Blog da RS.T - Real Esseponto do Tinto - Coimbra - Os Três Pastorinhos também bebiam o seu copito
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15/03/11
36 mortes, por Hitchcockianista
"In films murders are always very clean. I show how difficult it is and what a messy thing it is to kill a man", Alfred Hitchcock
21/02/11
E uma jihad atómica? por J
Com o mundo muçulmano em ebulição e sem sabermos muito bem onde tudo isto vai parar - ainda que desconfie que não irá propriamente parar a um destino de radiosa liberdade e democracia - outras forças se movem nas entranhas do Médio Oriente. Bem ali no meio do intestino grosso, temos a República Islâmica do Irão, uma potência regional governada por fanáticos religiosos com tendências apocalípticas, cheio de ganas de nos dar cabo do canastro (aos americanos em particular e a todos os ocidentais infiéis em geral) e que não tarda muito tem a Bomba.
Isto enquanto o resto do mundo assobia para o ar. Uns, como a Rússia e a China, porque negócio é negócio e há muito negócio envolvido - petróleo para um lado, armas para o outro, etc.. Outros, como a generalidade dos países ocidentais, porque achamos que Israel irá tratar do assunto mais cedo ou mais tarde e que esse é um assunto existencial que lhes diz sobretudo respeito a eles, israelitas, que estão ali quase ao lado e que já estão cercados de hezbolla e hamas por todo o lado. A cereja no topo do bolo será, sem dúvida, a irmandade Muçulmana a dar cartas no Egito e a escancarar as fronteiras com Gaza. Aliás, muitos de nós, sobretudo as gentis e mui tolerantes almas esquerdistas, até pensarão que é bem feito, que o Irão tem direito à sua Bomba e que Israel não está senão a pedi-las. Como se não houvesse resto.
Enquanto isso, a "jihad iraniana" estende os seus tentáculos e prossegue impávida e serena na rota nuclear. Um cenário preocupante que este documentário retrata, fazendo um pouco de história e talvez exagerando um pouco na influência internacional do regime iraniano. Mas é de ver. Iranium.
Isto enquanto o resto do mundo assobia para o ar. Uns, como a Rússia e a China, porque negócio é negócio e há muito negócio envolvido - petróleo para um lado, armas para o outro, etc.. Outros, como a generalidade dos países ocidentais, porque achamos que Israel irá tratar do assunto mais cedo ou mais tarde e que esse é um assunto existencial que lhes diz sobretudo respeito a eles, israelitas, que estão ali quase ao lado e que já estão cercados de hezbolla e hamas por todo o lado. A cereja no topo do bolo será, sem dúvida, a irmandade Muçulmana a dar cartas no Egito e a escancarar as fronteiras com Gaza. Aliás, muitos de nós, sobretudo as gentis e mui tolerantes almas esquerdistas, até pensarão que é bem feito, que o Irão tem direito à sua Bomba e que Israel não está senão a pedi-las. Como se não houvesse resto.
Enquanto isso, a "jihad iraniana" estende os seus tentáculos e prossegue impávida e serena na rota nuclear. Um cenário preocupante que este documentário retrata, fazendo um pouco de história e talvez exagerando um pouco na influência internacional do regime iraniano. Mas é de ver. Iranium.
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29/04/09
Viva o Magalhães II, por Viva a Téquenologia
Estive para fazer aqui um manifesto contra o massacre dos inocentes no Egipto, mas entretanto tropecei nesta pérola e achei que ficava aqui melhor. Não perguntem porquê que não vale a pena:
02/04/08
O Mistério Regressa, por Gajo dos Mistérios
Foi há cerca de 20 anos que as conheci ao vivo e pessoalmente. Isto é, pessoalmente mais ou menos. Ainda existia o Muro de Berlim, a Guerra Fria e uma coisa ainda mais distante e esquecida chamada Pacto de Varsóvia, eufemismo do poder imperial soviético. Era num tempo em que muitos de nós, generosos e estúpidos, nos encantávamos com a sereia do socialismo utópico e dos amanhãs que cantam.
Entretanto, os amanhãs desafinaram, o muro e o Pacto caíram de podre e o país dos sovietes para lá caminha. E muitos de nós acordámos também entretanto. Mas desse sonho restaram, na memória de quem o viveu, experiências belas e exaltantes. A memória que tenho delas é uma. Sobretudo porque a experiência que tive com elas foi do domínio da beleza e não da ideologia.
Elas são artistas. Artistas extraordinárias, herdeiras e transmissoras de uma tradição artística sublime. Elas são búlgaras e são um grupo coral. Cantam folclore do seu país e tudo começou para o mundo assim: Algures nos anos 80, a 4AD, editora fundamental dessa década, descobriu este tesouro vocal e, apesar do Muro e do Pacto, lançou um álbum precioso chamado Le Mystere des Voix Bulgaires. Foi Peter Murphy, vocalista dos Bauhaus (uma das bandas icónicas da 4AD), já agora, o responsável pela internacionalização do fenómeno Vozes Búlgaras e pelo lançamento desse álbum e de um segundo que se seguiria. Foi ele que entregou a Ivo, fundador da etiqueta britânica, uma cassete com registos recolhidos pelo etnomusicólogo francês Marcel Cellier, ao longo de 15 anos em zonas rurais da Bulgária.
Depois foi o que se sabe. Alguns anos depois do lançamento do disco, elas passaram por Portugal. Foi numa Festa do Avante e continuavam a existir Muro e Pacto. Nunca fui militante de cartãozinho, mas era simpatizante e nessa Festa estava em trabalho, era um entre as centenas de voluntários que durante uma semana ali acampavam para montar, apoiar e desmontar o arraial comunista.
Quando as conheci estava designado naquele dia para dar apoio a um cameraman que fazia o registo vídeo dos acontecimentos. E nessa qualidade andava com o precioso cartão de acesso aos "backs stages" de todos os espectáculos. E foi assim que as conheci. Mais ou menos. Éramos um pequeno grupo de quatro ou cinco amigos, há algum tempo fãs incondicionais daquela estranha e arrebatadora forma de cantar. Íamos aos autógrafos, também, mas sobretudo para conhecer, falar, ver de perto aquelas criaturas de outro mundo.
O encontro não correu exactamente como esperávamos. Desde logo porque ainda havia o Muro e, mesmo ali naquela grande festa da fraternidade marxista-leninista, não foi fácil chegar à fala. Os contactos eram limitadíssimos e só na companhia de uma omnipresente mulher búlgara mais velha, presumivelmente do PC búlgaro, ou coisa parecida. Uma das condições, se bem me lembro, era não falar de política. Condição inútil porque ninguém estava ali para tal coisa. Mas acabou por ser uma mera troca de apresentações e simpatias breves, e apenas com uma porta-voz do grupo, a única que sabia arranhar estrangeiro.
“Votre music es’t merveilleux”, “mérci beaucoup”, “pas de quois” e etc. Pardais ao cesto, galhardetes, cortesias, coisas do género. Um pouco constrangedor, devo dizer.
Mas poucos minutos depois deste frustrante contacto, começou a magia da beleza. O espectáculo foi dentro de uma tenda parecida com as dos circos, com péssimas condições acústicas e de conforto. Mas fez-se realmente magia e este tornou-se um dos grandes espectáculos da minha vida. E ali abracei definitivamente o mistério. E ainda hoje sou crente.
Isto tudo para dizer que as moças cantadeiras da Bulgária estarão em breve de regresso a Portugal (provavelmente uma outra geração de moças cantadeiras). Já cá estiveram mais vezes depois daquele Avante, presumo, mas desta vez estão mais perto de casa. Passam pelo Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Voz, no dia 6 de Junho. Bilhetes a 25 euros. É caro mas garanto que vale bem a pena todos os cêntimos. Eu já comprei.
Entretanto, os amanhãs desafinaram, o muro e o Pacto caíram de podre e o país dos sovietes para lá caminha. E muitos de nós acordámos também entretanto. Mas desse sonho restaram, na memória de quem o viveu, experiências belas e exaltantes. A memória que tenho delas é uma. Sobretudo porque a experiência que tive com elas foi do domínio da beleza e não da ideologia.
Elas são artistas. Artistas extraordinárias, herdeiras e transmissoras de uma tradição artística sublime. Elas são búlgaras e são um grupo coral. Cantam folclore do seu país e tudo começou para o mundo assim: Algures nos anos 80, a 4AD, editora fundamental dessa década, descobriu este tesouro vocal e, apesar do Muro e do Pacto, lançou um álbum precioso chamado Le Mystere des Voix Bulgaires. Foi Peter Murphy, vocalista dos Bauhaus (uma das bandas icónicas da 4AD), já agora, o responsável pela internacionalização do fenómeno Vozes Búlgaras e pelo lançamento desse álbum e de um segundo que se seguiria. Foi ele que entregou a Ivo, fundador da etiqueta britânica, uma cassete com registos recolhidos pelo etnomusicólogo francês Marcel Cellier, ao longo de 15 anos em zonas rurais da Bulgária.
Depois foi o que se sabe. Alguns anos depois do lançamento do disco, elas passaram por Portugal. Foi numa Festa do Avante e continuavam a existir Muro e Pacto. Nunca fui militante de cartãozinho, mas era simpatizante e nessa Festa estava em trabalho, era um entre as centenas de voluntários que durante uma semana ali acampavam para montar, apoiar e desmontar o arraial comunista.
Quando as conheci estava designado naquele dia para dar apoio a um cameraman que fazia o registo vídeo dos acontecimentos. E nessa qualidade andava com o precioso cartão de acesso aos "backs stages" de todos os espectáculos. E foi assim que as conheci. Mais ou menos. Éramos um pequeno grupo de quatro ou cinco amigos, há algum tempo fãs incondicionais daquela estranha e arrebatadora forma de cantar. Íamos aos autógrafos, também, mas sobretudo para conhecer, falar, ver de perto aquelas criaturas de outro mundo.
O encontro não correu exactamente como esperávamos. Desde logo porque ainda havia o Muro e, mesmo ali naquela grande festa da fraternidade marxista-leninista, não foi fácil chegar à fala. Os contactos eram limitadíssimos e só na companhia de uma omnipresente mulher búlgara mais velha, presumivelmente do PC búlgaro, ou coisa parecida. Uma das condições, se bem me lembro, era não falar de política. Condição inútil porque ninguém estava ali para tal coisa. Mas acabou por ser uma mera troca de apresentações e simpatias breves, e apenas com uma porta-voz do grupo, a única que sabia arranhar estrangeiro.
“Votre music es’t merveilleux”, “mérci beaucoup”, “pas de quois” e etc. Pardais ao cesto, galhardetes, cortesias, coisas do género. Um pouco constrangedor, devo dizer.
Mas poucos minutos depois deste frustrante contacto, começou a magia da beleza. O espectáculo foi dentro de uma tenda parecida com as dos circos, com péssimas condições acústicas e de conforto. Mas fez-se realmente magia e este tornou-se um dos grandes espectáculos da minha vida. E ali abracei definitivamente o mistério. E ainda hoje sou crente.
Isto tudo para dizer que as moças cantadeiras da Bulgária estarão em breve de regresso a Portugal (provavelmente uma outra geração de moças cantadeiras). Já cá estiveram mais vezes depois daquele Avante, presumo, mas desta vez estão mais perto de casa. Passam pelo Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Voz, no dia 6 de Junho. Bilhetes a 25 euros. É caro mas garanto que vale bem a pena todos os cêntimos. Eu já comprei.
27/02/08
O Grande Nel, por Fã do Nel
Há muito, muito tempo, quando era mais jovem ainda, trabalhei numa rádio daquelas muito locais, de aldeia, no tempo em que as rádios falavam e eram muitas. Enfim, pagavam mal mas era divertido. Nas férias grandes assegurava os “discos pedidos”, um delírio de duas horas a atender e a dar conversa à clientela, muitos emigrantes saudosos, campónios apaixonados e donas de casa românticas, passava por lá de tudo.Isto foi nos meados de 80 e, nessa altura, recordo-me de alguns dos hits mais pedidos. Canções que então ouvi centenas, senão milhares, de vezes para agradar ao publicozinho. Se coisa aprendi foi a tolerar, mas nem sempre a respeitar, os gostos dos outros e a olhar com outra abertura para todo o espectro da música popular e até era com prazer que virava e revirava os sucessos do momento.
De fora vinham pérolas como o “The Final Countdown” ou “You’re in the army now”, duas canções que para sempre me ficaram gravadas na alembradura e de vez em quando regressam para me assombrar. Mas serve esta para falar dos hits nacionais que então proliferavam. E desde logo, três grandes artistas me vêm à mente: José Malhoa, Jorge Ferreira e Nel Monteiro. Três gigantes! Um, o primeiro, dono do clássico “24 Rosas”, o segundo, autor do monumento chamado “Carro Preto” (“carro preto, diz-me lá porque razão, partistes meu coração, por o meu amor levar” traláláchimpumetc) e o terceiro, O Mestre, com êxitos incontestados como Retrato Sagrado ou Azar na Praia ou o Alô, Alô Maria Antónia. Ou mesmo o ousado Tira o Bikini!
É o grande Nel que gostaria de destacar aqui, designadamente o seu último grande lançamento com a costumeira Orquestra Lusitana, considerado unanimemente pela crítica especializada como um significativo passo em frente no contexto musical e semiótico do cantor e songwritter, que aqui desbrava muitos novos caminhos em direcção a sabe-se lá onde. «Trata-se de um significativo passo em frente», afiançou um dos críticos, acrescentando que Nel, com esta cassete, «supera-se a si próprio e aos demais».
Senhoras e senhores, o último trabalho do Rei Nel: “Puta Vida, Merda Cagalhões”! Um álbum para a história:
De fora vinham pérolas como o “The Final Countdown” ou “You’re in the army now”, duas canções que para sempre me ficaram gravadas na alembradura e de vez em quando regressam para me assombrar. Mas serve esta para falar dos hits nacionais que então proliferavam. E desde logo, três grandes artistas me vêm à mente: José Malhoa, Jorge Ferreira e Nel Monteiro. Três gigantes! Um, o primeiro, dono do clássico “24 Rosas”, o segundo, autor do monumento chamado “Carro Preto” (“carro preto, diz-me lá porque razão, partistes meu coração, por o meu amor levar” traláláchimpumetc) e o terceiro, O Mestre, com êxitos incontestados como Retrato Sagrado ou Azar na Praia ou o Alô, Alô Maria Antónia. Ou mesmo o ousado Tira o Bikini!
É o grande Nel que gostaria de destacar aqui, designadamente o seu último grande lançamento com a costumeira Orquestra Lusitana, considerado unanimemente pela crítica especializada como um significativo passo em frente no contexto musical e semiótico do cantor e songwritter, que aqui desbrava muitos novos caminhos em direcção a sabe-se lá onde. «Trata-se de um significativo passo em frente», afiançou um dos críticos, acrescentando que Nel, com esta cassete, «supera-se a si próprio e aos demais».
Senhoras e senhores, o último trabalho do Rei Nel: “Puta Vida, Merda Cagalhões”! Um álbum para a história:
23/02/08
Íntima Homenagem, por Rádio X
ps: Este post é uma adenda ao anterior. E também pode ir para o rol dos posts sobre os grandes álbuns da história da música popular, iniciada lá em baixo com os Crosby, o Prince e os Young Marble Giants. Pet Sounds, álbum onde está este tema "God Only Knows" (tema "fétiche" do programa Íntima Fracção), é tido como a obra-prima absoluta dos Beach Boys e um dos discos mais importantes da história do rock.
21/02/08
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