Blog da RS.T - Real Esseponto do Tinto - Coimbra - Os Três Pastorinhos também bebiam o seu copito
20/12/06
19/12/06
Abaixo de cão!, por Kumba Ialá
Zé Sócrates é manipulador. Manipula os órgãos de comunicação social ao ponto de banir os incêndios da TV. Manipula os estudos de modo a que sirvam uma decisão errada.
Zé Sócrates tem uma fraca preparação académica. Dizem que estudou no ISEC de Coimbra.
Zé Sócrates é uma nulidade profissional. É um carreirista.
Zé Sócrates não tem valor como intelectual. Não se lhe conhece nenhum trabalho teórico de reflexão e sistematização de pensamento.
Zé Sócrates não é frontal. Numa célebre entrevista ao Expresso foi incapaz de dizer se era a favor ou contra o aborto.
Zé Sócrates é dissimulado, preocupa-se mais com a imagem do que com a verdade.
Hoje, o Zé Sócrates mostrou aos portugueses que é o pior primeiro-ministro do Portugal democrático. Pior do que Santana Lopes. Aqui reside o único mérito de Zé Sócrates: conseguiu ser pior do que Santana Lopes. Provou-o hoje, aos que ainda duvidavam.
Recordemos os factos: a Assembleia da República aprovara a nova Lei das Finanças Locais. O Presidente da República submeteu o diploma à apreciação do Tribunal Constitucional. Zé Sócrates escreveu aos juízes do TC, acompanhando a carta de cinco pareceres de constitucionalistas a defenderem, todos presume-se, a constitucionalidade do diploma.
Notemos a idiotice do justificativo do Zé Sócrates: «Isso não constitui uma pressão porque o que me parece é que o Tribunal Constitucional não é pressionável.» Esta burridade, ilógica antes de tudo, constitui a maior e a mais grave idiotice da história política contemporânea. Se descontarmos aquela da Ministra da educação que afirmava que as decisões do tribunais açorianos não tinham validade em Portugal. De um gesto, Zé Sócrates ultrapassa a Assembleia da República, desautoriza o PS, afronta o Presidente da República, pressiona de forma inadmissível o Tribunal Constitucional insultando os seus juízes, instrumentaliza politicamente pareceres de constitucionalistas, expõe-se ao ridículo e atenta contra os princípios básicos da ordem institucional de um Estado democrático. Além disso, a frase está sintacticamente incorrecta. Pior do que Santana. Melhor, abaixo de cão!
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Política
17/12/06
15/12/06
O Islão para Principiantes – 1: Não Agarrarás a Piça com a Mão Direita. Por Borat
Iniciamos hoje uma nova secção que visa esclarecer os leitores acerca de alguns assuntos relacionados com a religião islâmica. Vivemos sob a ameaça de um conflito civilizacional. Teme-se um confronto entre o Islão e a Cristandade. Nós, envergonhadamente cristãos, respeitamos na outra parte, assumida e orgulhosamente mussulmana, muito que não deveríamos respeitar. Por reverente ignorância. Para se entender o mundo de hoje, para perceber o fundamentalismo islâmico, é necessário conhecer os seus aspectos caricatos. Não são poucos. É quase tudo. O Islão é uma religião irracional e fanática, tribal e avessa à modernidade, inimiga do progresso e desrespeitadora dos outros, desprovida de alcance filosófico e profundidade teológica. Todavia, não se defende aqui que o conflito seja uma inevitabilidade, nem sequer se propõe a Cruzada. Esta atitude, praticada no passado e insensatamente proposta por muitos na actualidade, conduziria à perversidade de nos igualar ao nível do que repudiamos. O Cristianismo, como única religião Universal concebida pelo Homem, caracteriza-se pela sua capacidade de integrar o outro no que tem de válido, compreendê-lo, argumentar através da palavra e do exemplo, aquilo a que Roger Bacon chamava sermo potens, isto é, o poder do Verbo.Posto isto, lembremos que o Islão não se fundamenta só no Corão, mas também na Suna, isto é, a Tradição, a memória da vida de Maomé, a compilação dos ditos atribuídos ao Profeta. O Corão e a Suna constituem a Charia, a Lei Islâmica.
Há inúmeras compilações da Suna, todas elas elaboradas entre os séculos IX e XII, que chegam a reunir mais de um milhão de ditos (Hadiths). Nem todas as recolhas são reconhecidas pelas autoridades clericais como autênticas, sendo todos dizeres avulsos, sem qualquer sistematização ou comentário. Uma das colectâneas mais conhecidas é a do sírio Sahih al Bukhari (século IX), que validou 7 000 dizeres. É aqui, neste conjunto desconexo de frases, que os crentes encontram as normas orientadoras da sua vida. De carácter jurídico e comportamental, modos de conduta e regras para o uso quotidiano, enfim, e em suma, os princípios orientadores da sua vida. Completamente idiotas, diga-se. Como esta:
«O Profeta disse: sempre que um de vocês urinar, não deve segurar o pénis ou limpar as suas partes íntimas com a mão direita.» (Hadith nº 156 do 4º livro de Bukhari). Isto é mais ou menos a Summa Theologica lá deles.
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Religião
14/12/06
A Solução, por Nikki
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Breve comentário às Hipóteses em estudo
Hipótese A
Caracteriza-se pela configuração de um L constituído por dois corpos que albergam diferentes funções; um de uso mais reservado, basicamente ocupado pelo escritório e pelos corpos e outro de uso mais ‘público’ – o da cozinha, das salas e do alpendre. A fechar o L uma fileira de arvores de frutos ajuda a compor uma espécie de pátio voltado a Sul e no qual o destaque vai para a piscina ecológica, espelho de água que permitirá vislumbrar a casa de diferentes maneiras e pontos de vista.
Como aspectos a salientar nesta proposta, a economia das circulações – reduzidas a um mínimo com um desenho cruciforme alongado – e a correcta relação que se estabelece com o terreno, com a paisagem e com os pontos cardeais. (…) Como seria de prever numa solução tipo casa-pátio, que não é verdadeiramente, mas que também não deixa totalmente de o ser, trata-se de uma proposta menos virada para a paisagem circundante; uma solução, portanto, mais fechada sobre si própria, mais concentrada sobre os elementos que a compõem e sobre as suas relações funcionais.
Hipótese B
Distingue-se claramente da anterior pela definição da casa em um só volume, embora subdivido em três corpos justapostos: o dos quartos, voltado a Nascente, o do escritório, salas e cozinha, voltado a Poente. Entre os dois, o corpo das circulações, desenhado sob a forma dum pátio interior sobre o comprido, poderá receber luz zenital e de Sul, luz essa que irradia para os corpos contíguos, principalmente para o das salas-cozinha. Nesta solução o acesso ao piso inferior faz-se pela parte central do volume havendo uma tendência para que a cave fique quase totalmente enterrada. O corpo dos quartos ficará parcialmente cravado, permitindo que a transição entre corpos se faça sempre de nível e assegurando uma ligação também de nível entre o corpo das salas e o jardim.
Novamente a piscina ecologia, com o seu magnífico espelho a reflectir a casa a nascente e as colinas a Poente, atrai os olhares e direcciona a vivência doméstica.
Como pontos-chave desta proposta, por um lado, a forte articulação entre os espaços interiores, interligados através dum corredor-pátio para onde dão todas as divisões. Por outro lado, a relação da casa com a paisagem (ao fundo), enfatizada pelo enorme e ininterrupto envidraçado que atravessa todas as zonas de uso menos reservado. (…)
Hipótese Alternativa
Paralelamente a uma solução mais lógica, de compromisso, como seria a da hipótese A – e a uma solução conceptualmente mais radical, de cariz quase funcionalista – como seria a da hipótese B – perfila-se uma terceira via, de maior complexidade formal. A esta última, surgida in the last minute, por virtualmente exceder o que é solicitado, designou-se como hipótese alternativa. Na verdade, e apesar da sua aparente originalidade, não passa de ser uma variante da hipótese A. Desde logo, recupera a ideia dos dois corpos e a respectiva disposição ortogonal em planta. Porém, nesta nova versão, abdica-se da comodidade de circulação de nível, presente nas soluções anteriores, inusitando-se a sobre elevação do corpo dos quartos que se assume volume independente. Apesar do corpo da cozinha-salas manter-se como em A a discordância altimétrica dos volumes dá parece dar à casa um novo fôlego: a casa é a casa é agora menos compacta, menos previsível também.
Como resultado da elevação do corpo dos quartos foi então possível recriar de modo bem mais elegante o hall de entrada que ganha um duplo pé direito e adquire ambiguidade na sua relação com os espaços interiores e exteriores. Este soltar de corpos antes fundidos, como em acontecia em B, ou linearmente combinados, como em A, permite ainda tratar de modo mais individualizado as superfícies do novo volume: ora se deixam rasgar em longas aberturas, ora se fecham, ora se convertem em panos envidraçados revestidos por ripados que controlam a relação com a luz e com a envolvente. Note-se como a posição elevada inaugura uma diferente relação dos quartos e respectiva zona de circulação com a linha do horizonte. Por fim, o efeito de quase prestidigitação deste corpo paralelipipédico, pairando no ar sobre esbeltas colunas permite introduzir, por baixo, um amplo espaço coberto; um espaço de usos multifuncional: parqueamento, área de jogos (ping-pong, dardos, cartas, etc) zona de repouso, zona de convívio-barbecue, mirante sobre o jardim e sobre o vale, sauna envidraçada, voltada para o pôr-do-sol,...
Esta solução, ao contrário das anteriores, preocupa-se, antes de tudo, em libertar o chão, tornando o próprio terreno, logo pela manhã, quando o sol varre todo o comprimento do lote, no primeiro protagonista da casa e do seu dia a dia.
A partir daqui, a piscina, a zona relvada por detrás das árvores, as montanhas, o vale, o sol nascente e o sol poente, e céu e as estrelas, sempre visíveis, sempre próximos, tornam-se, de forma indelével, parte intrínseca do quotidiano de quem habita.
Paisagem, Terreno, Escritor, Casa e Cosmos num todo indivisível.
As funções que na solução anterior aparecem enterradas poderão continuar a existir, e na mesma projecção horizontal do corpo dos quartos, muito embora a garagem, na acepção de parqueamento, poderia ser substituída, com algumas adaptações, pela área coberta exterior.
13/12/06
A Encomenda
Meu caro, gostaria que me desenhasses uma casa com base no esqueleto que vou tentar descrever-te. Deverá ter 4 quartos, uma cozinha com bastante luz solar, uma sala ampla com lareira e um pequeno desnível entre o “estar” e o “jantar”; um escritório e uma biblioteca; uma cave/garagem onde também possa ter uma garrafeira sempre vazia porque a felicidade dos vinhos é poder bebê-los.
O quarto principal deverá ter anexada uma cabine de sauna, bem vês, gosto de sauna, faço sauna o ano inteiro no ginásio e pago-a a 4 duros a sessão – quando chegar a casa, de rastos, depois de “another day in paradise”, quero transpirar como porco escaldado antes de adormecer no enlevo dos lençóis de linho. Com sauna e linho quem é que precisa de pérolas, concordas...?
A minha sala deverá ter uma parede de outra cor que não o branco. Uma cor forte, intensa, salmão fumado parece-me uma boa solução. Outra característica fundamental da sala será nela afirmar-se uma lareira. Uma lareira grande, imponente, aberta, onde se alcance o fogo e as brasas com o olhar – informo-te já que não confio em fogo que não vejo!
Uma cozinha prática e funcional com rentabilização e aproveitamento de cada canto. Uma ilha a meio com um local de encaixe cimeiro onde pretendo pendurar facas, facalhões e cutelos para cortar delicado sushi à lâmina e cabrito à cacetada.
Um pequeno escritório de trabalho. Este espaço deve servir os propósitos da informática, pastas, arquivos, impostos, reclamações e outros assuntos kafkanianos aos quais temos de regressar de tempos a tempos. Gostava que este escritório tivesse uma parede de tijolo, (cada bloco unido por cimento branco ou o que quer que seja que une os tijolos e contraste com a cor terra que lhes dá o carisma), posto lá de forma quase grosseira, como o resultado de um labor manual e imperfeito, mas sólido e sustentado como o argumento de um policial negro. Entendes-me?
A Biblioteca – questão fundamental. Gosto de bibliotecas, sempre gostei de bibliotecas. Daquelas bibliotecas onde William de Baskerville mergulhou o fascínio do conhecimento e pelo meio resolveu os crimes em O Nome da Rosa; daquelas bibliotecas onde somos possuídos pelo encantamento alienado de poder consultar, ler ou apenas contemplar tantos livros. A minha biblioteca não precisa de ter dimensões desmesuradas, porque o meu conhecimento dos livros também não o é. Mas tenho alguns quantos. E alguns quantos filmes. E cds. E recortes, e textos soltos, e artigos sobre receitas, charutos ou a cultura do chá que fui de forma tão apaixonada quando desordenada guardando ao longo dos anos. E é nessa biblioteca que quero arrumar as palavras e preservar a memória das imagens. Em prateleiras e estantes voltadas para uma secretária em madeira e uma bela poltrona de couro onde irei escrever barbaridades e estrebuchar delírios para o Tapor. Algures, uma garrafa de cognac Napoleon ao lado de uns puros cubanos onde o Grunfo irá pendurar as beiçolas como um pitbull ao cheiro da alcatra. Uma biblioteca tão pessoal quanto plural. Ocorreu-me que a biblioteca poderia ser o núcleo central da minha casa. A célula onde todos os caminhos vão dar. Como a Roma. De que forma e com que disposição geométrica? Não faço a mínima ideia, mas se te agradou, podes voltar a chamar-me Senador!
Um braseiro para assar carne e beber tintos. Com forno a lenha para cozer pão, assar leitões e chanfana. Uma grande mesa de madeira ao centro para celebrar muitas Últimas Ceias depois do golfe, ou as partidas de nuestros hermanos bascos para Bilbau. O espírito de Revenga sem portas nem sub-solo.
Pátios, varandas ou afins. São elementos fundamentais. Quero varandas em todo o perímetro da casa. A casa pode ser percorrida por esse lado exterior, à sombra dos pequenos telhados, em toda a sua dimensão. Haverá pequenas mesas de madeira com cadeiras de encosto nesse resguardo a céu aberto. Como nas casas do deep south americano, Mississipi, Louisana e nos arrabaldes de New Orleans, onde a Harper Lee se sentava ao luar com o pai e aprendeu a escutar os sons das cigarras e a as histórias dos homens contadas por Aticus Finch, e a escrever, muitos anos mais tarde, o Não Matem a Cotovia.
Uma piscina deve ser prevista, centrada com o verde da relva que quero plantar, a oeste dos pessegueiros e cerejeiras que quero fazer crescer ao fundo do terreno. O jacarandá, a magnólia e outras sombras com raiz, ficarão em lugar a destinar e perto de água abundante.
Gosto de matérias que provêm da terra - madeiras, pedra tosca, tijolos, barro. Gosto de cores com o mesmo genótipo – castanhos claros, mel, laranjas, Agosto em final de tarde, tonalidades quentes, mas também azul marinho, verdes ciprestes. Gosto de linhas direitas, da austeridade japonesa, de arrumações compartimentadas e simples, de geometria recta e desprovida de ornamentos, de portões, das colunas do Parthenon e de candeeiros estilo postes de iluminação iguais àqueles para os quais mijava o Vasco Santana no Pátio das Cantigas. Gosto das formas simplistas e térreas dos motéis americanos, das suas linhas carregadas de horizontalidade. Detesto candelabros, cristais, brilhos ofuscantes, estilos rebuscados e com muitas curvas, cornucópias como as das gravatas italianas, classicismo rococó, pormenores acentuados. Sou um gajo informal de hábitos e simples de trajes – gosto de andar descalço dentro de casa sem correr o risco de apanhar uma pneumonia ou fungos nos pés.
A terminar, e se é possível acrescentar algo mais à minha modesta capacidade para visualizar a minha casa, deixo-te a mais simples e memorável descrição de uma casa-lar que já ouvi. É do filme O Gladiador. Na fria e distante Germânia, após a batalha, Marcus, o Imperador pede a Maximus, o General, que lhe fale da sua casa. Uma felicidade pacífica e serena irradia de Maximus à medida que as palavras lhe saem da boca.
Diz Maximus:
«A minha casa situa-se nas Colinas acima de Trujillo. É um lugar muito simples, feito de pedra cor-de-rosa que aquece ao sol. Jardins que cheiram a ervas aromáticas durante o dia e a jasmim à noite. Para lá do portão existe um enorme pomar. Figos, maçãs, peras. O solo, Marcus, negro... negro como o cabelo da minha mulher. Videiras no terreno a sul, oliveiras a norte. Cavalos selvagens perto da casa costumam brincar com o meu filho. Ele quer ser um deles.»
Fico à espera da tua resposta e inspiração, aquele abraço,
Mangas.
11/12/06
Wim Mertens, por Xeko
Era minha vontade, de início, assistir a dois concertos - um a solo, com piano e voz, e o outro, com a participação de Gudrun Vercamp, no violino -, na expectativa de ouvir "Struggle for pleasure", "Close cover" ou "The belly of an architect", assim como material inédito como "In and for itself" ou "With all its might", em dois registos diferentes.
Fiquei apenas por Coimbra, para uma experiência notável, pelo destaque que deu ao violino, tocado por uma Gudrun Vercamp inspiradíssima, que encantou.
A voz aguda de Wim Mertens continua a anunciar-se, quase etérea, ainda que de forma repetitiva, sem desvirtuar a dimensão rítmica. Mostra-se em simbiose perfeita com o piano, tal como se pode verificar em “Maximizing the audience” ou “Strategie de la rupture”
É certo que, perante 25 anos de carreira e a edição de 50 discos, é difícil esperar algo de novo, de diferente.
Mas este “refazer” da música, que o distingue no panorama minimalista actual, apoiado agora pelo violino, deu-lhe uma intensidade diferente, outra melancolia. O poder da voz - tal como é conhecido -, ainda subsiste, assim como a sua singularidade.
Além de sublinhar a paixão por ela, na sua expressão pura, mostrou-se disponível para outras sonoridades, sem abdicar do piano, que tão bem o distingue, desde “For amusement only”.
Perdida a oportunidade de 2005, de conhecer “Un respiro”, em Famalicão, não iria perder esta ocasião de o sentir, agora ao vivo, com “Partes extra partes”.
Foi o que fiz, tal como ele, só por diversão…
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Música
10/12/06
09/12/06
Ando a digitalizar as estampas de um livro tão velhinho que se estraga com o virar das páginas:

Victor Duruy: História de Roma. Desde a sua origem até á invasão dos barbaros; Lisboa; Escriptorio da Empreza Editora de Publicações Ilustradas; 1891; 4 volumes. Tradução de Manuel Pinheiro Chagas.
Tamanho grande aqui.

Victor Duruy: História de Roma. Desde a sua origem até á invasão dos barbaros; Lisboa; Escriptorio da Empreza Editora de Publicações Ilustradas; 1891; 4 volumes. Tradução de Manuel Pinheiro Chagas.
Tamanho grande aqui.
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Livros
04/12/06
26/11/06
21/11/06
Anais do Porco. Por Manel, o Empalador
Olhem o que eu fui buscar ao baú, umas disquetes que aqui tinha:
«Coimbra, adega do Galgo, 27 de Fevereiro de 1999
«(....) até que um dia o Senhor, desagradado com o rumo empirista e subjectivista do seu rebanho, irado com o episódio do Barca Velha, [alusão à degustação de um Barca Velha prova cega e que foi desqualificado pela generalidade dos confrades] tomou a decisão de enviar um anjo com a missão de apontar o caminho da Verdade e do rigor científico. Foi então, qual novo Moisés, que o abençoado anjo do Senhor ofertou aos bárbaros os instrumentos com os quais eles inauguraram uma nova era das suas vidas. Mas advertiu-os: acabai de vez com as apreciações tipo pica, escorrega bem, bate bem, etc. De ora em diante, exijo-vos o rigor no discurso e a objectividade na análise.»
A História ensina que estes momentos de ruptura têm que superar as naturais reacções conservadoras. Sabe-se como as massas ignaras são adversas à novidade, apegadas à tradição e reagem negativamente à introdução de elementos que perturbem a harmonia pacata do seu quotidiano. E, por isso, também então se fizeram sentir vozes espantadas e ignorantes que, em face dos aparelhos, indagaram "Qu'é isto !?", enquanto coçavam o cocuruto com o indicador esquerdo e com as costas da mão direita limpavam a baba que lhes pingava da beiça embasbacada.
Mas a provar que esse momento não foi um dado isolado, e que reflecte um salto civilizacional qualitativo, temos que, mais ao menos pela mesma altura, como que anunciando a grande novidade revolucionária, os membros da sociedade satânica acolheram uma outra novidade: nada menos que o famoso cardiovelocímetro. Este aparelho é assim uma espécie de conta-quilómetros só que, segundo o nosso Mister especialista em bola científica (isto é, treinador sem bigode) em vez de estar ligado à roda, está ligado ao coração e capta o ritmo da frequência cardíaca, enviando depois, através de um emissor electrónico fixado no pulso, elementos sobre o esforço dispendido pelo utilizador. Assim se desmascara, reportando-nos à aplicação exclusivamente desportiva do instrumento, o sub-rendimento dos praticantes, forçando-os à exaustão. Porém, a importância desta geringonçça consente outro tipo de utilizações. Sirva de exemplo a aplicação do cardiovelocímetro no domínio das relações interpessoais. Pela consulta dos dados obtidos pelo aparelhómetro torna-se possível detectar o subesforço de uma das partes, advertindo-a mais ou menos nos seguintes termos:
- Desculpa lá, mas não deste o litro. O cardiovelocímetro não engana! Vais ter que amochar outra vez!»
Esclarecidos então acerca da importância histórica do repasto, passemos à apreciação do dito.
No referente aos sólidos, nada a opor. O chouriço caseiro cumpriu e o queijito não envergonhou. De 1 a 5, as entradas merecem nota positiva. Os torresmos estavam óptimos, temperados à portuguesa, apenas com vinho, segundo o anfitrião, e fritos na própria gordura. O arroz de míscaros apresentou-se em duas versões, a saber: com carne e sem carne. Nenhuma das versões envergonhou e qualquer delas bate a versão do Cantinho dos Reis, uma sub-espécie que constitui uma terceira categoria: arroz com carne, colorau, pimentão, massa de tomate e alguns míscaros.
As duas variedades foram provadas e aprovadas, muito teriam ganho se algumas alimárias retardatárias entendessem o significado de 8 horas. De facto, se é às oito, não é às 8 e meia e, por maioria de razão, muito menos às nove menos um quarto! Não é preciso ter um rolex para entender isto! Ou alguém tá a precisar de slides?
O arroz perdeu, e é em memória do que perdeu que agora se estipula o princípio de iniciar os jantares futuros à exacta hora marcada. Quem chegar atrasado traz pão com fiambre!
Passando aos líquidos, deve comentar-se a já proverbial sovinice do vice-mestre que trouxe um miserável Porca de Murça do ano, porque não havia mais barato.
Quanto ao Grão-mestre, et son partenère, porventura ainda ofendido com a estrondosa indiferença com que apreciámos o Barca Velha, decidiu dar uma de educador das massas! Como quem diz (e escreve, reportando-me à assinalável importância e elevado sentido de humor da sua crónica dactilografada) que o mal não deve ser do vinho (ainda que o José Salvador sublinhe a precipitação motivada pelo «efeito Expo 98»), por isso deve ser das bestas com sentidos empedernidos. Ora, aplicando agora os básicos príncipios da economia, trocar de bestas sairia caro e moroso, portanto, educam-se! Foi assim que ambos vieram munidos de uma garrafitas adquiridas no Pingo Doce, em saldo, e que eram vinhos de casta única. Um Trincadeira e um?????, numas garrafitas de 0,50. Julgavam, através deste método ensinar os rudimentos da enologia, o b-a-bá da matéria. Ora bem, caros grandes timoneiros, as bestas a educar entendem por conveniente dizer duas coisas:
1º: Esses vinhos de casta única não valem uma merda!
2º: Se acaso persistirem nessa tendência para apresentar vinhos em garrafitas de 0,50, daremos validade à hipótese que propõe que o volume da garrafa é directamente proporcional ao tamanho do membro viril! Não repitam pois a ousadia se não querem acrescentar ao nome o epíteto O Meio-litro!
Assunto encerrado! Não queremos ser educados! Estamos felizes enquanto bestas! Mais, orgulhamo-nos de ser bestas e só aceitamos uma metodologia educativa para deixar de ser bestas: mais Barca Velha! Até parece que nunca ouviram falar no método pela descoberta, em que a besta é que determina o ritmo do processo ensino-aprendizagem. Nós não queremos ficar traumatizados!»
«Coimbra, adega do Galgo, 27 de Fevereiro de 1999
«(....) até que um dia o Senhor, desagradado com o rumo empirista e subjectivista do seu rebanho, irado com o episódio do Barca Velha, [alusão à degustação de um Barca Velha prova cega e que foi desqualificado pela generalidade dos confrades] tomou a decisão de enviar um anjo com a missão de apontar o caminho da Verdade e do rigor científico. Foi então, qual novo Moisés, que o abençoado anjo do Senhor ofertou aos bárbaros os instrumentos com os quais eles inauguraram uma nova era das suas vidas. Mas advertiu-os: acabai de vez com as apreciações tipo pica, escorrega bem, bate bem, etc. De ora em diante, exijo-vos o rigor no discurso e a objectividade na análise.»
A História ensina que estes momentos de ruptura têm que superar as naturais reacções conservadoras. Sabe-se como as massas ignaras são adversas à novidade, apegadas à tradição e reagem negativamente à introdução de elementos que perturbem a harmonia pacata do seu quotidiano. E, por isso, também então se fizeram sentir vozes espantadas e ignorantes que, em face dos aparelhos, indagaram "Qu'é isto !?", enquanto coçavam o cocuruto com o indicador esquerdo e com as costas da mão direita limpavam a baba que lhes pingava da beiça embasbacada.
Mas a provar que esse momento não foi um dado isolado, e que reflecte um salto civilizacional qualitativo, temos que, mais ao menos pela mesma altura, como que anunciando a grande novidade revolucionária, os membros da sociedade satânica acolheram uma outra novidade: nada menos que o famoso cardiovelocímetro. Este aparelho é assim uma espécie de conta-quilómetros só que, segundo o nosso Mister especialista em bola científica (isto é, treinador sem bigode) em vez de estar ligado à roda, está ligado ao coração e capta o ritmo da frequência cardíaca, enviando depois, através de um emissor electrónico fixado no pulso, elementos sobre o esforço dispendido pelo utilizador. Assim se desmascara, reportando-nos à aplicação exclusivamente desportiva do instrumento, o sub-rendimento dos praticantes, forçando-os à exaustão. Porém, a importância desta geringonçça consente outro tipo de utilizações. Sirva de exemplo a aplicação do cardiovelocímetro no domínio das relações interpessoais. Pela consulta dos dados obtidos pelo aparelhómetro torna-se possível detectar o subesforço de uma das partes, advertindo-a mais ou menos nos seguintes termos:
- Desculpa lá, mas não deste o litro. O cardiovelocímetro não engana! Vais ter que amochar outra vez!»
Esclarecidos então acerca da importância histórica do repasto, passemos à apreciação do dito.
No referente aos sólidos, nada a opor. O chouriço caseiro cumpriu e o queijito não envergonhou. De 1 a 5, as entradas merecem nota positiva. Os torresmos estavam óptimos, temperados à portuguesa, apenas com vinho, segundo o anfitrião, e fritos na própria gordura. O arroz de míscaros apresentou-se em duas versões, a saber: com carne e sem carne. Nenhuma das versões envergonhou e qualquer delas bate a versão do Cantinho dos Reis, uma sub-espécie que constitui uma terceira categoria: arroz com carne, colorau, pimentão, massa de tomate e alguns míscaros.
As duas variedades foram provadas e aprovadas, muito teriam ganho se algumas alimárias retardatárias entendessem o significado de 8 horas. De facto, se é às oito, não é às 8 e meia e, por maioria de razão, muito menos às nove menos um quarto! Não é preciso ter um rolex para entender isto! Ou alguém tá a precisar de slides?
O arroz perdeu, e é em memória do que perdeu que agora se estipula o princípio de iniciar os jantares futuros à exacta hora marcada. Quem chegar atrasado traz pão com fiambre!
Passando aos líquidos, deve comentar-se a já proverbial sovinice do vice-mestre que trouxe um miserável Porca de Murça do ano, porque não havia mais barato.
Quanto ao Grão-mestre, et son partenère, porventura ainda ofendido com a estrondosa indiferença com que apreciámos o Barca Velha, decidiu dar uma de educador das massas! Como quem diz (e escreve, reportando-me à assinalável importância e elevado sentido de humor da sua crónica dactilografada) que o mal não deve ser do vinho (ainda que o José Salvador sublinhe a precipitação motivada pelo «efeito Expo 98»), por isso deve ser das bestas com sentidos empedernidos. Ora, aplicando agora os básicos príncipios da economia, trocar de bestas sairia caro e moroso, portanto, educam-se! Foi assim que ambos vieram munidos de uma garrafitas adquiridas no Pingo Doce, em saldo, e que eram vinhos de casta única. Um Trincadeira e um?????, numas garrafitas de 0,50. Julgavam, através deste método ensinar os rudimentos da enologia, o b-a-bá da matéria. Ora bem, caros grandes timoneiros, as bestas a educar entendem por conveniente dizer duas coisas:
1º: Esses vinhos de casta única não valem uma merda!
2º: Se acaso persistirem nessa tendência para apresentar vinhos em garrafitas de 0,50, daremos validade à hipótese que propõe que o volume da garrafa é directamente proporcional ao tamanho do membro viril! Não repitam pois a ousadia se não querem acrescentar ao nome o epíteto O Meio-litro!
Assunto encerrado! Não queremos ser educados! Estamos felizes enquanto bestas! Mais, orgulhamo-nos de ser bestas e só aceitamos uma metodologia educativa para deixar de ser bestas: mais Barca Velha! Até parece que nunca ouviram falar no método pela descoberta, em que a besta é que determina o ritmo do processo ensino-aprendizagem. Nós não queremos ficar traumatizados!»
Já lá vão uns anos. Exceptuando o eclipse do Galgo e a banalização do cardiovelocímetro que na altura era uma novidade, está tudo na mesma: à marrada e à morteirada!
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RS.T
16/11/06
Muito acerca de nada, por Mangas

Encontrei os meus cães a lamber o sangue de um pavão que saltou a cerca para o lado de cá. Fitaram-me, quietos, à espera de uma carga de porrada, mas deixei-os entregues ao que restava daquele campo de batalha de onde sobravam ossos, carne rosada e penas coloridas.
Cenários idênticos podem acontecer após o anúncio da classificação dos tintos numa prova cega, ou no rescaldo da cirurgia plástica a um porco.
Depois disso apontei-lhes o caminho para casa, mas os cabrões ainda não regressaram.
Cenários idênticos podem acontecer após o anúncio da classificação dos tintos numa prova cega, ou no rescaldo da cirurgia plástica a um porco.
Depois disso apontei-lhes o caminho para casa, mas os cabrões ainda não regressaram.
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09/11/06
Rosebud, por Fernão Lopes

Aaron Delwell Penglast é um multimilionário norte-americano da Pensilvânia, considerado pela revista Forbes entre os 15 mais ricos do Mundo, que acaba de constituir uma fundação com um propósito exclusivo, bizarro e muito curioso. O senhor Penglast, de 63 anos, dotou a sua Fundação com largas dezenas de milhões de dólares, contratando especialistas das mais variadas áreas, que vão da arquivística à informática, ou da robótica à psicologia, com a intenção de reconstituirem a sua vida desde a mais tenra infância até à actualidade, bem como de procederem ao registo de todos os factos da sua vida futura, mesmo os mais ínfimos e irrelevantes. O objectivo é produzir um guião diário da vida do multimilionário e reconstituir a sua vida em espaço virtual 3D de modo a que, após a sua morte, se cumpra a disposição testamentária já redigida e mantida em segredo mas que, no entanto, dispõe que um colectivo formado por um vasto número de sábios e especialistas nas mais diversas áreas seleccione um casal que esteja disposto e aceite livremente que o seu ffilho viva a vida de acordo com a reconstituição virtual, e devidamente documentada, da vida de Aaron Penglast. Isto é, diariamente, os arquivos digitais ora produzidos deverão ser consultados e a jovem réplica deverá viver a sua vida de acordo com o guião. Isto é, ler os mesmos livros, ver os mesmos filmes, visitar os mesmos locais, estudar as mesmas matérias, tomar as mesmas decisões, tanto quanto for possível, tudo igual à vida de Penglast. A Fundação manterá um curador e um colégio de acompanhamento que deverá não só manter a vigilância sobre o quotidiano do contemplado como decidir sobre os factos dificilmente replicáveis ou até impossíveis de repetir. Deverá o colectivo de curadores reunir e recomendar, em caso de impossibilidade de se observar o quotidiano original, a alternativa mais próxima e exequível. Discreto, o sr. Penglast aceitou apenas dizer que este processo foi o que mais próximo se assemelhou com a conquista da imortalidade. «Não creio na clonagem», acrescentou.
Foto: http://universe-review.ca/F10-multicell.htm#evolution
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Ficção
05/11/06
Hermanizaram-se!

O Júlio Isidro foi ao Gato Fedorento! Melhor, ao Diz Que É Uma Espécie de Magazine! Até o título é um flop! É a morte dos Gatos? Engravatados, com palmas enlatadas, com público contratado, com momento musical, com trocadilhos idiotas. O Júlio Isidro! Por amor de Deus! O Herman, apesar de tudo, aguentou mais tempo. Tirando o dito boneco do Paulo Bento, ao cabo de dois programas, não vi nada de jeito.
foto: http://designersalliance.co.uk/wp-content/uploads/2006/05/shit.jpeg
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Actualidade,
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