Cenários idênticos podem acontecer após o anúncio da classificação dos tintos numa prova cega, ou no rescaldo da cirurgia plástica a um porco.
Depois disso apontei-lhes o caminho para casa, mas os cabrões ainda não regressaram.
Blog da RS.T - Real Esseponto do Tinto - Coimbra - Os Três Pastorinhos também bebiam o seu copito

Quando o meu pai se despediu, um dos amigos que me tinha topado desde o início, agarrou nos livros e ofereceu-mos, o meu pai perguntou como é que se diz?, eu disse, e mais tarde, enquanto descia as escadas, olhei para uma das janelas igual às outras e pensei que, apesar de tudo, todos eles deviam ser felizes porque não tendo nada, tinham muitas coisas e estavam juntos, não precisavam de arrumar as tralhas enquanto liam livros do Major Alvega e do Príncipe Valente, os putos até podiam brincar com pistolas quase verdadeiras e almoçar enlatados, e eu naquele quarto até podia ser invisível. Nessa tarde choveu até anoitecer. Uma tempestade imensa varreu as montanhas. Quando trovejou as velhas rezaram e os homens esconderam-se a coberto do perigo. As traseiras da casa onde morávamos alagaram-se até ao joelho e o colchão onde eu dormia parecia uma ilha ensopada. O meu pai teve de fazer um buraco na parede de modo a escoar a água para a horta do vizinho. As roupas misturadas com batatas na lama, caixotes empilhados, chávenas de casquinha e álbuns de fotografias arrastados pela torrente das águas. Lembro-me do choro silencioso da minha mãe, e do meu pai encostado a um canto ancorado num cigarro, o olhar fixo e carregado, sem dizer uma única palavra. Lembro-me também de ter pensado que, vistas bem as coisas, os refugiados do lar talvez não fossem tão felizes quanto isso..
Venho pelo presente trazer a Vossas Excelências as razões da minha indignação. Ando indignado, sim senhor, como consumidor. Eu acho que tenho direitos e é como utente que reclamo veementemente contra uma situação que passo a expor. Aqui há dias, estava eu a surfar na net por uns sítios manhosos e encontrei um porreiro. Umas gajas a levar na peidola com categoria. As fotos eram boas, o grafismo era excelente, o texto era atractivo, estava muito bem escrito, tinha um menu diversificado capaz de agradar a todos os públicos, pelo menos à maioria, se descontarmos aquela malta esquisita dos chicotes, da mijadela e etc. Enfim, aquilo era uma coisa bem feita, como cá não se faz. Vai daí, estava lá no menu uma opção a dizer que tinha «close ups» de bundas. E foi aí que eu me indignei, foi o que aí vi que me impeliu a trazer até aqui o meu protesto. É que os cus estavam cheios de borbulhas e pêlos encravados! Está mal, é falta de profissionalismo e de brio profissional. Quem mete o cu na net tem que ter cuidado com a imagem. Isto está-se a abandalhar. Antigamente a gente comprava uma Gina e não encontrava lá disto. Os recursos tecnológicos eram muito menores, não havia photoshop nem tratamento digital da imagem, mas havia pó-de-arroz, havia o que se perdeu: sentido de serviço público! Dedicação! Empenho! Espírito de missão! Nem mais. As moças estavam ali para servir a malta e esforçavam-se, apresentavam-se como deve ser. Não havia cá borbulhas. Ou punham maquilhage, ou fotografavam de outro ângulo, ou não faziam grandes planos, eu sei lá! O que eu sei é que não havia borbulhas nas nalgas! Dá mau aspecto, falta de deontologia profissional. Hoje qualquer gaja pode ser puta sem esforço absolutamente nehum e depois dá nisto. E até têm estudos, pois têm, mas não têm brio profissional nem deontologia!E a questão é tanto mais grave quanto um tubinho de Clearasil custa uma ninharia! É que nem sequer há a desculpa de ser caro ou de necessitar de receita médica. É simplesmente inaceitável! Intolerável! Bastaria um dedalzinho de Clerasil nas nalgas, 24 horas antes da sessão fotográfica, e tudo ficava muito mais apresentável.A não ser que o Clerasil não resulte nas nalgas. Mas, mesmo assim, eu pergunto: porque é que não há um Clerasil-Cu? Hein? Sim, é que há Clerasil para o queixo, Clerasil para o nariz, Clerasil pomada, loção Clerasil, creme, creme nocturno, compressas, nha nha nha e não sei que mais. E Clerasil-Cu? Custa assim tanto inventar uma merda para acabar com as borbulhas nas nalgas? Ou é má vontade? Incompetência? E os meus direitos de consumidor? Por isso, por estas e por outras é que isto está como está. Muito obrigado e boa noite.
Há uns meses, mais ou menos, que quase não consigo ler nenhum livro até ao fim. Começo-os mas, miséria das misérias, não lhes consigo dar vazão suficiente: Não os acabo com a velocidade de outros tempos. Depois vão-se empilhando na mesinha de cabeceira. O Assis Pacheco em cima do Sepulveda, este por cima do Gao Xingjian, este por seu turno por cima do Krishnamurti por seu turno em cima do Olivier Rolin, por seu turno em cima do Abrunheiro por seu turno sobre um livrinho antigo e já amarelado sobre Ocultismo de um cavalheiro de que agora não me lembra a graça, etc., até quase esconder o candeeiro. E em cima disso tudo, uma Time (edição europeia) de há dois meses, uma Pública de há três semanas e uma National Geographic de há um ano e picos. Em contrapartida leio o Público todos os dias e revistas com fartura. Se bem que o Público também é leitura incompleta, já que passo à frente as páginas do futebol por ser alérgico ao desporto escrito e falado. Aliás, nas revistas também não leio tudo. Nos cafés leio o Diário de Coimbra, As Beiras, O Figueirense e, quando os há, o Correio da Figueira e a Voz da Figueira. Depois, farto-me de ler coisas na Internet, aderi ao vício das newsletters e recebo correio com novidades diárias, semanais ou quinzenais de coisas como o NY Times; a Maxideia; a Sapo Saúde; o What Doctors Don’t Tell You; a Foreign Policy; o boletim informativo da ONU (que tem um excelente serviço noticioso para assinantes); as Informações de Segurança do Millenium; as efemérides diárias (excelentes) do Canal História; os boletins do Ciência Hoje; os alertas do Google News sobre Portugal, Coimbra e Figueira da Foz; notícias da NASA sobre ocorrências e “inventos” no espaço; a news-letter do Health World Online; a news-letter da New Scientist; da BBC Science&Nature; a news-letter do Figueira.net; a da Human Rights Watch. E mais umas quantas de mais uns quantos temas e umas quantas geografias que ficam aqui de fora em nome do fastio. Tudo isto não substitui, obviamente, a leitura de livros, que se tornou prática eminentemente nocturna e de almofada: todas as noites um bocadinho obrigatório antes de cerrar a pestana. Já a leitura electrónica é para ir lendo ao longo do dia durante a jorna, se a jorna permitir. Além disto há os sites, os portais, o correio electrónico pessoal e os blogues, a que também vou dando uma pestanada, quando posso. Bem como as legendas dos filmes, dos documentários e das séries de ficção/estimação como os Sopranos, que de resto, tem argumentos/textos fabulosos. No elevador dou ainda uma vista de olhos ao Dicas e aos folhetos publicitários com que me enchem a caixa do correio e que às vezes trazem umas promoções catitas. Antes de jantar leio o correio postal mais sério e personalizado, quando o há. Na cagadeira gosto mais de revistas de informação geral e do Courrier Internacional. No caminho de casa para o trabalho e vice-versa, que faço a pé ou de bicicleta, não deixo ainda de ler os cartazes, os folhetos, as faixas e os mupis que me aparecem à frente. Quando me interessa, paro e leio tudo antes de reprosseguir. Também dedico uma parte dos meus dias a ler SMS’s e Messenger’s (ultimamente também leio as mensagens dos meus amigos que descobriram que o Gmail também tem um serviço de chat). Como entre outros ofícios, também sou agora editor de uma revista mensal, pelo menos uma semana por mês leio (e corrijo) todos os artigos a publicar. Além disto, quando vou às compras, leio os rótulos dos produtos. Por razão que adiante perceberão, também leio catálogos de editoras. Por mor de compor o orçamento, também leio transcrições de julgamentos. Leio ainda capas e brochuras de CD’s e DVD’s, bem como os ditados, graças e provérbios nos pacotes de açúcar. Às vezes, durante o dia, para desenjoar e como também trabalho numa livraria, pego num livro e leio um bocado. Quando aquele é de feição a agarrar-me pelos tomates, levo-o para casa e junto-o à pilha da mesinha de cabeceira para ir lendo mais devagarinho, umas linhas por noite até se me cansarem as pestanas.
A passada noite lia uma entrevista a Miguel Delibes, e confessava este que “"Antaño, todo hombre nacido de mujer se consideraba portador de cosas positivas, de algo digno, algo noble, unos valores, en suma. Pero la descendencia de Caín pesaba sobre nosotros, y el hombre que era portador de reservas morales se convirtió en un ser peligroso, maligno, de difícil definición. Ahora, el hombre miente, ataca, mata, hiere, viola y su presencia lógicamente engendra desconfianza. El hecho de ser parido por mujer no lo dignifica ni quiere decir nada".
O Batiti é um sem-abrigo aqui do meu bairro. Cheira mal, está todo esfarrapado, é doente mental, trata toda a gente por doutor, tem um cordel a servir de cinto, dorme debaixo de uns cartões, recusa ir para um lar, passa os dias a mendigar migalhas e a peregrinar de um lado para o outro. Bebe cerveja e come o que lhe dão. O Batiti acha que eu sou médico e cada vez que me vê chama-me doutor, mostra-me a perna toda esfolada e diz que lhe dói ali e pergunta-me se eu não lhe passo uma receita. Eu digo que não sou médico e o gajo não acredita. É doido. Hoje encontrei o Batiti à porta do centro comercial aqui do bairro. Uma coisa moderna. O Batiti chamou-me:
[A acção começa à porta principal da Escola Básica do 2º e 3º Ciclos numa cidade da região Oeste, nos arredores de Lisboa. Personagens: Professora de Biologia, Marta, João, Bernardo e Carolina. As duas raparigas saem do portão escola. Espera-as o Bernardo]
CENA 1
Carolina (para a Marta): Olha, não é o Bernardo?
Marta: Sim, parece. O que é que está ali a fazer? Será que faltou às aulas?
[Aproximam-se do Bernardo]
Carolina e Marta: Olá, Bernardo!
Bernardo (com um ar triste, o capacete debaixo do braço, encostado à mota. Veste roupa de marca. Fala com uma voz baixa]: Olá, Carolina, olá Marta…
Carolina: Passa-se alguma coisa?
Bernardo: Não, nada...
Marta: Faltaste às aulas.
Bernardo: ….
Carolina: E logo hoje que tivemos uma aula muito fixe de Biologia. Estivemos a estudar como se deve prevenir a SIDA.
Marta: Pois foi. A professora de Biologia é muito fixe. Hoje aprendi muita coisa.
Carolina: Deixa lá isso. Ó Bernardo, desculpa lá mas estás com um ar um bocado esquisito. O que é que se passa?
Bernardo: Nada, nada. Olha, tenho que me ir embora. Xau!
[Bernardo sai de cena, de mota. A câmara filma o Bernardo a desaparecer ao fundo da estrada]
Carolina [para a Marta]: Não achaste o Bernardo muito…
Marta: (responde afirmativamente com um aceno de cabeça) Isto é muito estranho…
CENA 2:
[No Centro Comercial, depois de almoço]
Marta: Olha, Carolina, aquele não é o João? É muito giro, não achas?
Carolina: Deixa-te de disparates, Marta, agora não é a altura ideal para esse tipo de comentários. ‘Bora falar com ele. Ele é a pessoa ideal para nos ajudar a descobrir o que anda a atormentar o Bernardo.
Marta: Pois é. João, João, aqui, somos nós…
João: Oi, olá miúdas, que surpresa. Estão porreiras?
Marta e Carolina: Nós estamos, e tu.
João: Eu estou óptimo, vim agora do treino de judo, vou almoçar com o meu pai e depois vou para as aulas de violino.
Marta: Sempre o mesmo João, muito atarefado, de um lado para o outro. Mas, será que nos podias dar um momento?
João: Porquê? Há algum problema?
Carolina: Não…
Marta (interrompendo): Há… pode ser que não, mas achamos que algo se passa com o Bernardo.
João: O Quê? O Bernardo? O que é que lhe aconteceu? Ele é um gajo bué de fixe… Digam-me, por favor, aconteceu alguma coisa?
Marta: Não sei, mas ele estava esquisito hoje ao fim da manhã. Queríamos falar contigo por causa disso.
João: Claro. Deixa-me só dar um toque ao meu pai. (Tira o telemóvel do bolso): ‘tou, pai, olha, passou-se agora aqui uma cena, não vou poder ir almoçar contigo, desculpa lá… eu sei pai… eu sei. Não te importas? De certeza? Pronto, obrigado, és um porreiro.
Carolina: O teu pai é mesmo fixe, quem me dera ter uma relação assim com o meu pai.
Marta: Estas relações constroem-se com base no diálogo e na confiança, Carolina.
João: Vá, meninas, deixem lá a psicologia agora. O que é que se passa com o Bernardo?
CENA 3:
[Na esplanada do Centro Comercial. Marta e Carolina colocam João a par da situação. João baixa a cabeça pensativo à medida que se vai inteirando da situação. De repente, avistam a professora de Biologia]
João: Olha, aquela não é a setôra de Biologia?
Marta: É.
Carolina: A setôra é bué de fixe. Fala connosco sobre todos os problemas que nos afligem. Olha, tive uma ideia, vocês não acham que é a pessoa ideal para nos ajudar a resolver o problema do Bernardo?
João e Marta: Isso, excelente ideia, Carolina. Setôra, setôra…!
Professora de Biologia: Olá, meninos, por aqui? Mas que agradável surpresa… Passa-se alguma coisa?
João: Bom…
Professora de Biologia: Vá, andem lá, já sabem que comigo podem contar sempre.
Marta: É o Bernardo, setôra…
Professora de Biologia: Pois é, então vocês também repararam que ele anda esquisito.
Carolina: Pois foi, setôra. Será que a setôra podia ver o que é que se passa?
Professora de Biologia: Vou tentar, deixem comigo.
CENA 4:
[No outro dia, à entrada da escola]
Bernardo: Olá, Marta. Olá Carolina, olá João.
Marta, Carolina e João: Olá, Bernardo. Estás muito mais alegre do que ontem. O que é que se passou.
Bernardo: Eh pá, vocês nem imaginam. Vocês são mesmo uns amigões. Tenho que vos agradecer.
Carolina: Então? Conta, não nos deixes assim… Vá lá.
Bernardo: Ontem, a professora de Biologia foi a minha casa falar comigo. Ela contou-me tudo. perguntou-me o que é que eu tinha, disse que eu andava estranho e que vocês tinham reparado.
Marta: pois foi…
Bernardo: Fui um palerma.
João: Anda lá, pá, conta
Bernardo: Vocês conhecem o Tó Jó, aquele tipo estranho do 9º H?
Todos: Sim, claro, o gajo é completamente passado.
Bernardo: Pois, ontem o gajo desafiou-me para faltar à aula de Biologia. Eu fui burro e aceitei. Depois fomos para o salão de jogos…
Carolina: Uiii… isso é cá um ambiente
Bernardo: E o Tó Jó desafiou-me a fumar um charro. Eu primeiro disse que não, mas depois…
Marta: Ah! Por isso é que tu estavas com aquele ar meio esquisito?
Bernardo: Pois foi. Mas a professora de Biologia já me explicou os malefícios da droga. E disse-me que eu tinha muita sorte em ter amigos como vocês.
João: Lá isso é verdade.
Bernardo (abraçando todos): Obrigado, meus amigos, vocês são os melhores amigos do Mundo.
João: Tens que vir para o judo comigo, para te manteres afastado desses perigos.
FIM
Dobrei o cabo meridiano da vida. Duvido que viva tanto como já vivi. É altura de pensar nas memórias. Um gajo olha para trás e só vê merda. Por isso, o melhor é continuar a olhar em frente. Isto significa que esta página inaugural é já, também e ainda no primeiro parágrafo, a última página das minhas memórias. Isto traz-me uma grande responsabilidade. É importante que estas memórias, ou melhor, memória, não deixe má impressão. Não pode ser uma memória de merda. Esforçar-me-ei.
Há uns meses atrás, um jornal nacionalista dinamarquês, num exercício livre de xenofobia dissimulada e (bem) consentida pelas leis ocidentais de liberdade de expressão e imprensa, publicava uma série de caricaturas que desafiava o maior tabu religioso e cultural das centenas de milhões de crentes islâmicos espalhados por todo o Mundo: dava rosto a Maomé! Todos se recordam do escândalo e das reacções dos fanáticos muçulmanos. Todos se recordam dos excessos e das pressões inimagináveis exercidas sobre o director do jornal e sobre a diplomacia dinamarquesa que se recusou (bem) a pedir desculpa, argumentando que o poder político é separado da imprensa e que a liberdade de expressão é sagrada no Ocidente. Todos se lembram das manipulações das multidões e da guerra de informação. Na altura, nos jornais e na blogosfera houve muitos que se solidarizaram com a diplomacia dinamarquesa e, retomando Kennedy, gritaram inflamados: «Somos todos dinamarqueses!»
Ontem, o Sr. Necare publicou no seu blog um textozito inofensivo que intitulou «Etiquetagem». Trata-se de uma brincadeira ingénua pela qual o autor se pretende retratar, manifestando uma série de preferências e aversões. A brincadeira funciona como uma corrente, devendo o autor indicar um conjunto de amigos que continuará a série, sendo que foi ele próprio indicado por outros. Na minha adolescência eu também via os mariquinhas da minha turma com este tipo de jogos. Em princípio, estas brincadeiras são idiotas e inofensivas, em princípio, pelo menos enquanto não maculadas por afirmações despropositadas.Apresentando as suas etiquetas, o Sr. Necare profere umas banalidades irrelevantes: que gosta da Suécia, gosta de música, cinema, literatura e não gosta de calor. Pelo meio, afirma despudoradamente que não gosta de espanhóis. Sem vergonha e sem justificação plausível, porque a não há, proclama-se xenófobo e argumenta que os espanhóis são expansivos e barulhentos e que andam sempre a lixar-nos. Depois reafirma a convicção: «Pode parecer estúpido mas é a realidade.»
Se o Sr. Necare afirmasse não gostar de pretos porque são muito qualquer-coisa, ou de judeus porque são muito não-sei-o-quê, o sr. Necare seria racista e incorreria em crítica séria e pena grave. Mas o Sr. Necare refere-se aos espanhóis e por isso se acha isento de responsabilidade, deve achar que tem piada e que xenofobia não é acusação grave quando aplicada a um povo inteiro. O Sr. Necare, como se pode ver, é burro.
Comentando esta inanidade, e sob o pseudónimo Pata Negra, eu chamei burro ao Sr. Necare. O Sr. Necare sentiu-se com o epíteto, justíssimo diga-se, e veio aqui ao Tapor verter a sua bílis. E disse:
«@Pata Negra: Se queres insultos, vamos a isso.
Sua besta do caralho, com uma merda de um nick tirado dos presuntos, julgas-te muito esperto, não é? Tiraste algum curso de psicologia por correspondência e queres aplicar os teus conhecimentos, mas é melhor ires para a tua vizinhança de parolos, pois deve ser o único sítio onde fazes um brilharete.
Deves ser descendente de espanhóis, não é cabrão? Andas vestidinho de andaluza, a dançar flamenco e a tocar castanholas. Volta lá para a merda da pocilga de onde saíste que a tua opinião não vale um bocado de merda de porco.»
Como se vê, e como já se havia suspeitado da leitura do post das etiquetas, o estilo não é recomendável, aliás tal como a sintaxe e o conteúdo.
O objectivo deste post é provar que o Sr. Necare é burro. É fácil. Não me dirijo ao Sr. Necare, ele lerá o post porque o post é público, mas ele não é o destinatário. Até porque, como burro que é, não entenderá a argumentação aqui expendida.
Comecemos por perguntar o que é um burro? Não no sentido zoológico, claro está, mas quando a expressão, como ofensa, é aplicada a um indigno representante do género humano. Neste caso, um burro é um indivíduo que, incapaz de interpretar e entender as evidências com que se depara e a partir daí produzir um discurso racional, insiste presunçosamente e com base na ignorância dogmática, em avaliar a realidade que não entende com base nas suas limitações. Isto é um burro. O Mundo visto pelos olhos de um burro é um mundo distorcido. Acho que a definição é boa.
A seguir, trata-se de reputar como completamente falsas as afirmações do sr. Necare relativamente à Espanha. O Sr. Necare não conhece a Espanha. Contrariamente ao que o Sr. Necare diz, a Espanha não está nem nunca esteve preocupada em nos lixar. É errado do ponto de vista histórico e político. É errado, seja qual for o ângulo e a óptica de análise. Revela ignorância completa e gritante. Poupo-me à demonstração, porque a evidência é do tamanho do universo e em sentido contrário.
Em segundo lugar, o Sr. Necare revela uma ignorância total acerca da importância da Espanha, da sua história e da sua cultura. De Goya ao presunto Pata Negra, de Altamira a Tapiés, de Almodovar a Cervantes, de Machado a Lorca, de Alonso ao Real Madrid, de Pau Gasol a Angel Nieto, de Penélope Cruz a Juan Miró, De Stª Teresa de Ávila a Cervantes, podia dar milhões, dezenas de milhões de exemplos em todos os sectores de actividade, do desporto à literatura, da poesia ao cinema, da pintura à política, da religião à sociedade, de figuras e factos marcantes na história da humanidade de origem espanhola. Em face desta evidência esmagadora, merecedora de admiração sincera, o senhor Necare diz que não gosta. Que são barulhentos e expansivos. Tece umas considerações generalistas, racistas, xenófobas e inaceitáveis.
Por outro lado, o senhor Necare fala dos nossos vizinhos como se fossem estranhos. Desconhece que a hispanidade é um pilar essencial, ainda que recalcado pelo discurso de muitos burros, da identidade portuguesa. Falar mal dos espanhóis é falar mal de nós.
Só um burro o não vê, como é o caso do Sr. Neacre. Tal só se explica se dermos por demonstrado que o Sr. Necare é burro. Esta é a etiqueta que melhor o serve, poisde contrário, ter-se-ia que considerar o Sr. Necare como racista e xenófobo. A burrice torna o Sr. Necare inimputável. Ofereço-lhe o direito a usar a coroa que ilustra o post. Mereceu-a!
foto: http://www.1ofakindstuff.com/Shrek-Donkey-Ears.html