Com o mundo muçulmano em ebulição e sem sabermos muito bem onde tudo isto vai parar - ainda que desconfie que não irá propriamente parar a um destino de radiosa liberdade e democracia - outras forças se movem nas entranhas do Médio Oriente. Bem ali no meio do intestino grosso, temos a República Islâmica do Irão, uma potência regional governada por fanáticos religiosos com tendências apocalípticas, cheio de ganas de nos dar cabo do canastro (aos americanos em particular e a todos os ocidentais infiéis em geral) e que não tarda muito tem a Bomba.
Isto enquanto o resto do mundo assobia para o ar. Uns, como a Rússia e a China, porque negócio é negócio e há muito negócio envolvido - petróleo para um lado, armas para o outro, etc.. Outros, como a generalidade dos países ocidentais, porque achamos que Israel irá tratar do assunto mais cedo ou mais tarde e que esse é um assunto existencial que lhes diz sobretudo respeito a eles, israelitas, que estão ali quase ao lado e que já estão cercados de hezbolla e hamas por todo o lado. A cereja no topo do bolo será, sem dúvida, a irmandade Muçulmana a dar cartas no Egito e a escancarar as fronteiras com Gaza. Aliás, muitos de nós, sobretudo as gentis e mui tolerantes almas esquerdistas, até pensarão que é bem feito, que o Irão tem direito à sua Bomba e que Israel não está senão a pedi-las. Como se não houvesse resto.
Enquanto isso, a "jihad iraniana" estende os seus tentáculos e prossegue impávida e serena na rota nuclear. Um cenário preocupante que este documentário retrata, fazendo um pouco de história e talvez exagerando um pouco na influência internacional do regime iraniano. Mas é de ver. Iranium.
Blog da RS.T - Real Esseponto do Tinto - Coimbra - Os Três Pastorinhos também bebiam o seu copito
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21/02/11
17/09/07
O Caso Dalai Gama, por Dalai Mama
O Dalai Lama voltou a Portugal para embaraçar, pela segunda vez, a pequenez dos nossos medíocres governantes. Todos estamos recordados de como ele foi excomungado pelo católico Guterres aqui há uns anos atrás. Agora voltou para fazer corar de vergonha o intrépido, o corajoso, o frontal, o arrojado, o homem de convicções (tudo encómios com que já o ouvi brindar-se a si próprio) primeiro-ministro, josé pinto de sousa. O mesmo político que enche a boca, constantemente, a proclamar a sua firmeza, o seu rigor, o novo homem do leme que não se desvia um milímetro da rota traçada e que afronta, corajosamente, os interesses estabelecidos (quais? O Belmiro? O Berardo? O Amorim? A TV Cabo? A PT? A CGD? A Banca? As cimenteiras? O Parlamento?), fez agora anunciar que, por dificuldades de agenda, não vai poder receber o líder espiritual Tibetano.Tendo em conta a nossa própria história recente com Timor é lamentável. É vergonhoso. Pinto de Sousa não teve qualquer problema em deslocar-se à China com uma abundante comitiva. Apoiou, na ocasião, o estrambólico discurso do ministro pinho da economia que nos foi apresentar aos chineses como «o país da mão de obra barata». Mas agora não há agenda para o representante do povo tibetano, humilhado, espezinhado e chacinado pelo gigante chinês. Esta é a coragem de pinto de sousa que só engana quem quer ser enganado. Pinto de Sousa não recebe oficialmente o dalai, como é seu dever e obrigação, porque, pura e simplesmente tem cagufa da China. Simples e óbvio!
Entretanto, sua excelência, arranjou tempo para andar pelo país fora, ele mai-los 20-vinte-20 ministros a oferecerem computadores, aproveitando um generoso (para quem?) protocolo com a IBM. É o pensamento Valentim-Loureiro-dos-frigoríficos no seu último desenvolvimento. Prevejo um futuro radioso – qualquer dia ainda vamos ver o governo inteirinho e ao vivo a oferecer torradeiras ou micro-ondas num qualquer mercado próximo de si… É a propaganda em todo o esplendor da sua mediocridade. É a escala de valores deste governo sem valores.
Entretanto, arranjou-se maneira de receber o Dalai Lama no Parlamento. Sempre é melhor – pensaram os génios da propaganda governamental – que recebê-lo num hotel, como da última vez. Faz as honras da casa um homus-pê-esse, um exemplar da nova gente que, enfim, toca tudo, piano, bombo ou concertina, como é próprio da espécie, assim sopre o vento, o presidente da assembleia da república, jaime gama. E é por isso que este caso é muito mais o Caso Dalai Gama que o caso Dalai Lama.
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