14/10/05

Toque Vil, por Cão

Eu queria falar-vos sobremaneira e matosamente do pensamento social de Tocqueville, mas não sou capaz porque a minha colecção da Europa-América ficou em casa de um dos meus naufrágios matrimoniais.

Também gostaria de elucidar-vos sobre como afervento agriões em calda de batata acebolada, mas não vejo o praquê da coisa.

A verdade é que hoje é uma feira por acaso sexta. Ganhei alguns instantes matinais antecedendo os vossos fins-de-semana. Imaginei-vos bem, a braços com as vossas mãos.

De modo que, para a próxima, talvez Espinosa.

Ou Pauleta.

13/10/05

Mudanças, por Camões da Silva

Ando em mudanças. A minha vida cabe numa garagem!

12/10/05

Os erros clamorosos da (In) Justiça Judicial. Por Trauliteiro Haddock

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Ainda as eleições.

O porco anda entretido com voos intelectuais, mas surgiu-me uma preocupação muito terra a terra. A canalhada votante já reparou que o Valentim L., A Fátima Felgueiras, o Avelino Torres, o Isaltino e a Isabel Damasceno têm uma coisa em comum? São alvo de processos judiciais. Todos.

Destes só o Avelino não ganhou as eleições. Os outros ganharam quase todos com larga diferença sobre os seus concorrentes. Ou seja, os candidatos que andam a contas com a justiça ganharam as eleições.

Ora, tendo em conta que o povo é quem mais ordena, este facto quer dizer apenas que o povo não reconhece que a Justiça tenha alguma razão ao processar tais pessoas.

Os juízes são nomeados. Os autarcas são eleitos.

Há muito mais força e legitimidade na eleição de um autarca do que na nomeação de um juiz.

Nos states aqueles autarcas tinham de ser submetidos ao crivo de um promotor publico, eleito pelo povo. O que quer dizer que em princípio não seriam acusados de nada porque o povo não reconhecia legitimidade para acusação a tais autarcas “modelo” que ganham com larga diferença de votos!!!

Ora, vistas as coisas à luz desta crua realidade, que é a real, a justiça está a acusar autarcas modelo e dignos representantes do povo.

A justiça está a agir mal, o povo é quem mais ordena.

Ora analisem isto e digam o que pensam porque eu estou a pensar em ir para a Antártida, antes que derreta.

Histeria da Literatura Portuguesa (ou então, Porra Porra Porra Foda-se) , por Cão

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o goucha escreveu o em banho-manel
e o doces sem açúcar
ganhou a aposta aparece muito mais na tv
que o quitério
o lobantunes sofre muito e coça-se muito mais
é mais querido em israel do que o saramago
aquele cujo avô abraçava as árvores
vejam-me lá se isso é coisa que se faça
o herberto helder está desaparecido
desde que nasceu com a cabeça entre as mãos
no café gelo
aparado pelo lacinho-braboleta do baptista bastos
o abelaira escreve em falsetto
assim com dois tês parece apartamento
da ttorraltta não parece
mas a cidade das flores nem está mal
lisboa à italiana
com casais que mal copulavam
desatavam logo a falar de política
como nos pá-lopes
o problema é a mania que eles têm de morrer
o cardoso pires sempre muito scotch-bruto
a ver as letras escritas ao contrário de propósito
e lidas do avesso de profundis
o sttau monteiro com garrafas e garrafas de
óleo fula para o jantar
mas felizmente há luar
o bernardo santareno de grossas hastes
e cigarro chutado para canto
da boca
o ruy belo em queluz naquele verão
do mundial da argentina
o assis pacheco a almoçarar meia-desfeita
e a deixar-se escorrer ventinhos melífluos
de cós de calças na livraria
o torga sempre muita chateado
com as homenagens nunca bastantes
o eugénio de andrade sempre
a pensar nas cabras caiadas de cal
e nos rapazes brancos litorais de sol
e sul e etc e sal
o pessoa triste mas a gozar a um canto da arcada
a aguardente que bebi foi o campos que a bebeu
o cesariny que eu saiba está vivo mas
não é fácil
o luiz pacheco está arrumado num albergue
agora já não faz filhos nem deixa que lhos
façam
o camões recebe da segurança social
uma carta registada
que diz a sua tença está atrasada
favor verificar domicílio de
dom sebastião
os espanhóis gozam c'a gente como mouros pretos
de ceuta e melilla
uns são filhos-da-puta
outros têm uma puta-por-filha
a gente aqui c'o possidónio cachapa
e eles lá com o montalbán
a gente aqui c'o peixoto
e eles lá com o javier marías
a gente aqui c'as marias
judite
horta
velho
palla
Santíssima
e eles lá com a rodoreda e a rosalía
a gente aqui com o grass-moura
e eles lá com o rivas
foda-se foda-se foda-se foda-se
ca malha
mas enfim
havia o carlos de oliveira
que esteve em febres-cantanhede
como o meu amigo tó-mané que vive
e um rapaz chamado fernando que morreu
o carlos de oliveira desespartilhou-se
do neo-realismo
e amandou-se-nos com aquele trabalho poético todo
o manuel da fonseca deu-nos o largo
a larga seara de vento
que antigamente se estudava aos 13 anos
nas escolas oficiais
agora não agora nunca mais
agora não tarda nada é o agualusa
contra moscas melgas e mosquitos
é o joão a guiar o pedro paixão para NY
sobram o joão de melo em lágrimas de engatar gajas
e o mário de carvalho em pura graça
qu'é feito do zambujal do domingo desportivo
o dinis machado rebentou tudo c'o molero
o namora plagiava o vergílio
o vergílio destilava pus a conta-corrente mas era bom
a agustina porra porra porra porra
quem me cala a mulher
ca cheiro a mijo de gato
a pedrosa a dar instrução aos amantes
e o melga ferreira a dar-lhe o título
as manas pinto correia o glamour o drama o horror a tragédia
a batata assada em papel de prata
o NYTimes embrulhando chicharro de cacharel
só falta o represas escrever poemas para o
vítor de sousa ler no elevador
o júdice que queria ser gastão
aqueles telerapazespivôs das oito da noite que escrevem romances-próteses
o sousa tavares é co'a dor
de corno talvez
1-2-3-macaquinho-do-chinês
afinal o roberto carneiro foi ministro da inducação no
intervalo de fazer filhos
o deus pinheiro também no
intervalo dos 18 buracos
a ferreira leite também não
se sabe porquê
e depois é isto
é o carlitos pinto coelho fotógrafo de casamentos corrido
do acon(a)tece pelo
mogais sagmento
é o frágil esteve-cardoso a orelhar romances
inacreditável comóque a sírialvim foi na conversa
mas infim
cada um é pó cu-lhe-dá
esporremos que não volte a acon(a)tecer
o jorge de sena tinha bué de razão e razões
o rodrigues miguéis esse excelente rapaz
teve de readersdigestar para digerir
ninguém sabe nem conhece h. silva letra
o d'a palavra fascinante editorial inova porto
n. em 1927 em vieira de leiria
ninguém s'apercebe de que o antónio osório
é um bem maior do que
a ignorância da morte
a ignorância da vida
qualquer dia até o herman josé escreve um livro
o quê
ai já escreveu
qual é que é
ah
é o herman josé saraiva
aquele das anedotas da história
o fialho de almeida e o pinheiro chagas e o camilo muito
ressabiados c'o eça
por causa de o eça ser melhor
que vinho do porto em umbigo de shania twain
o ferreira de castro absoluto n'a lã e a neve
o soeiro tão certo nos esteiros
o redol tão dos-passos nos gaibéus
mas nisto tudo acabei por ouvir o castrim
em casa dele mesmo
avenida luís bívar lx
uma vez que lá fui levar-lhe um livro
a dizer bem do goucha
de modo que não sei
porra porra porra porra.

10/10/05

E no entanto, move-se! por Assessor para a Publicação de Análises

O porco venceu em quase toda a linha, nestas eleições. Essa é de resto uma das conclusões mais importantes a retirar destas autárquicas, em que tudo mudou para tudo ficar na mesma. De facto, foram certeiras as escolhas do tapor na série especial “Anti Top Cartaz Eleitoral 2005”. À excepção de Felgueiras, que ficará para outros fóruns de reflexão e espanto, e da estrondosa vitória de Mata Cáceres em Portalegre, o tal da cidade que não podia parar, foi completa a derrocada dos cromos seleccionados, comprovando a importância do marketing político de out-dors.
Assim, o amigo Tito Evangelista, em Esposende, perdeu com metade dos votos do vencedor; a senhora que o Bloco de Esquerda desencantou para a Trafaria perdeu, mas perdeu honradamente, quase triplicando a votação no BE relativamente a 2001; Em Tavira, o socialista Fialho também levou nas trombas (apesar de ter subido o score do PS em 49 votos); Mais humilhante foi a porrada da pistoleira popular de Porto de Mós, nem um mandato e quase reduziu para metade o eleitorado do CDS naquele concelho. Outra enorme porrada foi a do Faustino em Santa Maria da Feira, que também conseguiu o feito de descer o score do CDS-PP de 3800 para 2300 votos; Já o senhor Hemetério, socialista de Alter do Chão, perdeu mas ficou a vereador (não obstante ter perdido um mandato relativamente a 2001); Verdadeiramente desastroso foi o Vitorino, independente pelo PSD em Faro, que apesar das mãos à mostra perdeu a câmara para o PS em contra-ciclo nacional; Os simpáticos do BE de Estremoz (Assembleia Municipal) também levaram forte e feio: Ficaram em último, atrás do partido do táxi, sem mandatos e descendo a votação no BE de 282 para 196 votos; No Porto com o eléctrico Assis, foi o que todos sabem, com a malha estrondosa do Rio no PS, que desceu de 6 para 5 vereadores.

09/10/05

Sofismas, por Cão

1. Se eu voltasse a casar, tenho a certeza de que me sairia uma das enculadas do Taveira.

2. Portugal vai perder as próximas eleições autárquicas. E vai manter o Scolari.

3. Não é Avelino que está do avesso. Nem Jardim. Nem a ladra de Felgueiras. Nem o surrealizado major. É o País.

4. O País está em eclipse anular desde 1143. E só agora é que toparam.

5. PS e PSD configuram, juntos, o mesmo que o Partido Revolucionário Institucional, ou lá como é, no México.

6. A 5 de Outubro de 1910, foi mau derrubar a monarquia. O que deveria ter sido derrubado era Portugal. Coisa que entretanto, aliás, aconteceu.

7. Salazar tocava ao bicho mas não o confessava nem ao Cerejeira, a quem também tocava.

8. A Bárbara Guimarães não é boa. Se fosse boa, não mijava ossos do Carrilho.

9. Acho que o Herman José é um bocado maricas.

10. Votar no Bloco de Esquerda é a mesma coisa que fazer um minete a um frango, mas não sei porquê.

05/10/05

E Cona, por O Jóia da Bóia Dois

Orgasmo Trifásico (Millôr Fernandes)

Orgasmo feminino é coisa da qual as mulheres entendem muito pouco e os homens, muito menos.
Pelo fato de ser uma reação endócrina que se dá sem expelir nada, não apresenta nenhuma prova evidente de que aconteceu ou se foi simulado.
Orgasmo masculino não! É aquela coisa que todo mundo vê. Deixa o maior flagrante por onde passa.
Diante desse mistério, as investigações continuam e muitas pesquisas são feitas e centenas de livros escritos para esclarecer este gostoso e excitante assunto. Acompanho de perto, aliás, juntinho, este latejante tema.
Vi, outro dia, no programa do Jô Soares, uma sexóloga sergipana dando uma entrevista sobre orgasmo feminino. A mulher, que mais parecia a gerente comercial da Walita, falava do corpo como quem apresenta o desempenho de uma nova cafeteira doméstica. Apresentou uma pesquisa que foi feita nos Estados Unidos para medir a descarga elétrica emitida pela "Periquita" na hora do orgasmo, e chegou à incrível conclusão de que, na hora "H", a "perseguida" dispara uma descarga de 250.000 microvolts.
Ou seja, cinco "pererecas" juntas ligadas na hora do "aimeudeus!" seriam suficientes para acender uma lâmpada. Uma dúzia, então, é capaz de dar partida num Fusca com a bateria arriada. Uma amiga me contou que está treinando para carregar a bateria do telefone celular. Disse que gozou e, tcham, carregou. É preciso ter cuidado porque isso não é mais "xibiu", é torradeira elétrica!
E se der um curto circuito na hora de "virar o zoinho", além de vesgo, a gente sai com mal de Parkinson e com a linguiça torrada. Pensei: camisinha agora é pouco, tem de mandar encapar na Pirelli ou enrolar com fita isolante. E na hora "H", não tire o tênis nem pise no chão molhado... Pode ser pior! É recomendável, meu amigo, na hora que você for molhar o seu "biscoito" lá na canequinha de sua namorada, perguntar: - É 110 ou 220 volts? Se não, meu xará, depois do que essa moça falou lá no Jô, pode dar "ovo frito no café da manhã."
Esse país não melhora por absoluta falta de criatividade... São as mulheres, a solução contra o apagão.

Vinho, por O Jóia da Bóia Um

Nem tudo é merda neste território lusitano. Alvissaras! Sárává! Motiva esta entrada de rompante uma excelente notícia para a economia nacional, nos capítulos import/export e auto-estima. Pode não parecer, mas quer-me cá parecer que é de facto uma óptima notícia, quando um jornal global prestigiado como o New Yok Times, publica, como hoje o faz (aqui, e também, presumo, na edição em papel), um extenso artigo extremamente encomiástico sobre o vinho português. O cronista, Eric Asimov, "O" especialista em vinhos do Times, discorre com abundância e grande entusiasmo sobre os néctares báquicos nacionais, num texto sintomaticamente intitulado: "For the next big thing, Look to Portugal". Nem é preciso dizer mais nada por estas bandas... O resto é ler o que lá está e suspirar um bocadinho de orgulho. Para quem goste de vinhos portugueses e para quem goste de ver um importante sector económico nacional em alta em termos mundiais. Esta peça do Times é ouro. Pronto, achei só que esta maralha que aqui chafurda, gostasse de saber estas novidades.

30/09/05

Morreu Antunes Varela, por Cap. Haddock

Morreu Antunes Varela. Li algumas notícias em jornais sobre a sua morte com pequenas referências ao seu passado. Há de facto uma ligação de Antunes Varela ao Governo de Salazar, mas nem isso dá o mínimo de sombra à sua obra e às suas imensas capacidades.Testemunho-o na qualidade de aluno. Era um grande mestre, sabia ensinar, sabia escrever, sabia muito, mesmo muito de direito, e quando foi responsável pelo processo civil Português tinhamos de facto uma legislação boa, pensada, lógica, segura e útil.Depois dele só vi mediocridade assente em curiosos cola cartazes licenciados em Direito que vomitaram e cagaram leis sem nexo, a atropelarem-se e pior, a atropelar os direitos dos cidadãos. Junto a Antunes Varela o actual ministro da justiça não existe nem é nada, e pior, não sabe nada!.Notem bem que ninguém coloca em causa o mérito profissional e as capacidades do jurista Antunes Varela, independentemente de preferências politicas. São assim os grandes e insignes homens e neste caso as suas qualidades permitiam-lhe distinguir preferências politicas (interesses pessoais) das necessidades do Estado e de um país, coisa que os actuais pseudo governantes não sabem, uma vez que navegam ao sabor do interesse politico do partido a que pertencem, são portanto pessoas medíocres e governantes incompetentes.Aliás, lamento mesmo muito que uma cidade dê o nome de um estádio a um jogador de futebol novo, vivo e que nada fez pela cidade e quase se recuse a colocar um busto do Mestre num Tribunal, mais um acto vergonhoso de idiotas vestidos de políticos.O homem morreu há dois dias e já se sentem saudades da sua competência, tal é o vazio deste governo do Portugal dos Pequeninos…


Nota: este post foi colocado a partir de um comentário do capitão Haddock, sem que ele fosse consultado. O Administrapor é que achou o comentário digno de ser publicado como homenagem a um homem inteligente, culto e com currículo académico. Injustiçado, morre anónimo. Prova disso, é que a foto minúscula que ilustra este post é a ÚNICA que se pode encontrar na net. Quer dizer, a net tem milhões de putas e não tem espaço para um catedrático de Direito? É o Putapower! O Poder é das Putas!

23/09/05

Parintins E O Bumba Meu Boi, por Kazinha

Este Post foi gentilmente cedido ao Porco por Kazinha

Boi de Parintins

Parintins
Situada na Ilha de Tupinambarana, à margem direita do rio Amazonas, a 420 quilômetros de Manaus e quase na fronteira com o estado do Pará, Parintins, hoje com cerca de 80.000 habitantes, é uma simpática e agradável cidade média do interior amazonense. Uma vez por ano, no mês de junho Parintins se transforma em um caldeirão de tradições, música e turismo. É o FESTIVAL FOLCLÓRICO DE PARINTINS, que divide moradores e visitantes em duas cores e paixões: o vermelho, que representa o boi-bumbá Garantido, e o azul, que marca o lado do boi Caprichoso.

A rivalidade é ferrenha, mas sempre respeitando a cordialidade. Tanto que os integrantes de Caprichoso, ou Garantido, limitam-se a chamar o rival de "contrário". E para abrilhantar a festa, a cidade de 80 mil habitantes mais que dobra de tamanho, ficando com mais de 100 mil pessoas entre Parintinenses e turistas.

Boi Caprichoso













Boi Garantido










o Bumbódromo

No Bumbódromo, cada Boi se apresenta durante 3 horas nos três dias de festival. A ordem das apresentações é sempre definida por sorteio. O que encanta a todos são as alegorias luxuosas, os fogos e tudo o que eles fazem para dar vida as lendas contadas por Caprichoso e Garantido

São nove da noite, o apresentador do Boi cumprimenta a platéia (o próximo Boi irá se apresentar por volta da meia-noite). Em seguida a toada começa a incendiar a arena. E o Bumbódromo literalmente treme.


Bumbódromo de Parintins






A Música


O espetáculo acontece ao som dos tambores - levado por mais de 400 ritimistas- e de ao menos uma dezena de toadas, sempre acompanhada pela galera do boi que está se apresentando. Toada é o nome da canção dos bumbás.


O espetáculo grandioso

Nas três noites do Festival, Caprichoso e Garantido se apresentam, durante três horas cada um, para aproximadamente 40.000 espectadores. São 2.500 brincantes em cada Boi que desenrolam uma estória pontuada com figurinos requintados, alegorias complexas e gigantescas, lendas exóticas e personagens amazônicos. E, nos dois lados do bumbódromo, as duas animadíssimas e incansáveis torcidas participam do espetáculo: a vermelha, do Garantido e a azul, do Caprichoso. Chamadas de "galeras", têm uma função toda especial: seu desempenho é fundamental na contagem dos pontos da apresentação; elas participam de ensaios e fazem um show à parte. Quando é o seu Boi que está se apresentando, treme aquela metade do Bumbódromo, enquanto a torcida "contrária" fica no mais respeitoso silêncio.


A animação das galeras

A torcida de cada boi recebe o nome de GALERA, e forma um espetáculo delirante durante as 03 horas de apresentação de cada boi, cantando (gritando), dançando com movimentos expressivos e conjuntos usando adereços de mão, distribuídos em kits antes de cada apresentação. A animação da galera vale ponto no momento da apuração final, portanto eles tem que dar o melhor de si a cada dia de apresentação.
Eles fazem coro na hora de cantar as toadas.






Não pode vaiar, gritar e nem xingar, tem que ficar calado durante a apresentação do boi contrário, sob pena de perder pontos. Tem toadas, que são músicas criadas exclusivas dos dois bois para suas galeras. É UM ESPETÁCULO A PARTE!!

Eu particularmente sou uma torcedora FANÁTICA, quando a marujada e o Caprichoso entram na arena eu não sei se grito, canto ou choro, É EMOCÃO PURA!!









Galera do boi Caprichoso
















Galera do boi Garantido














Opinião pessoal:


Expressar em um post toda emoção que se vive em Parintins realmente pode até ser uma coisa sem entendimento, principalmente para quem não conhece a festa. Para ser sincera só sabe o que se vive na Ilha da Alegria quem para lá vai, fui a primeira vez com 15 anos e quando entrei na arena pensei que fosse morrer de tanta emoção e confesso que ainda não passei por outra emoção maior que essa, passei anos sem ir a Parintins, mas a cada ano que vou aquela emoção dos meus 15 anos me visita novamente.









Como diria Pedro : “Não tem preço sentir o azul do Caprichoso e o vermelho do Garantido, se sentir no meio de uma rivalidade ímpar, onde um adversário respeita o outro, pois como yin e yang, um não existe sem o outro. Não tem preço estar num lugar onde as pessoas, mesmo contrárias na paixão, sabem deixar as diferenças de lado pra juntos curtirem o som das toadas que emanam dos carros, das casas, das praças; com provocações, mas sem brigas; sentir que as pessoas que ali estão querem brincar, se divertir, voltar a ser criança, sair da realidade, num sonho chamado Parintins. Troque sua dúvida pela emoção e seja mais um a dizer VALE A PENA!!”

Aguardo vocês o ano que vem em Parintins para conhecerem não só o meu touro negro como o boi contrário!!

Site recomendado : http://www.pontodevista.com/gale_f.htm

22/09/05

“O Código Malhoa”, por Eleutério Brown

Ó Freitas, apareceu um homem morto no Museu José Malhoa, junto àquele quadro… - “Os Bêbados”, chefe? - Sim, sim… Vá lá e leve a Gisela, a nossa criptógrafa.- E não haverá mais ninguém de turno hoje para tomar conta do sucedido, chefe? Falta-me tão pouco para a reforma… – Eu sei, Freitas, eu sei… mas este é o nosso trabalho. Coragem, homem.

Cá estamos, Gisela. Ora então, os “Bêbados”. Já sinto arrepios… Nunca se soube porque é que aquele bêbado do centro está a sorrir, pois não? – Não…o próprio Malhoa sempre foi muito evasivo nos escritos que deixou acerca do quadro. E quem tentou investigar…. coitado do Cardoso... - Gisela, esta não é a altura para reabrir feridas. Coragem! Repara, está um pedaço de pano cozido ao colarinho do casaco do morto! Diz assim: “Lavar a 50 graus”. O que é que isto significa, rapariga? - Hhhmmmm, é claramente uma coordenada para localização de alguém. - O Lavar, claro… - Não, não, desconfio que o nome desse francês é para despistar. Conheço a técnica. Numa célebre investigação que dirigi nos Estados Unidos, sobre um assassinato junto a uma reprodução dos “Bêbados” no Metropolitan Museum, encontrei no colarinho do morto uma inscrição semelhante que dizia “Wash at 50 degrees”. Subi rapidamente os cinquenta degraus para encontrar o tal Wash, e acabei por encontrar um indivíduo com outro nome. Ainda hoje, no corredor da morte, o tipo nega que tenha cometido o crime. Bom, aqui a pista está concerteza no quadro. Traçando o tal ângulo de cinquenta graus em relação ao quadro, verificamos que a linha caí em cima do terceiro bêbado a contar da direita, o de bigode… repare, repare! O homem do sorriso está mesmo por detrás dele! Começo a perceber tudo… E veja também que a linha do bigode do homem faz um ângulo de vinte graus! - Cuidado, Gisela, estamos a entrar em terreno movediço. Vamo-nos esconder naquela arrecadação!... Já podemos sair, chefe? Sim, mas com cautela. Agora vamos ver um mapa da cidade…hhhmmm…Traçando uma linha de vinte graus desde o bigode vamos ter à sede do Grupo Onomástico “Os Josés” - Vamos lá então, mas com cautela.

Boa tarde. - Boa tarde, trazem moedas para a troca? - Moedas? - Claro, não está a ver alí escrito “grupo onomástico”? – Pensávamos que era uma ordem onomástica. Queriamos entrar em recolhimento espiritual. Mas porquê “Os Josés”, já agora? - Olhe, só o fundador é que lhe podia explicar isso, mas morreu antes da primeira reunião. Por uma qualquer estranha razão, todos os que convocou se chamavam José. - Isso é suspeito… Gisela, vamo-nos esconder naquele beco!...- Já podemos sair, chefe? - Sim, mas com cautela. Vamos voltar ao interrogatório. Psst, olhe lá, como é que morreu o vosso fundador? - Foi atropelado por um bêbedo. - Esse bêbado tinha um chapéu de abas largas amarrotado? - Por acaso, tinha. - Se vir a fotografia dele, é capaz de o reconhecer? – Talvez. - Veja então esta reprodução do quadro "Os Bêbados”, do pintor Malhoa. – Tenho mesmo que olhar para esse quadro? Cada vez que olho para ele, sinto uma pancada forte na nuca e fico inconsciente. - Não se preocupe, estamos aqui para o proteger. - Hhhmmm… quem atropelou o nosso fundador foi aquele bêbado da esquerda. Se quiserem falar com ele, vão ali ao lado, ao Grupo Onomástico “Os Mários”, uma agremiação de apoio aos asmáticos. É o senhor Mário, o fundador do grupo.

Boa tarde, o senhor Mário está? - Não, foi ontem ver os “Bêbados”, do Malhoa, e ainda não voltou. Estamos preocupados porque se esqueceu cá da bomba para as crises de asma. - E isso tem acontecido muito? - Desculpe, não posso dizer-lhe mais nada. Compreendam... E agora vão-se embora, por favor. Tenho a vida em risco. Se quiserem saber mais alguma coisa, vão a este endereço. É uma pequena capela gótica em ruinas na Escócia.

(Continua. Vai-se descobrir nos próximos capitulos que o Freitas é afinal o pai da Gisela; que o Chefe é na verdade o mandante do crime e que o Malhoa afinal sabia muito mais do que aquilo que contou, nomeadamente que a Gioconda casou secretamente com o bêbado do centro, que é o Freitas, filho do senhor José, e que vivem os dois em parte incerta na serra da Lousã, na pequena aldeia do Candal, junto ao moinho de água, onde se dedicam à produção de licor de urtigas, cujo segredo é, afinal, o motivo pelo qual tantas pessoas têm sido mortas ao longo dos anos junto ao quadro, que retrata na verdade uma prova cega de whiskies, o que justifica a referencia à tal capela na Escócia, como se vai ver).

06/09/05

De Lascaux a NY: uma breve história da arte ocidental, por Argonauta Tatuado

Há umas dezenas de milhares de anos alguém pintou às escuras animais selvagens nas inacessíveis grutas da Dordogne, como se fossem úteros. Assim tudo começou ou é, pelo menos, um bom começo. Pela presentificação plástica e simbólica da ausência se inicia um percurso de onde nascerá toda a metafísica, toda a teologia, toda a moral e todas as utopias. A existência declara-se insuficiente, a inexistência torna-se suposição e ganha forma, tal como o desejo pelo tempo se faz história. Os gregos esculpiram deuses com forma humana, monges irlandeses pintaram minuciosas iluminuras na superfície sagrada dos bíblicos pergaminhos como se fossem grutas paleolíticas. Villard de Honnecourt rabisca catedrais com paredes de vidro onde se narram histórias sagradas e coloridas, como se fosse BD. Desde os tempos dolménicos que somos nós a fazer grutas. É isto a arquitectura. As catedrais góticas, apontadas ao céu e cheias de luz como se fossem vítreos arranha-céus novaiorquinos, são as mais belas. A Sagrada Família é a mais bela das mais belas, pois que na sua incompletude estatutária remata o processo dolménico, fazendo com que o misticismo escolástico se equipare a uma fantasia que lembra a Disneylândia. Somos fazedores de espaço com a razão ou com o sonho. Seja pelo alargamento do espaço físico ou pela invenção do espaço simbólico. Por isso a invenção das leis da perspectiva é contemporânea de Galileu e das grandes viagens transoceânicas, tal como Einstein que desfez a imagem clássica do Universo é contemporâneo de Picasso que bidimensionando nos libertou da tirania renascentista. O caminho de Picasso leva-nos ao quadrado de Malevich, onde se nega todo o legado clássico: cor, profundidade, figura e técnica. Outro caminho, iniciado em Goya, supera o cânone racionalista libertando fantasias e subjectivando o mundo. Se o Renascimento inventou a ideia de génio, Pollock destruirá o mito pois que no dripping não há autoria porque não há consciência. Deste beco sairá Warhol reinventando a arte como objecto de consumo de massas e produção mecânica, até que Haring nos resgatou desta banalização irónica. Nas galerias subterrâneas do metropolitano de NY, a Lascaux americana dos finais do século XX, Keith Haring reactivou uma reminiscência original pintando graffitis pictográficos como quem pinta animais selvagens, devolvendo à arte o simbolismo primitivo e descobrindo depois em Grace Jones, que cobriu de adereços e pinturas neo-primitivistas transformando-a numa divindade totémica, uma essencialidade original que afinal nunca se perdeu, onde o corpo se revela outra vez como objecto e instrumento privilegiado da expressão artística. Como nunca deixou de ser e já era antes de Lascaux.

05/09/05

R.I.P.



04/09/05

Katrina Eufémia, por Fura também Cão

O meu primo com nome de mulher, o Furacão, fez das dele.

Tornou Nova Orleães numa Nigéria taliqual.

Peninha dos negros e dos brancos à la americaine? Pas moi.

Se os nazis tivessem ganho a Segunda GM, que diferenças hoje?

Nenhuma, à excepção dos judeuzitos de merda.

Katrina Eufémia: je t’aime!

Nota do Administrapor: Este post é da exclusiva responsabilidade do seu autor. Os restantes membros deste blog não só repudiam os termos, como os preconceitos aqui expressos. Contudo, e porque a censura nos repudia mais ainda, pedimos que endossem todas as críticas para o blog do nosso confrade e amigo: O Canil do Daniel

02/09/05

Tempestade, por Mangas

Um gavião desenhou dois círculos lá no alto. Voo suspenso sob o céu cinzento. Devem ser um prenúncio qualquer aqueles dois círculos, porque de repente as nuvens ficaram mais carregadas. Ficar por cá para além desta semana pode ter um desenlace inesperado. Às tantas, começo a habituar-me a vaguear pelo French Quarter e a sentir a ligação alienante ao jazz de rua e à comida creoule com muito picante.

Corre uma brisa fresca que a pele húmida agradece. Tentam vender-me uma boneca voodoo negra, com palha a fazer de cabelo e o rosto em forma de caveira, mas eu só tenho olhos para o gavião que agora paira sobre a minha cabeça. As tardes renascem neste tempo sedento de sangue. Os meus pés levantam poeira que em breve se irá transformar em lama. Sinto a camisa colada ao corpo. Vejo polegares apontados para cima, ansiosos por uma boleia. Também eles já perceberam que esta noite é o fim do mundo. Quatro putos negros batem com frenesim a sola metálica das botas no pavimento dos passeios. É um sapateado anunciador. Alguém recolhe os toldos e tranca as portas. Gritam pelos filhos. Gritam pelos filhos dos filhos. Alguns (muitos!) deixaram os bares e vieram para as calçadas diluir os últimos acordes de um trompete metálico em estado de ansiedade. Não há nada mais perigoso do que um trompete em estado de ansiedade! Garanto que ainda o consigo ouvir. Sem dar um passo. Sem mexer um músculo sequer.

Num instante as ruas ficaram desertas. Olho mais uma vez para cima e quase não distingo aquela forma ameaçadora de asas abertas. Caem as primeiras gotas e o barulho ensurdecedor de um relâmpago deixa tudo às escuras. Num instante também, a fúria das águas desceu dos céus, como o gavião tinha prometido. Começou.

Acho agora que sempre devia ter comprado a tal boneca voodoo.

New Orleans, Louisiana, Julho de 1994