Blog da RS.T - Real Esseponto do Tinto - Coimbra - Os Três Pastorinhos também bebiam o seu copito
31/01/09
29/01/09
Passarada dum raio, por Senhor Lord of the Flies
O caso que vou relatar não é novo, mas é eterno enquanto dura, como dizia o poetinha a propósito das erecções.Dá-se então o caso de a ponte Rainha Santa Isabel, em Coimbra, ter umas barreiras transparentes com uns pássaros desenhados, que eu pensava que tinham meros propósitos cénicos. Olha que lindas andorinhas; deve ser uma homenagem às andorinhas de louça que as nossas avós e avôs mais apaneleirados penduravam nas paredes de suas casas - dizia eu para mim, sonhador, olhando nostalgicamente para as avezitas, quando por lá passava, enquanto chocava com as traseiras dos volvos em rota para carregar brita em Pombal. Muito fui eu a Santa Clara só para ver as andorinhas da ponte, caramba…
Afinal, soube agora, aquilo não são andorinhas, mas sim aves de rapina destinadas a espantar os passaritos, evitando que choquem com as barreiras. Ora aqui está: toda a gente sabe que os passaritos são demasiado espertos para serem enganados com desenhos. Aves de rapina mas é o tanasdávó! - pensam eles - aquilo alí à frente são é grafites! Bute lá esborrachar as nossas cabeças, malta penosa! Banzaaaai! E pumbas, é assim que muitas lá falecem, indo-se acolher no regaço do São Francisco de Assis. As crentes. As agnósticas ou adeptas do União de Coimbra são simplesmente depositadas no aterro sanitário municipal ou recolhidas para fritadas pelo pessoal do Hotel da Quinta das Lágrimas, ali ao lado, sobretudo para servir a malta que vai lá jogar golfe e almoçar no restaurante, os patos.
.
Mas assim ou assado, o facto é que esta mortandade passaral aborreceu algumas associações ambientalistas – de pessoas que se associam para se aborrecer com coisas destas, precisamente - e a Câmara Municipal, motivando reclamações junto da empresa Estradas de Portugal, EP, responsável pela ponte e por desenhar pássaros nas pontes, as propriamente ditas obras de arte das infra-estruturas rodoviárias. Que a coisa não funciona como devia, patati, patata, piupiupiu quáquáquá.
A resposta da empresa pública foi caros senhores, em referência à exposição tantos, temos a informar que nem aquela area está classificada como area protegida, nem aqueles pássaros correspondem a espécies protegidas ou têm algum estatuto de conservação, do que se conclui que os pássaros não têm nada que se queixar, porque a lei não os autoriza a tal atrevimento e aliás aliás nem morrem assim tantos como eles alegam. Ou seja, em rigor e nos termos da lei não há nenhuma diferença entre pedras de granizo e as cabeças destes pássaros rafeiros. Desenhar pássaros nos painéis já foi um zelo excessivo de um homossexual que nós aqui temos amante dos pássaros, se não resulta, não resulta, paciência, a bem da nação, obrigados e sem mais de momento, com os melhores cumprimentos.
Portanto, os pássaros que não pertencem ao Country Club nem têm anilha de brasão, se ninguém o fizer por eles, devem eles próprios acautelar-se preenchendo e entregando um formulário, requerendo pela sua saudinha que sejam dignos de protecção, enquanto vão ao outro lado da ponte buscar minhocas para os seus pobres filhinhos que aguardam no ninho. Ó filhos, vós sois mais que as mães e a gente não dá conta da papelada e olhem lá, morrendo muitos de vocês, talvez a gente vos carimbe com o estatuto de aves raras e se safem vão lá à vossa vida. Assim como há senhoras e mulheres, há aves e há pássaros. Olha, se por exemplo fosse o Pato Donald a dar lá com os cornos, era um valha-me deus de conflitos diplomáticos com a Casa Branca.
Bom, a bem da verdade, que ainda vou a tempo, a irmandade dos Lords of The Bridges também diz, no final do mesmo comunicado, num arroubo de caridade transbordante, que vai ver o que pode fazer pelos animais e fala em monitorização, avaliação da necessidade de reforço de medidas, quaquaqua. O que deve ter sido uma revolução epistemological que merece a admiração geral da Nação. Isto de decidir de repente coisas que não estão previstas em directivas comunitárias e diplomas publicados em Diário da República não está ao alcance de qualquer um, não está não.
Mas ó senhores, até eu, eu que quebrei algumas tibias de passaritos em puto com alguns costelos armados nos pinhais das gândaras e que, por isso, só a salto e de noite devo chegar ao Céu, eu que até comi gaivota (sabe a papel canelado, se bem me lembro), fiquei, como dizer, mais tonto com tudo isto do que se tivesse marrado com a cabeça num pilar da ponte ornitófoba. Compreendeis o que quero dizer, ou quereis um regulamento comunitário para esclarecer?
27/01/09
Ó Tio, Ó Tio!, por Tiro Liro
O 24 Horas brindou-nos hoje com uma das capas mais hilariantes da história do jornalismo recente. O Porco não podia deixar de a imortalizar. Essa que aí podem apreciar.Estas notícias chegam na sequência das comprometedoras revelações do tio do ingenheiro socrates, a propósito do caso Freeport. Ele é o tio, o primo, até a própria mãe do primeiro ministro se pronuncia sobre o tio Júlio nas páginas do jornal. Afirmam eles que o tio sofre de uma doença neurológica, que «tem sombras no cérebro», «que se esquece das coisas», que «tem células destruídas pela doença» e que «as faltas de memória têm-se agravado». «Já nem o reconheço», diz a própria mãe de socrates a propósito do tio Júlio. À escala europeia é um estranho e inédito caso jornalístico: a família de um primeiro ministro, pasme-se, vem em peso para as páginas de um tablóide falar das mazelas mentais dos seus membros e das simpatias do clã!
Percebe-se o sentido implícito desta fabulosa primeira página, percebe-se até a sua pertinência jornalística. O primeiro ministro está literalmente acossado no caso Freeport e as declarações prestadas pelo tio, só vieram afundá-lo ainda mais. Portanto o sub-entendido destas notícias é claro, é como se nos dissessem: «não liguem ao homem que ele não anda muito bem da cabeça e não sabe muito bem o que diz». Trata-se de uma óbvia descredibilização do testemunho do tio Júlio, embora, do meu ponto de vista, se esteja a ir um pouco longe demais, ao envolver a família nisto...
No entanto eu quero dizer aqui que acredito inteiramente no testemunho da família do primeiro ministro. É até absolutamente plausível que o tio de socrates tenha problemas de memória. Nem sequer é novidade na família. Então não foi o nosso primeiro que, quando lhe perguntaram quem eram os professores do célebre curso de ingenharia tirado num mês de Agosto na Independente, declarou que não se lembrava? Só o professor Morais do Inglês-Técnico foi professor de 4-cadeiras-4. Mas socrates não tinha qualquer lembrança... Claro, deviam ser as tais «sombras no cérebro» a atacar... E quando lhe perguntaram sobre os colegas, também não se lembrava de nenhum... Normal: «células destruídas». Ainda recentemente socrates foi chamado à atenção por fumar a bordo de um avião depois de, ele próprio, ter aprovado a lei que o proibia. Outra falha de memória, certamente. Pelos vistos o mal de memória não é exclusivo do tio Júlio. Deve ser um cromossoma maligno que ataca toda a família.
26/01/09
Da Maria Absoluta e doutros insectos, por Cão
Somos um país de insectos. Como insectos, somos esmagáveis com uma facilidade de chinelada. Vem a imagem lepidóptera (mais a ver com traças do que com borboletas) da tragicomédia em que esta terra se volveu.´É o tremendo sr. Sócrates a requerer a “Maria Absoluta”, essa gaja tenebrosa.
É o inenarrável sr. Madail, ao arrepio das finanças nacionais, a encomendar o Mundial da Bola 2018, depois do fartote pato-bravo que foi o Euro 2004.
É a “benesse” ético-coisital dos casamentos gay (com adopção ou sem adoção de meninos?).
É o desbocado sr. Policarpo, cuja religião não permite sacerdotisas, a dizer aos papás que livrem as filhas de casamentos com aquela maltosa que passa férias em Guantánamo.(E já que a crónica mete o Cardeal ao barulho, pegue-se na Bíblia, encontre-se o Livro dos Provérbios e leia-se este apotegma: “Por três coisas se alvoroça a terra, e a quarta não a pode suportar: pelo servo, quando reina; pelo tolo, quando anda farto de pão; pela mulher aborrecida, quando casa; e pela serva, quando fica herdeira da sua senhora.”.)
A “senhora” em causa é, claro, a Maria Absoluta. O “tolo” é quem casa com ela.
Assim andam e desandam as coisas cá pelo “reino cadaveroso”. A canalhada mandante é vil. A desvergonha atinge foros de paroxismo. O saque é geral. A perspectiva é nula. A expectativa é magra. O “poder local” deveria levar “h” depois do “p”. O bacalhau sabe a tainha. O vinho das cooperativas é todo igual ao litro. E a traça nunca será borboleta.
Agora, que o meu leitor volte a cabeça de repente e para cima: vê? É o chinelo.
Crónica nº 87 da série Rosário Breve (O Ribatejo, www.oribatejo.pt)
22/01/09
AÇORES, BALEIAS E A TIA HORTÊNSIA, por AzimutePerdido
De Onde Se Bate Nos Açores, Salvo O Devido Respeito Pelo Ilhas E Pelo JNAS.
É que o raio da flor pouco ou nada tem de apelativo. Os Açores no imaginário da malta é mar, é meros – se é que os nossos amigos do Catilinário ainda deixaram algum para amostra -, Açores é bicheza marítima e é sobretudo cachalotes e baleias. O imaginário turístico açoriano deve viver do mar, do café sport, do paredão da Horta, da vida anterior à volta da baleia e sobretudo da baleia e da sua observação. Para ver flores há milhentos sítios melhores por esse mundo fora. Ah, o cartaz fala depois do azul das baleias. Abelha.
Atão mas alguém vai aos Açores ver as florinhas?. A malta quer é ver baleias, gordas, luzidias, jurássicas. Meter florinhas, quando têm à mão um dos ícones mais poderosos da criação é o mesmo que vender o Kénia com a floração das buganvílias e o Kruger Park com a beleza estonteante dos jacarandás. Ora vejam lá se o Allgarbe não se vende com as mamas das lontras inglesas. Ou andam lá a meter a flor da alfarrobeira?
Ainda por cima uma Hortênsia. Mas que raio de cabecinha chama Hortênsia a uma flor, e porque não Gertrudes ou Hermengarda? E a malta dos Azores eleva a Hortênsia à categoria de máxima representante e figura de proa da região. Quanto a mim mal. Eu dos Azores quero as Baleias. Faraónicas e dinossáuricas. Belas e livres como nenhum outro bicho. Hortênsia é tia afastada e a cheirar a bolas de naftalina.
21/01/09
SÓCRATES, UM POPULISTA DEMENTE, por AzimutePerdido
Mundial 2018?, Valha-nos Deus E O Diabo!
O inefável Sr Engº Gilberto Madaíl – não há frio ou tumba que o tombe -, veio agora anunciar que, depois de falar com o outro Sr Engº, Sócrates de seu nome, Portugal irá tentar sacar o Mundial 2018.
Obviamente, lá se sucederam os anúncios: que é bom para Portugal, que Portugal só irá lucrar, que não se irá gastar muito, etc, etc. Esta gente de memória curta e inteligência mais curta ainda, esquece-se de que já anunciaram o mesmo com o Euro 2004, que encheu este país de Estádios idiotas e desertos, alguns dos quais rentabilizados com casamentos e baptizados.
Ontem veio e bem, o Sr Dr Ministro das Finanças Teixeira dos Santos dizer que: a ver vamos, não é prioritário, há outras coisas, se calhar nim, que ninguém falou com ele, etc coiso e tal. Ou seja, estejam mas é quietinhos que em primeiro há que arranjar dinheiro para mandar cantar o ceguinho e depois se sobrar dá-se uma moedita ao habilidoso da bola.
Temos assim que Sócrates saltou e pulou e garantiu ao Madaíl. Do outro lado Teixeira dos Santos de nada sabe e nega-se à esbórnia: olhe lá doutor engenheiro e coiso, que isto é bocadito mais carote que a Independente.
Hoje ou amanhã, um dos dois irá arrepiar caminho. Vale uma garrafita? Eu aposto que é o Teixeira que vai torcer. E Vocês?
19/01/09
DEXTER, UM ASSASSINO INCÓMODO, por DervicheRodopiante
A série tem como protagonista o próprio Dexter, assassino e Serial Killer. O homem mata e mata muito. À superfície o homem é um polícia, um perito de sangues, seja lá o que isso for, e um analista de laboratório. Crime Scenes Expert como eles dizem. Pelo meio tropeça em bandalhos que a policia não consegue deitar a mão, ou bandalhos que ele próprio escava. E mata. Como só ele. Com requinte e muito, muito plástico.
A coisa começa logo a deslumbrar no genérico inicial. É fabuloso. Os fazedores de tal maravilha jogam com a música típica dos filmes de terror e suspense e criam uma sucessão de imagens que nos levam ao engano e que afinal se revelam do mais inocente que pode haver. O que abre logo para o tom da série. É que o Dexter sendo serial killer é também o herói e o bom da fita.
É um homem que por via de umas cenas muito graves na infância - não digo mais para não estragar -, não consegue sentir nada. Nem empatia, nem amor, nem nada por ninguém. É um vazio absoluto que não chora, não ri e não sente. Nunca sentiu a necessidade de se divertir, de espraiar ou de namorar. Sexo?, idem aspas, aspas. Quando o homem começa a namorar, fá-lo por necessidade de integração e normalização social e nada pede nem avança com a namorada, porque simplesmente não sabe nem quer.
A cena em que a namorada, agradecida, desce sobre a cadeira onde o homem está e lhe faz um Blow Job – Serviço De Sopro em português -, é uma cena de antologia. Nada se vê, é claro, a não ser a expressão de espanto, alguma satisfação e sobretudo, um reconhecimento: ah, então é isto, hum…, não é que seja mau, é esquisito, mas também já me fizeram coisas piores, prontos está bem, ela parece saber o que faz e desde que não se aleije, eu não a vou contrariar. Só visto. Uma interpretação fora de série do actor Michael C. Hall que o protagoniza e que faz também a voz do narrador, que é o próprio Dexter dentro de cuja cabeça estamos em permanência. Os pensamentos e as dúvidas da personagem são-nos colocados a nós também.
Na série, Dexter mata de forma certeira e infalível. Deus Ex Machina. Nunca se engana. E numa cedência clara ao politicamente correcto somos sempre esclarecidos da culpabilidade do facínora a assassinar. Mas a série é do menos digerível que pode haver e provocou ondas de indignação por toda a América. Mata-se ali com fartura e com muito sangue à mistura. E sobretudo, a série é completamente imprevisível, com reviravoltas constantes no enredo. Os diálogos são do melhorio. Há personagens extraordinárias como só numa série destas poderia haver. Uma coisa de culto.
Pelo meio há sangue inocente. Como sempre e o Dexter – apesar do papel de Deus ex-machina -, não consegue evitar que alguém inocente morra, e que morram até inocentes do seu interesse. Não é ele que os mata, mas a morte deles cai que nem ginjas. E o ginjal do Dexter é grande comó catano. Dia 28, prendam uma âncora no pé, não desistam à primeira esguichadela. Peguem em cereals e sigam o serial. Firmes e hirtos. Dêem-lhe uma oportunidade e vão ver que não conseguem arredar a olheira. Porque matar é do mais humano que pode haver.
15/01/09
Higiene, coentros e maduro, por Cão
Pergunta-me um amigo se vi pela TV a entrevista do primeiro-ministro. Disse-lhe que não. Não vi por uma questão de higiene. Mental. Minha. Muito minha e muito mental. Não vi. Não quero saber. Não sou um jornalista ao serviço dele. Nem dele nem de ninguém.À hora da dita entrevista, estava eu em casa muito sossegadinho a ler o meu dicionário da Porto Editora, escrito ainda sem a porcaria ortográfica pró-brasuca que aí vem. “Higiene mental: ramo da higiene destinado a manter a saúde mental e a assegurar a profilaxia das neuroses e das psicoses, combatendo os factores nocivos (excessos de tabaco, choques emocionais, intoxicações, alcoolismo, etc.)”. Tirando a parte do alcoolismo, percebi tudo.
Como não rimo “jornalista” com “acólito”, não assisti, nem de joelhos nem de cócoras, à tal entrevista. Tinham-me dado uma rica garrafa de tinto maduro, a mulher tinha trazido broa e bacalhau desfiado, num frasco de vidro grosso havia azeitonas perfumadas de alho e coentros em sal também grosso. Comemos e bebemos à saúde um da outra. Nem ela nem eu vimos a entrevista do senhor. Não vimos. Cheira-me que também não vamos ver a próxima.
A minha mulher também é muito higiénica. Por dentro e por fora. Foi uma riqueza que me aconteceu, a minha senhora. Às vezes, estamos na cama e rimo-nos muito. Eu digo o nome de um ministro (um qualquer) e ela desata-se a rir, contagiando-me irreversível e inelutavelmente. Depois, ela diz o nome de outro (outro qualquer) e eu desmancho-me, contagiando-a inelutável e irreversivelmente. De modo que somos felizes assim, felizes com a desgraça dos outros portugueses que já não se riem. Podia dar-nos para pior.
O amor é assim: nenhuma TV e um fio aromático de coentros cortando a espuma roxa de um tinto para esquecer.
Crónica nº 85 da série Rosário Breve
nO Ribatejo (www.oribatejo.pt) de 9/1/09
14/01/09
Nem Bom Vento nem Bom Casamento, por Mau Mé Mé
O cardeal patriarca de Lisboa D. José Policarpo avisou ontem as mulheres portuguesas para terem «Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano - disse D. José - pensem, pensem muito seriamente. É meterem-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam.» Hoje as organizações muçulmanas sempre muito indignadas com as discriminações quando estas se passam nos países não muçulmanos e praticamente omissas quando coisas bem mais graves ocorrem nos seus países de origem, já vieram a terreiro expressar a sua «justa indignação». Parece que exigem justificações ao patriarca por ter dito o que disse...
Mas é preciso justificar o quê? As organizações muçulmanas ignoram a forma como as mulheres são tratadas nos países muçulmanos de referência, como a Arábia Saudita, pátria das cidades santas e da polícia religiosa? Em que país muçulmano é que os direitos das mulheres são reconhecidos? No Paquistão das agressões com ácido sem punição? No Irão da sharia? Na Nigéria dos apedrejeamentos públicos? Mesmo no ocidental Dubai onde os usos e costumes limitam a liberdade das mulheres? É claro que uma mulher portuguesa que case com um muçulmano e que se veja na eminência de ir viver com ele para o seu país de origem, só por ignorância pode ignorar a alhada onde se vai meter. E como a ignorância abunda no nosso país fez muito bem D. Policarpo em avisar as incautas.
É certo que os muçulmanos, de um modo geral, são gente tão decente como qualquer outra. Mas D. José limita-se a fazer um aviso, não diz que condena todo e qualquer casamento com muçulmanos.
É também verdade que a mesma coisa ganha uma ressonânca completamente diferente se for dita pelo comum mortal ou por um cardeal patriarca da Igreja. Mas o cardeal de Lisboa não é mulá de ninguém: é representante dos cristãos e não dos muçulmanos e deve preocupar-se com aqueles e não com estes. Porque sabe dos «molhos de bróculos» de que fala, avisou directamente as mulheres a quem se dirigia na ocasião. Quem tem que avisar os homens muçulmanos para pensarem duas vezes antes de se casarem com mulheres portugueses, se for caso disso, são os mulàs. O cardeal preocupou-se com quem devia: com as mulheres portugueses para quem falou e não com os homens muçulmanos. E o que ele disse é de uma clareza linear. Importam-se, pois, de parar com a barulheira que está a ser feita por causa disto?
No Pic uma bela muçulmana envergando o fato de banho da moda lá do sítio: o burquini.
13/01/09
Viva o Nosso Menino, Pá, por Capitão Mouro
Ontem o Crespiano Ronaldo ganhou o prémio do melhor jogador de bola do mundo de 2008. Parabéns, o prémio é, de facto, relevante.Pessoalmente não estou de acordo que o ronaldo seja o melhor jogador de futebol do mundo. Messi é para mim o melhor seja em 2008, em 2009, em 2010 ou em 2014. É de outra galáxia e prontos. Para celebrar o evento a RTP resolveu dedicar praticamente toda a programação de ontem ao crespiano. A sport tv idem aspas. Quando zapei pela sport tv estava lá um rapaz vestido com uma camisola roxa que, percebi com o decorrer da conversa, marcava presença na qualidade de «amigalhaço» do ronaldo. O rapaz da camisola roxa estava a gozar os seus 15 minutos de fama e estava muito contente por ser amigo do crespiano. O pivot do programa ria-se muito e na altura em que zapei para fugir dali, mais ou menos 2 minutos depois de ter começado a ver aquilo, estavam a falar das alcunhas de infância do cristiano. Um mimo!
Entretanto a RTP fazia um prós e contras - supostamente o grande programa de debate da nação do regime - acerca do tema. Aguentei cerca de 5 minutos de inanidades. O programa entretanto prolongou-se das 23 à 1 da noite, segundo a programação publicada no jornal. Mas o que é que há para debater? A nação não tem mais nada com que se entreter que não seja passar três horas mandar hossanas a um jogador de futebol?
Para além do mais a qualidade dos intervenientes e da moderadora do programa, nos cinco minutos de que me apercebi, foi deprimente. Quando liguei estava a falar um ex treinador de futebol que ficou famoso no mundo do pontapé na chincha por ter descido de divisão duas equipas na mesma época. Acho que o apelido do homem ia a Campos e é por isso que no futebol toda a gente o conhece por Campas. Olhó Campas, disse eu e fiquei a ouvi-lo. O Campas perorava alegremente sobre a qualidade técnico-tática-atlético-física do nosso crespinao. Desenvolvia uma tese sobre a velocidade de pensamento e de decisão do ronaldo que parece que é uma espécie de professor chibanga porque, segundo o campas, ainda a bola não lhe chegou e ele já tem soluções e mais não sei o quê. O campas fazia questão de advertir os espectadores que agora falava «enquanto treinador» estatuto que ninguém lhe reconhece. Depois concluiu com chave de ouro, dizendo que «são as crianças quem mais gosta do cristinao».
Nesse ponto a moderadora, a fátima parreira, que tinha passado o tempo a ver como é que havia de cortar a palavra ao campas que não parava mais de falar, resolveu fazer uma das suas inteligentes intervenções: «as crianças e as mulheres... As mulheres também gostam muito do nosso ronaldo». E desenvolveu a sua inteligente observação. Entretanto a realização do programa, em cima do lance, deu-nos logo uns planos da assitência onde algumas mulheres ostentavam um sorrisinho maroto. A fatima carreira reparou e comentou a malandrice das senhoras que levaram a coisa para outro lado. Um espectáculo!
Estávamos nisto quando a câmara focou outra sumidade, um senhor anafado, com um ar muito importante que também queria intervir, a propósito. Era o sr. laurentino dias, secretário de estado do desporto. Disse o dias, com um ar muito grave como se estivesse a comentar a guerra israelo-palestiniana, que as mulheres apreciam muito o cristiano, mas de entre estas queria salientar as grandes mulheres da vida do atleta, as que sempre o acompanharam e que são as suas primeiras fãs. A Nereida, a merche ou qualquer outra actriz italiana, inglesa ou ucraniana? Não senhor. A mãe e as irmãs. Essas sim é que são as mulheres da vida dele. Acho que o laurentino arrancou aplausos da assistência e a fátima carrapato aplaudiu também. Quer dizer, como diria o ronaldo, aqui «eu acho que penso que deve ter sido assim» porque não aguentei mais esta pobreza franciscana e desliguei a televisão. Já é mau que a televisão pública tenha tirado o dia para tecer loas ao crestiano, mas porra, se o queriam fazer podiam tê-lo feito de uma forma melhor do que juntar estas sumidades epô-las a perorar num programa chamdo prós e contras durante três horas! E assim vai o país do regime. Amanhã há fado. E prá semana fátima outra vez.
12/01/09
Animar a malta é o que faz, por Cão
Com algum atraso, aqui se publica o melhor texto que eu já li sobre a recente falta colectiva da rapaziada do Parlamento a uma sessão que ocorreu a uma sexta feira véspera de fim de semana prolongado. Saiu em www.oribatejo.pt:Animar a malta é o que faz.
Telmo Correia, CDS-PP, falta.
Teresa Vasconcelos Caeiro, CDS-PP, falta.
Honório Novo, PCP, falta.
Fátima Pimenta, PS, ausência em missão parlamentar (AMP).
Hortense Martins, PS, AMP.
João Soares, PS, AMP.
José Vera Jardim, PS, AMP.
Maximiano Martins, PS, AMP.
Joaquim Couto, PS, falta.
Marta Rebelo, PS, falta.
Mota Andrade, PS, falta.
Paula Nobre de Deus, PS, falta.
Maria Manuel Oliveira, PS, falta justificada por doença.
Duarte Pacheco, PSD, AMP.
José Freire Antunes, PSD, AMP.
José Luís Arnaut, PSD, AMP.
Mendes Bota, PSD, AMP.
Mota Amaral, PSD, AMP.
Agostinho Branquinho, PSD, falta.
António Almeida Henriques, PSD, falta.
António Montalvão Machado, PSD, falta.
Carlos Páscoa Gonçalves, PSD, falta.
Duarte Lima, PSD, falta.
Henrique Rocha de Freitas, PSD, falta.
Jorge Costa, PSD, falta.
Jorge Neto, PSD, falta.
Jorge Pereira, PSD, falta.
Jorge Varanda, PSD, falta.
José de Matos Correia, PSD, falta.
Miguel Frasquilho, PSD, falta.
Pedro Santana Lopes, PSD, falta.
Rui Gomes da Silva, PSD, falta.
Virgílio Almeida Costa, PSD, falta.
Mas a mim não me fazem falta nenhuma, eu seja ceguinho.
09/01/09
MONICA ROCCAFORTE, A SUBMISSÃO AUSENTE, por Porco&Mundo
Parte QUATRO - It (Almost) Never Hurts To Show Respect
Mas se a Igreja não perdoa, Salieri também não. No ano seguinte, em 1999 e também com a Monica, Salieri volta a filmar gente aparamentada e à desfilada, com metáforas e tudo, no Il Ritorno Di Don Tonino. E logo em 2000 estreia o Infierno, também com a Monica. E a submissão ausente continuou.
Em 2001, cinco anos depois de começar e vinte e um filmes depois, dois na Private e 19 na Salieri, a Monica abandona a carreira horizontal e retira-se com o marido, Franco Roccaforte (Teodulo Cabrera Reyes), um gigante africano da Venezuela, também porn star. Tinha então 23 anos. Nunca mais se soube da cachopa. Um dos newsgroups onde se andou fala da família a criar filhos em Santiago, no Chile, mas não há certezas. Para a história do porno ficam ainda outros clássicos da Monica como o “Casino” de 2001 e o “Cacciatore Di Taglie” de 1999.
Pelo meio ficaram famosas as cenas da criada do “Fuga Dell`Albânia” e a cena da cozinha com Robert Malone (que muitos confundem com o próprio Salieri, erradamente) do La Famiglia (aka, Cosas de Casa). Segundo consta e nos termos do contrato benfiquista com Salieri, a Monica ainda lhe deve uma data de filmes, mas a Diva está-se nas tintas para o contrato benfiquista. O Salieri e a mulher espumam, mas nada podem fazer. Como é que raio é que se pode meter em tribunal uma Diva com uma aura e uma clientela daquelas. Pelas boas ou pelas más razões, Salieri ficou sossegado e deixou a Monica em paz. Resquiat In Peace. Bem o merece.
Mostrando alguma má consciência para com a Diva, Salieri veio a usar fotografias da mesma em duas capas de dois filmes, que nem um pezinho da menina têm. Falamos do Il Mostro Della Autoestrada e do Stavros 2. Vigarice imperdoável que os newsgroups de fans apelidam de pecado mortal. Num dos últimos catálogos da Salieri Entertainment era anunciado aos fans, que a Diva regressaria em 2004. Afinal, parece que não. Salieri não devia usar em vão o nome da senhora.
Já a sua esposa, Nicky Ranieri, abusou também ao referir-se à Diva nos seguintes termos: “we were seriously angry because Monica shows lack of motivation”. E eu abusei também, ao colocar esta questão num fórum italiano de adoração da Diva. Recebi logo um cristalino: “It (almost) never hurts to show respect”, e zás, fui excluído de participar.
Voltando ao Il Confessionale, o mais engraçado é que no filme o Padre é castigado com muito mais severidade, do que a aquela com a que a Santa Madre Igreja castiga muitos dos seus próprios fornicadores. E a desconsagração da Igreja de San Vincenzo e a anulação dos seus actos religiosos é coisa que não lembrava ao Inominado. A coisa foi reparada com a reconsagração de San Vincenzo pelo Bispo de Marsi, Lúcio Renna, que certamente também viu o filme, porque nestas coisas tem que se observar de perto o Diabo. Como nós.
(Uma Parte V, será?, a ver vamos se resultam algumas provocações deixadas em newsgroups italianos)
Viva o Magalhães, por Fã do Magalhães
Andaram por aí umas vozes porcinas, antigamente, a malhar no Magalhães, o computador portátil do povo lançado pelo Nosso Primeiro com grande pompa. Que era copiado, que não é bem português, que a Intel não sei quantos, que isto e aquilo e aqueloutro, disseram os amargurados dos costume, neste blog e um pouco por toda a parte.Ora se há exemplo de sucesso a realçar neste país, o Magalhães deve ser justamente um deles, e se o Nosso Primeiro não insistisse na estupidez do TGV até poderia eventualmente contar com o meu voto só por causa deste grande ovo de colombo informático, que já está a começar a conquistar o mundo.
Português ou não, o facto e que a engenhoca é cá produzida e é de cá exportada, e as exportações dirigem-se sobretudo para países em vias desenvolvimento, mercado estratégico e acertado para o pequeno portátil português. Que é simples, é barato, é útil, é inspirador e dá milhões.Viva o Magalhães!
Nesta retórica geral estridente de crise e drama, também é terapêutico realçar boas notícias:
«Venda de "Magalhães" à Líbia prestes a ser fechada, Equador também interessado
O acordo para a venda de computadores "Magalhães" para a Líbia deverá ser fechado "a qualquer momento", disse hoje o administrador da JP Sá Couto, adiantando que as negociações com o Equador estão também numa fase avançada.
"O acordo com a Líbia pode ser fechado a qualquer momento", referiu o administrador da empresa que produz o "Magalhães", João Paulo Sá Couto, referindo que poderão ser vendidos "entre um a dois milhões" de computadores.
À lista de 11 países interessados no portátil juntou-se também o Equador, disse hoje João Paulo Sá Couto, escusando-se a avançar números para a nova encomenda, mas referindo que as negociações, que estão "bastante avançadas" e poderão estar concluídas "dentro de dois a três meses".
Em Outubro, o administrador JP Sá Couto afirmou que a empresa de Matosinhos estava a desenvolver contactos com 11 países para a exportação do portátil - Moçambique, Angola, Líbia, Argentina, Emirados Árabes Unidos, Bélgica, Luxemburgo, Hungria, Roménia, Macau e Cabo Verde - estando Angola e Líbia na linha da frente das negociações.
A Venezuela já comprou um milhão de "Magalhães", que serão distribuídos gratuitamente nas escolas do país.»
Lido hoje em Ciência Hoje
MONICA ROCAFFORTE, A SUBMISSÃO AUSENTE, por Porco&Mundo
Parte TRÊS – Il Confessionale
Ainda em 1998, em Roma, Salieri fará com Monica quatro filmes: Sacro e Profano, Fuga Dell`Albânia, La Famiglia (aka, Cosas de Casa) e o famoso Il Confessionale.
O Il Confessionale (O Confessionário, por cá e pela mão da Negro & Azul) é o filme que guindou Monica à fama e a colocou na boca do mundo e nas garras da Igreja. Sim, a partir de agora a coisa desce ao sagrado. Profanado. Quem for rato de sacristia que fuja.
O filme não tem grande história, contando-se a coisa de forma rápida. Há um Padre (Joe Calzone – Jean-Yves) que cai em tentação e usa a sua influência junto dos pais e das paroquianas para lhes dar a conhecer o caminho da luz, que em regra passa pela sua braguilha. Há freiras madalenas pré-arrependimento e há mães que só tarde perceberam o que queria o Calzone com o vinde a mim as criancinhas. Crescidotas. Comá Monica, que o demoníaco Padre afinfa no meio da Igreja e com um altar em fundo. O engraçado é que desde logo se percebe que a Igreja é verdadeira, nada de cenário interior, the real thing.
Salieri, que é bicho que não brinca em serviço pagou bem a um Padre verdadeiro para usar a sua Igreja sagrada nas filmagens demoníacas. O bom do Padre fez bom uso do vil metal e certamente reparou o telhado do templo. Quem não tem telhados de vidro que atire a primeira pedra!
Assim, quer no genérico inicial, em que aparece a frontaria da Igreja, quer nas subsequentes acções pecaminosas em que aparece o altar ao fundo e a nave da sacrossanta casa, certo é que se percebe que aquela é uma verdadeira casa do senhor e que alguém vendeu o templo.
A Igreja romana também o percebeu e logo após a estreia do filme, pôs os Carabinieri no encalço de Salieri, do Calzone e da Monica que foram detidos, identificados e instados a revelar a localização da Igreja. Salieri, aproveitou o escândalo, nada revelou – tal como os outros por si industriados – e cavalgou a onda apocalíptica na imprensa italiana, qual besta de João, o alucinado. Apesar do no filme existir alguma moral, já que no final o Padre é exonerado e excomungado, nada deteve a fúria e a força da casa de Pedro. Os Carabinieri andaram meses e meses a investigar, mas nada conseguiram.
Por fim, a coisa descobriu-se. Um paroquiano alugou o filme num vídeo local – o maldito vai ter contas a prestar, o grande porco, ou alugou o filme para ajoelhar? -, e reconheceu a Igreja de San Vincenzo, da aldeola a seguir à sua, a aldeia de Gioia dei Marsi, nos arredores de Roma. Identificada a casa de Deus, a Santa Igreja nada quis saber de dar a outra face, ou de acolher os perdidos ou sequer de perdoar aos pecadores e desconsagrou a Igreja, declarando-a profanada e proclamando que qualquer casamento ou baptizado posterior a 1998 era considerado nulo. T`arrenego Satanás, longe vai o paraíso perdido!
Dirão vocês que o Tapor está a inventar. É certo que si non é vero é bene trovato e o Tapor é conhecido por publicar a lenda, mesmo quando a história estorva. O próprio postador, quando descobriu isto nos newsgroups ficou duvidoso e viu-se obrigado a mover céu e terra para confirmar a coisa. E confirmou-se. E se meterem Igreja Di San Vincenzo no google logo verão a luz. E mais, o raio do Código Canónico diz mesmo aquilo: todas as cerimónias "celebradas após um acto escandaloso, grave e contrário à santidade do local pressupõem sua profanação" e não têm validade sob os olhos da Igreja Católica. Dá-lhes Falâncio!
O coitado do Padre, de nome Paolo Ferrini, chamado a contas, veio declarar que desconhecia que iam usar a casa do senhor para actos similares à procriação com fins lucrativos e luxuriosos e que estava inocente. Ao que sabia, os heréticos queriam filmar um casamento. E de facto, há um casamento e uma noiva no fim do filme, mas a malvada despe-se e incorre em dois ou três pecados capitais. Com o sotainas e na sacristia. O inocente do Ferrini devia ser cego e surdo, que a noiva faz um escarcéu do diabo!
Inocentes não estavam o Salieri, nem a Mónica ou o Jean-Yves, que foram formalmente acusados de calúnia, difamação e profanação. Mais uma via sacra de publicidade gratuita para o Salieri e o Il Confessionale, que passou a vender como papos secos.
Mónica é a estrela principal do filme e cultivou aqui o seu estilo base. A húngara de olhos azuis e estilo bem nutrido, apresenta-se sempre de ar ausente, como se o assunto que ali decorre não fosse com ela. Ao contrário, da generalidade das outras porn star que gemem e fazem esgares próximos da apoplexia, a Mónica não vai nem vem, está. O rapaz que faça lá o serviço a que veio, que se desembrulhe e se despache.
Lembram-se da anedota da cachopinha que come uns tremoços ao mesmo tempo?, pois é por aí. É um estilo inconfundível que gerou adeptos. Nos newsgroups e forums, os fans falam de “Slow Burning Passion” e de “She Is Built For Comfort, Not For Speed”. Right. Uma espécie de Dolce Farniente. Ou como alvitrou um fã italiano: "Serenità di Madonna". Em português, Comer Tremoços.
(Continua na Parte QUATRO - It (Almost) Never Hurts To Show Respect)
