Está bem que os números redondos favorecem as efemérides. E há números redondos para comemorar quando apetece: 1 ano, ou um par. 5 anos ou meia dúzia. 10, 12, 15, 20. 25 anos é um quarteirão, trinta e de 10 em 10. Meio século ou um século inteiro. Ou seja, comemora-se sempre que um homem quiser. A comemoração é sempre interesseira e depende mais da vontade do comemorador do que do facto comemorado. A memória constrói-se. Não se herda. Comemoram-se agora os 20 anos do desastre de Chernobyl, numa altura em que o preço do barril de petróleo bate recordes históricos e em que os governos ocidentais reequacionam a opção nuclear. O terror apocalíptico e os terríveis efeitos de Chernobyl tornam repelente que se considere sequer a possibilidade de pensar a opção nuclear. Ora bem, eu arrisco a polémica e afirmo: A RESPONSABILIDADE DO DESASTRE DE CHERNOBYL RESULTOU MAIS DO REGIME COMUNISTA, ESTALINISTA, TECNOLOGICAMENTE OBSOLETO, CENTRALISTA E CORRUPTO DO QUE DOS PERIGOS INERENTES À PRODUÇÃO DA ENERGIA NUCLEAR. A causa primeira do desastre de Chernobyl foi a natureza do regime soviético. Blog da RS.T - Real Esseponto do Tinto - Coimbra - Os Três Pastorinhos também bebiam o seu copito
26/04/06
Chernobyl, por Chernenko
Está bem que os números redondos favorecem as efemérides. E há números redondos para comemorar quando apetece: 1 ano, ou um par. 5 anos ou meia dúzia. 10, 12, 15, 20. 25 anos é um quarteirão, trinta e de 10 em 10. Meio século ou um século inteiro. Ou seja, comemora-se sempre que um homem quiser. A comemoração é sempre interesseira e depende mais da vontade do comemorador do que do facto comemorado. A memória constrói-se. Não se herda. Comemoram-se agora os 20 anos do desastre de Chernobyl, numa altura em que o preço do barril de petróleo bate recordes históricos e em que os governos ocidentais reequacionam a opção nuclear. O terror apocalíptico e os terríveis efeitos de Chernobyl tornam repelente que se considere sequer a possibilidade de pensar a opção nuclear. Ora bem, eu arrisco a polémica e afirmo: A RESPONSABILIDADE DO DESASTRE DE CHERNOBYL RESULTOU MAIS DO REGIME COMUNISTA, ESTALINISTA, TECNOLOGICAMENTE OBSOLETO, CENTRALISTA E CORRUPTO DO QUE DOS PERIGOS INERENTES À PRODUÇÃO DA ENERGIA NUCLEAR. A causa primeira do desastre de Chernobyl foi a natureza do regime soviético. 20/04/06
Pedreiros-livres, por Zé Carpinteiro
Sabe-se pouco da Maçonaria. Pode-se falar mal da Igreja, do Benfica, da tropa, do Presidente, dos deputados, de tudo, menos da maçonaria. Não há humorista que se atreva. Lembro-me que o Herman fez uma vez um número com grão-de-bico, avental, etc. As reacções foram más e não voltou ao tema. É preciso respeitinho. Quem são os maçons? Ninguém sabe, excepto em relação aos que se confessam, que são poucos. Vivemos entre a suspeita e o boato. Não havendo perseguições, não estando clandestinos, porque é que se sabe pouco sobre a maçonaria e os maçons? Porque, primeiro de tudo, a própria natureza secreta, ou discreta como eufemisticamente os maçons se referem a ela, da instituição, é desde logo um obstáculo. Depois, porque a própria história maçónica, particularmente quanto às origens, é algo nebulosa ou misteriosa e, finalmente porque o segredo, contrariamente aos que os próprios afirmam, é essencial a uma organização elitista que gere influências e tece cumplicidades em estratégias transversais.
Quanto às origens, há quem as faça remontar ao tempo do rei Salomão! Não discuto, mas cabe referir dois aspectos: por um lado a mitificação das origens é um procedimento vulgar em todas as instituições, organizações ou nações. Por este processo – afirmando uma raiz remota – se pretende consagrar o carácter intemporal e, por isso, indestrutível de uma dada entidade. Basta recordar como os genealogistas da Restauração faziam remontar a ascendência de Afonso Henriques aos tempos bíblicos. O propósito está claro. Por outro lado, nota-se um judaísmo patente nesta organização. Também isto me parece explicável, pois que muito frequentemente o judaísmo e os judeus aparecem associados à maçonaria. Ainda contemporaneamente o chefe da comunidade judaica portuguesa, Joshua Ruah, se definiu como maçon e amigo do João Soares, maçon assumido, naquela polémica sobre o ouro judaico. A razão da associação entre judeus e maçons deve relacionar-se com a convergência estratégica achada pelos judeus que terão visto na maçonaria uma forma de resistir ao clericalismo, persecutório e totalitarista, do absolutismo. Claro que encontraram no racionalismo laico e universalista da maçonaria um aliado ou, se preferirmos, um espaço óbvio de inclusão e de combate político-social.
Se é discutível a filiação da organização nos tempos salomónicos, já não será tanto encontrar as raízes remotas da maçonaria nas corporações medievais, particularmente nos pedreiros. A própria designação (maçon ou pedreiro-livre, como também se designam) permite admitir essa possibilidade. E é crível. Os pedreiros medievais eram donos de um saber indispensável e prestigiado. Adquiriram liberdade individual e de pensamento à custa desse estatuto num tempo em que a sociedade se organizava organicamente num modelo estático e sacralizado, definido
A maçonaria começou no entanto a ganhar grande destaque político no século das Luzes. O racionalismo crítico, personalista, universalista, terá derivado do espírito maçónico ao mesmo tempo que definia as regras da sua organização. Creio datarem desta época os documentos reguladores da maçonaria, a constituição de Andresen. Voltaire e os enciclopedistas, ou os iluministas portugueses, com Pombal à cabeça, eram maçons. Mozart também compôs música maçónica. É o século da laicização da ordem social e política, é o século da afirmação do espírito burguês empreendedor, laico, anticlerical, racionalista e individualista. A Revolução Francesa adivinha-se, em grande parte foi obra de maçons, tal aliás como a independência da América.
Distinguem-se, desde estes tempos, duas tendências maçónicas: o rito escocês e a franco-maçonaria, derivada da Revolução, particularmente do partido dos jacobinos. Se a Inglaterra se pode gabar de nunca ter tido um regime absolutista, de ter conservado um regime liberal e parlamentar, em grande parte o deve à tradição das suas elites maçónicas, pois que sempre se constituíram como obstáculo à implantação de uma tirania régia, salvaguardaram o regime parlamentar, evitaram a clericalização do regime, fugiram à alçada da autoridade papal e propugnaram por uma liberdade de iniciativa e de pensamento que não só manteve a vitalidade social e económica da Inglaterra como preservou as elites e as impulsionou, permitindo que a Inglaterra se afirmasse como a grande potência mundial no séc. XIX.
A influência da realidade inglesa na Revolução francesa é óbvia. A franco-maçonaria tomou, porém, rumo diferente: tem um teor anticlerical, jacobino, intervencionista, político-partidário e é menos especulativa. O teísmo do rito escocês é, para estes jacobinos fanáticos, substituído por uma convicção profunda que associa a religião e a Igreja ao obscurantismo. A situação distinta, entre o processo francês e o inglês, também assim o forçou. A franco-maçonaria tomou a dianteira da Revolução, cometeu excessos, e por isso angariou ódios, tendo-se formado uma verdadeira lenda negra acerca da maçonaria, em grande medida infundada. Chegou a falar-se da grande conspiração, de um grande complot (abade Barruel) para derrubar a Igreja e a aliança entre o Trono e o Altar, relação que era apresentada como o fundamento da civilização!
A verdade é que as invasões francesas disseminaram o ideal maçónico por toda a Europa. Em Portugal, a francofilia deve entender-se em correlação com o ódio ao inglês, a Beresford particularmente. Gomes Freire de Andrade combateu com Napoleão na frente russa, veio, era maçon, ensaiou a primeira tentativa de implantação de um regime liberal e acabou no cadafalso, sentenciado por Beresford. Ganhou-se um mártir e curioso é ver como ainda hoje muitos maçons adoptam o seu nome como nome simbólico (o professor Oliveira Marques, também ele maçon, tem um bom dicionário da maçonaria).
Durante o processo liberal não há praticamente um único político de destaque que não fosse maçon. A revolução de 1820 nasce inclusivamente numa loja maçónica, ou algo assemelhado, a junta do Sinédrio do Porto, presidida pelo Manuel Fernandes Tomás (juiz) e onde se contavam juristas (os juristas são hoje o que os pedreiros foram outrora), militares, financeiros, médicos, professores, etc. A união das elites numa organização deste género gera cumplicidades e estratégias que se sobrepõem à orgânica do aparelho de Estado. Um regime que tenha as suas elites sujeitas a uma estrutura clandestina e conflituosa com a orgânica do Estado, está condenado. Em 1820 não se disparou um tiro! Lógico! Destes processos usados nasce a imagem conspiratória, subterrânea, secreta da maçonaria. Mais tarde algo de semelhante se repetiria com a Carbonária durante a implantação da República. Os regicidas de 1908 eram carbonários, dissenção da maçonaria que adoptou meios de intervenção directa e violenta, aliás reprovados publicamente por muitos maçons. Na república era quase tudo maçon, foi o triunfo final. E aqui surgiu a maior crise da organização: popularizou-se! Recordo de uma vez ter lido um livro, já não recordo qual, onde se citava um empregado de balcão de um estabelecimento de Lisboa que louvava as virtudes da maçonaria dizendo como nas reuniões tratava o patrão como irmão! O caos gerado pela primeira república degenerou em descontentamento generalizado e consentiu a reacção católica e clerical. Curioso é como muitos maçons arrenegaram à maçonaria e se renderam a Salazar: Carmona é o mais citado (falou-se inclusivamente num pacto secreto entre Salazar e Carmona, um arregimentava o apoio do clero e outro domesticava as elites maçónicas), mas o mais interessante é Bissaya Barreto. Mas José Alberto Reis ou Sidónio Pais também são apresentados como traidores. Mas isto é o que os maçons não gostam de ouvir: uma parte importante das cúpulas maçónicas aderiu ao Estado Novo e ao Salazrismo. É uma verdade inconveniente, para quem gosta de fundamentar a sua identidade no amor à Liberdade. Mas é fundamentada
A maçonaria passou à clandestinidade, e os velhos republicanos do Partido Democrático ou se exilaram, ou conspiravam. Mário Soares nasce dessa tradição republicana, laica e socialista. Embora negue pertencer à maçonaria. A candidatura de Norton de Matos foi o grande momento da oposição maçónica. Voltados os tempos da clandestinidade, a organização voltou à natureza secreta e clandestina que a define e com a qual se sente bem.
Com o 25 de Abril, readquirida a liberdade, a maçonaria evita popularizar-se, mas não pode manter-se secreta. Não faz sentido
05/04/06
Edital, por Assinatura Ilegível
Declaro abertas as inscrições para a 2ª edição do Grande Torneio de Golfe da RS.T. A prova realizar-se-á durante o mês de Abril, no campo de Montebelo. Podem inscrever-se todos os membros da RS.T, admitindo-se também os não membros desde que propostos por dois membros de pleno direito. Devem apresentar um handicap válido à comissão técnica, isto é, o Mau. Este encarregar-se-á de elaborar a respectiva lista de handicaps, bem como será responsável por todos os pormenores técnicos. Será ainda a instância decisora em matéria de aplicação e interpretação de regras. Não há recurso das suas decisões. O primeiro prémio é um «Pêra Manca» tinto de 2001, com a condição de o vencedor o colocar na mesa durante o jantar que se seguirá ao torneio.
Junta de Freguesia da RS.T, tantos do tantos etc.
O Presidente da Junta
(Assinatura Ilegível)
PS. O Bandosgas deve jogar com o handicap 28, tal como o Mendigo, pedinchador de handicaps.
PS2. Admitem-se babby-sitters ao torneio.
03/04/06
O livro do Cão, por jaime-a-dias
O livro do Cão já provocou uma discussão com a minha mulher. Muito apreciei e invejo o excelente fim de semana dos porcos farristas abaixo relatado, mas comigo, logo no dia em que foi comprado, ainda mal o tinha aberto (apesar de já conhecer em grande medida o que lá está, por intermédio do blog do autor), ainda com a tinta fresca do homem a pingar do autógrafo, provocou uma crise doméstica, a porra salvo seja do livro. Tudo se resolveu entretanto a contento, nas trincheiras domésticas, mas o que interessa aqui é que o livro novo do Daniel fez logo merda. Salvo seja. Mal nasceu e já está a dar sarrabulho! Ora quanto a mim isso só pode ser bom sinal para um livro. E para um autor. O livro, além de ser a escrita do Daniel Abrunheiro, é a sua vida. É uma narrativa a tocar nas franjas da existência, nos limites dualistas da experiência humana e nas margens das cidades abundantes e "urbanas", passe a redundância. É a sua poética existencial, donde transpira intimismo por todos os poros (o poeta). O Abrunheiro tem um estilo, um estilo literário que aprimora e acalenta mais ou menos sistematicamente, um registo que lhe é próprio e que o distingue. E que é controverso. Para uns abusa das metáforas, para outros usa uma linguagem exageradamente “complexa”, difícil, rebuscada ou congórica (porque rocócó é uma palavra que cheira mal, rocócó faz o meu puto nas fraldas), para outros brinca demasiado com as palavras e torna aquilo incompreensível... Quanto a mim, vejo ali uma escrita viva, cuidada e criativa: uma brincadeira muito séria - em oposição a muitas outras brincadeiras editoriais sem seriedade nenhuma que se publicam e vendem aos milhões por esse mundo fora. Uma abordagem diferente e arejada ao português, às palavras em português. A mesma postura estética que vejo com maior ou menor mestria em autores como Mia Couto ou Lobo Antunes (as crónicas de imprensa deste último homem, para traçar melhor a pertinência da referência perante o Daniel Abrunheiro, também cronista de imprensa são para mim brilhantes momentos literários: luminosos). E no essencial há ali liberdade à solta, há clara e inequivocamente poesia, da boa, no esgrimir solto das letras e das parábolas. Como talvez haja na vida do autor, eventualmente também controversa, não sei, não interessa. Mas há ali sem dúvida, na sua obra, nervo criativo a pulsar: um estilo original e cativante, uma irreverência madura e apaixonada e, além do estilo e da forma, sente-se a presença distintiva do autor em cada linha, em cada história ou sentir relatados. Umas vezes terno, outras raivoso, mas está lá sempre, entranhado naquelas palavras, sem grande distanciamento relativamente ao objecto da sua arte, e dando-lhe um cariz de certa forma auto-biográfico. E eu, como gosto de conhecer os demónios dos outros e como também gosto de escrever daquela maneira, gosto muito das prosas do Senhor Cão, identifico-me com a causa e com a forma. E aconselho onde e quando posso e lembro. A minha mulher, por exemplo, a meio da discussão, que entretanto derivou para outras questões da vida, prometeu que ia ler mais e melhor um bocadinho para “tentar gostar”. Entretanto fico à espera da publicação aqui no porco, "para breve", da igualmente brilhante e inspirada dissertação do deslumbrantissimo e ilustradissimo Vice aquando do público e solene Lançamento do Livro, texto que alguém prometeu, ouvi distintamente à saída da Casa da Cultura, “por aqui no porco, em breve”. É documento a merecer publicidade. 02/04/06
A Perfect Day, por Felizardo
18/02/06
14/02/06
O Islão, esse Conhecido, por Burro Anónimo
Quem gosta de certezas fixa-se no horizonte limitado do presente. Quando recorre ao passado é de modo interesseiro. Quando não interessa, planta o esquecimento, banaliza a História. O estudo do passado leva à relativização das nossas certezas, tomamos a linha em vez do ponto. Por isso, o desprezo pela História é tão típico das sociedades do esquecimento. Estamos a um passo da discricionaridade, da subjectivação total do mundo social, cada um diz o que lhe apetece e tudo é válido.Dir-me-ão que é um caso isolado. Não, não é. Não só se repete, como é sintomático. A História de Portugal dirigida por João Medina, em 20 volumes de cerca de 500 páginas cada (cerca de 10 000 páginas) reserva 85 para a ocupação islâmica! 0, 85% ! Os estudos islâmicos são desprezados em Portugal. Contam-se pelos dedos de uma mão os académicos que se dedicam ao estudo da realidade cultural do Islão, e sobram dedos. Basicamente quatro: António Dias Farinha, Helena Catarino, Santiago Macias e Claudio Torres. Menção ainda para David Lopes, já falecido, e para o clássico de Borges Coelho, «Portugal na Espanha Árabe». Fora isto, um deserto!
No entanto, convinha que conhecêssemos a pujança cultural da antiga Silves, Mértola ou Lisboa. Nomes como o do poeta Abu-l Walid al-Baji são menos conhecidos do que o Geraldo Geraldes o Sem Pavor, ou qualquer arranca-cabeças da Reconquista. Abu Muhammad Abd Allah ibn Muhammad ibn al-Sid al - Batalyawsi (nome esquisito), autor de um «Livro dos Círculos», considerado uma obra prima e que Borges Coelho considera um dos maiores pensadores que nasceu no solo que hoje é português. A sua teologia e argumentação é, segundo os entendidos, semelhante à de S. Tomás de Aquino. Afonso Henriques nem sabia ler e só a custo assinava o próprio nome. Porém, a poesia islâmica não consta de nenhuma selecta de leitura, mas poetas como, dizem os especialistas que eu também sou ignorante, Ibn Ammar, Ibn Abdun, Al- Abdari, ou tantos outros, estão banidos da história e da memória. Porém, não fossem eles, e outros como eles, mais de metade do legado grego estaria perdido. Foram as escolas de tradução da Península Ibérica que traduziram do grego clássico os textos dos autores helénicos. Não fora isso, essa abertura cultural que o Islão teve, e o Ocidente teria perdido as suas referências matriciais.
Resta dizer que não sou um adepto do Islão. Orgulho-me da cultura europeia. Não tenho medo de proclamar a superiridade civilizacional do Ocidente que assenta no princípio da universalidade: da fé, da razão e do direito. Porém, deve dizer-se que esta superioridade não radica noutro sítio senão aqui: a nossa abertura cultural, a capacidade de entender o outro e integrar os contributos alheios. Todos os grandes vultos da cultura ocidental são grandes porque contribuiram para a concepção de uma ideia universalista: a Humanidade. Os piores momentos da nossa história foram os de fechamento cultural, de desprezo pelo outro, de fixação no presente, desprezando as heranças e os legados. Promover o desconhecimento do outro, menorizando a sua capacidade de reformulação, é uma forma de fechamento cultural.
E por favor, não insinuem que eu estou a minimizar os actos inqualificáveis dos fanáticos fundamentalistas. Não estou.
18/01/06
Interlúdio Editorial Auto-Justificativo, por Junta de Freguesia
É só para dizer que decidi cancelar a publicação do post das vaginas indeterminadamente. Como tudo neste país, foi adiado. Porque sim, porque já é vagina a mais para tão pouco tempo, pelas susceptibilidades e porque o momento nacional merece mais elevação. Como atesta, de resto, o anterior Poste do Cão. E no domingo, depois de votar, façam um minete às vossas mulheres.05/12/05
ò Zé, Kékilo? por Jkim Capelo Gaivota
- Ó Zé, kelákilo?- Sei lá. Parece limos.
- Nããã... E se for o pântano?
- Pode lá ser!!!
- Tão certinho como eu estar aqui.
- Mas diz que só vinha para o ano...
- Antecipou-se.
- Deve ter sido.
- Pois se calhar foi quase de certeza.
- O pântano...
- É verdade.
- ...
* Foto gentilmente cedida por Joaquim Afonso, que la tirou no sábado passado na marina da Figueira da Foz.
01/12/05
12/11/05
Um elefante a ver, por Uma Merda Qualquer Com Jóta
É só para dar nota que hoje à noite acontece aqui uma grande momento de cinema. Às onze da noite, mandem cagar a bola e sintonizem em "Elephant", filme de Gus Van Sant que é um poema extraordinário e extremamente perturbador em torno do massacre no liceu norte-americano de Columbine. Esqueçam desde já o panfletário Moore e o, apesar de tudo, meritório "Bowling for Columbine" - meritório enquanto documentário, pelo que alerta e revela sobre os norte-americanos e as armas, porque de resto aquilo não é, pura e simplesmente, arte. Com "Elephant" entramos noutros territórios estéticos e éticos, imensamente mais profundos. É daquelas fitas que ficam. Ao contrário da maioria dos filmes que vemos quase todos os dias, este fica. De facto, permanece e perdura. Quanto mais não seja, transfigurado num sentimento inquietante. "Elephant" é, para mim, um filme superlativo. Um dos pontos altos do cinema recente dos Estados Unidos. Trata de violência, trata de adolescentes, trata de disfunções sociais e familiares. Ao contrário do orientado documentário de Moore, o filme de Gus van Sant fala da sociedade norte-americana, dos seus cancros, mas trata acima de tudo de questões e vivências universais, de monstros que vivem latentes entre nós e dentro de nós, filmando-os de uma forma tão bela e poética (muito menos "cru" que o Kids, esteticamente muito mais elaborado) apesar de algo bizarra, que reforça o choque e a consciêncialização do absurdo do desfecho sangrento. É nesse sentido que é marcante. Van Sant, que vem dos territórios da pintura e andou pela Europa, é um artista universal maior do que as modas e trata aqui de questões da espécie humana, não apenas dos americanos, apesar destes serem a matéria-prima. Columbine pode ser um liceu qualquer. Columbine pode ser o Infanta Dona Maria.01/11/05
Abracem-se uns aos outros e autos de visitação, por J'kim das Análises
Mas afinal o porco porquê? Dei-me ao trabalho de elaborar uma breve amostragem das motivações dos visitadores do tapornumporco, tendo como universo de análise o rasto que este povo deixa no sitemeter, vindo sobretudo por intermédio do google.Que buscam, então, os que aqui entram? Porquê o porco? O porco porquê? O que é que esta gente quer daqui? Eis, pois, alguns indícios sobre a natureza Dos que aqui chegam.
A propósito disto, fiquei deveras entusiasmado com esta visita ao sitemeter do tapor, sobretudo com aquele mapa-mundi de luzinhas vermelhas e verdes a acender nos quatro cantos do planisfério e com a página location, com aquilo cheio de bandeirinhas que mais parece a ONU em dia de quórum. Não será certamente novidade, mas não deixa de ser curioso que talvez a maior parte dos nossos visitantes sejam estrangeiros de fora. Até um tipo de Waco, Texas, veio cá parar um dia destes (por sinal à procura de um boneco de um Cristo crucificado …)! Mas vêm do Peru, do Brasil, da Argentina, da Áustria, da Alemanha, do Canadá, da Holanda, da Itália, da Espanha, da Suíça, do México, da França, da Grécia… Um mundo a bater à nossa porta. A pedir fotografias, a pedir informação, a pedir emoção, eu sei lá!? Coisas que por aqui há. Mas é realmente espantoso, este encontro imediato com a globalização em curso, que nos deixa maravilhados com a forma como podem estar afinal hoje tão perto uns dos outros, os seres humanos da era digital, e espantados com o paradoxo de conseguirem estar cada vez mais distantes uns dos outros, mesmo que o outro esteja apenas a um braço ou a um clique de distância. Por isso, o que falta é estender esse braço fraterno ou clikar esse rato solidário e exclamar com razão e paixão: vem a mim, irmão, Abraça-me ou Beija-me! Entra em contacto! Sente o poder da sinergia!
Mas eis pois então enfim algumas das pistas que trazem até aqui clientela, num importante documento sociológico aberto à reflexão:
fotos de etarras (França, Bayonne)
putas de vila real (Portugal, Lisboa)
jacques-louis David (Brasil, Brasília)
mijadelas na boca (Portugal, Lisboa)
"como se matar" (Brasil, Curitiba)
"La bouillabaisse” (Brasil, Rio de Janeiro)
estrategia mourinho (Espanha, Catalunha)
"abel pereira da fonseca" (Portugal, Palmela)
"Baía dos Tigres" (Brasil, Rio de Janeiro)
figuras do mickey e da minnie (Brasil, Brasília)
filme+cão ranhoso (Portugal, Lisboa)
"marques de sade" +desenhos (Brasil, Rio de Janeiro)
puta brasileira (Suíça, Attalens)
o que significa ser um gentleman (Brasil, São Paulo)
apanhei do meu tio (Brasil, Brasília)
instante voodoo (Brasil, Campo Grande)
aparelho digestivo do coelho (Brasil, São Paulo)
haxixe sec xi (Brasil, Rio de Janeiro)
popular marca farinha amparo (Portugal, Aveiro)
14/10/05
Toque Vil, por Cão
Eu queria falar-vos sobremaneira e matosamente do pensamento social de Tocqueville, mas não sou capaz porque a minha colecção da Europa-América ficou em casa de um dos meus naufrágios matrimoniais.
Também gostaria de elucidar-vos sobre como afervento agriões em calda de batata acebolada, mas não vejo o praquê da coisa.
A verdade é que hoje é uma feira por acaso sexta. Ganhei alguns instantes matinais antecedendo os vossos fins-de-semana. Imaginei-vos bem, a braços com as vossas mãos.
De modo que, para a próxima, talvez Espinosa.
Ou Pauleta.
13/10/05
12/10/05
Os erros clamorosos da (In) Justiça Judicial. Por Trauliteiro Haddock
Ainda as eleições.
O porco anda entretido com voos intelectuais, mas surgiu-me uma preocupação muito terra a terra. A canalhada votante já reparou que o Valentim L., A Fátima Felgueiras, o Avelino Torres, o Isaltino e a Isabel Damasceno têm uma coisa em comum? São alvo de processos judiciais. Todos.
Destes só o Avelino não ganhou as eleições. Os outros ganharam quase todos com larga diferença sobre os seus concorrentes. Ou seja, os candidatos que andam a contas com a justiça ganharam as eleições.
Ora, tendo em conta que o povo é quem mais ordena, este facto quer dizer apenas que o povo não reconhece que a Justiça tenha alguma razão ao processar tais pessoas.
Os juízes são nomeados. Os autarcas são eleitos.
Há muito mais força e legitimidade na eleição de um autarca do que na nomeação de um juiz.
Nos states aqueles autarcas tinham de ser submetidos ao crivo de um promotor publico, eleito pelo povo. O que quer dizer que em princípio não seriam acusados de nada porque o povo não reconhecia legitimidade para acusação a tais autarcas “modelo” que ganham com larga diferença de votos!!!
Ora, vistas as coisas à luz desta crua realidade, que é a real, a justiça está a acusar autarcas modelo e dignos representantes do povo.
A justiça está a agir mal, o povo é quem mais ordena.
Ora analisem isto e digam o que pensam porque eu estou a pensar em ir para a Antártida, antes que derreta.


