12/01/12

Declaração de Pedreirada, Já!, por Talocha

Mais uma vez (para aí a centésima só nos últimos anos) veio a público um episódio revelador da intolerável promiscuidade entre a maçonaria e a política. Nem sequer espanta. Espantoso sim é que a habitual tropa de pseudo-veneráveis figuras maçónicas venha, mais uma vez, defender o indefensável sem, pelo menos, corar de vergonha. Mário soares, o poeta alegre, o grão arnaut e mais uma catrefada de impolutos maçons, sempre que rebenta mais um escândalo, lá aparecem nos media para proclamarem a sua justa indignação. A liberdade, a igualdade, a fraternidade, os nobres ideias da irmandade, blá, blá, blá... Poupem-nos: a actual maçonaria (ou maçonarias, tantas as lojas existentes) faria o próprio Mozart aderir à Opus Dei.

E porque razão há-de esta gente teimar no secretismo? Ainda se vivêssemos em ditadura.... Mas não são alguns destes pseudo-veneráveis senhores, alegadamente, os próprios fundadores da democracia portuguesa? É este o entendimento que têm da «sociedade transparente»? Entendamo-nos: não se pode defender a transparência da democracia à segunda para, à terça e à quarta, vir bater-se pela legitimidade de lobbies secretos. De resto é, para mim, muito claro porque é que esta gente teima no secretismo: precisamente para que não possamos traçar o mapa negro da sua influência. Devia ser lindo se pudéssemos comprovar publicamente a geografia dos negócios, das nomeações e das influências. Chegaríamos à conclusão de que a maçonaria é um verdadeiro estado dentro do estado, o que aliás já se sabe mesmo mantendo-se o secretismo da coisa.

Afinal estes senhores são lerdos ou fazem-se? Mas quais ideiais? Aquilo não passa de uma organização secreta destinada à prática do tráfico de influência. Aquilo serve para impor sobre o mérito a cunha e a influência oculta(porque é que entre dois professores universitários aquele que consegue ser catedrático é, precisamente, o mais incompetente? Porque usa avental). Aquilo serve para negociatas. Aquilo serve para distribuir benesses e poderes pelos «irmãos», aquilo é uma forma de exercício de poder oculto intolerável em democracia. Não que a maçonaria devesse ser proibida, claro que não. Mas é o mínimo dos mínimos que os seus membros sejam obrigados a fazer uma declaração de pertença ao lobbie sempre que sejam candidatos a cargos públicos de relevo.

Têm direito à privacidade? Mas isto não é privacidade nenhuma. É lobbing. Mais direito temos nós, como cidadãos de conhecer as dependências e fidelidades políticas e interesseiras daqueles que é suposto elegermos. É que isto já nem se pode debater, sequer, no estrito plano dos princípios. Não. A proliferação de escândalos, muitos do foro criminal, foi tanta nos últimos anos que o caso já se tornou uma exigência de sanidade pública. Se mais evidências do carácter nefando e pouco respeitável da coisa não houvesse, uma bastaria: as acusações que as diferentes lojas e dissidências da seita troca entre si. Se são os próprios «irmãos» a vilipendiarem-se uns aos outros, como podem os pseudo-veneráveis do costume vir convencer-nos da inanidade da maçonaria? Como podem convencer-se a si próprios?

10/01/12

O Deus da Carnificina, por Antropófago

Ontem fui ao cinema. Mas não vou falar do filme. Este post é mesmo sobre a minha ida ao cinema e não sobre o último excelente filme de Roman Polanski, o notável O Deus da Carnificina.

Segundo informação oficial o filme começa às 21 20. Como já conheço os hábitos da casa cheguei às 21 15 à bilheteira. A bicha não era muito grande, despachar-se-ia facilmente em dois minutos se fosse realmente uma simples fila para comprar bilhetes. Mas não. Acontece que aquilo é, na verdade, uma bicha do Só Peso disfarçada de bicha para o cinema. Raramente aparece um cliente que deseje comprar apenas um bilhete de cinema – a maior parte compra baldes de coca-colas, barris de picocas com manteiga, açúcar, sal e frutos secos. Há até menus especiais como nos restaurantes de fast food. À minha frente um casal de gordos descomunais pagou vinte e tal euros para se empaturrar de porcarias. Podiam ter ido ao Porcão, mas preferiram o cinema…

Enfim, depois de várias pesagens de comida e de perguntas cinéfilas do estilo «deseja as pipocas com sal ou com açúcar?» lá chegou a minha vez. Disse que só queria um bilhete para O Deus da Carnificina e o empregado pareceu ter visto um e-tê. E não deseja mais nada? Um bacalhau à Zé do pipo, apeteceu-me dizer-lhe. Mas respondi que só queria o bilhete. São 6.60 eur. Fónix! 6.60 eur para ir ao cinema? Depois admiram-se dum gajo sacar os filmes todos da net…

Entretanto eu tinha ficado a pensar que estava tramado com a multidão de mastigantes que se preparava para a sessão das 21 20. Já estava arrependido de ter saído de casa porque não me agrada nada a expectativa de ir partilhar uma exígua sala de cinema durante uma hora e meia com um exército de comilões a sorver pipocas e refrigerantes. Mas vá lá, tive sorte, a sala de O Deus da Carnificina tinha só meia dúzia de curiosos. Percebi que fora salvo pela Bruna Surfistinha, o filme que estava em exibição na sala do lado. A maior parte do exército grunho tinha ido ver a Bruna. Com pipocas, cerveja em lata e manteiga de amendoim, claro.

No início do filme ouvi este excelente diálogo entre um jovem casal que ficou na fila detrás:

Ela– Carnificina? Mas o que é que quer dizer carnificina? (depreendi que há gente que vai ao cinema sem sequer saber o título do filme que vai ver. Podia ser o Senhor das Moscas, o West Side Story, outra coisa qualquer. Mas não, por acaso era o Deus da Carnificna, que palavra tão esquisita).

Ele – Carnificina… é… bem… Como é que te hei-de explicar? (sim, como? Este rapaz é sem dúvida um intelectual para dominar assim uma palavra tão complexa, um conceito tão elaborado, tão sofisticado que se torna difícil de traduzir para mentes mais simples. Ora deixa-me ver…)

Ela – Em inglês é carnage, diz ali…

Ele – Pois, é isso, carnificina deve ter a ver com carnívoro, tem a ver com os carnívoros (quererá ele dizer canibais? Pensaria que ia assistir a qualquer coisa semelhante ao mítico Holocausto Canibal? Pode ser…)

Mas vá lá. Não eram dos piores, pelo menos não estavam de balde de comida e de barril de cola nas mãos.

O Deus da Carnificina que devia ter começado às 21 20, começou, como é hábito, vinte minutos depois, às 21 40. Nada de novo. Pior foi o intervalo abrupto, um corte completamente arbitrário a meio do filme, para que o pessoal se vá abastecer com mais comida. Percebe-se. Tudo é feito de modo a conseguir o máximo de lucro. E quantos mais intervalos, mais baldes de pipocas vendidos.

E foi assim. A minha ida ao cinema acabou por ter interesse sociológico, senti-me uma espécie de Richard Attenborough em missão de reconhecimento de uma estranha espécie de animais de hábitos raros que, pelos vistos, se reproduz no escuro das pequenas salas de cinema. Aguardo agora, ansiosamente, a estreia do próximo filme de Jean-Luc Godard que não quero perder – possivelmente já irei vê-lo ao Porco ao Peso. Nada como um bom rodísio de carne de bísaro para apreciar devidamente a Nouvelle Vague .

09/01/12

Esplanadas com Paredes de Vidro, por Homem Invísivel


Isto chateia-me! Um passeio público que, em teoria, é um espaço colectivo ocupado por uma esplanada... O simples facto de se ocupar o passeio com umas mesas e umas cadeiras já é , só por si, irritante. Mas que dizer quando os proprietários se acham no direito - com a vergonhosa complacência das entidades «responsáveis» - de fazer verdadeiros edifícios que só eufemisticamente podem ser declarados esplanadas? Isto, meus senhores não são esplanadas! São edifícios com paredes e tectos construídos em passeios públicos que são de todos nós. E só aparentemente estas paredes são de vidro - a mim parecem-me mesmo muito opacas, de tal modo me intriga como é que uma suposta autoridade responsável autoriza barbaridades semelhantes a estas.

Pics - dois exemplos eloquentes: a esplanada do restaurante caçarola na Figueira da Foz que nos obriga a contornar o passeio e uma das muitas casas de vidro no Porto em frente ao café piolho.

08/01/12

Servidão Humana de W. Somerseth Maugham, por Adérito Bondage

Um grande livro! Maugham no seu ponto mais alto. Foi um dos melhores livros que li este ano de 2011, eu que resistia tanto a Maugham... Mas o escritor inglês foi-se entranhando indelevelmente até que, por fim, eu já não podia passar sem este livro. Apesar da sua escrita cristalina, há um lado dark em Somerseth Maugham, nos seus personagens, nos seus enredos. Este livro é o melhor exemplo e é esse lado sombra, esse jogo de entre linhas da sua escrita que me fascinou em Servidão. Também é verdade que essa dualidade está mais presente aqui do que em qualquer outro livro do autor. Outros livros de Maugham não passam de banalidades bem escritas, precisamente, pela falta desta espécie de esquizofrenia literária.

23/12/11

Monika e O Desejo de Ingmar Bergman (1953), por Monteiro

Bergman joga aqui com a força da natureza bruta, perigosa e irracional, simbolizada por Monika por oposição à tendência de domesticação social, representada por Henrik, o seu noivo - princípio do prazer versus princípio da realidade (Freud).N A personagem de Monika tem também qualquer coisa de Nietzschiano – o filósofo alemão também via a mulher como símbolo desta dimensão telúrica e selvagem (tema retomado, com brilhantismo por outro cineasta nórdico, Lars Von Trier, em o Anti.Cristo). O jovem é seduzido por Monika e abandona toda a sua vida (trabalho, família, etc) para fugir com ela num barco e viver uma paixão que dura o tempo do verão.

Mas Monika engravida e eles acabam por voltar à cidade. Contudo, neste regresso à «vida real», Monika nunca se adapta às exigências da vida social e familiar e acaba por trair Henrik. A sua natureza indomável acaba por vencer. Monika é muito mais que uma história simples acerca dos encontros e desencontros entre um jovem casal – tem uma carga metafórica intensa e é uma reflexão sobre as tensões mais profundas do ser humano.

18/12/11

Coimbra Incrível, por S. Nicolau

O director da polícia municipal de coimbra enviou a vários funcionários um ficheiro com umas fotos com mulheres vistosas pouco vestidas e votos de «sexo incrível» para o ano novo. Posteriormente, após o chinfrim que se sucedeu na imprensa, alegou ter-se tratado de um falha técnica qualquer. Pode achar-se o envio de votos de «sexo incrível» uma coisa pouco natalícia, invulgar, inadequada ou, simplesmente, sincera.

Mas suspender o comandante por isto e abrir-lhe um processo disciplinar é de uma hipocrisia sem limites. Isto é coimbrinha, isto é vitoriano, isto é uma aberração completa! O presidente da câmara, João Paulo Barbosa de Melo, e a vereadora que tutela a PM justificam a sua decisão com o facto de a mensagem ter sido enviada para todos os funcionários, em horário de trabalho e através do e-mail de serviço!!! Santa hipocrisia! Vale tudo neste país e nesta cidade, onde todos os dias vemos e ouvimos coisas, essas sim, verdadeiramente pornográficas. Mas um simples desejo de sexo incrível chega para suspender um funcionário. Vamos longe, vamos e o que vale ao comandante da polícia municipal de coimbra é já não ser tempo do Santo Ofício - o homem ainda devia dar uma vistosa fogueira no famigerado Pátio da Lusa Atenas.

06/12/11

E Porque não as bifanas do Bigodes?, por Godo

O país, ou pelo menos a sua comunicação social, rejubila com o reconhecimento pela Unesco do fado Património Imaterial da Humanidade. Subitamente descobrem-se novos fadistas ao virar da esquina, o que até pode nem ser mau (depende dos fadistas). Mas pior, muito pior que a nova vaga de fadistas é a nova velha vaga de politicos e seus apêndices que se vêm agora orgulhar do meritório trabalho que tiveram para que a Unesco desse ao fado tão nobre título. Que seria do fado sem o António Costa, o inenarrável presidente da câmara de Lisboa, por exemplo? O homem toma-se pela própria Amália tão convencido está do seu imprescindível contributo para a causa. Pois eu tenho para mim que difícil, difícil seria que a Unesco não reconhecesse ao fado os seus indiscutíveis méritos. Era só que faltava.

Aliás, se analisarmos a lista das outras manifestações que foram reconhecidas como património imaterial da humanidade, concluímos, facilmente, que o fado está muito, mas mesmo muito acima da maioria delas. Mais: creio até que o fado, em tais companhias perde mais do que ganha, isto do ponto de vista estritamente cultural, que não comercial.

Eu não entendo, por exemplo, que a música mariachi do méxico seja minimamente comparável ao patamar estratosférico em que o fado se situa. Naquela lista da Unesco aparecem lá procissões não sei se da hungria se da república checa, práticas agrícolas do brasil e de áfrica e outras coisas que tais. Estão a brincar comigo? Fado e mariachis? O fado é património da humanidade como a música de Mozart e de Bach, como a bossa nova, como o tango, como o flamenco. Agora como os mariachis?

É por isso que eu acho que, do ponto de vista cultural o fado é aqui puxado para baixo e não para cima. E por isso não me espanta nada que já se esteja a preparar em Portugal a candidatura do, pasme-se, cante alentejano a Património Imaterial da Humanidade. A seguir virá o corridinho, o kuduro e ainda havemos de chegar a apresentar as candidaturas do bacalhau à zé do pipo ou da chanfana a património imaterial da humanidade. Bastaria um critério para distinguir o fado destas manifestações mais ou menos folclóricas: o fado (como o tango, a bossa nova ou a ópera) teve uma intérprete genial e imortal: a divina Amália! E sem um intérprete desta dimensão nenhuma manifestação cultural devia ser declarada património imaterial da humanidade.



05/12/11

O Nosso Fado, por Alfredo Rodrigues

- Pai, é verdade que corremos o risco de ter de sair do euro?
- È pois. Cada dia que passa, dizem os entendidos, há mais probabilidades.
- Mas se isso acontecer vamos perder montes de dinheiro, não é?
- Ah pois...
- Bolas... O que nos vale é o fado património da humanidade.
(Já nos estou a ver a pagar a conta do supermercado em discos do marceneiro e a receber o troco em singles da amália).

01/12/11

Coisas mesmo graves, por Unabomber


Esta ouvi-a eu e ninguém ma contou. Zapava alegremente quando apanho num canal um desses programas bolísticos onde três supostos experts ganham umas coroas a defenderem os seus clubes e a atacarem os rivais. Falava um tal de eduardo barroso (os barrosos são uma praga neste país e como são muitos eu confundo-os todos), médico já não sei de quê, que me habituei a apreciar pela patetice descomunal das suas intervenções:
- Sim é verdade que está mal incendiarem as bancadas do estádio da Luz, condeno estas atitudes e blá blá blá MAS... acontecerem coisas bem piores e ninguém fala delas, eu próprio vi no estádio um steward com um cachecol do Benfica!
Valha-me Deus... A patetice terá limites?

30/11/11

Jurassic Park, por T. Rex


- Pai, qual foi o primeiro filme que viste na tua vida?
- Humm, acho que a primeira vez que fui ao cinema fui ver um filme chamado «se meu fusca falasse».
- Ena... Mas não te lembras muito bem do filme, pois não? Por causa do dinossauro que estava sentado mesmo à tua frente...

22/11/11

Aparição, por Lantern

Em 1975 os Rolling Stones já eram a «melhor banda de rock do mundo» e as bichas para os seus concertos no Madison Square Garden davam voltas aos quarteirões nova iorquinos. A promoção desta tournée ficou na história do rock tanto como da publicidade. Os Stones decidiram cruzar a 5ª avenida num camião enquanto tocavam Brown Sugar. A ideia era genial - os Stones jogavam com a projecção galática que haviam atingido e criavam um efeito de êxtase ao descerem ao plano do comum mortal que passa , por acaso, na rua e depara-se com o mito. Nas entrevistas que então se fizeram aos transeuntes, as pessoas confessavam que ainda não acreditavam que os Stones tinham acabado de tocar Brown Sugar em plena 5ª avenida. E até houve um velhote que deplorou a cena e achou que deviam ter proibido aquilo. Felizmente ninguém lhe ligou.


21/11/11

Médicos Economistas, por Hipócrates

O João, 17 anos, teve o azar de se aleijar a jogar futebol. Levaram-no logo às urgências do hospital mais próximo onde foi visto pelo médico de serviço. Diagnóstico: perna fracturada em dois sítios. Mas, pese embora o facto do desgraçado do João se contorcer com dores, o senhor doutor mandou engessar-lhe a perna e vais para casa descansar que o seguro depois trata do resto e marca-te a operação. Quando? Quando calhar...

O João passou a pior semana da sua vida até que, finalmente, foi chamado para a tal operação, uma semana depois, uma demora inadmissível no caso de um dupla fractura de uma perna. O puto chegou a desmaiar de dores...

Conheci a mãe do João, uma pessoa humilde, e percebi que ninguém vai pedir responsabilidades áquele senhor doutor que decidiu que é razoável que uma pessoa com a perna fracturada em dois sítios não seja, imediatamente, operado de urgência. Concerteza que o ilustre clínico cumpriu zelozamente a sua missão de poupar dinheiro aos cofres do estado, encaminhando a operação para o seguro. Mas há aqui qualquer coisa que soa mal... O dever do médico é poupar dinheiro aos cofres do estado (mesmo que à custa da saúde do doente) ou zelar pela saúde do doente?

Se calhar sou eu que estou desactualizado acerca daquilo que é o novo perfil do médico nos dias que correm... Possivelmente os curriculos dos cursos de medicina já incluem cadeiras como Finanças I e Contabilidade II ao lado das Ortopedias, Biologias e Pneumologias. A julgar pela amostra, se não incluem deviam incluir. E por este andar, qualquer dia ainda chegamos a um hospital e em vez de sermos atendidos por um médico somos atendidos por um economista. Já faltou mais...

14/11/11

All together now, por Azul Malvado

Gosto da última campanha promocional da Optimus a partir da música All Together Now dos Beatles. A música soa como um belíssimo jingle publicitário, embora faça alguma impressão verificar que, desaparecidos os dois Beatles mais sérios (Lennon e Harrison) os dois mais fúteis (MCartney e Ringo Starr) tenham começado a vender ao desbarato os direitos das músicas (este não é caso único). Não creio que nem Lennon nem Harrison aprovassem, mas seja como for All Together Now deve ser o melhor jingle da história da publicidade.

A campanha entrou numa segunda fase, dos duetos improváveis, um desenvolvimento da ideia do all together: Rui Reininho e quim barreiros, manel joão vieira e mónica ferraz, mind da gap e avô cantigas e, o melhor de todos do ponto de vista estritamente musical, a fadista carminho e os metálicos moonspell. Mas fica o do Manel João pela qualidade do monólogo...

08/11/11

Futebol de Salão, por Yaúca

Um rapazelho de longas tranças coloridas que fariam a inveja de qualquer trabalhadora de estrada nacional, jogador de bola do sporting de Braga,veio fazer queixinhas ao mundo porque terá, alegadamente, sido vítima de nefanda agressão verbal do benfiquista Xavi Garcia. «Preto de merda», eis o teor do inqualificável insulto, dito no contexto de um jogo de futebol que não é propriamente uma sessão de vernissage.

Nem vou discutir se o espanhol chamou ou não «preto» ao rapazola das tranças coloridas. O que acho é que estas leis politicamente correctas exageram e não é pouco na punição a este tipo de agressão. Não é bonito chamar preto a um preto, nem gordo a um gordo, nem careca a um careca. Mas também não vejo nenhuma razão para que esse insulto seja considerado mais soez que outro insulto qualquer. Se um jogador chamou a outro ladrão, cabrão e filho da puta, está tudo bem. Mas preto não se pode... Se o indivíduo for careca e se lhe chamarem careca de merda tá bem. Mas amarelo de merda já tá mal? Não entendo...

01/11/11

O Pensador Pensou Demais, por Tupiniquim

Ontem o Gabriel veio à Latada aqui em Coimbra. O concerto foi bom mas teve coisas completamente escusadas. Por exemplo, eu nunca tinha visto antes um músico a desfazer, enquanto não estava a tocar, aquilo que tinha conseguido quando estava a tocar. Eu explico: em certas músicas o homem conseguiu atingir climas bastante interessantes. Mas depois, no intervalo de cada música, o Pensador falava durante cinco minutos de como é bom estar no país irmão e na académica e na mística de coimbra... Foi uma espécie de back to reality permanente, uma espécie de corrente que nos impedia de ascender aos cumes emocionais que a música, aqui e ali, conseguia criar.

Pessoalmente também achei muito exagerada a exploração dos mitos academistas: o homem entrou em palco em fato académico, vestiu uma camisola da AAC, uivou o famigerado «coimbra tem mais encanto» e ainda tivemos que gramar com um tal de Diogo que terá sido jogador da Briosa em tempos idos. Eu sei que o Mick Jagger se embrulha à bandeira da argentina em buenos aires e que entra em palco em L.A. com um equipamento de futebol americano, mas esses são símbolos mais poderosos. Os símbolos da AAC não têm aquela carga, são um bocado pífios, pelo menos quando explorados tão exageradamente. Eu, pelo menos, fico sempre com a noção daquela coimbrinha muito pequenina a cantar os mesmos eternos clichés como um cão que morde o próprio rabo (ou então isto é uma característica minha que me arrepio até com a parolice dos hinos nacionais cantados nos estádios da bola).

Finalmente, do ponto de vista estritamente musical, notei a falta das teclas no show. Perdeu-se, assim, a componente melódica da música de Gabriel e aquilo ficou só ritmo. O que funciona bem quando se trata de um rap (excelente aquele efeito Limp Biskit dos dois cantores da banda, um deles irmão do próprio Gabriel) ou de um reggae mas fica sempre um sabor a «falta alguma coisa» noutro género de músicas. Pelo meio ainda assisti a uma ou duas cenas de porrada e aos clássicos nocautes de miúdas que não aguentam o álcool (e as drogas) tanto como gostariam.