18/10/10

Semelhança do buraco, por Cão






Os mineiros do Chile foram resgatados. Excelente notícia. O desejo (que todos tínhamos) de que assim acontecesse, foi felizmente satisfeito. O airoso desenlace ficou a dever-se ao heroísmo lúcido dos homens soterrados e à dedicação incansável dos técnicos, que nunca souberam, estes, desistir à superfície, e aqueles idem lá nas profundas. O ocaso deste caso deixa-me, em lugar do desejo único de ver os mineiros cá em cima com as respectivas famílias, dois outros desideratos. Estes aqui: 
1) Que a equipa internacional de técnicos salvadores venha para Portugal formar Governo. Só gente assim, abnegada e competente e capaz e dedicada e desinteressada nos pode tirar de um buraco como aquele em que nos metemos a partir de 1976, ano a partir do qual o PS e o PSD, alternadamente, nos meteram no fundo.
2) Que os 33 mineiros sejam secretários de Estado desses (verdadeiros) engenheiros.

Em lugar de, por mero exemplo, um qualquer José Junqueiro, seria ou não seria excelente termos na Secretaria de Estado da Administração Local um Florencio Ávalos, ou um Victor Zamora, ou um Carlos Barrios, ou um Edison Pena, ou um Jorge Galleguillos, ou um Alex Veja, ou um Mario Gomez, ou um Claudio Yáñez Lagos, ou um José Ojeda, ou um Carlos Mamani, ou um Jimmy Sánchez, hum? Seria pois.
Ou então a presidentes de Câmara, estes e os outros. Haveria de dar para todos. E todos eles nos prestariam um serviço a que não estamos habituados – e com abnegação, coragem, solidariedade, entreajuda, disciplina, contacto, comunicação, comunhão de objectivos, igualdade de ponto de partida, essas coisas que perdemos desde 1976.
Julgo que estes meus desejos, ao contrário do outro que queria ver os 33 trabalhadores sãos e a salvo, não serão resgatados de sua mesma utopia. É pena. Porque no Chile só os 33 bravos é que estavam no buraco. 

Aqui somos dez milhões. E os nossos “engenheiros” são do calibre que são.
Só o buraco é semelhante.

17/10/10

A Solução, por Mad Doc

Tenho a solução para este triste país. É fácil: vendam-no! Se alguém o comprar, claro... Aos chineses, aos alemães, aos espanhóis, mas vendam-no.

Não faz sentido preservarmos um país sequestrado, degradado, avacalhado, abusado por uma rede organizada que não posso aqui qualificar. Quando as sondagens ainda dão uma percentagem tão alta de votantes no ps, um partido que, num país normal, já não passaria, à muito tempo, de uma tralha residual, eu pergunto: mas que povo é este?

O que é que significa ser português? Defender uma horda de ignaros que não aprende e que continua disposta a votar na cambada que nos governa? Então mais vale ser chinês...

13/10/10

Os Mineiros do Chile, por Buzz

Acompanho com emoção a operação de salvamento dos 33 mineiros no Chile. É um acontecimento histórico, uma tragédia contemporânea vivida em directo que nos confronta com os nossos sentimentos mais básicos e profundos. Acompanho estas imagens com o mesmo sentimento com que vivi - recordo-me vagamente - os regressos dos astronautas das missões Apolo que voltavam da lua. É a mesma sensação - ver os mesmos seres humanos devolvidos à terra/casa depois de tanto tempo perdidos, literalmente, noutro mundo (no espaço, na lua ou no fundo de uma mina).

Sinto outra vaga parecença entre os dois acontecimentos quando contemplo o fundo da mina filmado em más condições. As imagens cortadas, as interferências,as cores esbatidas, como se fossem uma ficção de Júlio Verne (Viagem ao Centro da Terra?) filmada pelos irmãos Meliés, tudo aqui faz lembrar os movimentos lentos dos astronautas, perdidos num deserto preto e branco de pó e de rocha. O fundo da mina também parece outro mundo, um mundo inóspito de rochas e breu como a lua de Armstrong e de Aldrin, mas sem as estrelas do firmamento.
Como é possível não olhar para esses/estes homens como heróis? Eles representam o nosso triunfo (raro, momentâneo, efémero)sobre a adversidade, o triunfo de seres tão frágeis sobre a estranheza da imensidão cósmica. E o facto de serem mineiros, derradeiros heróis proletários,que têm que ir onde nenhuma máquina pode ir, símbolos, também por isso, da pequenez e da profunda fragilidade de todos os homens, ainda agudiza mais a dimensão épica da sua odisseia. Mineiros e astronautas, parentes próximos...

Também há coincidências simbólicas:a Fénix, nome da cápsula de salvamento dos mineiros, tem a forma de um foguetão. Embora se desloque, ao contrário dos foguetes espaciais, de cima para baixo e só depois de baixo para cima. Nas Apolo os homens vinham do céu, aqui são salvos das profundezas. Nas Apolo tratava-se de os fazer descer com segurança, agora o problema foi fazê-los subir.

Existem outras semelhanças: ao verem a Terra do espaço, um ponto pequeno a milhares de quilómetros de distância, os vários astronautas fizeram sempre notar que do espaço não se percebem as divisões entre os seres humanos. Vistos de longe não pensamos nos terrestres como americanos, soviéticos ou chineses... Pensamos que somos a mesma família, pensamos na humanidade de todos os homens. É curioso como, à escala mundial, vivemos, no dia de hoje, um mesmo sentimento comovido de identificação com os mineiros. Os mineiros são todos os homens. A Aldeia Global mobiliza-se e interessa-se vivamente pelo destino destes homens - a CNN, a Sky, a al jazeera, a euro news, a rai, a tele 5, a tve, a globo, a sic, a rtp e a tvi, todo o mundo quer ver em directo o salvamento dos heróis. Todos vivemos a sua tragédia e a sua redenção.
E, embora o Chile queira fazer deste caso uma história de orgulho nacionalista - o que é natural - isto nada tem a ver com nacionalismo, mas, pelo contrário, com planetarismo, com cosmopolitismo, com internacionalismo.

É muito duvidoso que o Chile conseguisse, apenas com os seus meios, levar a cabo esta operação. O projecto de salvamento contou com equipas de especialistas de várias áreas oriundos de todo o mundo: há norte americanos envolvidos (e a NASA particularmente), alemães, japoneses, peruanos, austríacos, franceses, equipas de todo o lado que colaboraram em todas as áreas envolvidas um plano desta envergadura (engenharia, mecânica, minas, psicologia, medicina - dermatologia, ortopedia, oftalmologia, etc, etc, etc). A vitória dos mineiros é a vitória da humanidade. E, subitamente, as palavras dos astronautas que regressam da Lua ganham de novo sentido: não há aqui países, nem rivalidades; há apenas um mesmo sentimento que une os homens de todo o planeta em nome da mais profunda solidariedade: a solidariedade de todos os homens contra a morte.

Tudo isto faz-me pensar, ainda, n´A Peste, a obra prima de Albert Camus. Sitiados numa cidade isolada pelo vírus, os homens resistem como podem. Mas é também no meio daquela adversidade terrível que descobrem em si sentimentos que nem julgavam existir: a irmandade de todos os seres humanos perante a morte, inimigo comum. Não é o que vivemos aqui?
Esquecem-se os atritos e os conflitos, tudo o que é negativo desaparece por enquanto: há um mineiro que tem uma amante. E a esposa legítima espera-o em Campo Esperança sentada ao lado da amante. Não revelam ódios entre si. Naquele momento elas estão unidas pelo amor por um homem.

Há um boliviano entre os 32 chilenos e a Bolívia vive dias de tensão com o Chile. Mas o presidente boliviano está presente no Campo Esperança e agradece ao seu homólogo chileno por tudo o que fez para salvar o seu conterrâneo. E agradece, comovido, ao povo do Chile. É notável! Que espécie de magia se criou aqui para que as desavenças mais ou menos profundas se apaguem assim?

Curiosa expressão desse sentimento de solidariedade humana contra a morte: a cápsula de salvamento desce e sobe outra vez para fazer renascer aqueles que já estavam enterrados. Penso nos cemitérios e nas imagens terríveis dos caixões que descem às entranhas do sub solo para levarem para sempre aqueles que amamos. Mas agora é ao contrário: a Fénix é o contrário do caixão, a Fénix salva da morte, faz ocorrer o milagre da ressurreição e resgata a vida das profundezas. Estas imagens são poderosas, estão investidas de uma força poética completamente imprevista. Nunca o nome de Fénix foi tão apropriado.

11/10/10

Libertem os Buffets, Porra!, por Free Willy

O meu amigo Grunfo é um filósofo e eu já sabia disso. Ele é uma prova viva de que os grandes temas da filosofia, as questões intemporais que preocupam o homem há milhares de anos, continuam vivas e actuais. Por exemplo, a questão da liberdade, ou se se quiser, num esforço de up grade pós moderno, «serão os free buffets verdadeiramente livres?».

A este respeito o grunfo é defensor de um conceito de liberdade radical e absoluta nos buffets. Entende o meu amigo que quando um restaurante, como o brasileiro, apresenta numa placa os dizeres «buffet livre: só 5.99», isto significa que um marmanjo pode literalmente servir-se do que entender e só tem a pagar os ditos 5.99. O problema é que o empregado do tal brasileiro não é da mesma escola filosófica e quando viu o Grunfo a fazer pirâmides de comida encavalitadas no prato, tratou de avisar: ná, ná, a partir dos 700 gramas paga mais... O grunfo protestou, que liberdade é liberdade e que se o buffet só é livre até aos 700 gramas, então já não é liberadade coisa nenhuma. Mas tá escrito na placa, senhor, disse o funcionário, e o grunfo foi ver e era verdade, mas em letras miudinhas, sacanas do caraças, vão mas é roubar para a estrada, pago mas é a última vez. Isto é um restaurante jurídico, um gajo para entrar aqui só aompanhado de advogado. Ou de filósofo, digo eu...

No sábado como sempre encontrámo-nos no café do costume e o grunfo levantou a questão (é certo que ajudado por interposto amigo): e vocês, o que é para vocês um buffet livre? Dizia o grunfo que um restaurante que tem um entendimento correcto do que é a liberdade no buffet, não é o brasileiro, é o japonês. Aí sim, o buffet é livre, pagas 6 euros e comes o que queres e enches o prato à tua maneira.
Retorqui que não me parece porque, até mesmo aí, caro grunfo, a liberdade não é absoluta. Por exemplo, não podes encher dois pratos de comida, os 6 euros é só por um prato. Fora as bebidas, lembrou alguém. Lá está.

Depois de dois dias de discussão creio que chegámos, enfim, a um consenso filosófico: a liberdade nunca é absoluta, pelo menos, no caso dos buffets. É sempre limitada. Mesmo no caso mais radical do free buffet, modalidade all included, que faz parte dos pacotes de férias de alguns operadores turísticos, mesmo aí, há limites: quanto mais não seja a qualidade dos próprios géneros: temos bar aberto ok, mas o gin é manhoso... Isso significa uma falsa liberdade, já que não temos direito, de facto, a gin, mas a uma mistela com essa designação. E até mesmo o buffet all included precisa de parar, nenhum all included funciona a 100% vinte e quatro horas por dia. Em matéria de liberdade, meus amigos, não existem buffets livres.

Mas o Grunfo não está convencido e continua a dizer que se eles não existem, os buffets livres, temos que lutar para os libertarmos. Saibamos fazer real esse conceito ideal de liebrdade, façamos a nossa tomada da bastilha, a nossa revolução dos cravos, o ipiranga dos buffetes, mas não desistamos: libertem os bufftets!Juntemos a nossa à voz do grunfo. Free buffet forever!

Sartre disse que «o homem está condenado a ser livre», Toqueville discutiu a liberdade a propósito da América. O grunfo inaugurou um novo patamar e discute-a a propósito dos buffets. Quem sabe quando o veremos discutir a imortalidade da alma a propósito do bacalhau à zé do pipo, das rabanadas ou dos miúdos de leitão...

08/10/10

Metafísica de Barbearia, por Zidane

As conversas no barbeiro são um clássico. É praticamente imemorial, os barbeiros sempre se destacaram socialmente e não apenas pela sua excelsa habilidade na arte do rendilhado capilar - tempos houve em que faziam também de médicos de aldeia. Hoje tornaram-se, regra geral, verdadeiros psicanalistas sem divã, habituados a ouvir as biografias mais incríveis dos seus «pacientes». Mas, pessoalmente, nunca incentivei muito a conversa de barbearia. Geralmente prefiro passar por uma pessoa pacata e calada - que estou longe de ser - e deixar o sô João,adepto do sportem, fazer o seu trabalho em silêncio. A razão é simples: prefiro que ele esteja concentrado, não me agrada a ideia de distrair um tipo que tem uma navalha ou uma tesoura por perto do meu pescoço. Quanto mais não seja receio que a qualidade do corte não saia tão bem. Acho mesmo que é possível estabelecer uma espécie de lei universal das barbearias: quanto maior é o envolvimento do barbeiro na conversa, pior é o corte do cliente!

Mas hoje abri uma excepção. Não sei como, mas dei por mim a discutir o tema da corrupção na arbitragem. O sô João defendeu encarniçadamente que não há nem nunca houve neste país corrupção na arbitragem. Os árbitros são pessoas sérias, que diabo... Como eu não parasse de rir com a fé dele, para contrariar o meu cepticismo cínico, toca de dar o seguinte exemplo:

- Tenho aqui um cliente com anos de casa que foi árbitro a sério. E contou aqui que, uma vez que foi lá acima apitar um jogo, estava ele no quarto do hotel com os dois colegas bandeirinhas, batem-lhes à porta. Isto na véspera de apitarem o jogo com o tal clube. Eram três gajas brasileiras boas comó milho. O que é que um homem faz, tá a ver, han, os homens estão lá sossegadinhos e aparecem-lhes três brasileiras cada uma melhor que a outra... Comeram-nos, claro, e no fim perguntaram, educadamente, «quanto é?». Resposta das meninas: «não se preocupe que já está pago».

Pergunta-me o sô João «então isto é corrupção? isto não é ser corrupto, um homem tá sossegado a descansar no hotel, concentrado no jogo e tal e aparece-lhe a fruta. Não há como evitar e se no fim já está pago, pois melhor. O que é que isto tem a ver com corrupção?»

Perdi o pio. Discutir ética com o sô João não é, definitivamente, tarefa fácil. No fim nem me reconheci no espelho: o corte de cabelo ficou horrível!

07/10/10

Fui Pesquisar o Tapor e, sim, o Nobel Já aqui foi Referido:

Metalomecânica Literária, por Paracelso

Ainda a propósito de livrarias, na sequência daquele post ali em baixo do, o que mais me surpreende em algumas é a falta de conhecimento do ofício por parte dos empregados. Numa das Bertrand de Coimbra peço o Tia Júlia e o Escrevedor, do Mário Vargas Llosa. “Mário quê”, pergunta a empregada. – “Vargas Llosa… Llosa, Llosa…”, com dois lês, como aquele tango do Gardel, llorona, no llores maaaas… (bom, na realidade nunca me ocorre dizer estas coisas assim, na altura própria).

A senhora consultou o computador, e acabou por concluir que tal obra não existia nas bertrands de Coimbra, que são quatro. Aventou até a possibilidade de a coisa ter saído muito recentemente e entonces… Não é estranho um funcionário de livraria nunca ter ouvido sequer falar do tal Mário? É que o homem é uma celebridade; está para a literatura como o parafuso está para o mundo das ferragens e drogarias. Ora, quando vamos a uma loja de ferragens pedir parafusos, a última coisa que nos passa pela cabeça é que o empregado nos diga: “para… quê? fuso? não, ó amigo, desse material ainda não temos, sabe, é que as novidades tecnológicas às vezes demoram a chegar à loja, efeitos da interioridade”. Normalmente dirá: “ó meu amigo, parafusos há muitos, quer de fenda simples ou cruzada, para o de fenda simples tem que ter uma chave de fendas a condizer, e afinal o meu amigo quer o parafuso para que efeito, e não se esqueça das anilhas e porcas”, etc. E o mundo da literatura não é muito diferente do mundo da metalomecânica.

Imaginemos que chego a uma livraria e digo - ”ora viva, amigo Freitas, quero levar que ler na praia, estou inclinado para o Kafka”. Pois o Freitas deve então responder qualquer coisa como isto: - “Ó meu amigo, Kafkas há muitos. quer o das novelas ou o dos diários? E se quer que lhe diga, se é para levar para a praia, não se meta nisso que dá mau resultado. Leve antes o Ovídio, que o bucolismo campestre é mais eficaz a temperaturas superiores a trinta e cinco graus”. – “E como aplico?” – “Olhe, o amigo abre o livro a meio e pega-o com a mão direita, assim ó, e com a mão esquerda pega numa gaiola com um grilinho. E depois senta-se numa esplanada na praia e pede um copo de água e um pão torrado com doce de abóbora. Em cinco minutos está rodeado por dez suecas de óculos redondos, garantido”.

Deviamos até poder levar os nossos livros para assistência técnica. - “Ó amigo Freitas, a métrica deste madrigal está incorrecta, ora veja, dez, dez, dez… nove! Li isto à minha namorada e ela rompeu o contrato de namoro, por erro técnico! Eu que sempre fui aqui bem servido, e agora isto…”. - “Tem o meu amigo muita razão, e não é o primeiro a queixar-se. Mas o defeito é de origem e a fábrica diz que já acabou essa linha de produção. Mas se quiser, tenho um primo que lhe arranja isso, mete-lhe mais uma sílaba no verso e a coisa fica perfeita, deixe cá e passe daqui a uma semana”. - “Mas tem a certeza que fica bem?”. - “Ó meu amigo, nem de propósito, tenho aqui um Ovídio arranjado para entrega. Olhe para esta qualidade, posso batê-lo aqui no balcão que a métrica não se desmancha. Garanto-lhe que nunca mais sai”. Mas pronto, ó meus amigos, o mundo nunca é como nós queremos.

05/10/10

O Público Citou o Tapor!

Blogues em papel
Longe de 82, mas está bem
http://tapornumporco.blogspot.com
(...) Os U2 que vi ontem já pouco
têm a ver com os jovens irlandeses
de 82. Mantêm a mesma
vitalidade, mas o espectáculo é
outro, uma espécie de celebração
religiosa dos mega hits que o
grupo foi editando ao longo de
décadas de carreira. Em muitas
músicas, Bono nem precisa de
cantar, o público está lá para
isso, para as palminhas colectivas
e para os coros dirigidos pelo
maestro Bono. Aquilo é um ritual.
Os U2 já não dependem tanto da
música como em 82.
Mas tudo isto é natural. Os tempos
são outros, a banda tornou-se a
segunda maior do planeta (a seguir
aos velhos Stones). (...)

In Público de 4 de Outubro

03/10/10

360 graus, Coimbra, por Numb

E prontos: os U2 lá tocaram ontem no meu quintal! Tocaram é como quem diz... O espectáculo que apresentam não pode ser visto como estritamente musical: é um espectáculo multi média high tech em que a música é uma componente (fundamental, claro!), mas não a única. Montar um espectáculo destes envolve coisas tão diferentes como a engenharia e a arquitectura (a solução do palco a meio do relvado como uma enorme ilha cercada pelo mar revolto da multidão, a forma da garra, a alusão à nave espacial), luz, cor, som, performance, etc, etc. Vai longe o Verão de 1982 quando vi estes mesmos U2 em Vilar de Mouros, à data uma pequena banda irlandesa que despontava, dois discos gravados, apenas um (Boy) editado em Portugal. Lembro-me que eles cairam cá por acaso, para substituírem um grupo que falhou à última hora - já não me lembro do nome desse grupo mas nunca mais perdi os U2 de vista, já então me pareceram uma super banda com uma energia fantástica. Nessa altura apenas tinham essa energia e uma música do outro mundo. Fiquei impressionado com aquele guitarrista, The Edge, que tanto tirava sons planantes da guitarra como riffs distorcidos e com a vitalidade do vocalista, Bono Vox que, nesse concerto, para desespero da segurança resolveu escalar as colunas do palco até ao cimo. Nesse concerto Bono fez um número que repetiu ontem: sacou uma fã para o palco e pôs-se a dançar com ela. Resulta sempre, a malta fica em delírio...

Os U2 que vi ontem já pouco têm a ver com os jovens irlandeses de 82. Mantêm a mesma vitalidade, mas o espectáculo é outro, uma espécie de celebração religiosa dos mega hits que o grupo foi editando eo longo de décadas de carreira. Em muitas músicas Bono nem precisa de cantar, o público está lá para isso, para as palminhas colectivas e para os coros dirigidos pelo maestro Bono. Aquilo é um ritual. Os U2 já não dependem tanto da música como em 82.

Mas tudo isto é natural. Os tempos são outros, a banda tornou-se a segunda maior do planeta (a seguir aos velhos Stones), eu sabia perfeitamente que o formato é agora este.

O concerto abriu com Beatiful Day, depois de uma introdução gravada a anunciar o clima sideral do concerto com Space Odity de David Bowie. Seguiram-se, por esta ordem, I will follow (um regresso ao concerto de 82 e um dos momentos da noite), get on your boots, magnificence e depois perdi-lhes a conta. Sei que tocaram elevation, i still haven`t found what i`m looking for, she moves (in misterious way), where the streets have no name (outra grande execução numa colagem a uma balada que tocaram antes), sunday bloody sunday, city of blinding lights (outro grande momento, o culminar dos efeitos especiais) vertigo (fantástico), miss sarajevo (fabuloso com Bono a fazer de Pavarotti nas partes em italiano), moment of surrender, i go grazy, one, walk on, e fecharam com with or without you. Pelo meio tocaram mais umas músicas cujo nome não sei.

De fora ficaram algumas das minhas preferidas mas ficariam sempre fosse o que fosse que eles tocassem. Mas tive pena de não ouvir pride, zoostation, zooropa, numb, gloria,lemon, gloria, bad, baby face... Mas reconheço-lhes o mérito de não fazerem do concerto uma parada de hits. Nem isso seria coerente com a postura da banda.

Do que não gostei mesmo foi do volume de som nas músicas mais rápidas e conhecidas. Acho que nessas músicas eles abusaram da potência e o resultado foi um efeito de barragem sonora em que não dá para reconhecer os diferentes instrumentos. É estranho que a guitarra do the edge surja compactada numa massa sonora indistinta. Os riffs de vertigo, de get on your boots ou de beatiful day mal se reconheciam no meio daquela amálgama sonora, quando deviam perceber-se claramente. Acho que nestas músicas o excesso de volume tirou energia quando era suposto produzi-la.

Quanto ao palco, a famosa garra de 360 graus é uma grande ideia. No início pareceu-me não resultar muito bem porque se perdiam os efeitos de fundo que existem nos palcos tradicionais. Mas depois percebeu-se que isso foi apenas uma opção na primeira parte do concerto. A partir da segunda série de músicas, a «nave espacial» foi ligada e somos esmagados com toda a panóplia de efeitos especiais aguardados. Há uma declaração de um astronauta numa estação espacial, sunday bloody sunday é tocado num fundo verde (Irlanda), mas curiosamente, as imagens são de intifadas em países muçulmanos, aparecem imagens de apoio a Aung Suu Kiy e até o bispo Desmond Tutu aparece numa mensagem a dizer-nos que as pessoas que venceram com Luther King, com Mandela e outros contra os regimes despóticos, são sempre as mesmas e estão ali... somos nós ( e eu pensei que esta mensagem é irónica quando dirigida a um povo que vota duas vezes num tiranete e que, portanto, é um exemplo não só de amorfismo, mas de amorfismo masoquista. Não, não somos nós um bom exemplo de um povo que derruba farsantes).

Hoje os U2 voltam ao meu quintal e está a chover. Seria lamentável se o concerto fosse cancelado por esse motivo. Espero que não. O pior do concerto de ontem foi quando recebi um sms do meu amigo roberto que teve convite para a zona vip. Dizia: «as gambas não estão más». E eu apertadinho na relva, em luta desesperada por um cantinho conquistado à custa de muita cotovelada não tive outra hipótese que não fosse remeter-lhe um «pó caralho». Até nos U2 há classe sociais, fónix...

02/10/10

A Canalha


Como esta gente odeia, como espuma
por entre os dentes podres a sua baba
de tudo sujo nem sequer prazer!
Como se querem reles e mesquinhos,
piolhosos, fétidos e promíscuos
na sarna vergonhosa e pustulenta!
Como se rabialçam de importantes,
fingindo-se de vítimas, vestais,
piedosas prostitutas delicadas!
Como se querem torpes e venais
palhaços pagos da miséria rasca
de seus cafés, popós e brilhantinas!
Há que esmagar a DDT, penicilina
e pau pelos costados tal canalha
de coxos, vesgos, e ladrões e pulhas,
tratá-los como lixo de oito séculos
de um povo que merece melhor gente
para salvá-lo de si mesmo e de outrem.

Jorge de Sena, 7.12.71

01/10/10

Nome (para o) colectivo, por Cão


Estamos reféns de uma corja de bandalhos. Tenho outras maneiras de dizer o mesmo. Seguem-se elas. Já.

Somos um alfeire sequestrado por uma quadrilha. Vivemos como récua por conta de uma vara. Rebanho que teimamos em ser, trepa-nos pelas canelas uma ninhada ignóbil. Sabeis de que tropa vos falo, claro. De que malta. De que chusma. De que bando. De que choldra. De que ádua. De que matilha. De que ninhada. Claro que sabeis.

Mas sabeis também que aqueles de que vos falo, esmifrando-nos embora os bens, não lograrão nunca extirpar-nos a condição de pessoas de bem. Podem secar-nos o pão, interditar-nos o trabalho, molestar-nos a saúde, injustiçar-nos os direitos, analfabetizar-nos os filhos, corromperem-nos as famílias, emporcalhar-nos as ruas, evacuar-nos as aldeias, atoleimar-nos de bola, senhoradefátimar-nos as mentes, casamentogayzar-nos de pósmodernidades balofas, redbullzar-nos de avionetas para tolos pasmados de corneta no ar, tonycarreirar-nos até que zumbamos, relinchemos, zurremos, chasqueemos, pissitemos, cuculemos, grasnemos, cacarejemos, cucuriquemos, ronquemos, grugulejemos e regouguemos. Poder, podem. E vão continuar a poder enquanto permitirmos que possam. Só que há duas coisas: eles vão continuar bandalhos. E nós vamos continuar alfeire, que é o nome colectivo dos porcos de engorda.

E se isto não é grunhir com razão, não sei o que o seja.

VERGONHA, por Incrédulo

Assistimos a mais um descalabro grotesco perpetrado por esta gente sem princípios, sem valores, adepta dos “arranjinhos”, conhecida por surripiar os mais pobres e ser subserviente aos mais ricos. Este aumento de impostos, cumulativamente com o congelamento na progressão, corte nos salários, subida do preço de medicamentos essenciais, cortes nos direitos (e não benefícios) sociais, na segurança social… tudo isto com o beneplácito dos miguelitos deste mundo, que rosnam um palavreado baseado na ignorância cega (pior, que não quer ver).
Este bando, que andou nos últimos tempos a alardear incompetência, teimosia idiota e arrogância asinina, vem agora decretar, do alto da sua sandice, estas medidas desconexas, de acerto duvidoso.

Cobardemente, socorreu-se dum qualquer joguete da OCDE que veio, pateticamente, explicar o que se devia fazer (explique aqui aos burros, faça-lhes em desenho, use vaselina à vontade que nós encarregamo-nos do resto).

Estas medidas são mais do mesmo. Quem fica de fora? Proporcionalmente, que medidas foram tomadas relativamente à Banca? Aos offshores? Alguém se preocupa com a multiplicidade de Institutos que se atropelam para fazer…a mesma coisa (às vezes nada)? Que sinal foi dado pelos governantes? Precisamos de tantos deputados? De pagar ordenados principescos aos administradores (da RTP, por exemplo, que ganham três vezes mais que o Presidente da República)? E de ter cinco? A frota dos carros oficiais precisa de ser mudada (os portugueses vão passar a andar a pé…podia ser de burro, mas esses estão ocupados a fazer de conta que governam)? E as nomeações, a peso de ouro, que têm a particularidade de terem como sujeitos pessoas com nomes muito conhecidos da nossa vida pública? Se não sabem, se são incompetentes, se desconhecem a capacidade de pensar e reflectir (sim, é retórica, porque sabemos que é verdade), tenham, ao menos, VERGONHA.

29/09/10

Modernices Governamentais, por Zombie

Este naco de legislação pode ser interpretado como uma prova clara do nível de insanidade mental e autismo social atingidos pela triste gente que nos governa:

Documentação exigida aos pastores transumantes e a entregar quese exclusivamente pela net:

«Para a instrução do licenciamento da área de pasto, cada produtor tem de entregar um formulário com descrição exaustiva da actividade e da exploração pecuária, a caracterização da Parcela Valorização Agrícola (gestão dos efluentes pecuários), uma Declaração de Responsabilidade Sanitária, uma Declaração de Responsabilidade pelos Animais e uma Declaração do Produtor (do proprietário da exploração onde se localizam os pastos). (…) Além destes documentos, cada o pastor está também obrigado a manter um registo de existências e deslocações, actualizado semanalmente, e onde devem constar, entre outros elementos, uma planta em escala não inferior a 1:25.000, indicando a localização das instalações da actividade pecuária e abrangendo um raio de um quilómetro, com a indicação da zona de protecção e da localização de outras edificações envolventes.»
(extraído, com a devida vénia, daqui http://blasfemias.net/)

28/09/10

Meu sonho é morar numa favela, por Mau


Eu estou em casa.

Minha casa é a rua, é o Rio. A cama? A cama é isso aí... o chão. Toda a noite eu durmo ali, naquele degrau à saída do metro. Quando chove, como hoje, chego-me para aquele parapeito só para não apanhar tanta chuva. Não há lugares abrigados aqui no Flamengo. Quando chove o melhor é conhecer bem o lugar, para não apanhar um daqueles sítios em que a água se acumula.

Não tenho nada neste mundo. Só a roupa que tenho vestida, o meu corpo e a manta que fiz com os retalhos dos panos que encontrava no lixo. O lixo ainda é a minha sorte: todos os dias me levanto e vou remexer os caixotes em busca de latas velhas. 'Cê sabe que por cada kg de latas lhe dão 2 reais [86 cêntimos]? Bom negócio para quem vive na rua...

Família e amigos? Família nunca tive. Meus pais me abandonaram em pequeno nas ruas. Nunca os conheci. Amigos tinha lá na Rocinha [Favela]... uns foram mortos, outros estão presos, outros afastaram-se. Sabe que há coisas mais importantes que a amizade [mostra-me as mãos cheias de cicatrizes, como se tivessem sido trespassadas por um prego bem grosso].

Sabe o que é isso? É o maior erro da minha vida. Vivia eu na Rocinha e decidi roubar um turista que lá ia. Tinha fome. Ele tinha ido com máquina fotográfica para a Favela. Uma máquina daquelas dá-te comida para o mês inteiro, talvez para o ano. O papel do turista é não mostrar a riqueza. Se ele não cumpre o seu papel tenho eu de cumprir o meu: quem pode criticar?

Acontece que os traficantes não querem má publicidade para a Favela, senão não têm quem se aventure para lá ir comprar droga. São eles que controlam tudo, são eles que sabem tudo. A lei da favela é a lei do traficante, nunca a da polícia. Apanharam-me e disseram:
"Mete as mãos uma em cima da outra. Sabes o que te acontece da próxima vez? Ficas sem elas, para aprenderes a não roubar. Desta vez seremos brandos... PUM!"

Sim, mandaram um tiro nas minhas mãos. Furou as duas... Nesse dia eu decidi fugir da Rocinha. Era perigoso para mim e para os meus amigos. Eles também não mais me procuraram. Não guardo mágoa: eu faria o mesmo.

E, cara, agora eu dou valor ao que tinha. Ser um cidadão, mesmo que da favela, é muito melhor que ser lixo. Na verdade é o que eu sou. Só tenho o mar para me lavar. A minha rotina é simples: acordo, vou dar um mergulho - quando estou em condições -, procuro latas nos caixotes e, ao fim do dia, conto o dinheiro que juntei. Nos dias bons consigo 2 kgs de latas. São 6 reais. Não dá para uma refeição - a mais barata custa 8 reais e ainda por cima ninguém quer um monte de lixo sentado numa mesa ou ao balcão: dá mau aspecto -, mas já dá para comer qualquer coisinha. Um desses espetinhos na rua custam 3 reais. É o que costumo comer...

Depois disso, à noite, vou buscar o crack e a maconha para poder vender. Faço sempre um bom negócio: ganho 10 reais por dia se conseguir vender todo o stock. Em troca dão-me a dose suficiente para mim.

Faz mal? Eu sei. Mas como quer que eu viva com 6 reais? E 6 é nos dias bons! As latas velhas não sustentam ninguém. Os 10 reais da droga já me dão para qualquer coisa. Muitas das vezes gasto-os a comprar-me droga a mim mesmo: quando não acabo de vender o stock compensa-me mais comprar o que falta, para poder ganhar o dinheiro no dia seguinte.

E quando a fome aperta, roubo. A fome e a "fome", claro. Só faz sentido um rapaz não ter vícios enquanto tem uma vida. Depois de ser lixo não há droga que o faça pior do que já é. Deixa-o fora de você, faz com que você esqueça as coisas e que adapte comportamentos que não teria de outra forma? E não é isso uma vantagem para um monte de lixo, pô? Quem se quer lembrar daquilo que é, de como age, daquilo que sente, se não é mais do que o "podre" que estraga as ruas do Rio e que tem de ser "varrido" para que se tirem as fotos para o cartão postal?

É uma vida de lixo. Não merece ser vivida. A droga fazer mal à saúde é a maior vantagem que vejo nela...

Bem, amigo, vou ter de ir procurar latas. Estas aqui não chegam sequer a meio quilo e já está quase na hora de almoço. Isto hoje está fraco. Provavelmente haverá um furto no Flamengo ao anoitecer...

27/09/10

Os U2 No Meu Quintal, por Numb

É já no próximo dia 2 de Outubro e eu vou lá estar. Os U2 vêm tocar ao meu quintal. O bilhete para um sítio excelente, caiu-me praticamente do céu, uma sobra de um amigo que não gosta o suficiente da banda para enfrentar uma multidão. Eu também confesso que acho que os U2 resvalaram há muito para um terreno pop que não traz nada de novo. Boas canções que ficam no ouvido, mas não passam disso, a banda há muito que deixou de ser original. E se despirmos aquela música do tratamento high-tech em que vem embrulhada, não sobra muito. Já lá vai o primitivismo da fase irlandesa, o experimentalismo noire de Brian Eno, vá lá, a energia megatron de Zooropa e Achtung Baby. Os U2, musicalmente, já não são o que eram. Mas ao vivo não deve haver no planeta um espectáculo tão sofisticado do ponto de vista tecnológico, efeitos especiais, som, luz... E, portanto, são imperdíveis ao vivo, ainda por cima vindo tocar à minha porta.

De qualquer modo, sejamos justos: apesar da sua deriva pop, o último No line on the horizon é um belíssimo disco. Não fossem as expectativas serem tão altas e, possivelmente, eu estava aqui a desfazer-me em elogios... Não acreditam? Get on your boots:

21/09/10

Bandalheira, por Coqueteil Molotov

Fixem bem o jovem da foto da primeira página do Expresso. Este jovem é um símbolo. Uma espécie de bandeira, um testemunho vivo e expressivo da ideia de educação do governo do ingenheiro socas. O jornal conta a a história de Tó-Jó (chamemos-lhe assim, nem sequer fixei o nome), o aluno com a média mais alta de todo o Secundário: 20-valores-20, é obra! Há só um pormenorzito: esta média foi conseguida mediante a frequência nas espantosas Novas Oportunidades e a aprovação num único exame (de inglês). Tó Jó obteve 20 valores no exame de Inglês e com 20 valores ficou de média final. Com esta média Tó Jó entrou no Curso Superior que fiz, deixando, obviamente atrás de si, muitos outros colegas que perdeream o seu tempo a fazer os estudos secundários no ensino regular. E é possível? É.Vivemos no país disparatado e obsceno inventado pelo ingenheiro socas e sus incríveis muchachos xuxas!

Não é obviamente, o Tó Jó que eu critico. Limitou-se, apenas, a aproveitar uma aberração do sistema e fez muito bem. O que critico é um governo que é autor de uma coisa tão aberrante e obscena como as Novas Oportunidades, que permite um escândalo destes. O Tó Jó, de resto, nem sequer é caso único: o caso dele apenas deu brado porque a média de vinte valores que conseguiu deu muito nas vistas. Mas sabe-se que existem centenas senão milhares de alunos que, como o tó jó, aproveitaram a abébia e passaram a perna aos totós dos seus colegas do ensino regular que andam a perder quatro anos (se a coisa correr bem) para fazerem, como deve ser, o 9º, o 10º, o 11º e o 12º anos. Repito: totós!

Se o governo do ingenheiro permite que se passe pela porta do cavalo, se é possível fazer um só exame (à escolha) em vez de uns quantos, se se podem gastar 2 anos quando outros gastam 4, se se aprendem com êxito garantido conteúdos da treta em vez de coisas que interessam, com que legitimidade andamos a convencer os nosso alunos a frequentarem o ensino regular em vez das NO? Não estamos a enganá-los? Os professores das nossas escolas secundárias deviam aconselhar os seus alunos a deixarem o ensino regular e a passarem para as NO. Queria ver. Não passam porque são totós é o que é.

Toda esta história daria vontade de rir às gargalhadas se não fosse tão grave. E é vergonhoso que responsáveis do Governo ainda venham defender que isto está bem, que isto é «discriminação positiva» (sic) (mas de quem e porquê?) e que é muito delicado «fazer só um exame porque pode correr mal» (sic)... Incrível até onde chega a falta de decoro na apologia da mediocridade, da incompetência e da irresponsabilidade! Parabéns ao tó jó e a todos os tó jós deste país que passaram a perna a dezenas senão a centenas de estudantes que não entraram nos cursos que pretendiam porque foram ultrapassados pela malta das Novas Oportunidades.

Para o estado de ficção em que este país vive ser total, só faltava agora que se viesse a descobrir que temos um primeiro ministro que tirou a licenciatura no Omo, num domingo de Agosto, com trabalhos feitos em casa,com um mesmo professor amigalhaço a 4 cadeiras numa universidade compulsivamente encerrada porque estava ligada a actividades dúbias. Se isso fosse possível era pelo menos compreensível o caso do tó jó. Compreenderíamos, assim, porque é que a concepção que o governo xuxa tem da educação não é mais que uma sórdida, vergonhosa e irresponsável BANDALHEIRA!