
Sem mais comentários descnecessários, segue-se a publicação do excelente post do Ni-Ga,editado em estreia mundial absoluta no http://vaipaselva.blogspot.com/.
Decidi corresponder ao apelo do Mau-r-à-dona e fazer um texto sobre os betos. Vocês têm tanta aversão por Mitras ou Sangokus como eu tenho por Betos. Principalmente pelos "betos-da-solum" e pelos "betos-do-dona".
Quando olhamos para um Sangoku lembramo-nos logo do vegeta ou do Son Goku. Eu quando olho para um beto lembro-me do Fernando Pessoa. Ou, outro tipo de betos, fazem-me lembrar morangos. Mas não são uns morangos quaisquer: são Morangos Com Açúcar.
Eu explico. Há dois tipos de betos: os betos rebeldes (morangada) e os betos-certinhos (Fernandos Pessoas).
Os betos-certinhos são o tipo de pessoa que só se topa através de uma curta conversa. Normalmente são tímidos e usam as calças e camisas bem engomadinhas que a mãe lhes prepara, quer tenham 10, 15 ou 20 anos. Andam com a roupa escolhida pela mãe, não sabem o que são gajas, passam a vida em explicações e não fazem nada do que é politicamente incorrecto.
Sempre que olho para eles imagino-os com um chapéu e uns óculos como o Fernando Pessoa. Imagino-os a ler livros profundos e a fazer reflexões em voz alta ou a declamar poemas enquanto jogam xadrez com os amigos:
“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.”
Este tipo de betos é criticável mas não tão irritante como o segundo tipo. Os Fernandos Pessoas não vivem. Não sabem o que é divertir-se. Será que alguém pode dizer que já viveu sem nunca ter fumado um cigarro, sem nunca ter snifado qualquer coisa, sem nunca ter posto alguma cena para a veia, sem beber álcool, sem ter pertencido a um gang urbano ou sem nunca ter andado à porrada? Acham que a vida é ler, jogar xadrez ou declamar poemas? A vida é curta e dura, sócios! Aproveitem-na. Não é por se drogarem uma vez ou outra que vão morrer muito mais cedo!
O segundo tipo de betos é o dos betos-morangos. São os típicos betos-da-solum: passam a vida no S. José do Gira com os seus capacetes das motos que os pais riquinhos compraram aos meninos porque eles fizeram birrinha. Andam sempre de camisinha mete-nojo, às vezes para dentro das calças, óculo de sol e sapatinho lambidão, com o cabelo à frente dos olhos e a ser afastado com um movimento de pescoço que puxa o cabelo para trás e o volta a meter à frente dos olhos (para ser afastado mais uma vez e outra e outra…). E, claro, fazem a depilação, como bons maricas que são… É por isto e por outras razões que – não digo para não me alongar mais – que acho que os betos (suínos) da solum são uns parasitas sociais!
São mais irritantes porque são ricos, filhos de bons papás e com a mania que são superiores. Drogam-se, bebem e fumam tal como os Mitras ou os Sangokus. Mas têm uma diferença essencial: estilo! Acham-se os donos do mundo e das gajas. Normalmente andam rodeados delas, com aquela meiinha puxada até ao joelho e as calças um bocado mais curtas, para se poder ver a meia de marca e o sapato de vela. Metem-me um nojo! Ia aos cornos a todos no momento!
É que ainda por cima estes moranguitos têm a mania que são maus. Mas na altura da porrada é que se vê quem manda. Os Mitras são muito superiores. Estes morangos não gostam de ler nem de escrever. Têm más notas e chumbam montes de vezes. São pessoas fracas intelectualmente mas que acham que por ter dinheiro são os donos do mundo. A única diferença intelectual e mental entre este espécime e os Sangokus é que os Betos se acham os donos do mundo. O dinheiro compra tudo, não é verdade?
Ah! E outra coisa que me irrita: estou farto de ver aqueles putos que no 6º ano usam calças da resina e são bueda maus, e depois quando crescem, mesmo que não queiram, mudam a sua identidade deixando crescer o cabelo e ficando betolas. O que é isto? Só querem babes? Se não se sentem bem com isso porque mudam? Têm medo de ser chacinados pela sociedade? A sociedade é hipócrita sócios. A sociedade é hipócrita! Ninguém se respeita. Ninguém respeita a diferença. Quando ando na rua ouço risinhos. E daí? Caguei e andei! Afinal ser diferente é ser à frente.
Agora vou-vos falar dos momentos mais felizes da minha vida enquanto mitra: quando chega o verão e vou para a figueira com os meus primos de França e passamos o dia no aquapark! Isso sim é vida! Temos muito a aprender com os mitras franceses, vulgarmente chamados “Avecs”. Eles são o santo graal do estilo. São uma epopeia da expressão! Estão na vanguarda da moda! E eles lá não são criticados como cá! Por isso tirem as vossas ilações e vejam se não chegam à conclusão de que se respeitassem os mitras o mundo era muito melhor!
Como nós dizemos: mas que vida a nossa… Comer, beber e andar de carroça!
Sexta-feira, Julho 10, 2009
Betos? Era matá-los!, por Ni-ga!
Postado por A at 7/10/2009 11:11:00 PM 1 gróinks
Terça-feira, Julho 07, 2009
«Vencer a Crise… Com Vergonha na Cara», por Ubick

O último cartaz do ps para as legislativas ameaça tornar-se um clássico na categoria fancaria. Mas tem, pelo menos, o mérito de ser um sintoma do estado a que o ps chegou. O ps tornou-se um partido completamente descredibilizado muito à custa das piruetas e trapalhadas do seu líder. Este cartaz revela exemplarmente este traço de carácter – a inautenticidade - de um partido que cultivou durante o mandato socretino uma péssima relação com a verdade. É, pois, um cartaz mentiroso como o partido que representa.
Começando pelos fundos, aparece-nos meio escondido, timidamente, à esquerda no cartaz, o ex ministro da saúde, correia de campos. Este indivíduo foi desautorizado e corrido pelo seu próprio governo, quando levou a cabo uma série de embrulhadas que afectaram muitas populações do país. No entretanto não fez ondas, esteve sossegadinho, e viu-se agora recompensado com a inclusão, em lugar elegível, na lista xuxa para Bruxelas. Paga pelos seus bons trabalhos? Mas então porque o demitiram? Percebe-se que ocupe o lugar mais escondido do cartaz: o homem tem vergonha e o partido também. Está com um ar de «desculpem qualquer coisinha». Se pudesse nem lá aparecia. Mas não pode.
No extremo oposto aparece um senhor cuja cara não me é estranha. Associo-o a disparate, sabe-se lá porquê, mas não me lembro do nome do sujeito. Discreto, nem se dá por ele. Tá ali a fazer peso, a compor a imagem que precisava de um contraponto ao correia de campos, escondido do outro lado. Adiante.
Depois, por uma questão de cavalheirismo, aparecem as três senhoras da lista: a última é a ana gomes, uma anedota do panorama político português. Depois de se ter distinguido por ser uma crítica severa dosocas, surge, agora, súbita e surpreendentemente, como candidata a Bruxelas! Se tivesse vergonha apareceria neste cartaz com a cara pintada de preto para não ser reconhecida. Infelizmente não tem e aparece de cara descoberta, embora muito disfarçada pela maquilhagem. É um exemplo de alguém que, entre a coerência e a sobrevivência, tratou da segunda e esteve-se nas tintas para a primeira. Afinal a vida custa a todos... Mas a ana não está nada contente, parece até um pouco envergonhada (eu estava se fosse ela).Mas prontos, talvez o excesso de maquilhagem com que se apresenta no cartaz lhe tenha dado a vaga esperança de passar despercebida. Ela também.
A ana gomes forma com a presença seguinte, a dona elisa ferreira, o duo fantasmagórico do cartaz. São dois fantasmas porque estão lá mas não estão. São duas candidatas às europeias e também a duas câmaras municipais: gomes a Sintra e ferreira ao Porto. São, pois, ubíquas, pois pretendem estar em dois lados ao mesmo tempo! Não percebem que os portugueses vêm na sua presença no cartaz o óbvio: um eleitor do Porto não vota na elisa porque acha que ela vai para Bruxelas e um eleitor que a quer em Bruxelas também desconfia que ela fica no Porto. E o mesmo para a gomes, substituído o Porto por Sintra. São presenças ubíquas e, porque a ubiquidade não existe, as mais fantasmagóricas e embusteiras do cartaz. E as pessoas não gostam disto, é claro, muito em particular os Portuenses que já foram comidos uma vez da mesma maneira com o fernando gomes. Mas o ps não aprende nada é o que é…Não sei porquê mas parece-me que o Rui Rio já ganhou as eleições...
Depois aparece-nos uma senhora com um ar entradote que é a dona edite que dantes fazia uns programas sobre português bem escrito e bem falado mas que agora apoia um governo que nos quer pôr a todos a escrever «fato» sem o cê devido antes do tê e tá tudo boé da bem, vamo nessa galera… A dona edite faz parte de um dos lobbies xuxas mais tenebrosos da trupe que inclui o armando vara, o morais que foi professor do socas de 4-cadeiras-4 na Independente e o próprio socas. É uma gente que tem de ser recompensada pelos bons serviços e por isso, cá vai também para Bruxelas.
Finalmente em primeiro plano aparece o líder, o candidato europeu xuxialista: o avô Cantigas, também de ar tímido, ele que já foi ex comunista. Neste caso o nosso espanto também é grande porque pensamos logo que isto é publicidade a um novo disco do cantor patusco, agora acompanhado por uma nova banda. Pobre avô cantigas: para além de, ele próprio, ter sido uma escolha infeliz, ainda precisavam de lhe arranjar uma banda de músicos forçados? Com um ar tão envergonhado não os estou a ver tocarem nada de jeito… Estamos, pois, perante um cartaz cujos figurantes mais parecem monos de sorrisinhos amarelos que preferiam claramente não estar lá (no cartaz, só no cartaz). Olha-se para este cartaz e os figurantes parecem implorar-nos: tirem-nos daqui, por favor, tirem-nos daqui!
Postado por A at 7/07/2009 12:20:00 AM 6 gróinks
Segunda-feira, Julho 06, 2009
Sábado, Julho 04, 2009
Brasil de John Updike, por Tó Negão

«O ar dos trópicos sugere, durante o dia, que nada se pode realizar, que a decadência e a lassidão são próprias do homem. Mas à noite o ar parece cheio de emoção e acção em potência. Há uma promessa húmida e perfumada à espera de se realizar.»
John Updike
Updike concilia uma dimensão densa e poética na sua escrita com a clareza e a precisão meridianas da linguagem objectiva. Ele realiza uma espécie de quadratura do círculo literária porque consegue harmonizar estas duas características da escrita que são frequentemente exclusivas uma da outra. A linguagem clara costuma ser o contrário da linguagem entrópica, mais própria da poesia. Updike é dos escritores que melhor consegue conciliar esses dois pólos frequentemente opostos.
O livro é um fresco muito interessante do Brasil, das suas contradições, da sua história e evolução (?) recentes. Trata-se de um livro que exigiu trabalho ao seu autor, um livro que não é resultado, apenas, da inspiração do daimon. Pessoalmente gosto de livros assim, não costumo apreciar literatura mandriona, por mais brilhante que seja. Mas para além do trabalho de pesquisa por ele realizado – e declarado no posfatio com a referência aos nomes de Levi-Strauss, Assis, Freyre, etc – há ali uma potência vital que só pode sentir e transmitir alguém que viveu e se apaixonou pelo Brasil.
Brasil começa com uma história de amor que a princípio parece banal – o cliché Tristão e Isolda transportado da Idade Média Gótica para o Brasil contemporâneo tropical – mas que depois conhece variações inesperadas. Tristão é o negro favelado das praias de Copacabana; Isabel a filha da alta burguesia dirigente. E há na sua história uma moral principal: é que o amor de Tristão e Isabel vive apenas na adversidade, enquanto são excomungados e perseguidos; quando esse amor é finalmente aceite pela classe social e familiar de Isabel, isto é, quando passa a comprazer-se na facilidade de uma vida burguesa, acaba porque Tristão desiste
Postado por A at 7/04/2009 10:58:00 PM 8 gróinks
Sexta-feira, Julho 03, 2009
O Descalabro - quase poema quase pátrio escrito agora mesmo, tarde de 3 de Julho de 2009, no intervalo das notícias e tal, por Cão
Vale muito a pena ir lendo os livros anteriores a tudo isto.
Isto: esta gente.
Aprender a língua de cá e as outras que por aí andam - vale a pena.
Sair, ir ver o mar, dar uma volta boa pelas cidades outonais que restam, consultar a Primavera possível da luz.
Criar os filhos à imagem e semelhança deles mesmos.
Saber algumas coisas, o porquê dos nomes das ruas, os tipos de árvores que por aqui se dão melhor, guardar os rios da fobia e da avidez suinícola.
Ser eólico, cada um por si a favor do outro.
Estimar o velho que se vê passar aturdido pela pressa do Tempo.
E devolver os cornos a quem no-los põe, em democracia.
Também vale a pena ter pena da pobre gente.
Dessa que não vai ao teatro saber o que fazem as pessoas-personagens.
Dessa que é pobre de bmw por todo o lado.
Dessa que, coitada, nos quer em outra ortografia, outro desespero, outra nova oportunidade perdida.
Vale muito a pena sabermo-la irremediável, triste, bacocazita, suicida defecadora de giletes.
Gosto do nosso descalabro pátrio.
Diverte-me - e é que já vou estando em idade de me não importar doentiamente com a saúde.
Ontem à noite, até interrompi a leitura da poesia de José do Carmo Francisco e de Luís F. Adriano Carlos para ver aquele menino-ministro a fazer aquilo com os dedos na Assembleia "abúlica", como lhe chamou o poeta João Apolinário.
Tenho medo de que não valha muito a pena saber o bom e o mau das coisas.
Sei que vale, mas receio que se não dê valor a saber.
Saber o bom e o mau, o que é uma igreja bem iluminada, um bairro bem ordenado e com árvores e assim.
Conhecer para além do preço das bananas, distinguir a colonização da Nova França de uma caixa de sapatos vazia.
Conhecer que é mais grave a pianista Maria João Pires renunciar à cidadania portuguesa do que as eleições do Benfica.
Também seria bom que nos não pusessem tanto os cornos.
Não espero já que nas escolas a juventude identifique o retrato do senhor Alexandre Herculano.
Espero tão-só que as minhas filhas sejam felizes todos os dias, mesmo quando o dia não for feliz, mesmo quando, sozinhas e por si mesmas, descubram a fundamental infelicidade do País em que nasceram.
Gosto das minhas filhas - como toda a gente gosta dos filhos de que foi capaz.
Não gosto do brasil-ao-contrário da língua falada nas retretes televisivas.
Quase me ri, quando vi a Bethânia com o Marco Paulo cantando compungidamente em Fátima.
Quase já não tenho tempo senão para ser sincero.
Não tem importância que o Joaquim de Almeida, coitado, ganhe a vida a fazer de Nicolau Breyner em Hollywood.
Importância nenhuma.
Nem que o País quase lacrimeje de orgulho a ver aquele rapaz do nariz chamado João Garcia a subir montanhas em vez de traballhar qualquer coisita para o PNB.
Estas coisas fazem parte, elas existem com o mesmo direito natural à estupidez que nos subjaz a todos.
É como chamarem "escritor" ao Peixoto, coitado.
É como delirar com a puerilidade do Mia Couto, coitado.
É como fingir que o papão nosso de cada dia não há - e que se chama Imbecilidade, o papão.
Não, não tem importância.
Por mim, tenho muita pena de não ser o Prévert.
Eu gostaria muito de ser o Prévert: de já ter morrido, de ter escrito aqueles poemas que faz bem ler com um sorriso cúmplice nos beiços.
Cagar e andar, naturalmente, para o Torga, para o Eugénio, para o Ramos Rosa, para a seita toda que não seja Carlos de Oliveira, António Osório, Ruy Belo, Camões.
Aprender a mudar os fusíveis, ser útil aos vizinhos, amar nos animais a memória profunda do nascimento mais inocente.
Matar as moscas à palmada para poucar nos clorofluorcarbonetos que dão cabo do ozono.
Perdoar o catolicismo ao Graham Greene, ir a Peniche adorar a Nau dos Corvos, ler a senhora Rodoreda e recomendá-la às pessoas que desligam a televisão quando nos convidam para jantar.
O senhor Manuel Pinho já não faz mal nenhum.
Pensando bem, nunca fez, coitado.
Ele é só aquilo, coitado, ele se calhar gosta da mulher e da nossa Pátria.
Se calhar, ele não saberia escolher entre Paul Celan e a Júlia Pinheiro.
Ele, se calhar, gosta da Mariza e da Dulce Pontes e assim.
Ele, se calhar, preferiria - como todos nós, homens - ter nascido Richard Gere e não Manuel Pinho: ou até, por baixo, Joaquim de Almeida, Manuel Pinho é que nunca
mais.
O que me fascina nisto é ter em casa só para mim a edição da Ulisseia de "Bosque Proibido", sim, que o antropólogo Mircea Eliade também foi romancista.
Tendo a edição da Ulisseia de "Bosque Proibido", que é que me interessa que um ministro faça corninhos digitais na Assembleia da Abúlica?
O que me fascina nisto é fazer um quase poema quase pátrio sem falar no Chefe, no menino-de-ouro, no Filho que é Pai à direita do Espírito Santo e
dos outros bancos todos.
Nenhum de nós pode nem deve, assim de repente, chegar às aldeias e dizer às mães que telefonam para as rádios locais que na TSF se fala à americana com hãs no intervalo das sílabas para a informação ser mais, precisamente, americana.
Nenhum de nós pode nem deve, assim de repente, chegar às aldeias e dizer às mães que o ensino técnico-profissional pode produzir gouchas apresentadoras, por assim dizer, significando aqui "gouchas" como aportuguesamento de "esquerdas" a partir do francês "gauches".
Nós temos todos é de ser felizes sempre que possível.
Ele ainda há hipóteses.
Uma delas é aproveitar o sol e a chuva e ainda respirarmos e termos sido amados a ponto de amar sabermos.
De modo que Angola não tem importância, o avião presidencial, a filha presidencial, os diamantes, a conversão católica da senhora Maria Barroso, os saiotes melífluos do sacerdote Melícias, a coluna cor-de-rosa do Carlos Castro no "Correio da Manhã", o cinzentismo obrigatório do "Diário de Notícias", o esquerdismo reformado da "Visão-ex-O-Jornal", o mcdonaldismo alegadamente informativo do "Expresso" de trazer nas manhãs-de-saco dos sábados-de-plástico, a Santa TVI analfabetizando militantemente os cafés rurais da Nação - nem a alegada Educação Nacional.
A Educação Nacional, senhores e senhoras: isto dos exames de cacaracacá, isto tão aborrecido de ensinar & aprender a ler-escrever-contar-e-pensar, isto dos professores, coitados, isto das peregrinações-a-Lurdes, coitados.
A Saúde Nacional, senhoras e senhores: as prenhes a desprenhar-se à pressa nas ambulâncias, os centros de saúde infestados de médicos contrariados e de enfermeiras com a menopausa aos coices e de administrativas que jogam ao solitário e ao imeile dos sáites de encontros amorosos com gajos brasileiros e de administrativos que jogam ao solitário e ao imeile dos sáites de encontros amorosos com gajas brasileiras.
A Justiça Nacional, meninos e meninas, cheia de desprovedores por tudo quanto é canto, e de moitas-flores conselheiros por tudo quanto é praça-da-alegria e assim, e de desembargadores embargados de lágrimas de há-ali-gueitór, e de valentins- e-ou-dias-loureiros.
O Bairro Social Nacional, meninas e meninos, carregadinhos até aos dentes dos restos escoriais do colonialismo, atravancadinhos de rendimentós mínimos de rintintinserção-social e outras merdas às cores.
Se me dessem a escolher entre a Pátria e o Descalabro, eu não escolheria o que não pode ser separado.
Se me dessem a escolher entre dormir sexualmente com uma gaja das boas e ter o nº 117 da Colecção Vampiro, eu escolheria o nº 117 da Colecção Vampiro porque a Pátria já não tem gajas boas para dormir sexualmente, só tem descasadas da 24 de Julho e brasileiras dos restantes 364 dias.
Ao contrário, portanto, do que o senhor Manuel Pinho possa pensar, o senhor Manuel Pinho não tem importância, no que, aliás, a Pátria o imita tremendamente.
Quando posso, leio o suplemento "Babélia" do "El País", claro.
Quando posso, vou à Figueira da Foz comer sardinhas assadas e rever aquele amarelo das casas que é único no meu mundo.
Quando posso, vou a Coimbra entristecer deliciosamente entre o Botânico e a Casa do Sal, permeável à nostalgia dos comboios, à graça pobrezinha do Choupal, à humidade da Adelino Veiga, à pederastia gerontológica da Estação Nova, às porcarias de papelão que os ciganos deixam pela borda do rio, ao perfume a lixívia das divorciadas de Celas e dos Olivais, à devastação da ex-Zona ex-Industrial da minha Pedrulha.
Quando posso, sou português sem dizer nada a ninguém.
Só tenho pena é de já não beber.
Quando bebia, era mais fácil indignar-me depressa e sem consequências.
Quando bebia, também andava por aí a fazer corninhos com os dedos.
Quando bebia, também amava muito a Pátria, mesmo com o Scolari.
Agora, dou-me a Préverts e a Eliades.
Percebo a necessidade de Deus em Graham Greene.
E vou à minha vida em português, certo de ter filhas lindas e portuguesas,
mas lindas.
E um dia vamos todos ter duas datas a seguir ao nome
e nenhuns cornos,
finalmente.
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Crónica afro-ribatejana, por Cão (porque o Michael ainda mexe...)

Não sei que fazer à ou da minha vida desde que o Michael Jackson deixou de estar entre nós. Já quando foi aquilo do O.J. Simpson, a coisa também não esteve fácil. Com o Rodney King, safei-me mais ou menos bem. Com o Luther também King, também. A cena do motel com o Sam Cooke ainda me está aqui atravessada. O avião do Otis Redding, também está. O pai do Marvin Gaye a matar o filho a tiro, enfim, há que pesar muito bem os prós e os contras destas situações. É ver aquilo do Johnny Ace, que também morreu cedo de mais: acontece com alguma frequência, sobretudo quando se brinca com uma pistola afinal carregada. A Billie Holiday, esse “estranho fruto”, não é menina para ajudar muito a adoçar a pílula. Aquilo da Ella Fitzgerald ter casado com um vigaristazito branco (e norueguês) só me veio amargar o rebuçado, aliás. Claro que ele há sempre o Denzel Washington, o Sidney Poitier, o Morgan Freeman, o Samuel L. Jackson, o Stevie Wonder e a Pam Grier. Pois há. Mas ele há também a Oprah (bufa) para descompensar. Eu sei, eu sei: Mahalia Jackson, Nina Simone, Bessie Smith, Sarah Vaughan e tal. Tudo gente boa. Mas agora sem o Michael como é que faço? Como é que fazemos? Já nem o Prince se chama Prince, quanto mais… Há-de valer-me muito andar a desculpar o Miles Davis pelas maluqueiras do fim da vida (tipo uma nota sozinha cada 43 compassos). Vem mas é logo o Charlie “Bird” Parker autoperseguir-se até à morte de velhice com apenas 34 anos de idade. Sempre posso contrabalançar a coisa com o gigantismo de uns Duke Ellington, Count Basie, Dizzy Gillespie, John Coltrane, pois posso. O Louis Armstrong não me interessa por aí além. Sobretudo desde que me falta o Michael, coitadinho.
Coitadinho mas é de mim, que cresci a ouvir o Duo Ouro Negro. “Vou levar-te comigo, meu irmão” Michael. Etc.
P.S. Os serviços de copy desk do Porco verificaram que este post continha uma grave omissão: a não inclusão do nome do grande jimi hendrix na lista. Coontactado pelo nosso departamento editorial, o cão reconheceu a falha e comentou: «Caraças, o Jimi, pois é. Mas é que eles são muitos...» E vai daí achámos por bem inserir no post uma foto do Jimi, como forma de reparação ao seu bom nome.
Postado por A at 7/03/2009 03:20:00 PM 3 gróinks
Quinta-feira, Julho 02, 2009
Manel Pinho e a Hipocrisia Política, por Hipócrates
Manel Pinho, o mesmo da farinha maizena e do «Portugal, paraíso da mão de obra barata para chineses», foi demitido, hoje, de ministro da economia por ter feito um sinal de conotações taurinas que ofendeu a dignidade da Assembleia da República. Não sei o que ele quis dizer com aquele estranho gesto de elevar os indicadores à altura da cabeça. Sabe-se que se dirigia a um deputado do pcp, mas o que quis dizer exactamente com o seu gesto taurino? Pode haver muitas interpretações como, por exemplo, «vai marrar cum comboio», «és um animal de chifres», «sou um animal de chifres», «saíste-me um etê daqueles com antenas e tudo», «caracol», «abelha maia», «tenho capacidades de percepção extra sensoriais», etc, etc. Seja como for, o gesto foi-lhe fatal e o sr 1º ministro até veio à TV e tudo, com aquele ar de animal manso que ele adoptou depois da derrota nas Europeias, declarar que «nada justifica aquela reacção». Não por acaso, certamente, foi socas quem veio pedir desculpa à assembleia pelo gesto do sr pinho. Pedir desculpas é coisa que encaixa como uma luva no seu novo papel de animal manso...
Mais que a falta de educação do sr pinho, que já nem é novidade, e que teve como epílogo o único desfecho razoável, o que me parece mesmo escandaloso é aquele ar muito pesaroso e a total falta de pudor que permitem a socas vir anunciar a demissão do seu ministro. Socas está envolvido em casos muito mais graves que nunca conseguiu explicar cabalmente: fripó, licenciatura na independente, projectos de ingenharia da guarda/covilhã, dúvidas na compra de um apartamento de luxo por metade do valor, etc, etc. Qualquer um destes casos é muito mais grave que o do gesto de pinho. E no entanto, socas teimou e teima em alapar-se ao poder e em assobiar para o lado. E ainda é capaz - pasme-se! - de vir dizer, com um ar muito digno e moralista, que aquele comportamento do ministro pinho «é inaceitável»! O decoro - para não lhe chamar outra coisa - devia ter limites. Infelizmente parece que não tem.
Fica a dúvida acerca da atitude que tomaria socas se, em vez dos conselhos de marketing que o transformaram em animal manso, ele ainda estivesse na sua fase pré-derrota eleitoral de animal feroz. Pessoalmente tenho as minhas dúvidas se ele teria demitido manel pinho... Encaro este episódio como mais um capítulo na lenta metamorfose zoológica do sr 1º ministro. Mas seja como fôr, a comprovada inautenticidade de socas, bem como a sua absoluta falta de autoridade moral, não o inibem de representar este papel de paladino da ética. O homem não tem qualquer problema, como se não tivesse passado nem presente, como se fosse uma personalidade completamente rasa.O que só prova que o seu objectivo número um é conservar o poder, ainda que à custa de uma contradição tão crua entre o que proclama e o que faz. Bem pregava frei Tomás: «faz o que eu digo mas não faças o que eu faço»...
Postado por A at 7/02/2009 10:17:00 PM 3 gróinks
Terça-feira, Junho 30, 2009
Michael Jackson: a Tragédia Ciborgue, por Ódelino
Enquanto foi vivo o que mais me interessou nele foi a tentativa patética de forçar a natureza, de torcê-la até ao limiar da ficção científica. Michael Jakson recusou a natureza e mudou: a pigmentação da pele, a forma do rosto, o nariz, os lábios, o cabelo. Por mais que diga que apenas fez duas operações plásticas ao rosto, a verdade é que todos pensamos que fez muitas mais. Nos anos 90 chegou mesmo a processar o tablóide inglês Daily Mirror que publicara um grande plano do seu rosto com as sequelas das operações que tinham corrido mal. Já então se prenunciava a tragédia. Como Marilyn, como Elvis, havia em Jackson uma sombra funesta, uma espécie de agoiro a fazer adivinhar uma tragédia à espera de ser representada. A reconstrução ciborgue de jackson já era, em vida, um drama; agora, a sua morte precoce, torna-o ainda pior.
Postado por A at 6/30/2009 10:57:00 AM 36 gróinks
As Músicas do Porco. Cucurrucucú Paloma, por Caetano Veloso. Por Manolete

Inicialmente a minha reacção, e a de todos os presentes, foi de gargalhada sonora. Aquela versão kitsch de Paloma era e é, de facto, um pouquinho ridícula, desculpa lá, ó Mau… Mas depois a música pegou e tornou-se uma espécie de hino burlesco das famigeradas Noites de Leitão em Casa do Mister. Hoje, até já se pede ao Mau para não se esquecer do «disco dos mexicanos».
Mais tarde, voltei a ouvir Paloma num álbum do Caetano Veloso chamado Fina Estampa ao Vivo. O disco, como explicou o autor, é uma espécie de viagem pela hispanidade. Viagem geográfica – pelo Haiti, pela Argentina (vuelvo al sur de Piazzola), pelo México, pela Espanha… - mas também no tempo. Porque aquelas músicas, diz ainda Caetano, estavam-lhe guardadas na memória mais recôndita. Aquelas músicas espanholas eram-lhe cantadas desde menino pela mãe e haviam de ficar-lhe para sempre guardadas, sem que disso ele tivesse consciência. Recorda-as simplesmente, como se tivessem sido sempre parte dele. Reparei na música, mas não era, ainda, a tal. O Mau, com a autoridade que lhe confere a sua nascença basca, achava que faltava alma ao Fina Estampa – a alma espanhola, entenda-se, e não deixa de ter razão.
Ouvi recentemente uma terceira versão de Cucurrucucu Paloma, ainda pelo Grande Caetano Veloso, e foi essa que me fez render incondicionalmente. Aconteceu mais ou menos a meio do filme do Pedro Almodóvar, Hable Com Ella. Quem viu o filme sabe do que falo. Subitamente no meio da trama bem urdida, surge a imagem improvável de Caetano a cantar Paloma com uma delicadeza e uma subtileza que eu não julgava possível (muito mais depois de massacrado pela inenarrável versão dos Mariachis e sus sombreros)… A cena de que falo passa-se numa palácio algures em Espanha, ao ar livre numa fabulosa noite de Verão. Caetano canta, acompanhado por Jacques Morenlembaum no violoncelo, para uma vintena de pessoas, vestidas a rigor, com salero, alegres e sensíveis, como sabem ser os espanhóis. O ambiente é mágico.
Não consigo definir a ternura daquele momento do filme – sei que não é triste, mas alegre, uma alegria contida, suave, delicada que me comoveu. Aquela cena – Caetano ter-se-á deslocado expressamente do Rio para Madrid apenas para gravar aqueles dois minutos perfeitos – é um filme inteiro que sai do próprio filme. É o melhor vídeo musical que já vi, a síntese perfeita entre a sofisticação das imagens e a delicadeza da música. Almodóvar conseguiu fazer ali um quadro barroco de imagens em movimento. Rubens ou Velásquez teriam feito aquilo se tivessem máquinas de filmar em vez de telas e pincéis. E Caetano não foi só um intérprete, mas esteve muito para além disso.
Acho que todos os que viram o filme concordarão que aquela cena é completamente supérflua do ponto de vista da narrativa. E, no entanto, o filme seria muito diferente e muito menos interessante sem ela, ao ponto de já não o podermos imaginar sem ouvirmos a voz espantosa de Caetano a sussurrar Paloma.
E eu confesso: da próxima vez que formos comer leitão a casa do Mister, já não vou tolerar outra vez o disco dos Mariachis. Prometo que o parto na cabeçorra do Mau!
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Sexta-feira, Junho 26, 2009
Jacarandás Mimosifolia, por Ácaro Jagunço
Salpicos de alegria pura, num país triste e amordaçado por um tal de Inginheiro.
Abaixo o Inginheiro, abaixo o Cherne, sigamos o Jacarandá!
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Terça-feira, Junho 23, 2009
História em Portugal: Uma Ciência mais ou menos Exacta, por 2001

O exame da disciplina de História A do 12º ano de hoje tinha um erro (mais um!). Escrevia-se que Gorbatchev foi dirigente do PCUS e presidente da URSS de 1985 a 2001 quando na realidade foi de 1985 a 1991! O Ministério já veio justificar: não foi um erro mas uma gaffe! E não há problema «porque não prejudicou o raciocínio para responder». Além disso terá sido corrigido a tempo, antes do exame começar. Bem, eu sei que não é nada assim…
Um erro cronológico numa disciplina como História é, claramente, um erro grave. Muito mais por se tratar, precisamente, da ciência do tempo. Será que não se descontaria o erro de um aluno que escrevesse que a segunda guerra começou em 1929? Claro que sim. E, no entanto, são só dez anos a menos... Só que dez anos em História Contemporânea faz uma diferença brutal e o exame incidia, precisamente, sobre História Contemporânea. Trata-se de um erro inadmissível no contexto da disciplina e da matéria, tanto mais que não é a primeira vez que equipas nomeadas pelo MEC para prepararem exames dão estes erros. E estas equipas, valha-as Deus, não fazem mais nada durante um ano que nã seja preparar estes exames finais. ninguém se lembrou de confirmar o raio da data? Mas deviam... De qualquer modo, sempre ficamos a saber que para o MEC os erros cronológicos não importam muito desde que «não atrapalhem o raciocínio»!
Também não é verdade que o erro foi corrigido no início da prova em todas as escolas. Fora de Lisboa a correcção só chegou mais de uma hora depois da realização do exame, o que transtorna, principalmente se o aluno já estiver a elaborar a resposta.
Finalmente é brincadeira chamar a isto «gaffe» ( gaffe e não gralha. Tenho para mim que uma gaffe é ainda pior que um erro, mas enfim, é o termo usado pelo MEC). Gaffe/gralha seria se se escrevesse, por exemplo, 1992 em vez de 1991. Mas não. Os dígitos são inteiramente diferentes: 2001! Erro! Escrever «exmplo» em vez de «exemplo» é uma gaffe, ou melhor, uma gralha; mas dizer que a revolução francesa ocorreu em 1652 quando ocorreu em 1789 não é uma gaffe, mas um erro. Um erro científico grave, tanto mais,se for cometido no âmbito da disciplina de História. Parece que em Portugal se cultiva a História enquanto ciência das datas que são mais ou menos... Dez anos para trás ou para a frente, tanto faz… Não era o que Heródoto tinha em mente, mas enfim…Triste país que acha tudo isto «NORMAL»! Confere.
Postado por A at 6/23/2009 10:54:00 PM 11 gróinks
Da Amizade, por Aristides
«Amigos, não há de todo amigos!», exclamava o sábio moribundo» (Aristóteles).
«Inimigos, não há de todo inimigo!», exclama o louco vivente que eu sou» (Nietzche)
Duas citações, publicadas assim mesmo, lado a lado, no esplendor da sua recíproca contradição, extraídas de Políticas da Amizade de Jacques Derrida.
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Segunda-feira, Junho 22, 2009
CSI BdP, por Cão
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Segunda-feira, Junho 15, 2009
As Minhas Aventuras nos Tribunais da República Portuguesa, por Tó Marsapo
O meu nome é António Marsapo mas todos me tratam por Tó Marsapo. Hoje, pela segunda vez na minha vida pus os pés num tribunal, onde tive oportunidade de assistir a uma audiência que envolve uma empresa e um amigo pessoal. Fui lá parar, um pouco por solidariedade para com o meu amigo, um pouco por curiosidade, um pouco porque andava por ali perto...
Da única vez que estive antes num tribunal fiquei com uma ideia bastante razoável acerca da dignidade da função da magistratura. As togas, a linguagem técnico-jurídica, a minúcia dos interrogatórios, a deferência daquela gente que passa o tempo a chamar-se «sôtor» pa trás, «sôtor» pá frente, em suma, o aparato do circo impressionou-me. Foi por isso que entrei a medo na sala de audiências número dois da comarca de alcarraques. Empurrei a porta a medo, como quem pede desculpa, verifiquei bem se não estava enganado, disse um bom dia hesitante, com medo de perturbar a solenidade do acto e escutei atentamente as instruções de uma senhora - que mais tarde percebi ser a funcionária e chamar-se dona Joana - coberta com uma vetusta capa preta e que me ordenou que desligasse o telemóvel e me sentasse no fundo da sala. Sossegado! Até aqui tudo bem, estava tudo em conformidade com a ideia que eu tinha de um tribunal.
Sentei-me ao fundo da sala, apertei o botão da camisa - tinha uma vaga reminiscência de um amigo causídico me ter dito que os juízes, às vezes, mandam os assistentes abotoar os botões das camisas -, desliguei o telemóvel e pus-me a observar. Como, além de mim, estavam lá três pessoas conhecidas - dois advogados mais o arguido - a que se acrescentou, posteriormente, uma quarta, também amigalhaço, fiquei com a estranha sensação de estar numa jantarada da Confraria Enófila a que todos pertencemos. Mas, desta vez, em vez do Grão, estava uma outra pessoa desconhecida a dirigir as cerimónias - a ilustríssima e digníssima doutora juíza! Passou-me pela cabeça que iam começar a distribuir as notas de prova e que alguém ia pedir o vinho nº 6... Mas porque raio estavam eles vestidos de togas? Foi preciso um pouco de esforço para me relembrar a mim mesmo que não estava em plena janta da Confraria mas no tribunal e que, portanto, não me podia pôr a disparatar e a mandar bocas ao Pilas, qua aliás não estava presente.
Durante a audiência, a informalidade e o tom jocoso estiveram sempre presentes. Por uma questão de respeito para com as pessoas envolvidas não posso entrar aqui em detalhes. Mas a pintura foi definitivamente borrada quando entrou para depôr como testemunha da defesa, sua Eminência, o nosso Altíssimo Grão! No dia anterior, aliás na semana anterior, eu já tinha dito que, possivelmente, ia assistir à audiência e ele passou a semana a avisar-me para não me «armar em bardanas» e para não me pôr com risinhos parvos no tribunal. Também por isso entrei a medo.
Mas às tantas o gajo saiu-se com esta pérola: a juiza perguntou-lhe se o nosso amigo L... é, habitualmente, um moço seguro a conduzir, uma vez que se trata de um processo em que está em causa um acidente rodoviário em que ele esteve envolvido. Ao que o Grão respondeu:
- Concerteza sra doutora juiza. Muito seguro mesmo. Aliás, no nosso grupo de amigos, nunca ninguém colocou qualquer reticência em ser conduzido pelo L..., que sempre nos habituou a uma condução à prova de qualquer crítica. Ao contrário de outras pessoas do grupo, não é?, como o Tó Marsapo, por exemplo. Esse é uma verdadeira aflição a conduzir. Com esse é que ninguém se arrisca a entrar num carro.
Não havia necessidade, claro, mas ele justificou mais tarde que o improviso fora espontâneo, não resistiu, prontos... Eu estava ali sossegadinho, a juiza não faz a mínima ideia de quem eu sou e o certo é que na acta redigida pela diligente D. Joana fica lavrado que o Tó Marsapo é uma «aflição ao volante». Não estrebuchei porque, enfim, ainda há em mim um resto de respeito pela solenidade de um tribunal. Mas lá que me apeteceu, apeteceu.
A audiência acabou pouco depois com a juiza a sair da sala nº 3 do tribunal da comarca de alcarraques à procura da dona Joana que, entretanto, se tinha ausentado, até porque já estava a passar da sua hora de almoço. Não chegou ao fim a audição das testemunhas e amanhã há mais. Mas eu é que não volto a pôr ali os pés. Para ser insultado já chega quando discutimos futebol.
Postado por A at 6/15/2009 05:48:00 PM 12 gróinks
Sexta-feira, Junho 12, 2009
The Fabulous Alfredo Marceneiro, por Batman
Falar de Alfredo Marceneiro é o mesmo que falar da «coisa em si» de Kant. Filosoficamente a coisa em si corresponde à realidade numenal que, segundo Kant, existe mas da qual não podemos ter qualquer conhecimento, a não ser na sua pálida manifestação «fenoménica». Assim é Marceneiro: sabe-se que foi a alma do fado, mas não podemos conhecê-lo a não ser a partir das pálidas gravações que nos ficaram da sua arte. Mas não será sempre assim, perguntar-se-á? Afinal só temos da maior parte dos artistas a sua manifestação fenoménica sob a forma de discos e filmes. È verdade. Contudo no caso de Marceneiro há uma diferença enorme. É que, para Marceneiro, a gravação tecnológica da sua música era um aviltamento.
Nascido em 1891 e falecido em 1982, o sr. Alfredo iniciou a sua carreira numa época em que a tecnologia de gravação estava a dar os seus primeiros passos. E, para ele, o fado, de que foi imortal xamã, era incompatível com a industrialização e o showbizz:
«O meu maior desgosto é um desgosto em relação ao fado: foi gravar discos, os discos vieram industrializar o fado, o fado não se deve vender, eu canto porque a minha alma o ordena, canto como se rezasse. Não gosto de cantar para máquinas. Quero ver o público, analisar as suas reacções, ver se estão a gostar».
Que é como quem diz: para nós que não vivemos no seu tempo, o único acesso que temos ao Marceneiro-em-si é esta miserável e falsa sombra das gravações. O verdadeiro Marceneiro, só o conheceu quem teve o privilégio de o ter ouvido cantar, algures numa taberna nocturna da Lisboa dos anos 20 a 50. E esses já cá não estão.
Alfredo Marceneiro foi uma personagem fantástica que entendeu o fado na sua pureza mais radical. O fado não era, para ele, uma questão de voz. Considerava-se a si próprio um dizente, alguém que, simplesmente, dizia melhor que outros as palavras dos poetas:
«No meu tempo não havia discos, não havia telefonias, nem se aprendia a cantar. A voz não interessava. No culto da voz está, talvez, o pior mal do fado: quem ouve a voz já não ouve a letra.»
Será por isso que o fado está morto? O fado na sua acepção mais pura, lapidarmente aqui formulada pelo grande Marceneiro? Eu sei que há agora uma nova geração de fadistas, como a Ana Moura (que cantou o No Expectations com os Stones em Lisboa), a Mafalda Arnauth, a Mariza, o Camané… Mas talvez nada do que eles cantam sejam fado, no sentido religioso que lhe dava o grande Alfredo. Ou talvez, hipótese menos chocante, o fado seja um género muito diverso e o Marceneiro seja apenas um representante – um dos mais geniais, sem dúvida – de um deles, de um sub-género em vias de extinção.
Alfredo Marceneiro era um homem da noite, da adega e da tasca, um mulherengo afamado. Reza a lenda que se deitava às nove da manhã e acordava às nove da noite. E era muito sensível à luz, «como é que posso cantar com esta luz toda?», reclama ele numa dessas falsas e inestimáveis gravações. Cantou até ao fim da sua vida, foi uma lenda até falecer e continuará a sê-lo. Conta-se que numa fase já tardia da sua carreira, cantava ele na Toca, em Lisboa, quando uma senhora da alta sociedade comovida com a actuação do mestre, agarrou-se a ele e disse-lhe: «O senhor Alfredo é a relíquia do fado». O velho fadista, que sempre teve o seu quê de vaidoso, não terá gostado da metáfora. E replicou: «Relíquia é o c*******!». Ah fadista…
http://www.youtube.com/watch?v=XrYGa1P3a8I&feature=PlayList&p=38F0CCEEEEE767E8&index=7&playnext=3&playnext_from=PL
Postado por A at 6/12/2009 10:52:00 PM 8 gróinks
Terça-feira, Junho 09, 2009
Qué crises? Playing for Change – Stay by me, por Mau
Recentemente, numa tarde chuvosa aproveitei para me debruçar sobre vários artigos e programas referentes a actual crise económica global . O dia estava cinzento e a leitura só carregava o barómetro, desesperante. Esta conturbada crise já foi interpelada com várias e diferentes soluções. Cada semana é surpreendida com uma nova medida messiânica para aplacar a inércia fatal desta crise. As medidas não são bem vindas por todos e sempre há alguém que deita as mãos à cabeça e clama por um salvador ou no mínimo por um profeta que nos oriente neste caos. Se há algum consenso neste denso tráfico de opiniões, é essencialmente em dois pontos. Primeiro, ninguém deu com a solução para uma crise que é global e multifactorial e o que é pior, não sabem quando acabará. E já agora, pergunto, para que servem os economistas?. A resposta seria fácil se a razão fosse só económica, mas estamos não só perante uma crise de liquidez, também é uma crise de valores e isto não se resolve com dinheiro. Precisamos de partidos políticos com menos demagogia, intelectualmente superiores, menos dialéctica mísera e mais acordos ou consensos em questões fulcrais. O segundo ponto de encontro, é que todos concordam que a crise não será para as economias capazes de adaptar-se e encontrar novas soluções e ideias (I+D). Já não se considera suficiente um extenso curriculum académico e ampla experiencia profissional, não chega. É preciso mostrar uma formação emocional sólida, que arraste positivamente que traga motivação, e inclusivamente que demonstrem um compromisso ou colaboração em projectos comuns ou solidários. Por outras palavras, não se procuram robots com habilidades técnicas e aptidões profissionais sobradas, procuram-se indivíduos que tenham estabilidade emocional, ideias e, uma raridade, ideais.
A net é o paradigma desta nova geração e um bom exemplo é o projecto Playing for Change. Este demonstra uma maneira de nos aproximarmos utilizando a rede, de encontrar novos talentos e formas de comunicação, juntando sentimento e afinidades para um projecto comum que vigorize a humanidade. As crises são como trovoadas que acabam numa alegre tarde, onde a luz nos surpreende, tudo tem um brilho especial, o aroma enche a atmosfera de esperança e os sons agradam. As crises, como as guerras, arrasam e só os brotes da nova geração sobrevivem. O resto ou nos adaptamos ou somos arrastados pelo alude.
No matter who you are, no matter where you go in your life. At some point you’re going to need somebody to stand by you.
http://www.youtube.com/watch?v=cI_0Hyn57Lk&feature=fvsr
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Segunda-feira, Junho 08, 2009
E Agora? Também Vão Processar os Fotógrafos? Por Anti Xuxa
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Sábado, Junho 06, 2009
Contra o Voto em Branco, por Mancha Negra
Para aqueles que – e não tenho dúvidas de que, pese embora os resultados das misteriosas sondagens, somos a maioria - queremos varrer com os xuxas do poder, a única questão que se coloca nestas eleições é: qual o voto mais eficaz para conseguirmos correr com eles?
A questão, uma vez na vida, já não é se os outros são melhores. Piores não podem ser por impossibilidade ontológica absoluta. Portanto, nestas eleições, não está em causa nenhum «projecto europeu», nem a qualidade de um candidato em especial, nem a superioridade de uma ideologia, nada, a não ser limpar o panorama político do lixo xuxialista. É uma questão nuclear: trata-se, literalmente, de encontrar a maneira mais eficaz de exterminarmos os xuxas! É assim que deve colocar a questão, quem, como eu, quer, sinceramente, livrar-se do pior governo e do pior vírus político que varreu Portugal desde que tenho memória política.
Colocada a questão com esta crueza meridiana, creio que é de afastar o canto das sereias que por aí anda e que apela ao cómodo voto branco como voto de protesto. É um erro tremendo que nos pode custar muito caro!
Em primeiro lugar porque o voto em branco interessa a quem? Aos xuxas, claro. Objectivamente um voto em branco é um voto no ingenheiro. Estão em jogo 21 lugares no Parlamento Europeu, se não estou em erro. Se se verificarem 65% de votos em branco e em abstenções (sondagens) segue-se que o ps, ainda segundo as sondagens, elege 9 deputados, um a mais que o psd e os outros são para os pequenos partidos. Objectivamente os 65% que vão votar branco ou abster-se se votassem noutro partido qualquer, pura e simplesmente, varriam os xuxas! Eu repito: varriam-nos!
Mas se votarem em branco eles ganham as eleições! É portanto muito simples: se querem que os xuxas percam é só não votarem em branco. Os indefectíveis do aparelho e os seus clientes garantem-lhes a eleição. Eles agradecem. Farão depois o choradinho do costume, tipo «estamos muito preocupados com a abstenção e com os brancos e etc e tal», mas em privado esfregam as mãos de contentes que esta já cá canta, ó vital passa aí o camarão… E não me venham com a treta do «significado simbólico do voto em branco» porque isso dá para tudo e cada um enfia a carapuça que quiser. Os xuxas dirão, certamente, que o voto em branco é culpa da oposição destrutiva, ó vital passa aí o champanhe…
Uma das provas mais elucidativas de que o voto em branco interessa aos xuxas é vermos quem defende tal opção. Não é por acaso que personagens do regime como o inenarrável marinho pinto e o vitorino xuxa já vieram a terreiro defender o branco. Marinho pinto a sustentar que é uma arma de protesto político (é pena é que seja uma arma de pólvora seca); e o Vitorino xuxa defendeu a superioridade moral do branco sobre a abstenção (como se essas fossem as duas únicas possibilidades). Convém-lhes, claro, mas aposto que nenhum deles vai votar em branco...
Este discurso de defesa dos brancos convém ainda ao simpatizante xuxa anónimo. Este apelo cai bem nas consciências pesadas daqueles que passaram os últimos anos a defender os xuxas, mas que agora têm pudor em votar neles, sem que, contudo, tenham a coragem suficiente de serem coerentes, assumindo o voto pêsse. Pessoalmente, respeito mais os que sempre defenderam os xuxas e que agora, coerentemente, vão votar neles do que aqueles que passaram o tempo a defendê-los e que agora vêm muito enojados, coitadinhos, defender o voto em branco. Assumam-se, fónix! Este é o tipo de gente pequenina que, enfim, me mete nojo…
Além disso o voto em branco não vale nada porque não é durável. Se acontecesse uma percentagem brutal de votos em branco, coisa em que não acredito, daqui a alguns meses já ninguém se lembraria. O que perdura são os lugarzinhos com os seus eurodeputados lá sentadinhos. O que perdura são as vitórias e as derrotas nas eleições. Passados os dois dias de choradinho e o respectivo «prós e contras» na televisão pública dedicado à qualidade da democracia, já ninguém ligará aos brancos. Mas a vitória xuxa, essa aí estará, se não votarmos contra eles, com uma duração de quatro anos.
Resta ainda que o voto em branco só faria sentido se correspondesse a algo de efectivo, por exemplo, se uma certa percentagem de brancos implicasse a vagatura de x mandatos. Mas não é assim, os lugares são sempre preenchidos, quer haja um quer hajam milhões de votos em branco. E enquanto não mudarem as regras, os brancos não são mais que uma miserável vitória de Pirro.
Em suma, não chega, de modo algum, votar em branco. É preciso ir lá e votar contra o socas. Há que votar! Votar à esquerda ou à direita mas contra os xuxas! E eu votava nem que fosse no emplastro, no tatonas, no batatoon, só para tirar a clique xuxialista do poder. Aqueles que querem REALMENTE correr com o socas e com os seus muchachos só podem ir votar contra eles. Onde quiserem mas CONTRA eles. E aqueles que dizem estar fartos dos pêesses, mas, ainda assim, aconselham o voto em branco, das duas uma: ou são ingénuos ou são xuxas (mais ou menos decepcionados, mas sobretudo, xuxas). Agora fiquem em casa ou votem em branco em vez de votarem contra eles… Depois não se queixem!
Postado por A at 6/06/2009 12:10:00 AM 22 gróinks
Quarta-feira, Junho 03, 2009
Mestrados da Treta, por Mad Master
Caio redondo ao abrir um blog que noticia o título de mais uma tese de mestrado de fantochada que por aí vai. Atente-se na seriedade bacoca do título da criatura: «O Contributo dos Cursos de Educação Formação para o sucesso escolar e pessoal dos alunos. Lógicas e práticas de acção em contexto de ensino profisionalizante. Dissertação de Mestrado. Universidade Aberta.» Dissertação de Mestrado? Fónix, fónix, fónix! Até me falta o ar... Uma tese de mestrado em cefs? Mas que espécie de doutores da mula ruça anda este país a formar? Já vale tudo!
É claro que se pode investigar os cefs, como se pode investigar o jogo do berlinde, o big brother, a vida do badaró e as características psicológicas do meu gato, mas haja bom senso: não chamem a isso «teses de mestrado». Como é que se sentirão os investigadores a sério, pessoas que tiveram de ler as obras integrais das grandes referências nas áreas de estudo respectivas? Fazer uma dissertação de Mestrado sobre a obra de Jean-Paul Sartre, Heidegger ou Platão, implica anos e anos só de leitura das obras dos autores sem contar com os comentadores. E, nos casos citados, nas línguas originais, em grego, francês ou Alemão. E já nem falo da investigação científica pura e dura, em áreas como Física, Matemática, Biologia, História, etc, etc e nos meios, no tempo e no investimento que isso envolve. Ao pé de teses de mestrado a sério esta coisa da investigação em CEFs é gozar co pagode. Como foi possível chegarmos a este ponto? Fónix, fónix, fónix…
Postado por A at 6/03/2009 11:05:00 PM 13 gróinks
Segunda-feira, Junho 01, 2009
Turismo Político, por Agência Tur Tura

O sr ingenheiro socrates não tem, definitivamente, vergonha na cara. Recentemente veio cascar no PSD devido à desmobilização e falta de público nos comícios deste partido. É verdade que o comício de Barcelos, cujas imagens desoladoras vi na TV, não foi, propriamente, um bom postal. Mas os comícios do ps cheios de excursionistas profissionais são um sinal ainda pior. E as declarações de socrates, um monumento à hipocrisia.
Veja-se o mais recente comício do ps em Coimbra. Foi realizado num pequeno pavilhão, o do União de Coimbra. Televisivamente dava a impressão de estar cheio. Mas cheio com quem, se em Coimbra só se ouve dizer mal dos xuxas? A comunicação social, na altura, desfez o mistério: cheio com reformados que vieram de Bragança, de Braga, de Guimarães e de outras partes longínquas do país em autocarros fretados pelo aparelho xuxa, aliciados por interessantes programas turísticos que aquela gente não poderia concretizar de outra forma. É esta classe de turistas-profissionais-comicieiros políticos que enche os comícios dos xuxas.
De entre estes convictos «militantes» existem até inúmeros especialistas que avaliam a qualidade das viagens e das jornadas. Comentava-se entre os turistas políticos que «o comício de Leiria de à uns anos atrás foi muito melhor que este porque incluiu a viagem a Fátima e à Nazaré, enquanto neste de Coimbra só fomos a Fátima». Outros diziam que o pavilhão era um dos piores dos últimos anos e ainda havia os que confessavam que iam a todos os comícios de todos os partidos que oferecessem estas notáveis viagens. É o turismo para a terceira idade em versão xuxa, ainda dizem que eles são socialmente insensíveis...
Acho isto muito mais preocupante que ter o comício vazio. Porque se trata de uma fraude, de um procedimento lamentável que tem a marca socialista como selo. Não é novidade, é até um padrão na política da aparência xuxialista. Mas pior que a fraude em si são as declarações de socrates quando diz, em pleno comício, que «agradece a Coimbra a sua presença». Mas qual Coimbra? Sabendo o homem que a sala está cheia com a turba dos autocarros fretados que vêm de todo o lado menos de Coimbra, esta declaração é de uma hipocrisia política indecorosa. É uma colaboração objectiva para a criação do simulacro, da mentira.É neste contexto que considero lamentáveis as mais recentes declarações do mesmo sujeito a respeito dos comícios vazios do PSD. Esses ao menos são sinceros na crueza dos seus vazios; não são de fancaria como os do ps. E sobra ainda uma questão: mas é assim tão importante encher pavilhões gimnodesportivos com velhotes que de outro modo não sairiam das santas terrinhas? Para estes sim, sempre passeiam; mas um partido político tem assim tanto a ganhar na produção destes embustes? Isto dará assim tantos votos?
Postado por A at 6/01/2009 09:05:00 AM 3 gróinks





