18/12/11

Coimbra Incrível, por S. Nicolau

O director da polícia municipal de coimbra enviou a vários funcionários um ficheiro com umas fotos com mulheres vistosas pouco vestidas e votos de «sexo incrível» para o ano novo. Posteriormente, após o chinfrim que se sucedeu na imprensa, alegou ter-se tratado de um falha técnica qualquer. Pode achar-se o envio de votos de «sexo incrível» uma coisa pouco natalícia, invulgar, inadequada ou, simplesmente, sincera.

Mas suspender o comandante por isto e abrir-lhe um processo disciplinar é de uma hipocrisia sem limites. Isto é coimbrinha, isto é vitoriano, isto é uma aberração completa! O presidente da câmara, João Paulo Barbosa de Melo, e a vereadora que tutela a PM justificam a sua decisão com o facto de a mensagem ter sido enviada para todos os funcionários, em horário de trabalho e através do e-mail de serviço!!! Santa hipocrisia! Vale tudo neste país e nesta cidade, onde todos os dias vemos e ouvimos coisas, essas sim, verdadeiramente pornográficas. Mas um simples desejo de sexo incrível chega para suspender um funcionário. Vamos longe, vamos e o que vale ao comandante da polícia municipal de coimbra é já não ser tempo do Santo Ofício - o homem ainda devia dar uma vistosa fogueira no famigerado Pátio da Lusa Atenas.

06/12/11

E Porque não as bifanas do Bigodes?, por Godo

O país, ou pelo menos a sua comunicação social, rejubila com o reconhecimento pela Unesco do fado Património Imaterial da Humanidade. Subitamente descobrem-se novos fadistas ao virar da esquina, o que até pode nem ser mau (depende dos fadistas). Mas pior, muito pior que a nova vaga de fadistas é a nova velha vaga de politicos e seus apêndices que se vêm agora orgulhar do meritório trabalho que tiveram para que a Unesco desse ao fado tão nobre título. Que seria do fado sem o António Costa, o inenarrável presidente da câmara de Lisboa, por exemplo? O homem toma-se pela própria Amália tão convencido está do seu imprescindível contributo para a causa. Pois eu tenho para mim que difícil, difícil seria que a Unesco não reconhecesse ao fado os seus indiscutíveis méritos. Era só que faltava.

Aliás, se analisarmos a lista das outras manifestações que foram reconhecidas como património imaterial da humanidade, concluímos, facilmente, que o fado está muito, mas mesmo muito acima da maioria delas. Mais: creio até que o fado, em tais companhias perde mais do que ganha, isto do ponto de vista estritamente cultural, que não comercial.

Eu não entendo, por exemplo, que a música mariachi do méxico seja minimamente comparável ao patamar estratosférico em que o fado se situa. Naquela lista da Unesco aparecem lá procissões não sei se da hungria se da república checa, práticas agrícolas do brasil e de áfrica e outras coisas que tais. Estão a brincar comigo? Fado e mariachis? O fado é património da humanidade como a música de Mozart e de Bach, como a bossa nova, como o tango, como o flamenco. Agora como os mariachis?

É por isso que eu acho que, do ponto de vista cultural o fado é aqui puxado para baixo e não para cima. E por isso não me espanta nada que já se esteja a preparar em Portugal a candidatura do, pasme-se, cante alentejano a Património Imaterial da Humanidade. A seguir virá o corridinho, o kuduro e ainda havemos de chegar a apresentar as candidaturas do bacalhau à zé do pipo ou da chanfana a património imaterial da humanidade. Bastaria um critério para distinguir o fado destas manifestações mais ou menos folclóricas: o fado (como o tango, a bossa nova ou a ópera) teve uma intérprete genial e imortal: a divina Amália! E sem um intérprete desta dimensão nenhuma manifestação cultural devia ser declarada património imaterial da humanidade.



05/12/11

O Nosso Fado, por Alfredo Rodrigues

- Pai, é verdade que corremos o risco de ter de sair do euro?
- È pois. Cada dia que passa, dizem os entendidos, há mais probabilidades.
- Mas se isso acontecer vamos perder montes de dinheiro, não é?
- Ah pois...
- Bolas... O que nos vale é o fado património da humanidade.
(Já nos estou a ver a pagar a conta do supermercado em discos do marceneiro e a receber o troco em singles da amália).

01/12/11

Coisas mesmo graves, por Unabomber


Esta ouvi-a eu e ninguém ma contou. Zapava alegremente quando apanho num canal um desses programas bolísticos onde três supostos experts ganham umas coroas a defenderem os seus clubes e a atacarem os rivais. Falava um tal de eduardo barroso (os barrosos são uma praga neste país e como são muitos eu confundo-os todos), médico já não sei de quê, que me habituei a apreciar pela patetice descomunal das suas intervenções:
- Sim é verdade que está mal incendiarem as bancadas do estádio da Luz, condeno estas atitudes e blá blá blá MAS... acontecerem coisas bem piores e ninguém fala delas, eu próprio vi no estádio um steward com um cachecol do Benfica!
Valha-me Deus... A patetice terá limites?

30/11/11

Jurassic Park, por T. Rex


- Pai, qual foi o primeiro filme que viste na tua vida?
- Humm, acho que a primeira vez que fui ao cinema fui ver um filme chamado «se meu fusca falasse».
- Ena... Mas não te lembras muito bem do filme, pois não? Por causa do dinossauro que estava sentado mesmo à tua frente...

22/11/11

Aparição, por Lantern

Em 1975 os Rolling Stones já eram a «melhor banda de rock do mundo» e as bichas para os seus concertos no Madison Square Garden davam voltas aos quarteirões nova iorquinos. A promoção desta tournée ficou na história do rock tanto como da publicidade. Os Stones decidiram cruzar a 5ª avenida num camião enquanto tocavam Brown Sugar. A ideia era genial - os Stones jogavam com a projecção galática que haviam atingido e criavam um efeito de êxtase ao descerem ao plano do comum mortal que passa , por acaso, na rua e depara-se com o mito. Nas entrevistas que então se fizeram aos transeuntes, as pessoas confessavam que ainda não acreditavam que os Stones tinham acabado de tocar Brown Sugar em plena 5ª avenida. E até houve um velhote que deplorou a cena e achou que deviam ter proibido aquilo. Felizmente ninguém lhe ligou.


21/11/11

Médicos Economistas, por Hipócrates

O João, 17 anos, teve o azar de se aleijar a jogar futebol. Levaram-no logo às urgências do hospital mais próximo onde foi visto pelo médico de serviço. Diagnóstico: perna fracturada em dois sítios. Mas, pese embora o facto do desgraçado do João se contorcer com dores, o senhor doutor mandou engessar-lhe a perna e vais para casa descansar que o seguro depois trata do resto e marca-te a operação. Quando? Quando calhar...

O João passou a pior semana da sua vida até que, finalmente, foi chamado para a tal operação, uma semana depois, uma demora inadmissível no caso de um dupla fractura de uma perna. O puto chegou a desmaiar de dores...

Conheci a mãe do João, uma pessoa humilde, e percebi que ninguém vai pedir responsabilidades áquele senhor doutor que decidiu que é razoável que uma pessoa com a perna fracturada em dois sítios não seja, imediatamente, operado de urgência. Concerteza que o ilustre clínico cumpriu zelozamente a sua missão de poupar dinheiro aos cofres do estado, encaminhando a operação para o seguro. Mas há aqui qualquer coisa que soa mal... O dever do médico é poupar dinheiro aos cofres do estado (mesmo que à custa da saúde do doente) ou zelar pela saúde do doente?

Se calhar sou eu que estou desactualizado acerca daquilo que é o novo perfil do médico nos dias que correm... Possivelmente os curriculos dos cursos de medicina já incluem cadeiras como Finanças I e Contabilidade II ao lado das Ortopedias, Biologias e Pneumologias. A julgar pela amostra, se não incluem deviam incluir. E por este andar, qualquer dia ainda chegamos a um hospital e em vez de sermos atendidos por um médico somos atendidos por um economista. Já faltou mais...

14/11/11

All together now, por Azul Malvado

Gosto da última campanha promocional da Optimus a partir da música All Together Now dos Beatles. A música soa como um belíssimo jingle publicitário, embora faça alguma impressão verificar que, desaparecidos os dois Beatles mais sérios (Lennon e Harrison) os dois mais fúteis (MCartney e Ringo Starr) tenham começado a vender ao desbarato os direitos das músicas (este não é caso único). Não creio que nem Lennon nem Harrison aprovassem, mas seja como for All Together Now deve ser o melhor jingle da história da publicidade.

A campanha entrou numa segunda fase, dos duetos improváveis, um desenvolvimento da ideia do all together: Rui Reininho e quim barreiros, manel joão vieira e mónica ferraz, mind da gap e avô cantigas e, o melhor de todos do ponto de vista estritamente musical, a fadista carminho e os metálicos moonspell. Mas fica o do Manel João pela qualidade do monólogo...

08/11/11

Futebol de Salão, por Yaúca

Um rapazelho de longas tranças coloridas que fariam a inveja de qualquer trabalhadora de estrada nacional, jogador de bola do sporting de Braga,veio fazer queixinhas ao mundo porque terá, alegadamente, sido vítima de nefanda agressão verbal do benfiquista Xavi Garcia. «Preto de merda», eis o teor do inqualificável insulto, dito no contexto de um jogo de futebol que não é propriamente uma sessão de vernissage.

Nem vou discutir se o espanhol chamou ou não «preto» ao rapazola das tranças coloridas. O que acho é que estas leis politicamente correctas exageram e não é pouco na punição a este tipo de agressão. Não é bonito chamar preto a um preto, nem gordo a um gordo, nem careca a um careca. Mas também não vejo nenhuma razão para que esse insulto seja considerado mais soez que outro insulto qualquer. Se um jogador chamou a outro ladrão, cabrão e filho da puta, está tudo bem. Mas preto não se pode... Se o indivíduo for careca e se lhe chamarem careca de merda tá bem. Mas amarelo de merda já tá mal? Não entendo...

01/11/11

O Pensador Pensou Demais, por Tupiniquim

Ontem o Gabriel veio à Latada aqui em Coimbra. O concerto foi bom mas teve coisas completamente escusadas. Por exemplo, eu nunca tinha visto antes um músico a desfazer, enquanto não estava a tocar, aquilo que tinha conseguido quando estava a tocar. Eu explico: em certas músicas o homem conseguiu atingir climas bastante interessantes. Mas depois, no intervalo de cada música, o Pensador falava durante cinco minutos de como é bom estar no país irmão e na académica e na mística de coimbra... Foi uma espécie de back to reality permanente, uma espécie de corrente que nos impedia de ascender aos cumes emocionais que a música, aqui e ali, conseguia criar.

Pessoalmente também achei muito exagerada a exploração dos mitos academistas: o homem entrou em palco em fato académico, vestiu uma camisola da AAC, uivou o famigerado «coimbra tem mais encanto» e ainda tivemos que gramar com um tal de Diogo que terá sido jogador da Briosa em tempos idos. Eu sei que o Mick Jagger se embrulha à bandeira da argentina em buenos aires e que entra em palco em L.A. com um equipamento de futebol americano, mas esses são símbolos mais poderosos. Os símbolos da AAC não têm aquela carga, são um bocado pífios, pelo menos quando explorados tão exageradamente. Eu, pelo menos, fico sempre com a noção daquela coimbrinha muito pequenina a cantar os mesmos eternos clichés como um cão que morde o próprio rabo (ou então isto é uma característica minha que me arrepio até com a parolice dos hinos nacionais cantados nos estádios da bola).

Finalmente, do ponto de vista estritamente musical, notei a falta das teclas no show. Perdeu-se, assim, a componente melódica da música de Gabriel e aquilo ficou só ritmo. O que funciona bem quando se trata de um rap (excelente aquele efeito Limp Biskit dos dois cantores da banda, um deles irmão do próprio Gabriel) ou de um reggae mas fica sempre um sabor a «falta alguma coisa» noutro género de músicas. Pelo meio ainda assisti a uma ou duas cenas de porrada e aos clássicos nocautes de miúdas que não aguentam o álcool (e as drogas) tanto como gostariam.

31/10/11

Dicionário do Mofino: adúltero, por Mofino

Adúltero, adj. Pluralmente fiel; da definição precedente se infere que o corno é aquele que partilha com outrem a fidelidade do seu cônjuge. Jules Renard estranhava que este pequeno nome, corno, não tivesse feminino, parecendo sonegar o equânime princípio da paridade dos géneros gramaticais, vindicado pelos feminismos, e fazer deste retorcido vocábulo um género assexuado e embolado. Javier Marias definiu vividamente a fidelidade como a constância e a exclusividade com que um determinado sexo penetra ou é penetrado por outro igualmente determinado, ou se abstém de ser penetrado ou de penetrar noutros, mas a definição é demasiado visual e fescenina; a condição do adulto.


(extraído, com a devida vénia, daqui: http://dromofilo.blogspot.com/ )

30/10/11

Leitor Sofre!, por Masoch

Estou a ler uma obra prima da literatura universal - o grande D. Quixote de la Mancha do imortal Cervantes. Como grande literatura que é, o livro coloca ao leitor as dificuldades próprias dos desafios que nos fazem crescer. Mas essas são bem vindas, essas são, aliás, a razão de ser do gosto mais profundo pela literatura. Difícil, difícil nem sequer é suportar os erros de tradução, nem sequer as gralhas. O maior problema - e este desagradável, quase insuportável - é conseguir ler as minúsculas letras de tamanho 6 ou 7 da edição que cá tenho em casa! A melhor prova de que D. Quixote de la Mancha é um grande livro é que, nem mesmo assim, eu paro de o ler.

11/10/11

Parabéns, Pedro!

Pedro Rosa Mendes ganhou o prémio PEN Clube na categoria Narrativa (e já é a segunda vez que ganha um PEn Clube). É bom que um dos melhores novos escritores portugueses seja reconhecido numa altura em que por aí passa tanto gato por lebre. O romance "Peregrinação de Enmanuel Jhesus" (Dom Quixote, 2010) é um reencontro do escritor de mundos consigo próprio. Pedro destacou-se logo com o seu primeiro livro - o excelente Baía dos Tigres que também é o seu melhor (mas eu já lhe conhecia um outro trabalho excelente que mereceria honras de uma reedição: o Café Brasileira de Braga, não me recordo se é este o título exacto). Depois de Baía dos Tigres, PRM perdeu-se em pouco em algumas experiências de co-autoria em que, do meu ponto de vista, deu mais a ganhar do que ganhou. Agora voltou de novo. Parabéns, Pedro!

10/10/11

Harry Reems, Ode A Um Herói Desconhecido, por Herb Streicher

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Conhecem o homem da foto? Não? Pois, já sabia que não! E isso é grave, muito grave, porque todos nós devemos muito a este homem. Este homem é um herói. Este homem é Harry Reems, o que, até aposto, continua a não lhes dizer nada. Grave, muito grave, mesmo!

Harry Reems é um Resistente. Foi à luta e acabou por se lixar, como mexilhão. Como se vê na foto. Foi preso, condenado a 5 anos de prisão e obrigado a desencadear uma das maiores batalhas legais das Américas. Arruinou-se, deu em bêbado, mas nunca desistiu da sua luta. E tudo isto para que todos nós possamos hoje ver filmes libertários e libertinos em plena liberdade. Reems foi um lutador e um mártir. Foi condenado a 5 anos de prisão maior em nome de todos nós. Um segundo Jesus Cristo. Sacrificou-se por nós. Amén.

Para que se saiba e ajoelhe, Harry Reems é o homem que contracenou com a Linda Boreman no Garganta Funda. Não a conseguiu fazer engasgar, mas engasgou-se ele com avalanche moralista que procurou combater o filme que alcançou a sua condenação por conduta obscena a 5 anos de prisão maior.

O engraçado da questão é que a grande protagonista do Garganta Funda é a Linda Lovelace e as suas habilidades de garganta. Mas quem se lixou foi o mexilhão, o pobre do Harry. É claro que, para a horda defensora da moral e dos bons costumes, era impensável prender a cachopa, embora o número de circo passasse por ela e quase só por ela. Só que prendê-la a ela, era um bocado como prender o Leão e deixar seguir o Domador. O Leão continuou a rugir com força e o homem do pingalim passou a ver o sol aos quadradinhos. O circo seguiu em frente mas com pingalins diferentes. A horda de selvagens que perseguiu e condenou o artista, correu em massa a todas as salas onde o circo se instalou. Foi a primeira vez que um actor de cinema foi preso por causa da distribuição de um filme. Tá bem que chamar actor ao Harry é um bocado forçado, mas porra, que o homem era esforçado lá isso era.

Harry Reems nem sequer soube o que lhe aconteceu. Por isso tem mais valor ainda o seu apostolado anónimo. Harry era um mero assistente de produção no Garganta Funda, mas naquele dia o actor principal sumiu-se. E aí chamaram o bom do Harry, pagaram-lhe uns míseros dólares para o fazer entrar na jaula, desapertaram-lhe a braguilha e o homem afundou-se naquela garganta sem fundo. Quando deu por si e voltou à tona, já estava com a mona na pildra. Cá fora o Garganta Funda prosseguia a sua cavalgada triunfal. Harry Reems merece um busto em cada cinema e em cada clube de vídeo deste planeta. Harry Reems e o seu bigode farfalhudo mereciam um poster de face sombreada a olhar o futuro em cada quarto de adolescente, à la Che Guevara. Viva Harry Reems! Um lutador da Liberdade!

04/10/11

maRio Testino RJ



O Rio já é o que é. Mario Testino, o célebre fotógrafo de moda peruano, fotografou-o assim num álbum de 2010 para Taschen. Podem vê-lo aqui:
http://www.taschen.com/lookinside/05732/index.htm