04/01/05

A hipótese idiossincrásica na estruturação do substrato metanarrativo da filmografia de Manoel de Oliveira, por José Hersseling*

A afirmação do desiderato gnoseológico, de acordo com a tradição clássica que podemos fazer remontar aos ensinamentos de Hipocrofonte, no século VI a. C., leva-nos a supor que, numa perspectiva meramente metahistórica, o Homem não supera o seu estatuto imanentista pela simples inflexão dos pressupostos axiológicos. De facto, ao compulsarmos as recentes conclusões do professor Richard von Graefe, nomeadamente no terceiro capítulo da sua obra de referência Die Vereinbarkeit von gottliche Vorsehung und menschlicher Freiheit bei Boethirus facilmente concluiremos do solipsismo subjacente a tal processo. Urge portanto, analisar a filmografia à luz dos mais recentes avanços epistemológicos, de um prisma exclusivamente formal, escusado será adiantar.
Assim, temos em primeiro lugar, aquilo que podemos designar como a estupefacção do sujeito remanescente, o que é dizer, a radicação do Eu cósmico profundo na tradição de raíz anglo-saxónica, demonstrável, por exemplo, pelas suposições lógicas da Escola Hermenêutica Formalista de Salzburg. Dentro deste ângulo, escatológico e pampsiquista, somos forçados a considerar a personagem como um exercício redundante. Caso contrário, a perspectivação teleológica resolver-se-ia pela futilidade nominal.
Consideremos, depois, o argumento da introspectividade derivativa. Aplicado o modelo sociológico e feito o tratamento estatístico adequado, concluiremos pela formulação do enunciado seguinte: se A resulta da intersecção do grupo B na trajectória de C, logo o confronto de A com C- implica que consideremos o efeito da chamada variante de Vaerhagen que, como todos sabemos, só é aplicável aos casos prescritos na tabela de Hasnundssen. O que não é o caso. Logo, resulta inválida a tese que R. Schneider propôs ao 3º Congresso Cinéfilo de Tributação Exponencial.
Fica pois demonstrado que Oliveira continua igual a si mesmo.

* Bolseiro Avançado da Fundação Friederich Schweissmuller no Portugiesisch Institut da Universidade de Munchen

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