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21/05/12

Onze notas sobre a final da taça, por É Nossa

1. Cometi um erro de avaliação. Resolvi não ir ao Jamor porque, pensei, mais tarde ou mais cedo, com maior ou menor dificuldade, o zebordem acabará por ganhar a final. Enganei-me. Afinal a Académica foi melhor e mereceu ganhar sem discussão. Não volto a duvidar do meu zebordem.

2. O zebordem está zangado com o Adrien porque o jogador confessou antes do jogo que queria e gostava de ganhar a final. O clube «diferente» acha isto um insulto e eu digo mais: o Adrien não tem qualidades para vestir a camisola lagarta (apesar de entrar de caras não só no zebordem mas também numa selecção nacional noraml e não na do paulo bento). Oxalá o zebordem não queira o Adrien de volta. Aposto que há quem o queira.

3. Já o joão pereira, um produto da cantera do casal ventoso é um modelo de virtudes. Pra além de ter pisado um adversário e de passar o jogo a insultar adversários e árbitro, o rapaz ainda conseguiu não devolver uma bola que a AAC tinha colocado fora para assistência médica a um jogador leonino. É como diz o paulo bento, esse grande mister: o pereira do casal ventoso tem perfil para representar a selecção portuguesa. Já o Bosingwa e o ricardo carvalho não...

4. A festa da taça em coimbra foi bonita e durou até às tantas. Mas, porra, as pessoas esperaram 6 horas pela equipa, encheram literalmente as ruas da cidade e qual é o primeiro sítio onde levam os jogadores? Pois, à câmara para os politiqueiros do costume aparecerem a trocar cumprimentos e sorrisos, beijarem a taça e beberem champanhe. Entretanto, nas ruas da cidade, a malta continuou a aguardar os jogadores. É nestas alturas que eu aprecio o exemplo do rui rio que não mistura bola com política.

5. Por falar nisto da festa dos políticos e das altas e baixas individualidades que apareceram a festejar a taça, alguém aqui da malta viu o Mancas? Pois, o nosso Mancas do liceu, o próprio? Eu vi-o, eufórico, na câmara a abraçar uns gajos também eufóricos e a beijar a taça com chuacs cúspidos. Depois a taça parece que se estragoue até tiveram que aparafusá-la e tudo.

6. Os jogadores estiveram durante a maior parte dos festejos sem a taça que não saiu das mãos dos directores e dos politicos. Compreende-se. Valeu que, na Praça da República, havia uma réplica da mesma e os jogadores exibiram-na do alto da camioneta como se fosse a taça original. Essa continuou nas mãos do simões. Coimbra é original até nos festejos.

7. Pode-se não gostar da Académica. Mas o que é obrigatório reconhecer-se é que, goste-se ou não, trata-se de um clube com uma identidade. Uma pessoa pode detestar as capas negras, os eferreás, o preto e branco, os códigos da praxe, a mística dos doutores, mas tudo isso é próprio. A Académica ganha a taça e é um acontecimento. O leixões, o beira mar ou o estrela da amadora também já a ganharam mas ninguém deu por nada. É que são clubes iguais, coisa que não se passa com a velhinha AAC.

8. O futebol é giro. Há quinze dias a AAc arriscava-se a descer de divisão e a ficar na história pelas piores razões. A equipa bateu até um record de jogos sem ganhar (16!). Agora um dia depois da festa, concluo que fez uma das melhores épocas de sempre: ganha a taça, vai à uefa e disputa a supertaça do próximo ano (e só não mete o adrien na selecção porque, isto é um facto, o paulo bento prefere o ruben micael!).

9 Isto tudo, apesar do seu treinador, o pobre emanuel que, quanto a mim, continua a ser um mau treinador e não foi a vitória de ontem que me fez mudar de opinião. Como é possível que nunca tenha alinhado junto aquele que poderia ter sido um dos melhores meio-campos do campeonato - pape sow, adrien e david simão? Mas prontos a hora é de festa e o treinador que lançou o edinho, está de parabéns.

10. Para finalizar em beleza: o edinho já disse que quer ficar na Académica pró ano!

11. Pró ano venha o Atlético de Madrid...



22/05/10

Still Is Coimbra, por Dr. Formidável


Esta semana abriu, ou melhor, reabriu em Coimbra a velha sede da Académica - OAF no mesmo local de sempre, mesmo na esquina da rotunda do Papa, aos arcos do jardim botânico. A velha sede da OAF sempre foi um local de culto. Passei lá muitas noites nos antigos jardins da AAC com grandes conversas sobre tudo, até sobre futebol. Foi uma pena quando fechou. Hoje voltei lá, os tempos são outros e o espaço é outro.

A AAC concedeu a um privado a exploração deste espaço. Chama-se Still Is Coimbra, foi inaugurado com pompa e circunstância, foi destaque jornalístico na imprensa local, na Bola, na TVI e até meteu a presença do Pantera Negra - que por acaso é do Benfica e chama-se Eusébio. Fui lá esta noite e gostei. Não foi por causa da comida que, por acaso, até era sofrível.

No entanto aquele espaço é quase um Museu. Alguém teve a ideia brilhante de decorar as paredes do Still com as páginas ampliadas do livro Académica - História do Futebol, da autoria de João Santana e João Mesquita (entretanto já falecido, uma pessoa que deixa saudades). Gostei da sensação de andar a passear pelas páginas de um livro!

A edição deste livro foi um verdadeiro acontecimento. Trata-se de um documento impressionante, um manancial de informação rigorosa recolhido pelo espírito minucioso de João Santana, cuja elaboração implicou anos e anos de trabalho dedicado. Mas para além disso o livro conta ainda com a pena brilhante de João Mesquita que lhe confere humanidade e lhe acrescenta a pequena história exemplar, tão bem ilustrada na vida contada de tantas personagens academistas.

Não há nenhum clube em Portugal que tenha uma obra de referência com esta qualidade. E não sei se haverá mais alguma coisa parecida em mais algum clube fora de Portugal... Pois bem, quem não conhece o livro, tem agora uma oportunidade de o conhecer. Basta ir ao Still cujas paredes estão decoradas com as suas páginas, com todas as suas fotos- algumas magistrais! - e com os textos do João Mesquita.

Mesmo não sendo, propriamente, um academista convicto - gosto da AAC mas é o meu segundo clube - gostei do Still e acho que é um espaço original na cidade de Coimbra. Trata-se de um espaço vivo porque as paredes estão carregadas de energia... As paredes e as pessoas que percorrem, comovidas, a história da AAC dispersa ao longo de várias salas e não sei quantos pisos. Grande ideia esta de fazer do livro um restaurante, de fazer do livro a sede da AAC, de lhe dar nova forma e de o fazer viver de outra maneira.

Aquando da inauguração do Still, A Bola escrevia que a decoração e concepção do espaço tinha tido a colaboração do «grande historiador e investigador, João Santana». Está errado: João Santana não é historiador profissional nem de formação. No entanto, depois, desta visita de hoje ao Still eu fiquei com a ideia de que isto é uma outra forma de fazer história. Não a História erudita e tradicional. Mas para que é que serve a História senão para nos dar lições de vida e para, assim, nos fazer sentir mais vivos? Quando vejo tantas pessoas que se passeiam pelas muitas salas do Still, que comentam emocionadas as fotografias e os textos que decoram as paredes, eu penso que a História a sério, também é isto. Senão é isto, então o que é? Um pergaminho inútil? E, neste sentido, o erro da Bola acaba por se tornar verdadeiro: João Santana (e acrescento o nome do saudoso João Mesquita) é, sem dúvida, «um grande historiador e investigador».