomba partiu da cruzada anti-porno do segundo mandato do Presidente Reagan, que em vez de marrar logo com o Muro, resolveu marrar antes com o Porno.

Falamos obviamente de Traci Lords, de seu nome Nora Louise Kuzma. A Indústria sofreu aqui o mais grave dos seus reveses, já que foi obrigada a retirar do mercado todos os filmes que envolviam a menina das peras. Até os milhares de exemplares da revista Penthouse onde se estreou tiveram que ser recolhidos. E os prejuízos acumulados revelaram-se brutais com os custos dos julgamentos.

No entanto, quando já se adivinhavam multas estratosféricas e várias prisões perpétuas consecutivas para metade da indústria porno (afinal, sempre eram dezenas de violações de uma menor), a coisa ruiu como um castelo de cartas e foi tudo arquivado. É que pelo meio dos julgamentos, veio-se a provar que a menina enganou a Indústria, não com uma certidão de nascimento, mas sim com um passaporte do Departamento de Estado Americano. Ora, se o próprio governo foi enganado ao emitir-lhe o passaporte, como é que se poderiam assacar culpas à Indústria? Se não há culpa, não há Crime. Reagan desistiu e foi marrar com o Muro e o Império do Mal. Fez Bem.

19/05/10

Enapália 2010, por Rennie

Vivemos num país que bateu todos os records históricos de desemprego. Mas continuamos a ser «representados« por cerca de 300 parasitas parlamentares (salvo algumas excepções) pagos principescamente e sujeitos de regalias obscenas.

Estamos à beira da falência. Mas mantemos 18 governos civis, autarquias e juntas de freguesia desnecessárias, ministérios desnecessários (já alguém reparou que temos um Ministro para os Assuntos Parlamentares?!), dezenas e dezenas de empresas públicas e comissões regionais, de turismo e afins, tudo isto, simples ninhadas de acolhimento de filhotes políticos.

O governo xuxa anuncia aumento de impostos, primeiro por seis meses, depois até 2011, agora até 2013, mas com a possibilidade de se manterem até «haver necessidade». No entanto o mesmo governo mantém os projectos de construções faraónicas que não podemos pagar, como o tgv até ao Poceirão (!!), o novo aeroporto, a terceira travessia do Tejo e mais umas quantas auto-estradas, tudo, como é fácil de prever, em alegre derrapagem, tudo concessionado aos mesmos eternos suspeitos do costume.

Temos uma escola pública completamente de rastos que precisa de reformas urgentes (que não as sucessivas e irresponsáveis aberrações levadas a cabo pelos governos xuxas). Mas em vez disso o governo diverte-se a dar magalhães aos putos para que estes se entretenham a jogar o Fifa 2010.

Temos uma lei muito moderna e avançada que institui os casamentos homossexuais. E,ao mesmo tempo, há um portugal serôdio e ultramontano que penaliza profissionalmente uma professora que se posou, quase nua, para as páginas da Playboy.

Todo este aparato, toda esta aberrante inadequação entre o fundo e a forma, entre a imagem e o substracto que são hoje a essência do Portugal xuxialista, não podiam ter encontrado melhor símbolo que o primeiro ministro: fato Armani por fora, mas meias rotas e cuecas sujas, por dentro.

Pic da capa do álbum Enapália 2000 dos imortais Ena Pá 2000.

17/05/10

O Museu de Erros de 2666, por Archimboldo

E pronto! Ou melhor, quase pronto, estou quase a acabar uma das maiores aventuras literárias da minha vida, a leitura do excelente 2666 do escritor chileno Roberto Bolaño. Foi uma grande aventura literária porque, para além da sua indiscutível qualidade literária, trata-se de um dos maiores senão do maior livro que alguma vez li: nada menos que 1030 páginas de literatura a sério!

O livro, editado postumamente, foi saudado como o acontecimento literário do século. O Washington Post considerou Bolaño um «imortal», o the Observer «o fora de série da literatura latino americana» e o Time referiu-se a 2666 como «uma obra prima». Não tenho jeito para tais qualificativos, mas acho que estamos, de facto, perante um livro excelente. Melhor, 2666 não é um, mas cinco livros diferentes que o autor pretendia editar separadamente. Foi a editora que resolveu publicar os cinco num só, uma vez que há aqui uma indiscutível unidade de conjunto.

Não gostei dos cinco livros por igual, mas adorei o primeiro, o terceiro e, particularmente o quinto. Acho notável a remissão que o último livro faz para o primeiro, esta noção que subsiste da íntima ligação entre todas as coisas e todas as vidas. Fica a sensação de que esta enorme narrativa poderia começar em qualquer ponto e que, mesmo assim, continua a existir uma unidade que liga todas aquelas histórias. Faz lembrar um jogo de matrioscas literário, cada história, cada personagem encaixando na vida de uma outra num ciclo que é ao mesmo tempo infinito e fechado.

Não vou alongar-me sobre 2666. Quero deixar aqui, apenas, uma colecção curiosa de alguns erros cometidos por eminentes e distintos escritores. Não se trata de asneiras retiradas de uma qualquer História dos Disparates Ditos Pelos Alunos de História de Portugal, ou algo parecido, mas, supostamente, de verdadeiras gaffes debitadas por grandes nomes da literatura.Um Museu de Erros curiosos que Bolaño se deu ao trabalho de compilar e comentar. Ficam alguns, retirados da página 967 do livro:

«Vamos embora!, disse Peter procurando o seu chapéu para enxugar as lágrimas», Lourdes, Zola.

«O Duque apareceu seguido do seu séquito que ia à frente», As Cartas do Meu Moinho, Alphonse Daudet.

«Com as mãos cruzadas atrás das costas Henrique passeava-se pelo jardim lendo o romance do seu amigo», O Dia Fatal, Rosny.

«Depois de lhe cortarem a cabeça, enterraram-no vivo», A Morte de Mongomer, H. Zvedan.

«Com um olho lia, com o outro escrevia», Nas Margens do Reno, Auback.

e, finalmente, a minha preferida:

«Começo a ver mal, disse a pobre cega», Beatriz, Balzac.

Mas serão mesmo gaffes a que, afinal, nem os grandes escritores escapam? Ou, pelo contrário, são apenas exemplos prodigiosos de linguagem metafórica e poética? Terão estas frases algum sentido plausível que nos escapa à primeira vista? A última e minha preferida, por exemplo, de Balzac, parece-me bastante interessante do ponto de vista literário e não creio que seja, simplesmente, uma gaffe cometida pelo escritor francês. E a vocês? O que é que vos parece?

13/05/10

Leituras para bem desligar o televisor, por Cão


“O silêncio é, no processo político, uma fonte documental tão importante como o discurso. Aquilo que se esconde está em luta com aquilo que se ostenta.”

Palavras sábias, estas que o professor Adriano Moreira publicou em 1977 no entrecho de O Novíssimo Príncipe (Editorial Intervenção, Braga/Lisboa). Tenho usado o lápis para cristalizar esta e outras citações da análise que o velho tribuno fez à quase-Revolução de Abril de 1974. Estoutra, por exemplo: “A Pátria não tem processo de inocência. Reflecte todos os actos dos seus filhos.” E esta ainda: “O arrependimento não mata o gosto do proveito.”
Tenho aproveitado esta e outras leituras recentes. Quero partilhá-las convosco, referindo-vo-las. A O Príncipe de Maquiavel, juntei Kaputt e Técnica do Golpe de Estado de Curzio Malaparte. Duas boas madrugadas me bastaram para levar a cabo a leitura de O Obelisco Preto de Erich Maria Remarque. E nos próximos dias vou dar A Volta ao Mundo com Ferreira de Castro.
E então? Então, ler é preciso para que o televisor siga saudavelmente desligado. Tenho caído de mais na asneira de o ligar logo de manhã. Aos gritos caça-táxis da Júlia Pinheiro e aos saracoteios papa-reformas do Goucha, sofro (d)a comissão par(a)lamentar de “inquérito” ao caso da frustrada compra da TVI. Vi o rapaz Penedos, anafadinho e ortoépio, a ser senhordoutorado pelas e a senhordoutorar as figuras que nos deputam. (E nisto do “deputar” vêm muito os tais “filhos da Pátria” do professor Adriano, não vêm? Vêm.) Vi outra vez o Vara (curiosa homonímia do substantivo colectivo da língua-também-pátria). Vi aquele que dizem sobrinho de não sei quem Soares. Vi até desistir de olhar – embora continue vendo perfeitamente, até sem cangalhas.
A solução? Ler: Moreira, Malaparte, Remarque, Castro. O problema é a minha mulher.
Chega a casa à tardinha. Vem estafada do trabalho. Sirvo-lhe um refresco na mesinha em frente ao sofá. Ela pega no comando da televisão. Liga. E pronto. Tudo se deteriora rapidamente. Pego num livro e fecho-me no quarto em silêncio, que agora vós podereis (re)citar como vera “fonte documental tão importante como o discurso.”

11/05/10

CAMPEÕES!, por Zé do Boné

Melhor equipa! Melhor ataque! Melhor defesa! Melhor meio campo!Melhor marcador! Melhor jogador! Melhor treinador! Melhor presidente! Melhor director desportivo! Melhores adeptos! Melhor estádio! Melhor águia! MELHORES!

05/05/10

«Acção Directa», por FP 24

Há dois tipos de espécimes na fauna chuchialista: a espécie grunha ou feroz e a espécie afável ou mansa. A espécie grunha do partido inclui, entre outras, personalidades como o próprio ingenheiro, o silva pereira, o santos silva, o lello, o vitalino canhas, a dupla pedreira & valter (uma associação ao melhor nível da dupla Bucha e estica, aqui numa versão parola), o vara e mais uns quantos.... Ultimamente, em nome do tal lifting que, segundo o ingenheiro dos projectos da covilhã, era necessário fazer no partido, surgiu uma nova fauna chucha: a espécime «mansa». Tal é o caso do patético assis que até nome de santo tem ou da actual ministra da educação ou dos bonacheirões da família soares e barroso..

Veio agora a lume mais um caso escabroso com um membro da primeira espécie, o deputado o açoreano ricardo rodrigues, figura com cargos oficiais na área socialista da ética e da justiça, o que é,reconheça-se, inteiramente revelador acerca do partido. O caso resume-se assim, cito:

«Confrontado com perguntas sobre as suas ligações a um antigo processo de burla nos Açores e a casos de pedofilia, o deputado levantou-se, enfiou os dois gravadores dos jornalistas nos bolsos das calças e saiu da sala , mas esqueceu-se que a entrevista estava a ser filmada, contou à Lusa um dos jornalistas, Fernando Esteves.»

Acho espantoso que o sr. deputado só venha falar nisto depois do Sábado publicar o filme na net. Se não houvesse youtube, o sr. deputado não faria comunicado nenhum, guardaria a indignação para os seus botões?

Acho fantástico o trabalho de efabulação linguística do sr. rodrigues: segundo o mesmo, as perguntas legítimas feitas pelos jornailstas que, no seu direito, querem saber quem é este alto responsável chucha para ética e a justiça, são qualificadas de «pressão intolerável»; usa o termo, cujo significado deve desconhecer por absoluto, «inquisitorial» a propósito das questões que lhe colocaram; fala em “violência psicológica insuportável».

E como é que se designa o acto que praticou de se apropriar indevidamente de gravadores que não lhe pertencem? Pergunta difícil. Eu não sei. Mas o sr. rodrigues sabe e refere-se a isso assim:“não vislumbrei outra alternativa para preservar o meu nome, exerci acção directa e, irrefletidamente, tomei posse de dois equipamentos de gravação digital”.

«Exerceu acção directa?» «Irreflectidamente tomou posse»? Estas expressões encerram, sem dúvida, uma nova fenomenologia. De agora em diante quando me chatearem com questões incómodas eu passo a exercer acção directa e prontos. Tomo, irreflectidamente, posse de coisas que não me pertencem e mai nada. E a expressão «acção directa» é impecável porque possui ainda uma ressonância justiceira esquerdista, faz lembrar aqueles grupos anarquistas e extremistas que advogavam a acção directa como forma de realização da ditadura do proletariado. Lindo, este homem sabe o que diz!

Este «irreflectidamente» é genial. Dá a impressão que o sr. ricardo pegou nos gravadores inconscientemente, sem dar por isso, e os meteu ao bolso. É verdade - e quem ver o vídeo pode confirmá-lo - que ele revela grande destreza e habilidade manual ao meter os gravadores dos jornalistas no bolso(na terminologia dele: exercício de acção directa). Será isso que quer dizer «irreflectidamente»? Como aqueles actos que nós fazemos diariamente sem darmos conta, pela força do hábito, como, por exemplo, poisar a chave de casa em cima do mesmo móvel, apanhar a escova de dentes de manhã sem sequer , sem olhar para ela, etc, etc? Pode ser...

Em suma: o sr. ricardo exagera. Dramatiza as perguntas que os jornalistas lhe fazem: pressão, inquisitoriais, violência, intolerável,só faltou que falasse em mais uma campanha negra... Já o acto de levar ao bolso gravadores que não lhe pertencem e não os devolver é menorizado e classificado como «acção directa» ou «tomada de posse irreflectida». O ps anda enganado ao dar a este senhor um cargo na área da ética - a sua área devia ser outra, como é bom de ver. Tivesse o ps um departamento de filosofia da linguagem e já tinha aqui o seu Wittgenstein...

04/05/10

Sei o que fizeste na Queima passada



" Pré-Scriptum" : Assim que acabei este post encontrei os cartazes. Nabice minha. Retire-se a crítica e mantenha-se o elogio. Melhor assim! Ah... e juro que tinha ideia de que as letras eram brancas...

Pela primeira vez nos últimos anos há um cartaz da Queima que me agrada. Um não, vários - vi dois, até ao momento. Não, não estou a falar do Cartaz Oficial nem daquele com o plano das Noites do Parque. Aqueles de que tenho gostado são os outros. São os que me permitem ir a conduzir e não ficar indiferente quando passo na rotunda do Fórum nem na da Quinta das Lágrimas. Simplesmente porque já sei que é lá que estão (ou estavam, porque pelo menos o do Fórum já não está) com o seu fundo negro e as frases bem escolhidas.

Mas não pensem que isto é só um elogio. Tem uma crítica pelo meio. É que com cartazes tão bons como estes, não se percebe como não consigo encontrar nenhuma foto na net nem sequer uma compilação das frases que fizeram para os cartazes. Nem no site, nem no facebook da Queima das Fitas... Já que fizeram um trabalho tão bom nesse aspecto não será falta de visão não o colocar à distância de um clique?

Lembrei-me disto porque gostava de saber se existem espalhados pela cidade mais do que esses dois cartazes de que falo, por isso vim à net procurar. Não encontro a informação em lado nenhum. Eu sei que isto até pode ser nabice minha - provavelmente é e, nesse caso, retire-se a parte da crítica presente neste post. Mas eu disponho-me já a fazer o papel de publicitário e vou tentar reproduzir (de memória, por isso peço desculpa se houver algum erro) as frases presentes nos dois cartazes de que falo, escritas em letras brancas sobre um fundo negro:

Sei o que fizeste na Queima passada.

Qualquer semelhança é pura coincidência.

E agora, depois de dar os parabéns aos autores, resta-me pedir a quem me lê que me diga se viu alguma frase, para além destas, pelas ruas desta cidade. E já agora deixo a questão:

Alguém (não) se lembra do que fez na Queima passada?

29/04/10

O Jogo Eterno, por Camões Alves


Quando Portugal perdeu a final do Euro 2004 com a Grécia, escrevi aqui este texto amargo, em que faço referência ao jogo eterno que se trava no futebol. Ontem teve lugar mais um capítulo desse jogo eterno. Num jogo em que o barça teve 75% de posse bola (!!!!!) e 555 passes contra apenas 59 do inter (?!?!), num jogo em que o victor valdez, o guarda redes do barcelona, jogou, literalmente,no meio campo, abriu-se um nova escalão na prática do futebol-anti jogo. Talvez a equipa de Mourinho tenha, desta vez, um bom pretexto para justificar tal atitude: jogou com 10 a partir da meia hora de jogo. Mas isso é um mero pretexto: porque as equipas do «às das táticas» jogam assim, por norma e filosofia, e porque, mesmo com onze, a tática já era aquela coisa brilhante de meter 11 gajos na grande área a dar chutos para a frente. Fica o texto escrito há 6 anos após a final do euro, que me parece mais actual do que nunca: desta vez, o Barça foi Portugal e a Grécia foi o Inter:

Há duas famílias opostas na história do futebol: a família das equipas que praticam o jogo, querendo ganhar e a das que o praticam para não perder. À primeira família pertencem equipas como o Brasil tri campeão dos décadas de 50, 60 e 70, mas também o Brasil perdedor do mundial do Espanha 82; o Ajax vitorioso de Cruijjf ou o bayern de Bekenbauer, a laranja mecânica de Rinus Michels (que nunca ganhou um mundial) ou a Holanda de Van Basten, etc, etc, etc. A lista dos membros desta família é enorme e é feita, tanto de vencedores como de perdedores. Bem mais vencedores que vencidos, felizmente, para quem já me está acusar de ser lírico…

Depois existe a outra família, a das equipas cínicas, parasitas do jogo alheio, que esperam pacientemente o erro do adversário até o matarem numa oportunidade o jogo. É o caso da Alemanha campeã contra a Hungria de ataque de Puskas numa final violenta donde saem dois jogadores magiares lesionados, logo na primeira parte. É também o caso da Itália de Rossi e Gentile – que não era uma equipa bacteriologicamente pura, mas teve de defrontar o Brasil de Zico e Falcão e foi obrigada a fechar-se -, da Juve da última década, do Steua de Bucareste de Ducadam, da Alemanha do mundial de Itália ou do Brasil do mundial dos EUA…

Estas duas famílias «ideológicas» constituem duas formas de entender o futebol e enfrentam-se no mesmo jogo eterno ao longo da história. Umas vezes ganha uma e outras, outra. Eu sou um adepto incondicional do primeiro estilo. Por razões éticas e estéticas: porque acho que essa família de equipas que jogam para ganhar, e não a outra, é que faz a grandeza do futebol. Mesmo quando a outra família ganha…
Por isso quero que a minha família futebolística ganhe sempre e, mesmo quando Portugal não está em competição, eu sinto-me sempre representado por uma ou por outra equipa que eu reconheço na mesma tradição familiar. E acho que de cada vez que uma equipa de rapina ganha uma competição importante, o futebol regride uns anos.

Ontem virou-se mais um capítulo deste jogo eterno. Portugal, obviamente, representou o estilo de futebol ofensivo que eu aprecio. E os gregos foram os outros. Portugal perdeu e foi pena para o futebol. Eu vi e revi o jogo e, em particular no resumo da sport tv, pude confirmar que os gregos defendem, sistematicamente, com 11 – onze-11 jogadores atrás da linha da bola. Como no jogo com os Checos, deram cerca de 70% de tempo de posse de bola a Portugal. É muito difícil marcar um golo a equipas assim e essa é a sua vantagem: elas partem do princípio que o 0-0 já é um bom resultado e que nos penaltis até podem ganhar.

Eu acho que há uma solução para ganhar a equipas destas, mas esse caminho é uma traição – embora realista – ao estilo e à família de futebol que eu prefiro. É o que fez o Brasil do mundial dos EUA que defrontou a Itália na final mais vergonhosa de todos os tempos. Os brasileiros trocaram as voltas aos italianos e, dessa vez, não assumiram as despesas do jogo. Fizeram como a azzurra tinha feito no Espanha 82 e passaram 90 minutos mais a meia hora do prolongamento a trocar a bola no seu meio campo Resultado: zero oportunidades, ausência absoluta de emoção e, possivelmente, oportunidade histórica perdida de lançar o futebol nos States. No fim, ganhou o Brasil na lotaria dos penaltis como poderia ter ganho a Itália. Foi o título mais amargo da história do futebol brasileiro!

No jogo de ontem, Portugal (ou scolari) não quis fazer o mesmo e foi fiel à sua família ideológica. Perdeu o jogo por 1-0. Mas se me perguntarem se preferia ter ganho, fazendo o mesmo que os brasileiros fizeram no mundial dos Estados Unidos com a Itália, eu digo que não. É só uma opinião, mas prefiro ter perdido o jogo e continuar a acreditar que é possível que as equipas mais espectaculares ganhem grandes competições, jogando o jogo pelo jogo. Paradoxalmente é isso que dá brilho às vitórias de equipas como a Grécia. O entusiasmo com que aquela vitória é saudada vive do arrojo e da desenvoltura de selecções como Portugal ou como a República Checa que, jogando ao ataque, contribuíram para lhes dar a noção de que tinham alcançado um feito superior às suas capacidades.
Mas imagine-se uma final entre a Grécia e outra equipa igual: alguma delas teria vontade de festejar? E se a atitude de todas as equipas fosse a da Grécia, alguém acha que continuariam a encher-se os estádios de futebol? Eu acho que não. Mesmo perdendo, a selecção portuguesa merece o meu aplauso por ter permanecido fiel ao futebol e aos valores desportivos e lúdicos que fazem de mim um adepto da modalidade.


PS – Também é claro que, se eu fosse treinador profissional de futebol e me entregassem uma equipa como a dos gregos, não teria outro remédio que não fosse metê-la a jogar como fez o Renhagel, contra o gozo de adeptos como eu. E nisso, é claro que o homem tem mérito. Não me peçam é para dizer bem daquilo. Parabéns pela vitória, é tudo o que lhes posso dizer.

PS 2- Este é o pior campeão europeu da história, pelo menos desde 72 – no euro desse ano o campeão foi a Alemanha de Bekenbauer, Breitner e Netzer. No seguinte ganhou a Checoslováquia de Panenka e Nehoda; em 80 a Alemanha de Kaltz, Schuster e Rummenige; em 84 a França de Platini, Giresse e Tigana, a seguir, a Holanda de Van Basten e Gullit. Em 92 foi a a Dinamarca de Laudrup e Poulsen e em 96 a Alemanha de Sammer e Klinsmann e depois tivemos mais França com o grande Zidane. A semelhança entre esta equipa da Grécia e qualquer uma das que citei é … Bem, eu não vejo nenhuma…

28/04/10

Os Cola-Cartazes Nunca Venceram As Crises, por Índio

A cotação de Portugal caiu nas agências de Rating. Estamos mais pobres e em crise. Para salvar a Pátria o senhor ingenheiro reúne-se, responsavelmente, com outro jovem, responsável e moderno líder. E uma pessoa não pode deixar de pensar que isto é como chamar o velho Manca Mulas do velhinho liceu D. Maria para se reunir com outro sósia inútil para nos salvarem de uma ameaça qualquer.

Estamos com uma crise em cima e temos dois patetas ao leme, um deles, ainda por cima, perigoso e inimputável... Estamos lindos, estamos...

26/04/10

Who`s Next, por Moonlight

A música pop é como o futebol: assim como há um treinador de bancada em cada um de nós, também há um crítico de Rock. Não há dois críticos de rock que estejam de acordo sobre a qualidade das bandas e dos jogadores. e eu assumo aqui essa radical e deliciosa subjectividade da crítica rock.

O post anterior, de homenagem ao líder dos Type O Negative, Peter Steele, recentemente falecido, trouxe à baila a velha controvérsia sobre os caminhos seguidos, entretanto, pelo rock. Eu tenho andado a pensar que o rock pesado entrou, depois dos Led Zeppelin, num desvario volumétrico que conduziu a um impasse criativo. A «evolução» metálica do hard rock descambou num culto do décibel e do volume gratuito, num goticismo rococó cujos frutos criativos foram, do meu ponto de vista, decepcionantes. Pessoalmente não vejo diferenças substantivas entre a maior parte dos géneros e sub géneros metálicos. Aquilo padece, invariavelmente, do mesmo pecado original: mesmo quando há algum cuidado estrutural, o excesso volumétrico acaba por se impor a tudo o resto. Como um vinho que até pode ter todos os ingredientes necessários, mas que depois tem uma nota excessiva (de álcool, de adstringência, de acidez, etc) que acaba por desiquilibrar o conjunto e estragar tudo. Talvez o caminho do rock esteja numa espécie de regresso ao passado. Proponho um recuo no tempo, um regresso a uma banda e a um disco absolutamente espantosos: Who´s Next dos The Who.

Who`s Next, editado em 1971, aparece numa fase em que os The Who já se tinham consagrado como uma das grandes bandas da história. O álbum surge logo a seguir à famosa ópera rock Tommy - para muitos, não para mim, o melhor álbum da banda. E, de certo modo,Who`s Next é um grito de revolta dos The Who. É esse mesmo o significado (pelo menos um dos significados) da capa do disco: esta retrata um monólito a fazer lembrar o ícone de 2001, Uma Odisseia no Espaço de Kubrick editado uns anos antes. E que fazem os membros da banda? Mijam no imponente monólito. Os The Who expressam assim a sua vontade de se libertarem das prisões criativas de Tommy: a banda não queria passar o resto da sua vida a tocar o feel me, touch me, see me etc...

Por outro lado, as inovações tecnológicas da época - especialmente ao nível da qualidade de som e da utilização de sintetizadores - levam o som da banda a um nível de sofisticação como nunca se tinha ouvido. Os puristas dos primeiros álbuns do grupo e do seu som mood mais primitivo, reagem mal.O álbum é pois um corte com o passado do grupo, com a sofisticação pseudo-romântica de Tommy, mas também com o primitivismo juvenil dos primeiros discos.

Do meu ponto de vista é em Who´s Next que o equilíbrio sonoro da banda atinge um ponto mais perfeito: a sofisticação tecnológica cruza-se com a violência dos rifs de Townshend que soam como uma energia Rock inigualável. A secção rítmica Entwistle/Moon adquire um protagonismo raro nas grandes bandas de rock. As canções são excelentes, Who´s Next está cheio de clássicos como Baba o`Riley e Won`t Get fooled again - espantoso o contraste entre o som planante dos sintetizadores e a violência das «explosões» sonoras da guitarra de Townshend. Tem baladas imortais, daquelas que estão sempre a suscitar novas versões, como Behind Blue Eyes (vide a versão dos Limp Bizkit) ou The song is over...

Who´s Next é uma obra prima! Foi considerado o 13º melhor álbum de sempre pela Rolling Stone, valha isto o que valer... É certo que o Roger Daltrey é um cantor excessivamente maneirista, mas é impossível resistir a Who´s Next! Pessoalmente gostaria muito que as bandas de putos voltassem a este disco ou, pelo menos, a esta banda. Quem sabe o que podia surgir daí... Da última vez que uma geração se lembrou de o fazer nasceu o Punk - e com ele os Sex Pistols e os Clash, digam lá que não valeu a pena.

21/04/10

Peter Steele, by Supernova


Chemical joy turning thee paranoid
Recently buried deep Greenwood Cemetery, now
I had no pulse last time I checked
I d trade my life for self respect
So I say with my ass whipped
There are some things worse than death
I cant believe I died last night - oh God Im dead again
I cant believe I died last night - Im fucking dead again

O mundo perdeu um dos melhores, a música vinda de Brooklyn nunca mais será a mesma.
Obrigado pela companhia e pelas horas, acabaram por ser poucas, em que os cd’s giraram sem fim.
That was a hell of a ride!

Hey peter, where are you going with that axe in your hand?”

Chucha Inês - parte II, por Maxime

Não é que fosse uma surpresa, mas a deputada chucha inês de medeiros lá viu aprovado o pagamento das suas viagens semanais a Paris (pagamos nós, claro, para estes parasitas não há Pecs). E não foi uma surpresa porque da parte dessa agremiação parasitária em que se tornou o partido xuxalista não se esperava outra coisa que não a dita aprovação.

Mas o que me surpreende foi a posição da direita «dos valores» e da esquerda «defensora dos oprimidos» nesta matéria. Na votação realizada no parlamento, houve um empate: o ps votou a favor do pagamento das viagens da dona inês xuxa (97 votos) e o psd e o be votaram contra (97 votos).O xuxialista zé lello, um dos batatoons do regime, na sua excelsa qualidade de consciência crítica do sistema, que lhe fica a matar, teve voto de qualidade e decidiu que vamos todos pagar as viagens a paris à dona inês.

Mas este empate (97-97) só foi possível porque o cds, o pcp/pev se abstiveram. E aqui sim, confesso a minha surpresa! Não entendo a posição destes partidos e, sinceramente, esperava que dessem um bom exemplo nesta matéria e chumbassem esta decisão absolutamente pornográfica. Por mim até estava disposto a pagar um bilhete para Paris a esta gente toda, dona inês incluída - mas só de ida!

18/04/10

Mansas São as Vítimas, Pá! por João Mansarrão

O partido chuchialista ou surrealista ou terceiro mundista ou que é aquela pseudo organização manhosa lá avançou com mais uma medida de bradar aos céus: desta vez dá-se aos directores de estabelecimentos prisionais a prorrogativa da redução substancial das penas de prisão a reclusos perigosos.

O juiz condena um assassino a vinte cinco anos? Tá bem abelha, mas o director da prisa mete-o cá fora ao fim de cinco... Para justificar esta brilhante medida, o ministro da justiça argumentava no Parlamento que esta redução só é aplicável mediante a verificação de cinco critérios. O primeiro dos quais é por si só um retrato fiel deste partido de vão de escada:
- A redução, para ser concedida, disse sua excelência, obriga a que, em primeiro lugar, o recluso concorde com ela e que a requeira previamente!
Ah bom, já podiam ter dito...

15/04/10

Uma Ideia de Marketing Para o Benfica, por Yaúca

Lanço aqui uma ideia que, tenho a certeza, renderia uns bons milhares aos cofres do Glorioso: pôr à venda cabeleiras à David Luís. David Luís é o melhor jogador do campeonato nacional, é um craque de expressão mundial, um ídolo da claque do Glorioso e um exemplo para todos os benfiquistas. Qual era o adepto que não comprava uma cabeleira à David Luís? Tão certo como irmos ser campeões, enchíamos a Catedral de cabeleiras à DL...