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23/07/16

Hitchock Apresenta: ainda a final do Euro, por Crítico de Cinema



O jogo da final entrou para a história dos melhores jogos de futebol que já vi. No entanto, apesar de ter sido a exibição melhor conseguida da equipa portuguesa ao longo deste Euro (que considero um dos mais fracos senão o mais fraco da história), objectivamente, não foi um grande jogo. Claro que, para mim, para qualquer português, é um dos jogos mais marcantes de sempre – já do ponto de vista do observador neutro, não creio que tenha sido muito mais que um jogo razoável. 

Assim de memória lembro-me de alguns jogos de futebol absolutamente seminais: o Brasil – Itália do mundial de 82, o França- Alemanha, creio que do mesmo mundial, o célebre jogo em que o carniceiro Shumacher manda o Batistton para o hospital, o Portugal-França do euro francês, com o Chalana e o Jordão a arrasarem, o Benfica- Bayer Leverkussen do 4-3, o Holanda - Rússia, alguns Reais Madrid-Barcelonas do passado e do presente (o da «manita» no Nou Camp com o dream team de Guardiola e Messi), o Dínamo de Kiev- Atlético de Madrid  numa final da taça das taças, o Alemanha –Itália com o Bekenbauer a jogar de braço ao peito, etc, etc. Todos estes e muitos outros foram jogos magníficos que marcaram a história do futebol. A última final do euro da nossa consagração não fica na história dessa maneira; mas fica na minha história não só pelo facto de Portugal se ter sagrado campeão europeu. Este jogo teve uma virtualidade fantástica que nem todos têm: teve enredo.

O jogo parece ter sido escrito por um grande realizador de cinema: o melhor jogador português, logo de início, é abalroado por um francês, o vilão Payet, e é obrigado a sair. Ronaldo chora, os portugueses ficam aterrorizados e o sonho parece estar desfeito. Quem senão Ronaldo poderia salvar a pátria? Há um pormenor de realização notável, quando uma traça vem pousar nas lagrimas de Ronaldo. O filme está tão bem realizado que até símbolos tem…

Mas, contra todas as expectativas, em vez do colapso que receamos, os jogadores unem-se ainda mais. Quaresma entra para o lugar de Sebastião Ronaldo, Renato deriva da direita para uma posição mais central e, de repente, a França que estava a ser avassaladora, até então, perde a iniciativa de jogo. Portugal sacode a pressão e começa a controlar a bola. Sem Ronaldo, afinal, melhoramos…

Depois de mais algumas peripécias menores – como a dualidade de critérios de um árbitro habilidoso, outro vilão no enredo – dá-se um novo momento crucial quando Fernando Santos, um treinador geralmente conservador, decide arriscar e mete o Éder. Éder é o anti herói, quase podíamos dizer, o anti-ronaldo: é preto quando o outro é branco, humilde quando o outro tem  rei na barriga, discreto e não espalhafatoso, etc, etc, etc. E é este herói improvável que foi alvo de chacota e de desconfiança da população de adeptos portugueses, quem resolve o jogo num remate fantástico digno de figurar na lista os melhores golos do Euro 2016. Éder vem da Adémia, do Tourizense, do colégio Girassol, de um orfanato, da Guiné... Teve problemas familiares graves. Foi treinado por um mister que jogou à bola comigo. É um tipo às direitas e tem uma força mental do outro mundo. E é bom jogador, não é nenhum tosco, ao contrário do que disseram tantos pseudo-mourinhos. 

Se repararmos bem, este jogo tem uma história do caraças, é uma espécie de conto moral, acerca da força do colectivo sobre a individualidade, da vitória daqueles que nunca desistem, mesmo quando ninguém neles acredita, uma parábola sobre um herói improvável. É uma história bem urdida e tem, obviamente, um herói principal, entre outros: Éderzito, o menino da Adémia.

Se eu fosse presidente da junta da terra  mandava fazer, imediatamente, uma estátua do Éder de 3 metros na rotunda da Adémia com umas bolas ainda maiores que as da estátua do Cristiano no Funchal. Mas no dia seguinte, as primeiras páginas dos nosso jornais tinham todas o Ronaldo, apesar deste Euro ter sido uma vitória do colectivo e do peso de cada individualidade estar perfeitamente diluído na equipa. Uma excepção: a primeira página do Público, uma obra prima gráfica por todo o simbolismo que carrega. Já que não se pode ter uma estátua do Éder com uma bolas muita grandes na rotunda da Adémia…

15/07/16

Somos todos campeões, por Jorge Best



Portugal é campeão da Europa. Pelo menos do ponto de vista do impacto, não apenas mediático, é o maior feito da história do desporto português. Hoje, dois dias depois do grande feito, ainda não se fala noutra coisa e ainda paira num ar um sentimento de orgulho, de irmandade nacional, de vaidade, até. Gente que não liga a futebol ou que, até mesmo, o odeia, discute encarniçadamente as virtualidades do 4-3-3 e do 4-4-2. Brotam da terra especialistas que nunca deram um singelo chuto numa bola a perorarem sobre a famigerada entrada de Payet sobre Ronaldo. Percebo esta transmutação – até de género, de repente, as mulheres transformaram-se em gabrieis alves de saias. Só indirectamente tem a ver com bola.
 
Trata-se antes de nacionalismo sublimado, do mesmo orgulho nacionalista, que dantes se manifestava a propósito das guerras e dos regressos dos guerreiros. Os nossos heróis e os vilões inimigos… Se isto fosse há mais tempo teríamos capturado o Payet e tê-lo-íamos passeado, para gáudio da multidão, pelas ruas da capital, encerrado numa gaiola para efeitos de ultraje público. Não o fizeram os romanos com Vercingétorix?

O nacionalismo é uma espécie de apendicite do ego, uma inflamação do mesmo sob a forma da nação. A nação é o ego inflamado à escala de um colectivo. E é por essa razão egoísta que de repente se descobrem à nossa volta tantos repentinos adeptos de futebol. Quando a selecção portuguesa de futebol se sagra campeã da europa, não se trata de uma simples vitória num jogo – não, somos nós que nos sagramos campeões, campeões da vida, campeões do mérito e da nobreza. A vitória dos jogadores é a nossa: «bom dia campeão», assim me saúda o sorridente empregado da loja onde me dirigi e que não me conhece de lado nenhum… Mas hoje é meu irmão, português como eu, campeão como eu…

Olho à minha volta e não consigo deixar de estranhar: aquele tipo baixinho, vestido com uma camisola de cava mais própria para a sesta, calção de banho apertado e chanatos decrépitos nos pés, também é campeão? O homem passeia-se aos esses no centro comercial, jornal infecto debaixo do ombro, tom de pele de inverno em pleno julho e mãozinha marota a coçar as partes baixas intrabolso. Também é campeão? Claro que sim e aqui temos a razão de ser do impacto desta vitória. Todos temos um pouco deste grunho que se passeia no shopping e todos nos sentimos, como ele, campeões pelo feito dos nossos. E é por isso que esta vitória é tão fantástica e há nisto algo de irracional e ao mesmo tempo de lógico. Ontem, hoje, amanhã, durante mais uns tempos, somos todos campeões.

03/10/12

Coração contra Razão, por Pascoal

O jogo de ontem na Luz foi, para mim, um clássico caso de coração- versus - razão. Não me senti dividido porque sou benfiquista acima de qualquer outro clube. Mas foi um confronto entre a equipa que é, desde sempre e incondicionalmente a minha - o Glorioso - e aquela que foi por mim adoptada desde há uns anos a esta parte, simplesmente, porque pratica o melhor futebol que já vi jogar. Coração e Razão.

Nunca tive simpatia especial pelo Barça, mas esta equipa é uma excepção - jogam um futebol magnífico, um assombro de técnica e têm aquele que é, provavelmente, o melhor jogador de todos os tempos, a anos luz de qualquer outro no activo - Leo Messi.

O Benfica perdeu como era expectável e eu não fiquei nem um pouco chateado. A nossa primeira parte foi boa, eles tiveram, como têm de há anos a esta parte seja contra quem for, os mesmos 70% de posse de bola e o árbitro esteve bem (talvez até tenha sido um pouco caseiro).

 No fim não houve surpresa e confirmou-se o que já se sabia - que o Benfica não é a melhor equipa do mundo, que o Busquets é melhor que o Matic, o Xavi que o Enzo, o Pedro que o Salvio, o Fabregas que o Lima, o Iniesta que o Gaitan e que o Messi... Bem o Messi veio de nave espacial e regressou depois ao seu planeta.

08/07/12

A Minha Selecção do Euro, por Gabriel

O Euro já lá vai e, entretanto, não havia ainda aqui uma lista da selecção dos melhores jogadores. Aqui fica ela, como é da praxe, com indicação do melhor para cada posto e das melhores alternativas. Tive como critério escolher os que me pareceram os melhores mesmo que trocando-lhes as posições. Foi o caso da defesa onde tive que passar o melhor defesa do mundo, Sérgio ramos, para a lateral direita:

Melhor guarda redes - Casilhas (Esp). É indiscutível.

Alternativas - Buffon (it) e Neuer (Al). O italiano poderia mesmo ter sido o melhor se a Itália vence a final, até porque foi colossal no jogo das meias com a alemanha. Foi vítima da equipa nesse jogo.

Defesa direito - Sérgio Ramos (esp). Ramos jogaria em qualquer lugar da defesa, já que é fantástico em qualquer um. Na minha selecção jogaria à direita por uma questão de rentabilização dos centrais.

Alternativas - Srna (Croa).

Centrais - Pepe (port) e Piqué (esp). Sim, eu desfazia a dupla piqué/ramos, mas com ramos à direita e a inclusão de pepe, não ficaria a perder.

Alternativas - Hummels (al) e Bonnucci (it).

Defesa esquerdo - Lahm (al). Pela experiência, pela qualidade técnica pela forma como apoia o ataque. É um defesa cerebral que não tem a velocidade das alternativas mas compensa com a qualidade técnica. Não parece um defesa. Gosto mais dele na direita e nesse caso entraria Alba para a esquerda mas então sairia Pepe. E era uma pena...

Alternativas - Alba (esp) e Coentrão (port).

Médios - Pirlo (it), Xavi (esp) e Iniesta (esp). Pirlo e Iniesta (justamente consagrado o melhor jogador do euro) são indiscutíveis. Já Xavi não foi regular, como é seu hábito. Mas depois da sua fantástica exibição na final, como deixá-lo de fora?

Alternativas - Khedira (al), Moutinho (port) e Modric (croa). Mas também Alonso (esp) e Busquets (esp). Tenho grande dificuldade em fazer uma selecção de médios...

Avançados - Ozil (al), Ibraimovic (Sue) e Ronaldo (port). Ok, falta um extremo direito de raiz. Mas Ozil chegou a fazer a posição nalguns jogos da alemanha e foi titularíssimo numas das melhores selecções da prova. Poderia funcionar como um criativo solto a apoiar o meio campo, um pouco ao estilo de fabregas na espanha. Ronaldo fez duas das maiores exibições individuais do euro (com a holanda e a república checa) e Ibraimovic confirmou a classe, embora não possa fazer muito numa selecção relativamente frágil como é a sueca.

Alternativas - Fabregas (esp), Balotelli (it) e Mandzukik (Ucrânia).

Revelações:
Deixo uma nota final para dois polacos que não conhecia: o lateral direito Pieszcek (escreve-se assim?) e o médio ala direito, Blaszykowsky  formaram uma das melhores alas do euro. Noutra selecção dariam cartas (de resto no Dortmund foram campeões da bundesliga).
O médio direito ucraniano Konoplyanka também mostrou qualidade, principalmente no último jogo da sua selecção. Mas o melhor jogadro ucraniano foi o ala esquerdo, Yarmolenko, um jovem jogador com grande futuro.
Uma referência final, ainda, ao russo Dzagoev, um goleador que poderia ter ido longe, não fosse a negligência da sua selecção no jogo com os gregos...
Apesar do fracasso das respectivas selecções gostei de Ribéry (Fr) e de Walcott (Ing) cuja não titularidade não entendo numa selecção quadrada como a da inglaterra. Welbeck (ing) marcou um golo fabuloso e é um jogador de futuro, mas ainda não foi consistente.
Manzukik da croácia foi uma boa surpresa, é uma alternativa de primeira para um sitema de 4-4-2. Aliás, toda a equipa esteve bem (principalmente o meio campo e os alas) mas teve azar com a a itália e uma arbitragem infeliz com a espanha.
Fnalmente, não percebi o acesso de personalidade do seleccionador alemão Low que resolveu pôr-se a brincar às selecções: o que é que lhe deu para não dar a titulraidade absoluta a um jogador como Gomez que estava a ser o melhor marcador do euro? Gomez esteve bem e só não foi o avançado que conheço do Bayern porque low não quis. Porque não apostou na nova coqueluche do futebol germânico, Goetze? Até gosto do seleccionador alemão, mas não percebi o que lhe deu para se pôr a inventar. Foi castigado e bem feito, para a próxima, se quiser brincar que brinque ao fifa 2012 no pc lá de casa...

Melhor equipa:
Para finalizar, uma última referência aquela que é uma das melhores selecções de todos os tempos: La Roja! Qualquer jogador desta equipa, mesmo os suplentes, tinha qualidade para ser titular de todas as outras. Torres, por exemplo, não foi titular e foi o melhor marcador; Silva fez coisas geniais, Mata marcou um golo num minuto e vinha de um título de campeão europeu, Navas continua uma locomotiva, Pedrito esteve ao nível do que faz no barça, uffff.... E vejam só os que nem jogaram: Llorente nem entrou em campo e seria uma solução de sonho, por exemplo para a equipa portuguesa. O próprio Soldado que nem foi convocado entrava de caras na nossa selecção, a pé coxinho... E que dizer de Xavi Martinez? De Alonso? Do magistral Busquets, um dos melhores médios do campeonato? E, ainda por cima, a espanha tem o melhor jogador do euro - Iniesta! Esta é uma das melhores selecções de sempre, a rivalizar com a do brasil de 82 e de 70, com a alemanha e a holanda de 74, com a argentina de maradona (e com o brasil de 58, de garrincha e pelé, reza a história que eu não vi)... Achei um piadão aos arautos do fim de ciclo da selecção de Espanha. Como seria se não estivéssemos em fim de ciclo? Nem queria ver...

31/05/12

Sai um cacho de bananas e um coro afinado de assobios, por Brutanana

Se alguém me atirar bananas acabo na prisão, porque mato-o!» - Balotelli

«Espero que os portugueses me recebam bem na Luz» - Bruto Alves

 O que há de comum nestas declarações?
É que tanto um autor como o outro estão a provocar o efeito contrário ao desejado. Se fossem espertos estavam caladinhos... Obviamente o Balotelli vai levar com bananas no Euro, assim, como o bruto alves vai ser mal recebido na Luz. Vai uma apostinha?

21/05/12

Onze notas sobre a final da taça, por É Nossa

1. Cometi um erro de avaliação. Resolvi não ir ao Jamor porque, pensei, mais tarde ou mais cedo, com maior ou menor dificuldade, o zebordem acabará por ganhar a final. Enganei-me. Afinal a Académica foi melhor e mereceu ganhar sem discussão. Não volto a duvidar do meu zebordem.

2. O zebordem está zangado com o Adrien porque o jogador confessou antes do jogo que queria e gostava de ganhar a final. O clube «diferente» acha isto um insulto e eu digo mais: o Adrien não tem qualidades para vestir a camisola lagarta (apesar de entrar de caras não só no zebordem mas também numa selecção nacional noraml e não na do paulo bento). Oxalá o zebordem não queira o Adrien de volta. Aposto que há quem o queira.

3. Já o joão pereira, um produto da cantera do casal ventoso é um modelo de virtudes. Pra além de ter pisado um adversário e de passar o jogo a insultar adversários e árbitro, o rapaz ainda conseguiu não devolver uma bola que a AAC tinha colocado fora para assistência médica a um jogador leonino. É como diz o paulo bento, esse grande mister: o pereira do casal ventoso tem perfil para representar a selecção portuguesa. Já o Bosingwa e o ricardo carvalho não...

4. A festa da taça em coimbra foi bonita e durou até às tantas. Mas, porra, as pessoas esperaram 6 horas pela equipa, encheram literalmente as ruas da cidade e qual é o primeiro sítio onde levam os jogadores? Pois, à câmara para os politiqueiros do costume aparecerem a trocar cumprimentos e sorrisos, beijarem a taça e beberem champanhe. Entretanto, nas ruas da cidade, a malta continuou a aguardar os jogadores. É nestas alturas que eu aprecio o exemplo do rui rio que não mistura bola com política.

5. Por falar nisto da festa dos políticos e das altas e baixas individualidades que apareceram a festejar a taça, alguém aqui da malta viu o Mancas? Pois, o nosso Mancas do liceu, o próprio? Eu vi-o, eufórico, na câmara a abraçar uns gajos também eufóricos e a beijar a taça com chuacs cúspidos. Depois a taça parece que se estragoue até tiveram que aparafusá-la e tudo.

6. Os jogadores estiveram durante a maior parte dos festejos sem a taça que não saiu das mãos dos directores e dos politicos. Compreende-se. Valeu que, na Praça da República, havia uma réplica da mesma e os jogadores exibiram-na do alto da camioneta como se fosse a taça original. Essa continuou nas mãos do simões. Coimbra é original até nos festejos.

7. Pode-se não gostar da Académica. Mas o que é obrigatório reconhecer-se é que, goste-se ou não, trata-se de um clube com uma identidade. Uma pessoa pode detestar as capas negras, os eferreás, o preto e branco, os códigos da praxe, a mística dos doutores, mas tudo isso é próprio. A Académica ganha a taça e é um acontecimento. O leixões, o beira mar ou o estrela da amadora também já a ganharam mas ninguém deu por nada. É que são clubes iguais, coisa que não se passa com a velhinha AAC.

8. O futebol é giro. Há quinze dias a AAc arriscava-se a descer de divisão e a ficar na história pelas piores razões. A equipa bateu até um record de jogos sem ganhar (16!). Agora um dia depois da festa, concluo que fez uma das melhores épocas de sempre: ganha a taça, vai à uefa e disputa a supertaça do próximo ano (e só não mete o adrien na selecção porque, isto é um facto, o paulo bento prefere o ruben micael!).

9 Isto tudo, apesar do seu treinador, o pobre emanuel que, quanto a mim, continua a ser um mau treinador e não foi a vitória de ontem que me fez mudar de opinião. Como é possível que nunca tenha alinhado junto aquele que poderia ter sido um dos melhores meio-campos do campeonato - pape sow, adrien e david simão? Mas prontos a hora é de festa e o treinador que lançou o edinho, está de parabéns.

10. Para finalizar em beleza: o edinho já disse que quer ficar na Académica pró ano!

11. Pró ano venha o Atlético de Madrid...



27/04/12


iraizoziraolamarinezamorebieta
aurtenetxeminainekizaiturraspe
anderherrerainigosuasaetellorenteibaitoquero

26/04/12

Circo, por Companhia

O Zebordem levou 3-1 em S. Mamès foi eliminado no minuto 88 pelo Athleti e os adeptos estão contentes e dispostos a festejar. Repito: o zebordem levou 3-1. Foi eliminado pelo Atlheti. Ao minuto 88. Eu não sou do zebordem mas também estou contente. Se pudesse ia a alvalade e juntava-me à festa leonina.

25/04/12

Futebol VS Andebol, por Gabi Alves

O Chelsea elininou o Barcelona! Chega à final da Chamipons praticando uma espécie de jogo que se parece vagamente com o futebol. De facto o jogo do Chelsea em Camp Nou é uma espécie de «andebolização» do futebol: em termos tácticos e estratégicos é-o inteiramente.

Esta forma de jogar consiste em abdicar de atacar e em colocar os 11 jogadores (depois da expulsão de Terry foram os 10) a defender na área como no andebol. Decreta-se a inexistência do meio campo e chega-se à baliza adversária em contra-ataques excepcionais. Esta descida do futebol ao seu grau zero é a expressão mais radical do estilo de jogo à italiana que vem dos anos sessenta. Já tínhamos visto uma versão da «coisa» quando o inter-de-mourinho também chegou assim à final europeia da há dois anos. Agora esta forma de jogar futebol como se fosse andebol chegou aos seu ponto mais extremo.

Devia ser lindo uma final entre este chelsea-do-di matteo e o inter-do-mourinho, dois expoentes desta forma de (não) jogar futebol... 90 minutos com duas equipas a trocarem a bola nas áreas respectivas, mais meia hora de prolongamento e penalties sem ninguém arriscar. Podia-se abdicar do meio campo (uma imensa poupança de espaço), passar de onze para sete jogadores e ir directamente para os penalties sem ser necessário aturarmos cento e tal minutos deste tédio. Seria um alívio para quem gosta de futebol... Uma final entre duas equipas como a do Chelsea de ontem seria um pesadelo se a quiséssemos ver (na hipótese de sermos masoquistas). Felizmente existem equipas que, mesmo perdendo, assumem o jogo de futebol e jogam para ganhar... É por isso que, mesmo tendo perdido, o modo de actuar do Barça é uma vitória para o futebol!

Pode objectar-se que o Chelsea joga com as armas que tem e faz uso do anti jogo que lhe é permitido pelas regras do jogo. Certo. Esta forma de jogar é permitida. É verdade, mas não devia sê-lo. Deviam existir penalizações para a prática do anti-jogo como acontece noutras modalidades. Mas, pura e simplesmente, no caso do futebol ou não existem ou são incipientes.

Os mais culpados  desta andebolização futebolística nem sequer são os treinadores ultra-defensivos que jogam para o resultado. É a própria Fifa que não protege o jogo. No basquete ou no hóquei por exemplo, há regras que punem o anti-jogo e só no futebol ele é, não só tolerado, mas até recompensado. E enquanto a Fifa não o perceber vamos continuar a ver equipas de andebol a chegar às finais da champions deixando para trás equipas que se preocupam com o espectáculo, como este Barça de Messi e Guardiola. É pena.
Ah é verdade esta forma de jogar ainda lembra vagamente o futebol: pelo menos por enquanto ainda é, maioritariamente, jogado com os pés.

04/04/12

Ser Benfiquista, por Cavungi

Vivemos num país que eu já não consigo qualificar. Temos uma percentagem brutal de políticos que ocupam cargos nos governos (neste e nos outros), deputados e afins que são maçons e não há problema nenhum. Pior: a promiscuidade entre associações secretas, grandes negócios e jogadas políticas é total, como se sabe. Aí sim, devia existir legislação impeditiva e ninguém se preocupa. Entretanto os senhores maçons que toda a gente sabe que o são assobiam para o lado, recusam assumir-se, divertem-se com trocadilhos bacocos como aquele de serem «discretos» e não «secretos», etc, etc. Ou seja, não se assumem mas inquinam o país com a promiscuidade inadmissível entre as suas funções públicas e as suas filiações privadas.

Mas, pelo contrário, assumir publicamente que se é do Benfica parece que se tornou crime. Que o diga o jornalista João Gobern que acaba de ser demitido da RTP, pasme-se, porque ergueu um braço espontâneo de festejo (vide pic) quando o Benfica marcou um golo! Um gesto espontâneo de um benfiquista assumido, num programa sobre futebol, com um defensor acérrimo do porto do outro lado da mesa, vale o despedimento! Vejo todos os dias comentadores desonestos e hipócritas que não preocupam a RTP - Gobern levanta um braço em sinal de contentamento pelo golo do seu clube e ala que se faz tarde. Mas quando é que este governo faz o que prometeu e privatiza de vez este ninho de incompetência que é a RTP?
É que isto ultrapassa o futebol, isto é um espelho da sociedade portuguesa. Diria o mesmo se o Gobern fosse de outro clube qualquer. Depois do triste episódio da professora primária que re-escreveu a música do pau ao gato com um final benfiquista, acontece isto. É a parte II da mesma mentalidade pacóvia...

P.S. Ontem enquanto zapava pelas inanidades da nossa TV apanhei um comentário num programa de debate bolístico em que o comentador Júlio Machado Vaz se referiu a este caso mostrando-se solidário com João Gobern. Miguel-esquece-me-o-nome (vocalista dos blind zero) acrescentou num tom que me pareceu concordante «sobre isso queria dizer que...», quando foi subitamente censurado pelo moderador/censor de serviço que o interrompeu liminarmente, declarou que já tinha sido tudo dito sobre o caso e colocou uma reportagem no ar. No regresso aos comentários o miguel não sei quê não teve coragem para dizer o que queria ter dito e assim seguiu o programinha sem que os participantes fizessem ondas como tinha exigido o censor. Fizeram bem? Ao fim e ao cabo nunca se sabe quando é que nos toca a nós...

01/03/11

Um Jogo num Microsegundo, por Papoilo

Há momentos que valem o mundo. Foi assim este Domingo na Catedral da Luz quando o Fábio Coentrão rematou para a vitória do Benfica no último segundo do jogo com o Marítimo. O Benfica empatava por um golo e, no último segundo, quando todos já tinham perdido a esperança, há uma bola que sobra para Fábio. É esse ínfimo momento que me interessa. Gostaria de parar o tempo naquele instante como se faz nos dvds para analisar um pormenor de uma cena.

Naquela fracção de segundo o mundo parou: Fábio domina com o esquerdo e a bola fica ao alcance do pé direito o seu pior pé. Percebemos que ele vai atirar à baliza , todos sabemos que é o último remate do jogo, estamos no segundo final, e é claro que ou sai fantástico e ganhamos ou acerta na floresta de pernas do marítimo e tá tudo perdido. Nessa fracção de segundo, se a pudéssemos imobilizar, milhares de gargantas ficam mudas e outros tantos corações deixam, indelevelmente, de bater. Se Fábio acertar o remate o Benfica continua na luta pelo título, se falhar o sonho morre. Fábio tem toda a responsabilidade de um clube maior que um país concentrada no seu pé direito. Mas eis que o tempo retoma o seu curso: Fábio Coentrão remata forte, certeiro, espectáculo, GOLÃO! Um momento mitológico, toda a responsabilidade do universo naquele remate de Fábio Coentrão, como um pequeno big bang em que toda a matéria do universo está encerrada num pequeno grão de matéria que subitamente se liberta numa grande explosão de energia que ainda hoje se expande!


Há momentos assim na história do desporto: o penálti falhado por Zico na meia final contra a França no mundial de 86 (falhou); um putt de Tigger Woods em Augusta do qual dependia um título (acertou); um Ace de Sampras para jogo em Wimbledon (acertou). E agora Fábio. São momentos que valem um jogo, um campeonato, que digo?, são momentos que valem um universo. Mitológicos!

03/02/11

O Benfica deu um valente cascudo no fóculporto e eu reedito aqui a crónica do jogo à maneira do Automotora, por Tó Motor

O Benfica ganhou ao Fóculporto por 2 a 0. Aconteceu no Ladrão. A análise do Jogo

Foi um grande jogo de futebol, como se costuma dizer, aquele a que anteontem se assistiu no Ladrão, entre o Porto e o Benfica. Mas o desfecho, se bem que inesperado para muitos, não foi surpresa para mim. Desde há algum tempo que venho dizendo: não ponde o Cardoso a jogar naquela posição, pelo miolo do terreno!


Isto porque, convém dizer, sempre fui apologista da táctica 1x3x3x4, com um médio recuado e lateralizações pelos flancos, a fazer a dobra. Da forma a que ontem se assistiu, nunca! O único que esteve bem foi o Sidnei, a fazer lembrar o Humberto Coelho, com os seus passes milimétricos para o Luisão, num esforço assinalável de sinergias a que se associou o Xavo, esse poço de garra, sempre na dobra.

O Salvio, por sua vez, parecia perdido nas dobras, sem uma clara linha condutora, afunilando o jogo pelos flancos, a fazer lembrar o Humberto Coelho. Valeu-lhe o Maxi esse poço de força, a fazer as dobras, a meter o pé nos flancos, sem se amedrontar com o Fernando que não o largava, no homem a homem. Esteve também muito bem o Gaitan esse dinamo, esse animal de área, como costuma dizer-se, a fazer lembrar o Humberto Coelho, imbatível no um para um (-----»«-----), sempre na dobra, ali, no miolo, a lateralizar para a grande área. Um autêntico perigo para o sector médio defensivo contrário.

E o saviola, esse bambino d’oro, esse animal do miolo? Ó meus caros, é o que eu sempre tenho dito: ponde-o no ataque, que ele dá conta do recado! Meu dito, meu feito! A gizar jogadas, daquela forma, nem o Helton o segura. Foi o melhor em campo. Pecará, talvez, por algum individualismo, mas mesmo essa sua faceta é compensada pela sua entrega ao jogo, pela sua alegria de viver. Em suma, esteve eficaz, e aquele seu pé esquerdo fez estragos na defesa contrária, a fazer lembrar o Humberto Coelho.

Os tripeiros chegaram mesmo a andar de cabeça perdida, e foi muito feio, muito feio mesmo, aquela atitude do Rolando, que só o árbitro não viu. Não viu muita coisa, diga-se de passagem… Uma palavrinha sobre o árbitro: árbitros desta categoria dignificam o espectáculo. Ali, sempre na dobra, sempre a lateralizar pelos flancos, foi um dos homens do jogo. Nota 10, portanto, a fazer lembrar o Humberto Coelho.

Uma última palavra para o Júlio César, esse poço de força e de alegria. Mas aquela posição não é claramente a dele, e isso foi patente ao longo de todo o encontro. Não se percebe que o Benfica vá buscar um jogador destes, e o desaproveite daquela forma. Sente-se que joga de forma triste, sem garra, e não ajudam atitudes como aquela que o Rolando teve para com ele. Foi triste, uma mancha negra na sua carreira. Mas é jovem, e tem tempo para arrepiar caminho.

O Treinador do Benfica, o Jesus, tem um longo trabalho de balneário pela frente… E vou eleger agora a melhor jogada de todo o encontro: aos 35 minutos, o Luisão conduz a bola. De repente, vê o cardoso e lateraliza pelos flancos, corre trinta metros e passa ao saviola Este por sua vez, corre pela esquerda, em sinergia com o gaitan, e passa a bola ao peixoto num passe milimétrico de trinta metros, que o árbrito deixa passar, e muito bem, numa boa leitura do jogo. Infelizmente, não havia ninguém a fazer a dobra e a bola perdeu-se pelos fundos.

Quanto ao Fóculporto, não há muito a dizer. Dignificou o espectáculo e foi um justo venceido embora tivesse sido triste aquela atitude do Maicon. Atitudes como aquela ficam-lhe mal e não contribuem para a dignificação do espectáculo. Bom, finalizando, o resultado podia ter sido outro, se o desfecho tivesse sido diferente, mas a vida é como é, sempre na dobra, sempre pelos flancos, a fazer lembrar o Humberto Coelho.

02/12/10

Special 5, por Olé


Mas não tinham proibido as touradas na Catalunha?

15/11/10

Carta a Vítor serpa, por Xenofonte

Caro Vítor Serpa,
Desde sempre, para mim, a Bola foi O jornal desportivo.
A minha eleição privilegiou jornalistas como Alfredo Farinha, Homero Serpa, Carlos Pinhão, Aurélio Márcio, … homens honestos, argutos, sabedores, de palavra, que se norteavam por princípios éticos e deontológicos acima de qualquer pseudo-intelectual pretensioso, com verborreia acintosa e ignorância desavergonhada.
Quando a vossa linha editorial, certamente marcada por critérios económicos, optou por incluir Miguel S. Tavares, intui um retrocesso a todos os níveis, mormente de qualidade. Esse escriba veio, efectivamente, revelar os dotes de quem se julga intelectual, alardeando teorias — que considera conhecimentos — acerca de todos os assuntos. Na Bola assiste-se a um exercício confrangedor e pungente de um assalariado da palavra que, sem um saber sustentado, se limita a expelir uma maledicência abjecta e um ódio inconsequente que despreza qualquer lógica argumentativa, tão pobre é o seu discurso.
Preferi-lo à inteligência de Ricardo Araújo Pereira deixa antever uma subserviência preocupante.
Porque, em nome de uma pluralidade de ideias, não vale tudo: há princípios, valores axiológicos que sustentam pessoas e Instituições.
Escrevo-lhe, caro Vítor Serpa, porque sempre o li e concordei com as suas opções cívicas e desportivas, que tão claramente enunciou.
Assistir, agora, a esta opção entristece-me. Por todos os motivos. Porque vou deixar de comprar o meu jornal.
Assim se delapida uma Instituição que se construiu baseada em homens de Bem, com valores perfeitamente definidos.
Post-Scriptum: obviamente que também permitiram a intrusão de indivíduos como o Eduardo Barroso, que está permanentemente a afirmar o seu ego inchado, exibindo o seu estatuto e fazendo referências, sempre, à sua actividade profissional (tipo arma de arremesso), numa narração despudorada de valorização do seu papel na sociedade. Mas isso é só o sintoma de uma fraca auto-estima e a sublimação de um certo estado que o revela como alguém absolutamente vaidoso — é inócuo e risível.
Porque sempre o considerei, caro Vítor Serpa, o meu lamento.
Como Heraclito sabiamente nos disse, O carácter de um homem é o seu destino.
Os meus cumprimentos

08/10/10

Metafísica de Barbearia, por Zidane

As conversas no barbeiro são um clássico. É praticamente imemorial, os barbeiros sempre se destacaram socialmente e não apenas pela sua excelsa habilidade na arte do rendilhado capilar - tempos houve em que faziam também de médicos de aldeia. Hoje tornaram-se, regra geral, verdadeiros psicanalistas sem divã, habituados a ouvir as biografias mais incríveis dos seus «pacientes». Mas, pessoalmente, nunca incentivei muito a conversa de barbearia. Geralmente prefiro passar por uma pessoa pacata e calada - que estou longe de ser - e deixar o sô João,adepto do sportem, fazer o seu trabalho em silêncio. A razão é simples: prefiro que ele esteja concentrado, não me agrada a ideia de distrair um tipo que tem uma navalha ou uma tesoura por perto do meu pescoço. Quanto mais não seja receio que a qualidade do corte não saia tão bem. Acho mesmo que é possível estabelecer uma espécie de lei universal das barbearias: quanto maior é o envolvimento do barbeiro na conversa, pior é o corte do cliente!

Mas hoje abri uma excepção. Não sei como, mas dei por mim a discutir o tema da corrupção na arbitragem. O sô João defendeu encarniçadamente que não há nem nunca houve neste país corrupção na arbitragem. Os árbitros são pessoas sérias, que diabo... Como eu não parasse de rir com a fé dele, para contrariar o meu cepticismo cínico, toca de dar o seguinte exemplo:

- Tenho aqui um cliente com anos de casa que foi árbitro a sério. E contou aqui que, uma vez que foi lá acima apitar um jogo, estava ele no quarto do hotel com os dois colegas bandeirinhas, batem-lhes à porta. Isto na véspera de apitarem o jogo com o tal clube. Eram três gajas brasileiras boas comó milho. O que é que um homem faz, tá a ver, han, os homens estão lá sossegadinhos e aparecem-lhes três brasileiras cada uma melhor que a outra... Comeram-nos, claro, e no fim perguntaram, educadamente, «quanto é?». Resposta das meninas: «não se preocupe que já está pago».

Pergunta-me o sô João «então isto é corrupção? isto não é ser corrupto, um homem tá sossegado a descansar no hotel, concentrado no jogo e tal e aparece-lhe a fruta. Não há como evitar e se no fim já está pago, pois melhor. O que é que isto tem a ver com corrupção?»

Perdi o pio. Discutir ética com o sô João não é, definitivamente, tarefa fácil. No fim nem me reconheci no espelho: o corte de cabelo ficou horrível!

13/09/10

Muttley no Dragão, por Mutt


Bom, ninguém diz nada a ninguém, mas no sábado passado, até tenho vergonha de o confessar, eu fui ao estádio do lad, perdão do dragão, ver o Porto-Braga. A companhia puxou e a coisa quase que correu bem. Quase...

Tenho de reconhecer que foi um grande jogo, do melhor que vi nos últimos tempos e não me arrependi nada de ir, até porque, ainda por cima,os lugares eram fantásticos, mesmo em cima do relvado. Só foi pena o Braga não aguentar o 2-1. Lembram-se do Muttley, O Cão que Ri? Pois, era uma série de desenhos animados da Hanna Barbara que eu via quando era miúdo. O Muttley era um cão cínico e gozão que se ria para dentro com a desgraça alheia. No estádio do lad, perdão, dragão, eu senti-me o Muttley nos golos do Braga porque também me fartei de rir para dentro, pianinho (se risse abertamente o mais certo era levar nas ventas)... Mas no fim o fcp ganhou e bem e é caso para dizer, para grande tristeza minha, que o Hulk venceu o Muttley.

23/08/10

A Capital Mundial da Bola, por Zôzimo

Finalmente fiquei a perceber o quadro futebolístico do Brasil. Já tinha estado duas vezes no país irmão, mas no Nordeste o futebol pareceu-me ser uma coisa distante... Só agora, que passei férias no estado do Rio de Janeiro (incluindo a cidade maravilhosa) fiquei inteirado acerca da geo-política futebolística do país irmão. Percebi agora, por exemplo, porque é que o Fluminense é conhecido como o «pó de arroz». O Fluminense é o clube aristocrático do Rio, uma espécie de Zbordem do Brasil com adeptos que têm a mania que são finos e diferentes mas que são tão fanáticos como quaisquer outros. Ora na sua história as elites tricolores não admitiam jogadores negros no clube. Até que em 1914, Carlos Alberto (não o craque dos anos 70), recém contratado, tentou esconder a pele negra passando pó de arroz pelo corpo com medo dos aristocráticos tricolores. Durante a jogo o suor desfez o disfarce e a torcida começou a gritar «pó de arroz». E pó de arroz ficou!

Os grandes clubes cariocas são o Flamengo (o clube brasileiro com mais adeptos), O Fluminense, o Vasco da Gama (como o nome indica, o clube dos Portugueses) e o Botafogo. Entre todos estes clubes há uma rivalidade insana mas o ódio comum a todos é o Flamengo que é detestado em graus iguais pelos adeptos dos outros três.

O Flamengo, clube do povo e da malta da favela teve grandes nomes, como Leónidas, Zagallo, Júnior, Zico, Bebeto, Romário ou, mais recentemente, Adriano. Já o Flu conta na sua história com figuras como Didi, Félix, Rivelino e Edinho. O craque actual é o argentino Conca, mas o Deco acabou de chegar... Quanto ao Vasco conta nos seus ídolos, o imortal Bellini cuja estátua está no Maracanã, Vavá e Tostão. O actual presidente é o mítico Roberto Dinamite, esse mesmo que se lesionou antes do Mundial de Espanha, abrindo a vaga de ponta de lança para o coxo do Sérginho, uma nódoa na melhor equipa brasileira que eu já vi jogar, o escrete de 82. Quanto ao Botafogo conta com nomes como Didi, Jairzinho, Dirceu, Gérson e o fabuloso Mané Garrincha. Garrincha foi o maior futebolista brasileiro depois de Pelé. Embora muita gente o considere melhor que o próprio Pelé. Mané foi uma espécie de forrest gump carioca, ingénuo como o personagem do filme. Conta-se que em pleno Mundial de 62, quando o Brasil bateu, nas eliminatórias, uma poderosa Inglaterra por 3 a 1, com uma grande exibição do Mané foi-lhe perguntado no fim do jogo o que é que ele tinha achado dos ingleses. Ao que ele respondeu que «os caras com a camisola igual ao xpto da Zona Norte eram bem mais fracos que as equipas que disputavam o campeonato local carioca!" E isto não era gozo - o Mané não decorara mesmo os nomes de algumas equipas que defrontara no Mundial. Talvez por causa dele, eu tenho uma especial simpatia pelo Botafogo...

Mas o meu clube de coração no Brasil é mesmo o Santos, do estado de S. Paulo, o time do rei Pelé. O Santos é o clube da molecada, do futebol romântico de que eu tanto gosto, o clube irmão do actual Barcelona, dos galácticos do Real Madrid ou da Holanda de Cruijjf. Foi lá que jogaram Carlos Alberto, Clodoaldo e Zito,além de Pelé... Actualmente o clube vive um grande momento. Tem um ataque do outro mundo, o famoso «quarteto santástico» com Robinho, Neymar, Ganso e André, mais dois médios de alta rotação, o trinco Arouca e Wesley (que o Benfica deixou escapar) e uma boa defesa com um excelente lateral direito, Pará. Destes todos, Robinho, Wesley e André já saíram, mas que não haja dúvidas, o futuro do futebol brasileiro passa por estes «meninos»...

Bem, eu podia ainda falar no S. Paulo, no Corintians, no Palmeiras ou no Cruzeiro (de Belo Horizonte). E ainda há o Atlético Mineiro (de Minas Gerais) e os fortíssimos clubes do Sul, o Internacional e o Grémio ambos de Portalegre... Ficam para a próxima.

12/07/10

Arriba España!, por Manolete

E lá vão 12! Como meço a minha vida em Mundiais, fiz ontem 12 Mundiais. Desde 66 (embora aí eu não tenha qualquer memória) que sou um fanático do mundialismo. Também não me lembro do de 70 e só vagamente recordo o de 74, mas a partir do de 78, na argentina de Kempes (campeão contra a holanda de Resenbrink), vivo-os todos intensamente.

Bom, quase todos. Quando o futebol anti-espectáculo começou a triunfar, eu só cumpri uma espécie de obrigação burocrática. Assim foi nos EUA ganhos pelo Brasil do Dunga e do Zinho, a maior traição à tradição futebolística do escrete de todos os tempos, um mundial funesto que subverteu para sempre o estilo artístico dos canarinhos. Até neste Mundial de 2010, o Brasil dessa amostra de treinador com nome de anão, o dunga, continuou na senda traidora, deixando de fora craques como Alexandre Pato, Paulo Ganso, Ronaldinho, David Luiz, Neymar, Marcelo ou Diego para optar pelos Melos, G. Silvas, Bastos, Klébersons e quejandos. Felizmente foram para casa, pode ser que o Brasil entenda que tem responsabilidades históricas acrescidas: quem representa a velha tradição de Vává, Didi, Garrincha, Pelé, Tostão, Gerson, Rivelino, Junior, Falcão, Zico, Sócrates, Ronaldo e Rivaldo não pode pensar em jogar com onze armários.

Desse ponto de vista a Espanha que ontem se sagrou campeã mundial é uma lição para o Brasil. Porque a Espanha assumiu um modelo de jogo que previligia o futebol espectáculo e mostrou que é possível ser-se campeão jogando bonito. Oxalá os brasileiros compreendam que é desse lado da barricada que devem estar.

Mesmo a Holanda, com uma equipa bem mais limitada que a Espanha (concordo com quem diz que esta é a pior geração holandesa dos últimos tempos), nunca foi uma equipa defensiva. E embora não tenha tido na final uma posse de bola que lhe permitisse praticar um futebol muito vistoso, soube pressionar muito alto (com excessos violentos é certo), e impedir a Espanha de jogar no seu meio campo. Só no fim nuestros hermanos o conseguiram fazer. Mesmo assim, prefiro o pressing alto da holanda com a sua dureza e a sua filosofia de querer ganhar o jogo, à filosofia daquelas equipas muito apreciadas sobretudo por aqueles que não gostam verdadeiramente de ver futebol, que se limitam a meter onze armários atrás da linha da bola e a tentar surpreender em contra ataques.

Destaco também a Alemanha, outro exemplo de futebol acutilante, uma máquina de fazer golos. Foi pena que Low, o seu treinador, tenha cedido ao medo e que, no jogo com a espanha, tenha alterado a sua filosofia de jogo que tantos frutos tinha dado até então. De facto, ao contrário do que fizeram em todos os outros jogos, os alemães apostoram, no jogo com a espanha, no futebol de contenção. Lixaram-se. Sairam com a sensação de não terem feito tudo o que estaria aos seu alcance. Demasiado parecidos com o portugalzeco do queirós...

Uma palavra ainda para a Argentina de Maradona. Apesar de goleados com a Alemanha, os Argentinos foram recebidos em delírio no seu país. Compreendo. Mais vale cair desta maneira, com quatro secos, dando tudo o que se tem, do que sair de rabinho entre as pernas com discursos bacocos e medrosos de quem não fez tudo o que podia (vide portugal). A Argentina dignificou o jogo e, pese embora alguns erros incompreensíveis na selecção de jogadores (como é possível não se convocar zanneti e cambiasso ou mesmo lucho e lisandro?), saiu com dignidade do Mundial.

Finalmente, a minha selecção do Mundial. Não escolho os jogadores que melhor alinharam na posição respectiva, faço algumas alterações relativamente às posições originais de cada jogador:
A bold a equipa titular, os outros são alternativas mas no caso dos avançados não é possível citar só uma.

Guarda redes: Casilhas (Esp.)
Alternativa (Stekelenburg (HOl)
Também gostei do Howard (EUA) do Neuer (Al) e do Eduardo (Por).

Defesa direito: Maicon (Br)
Alternativa: Van der Wiel (Hol)
Também bem o nosso Maxi Pereira (Ur)

Centrais: Piqué (esp) e Sergio Ramos (esp)
alternativas: Lúcio (Br) e Mertsaker (Al)
O friedrich (Al), o Puyol (esp), o bruto alves e o ricardo carvalho (Por) e o Tanaka, (Jap) também fizeram bons campeonatos.

Defesa esquerdo: Lahm (al)
Alternativa: Coentrão (Port)


Médios: Schweinsteiger (Al), Schneijder (Hol), Xavi (Esp) e Iniesta (Esp);
Alternativas: Khedira e Ozil (Al), Mascherano (Arg), Busquets (Esp), Donovan (EUA), Ayew (Gana), Rios e Diego Perez (Ur)
Avançados: Fórlan (Ur) e Robben (Hol)
Alternativas: Villa (Esp), Muller (Al), Suarez (Ur), Ghian (Gana), Altidore (EUA), Tevez e Messi (Arg), Javi Hernandez e Giovanni (Mex), Honda (Jap).

A minha selecção dava, portanto, 5 espanhóis, 2 holandeses, 2 alemães, 1 brasileiro e 1 uruguaio.

O melhor seleccionador foi, obviamente o senhor Don Del Bosque (Esp) seguido pelo Joachim Low (Al) (uma pena a traição a si própprio no jogo com a Espanha....) e pelo Marwick (Hol). Nota alta ainda para os seleccionadores do Uruguai, Bielsa e do Paraguai (nem sei o nome) que com uma equipa sem nomes soube ir longe...
E, finalmente, o melhor jogador do Mundial foi, para mim, o Xavi (Esp), cuja eleição só não é unânime porque não é um individualista, mas um soberbo jogador de equipa. De qualquer modo a escolha de Fórlan (Ur) ou de Iniesta (Esp) também não chocam.

E prontos, daqui a quatro anos há mais, faço nessa altura 13 Mundiais de Futebol... Um jovem, praticamente.

P.S. No pic, a apresentadora da TVE, sara carbonero, namorada de iker casilhas. rezam as crónicas que foi a principal inimiga de la Roja porque parece que desconcentrava o rapaz quando se encontrava a fazer reportagens atrás da baliza.

06/07/10

A Angústia do Trinco no Momento da Chegada ao Aeroporto, por Bunga

Esta fotografia impressionou-me particularmente. Mais que as fotos dos grandes golos do Diego Forlán, das fintas do Messi ou dos arranques do Muller... Aliás, só aparentemente, esta é uma fotografia sobre futebol. O futebol aqui é só um acidente. No essencial esta foto versa o fanatismo, a intolerância, a cegueira nacionalista.

A foto retrata o momento da chegada da selecção Brasileira e do futebolista do escrete, Filipe Melo, ao aeroporto do Rio. Melo, como se sabe, foi apontado como principal responsável pela eliminação da sua selecção no jogo dos quartos de final com a Holanda. Além do azar de ter marcado um auto golo, Melo foi ainda culpado de ter agredido o Holandês Robben, o que lhe valeu uma justa expulsão que acabou com as hipóteses remotas da sua equipa vencer o jogo. Não importa o passe genial que fez para o golo soberbo do Robinho. Toda a gente, eu também, o condenou.

Mas as pessoas esquecem-se que o futebol é apenas - ou deveria ser - um jogo. Não é um caso de vida ou de morte. Sim eu sei que houve um treinador inglês que ficou célebre por afirmar precisamente o contrário. Mas isso é um slogan com muito mais valor facial que real. O futebol não é uma guerra entre países.

No entanto, mal começa o Mundial, os nacionalismos exacerbados vêem ao de cima. A França fez da sua desastrosa participação um caso de Estado que levou ao envolvimento das principais figuras do país. O governo da Nigéria foi mais longe e decidiu suspender a participação da sua selecção de futebol em competições internacionais durante dois anos (entretanto recuou). E o Brasil chorou e vaiou o burro do Dunga e encenou um filme de terror à chegada do escrete ao Rio de Janeiro.

Esta foto é, pois, eloquente. Melo, o criminoso Melo, está em pânico como se fosse um traidor à pátria. Bem lhe valeu pedir desculpas públicas pelo seu acto tresloucado e dizer que já não tinha mais lágrimas de tanto chorar. Neste momento da sua chegada ao Brasil ele teme, realmente, um linchamento público. Não vemos o que o assusta tanto, mas podemos imaginar a multidão enfurecida. A separá-lo dos bandos de fanáticos acéfalos que o foram esperar ao aeroporto, noite adentro, um ou dois seguranças que deviam valer de muito se as coisas aquecessem. E o Filipe, escondido atrás de um patético boné, abre os olhos de espanto e de medo. É ainda mais impressionante porque sabemos que Melo é, dentro do campo, um verdadeiro guerreiro, um daqueles jogadores que não teme nada nem ninguém. Aqui, pelo contrário, o guerreiro parece uma criança aterrorizada. É essa descida do Olimpo, essa queda do Éden que me impressiona na foto. E a ameaça invisível que sabemos estar lá: a multidão!

No dia do jogo entre a selecção de Portugal e a da Espanha resolvi fazer um teste. Declarei que torcia pela Espanha porque gosto do futebol praticado pelo Xavi, pelo Piqué e pelo Iniesta e porque detesto o futebol burocrático do carlos queirós. Chamaram-me de tudo, até de traidor à pátria! Confesso que, com o decorrer do jogo, foi-me difícil permanecer fiel ao meu declarado apoio. E quando o Simão ou o Hugo Almeida se aproximaram da área espanhola, eu saltei de entusiasmo. Pelo contrário, não fui capaz de vibrar com o golo da Espanha. O futebol não pode ser inteiramente racional, é um facto. Mas pode sê-lo um pouco, o pouco que separa a dignidade da indignidade.

O que é racional é tratarmos o futebol como um jogo e não como um caso de guerra patriótica com os seus fuzilamentos por deserção. Mesmo reconhecendo essa ancestral simpatia pelas «nossas» cores, é possível encararmos o futebol de uma forma mais saudável. Fotografias como esta do ex guerreiro, do homem só prestes a ser linchado pela multidão, têm demasiadas semelhanças com os progoms e com as Noites de Cristal. Devíamos repetir mil vezes que o futebol é um espectáculo, de que o Mundial é, talvez, o maior espectáculo do mundo, mas que não passa de um jogo.

Procurei dizer isto mesmo a um amigo. Que apoiar uma selecção que não a portuguesa não é um caso de traição anti patriótica; que apoiar a selecção portuguesa não é um caso de patriotismo; que a utilização de certos símbolos nacionais na ocasião de um jogo de futebol - como a inenarrável e patética encenação do Hino - devia ser, pura e simplesmente, banida. E perguntou-me esse amigo: mas se não é quando joga a selecção que temos oportunidade de demonstrar o nosso nacionalismo, então quando é que é?
Possivelmente ele tem razão. Os jogos da selecção são o único e último resquício do nacionalismo nos dias de hoje. Talvez já não exista a pátria. Ou pelo menos já não existem oportunidades de lhe expressarmos o nosso amor. Talvez a nação já não faça sentido. Mas será isso mau?

Pode ser um destes dias eu escreva aqui um outro post. A selecção argentina perdeu 4-0 com uma magistral Alemanha e, tal como o Brasil, também foi recambiada para Buenos Aires. No entanto, em vez de ser recebida como a sua congénere brasileira, foi recebida em euforia com slogans de orgulho pela qualidade futebolística dos seus jogadores. As fotos da recepção à selecção da Argentina são, felizmente, o contrário desta foto do Filipe Melo. Mas talvez seja esta foto, e não as da Argentina, o verdadeiro ícone do Mundial de futebol.