07/10/10

Fui Pesquisar o Tapor e, sim, o Nobel Já aqui foi Referido:

Metalomecânica Literária, por Paracelso

Ainda a propósito de livrarias, na sequência daquele post ali em baixo do, o que mais me surpreende em algumas é a falta de conhecimento do ofício por parte dos empregados. Numa das Bertrand de Coimbra peço o Tia Júlia e o Escrevedor, do Mário Vargas Llosa. “Mário quê”, pergunta a empregada. – “Vargas Llosa… Llosa, Llosa…”, com dois lês, como aquele tango do Gardel, llorona, no llores maaaas… (bom, na realidade nunca me ocorre dizer estas coisas assim, na altura própria).

A senhora consultou o computador, e acabou por concluir que tal obra não existia nas bertrands de Coimbra, que são quatro. Aventou até a possibilidade de a coisa ter saído muito recentemente e entonces… Não é estranho um funcionário de livraria nunca ter ouvido sequer falar do tal Mário? É que o homem é uma celebridade; está para a literatura como o parafuso está para o mundo das ferragens e drogarias. Ora, quando vamos a uma loja de ferragens pedir parafusos, a última coisa que nos passa pela cabeça é que o empregado nos diga: “para… quê? fuso? não, ó amigo, desse material ainda não temos, sabe, é que as novidades tecnológicas às vezes demoram a chegar à loja, efeitos da interioridade”. Normalmente dirá: “ó meu amigo, parafusos há muitos, quer de fenda simples ou cruzada, para o de fenda simples tem que ter uma chave de fendas a condizer, e afinal o meu amigo quer o parafuso para que efeito, e não se esqueça das anilhas e porcas”, etc. E o mundo da literatura não é muito diferente do mundo da metalomecânica.

Imaginemos que chego a uma livraria e digo - ”ora viva, amigo Freitas, quero levar que ler na praia, estou inclinado para o Kafka”. Pois o Freitas deve então responder qualquer coisa como isto: - “Ó meu amigo, Kafkas há muitos. quer o das novelas ou o dos diários? E se quer que lhe diga, se é para levar para a praia, não se meta nisso que dá mau resultado. Leve antes o Ovídio, que o bucolismo campestre é mais eficaz a temperaturas superiores a trinta e cinco graus”. – “E como aplico?” – “Olhe, o amigo abre o livro a meio e pega-o com a mão direita, assim ó, e com a mão esquerda pega numa gaiola com um grilinho. E depois senta-se numa esplanada na praia e pede um copo de água e um pão torrado com doce de abóbora. Em cinco minutos está rodeado por dez suecas de óculos redondos, garantido”.

Deviamos até poder levar os nossos livros para assistência técnica. - “Ó amigo Freitas, a métrica deste madrigal está incorrecta, ora veja, dez, dez, dez… nove! Li isto à minha namorada e ela rompeu o contrato de namoro, por erro técnico! Eu que sempre fui aqui bem servido, e agora isto…”. - “Tem o meu amigo muita razão, e não é o primeiro a queixar-se. Mas o defeito é de origem e a fábrica diz que já acabou essa linha de produção. Mas se quiser, tenho um primo que lhe arranja isso, mete-lhe mais uma sílaba no verso e a coisa fica perfeita, deixe cá e passe daqui a uma semana”. - “Mas tem a certeza que fica bem?”. - “Ó meu amigo, nem de propósito, tenho aqui um Ovídio arranjado para entrega. Olhe para esta qualidade, posso batê-lo aqui no balcão que a métrica não se desmancha. Garanto-lhe que nunca mais sai”. Mas pronto, ó meus amigos, o mundo nunca é como nós queremos.

05/10/10

O Público Citou o Tapor!

Blogues em papel
Longe de 82, mas está bem
http://tapornumporco.blogspot.com
(...) Os U2 que vi ontem já pouco
têm a ver com os jovens irlandeses
de 82. Mantêm a mesma
vitalidade, mas o espectáculo é
outro, uma espécie de celebração
religiosa dos mega hits que o
grupo foi editando ao longo de
décadas de carreira. Em muitas
músicas, Bono nem precisa de
cantar, o público está lá para
isso, para as palminhas colectivas
e para os coros dirigidos pelo
maestro Bono. Aquilo é um ritual.
Os U2 já não dependem tanto da
música como em 82.
Mas tudo isto é natural. Os tempos
são outros, a banda tornou-se a
segunda maior do planeta (a seguir
aos velhos Stones). (...)

In Público de 4 de Outubro

03/10/10

360 graus, Coimbra, por Numb

E prontos: os U2 lá tocaram ontem no meu quintal! Tocaram é como quem diz... O espectáculo que apresentam não pode ser visto como estritamente musical: é um espectáculo multi média high tech em que a música é uma componente (fundamental, claro!), mas não a única. Montar um espectáculo destes envolve coisas tão diferentes como a engenharia e a arquitectura (a solução do palco a meio do relvado como uma enorme ilha cercada pelo mar revolto da multidão, a forma da garra, a alusão à nave espacial), luz, cor, som, performance, etc, etc. Vai longe o Verão de 1982 quando vi estes mesmos U2 em Vilar de Mouros, à data uma pequena banda irlandesa que despontava, dois discos gravados, apenas um (Boy) editado em Portugal. Lembro-me que eles cairam cá por acaso, para substituírem um grupo que falhou à última hora - já não me lembro do nome desse grupo mas nunca mais perdi os U2 de vista, já então me pareceram uma super banda com uma energia fantástica. Nessa altura apenas tinham essa energia e uma música do outro mundo. Fiquei impressionado com aquele guitarrista, The Edge, que tanto tirava sons planantes da guitarra como riffs distorcidos e com a vitalidade do vocalista, Bono Vox que, nesse concerto, para desespero da segurança resolveu escalar as colunas do palco até ao cimo. Nesse concerto Bono fez um número que repetiu ontem: sacou uma fã para o palco e pôs-se a dançar com ela. Resulta sempre, a malta fica em delírio...

Os U2 que vi ontem já pouco têm a ver com os jovens irlandeses de 82. Mantêm a mesma vitalidade, mas o espectáculo é outro, uma espécie de celebração religiosa dos mega hits que o grupo foi editando eo longo de décadas de carreira. Em muitas músicas Bono nem precisa de cantar, o público está lá para isso, para as palminhas colectivas e para os coros dirigidos pelo maestro Bono. Aquilo é um ritual. Os U2 já não dependem tanto da música como em 82.

Mas tudo isto é natural. Os tempos são outros, a banda tornou-se a segunda maior do planeta (a seguir aos velhos Stones), eu sabia perfeitamente que o formato é agora este.

O concerto abriu com Beatiful Day, depois de uma introdução gravada a anunciar o clima sideral do concerto com Space Odity de David Bowie. Seguiram-se, por esta ordem, I will follow (um regresso ao concerto de 82 e um dos momentos da noite), get on your boots, magnificence e depois perdi-lhes a conta. Sei que tocaram elevation, i still haven`t found what i`m looking for, she moves (in misterious way), where the streets have no name (outra grande execução numa colagem a uma balada que tocaram antes), sunday bloody sunday, city of blinding lights (outro grande momento, o culminar dos efeitos especiais) vertigo (fantástico), miss sarajevo (fabuloso com Bono a fazer de Pavarotti nas partes em italiano), moment of surrender, i go grazy, one, walk on, e fecharam com with or without you. Pelo meio tocaram mais umas músicas cujo nome não sei.

De fora ficaram algumas das minhas preferidas mas ficariam sempre fosse o que fosse que eles tocassem. Mas tive pena de não ouvir pride, zoostation, zooropa, numb, gloria,lemon, gloria, bad, baby face... Mas reconheço-lhes o mérito de não fazerem do concerto uma parada de hits. Nem isso seria coerente com a postura da banda.

Do que não gostei mesmo foi do volume de som nas músicas mais rápidas e conhecidas. Acho que nessas músicas eles abusaram da potência e o resultado foi um efeito de barragem sonora em que não dá para reconhecer os diferentes instrumentos. É estranho que a guitarra do the edge surja compactada numa massa sonora indistinta. Os riffs de vertigo, de get on your boots ou de beatiful day mal se reconheciam no meio daquela amálgama sonora, quando deviam perceber-se claramente. Acho que nestas músicas o excesso de volume tirou energia quando era suposto produzi-la.

Quanto ao palco, a famosa garra de 360 graus é uma grande ideia. No início pareceu-me não resultar muito bem porque se perdiam os efeitos de fundo que existem nos palcos tradicionais. Mas depois percebeu-se que isso foi apenas uma opção na primeira parte do concerto. A partir da segunda série de músicas, a «nave espacial» foi ligada e somos esmagados com toda a panóplia de efeitos especiais aguardados. Há uma declaração de um astronauta numa estação espacial, sunday bloody sunday é tocado num fundo verde (Irlanda), mas curiosamente, as imagens são de intifadas em países muçulmanos, aparecem imagens de apoio a Aung Suu Kiy e até o bispo Desmond Tutu aparece numa mensagem a dizer-nos que as pessoas que venceram com Luther King, com Mandela e outros contra os regimes despóticos, são sempre as mesmas e estão ali... somos nós ( e eu pensei que esta mensagem é irónica quando dirigida a um povo que vota duas vezes num tiranete e que, portanto, é um exemplo não só de amorfismo, mas de amorfismo masoquista. Não, não somos nós um bom exemplo de um povo que derruba farsantes).

Hoje os U2 voltam ao meu quintal e está a chover. Seria lamentável se o concerto fosse cancelado por esse motivo. Espero que não. O pior do concerto de ontem foi quando recebi um sms do meu amigo roberto que teve convite para a zona vip. Dizia: «as gambas não estão más». E eu apertadinho na relva, em luta desesperada por um cantinho conquistado à custa de muita cotovelada não tive outra hipótese que não fosse remeter-lhe um «pó caralho». Até nos U2 há classe sociais, fónix...

02/10/10

A Canalha


Como esta gente odeia, como espuma
por entre os dentes podres a sua baba
de tudo sujo nem sequer prazer!
Como se querem reles e mesquinhos,
piolhosos, fétidos e promíscuos
na sarna vergonhosa e pustulenta!
Como se rabialçam de importantes,
fingindo-se de vítimas, vestais,
piedosas prostitutas delicadas!
Como se querem torpes e venais
palhaços pagos da miséria rasca
de seus cafés, popós e brilhantinas!
Há que esmagar a DDT, penicilina
e pau pelos costados tal canalha
de coxos, vesgos, e ladrões e pulhas,
tratá-los como lixo de oito séculos
de um povo que merece melhor gente
para salvá-lo de si mesmo e de outrem.

Jorge de Sena, 7.12.71

01/10/10

Nome (para o) colectivo, por Cão


Estamos reféns de uma corja de bandalhos. Tenho outras maneiras de dizer o mesmo. Seguem-se elas. Já.

Somos um alfeire sequestrado por uma quadrilha. Vivemos como récua por conta de uma vara. Rebanho que teimamos em ser, trepa-nos pelas canelas uma ninhada ignóbil. Sabeis de que tropa vos falo, claro. De que malta. De que chusma. De que bando. De que choldra. De que ádua. De que matilha. De que ninhada. Claro que sabeis.

Mas sabeis também que aqueles de que vos falo, esmifrando-nos embora os bens, não lograrão nunca extirpar-nos a condição de pessoas de bem. Podem secar-nos o pão, interditar-nos o trabalho, molestar-nos a saúde, injustiçar-nos os direitos, analfabetizar-nos os filhos, corromperem-nos as famílias, emporcalhar-nos as ruas, evacuar-nos as aldeias, atoleimar-nos de bola, senhoradefátimar-nos as mentes, casamentogayzar-nos de pósmodernidades balofas, redbullzar-nos de avionetas para tolos pasmados de corneta no ar, tonycarreirar-nos até que zumbamos, relinchemos, zurremos, chasqueemos, pissitemos, cuculemos, grasnemos, cacarejemos, cucuriquemos, ronquemos, grugulejemos e regouguemos. Poder, podem. E vão continuar a poder enquanto permitirmos que possam. Só que há duas coisas: eles vão continuar bandalhos. E nós vamos continuar alfeire, que é o nome colectivo dos porcos de engorda.

E se isto não é grunhir com razão, não sei o que o seja.

VERGONHA, por Incrédulo

Assistimos a mais um descalabro grotesco perpetrado por esta gente sem princípios, sem valores, adepta dos “arranjinhos”, conhecida por surripiar os mais pobres e ser subserviente aos mais ricos. Este aumento de impostos, cumulativamente com o congelamento na progressão, corte nos salários, subida do preço de medicamentos essenciais, cortes nos direitos (e não benefícios) sociais, na segurança social… tudo isto com o beneplácito dos miguelitos deste mundo, que rosnam um palavreado baseado na ignorância cega (pior, que não quer ver).
Este bando, que andou nos últimos tempos a alardear incompetência, teimosia idiota e arrogância asinina, vem agora decretar, do alto da sua sandice, estas medidas desconexas, de acerto duvidoso.

Cobardemente, socorreu-se dum qualquer joguete da OCDE que veio, pateticamente, explicar o que se devia fazer (explique aqui aos burros, faça-lhes em desenho, use vaselina à vontade que nós encarregamo-nos do resto).

Estas medidas são mais do mesmo. Quem fica de fora? Proporcionalmente, que medidas foram tomadas relativamente à Banca? Aos offshores? Alguém se preocupa com a multiplicidade de Institutos que se atropelam para fazer…a mesma coisa (às vezes nada)? Que sinal foi dado pelos governantes? Precisamos de tantos deputados? De pagar ordenados principescos aos administradores (da RTP, por exemplo, que ganham três vezes mais que o Presidente da República)? E de ter cinco? A frota dos carros oficiais precisa de ser mudada (os portugueses vão passar a andar a pé…podia ser de burro, mas esses estão ocupados a fazer de conta que governam)? E as nomeações, a peso de ouro, que têm a particularidade de terem como sujeitos pessoas com nomes muito conhecidos da nossa vida pública? Se não sabem, se são incompetentes, se desconhecem a capacidade de pensar e reflectir (sim, é retórica, porque sabemos que é verdade), tenham, ao menos, VERGONHA.

29/09/10

Modernices Governamentais, por Zombie

Este naco de legislação pode ser interpretado como uma prova clara do nível de insanidade mental e autismo social atingidos pela triste gente que nos governa:

Documentação exigida aos pastores transumantes e a entregar quese exclusivamente pela net:

«Para a instrução do licenciamento da área de pasto, cada produtor tem de entregar um formulário com descrição exaustiva da actividade e da exploração pecuária, a caracterização da Parcela Valorização Agrícola (gestão dos efluentes pecuários), uma Declaração de Responsabilidade Sanitária, uma Declaração de Responsabilidade pelos Animais e uma Declaração do Produtor (do proprietário da exploração onde se localizam os pastos). (…) Além destes documentos, cada o pastor está também obrigado a manter um registo de existências e deslocações, actualizado semanalmente, e onde devem constar, entre outros elementos, uma planta em escala não inferior a 1:25.000, indicando a localização das instalações da actividade pecuária e abrangendo um raio de um quilómetro, com a indicação da zona de protecção e da localização de outras edificações envolventes.»
(extraído, com a devida vénia, daqui http://blasfemias.net/)

28/09/10

Meu sonho é morar numa favela, por Mau


Eu estou em casa.

Minha casa é a rua, é o Rio. A cama? A cama é isso aí... o chão. Toda a noite eu durmo ali, naquele degrau à saída do metro. Quando chove, como hoje, chego-me para aquele parapeito só para não apanhar tanta chuva. Não há lugares abrigados aqui no Flamengo. Quando chove o melhor é conhecer bem o lugar, para não apanhar um daqueles sítios em que a água se acumula.

Não tenho nada neste mundo. Só a roupa que tenho vestida, o meu corpo e a manta que fiz com os retalhos dos panos que encontrava no lixo. O lixo ainda é a minha sorte: todos os dias me levanto e vou remexer os caixotes em busca de latas velhas. 'Cê sabe que por cada kg de latas lhe dão 2 reais [86 cêntimos]? Bom negócio para quem vive na rua...

Família e amigos? Família nunca tive. Meus pais me abandonaram em pequeno nas ruas. Nunca os conheci. Amigos tinha lá na Rocinha [Favela]... uns foram mortos, outros estão presos, outros afastaram-se. Sabe que há coisas mais importantes que a amizade [mostra-me as mãos cheias de cicatrizes, como se tivessem sido trespassadas por um prego bem grosso].

Sabe o que é isso? É o maior erro da minha vida. Vivia eu na Rocinha e decidi roubar um turista que lá ia. Tinha fome. Ele tinha ido com máquina fotográfica para a Favela. Uma máquina daquelas dá-te comida para o mês inteiro, talvez para o ano. O papel do turista é não mostrar a riqueza. Se ele não cumpre o seu papel tenho eu de cumprir o meu: quem pode criticar?

Acontece que os traficantes não querem má publicidade para a Favela, senão não têm quem se aventure para lá ir comprar droga. São eles que controlam tudo, são eles que sabem tudo. A lei da favela é a lei do traficante, nunca a da polícia. Apanharam-me e disseram:
"Mete as mãos uma em cima da outra. Sabes o que te acontece da próxima vez? Ficas sem elas, para aprenderes a não roubar. Desta vez seremos brandos... PUM!"

Sim, mandaram um tiro nas minhas mãos. Furou as duas... Nesse dia eu decidi fugir da Rocinha. Era perigoso para mim e para os meus amigos. Eles também não mais me procuraram. Não guardo mágoa: eu faria o mesmo.

E, cara, agora eu dou valor ao que tinha. Ser um cidadão, mesmo que da favela, é muito melhor que ser lixo. Na verdade é o que eu sou. Só tenho o mar para me lavar. A minha rotina é simples: acordo, vou dar um mergulho - quando estou em condições -, procuro latas nos caixotes e, ao fim do dia, conto o dinheiro que juntei. Nos dias bons consigo 2 kgs de latas. São 6 reais. Não dá para uma refeição - a mais barata custa 8 reais e ainda por cima ninguém quer um monte de lixo sentado numa mesa ou ao balcão: dá mau aspecto -, mas já dá para comer qualquer coisinha. Um desses espetinhos na rua custam 3 reais. É o que costumo comer...

Depois disso, à noite, vou buscar o crack e a maconha para poder vender. Faço sempre um bom negócio: ganho 10 reais por dia se conseguir vender todo o stock. Em troca dão-me a dose suficiente para mim.

Faz mal? Eu sei. Mas como quer que eu viva com 6 reais? E 6 é nos dias bons! As latas velhas não sustentam ninguém. Os 10 reais da droga já me dão para qualquer coisa. Muitas das vezes gasto-os a comprar-me droga a mim mesmo: quando não acabo de vender o stock compensa-me mais comprar o que falta, para poder ganhar o dinheiro no dia seguinte.

E quando a fome aperta, roubo. A fome e a "fome", claro. Só faz sentido um rapaz não ter vícios enquanto tem uma vida. Depois de ser lixo não há droga que o faça pior do que já é. Deixa-o fora de você, faz com que você esqueça as coisas e que adapte comportamentos que não teria de outra forma? E não é isso uma vantagem para um monte de lixo, pô? Quem se quer lembrar daquilo que é, de como age, daquilo que sente, se não é mais do que o "podre" que estraga as ruas do Rio e que tem de ser "varrido" para que se tirem as fotos para o cartão postal?

É uma vida de lixo. Não merece ser vivida. A droga fazer mal à saúde é a maior vantagem que vejo nela...

Bem, amigo, vou ter de ir procurar latas. Estas aqui não chegam sequer a meio quilo e já está quase na hora de almoço. Isto hoje está fraco. Provavelmente haverá um furto no Flamengo ao anoitecer...

27/09/10

Os U2 No Meu Quintal, por Numb

É já no próximo dia 2 de Outubro e eu vou lá estar. Os U2 vêm tocar ao meu quintal. O bilhete para um sítio excelente, caiu-me praticamente do céu, uma sobra de um amigo que não gosta o suficiente da banda para enfrentar uma multidão. Eu também confesso que acho que os U2 resvalaram há muito para um terreno pop que não traz nada de novo. Boas canções que ficam no ouvido, mas não passam disso, a banda há muito que deixou de ser original. E se despirmos aquela música do tratamento high-tech em que vem embrulhada, não sobra muito. Já lá vai o primitivismo da fase irlandesa, o experimentalismo noire de Brian Eno, vá lá, a energia megatron de Zooropa e Achtung Baby. Os U2, musicalmente, já não são o que eram. Mas ao vivo não deve haver no planeta um espectáculo tão sofisticado do ponto de vista tecnológico, efeitos especiais, som, luz... E, portanto, são imperdíveis ao vivo, ainda por cima vindo tocar à minha porta.

De qualquer modo, sejamos justos: apesar da sua deriva pop, o último No line on the horizon é um belíssimo disco. Não fossem as expectativas serem tão altas e, possivelmente, eu estava aqui a desfazer-me em elogios... Não acreditam? Get on your boots:

21/09/10

Bandalheira, por Coqueteil Molotov

Fixem bem o jovem da foto da primeira página do Expresso. Este jovem é um símbolo. Uma espécie de bandeira, um testemunho vivo e expressivo da ideia de educação do governo do ingenheiro socas. O jornal conta a a história de Tó-Jó (chamemos-lhe assim, nem sequer fixei o nome), o aluno com a média mais alta de todo o Secundário: 20-valores-20, é obra! Há só um pormenorzito: esta média foi conseguida mediante a frequência nas espantosas Novas Oportunidades e a aprovação num único exame (de inglês). Tó Jó obteve 20 valores no exame de Inglês e com 20 valores ficou de média final. Com esta média Tó Jó entrou no Curso Superior que fiz, deixando, obviamente atrás de si, muitos outros colegas que perdeream o seu tempo a fazer os estudos secundários no ensino regular. E é possível? É.Vivemos no país disparatado e obsceno inventado pelo ingenheiro socas e sus incríveis muchachos xuxas!

Não é obviamente, o Tó Jó que eu critico. Limitou-se, apenas, a aproveitar uma aberração do sistema e fez muito bem. O que critico é um governo que é autor de uma coisa tão aberrante e obscena como as Novas Oportunidades, que permite um escândalo destes. O Tó Jó, de resto, nem sequer é caso único: o caso dele apenas deu brado porque a média de vinte valores que conseguiu deu muito nas vistas. Mas sabe-se que existem centenas senão milhares de alunos que, como o tó jó, aproveitaram a abébia e passaram a perna aos totós dos seus colegas do ensino regular que andam a perder quatro anos (se a coisa correr bem) para fazerem, como deve ser, o 9º, o 10º, o 11º e o 12º anos. Repito: totós!

Se o governo do ingenheiro permite que se passe pela porta do cavalo, se é possível fazer um só exame (à escolha) em vez de uns quantos, se se podem gastar 2 anos quando outros gastam 4, se se aprendem com êxito garantido conteúdos da treta em vez de coisas que interessam, com que legitimidade andamos a convencer os nosso alunos a frequentarem o ensino regular em vez das NO? Não estamos a enganá-los? Os professores das nossas escolas secundárias deviam aconselhar os seus alunos a deixarem o ensino regular e a passarem para as NO. Queria ver. Não passam porque são totós é o que é.

Toda esta história daria vontade de rir às gargalhadas se não fosse tão grave. E é vergonhoso que responsáveis do Governo ainda venham defender que isto está bem, que isto é «discriminação positiva» (sic) (mas de quem e porquê?) e que é muito delicado «fazer só um exame porque pode correr mal» (sic)... Incrível até onde chega a falta de decoro na apologia da mediocridade, da incompetência e da irresponsabilidade! Parabéns ao tó jó e a todos os tó jós deste país que passaram a perna a dezenas senão a centenas de estudantes que não entraram nos cursos que pretendiam porque foram ultrapassados pela malta das Novas Oportunidades.

Para o estado de ficção em que este país vive ser total, só faltava agora que se viesse a descobrir que temos um primeiro ministro que tirou a licenciatura no Omo, num domingo de Agosto, com trabalhos feitos em casa,com um mesmo professor amigalhaço a 4 cadeiras numa universidade compulsivamente encerrada porque estava ligada a actividades dúbias. Se isso fosse possível era pelo menos compreensível o caso do tó jó. Compreenderíamos, assim, porque é que a concepção que o governo xuxa tem da educação não é mais que uma sórdida, vergonhosa e irresponsável BANDALHEIRA!

15/09/10

Olarila, maravilha, por Cão

O rolo compressor da Corrupção, a tetraplegia da Justiça, a desumanização da Saúde, a idiotia obrigatória da (des)Educação, o letargo da Economia, a continental falcatrua da Moeda Única, a macrocefalia terraplanadora da Bola, as garraiadas maçónicopusdei da Banca, a sordidez vampiresca das Grandes Obras Públicas, o assoreamento maninho das Pescas, o despovoamento genocida da Agricultura, a criadagem da Comunicação Social, a roubalheira impune das Finanças, a mentira manhosa da Formação Profissional, o preço do Bacalhau, a maltosa das Farinhas, a inocência do Padre (perdão, do Carlos) Cruz, aquela Casa ser mais uma pia do que Pia, os dez milhões de poetas que infestam o Facebook à hora de expediente, o treinador do Sporting nem sobrancelhas ter quanto mais hipóteses, a canalha que carteliza as Gasolineiras, a impunidade do Tubarão e o vais-de-cana-ó-Carapau, a frivolidade da gentalha que alvarmente escouceia pela Pantalha Televisiva, os bem-dispostos-por-profissão da Rádio, o Fado Monárquico-Marialvo-Tauromáquico, a vacuidade da Moda, as abencerragens do Pimba e a ponte de Constança já nos não trazer às Portas do Sol – tudo isto e estes todos tornam o País mais pedinte e mais invernoso. Mas tirando estes e tirando isto, é um sítio maravilhoso.

13/09/10

Muttley no Dragão, por Mutt


Bom, ninguém diz nada a ninguém, mas no sábado passado, até tenho vergonha de o confessar, eu fui ao estádio do lad, perdão do dragão, ver o Porto-Braga. A companhia puxou e a coisa quase que correu bem. Quase...

Tenho de reconhecer que foi um grande jogo, do melhor que vi nos últimos tempos e não me arrependi nada de ir, até porque, ainda por cima,os lugares eram fantásticos, mesmo em cima do relvado. Só foi pena o Braga não aguentar o 2-1. Lembram-se do Muttley, O Cão que Ri? Pois, era uma série de desenhos animados da Hanna Barbara que eu via quando era miúdo. O Muttley era um cão cínico e gozão que se ria para dentro com a desgraça alheia. No estádio do lad, perdão, dragão, eu senti-me o Muttley nos golos do Braga porque também me fartei de rir para dentro, pianinho (se risse abertamente o mais certo era levar nas ventas)... Mas no fim o fcp ganhou e bem e é caso para dizer, para grande tristeza minha, que o Hulk venceu o Muttley.

10/09/10

O Pensamento Solar de Albert Camus, por Calígula

Leio e ouço muitas vezes referências ao «filósofo existencialista francês Albert Camus». Não me refiro aos ditos dos leigos, mas a manuais vários e a ensaios de alguma responsabilidade. Posso conceder que se chame «francês» a Camus, apesar de ele ter nascido na Argélia e de aí ter vivido a sua infância em Oran.

Quanto ao epíteto de «filósofo» foi o próprio que declarou «não sou um filósofo». Não o foi, mas antes um pensador solar, que usou o romance e a literatura e não tanto a filosofia como formas de expressão privilegiadas do seu pensamento. É certo que ele escreveu ensaios brilhantes e que O Mito de Sísifo e O Homem Revoltado são peças marcantes do pensamento contemporâneo. Mas, ainda assim, são partes de um todo e só podem ser inteiramente compreendidos se articulados com os seus duplos romanescos: O Estrangeiro que está ligado ao Mito de Sísifo e o A Peste em articulação com O Homem Revoltado.

Já quanto ao existencialismo de Camus não posso estar mais em desacordo. Camus detestava esse rótulo. Ele nunca se considerou um existencialista e declarou-o expressamente mais que uma vez. O seu pensamento foi, até certo ponto, anti-existencialista e não sou eu a dizê-lo, mas o próprio. Camus sempre foi um pensador muito mais solar que sombrio e o existencialismo tinha uma aura dark, centro europeia e depressiva que estava nos antípodas do seu carácter. A sua origem argelina e, como tal, o seu fascínio mediterrâneo, pela praia, pelo mar, pela luz marcaram-no. Camus estava fascinado pelos gregos e foi um sensualista. É por isso que, para nós, portugueses (e brasileiros, aí galera!), Camus está muito mais próximo que Sartre e que o pensamento existencialista em geral. Camus, era anti-existencialista antes mesmo de ter convicções filosóficas. Era-o por vocação, por nascimento, por natureza. Ele é, talvez, o mais «tropicalista» dos pensadores europeus. Meursault, por exemplo, o nome do personagem principal d`O Estrangeiro é um trocadilho fónico que aglutina as palavras franceses Mer + Soleil. Meursault é Mar e Sol, perfeito, não é?

08/09/10

«E você, o que me aconselha de Portugal?», por Tuga

Diz-me um amigo (bem, ele é um pouco mais que «um amigo») que no momento vive no Brasil que os seus amigos de lá lhe perguntam: «E você, o que me aconselha de Portugal»? O meu «amigo» pede-nos ajuda no seu blog (http://vaipaselva.blogspot.com/) . As minhas sugestões - cada vez mais omissas, sempre que as releio - foram as que se seguem. E gostava de ler as vossas sugestões, também... E vocês, o que lhes aconselham de Portugal?

O Benfica!
Os grandes escritores portugueses: o Eça, o Camilo, o Aquilino, nos mais antigos. O Lobo Antunes, o Fernando Campos, o Pedro Rosa Mendes nos contemporâneos.
Nos poetas: o Camões, o Pessoa, o Mário Cesariny, o Mário Henriques Lisboa...
O Benfica!


A música: os fados da Amália e do Alfredo Marceneiro e os mais recentes da Ana Moura e da Mafalda Arnauth.

O rock em português, os GNR dos bons velhos tempos (não os actuais) e os velhos Xutos (não os vendidos de agora).

Os grandes cantores de intervenção, uma coisa muito nossa, comparável à bossa nova deles: o Sérgio Godinho, o grande Zeca (um marco também no fado de Coimbra, juntamente com o Luís Goes), o Fausto, o Zé Mário Branco, os Trovante antigos, o Carlos Paredes... As recolhas da música popular do Michel Giacometti e a brigada Victor Jara...

Diz-lhes que temos alguma boa música clássica: o barroco de Filipe Pires e a música moderna de Jorge Peixinho... E bons intérpretes como a Maria João Pires, ou o António Rosado.

Excelentes solistas como o Mário Laginha (com ou sem a Maria João), o Bernardo Sassetti, o António Pinho Vargas...

O Benfica!


Fala-lhes dos nossos pintores: Nuno Gonçalves, Vieira da Silva, Almada, Paula Rego...
E do Benfica!

Não vale a pena alongares-te muito sobre o nosso cinema, mas o cinema documental do Jorge Pelicano e Aquele Querido Mês de Agosto do Miguel Gomes (e eu aproveitava e falava do nosso kitch, do Marante, do Emanuel, do Nel Medeiros e do Malhoa, gandas malucos). Este cinema é original, acho que lhes interessaria...
E o Benfica!


A nossa comida que, ou é defeito do meu palato, ou é mesmo do melhor: da lampreia, do leitão, do bacalhau, dos pézinhos de coentrada, do nosso peixe, dos percebes e das ostras, ufff, é só puxar pela memória. Dos nosso grandes restaurantes. E do nosso excelente vinho: o Barca Velha, o Pêra Manca, os Patos, o Vale Meão, o Batuta, etc, etc. Do Porto, do favaios, do madeira.
Do Benfica!


Do Minho, que é verde; de Trás-os-Montes, que é árido e selvagem; do Porto que é a melhor cidade de Portugal e o sítio onde os portugueses são mais brasileiros; da costa de Aveiro; de Coimbra; da Serra da Estrela; de Castelo Branco e do seu Boom Festival; do Oeste, das suas praias e de Óbidos; de Sintra e de Mafra; de Lisboa, que é cosmopolita e tem o Glorioso; de Sesimbra, de Tróia e do Portinho da Arrábida (mas não fales na cimenteira); e de Setúbal; da imensidão do Alentejo, que faz lembrar o ceará deles; das suas praias, que são as melhores de Portugal (que pena as águas tão frias); esquece o Algarve na época de férias, que não é tuga, mas dá-lhe o benefício da dúvida em Junho.
Do Benfica!

Da nossa história, que a escola desdenha: da resistência aos Romanos e de Viriato, da geração de Borgonha que nos fundou, da Reconquista; da fabulosa Geração de Aviz, que foi do mestre de Aviz a D. Sebastião (e não deixes de lhes explicar que tivemos, entre outros, um génio no trono que foi D. João II e que, sem ele, talvez eles hoje falassem espanhol), do Infante D. Henrique, que não foi rei mas é como se fosse. Diz-lhes que houve um rei dos nosso que fugiu para aí e foi morar no Rio. Adorou e não queria regressar! Fala-lhes em D. Pedro, que foi o nosso IV e o I deles. Fala-lhes em 1640 e em 1910. E, claro, explica-lhes quem foram os nossos descobridores: Dias, Gama e (para eles é importante), Cabral. Mas não os branqueies. Explica-lhes que corremos com os Mouros do Algarve, estivemos na Guiné, em Angola, em Moçambique, na Índia, no Brasil e assobia para o lado quando te perguntarem como é que depois disso tudo chegámos ao ponto de ter um falsificador de licenciaturas a mandar em nós...
E não te esqueças de lhes falar do Benfica!

Fala-lhes dos nosso monumentos: do nosso Manuelino, estilo único no mundo, e dos Jerónimos; dos Templários e do que cá deixaram (do castelo de Almourol e do de Tomar; do mosteiro de Alcobaça; dos nosso muitos castelos e, sobretudo, do de Guimarães. Diz-lhes que somos o povo que existe há mais tempo, enquanto tal, em toda a Europa. Vão ficar admirados!
E do Benfica!

Da nossa arquitectura, principalmente de Siza Vieira (do Museu de Serralves, da Casa do Chá em Leça, da igreja, do bairro no Alentejo, do Pavilhão do Conhecimento na Expo...) e no Souto Moura que até fez um estádio de bola que é uma obra prima e não, não é o do Benfica é o do Braga...
Diz-lhes que somos um país geralmente seguro, que vives numa cidade onde te podes esquecer de deixar as portas abertas e onde podes andar à vontade durante a noite...
E do Benfica, claro!


Bem, por agora acho que isto chega. Mas acima de tudo, não sei se já te disse, não te esqueças de falar no Benfica que é maior do que este imenso país. Eles sabem que o Benfica é o clube onde joga o David Luiz? Pois é, não podes esquecer-te de lhes falar do Benfica...

07/09/10

Uma Ideia da Índia de Alberto Moravia, por Kali

Eu gostava de ir à Índia! Mas, infelizmente, há uma série de razões que me levam a hesitar. A Índia é muito longe e a viagem muito cara; no escasso período do ano em que posso tirar férias, lá, é a época das monções; assusta-me a pobreza imensa que é intrínseca àquela cultura - não me agradam os milhões de mendigos que dormem atulhados nas ruas de Bombaim, de Calcutá ou de Nova Deli; tenho medo das doenças e da alimentação, receio o clima, etc, etc, etc.

E no entanto a Índia fascina-me, é um imenso continente que eu adorava visitar caso vencesse os meus medos congénitos e o meu patrão me aumentasse. Fascina-me uma civilização que tem da vida uma ideia desprendida, que duvida da existência e da realidade do «mundo dos sentidos»; adorava visitar Benares, ver os templos Hindús, a terra que foi o berço do Budismo, as suas árvores imponentes, os seus cheiros e cores intensas, a sua luz irreal e o seu calor insuportável. Infelizmente ainda não fui à Índia e não sei mesmo se algum dia, o fascínio que sinto em mim será mais forte que os meus medos.

Mas enquanto não me decido vou viajando para a Índia como posso: lendo o excelente Uma Ideia da Índia do escritor italiano Alberto Moravia, que, nos anos 60, fez a viagem que eu tanto gostava de fazer. Moravia andou por lá e escreveu várias crónicas sobre as suas viagens pela Índia que foram depois coligidas e constituem este livro. A editora é a Tinta da China e o livro está à venda por uns irrisórios 6 euros na companhia da revista Sábado. Já o tinha desfolhado na FNAC mas o preço não me convenceu. Mas por 6 euros é imperdível, que digo?, é imperdível por 50, é imperdível ponto final. Li-o num dia e nunca me senti tão perto, tão dentro daquele imenso continente como agora, conduzido pelas palavras certeiras de Moravia. Trata-se de uma viagem física, geográfica, cultural, política, histórica, filosófica e religiosa, enfim,o autor percorre uma civilização inteira e tem o poder de nos transportar com ele. Quem não leu, corra a comprar.

Nos próximos números a Sábado vai publicar uma série de livros da mesma colecção desta vez com protagonistas geográficos como o Japão, Nova York e a Pérsia. Pena que o excelente livro de Ruy Castro sobre o Rio de Janeiro, da mesma colecção, não figure na oferta da Sábado. O remédio é comprá-lo na FNAC por cerca de 20 patacos.