Mostrar mensagens com a etiqueta jornais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta jornais. Mostrar todas as mensagens

09/07/12

Porque é que o Jornal de Negócios não faz uma lista dos trinta melhores negócios em vez das trinta melhores canções dos Rolling Stones? por Dandelion

Os Rolling Stones estão a fazer 50 anos de carreira. os aniversários dos mitos são sempre ocasiões propícias ao aparecimento de críticos de cepa recente. Subitamente descobrem-se stonianos encartados nos jornais do burgo. Agora foi o caso do Jornal de Negócios que ousou dedicar quatro folhas a um exercício sempre perigoso para leigos na matéria. Pela pena de um senhor João Cândido da Silva, resolveu o JN, eleger as 30 melhores músicas dos Stones a partir de 17 álbuns. É claro que o exercício tem muito de subjectivo, mas que raio, há mínimos. Acontece que os critérios do escriba são demasiado privados, para que o homem assine um artigo sobre os stones, ainda que num jornal dedicado aos negócios. Há omissões gravíssimas e alguns erros pelo meio. Ainda bem que se escreve sobre os Stones, é melhor do que o silêncio. Mas convinha que quem o fizesse estudasse um pouco o assunto. O que não foi, claramente o caso.

1. O primeiro e mais grave erro da selecção de JCS é simplesmente colossal! JCS escolhe 17 álbuns dos Stones, para seleccionar 30 canções e, azar dos azares, deixa de fora aquele que é um dos se não o mais importante álbum da banda: o seminal Let it Bleed! Como é possível que o álbum de You can´t always get what you want (provavelmente a melhor canção da banda e não surge nas 30 melhores!!!!) fique de fora? Midnight rambler, gimme shelter, You got the silver, nenhuma destas obras primas é uma das melhores músicas dos Stones? Deixar de fora let it bleed é como pretender escrever sobre islamismo e esquecer-se de citar o Islão, sobre o benfica sem falar do eusébio, sobre o brasil sem passar pelo Rio?

2. O capítulo dos álbuns ao vivo. JCS cita Get Yer... e Flashpoint - este último, porque nele é incluído em versão cd, o single, Highwire. Highwire, escrito a propósito da guerra do iraque é uma boa canção. Mas uma das trinta? Ok, get yer é um bom álbum ao vivo, mas o melhor live da banda é o grandioso Love you Live, com a melhor versão de sempre de Honky Tonk Women e uma versão live de You can´t always get... que rivaliza com a de estúdio... Love you live fica de fora em 17 álbuns... Ou este gajo não vê um boi de stones ou não sei...

3. A melhro versão de simpathy for the devil é a original de beggars banquet e não a de get yer ya ya s out.

4.Their satanic majesties request é um dos piores discos dos stones, um desvario pelo rock psicadélico, na esteira dos beatles. Ok, she´s a rainbow é um clássico, mas incluir este disco nos 17... E citadel a melhor música do álbum?! De qualquer modo eu passo sempre por cima deste disco.

5. Um dos maiores erros desta lista é a confusão que o JCS faz entre as edições originais (inglesas) e segundas versões (americanas) dos primeiros discos da banda. Ponto de ordem: quando os stones começaram o formato principal era o single. Alguns dos maiores clássicos surgiram por isso nesse formato e não em álbum ( o LP era para um registo mais conceptual, digamos assim). Por isso, quando surgiram os primeiros álbuns dos stones (até aftermath de 66), os maiores sucessos da banda não saiam em LP.
Só posteriormente por razões comerciais é que foram editadas, a pensar no mercado americano, as segundas versões dos álbuns com os singles que lhes foram contemporâneos. Assim a segunda versão de Out of Our Heads ((65) inclui Satisfaction e the last time, mas a edição original não. O mesmo para between the buttons (67) que inclui lets spend the night together e ruby tuesday apenas na segunda versão.
Além disso o álbum Now (65) não figura como original da banda, mas como colectânea. Quanto a mim, para fazer jus aos singles imprescindíveis dos stones, é impossível não se citar o triplo The London Years que inclui os singles até let it bleed.
Nada disto é esclarecido no trabalho de JCS, pelo contrário ele dá como adquirido que as segundas versões dos álbuns a que me refiro, são as originais e não são. Grande confusão, mas compreende-se. Não é tão fácil como parece conhecer os originais da banda (Aftermath, por exemplo, chegou a ter uma versão americana sem goin home, a faixa de 11 minutos considerada um exagero para o gosto americano).

6. Há muita música que tinha que ser referida, pelo menos isso: como é que o primeiro disco dos stones não é citado? Tá bem que é um álbum de versões mas tem uma música que não poderia deixar de ser incluída num trabalho deste tipo - precisamente a primeira composição de sempre da dupla jagger/richards, Tell Me (you re coming banck), assinada pelo duplo pseudónimo Naker/Phelge.

7. Satisfaction não é uma das 30 melhores????

8. Nem Brown sugar? Nem tumbling sice? Nem Happy, Rocks off, Street fighing man, wild horses, Cant you hear me knoking, Under my thumb, Stray cat blues, angie, star star? O autor pretendeu fugir à unanimidade? Ok. Mas então salth of the earth? lovin cup? let it loose? Sway? dead flowers? E acima destas elege off the hook, out of tears, surpise surprise, blinded by love? Valha-me deus... Some girls do álbum homónimo preterida? Memory hotel de black and blue não é melhor que, por exemplo till the next good bye de its only r`n`r (por falar nisso onde está a faixa que dá nome a este disco)? Como é que uma das melhores pérolas interpretadas por Richards, como How can i stop de Bridges to Babylon não aparece? E waiting on a friend? Farways eyes de fora? E as tears go by? Get off my cloud não das melhores da primeira fase?

Ok, isto é muito subjectivo, mas aqui é demais, alguém que conheça minimamente a discografia dos stones não cairia num cite´rio tão individualista. Mesmo em arte, um crítico que fale da obra de Picasso e deixe de fora Guernica, de Coppolla sem se referir a Apcalipse Now ou dos Beatles sem citar Sgt Peppers, não estaria a ser, simplesmente, subjectivo. Estaria a fazer, objectivamente, um mau trabalho.

Deixo em tube Gimme Shelter uma das grandes canções de let it bleed - para JCS não é uma das trinta melhores, mas também há gajos que acham que o Messi não devia ser titular do Barcelona...


15/11/10

Carta a Vítor serpa, por Xenofonte

Caro Vítor Serpa,
Desde sempre, para mim, a Bola foi O jornal desportivo.
A minha eleição privilegiou jornalistas como Alfredo Farinha, Homero Serpa, Carlos Pinhão, Aurélio Márcio, … homens honestos, argutos, sabedores, de palavra, que se norteavam por princípios éticos e deontológicos acima de qualquer pseudo-intelectual pretensioso, com verborreia acintosa e ignorância desavergonhada.
Quando a vossa linha editorial, certamente marcada por critérios económicos, optou por incluir Miguel S. Tavares, intui um retrocesso a todos os níveis, mormente de qualidade. Esse escriba veio, efectivamente, revelar os dotes de quem se julga intelectual, alardeando teorias — que considera conhecimentos — acerca de todos os assuntos. Na Bola assiste-se a um exercício confrangedor e pungente de um assalariado da palavra que, sem um saber sustentado, se limita a expelir uma maledicência abjecta e um ódio inconsequente que despreza qualquer lógica argumentativa, tão pobre é o seu discurso.
Preferi-lo à inteligência de Ricardo Araújo Pereira deixa antever uma subserviência preocupante.
Porque, em nome de uma pluralidade de ideias, não vale tudo: há princípios, valores axiológicos que sustentam pessoas e Instituições.
Escrevo-lhe, caro Vítor Serpa, porque sempre o li e concordei com as suas opções cívicas e desportivas, que tão claramente enunciou.
Assistir, agora, a esta opção entristece-me. Por todos os motivos. Porque vou deixar de comprar o meu jornal.
Assim se delapida uma Instituição que se construiu baseada em homens de Bem, com valores perfeitamente definidos.
Post-Scriptum: obviamente que também permitiram a intrusão de indivíduos como o Eduardo Barroso, que está permanentemente a afirmar o seu ego inchado, exibindo o seu estatuto e fazendo referências, sempre, à sua actividade profissional (tipo arma de arremesso), numa narração despudorada de valorização do seu papel na sociedade. Mas isso é só o sintoma de uma fraca auto-estima e a sublimação de um certo estado que o revela como alguém absolutamente vaidoso — é inócuo e risível.
Porque sempre o considerei, caro Vítor Serpa, o meu lamento.
Como Heraclito sabiamente nos disse, O carácter de um homem é o seu destino.
Os meus cumprimentos

14/11/10

A Bola Fede!, por Fedorov

A Bola, jornal que tenho como referência desde os tempos em que ainda lhe chamava A Bíblia, está em estado cadavérico. O óbito deu-se na semana passada quando o seu director, Vitor Serpa, cometeu um acto de censura indigno dos pergaminhos do jornal sobre o Zé Diogo Quintela. Logicamente, porque a censura é inadmissível, o Zé Diogo foi-se embora.... E, em consequência e por acto básico de solidariedade que devia ser seguido por todos os colunistas da Bola (excepção feita, claro, ao Tavares) Ricardo Araújo Pereira seguiu o mesmo caminho.

O comentário do director do defunto jornal, Vitor Serpa, é uma tentativa falhada de passar por entre os pingos da chuva sem se molhar. Escreve o Serpa num curto e cinzento editorial: “Ricardo Araújo Pereira e José Diogo Quintela terminam a sua colaboração com A Bola”.

Isto é falso! Não foram eles que terminaram a sua colaboração. Quem os censurou foi o Serpa. E, a uma pessoa com um mínimo de dignidade, não restaria outra alternativa que não a demissão. Aceitar a censura e continuar é que seria inaceitável.

Explica Serpa que o jornal não está disponível para “prosseguir um cansativo e desinteressante (para os leitores de A Bola) contencioso particular com Miguel Sousa Tavares(…) até por haver mail, SMS e CTT para o efeito”. Pessoalmente achava o «contencioso» muito elucidativo e não creio que fosse assim tão pessoal. Pelo contrário, o Tavares é uma figura pública que não se coíbe de mandar podoada em tudo o que mexe. É quase um serviço público que um mascarado fique assim desmascarado, como era notório nas colunas de opinião dos Gatos.

O que é interessante é que só o texto do Zé Diogo foi alvo da censura da Bola. Mas os textos do comentador tavares não justificaram a mesma atitude.Porquê, pergunto eu na minha candura? Nem quando chamou rafeiros e mais não quantos encómios aos Gatos... Se o Serpa acha que aquele ping pong não interessa ao jornal, por respeitáveis razões editoriais, porque razão apenas se meteu com o Zé Diogo e não com o Tavares? Até parece que para haver pong não é preciso haver primeiro ping... Só os gatos alimentavam aquilo? Parece que só o Ricardo e o Zé Diogo responderam ao Tavares e não o Tavares aos gatos...

“É, assim, a vida. Cá pela nossa parte gostamos (aos Gatos) muito de os ter entre nós», remata o serpa no mesmo editorial. Cheira a pura hipocrisia... Se gostaram porque razão os censuraram? Repito: zé diogo e ricardo araujo pereira só se foram embora porque foram forçados a isso! E foram-no por acção expressa e intolerável de uma inqualificável direcção de um jornal que tem uma história, uma imensa história, que só sai aviltada por pessoas capazes de procederem desta maneira.

Zé diogo declara que uma das frases cortadas pela Bola era a seguinte: “Em Janeiro, [Miguel Sousa Tavares, portista declarado] pediu a Pinto da Costa [presidente do Futebol Clube do Porto]” que me processasse. Desta vez, vitimiza-se e ameaça abandonar a sua crónica n’A Bola, pretendendo que o Ricardo e eu sejamos responsabilizados pela sua saída. Depois das queixinhas, uma ameaça de amuo”.
Tavares, claro, nega ter feito qualquer pressão para a saída de zé diogo. Mas todos conhecemos o estatuto moral e a honestidade intelectual de tavares. Ponto parágrafo.

Compreende-se até que o homem andasse moído com o trabalho meticuloso e aturado feito pelos Gato que lhe foram apontando penosas contradições e volumosos engulhos de boca. Não era difícil numa criatura que debita verborreia sobre praticamente todos os assuntos, mesmo que, numa boa parte deles não passe de um desleixado ou de um ignorante. Digamos que estava mesmo a pedi-las...Os Gato tiveram o mérito de meter a nu os maus fígados de um indivíduo que estava habituado ao papel cómodo de criticar sem ser criticado. O tavares vive da crítica mas não gosta que o critiquem! Pena é que não haja mais Gatos! Pena é que isto seja antes um país de serpas!

Pode o tavares ficar mais descansado que agora não tem quem o contrarie nas páginas da Bola. Pode escrever as habituais inanidades odientas que não haverá ninguém a ridicularizá-lo (na Bola, claro)... Mas saiba o zelozo serpa que há milhares de leitores da Bola que não mais comprarão o jornal. Pessoalmente vou baixar a minha dose de dependência e pena tenho eu que a concorrência seja constituída pelo medíocre record e pelo pasquim do jogo. Estou a pensar seriamente em mudar para a Marca ou para o Lance...
Saiba ainda o serpa que havia muito quem lesse a bola ao sábado só por causa do ricardo araújo pereira. E que há muito quem já não comprava o jornal à terça só por causa do tavares. Pessoalmente acredito que o homem não só não faz lá falta nenhuma como até devia escrever noutro lado. Mas isso sou eu... O que jamais faria era censurar-lhe um texto. Muito menos faria queixinhas ao director do meu jornal para tirar de lá o outro menino que não gosta de mim.

O tavares foi tavares porque não sabe ser outra coisa. E o serpa é serpa e ainda quer parecer que não é. Quanto aos Gato golearam por 20-0 e o único a perder foi um jornal que não merecia estes directores. Digam-me onde é que passarão a escrever o Ricardo Araújo Pereira e o Zé Diogo Quintela. Passo a comprar esse jornal, em vez da Bola, imediatamente.

05/10/10

O Público Citou o Tapor!

Blogues em papel
Longe de 82, mas está bem
http://tapornumporco.blogspot.com
(...) Os U2 que vi ontem já pouco
têm a ver com os jovens irlandeses
de 82. Mantêm a mesma
vitalidade, mas o espectáculo é
outro, uma espécie de celebração
religiosa dos mega hits que o
grupo foi editando ao longo de
décadas de carreira. Em muitas
músicas, Bono nem precisa de
cantar, o público está lá para
isso, para as palminhas colectivas
e para os coros dirigidos pelo
maestro Bono. Aquilo é um ritual.
Os U2 já não dependem tanto da
música como em 82.
Mas tudo isto é natural. Os tempos
são outros, a banda tornou-se a
segunda maior do planeta (a seguir
aos velhos Stones). (...)

In Público de 4 de Outubro

12/04/10

Aqueles Cujo Nome Não Pode Ser Pronunciado, por Gibson

Ontem o site do excelente semanário Sol (bem haja pela publicação das escutas dos boys) publicava a seguinte notícia:

«Quatro pessoas baleadas durante casamento em Coimbra
Quatro pessoas ficaram feridas na última madrugada num tiroteio numa boda de casamento nos arredores de Coimbra, disseram hoje à agência Lusa fontes policiai.»

Já leram? Pronto, agora antes de continuarem a ler o post digam lá o que pensaram. Sinceramente, sem censura, sejam honestos. Já pensaram? Pois, certamente pensaram o mesmo que eu e que os milhares de leitores desta notícia. Custa admitir mas a palavra que se acendeu no cérebro de qualquer pessoa que leu esta notícia foi, como é evidente, «ciganos».

Hoje o diário conimbricense dava a mesma notícia. Assim:

«Vários tiros puseram termo (...) a um casamento de etnia cigana, etc...»

Viram a diferença? Pois é, o Sol optou pela formulação politicamente correcta e não noticiou a etnia dos indivíduos envolvidos. As Beiras fê-lo. Qual a opção correcta? O Sol sonegou informação importante. Ontem li esta notícia, tive quase a certeza de que eram ciganos, quis saber se o eram, mas a notícia era omissa. E era importante, para mim que sou de Coimbra, sabê-lo. Foi irritante ter a sensação, quase a certeza de que aquilo foi com ciganos, mas não ter possibilidade de o saber.

Hoje As Beiras confirmaram o meu «quase» de ontem à noite. Na notícia das Beiras foi previligiada a informação em detrimento da censura politicamente correcta. Gosto do Sol. Mais que das Beiras. Mas em relação a esta opção editorial, não tenho dúvidas em afirmar, por mais chocante que isto possa parecer a algumas sensibilidades mais delicadas, que prefiro o tratamento que as Beiras deram a esta notícia. O dever de informar, mesmo contra o pensamento instituído, ainda continua a ser um valor fundamental no jornalismo.