30/07/05

O Porco nunca dorme, por Prozac

Ao contrário do que se verifica nalguns blogs, o Porco não vai de férias. O Porco nunca dorme. Vai uma parte do Porco, sim, mas fica cá, para tarefas de manutenção, pelo menos um funcionário. Os Porcos que vão de férias elegeram, este ano, os seguintes destinos turísticos para descansarem uns dos outros:

Derviche – Vai recolher-se num mosteiro Budista no Tibete para organizar as suas memórias de Liceu. Em Coimbra não se consegue concentrar. Há demasiados restaurantes na região e a internet nunca está sossegada.

Mau– Vai para o Dubai jogar golf durante 24 horas por dia durante os próximos quinze dias no esplêndido campo que aqueles idiotas fizeram no meio do deserto. Um exemplo para o Algarve.

Golfista Prateado– Fica cá. Detesta andar de avião…

Vice – Vai prá China. Talvez perceba mais rapidamente os chineses que os portugueses.

Milu – Surprise: vai para a Serra da Estrela pa variar.

Mangas – Vai fingir que vai passar uns dias a uma praia no sul. Na prática leva uma mala de dvds com filmes clássicos e encharca-se em cinema durante as próximas noites de Agosto.

Tinó – Não vai outra vez à Grécia. Tá farto do Sócrates, fónix…

JPC – Fica cá. É o maior fã do Porco e diz que enquanto houver Porco não vai para férias.

Cão – Vai para Miami. Tá farto da vida da província e dos brandos costumes. Quer ver gajas, quer festas, quer speed e ferraris a rolar a alta velocidade. Comprou um fatito espectacular para estrear nas Américas e tudo…

Nemo – Vai a S. Petersburgo. Ninguém acredita, mas desta vez ele garante que não perde mesmo o Hermitage.

Mister – Já foi. Acompanhou a digressão asiática do Real Madrid. Era aquele gajo de olhos em bico que estava nas bancadas atrás do Wanderlei Luxemburgo a tirar notas para um caderninho…

Kzar – Ninguém sabe dele!

Boas férias para todo o chiqueiro e seus clientes….

29/07/05

FAÇAM UM POST PARA ESTA FOTO, por Há-Prémios

Image hosted by Photobucket.com

Isto toda a gente sabe o que é. Diz-nos o Instinto Básico e a partir daí quase que nem era preciso Post. Só que agora no Porco - e até porque já há clientela a contestar a qualidade dos Postes - a malta resolveu passar a bola à freguesia. Assim sendo, o Tapor publica a foto e abre aqui o Primeiro Concurso de Post Para Foto. Os caros Sousas, Tapores e demais Comentadores, Visitantes, Visigodos e Ostrogodos, em sede de Groinks, façam o favor de fazer um Post para esta foto. Divaguem sobre a foto, o filme, a actriz, o que quiserem. Depois o Porco selecciona, republica com a foto e dá três livros de prémio às três melhores tentativas. Escrevei e multilpicai-vos!

28/07/05

Diálogo, por Cão

Image hosted by Photobucket.com

Falam Ela e Ele. Por esta ordem.
- Só me queres por causa do meu corpo.
- Não acredito na alma. É por isso.
- Hipócrita!
- Querida…
- A minha mãe bem me avisou…
- A tua mãe sempre foi muito espiritual…
- Sempre é melhor q`a tua!
- Não faças comparações idiotas.
- Não faço porquê?
- Não faz sentido.
- Confessa!
- Confesso o quê?
- Que só queres o meu corpo.
- Tens mais alguma coisa para dar?
- Bruto insensível!
- Sou sensível. Não sou bruto.
- Não me faças rir.
- Rir é bom.
- Dás-me vontade de chorar, sabias?
- Chora no meu ombro, cabecinha…
- Estúpido…
- Querida…
- Querido…
- Quero-te, sabias?

27/07/05

Das Lides Forenses – Parte 3 – Na Pinóquio, por AbyssusAbyssumInvocat

Image hosted by Photobucket.com

Num certo dia de verão, já lá vão cerca de 10 anos, fui a Lisboa ao Tribunal da Boa-Hora participar num julgamento, em que o meu cliente era ofendido. Eu, pelo menos assim o defendia, apesar de a situação envolver pessoas várias, a modos que passeantes do lado de lá da linha legal, o que é sempre uma coisa muito difícil de definir. Fomos no bólide do meliante, um Volvo azul escuro, imponente, de último modelo e tamanho Tir.

A jogada na Boa – Hora correu bem e o cliente diz que vai pagar o almoço na Marisqueira Pinóquio dos Restauradores. Insisti que não, mas ele insistiu que sim. Fomos por ali acima e logo depois de sair do Rossio e de passar em frente à Estação, admirado fiquei eu, de o artista embicar o Volvo ao passeio e subir por ali acima, obrigando dezenas de passantes a desviarem-se. Isto, logo a seguir à agência Abep e mesmo no meio do largo passeio, onde passam milhares de pessoas por hora. Dez metros à frente, é a entrada do estacionamento subterrâneo dos Restauradores.

- Ó Sr. Miranda então vai meter o carro aqui em cima do passeio, homem, aqui leva já uma multa!
- Não levo nada Doutor, isso diz você. Vá saia lá, que isto fica aqui mesmo.
- Oiça lá não pode ser, caramba, tire daqui o carro, olhe as pessoas que se desviam já a olhar de lado…
- Olham de lado, mas não marram, são mansos. Vá, saia lá que vamos ali à Pinóquio.
- É pá, até me sinto mal de você deixar aqui o carro, olhe aquele policia ali ao pé do Multibanco já a olhar para nós…,
- Não olhe para ele Doutor, não olhe para ele, saia e entre na Pinóquio sem sequer olhar para ele!
- Ó homem, você está doido, a multa e o reboque não lhe compensam o almoço!
- Doutor faça como eu digo, saia, não olhe sequer pró policia – repare que ele nem sequer se aproxima e já estamos aqui no paleio há muito tempo – e vamos à Pinóquio, se eu tiver multa quando viermos fico-lhe a dever outra mariscada, se não houver multa, esta da Pinóquio é por sua conta. Aposta?
- Mau, não aposto nada que aqui há coisa. O que é? Conhece o policia?…
- Vamos, vamos e a ver vamos.

Dito e feito. Respeitei a vontade do alfacinha e entrei no tasco sem olhar pró policia. Que jamais fez o gesto sequer de nos interpelar, apesar de estar de olho na cena toda.

Lá dentro, explicou-me o faralhista a manobra.
- É assim, ó Doutor, o policia vê dois gajos de fato, engravatados, que não lhe ligam nenhuma e metem o carrão azul escuro em cima do passeio em cima das barbas dele, o que é que ele pensa aqui em Lisboa? Que aquilo é Ministro ou pior, Upa, upa, que é melhor não se meter, se fosse povo olhava e perguntava se podia ou dizia que era só um minutinho. Fica ali na dúvida e na dúvida vai-se embora. Vai ver que não nos multa, nem incomoda. Vale a aposta.?

Na dúvida fiquei eu, mas acautelei-me. Em boa-hora o fiz, já que quando saímos da Pinóquio, hora e meia depois da pança cheia de marisco, de um carro estar a estorvar meia Lisboa, o dito cujo lá estava incólume, no sitio, sem multa nem policia à vista. Por pouco não me fodia eu. Nesse dia, nos restauradores tive estatuto de Ministro. Inmultável, Inimputável. Como se vê ainda.

26/07/05

Flint, Michigan, Dezembro/93, por Mangas

Image hosted by Photobucket.com


Acendeu um cigarro e disse que ainda era novo para morrer. Que se sentia fraco, mas com vontade de tentar. Destrancou a prótese e sentou-se ao lado da tabuleta com as letras: Vende-se. “Se soubesse, nunca tinha posto os pés naquela puta daquela guerra…”, disse enquanto passava os dedos pelo cabelo quebradiço da quimioterapia.
Costumava contar-me histórias de combate, desenhar com um pau seco na areia as tácticas de guerrilha e descrever as partes divertidas dos métodos de interrogação aos vietnamitas capturados. Uma vez foi três dias de licença a Saigão, com dois companheiros de Montana, e fumou tanta erva que pensava estar em Michigan a caçar patos com o pai. De vez em quando tossia. A seguir, recuperava o fôlego, apontava para a relva seca e falava do pequeno lago no rancho onde crescera, a transbordar de trutas saltitantes.
Quando as primeiras gotas desceram, o cigarro apagou-se e ele sorriu-me, com os olhos cheios de nada.

Personagens de Liceu – Parte 2: O Mancamulas, por ArmáriosImensos

Estávamos já a meio da primeira aula de francês, quando o dito cujo entrou na sala. No meio da selvático reino da t-shirt e da sapatilha “Sanjo”, o personagem destoava pelo fato azul escuro, camisa e gravata a condizer. Era o primeiro fato completo que se via entre as hostes canibalescas. A malta já entrosada de outros anos e sempre pronta para meter a “carne fresca” no panelão, arrepiou ali caminho. O rapaz até de maleta de executivo vinha. Em vez de carniça, saia-nos ali na rifa um yuppie de alto lá com ele. Quando abriu a boca para responder à prof o pessoal ainda ficou mais impressionado. A voz profunda e gutural até arrepiava a espinha. Um sucesso de imagem e apresentação.

O personagem irradiava sucesso, dinheiro e prestígio. Alto lá com o bicho, tínhamos ali de certeza candidato a melhor da turma. Infelizmente, a prof de francês avisou logo naquela primeira aula, que na próxima havia teste para ver como estávamos. Ninguém ligou aquilo. Ninguém, menos o yuppie que pareceu um bocado preocupado. E tinha razão para estar. Na aula seguinte e no teste, o Cão sempre atento a quem conseguia copiar mais do que ele, caça o yuppie no copianço e num saque de rapace, rouba-lhe a cábula. Foi o fim do prestígio e do estatuto yuppie. Quando chegámos cá fora já o Cão o apelidava de Manca-Mulas. E Manca ficou até ao fim do Liceu.

O coitado do Mancas era burro comó catano. A coisa era só imagem de totó rico e filho-família. Mau aluno, falho de rasgo e nulo de massa cerebral. O que lhe sobrava em dinheiro, fatitos e pose, faltava-lhe ao longo de toda a carola. O maior desperdício de espaço entre as orelhas que é possível imaginar. Da cábula que o Cão lhe apanhou para o teste de francês de 10º ano (já todos nós, Mancas incluído, tínhamos tido 4 e 5 anos de francês) constavam apenas duas referências, mas que referências: “Moi = Eu; Toi = Tu” Foi o fim da macadada.

Hoje, 20 e tal anos depois da coisa, ainda não consigo deixar de sorrir de cada vez que tropeço no Mancas pela cidade. O Mancas já não nos conhece e não cumprimenta ninguém, lá do alto da sua magnífica importância económica e politica – sim porque o Mancas nesta cidade e hoje em dia é dos graúdos -, mas para nós será sempre o burro do Manca-Mulas, o nabo a quem a professora Lívia Múrias de Português entregava os pontos corrigidos agarrando-os numa ponta e pela ponta dos dedos e dizendo-lhe: “-Tome lá isto que até mete nojo!”; o mesmo Manca que em Técnicas de Tradução levou a tradução do texto até a um Santo Exupério que ninguém viu em lado nenhum, até que o atento Tinó descobriu o nome do autor do texto lá no fundo da página: Saint Exupéry. O mesmo Mancas que não dizia duas palavras numa resposta sem que qualquer professor o corrigisse três a quatro vezes.

Era difícil ter aulas com o Mancas. Não se conseguia parar de rir. A certa altura a Lívia Múrias – uma das melhores, mais marcantes, mas também das mais cruéis professoras que tivemos -, marca-nos o estudo de um poema para casa, com o aviso de que na aula seguinte se ia analisar a coisa. A rifa calhou ao Mancas, que instado à analise começou a analisar:
“- Este Soneto…
- Qual Soneto homem, isso não é soneto nenhum!, corrigia a Lívia.
- …começa com uma parábola…
- Mas qual parábola, meu Deus, isso é uma metáfora,
- …divide-se em quadras….
- Ó valha-me Nossa Senhora, mas você nem contar sabe?
- tem uma estrutura…

E por aí adiante. Um autêntico martírio. Até doía a barriga de tanto riso. Quem ganhava com isto tudo era o sacana do Cão que à conta das massas do Mancas lá ia papando uns almoços no Safari à conta de múltiplas explicações ao burro do animal. Julgo que lá para o final do ano, o Cão até lhe conseguiu ensinar que o “Elle” era “Ela” e que o Santo Exupério não se traduzia.

Hoje em dia, o rapaz brilha nas lides politicas locais, bota a mão em muito daquilo em que aqui se ganha dinheiro e não há jornal ou socilaite onde não apareça aprumado e engravatado a condizer. Este rapaz ainda vai a Ministro! Mas pode ter a certeza o Mancas, que quando aparecer na TV de fatito e gravata, com aquela imagem de prestígio e voz tonitruante, o grito do pessoal será único: Maaanca-Muuuulas! E não, não dizemos quem é. É a nossa private joke. Os Mancas a quem os conhece e os trabalha.

25/07/05

"Got Milk ?", Uma Campanha Genial, por VacaDeFundo

Por vezes há campanhas publicitárias surpreendentes. E muitas delas partem de ideias de uma simplicidade extrema. Autênticos ovos de Colombo. A campanha do “Got Milk?” é uma dessas. Genial. Eficiente. Magnífica. E o leite passou a vender como nunca.

É pena que a coisa não tenha passado neste rectângulo esquecido, mas nos EUA e na Inglaterra a campanha foi de um impacto fortíssimo. A publicidade assentava e assenta – que a coisa ainda corre – em dois factores bem pensados e melhor conjugados. Em cada foto ou anúncio surge a pergunta “Got Milk?”, a que se segue a visão do lábio superior manchado de leite por parte da personagem questionada. A expressão “Got Milk?” rapidamente entrou na linguagem comum, passando a fazer parte do vernáculo e do rol de piadas de qualquer humorista daquelas bandas que se preze.

A promoção da campanha partiu do Lobby americano do leite, o segundo mais poderoso dos EUA depois da NRA (das malditas armas e do esclerótico do Charlton Heston, que bem se podia ter estampado nas quadrigas do Ben-Hur), lobby esse que se via confrontado dia a dia com uma queda vertiginosa do consumo de leite, ultrapassado em grande pela parafernália açucarada dos refrigerantes. O conceito foi criado pela firma “Goodby Silverstein & Partners” e começou na Califórnia em 1993, passando a nacional em 1995.

O Lobby do Leite fez um apelo às figuras públicas para aderirem à campanha, a bem do leite e da saúde. E foi o que se viu. Da Whoopi Goldberg, ao Bill Clinton, da Angelina Jolie à Naomi Campbell, tudo aderiu graciosamente à campanha. Estrelas, políticos e desportista, tudo foi apanhado em tv ou foto de revista com o lábio superior manchado de branco. “Got Milk?, Yes, I do!”

Depois de algum tempo de campanha e em face do gigantesco impacto da mesma, esta ganhou pernas por si própria e dispensava até as estrelas. A mancha de leite passou para os lábios do Yoda (ver foto) do Super-Homem, do Hitler, etc, etc. No humor americano e inglês, o impacto do “Got Milk?” caiu que nem ginjas e ficaram famosas as foto-montagens da Mónika Lewinsky e de várias estrelas Porno com a manchita branca por cima do lábio. É meter o “Got Milk” no Google Imagens e vem lá tudo. Shows de TV como o Jay Leno, Cosby, Frasier e outros usaram e espojaram-se sobre o “Got Milk?”

A campanha gigantesca infiltrou-se em espiral e tornou-se um ícon americano. O Got Milk foi transformado em milhões de mensagens aproveitadoras ou gozonas desde o “Got Beer?”, “Got Sex?” até ao “Got Jesus?” Os publicitários e a campanha limparam todos os prémios que havia para ganhar e puseram a América a beber leite como bebida cool.

Mais do que Ícon Pop Americano, o “Got Milk?” rende já milhões de dóllars ao Lobby do Leite americano, que registou a marca e licencia mais de 100 produtos diferentes de merchandising que vende como papos-secos. E por falar em papo-seco, Got Milk?

23/07/05

Deixa arder!, por Cicuta

A primeira vez que reparei neste gajo foi numa fotografia do Expresso, num sábado a seguir a uma sexta de incêndio de Verão. Tinha ardido um dos muitos matagais deste país e, ainda as cinzas estavam quentes, já o Expresso publicava uma foto do ministro do ambiente da altura, um tal José Sócrates, em mangas de camisa e ar decidido a reconhecer o terreno. Pensei logo que aquele gajo era perigoso, não foi inteiramente racional, foi mais uma intuição. Pareceu-me que um ministro que se deixa fotografar daquela maneira, no «terreno», imediatamente a seguir ao fogo, parecia mesmo que tinha andado com os bombeiros a combater o fogo, devia ser um tipo ambicioso como poucos. Aquela fotografia não era uma fotografia sobre um incêndio mas um texto laudatório sobre um homem que estava ali a trabalhar para sua promoção pessoal.

Fazia-o, porém, de uma forma demasiado directa, básica até, de um modo tão primário que eu julgava incapaz de resistir a uma análise um pouco mais cuidada. A mensagem daquela foto era demasiado óbvia. Dizia: «Eis-me aqui, o homem de acção (as mangas de camisa, a gravata solta), o homem que não se deixa ficar no gabinete (a obsessão do «terreno»), o sheriff de olhar puro, meio desesperado, meio revoltado, o defensor das frágeis árvores queimadas. Eis-me aqui, Wyatt Earp de mangas arregaçadas, que chega à cidade e vai pôr os bandidos na linha».

Aquilo parecia-me, de facto, demasiado construído para ser genuíno. Como uma peça de pechisbeque. Desconfiei logo daquele ministro do ambiente e as minhas dúvidas avolumaram-se quando, muitos fogos depois, continuei a ver a mesma fotografia mais uma, duas, muitas vezes publicada nos jornais – quer dizer, não era a mesma, mas era a mesma sintaxe e a mesma semântica que se repetiam em todas as fotos daquele indivíduo. Até parecia que os incendiários, ou alguém por eles, avisava os fotógrafos que «sua excelência, o ministro do ambiente, ia estar no local do fogo que ainda não ocorrera no dia seguinte, logo pela manhã (um homem de acção levanta-se cedo)»! A construção da imagem daquele ministro parecia-me um exemplo de mau marketing, porque demasiado evidente, pouco subtil, primário até. Infelizmente estamos em Portugal e a coisa pegou…

Depois disto fui levando muitas mais vezes com aquela «máscara sem conteúdo». Inesquecível o seu golpe de oportunismo quando se acusava o governo de Guterres de ser excessivamente tolerante, demasiado dialogante. Era então óbvio que quem quer que lhe quisesse sobreviver politicamente, tinha de descolar daquela imagem de laxismo e de brandura (não foi por acaso que o slogan do sucessor de guterres, ferro rodrigues, foi um sintomático «vota num governo com a mão de ferro»…).

Sócrates chegou-se logo à frente, aproveitando a polémica da co-incineração para compor, mais uma vez, a imagem do justiceiro que decide, que age, que não recua perante os lobbies poderosos. Mas quais lobbies, perguntei-me – a população de Coimbra, os «índios» de Souselas e os Quercus de Setúbal? Pelo contrário, a co-incineração interessava e interessa aos verdadeiros lobbies, esses sim realmente poderosos, da indústria e dos resíduos. Além disso, tal causa, fazia e faz um vistão junto da maioria da população do país que quer ver o problema resolvido…desde que não seja no seu quintal. A coisa rende votos!

O comportamento de Sócrates já aqui estava padronizado – o ministro de mangas de camisa aperfeiçoava a sua imagem, afirmava-se como um homem de acção, de pulso firme, que não cede perante os poderosos. Na realidade era e é exactamente o contrário: Sócrates é reverente com os poderosos e tirânico com os mais desprotegidos. Quem quiser analisar as suas várias intervenções públicas, facilmente detecta um aturado trabalho de imagem, embora de composição imediata, uma construção de cabeça de engenheiro (dos maus), com mensagens muito simples e directas. Por detrás disto, nada, zero, nem uma ideia coerente, nem um discurso de fundo, nem princípios consistentes. Apenas uma máscara vazia que rapidamente faz suas, as ideias e as causas que dão votos.

Passado uns tempos e o desastre-guterres, passado o esfaqueamento político de ferro rodrigues por um sinuoso presidente da república, eu comecei a espantar-me com as sondagens que davam Sócrates como o futuro líder do PS. Na realidade o meu espanto era naïf – neste país, estas coisas pegam, como é que eu ainda não tinha percebido isso.

Hoje o tal ministro das mangas arregaçadas é o primeiro-ministro de Portugal! Mais uma vez com a colaboração de um presidente da república que a história há-de julgar e com a ajuda involuntária de um boémio político sem credibilidade, santana, de seu nome. Às vezes, ainda me admiro como é que o gajo das mangas arregaçadas é o actual primeiro ministro, mas logo a seguir penso que temos o que merecemos, um engenheiro inculto e mal preparado que é um sucesso num país analfabeto.

Sócrates continua rigorosamente o mesmo: governa para se auto-promover. Continua a compor a imagem do justiceiro imaculado, duro e autoritário. Não tem ideias nem estratégia para o país, governa de uma forma conjuntural, em flagrante contradição com o que defendia há uns meses atrás. Fizesse santana metade destes disparates, e o que não se diria e faria... O justiceiro aumenta os impostos, contra o que tinha prometido na altura da campanha, ataca violentamente a classe média, declara os profs – mais uma vez com a ajuda do escorregadio presidente – como os grandes culpados da crise (e o país aplaude, a estratégia já é conhecida, cascar nos fracos e fazer vénias aos poderosos), exige listas detalhadas de grevistas, toma medidas populistas nos tribunais e na justiça, e simultaneamente declara a intenção de realizar obras faraónicas (a OTA e os TGV, os números são impressionantes, mas este é o mesmo indivíduo que já estivera à frente da organização do supérfluo euro e dos seus utilíssimos dez estádios novos) e continua a fechar os olhos à fuga ao fisco, às escandalosas Scuts e a marimbar-se para o estado social. Entretanto continua o regabofe dos políticos e das suas mordomias – é o auto-constâncio que gasta 1 milhão de euros num ano em automóveis de luxo (vide O Independente), é a nomeação de exilados políticos como Fernando Gomes para a galp a 5 mil contos mês, são as reformas da malta do parlamento, ora bolas...

Às vezes este país dá-me vontade de emigrar. Quando olho para trás, para os últimos governos de Portugal, só vejo um, um único, que foi competente e andou com isto para a frente: o primeiro de Cavaco. Esclareça-se que nem sequer votei nele. Falo retrospectivamente, o personagem nem me era simpático, mas é inevitável reconhecer a sua competência. Depois dele, eu pensei que o seguinte era o pior desde o 25 de Abril. Mas o que se seguiu foi ainda pior. E o outro pior ainda. Os políticos portugueses são teimosos e, cada governo que se seguiu, conseguiu ser ainda pior que o seu antecedente. Com Santana eu pensei que não era possível bater mais fundo. Enganei-me mais uma vez: este, de sócrates, consegue ser pior. Agora resta-nos deixar que os fogos deste verão acabem com o que resta deste triste país. Quando não houver mais nada a que chamemos Portugal, também nenhum Sócrates de serviço lhe poderá fazer pior.

Personagens de Liceu – Parte 1: O Alce, por ArmáriosImensos

Image hosted by Photobucket.com
O baptismo às mãos do Cão deu-se na primeira aula e logo que a professora chamou o novo artista pelo nome: Alcibíades! Acto contínuo, o cruel do Cão largou um sonoro: Aaaalce! E Alce ficou até ao fim do Liceu.

O Alce até não desgostava da alcunha – e se desgostasse tanto pior, que a piedade era coisa desconhecida do pessoal – e sorria complacente a cada Alce que recebia. Julgo que ele se imaginava com a imagem de animal possante e poderoso e esquecia por completo a parte da larga e farta cornadura.

E o Alce de facto, era um animal possante, um autêntico touro de força e investida. E não havia desporto em que o Alce não fizesse questão de saltar mais alto, chutar mais forte e correr mais além. Em qualquer desporto o poço de força lá estava a rivalizar com a tropa ligeira. A corrida então, era uma perdição para o Alce.

Na altura, o Liceu organizava anualmente uma corrida de corta-mato intra-muros e à volta dos seus edifícios e jardins. Naquele ano havia uma especial rivalidade entre as turmas e os próprios professores de ginástica, que conseguiram transmitir a sanha da competição ao pessoal. Na nossa turma, os dois voadores de serviço era o Alce e o Vice.

O Vice valia pela agilidade e constância de rendimento. Ao Alce, o que faltava em ligeireza, acrescia em raiva e sanha corredora. Nos treinos a coisa era quase ela por ela, com alguma vantagem ligeira do Vice. O resto do pessoal – que queria era descanso – acirrava o Alce e picava-o até ao osso. O Alce mordia os dentes de raiva e corria até avermelhar e azular, mas só rebentava depois da meta. Antes morrer que perder. Com a prova final a aproximar-se e o picanço do pessoal e do prof ao rubro, o Alce e a sua rusticidade parecia que ia levar a melhor. Afinal, a capacidade de sacrifício nunca foi o forte do Vice, e a Glória para ele passava mais pela mesa do que pelas medalhas.

Mas o Alce teve azar. Na aula de ginástica e treino anterior à grande corrida, o prof afinou os motores do pessoal e explicou-nos os alimentos que são mais energéticos e que por isso devem ser ingeridos antes da corrida. E realçou o leite, como alimento fundamental para qualquer atleta que se preze. O pessoal registou e aprendeu. O Alce também, mas perdeu-se no senso comum, que era coisa que no Alce não era tão comum como isso.

No grande dia e ao disparo da pistola o pessoal lá correu pelos jardins de bucho afora. O Alce arrancou em grande velocidade como se a coisa fosse uma corrida de 100 metros e não uma prova de fundo. À segunda volta do grosso do pessoal, já o Alce levava uma volta de avanço. Era a Glória do Alce e a malta aplaudia, alguns até sentados, como era do caso do Cão que aproveitava os sítios esconsos do jardim e da corrida para mais um cigarrinho.

De repente deixou-se de ver o Alce, que desapareceu do mapa por completo. Desaparecido o Alce, limpou o Vice a corrida. Ao pobre do Alce fomos encontrá-lo depois, num canto das veredas de bucho, junto ao campo de basqueteball e a vomitar as tripas por inteiro. No chão um mar de leite escorria por todo o lado. O Alce levou a lição do prof sobre alimentos energéticos à letra e meia hora antes da corrida emborcou mais de uma litrada de leite. Que estava ali no chão vomitada. Foi-se Leite, a energia e a Glória. Naquele dia o Alce não ganhou a corrida mas ganhou uma segunda alcunha: Porca Leitosa.

Porcas Profecias: "Panic", The Smiths (1986)

Panic on the streets of London
Panic on the streets of Birmingham
I wonder to myself
Could life ever be sane again ?

21/07/05

A Melhor Perseguição de Carros da História do Cinema, por Mangas

«Eu acredito no espírito e na substância. (...) A primeira revolução americana foi suportada por uma convicção inabalável: a tributação sem representação é tirania.»

É desta forma desconcertante que começa To Live and Die in L.A.: a voz de fundo de Ronald Reagan num discurso sobre os impostos, no auge do comeback americano dos anos oitenta. Ironicamente, ou talvez não, segue-se-lhe um atentado mal sucedido levado a cabo por um suicida que se faz explodir a meio da queda do arranha-céus no centro de Los Angeles, onde discursava o presidente. Antes do salto para a morte, fica-nos gravado o seu grito de raiva: «Morte a Israel e a todos os americanos! E a todos os inimigos do Islão! Eu sou um mártir!».

Ainda que esta sequência de abertura do filme de William Friedken (O Exorcista, Os Incorruptíveis Contra a Droga, Jade, Compromisso de Honra), tenha algo de profético com duas décadas de antecipação, não é do inimigo sem rosto, ou do terrorismo político que trata a história.

To Live and Die in L.A., é um filme de perseguições. Um polícia, Richard Chance, (William Petersen) é perseguido pela insanidade da vingança e pela obsessão da sua própria morte; o seu companheiro, John Vukovich, (John Pankow) é perseguido pelo dever e pela lealdade que o dilacera interiormente; um criminoso, Rick Masters (William Dafoe), uma espécie de príncipe-negro-psicopata, é perseguido por ambos e por um talento natural em afastar obstáculos. É também um filme de máscaras. Masters para além de falsário, é um artista dotado, um ilusionista que fabrica obras-primas em notas de 100 dólares, a xerox e pincéis, com a destreza de um Caravaggio. Por outro lado, a herança do trono vislumbrada no final do filme pela sucessão de Vukovich a Chance, implica uma metamorfose exterior do primeiro que passa a usar o mesmo tipo de óculos que o companheiro usou, tem os mesmos trejeitos de cowboy temperamental, anda e fala da mesma maneira, impõe a sua protecção à informadora-amante do ex-companheiro quebrando a fronteira do não envolvimento e negando-lhe a liberdade. Para o inferno interior que esta transformação lhe irá acarretar, está-se a marimbar, porque lhe é território familiar e dele nunca conseguirá fugir.

O ritmo vertiginoso da acção, do primeiro ao último take, é potenciado pela banda sonora de Wang Chung, numa sucessão de percussões marteladas e sintetizadores frenéticos que marcaram canções como "Dance Hall Days", tema mítico das pistas de dança que a geração dos oitenta consumiu ao sabor daquele pop dançável.

À falta de outras referências, nunca será exagero afirmar que Viver e Morrer em Los Angeles tem a mais memorável e espectacular perseguição de carros de toda a história do cinema. Nunca ninguém, antes ou depois, filmou uma sequência de dez minutos com tamanho realismo ao volante de três Chevys. Nada de estradas amplas sem outros carros a circular, por conveniência, como se vê nos filmes de hoje. Tangas! Friedkin filmou manobras reais, no limite, tangentes milimétricas, derrapagens e altas cilindradas enfiadas no buraco da agulha. O clímax desta arrepiante cavalgada acontece quando Chance inverte a direcção, salta para o sentido contrário de uma auto-estrada de três faixas, e os obstáculos periféricos se transformam em alvos móveis de colisão frontal. Alucinante!

O que mais me agrada em Viver e Morrer em Los Angeles é a percepção do abismo que gradualmente vai tornando mais e mais ténue a linha que separa o bem do mal. E a impotência em voltar atrás que lhe sucede. A história é crua e dura, um jogo de traições e duplas faces. Não há ali lugares para finais felizes, morrem os bons e os maus mercê da mesma vulnerabilidade à queima-roupa. Na realidade, não há bons nem maus, apenas homens-polícias, homens-criminosos, bufos que tentam manter a cabeça à tona da água e advogados-corruptos, todos perseguidos pelos fantasmas de um destino apanhado na contramão da sobrevivência. É a cronologia de uma caçada. A crónica do quotidiano quando desce aos infernos. Começa às 14.10h do dia 20 de Dezembro sem ano, e acaba um mês depois. Pelo meio, todas as regras foram pulverizadas.

Estranhamente, Viver e Morrer em Los Angeles, é um filme mal amado, quase um subproduto de aluguer esquecido nas prateleiras empoeiradas dos clubes de vídeo que nunca conheceu estreia em cinemas. Porém, é uma referência absoluta do que de melhor se fez naquela década, um exemplar notável do género policial, cujo grande mérito é talvez a universalidade do tema - foi em Los Angeles, podia ter sido em Lisboa, Madrid ou Amesterdão, porque a fábula do undercover-cop tem a mesma alienação desesperada e o mesmo glamour trágico em qualquer grande cidade.

20/07/05

Nunca jamais, de W. Saavedra, adaptado por Pelé Macho

Traduzido e livremente adaptado, aqui se deixa o seguinte poema, coma devida vénia ao seu autor, Walter Saavedra. Dedicado a todas as mulheres que teimam em não compreender o espectáculo mais belo do mundo. Ou, como dizia um grande técnico britânico, penso que o Imenso Brian Clough, «o futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais que isso».







Nunca jamais

Como podes saber o que é a dor se jamais um Guarda-redes te partiu a tíbia e o perónio.

Como podes saber o que é o prazer se nunca ganhaste um derbi

Como podes saber o que é chorar se jamais perdeste um derbi sobre a hora e com um penalti duvidoso

Como podes saber o que é o carinho se nunca acariciaste a redonda de “chanfle” tocando-a com o calcanhar para a deixar arfando debaixo da rede.

Como podes saber o que é a solidariedade se jamais saíste para defender um companheiro que foi pontapeado sem fé por trás.

Como podes saber o que é a poesia se nunca tiraste una “Gambeta”.

Como podes saber o que é humilhação se jamais te fizeram um túnel.

Como podes saber o que é amizade se nunca devolveste uma tabelinha.

Como podes saber o que é um orgasmo se jamais deste uma volta olímpica de visitante.

Como podes saber o que é o pânico se nunca te surpreenderam mal colocado num contra-ataque.

Como podes saber como é que é morrer um pouco se jamais foste buscar a bola dentro da baliza.

Como podes saber o que é a xenofobia se em nenhum estádio te gritaram “ negro de merda”

Como vais saber o que é a solidão se jamais te colocaste entre os dois postes a doze passos de um fuzileiro disposto a acabar com as tuas esperanças.

Como podes saber o que é a trave se nunca tiraste os pés de nada para mandar a bola pela lateral.

Como podes saber o que é o egoísmo se nunca fizeste uma a mais quando devias dá-la ao nove que estava melhor colocado.

Como podes saber o que é arte se nunca inventaste uma “rabia”.

(…) Como podes saber o que é a clandestinidade se nunca te passaram uma bola para que te aguentasses sozinho contra toda a defesa rival.

Como podes saber o que é a injustiça se nunca levaste um cartão vermelho de um árbitro caseiro.

Como podes saber o que é insónia se jamais desceste de divisão.

Como podes saber o que é o ódio se nunca fizeste um golo na própria baliza.

Como podes saber o que é a vida, mulher…! se nunca, jamais, VIVISTE EL FUTBOL.


A Primavera, os paçarinhos e o meu Abô, por Cão

Eu estou a fazer uma redassão que vai ser demais é sobre a Primavera e os paçarinhos e o meu Abo, eu gosto muito da Primavera e o meu Abô tambae gosta muito de paçarinhos fritos e de portuges suabe sem filtro de pois dos paçarinhos e arrota e tudo.
A minha Abó ralha coele mas não é por causa da Primabera ela tambai gosta munto da Primabera como eu mas não como os paçarinhos proque tanho pena deles não é do meu Abô e da minha Abó que tenho pena é çó dos paçarinhos e do meu Abô que fuma demais. Upe-se, é de mais que se debedescreber disse o meu profeçor que é um cão.
Pró ano há mais primabera e paçarinhos, mas o meu abô não sei se vai haber ele anda Cuma toce esquezita por causa da minha abó ralhar coele por causa do protuguês suave é demais.

19/07/05

O caso da moral da porca, porcão

O meu vizinho tem uma porca que escapou à morte por causa do cio. Foi ele, não ela, quem mo disse. E eu acreditei e acredito. Acredito mas penso. Várias coisas.
Penso que, afinal, o sexo não é a porcaria que dizem. Pelo menos a partir de sábado passado, dia de matança que não foi de matança.
Reparei há muito no facto português de as quatro letras da palavra “amor” serem as quatro primeiras, também, de “a morte”. Mas isso é ortografia nacional. Este caso da porca ciosa (que se chama Ruça mas é branca e rósea como uma solteirona involuntária) levou-me para outros aléns pensativos. Mesmo. Muito.
Perguntei ao meu vizinho como é que ele sabia. Que ela, enfim, estava “saída”. Ele respondeu: “Anda distraída. E despreza o comer.” Fiquei maravilhado. O povo é deveras o maior sábio. Porque eu quis ver a Ruça. E vi: estava distraída. No olhar, aquela ausência mística de actriz de telenovela. No grunhir, aquela surdina que nasce das trompas do sul do corpo. No mexer, aquela preguiça enérgica de quem iria mas não vai porque só ia se fosse. Na hora, aquele instante de quem, estando ali, estava acolá, perfumando de alma uma essência de corpo, tendo “corpo”, por outra ordem, as mesmas letras de “porco”.
A Ruça não foi abatida no sábado passado. E não o será enquanto estiver como está. O que é bom para os porcos, penso ainda, também há-de ser bom para as pessoas. Sobretudo a moral. Que é esta: se sentirmos a morte por perto, o melhor é comer pouco. Comer pouco e distrairmo-nos muito. O mais possível.

18/07/05

Papel, por KãoDanado

Image hosted by Photobucket.com

Uma destas madrugadas, visitei um estabelecimento de diversão nocturna da região.
A diversão era tão nocturna como as pessoas presentes.
As pessoas eram homens que vinham e mulheres que estavam.
A troco de uma bebida paga a uma senhora (especial no preço e manhosa na mistura), um homem só passava a acompanhado.
Às três da manhã, havia strip tease, que é quando uma bailarina fica com calor de mais para continuar vestida.
Eu tinha entrado só.
Uma nota de vinte euros e outra de cinco compraram-me companhia.
Chamava-se Kristy, mas suponho que era nome artístico, por assim dizer.
Nome artístico é o que todos arranjamos quando a verdadeira identidade se nos torna insuportável.
Ela perguntava tudo o que podia, respondendo só ao que desejava.
Fiquei a saber tão pouco dela como ela nada de mim.
É claro que nos mentimos com toda a franqueza.
Assumi o papel de vendedor de automóveis de uma marca conceituada.
Foi um risco, já que percebo tanto de automóveis como um porco percebe de sapatilhas.
Às quatro da manhã, ela fingia não estar aborrecida e eu aborrecia-me de estar a fingir.
A vida custava a passar.
Às cinco e tal, paguei a despesa, despedi-me ao som da canção do Titanic e vi-me devolvido sem remédio ao fragor surdo da aurora, que reescrevia de luz o papel da sombra.
O meu papel, por assim dizer.

15/07/05

Resultados do Conccurso da Faculdade da Irrelevância Comparada, por Pelágio

Image hosted by Photobucket.com

Conforme prometido, no post A Faculdade da Irrelevância Comparada, e depois de pedidos insistentes de várias famílias, o Porco publica agora os resultados do Primeiro Concurso de Erudição em Irrelevâncias da blogosfera. Temos, então, a seguinte classificação final:

Classificação Final:
1º - Cochabamba com 6 PONTOS.

2ºs - Zed e Zenão– com 5 PONTOS.

4º Viúva Negra - 2 PONTOS.

5ºs - Minotauro e Poeta Apaixonado - 1 ponto.

Seguem-se as interessantes explicações destes eruditos que, como se sabe,obedeceram a um aturado e esforçado trabalho de pesquisa bibliográfica. Comecemos pelas mais fáceis, acessíveis a um gajo de cultura mediana e a eruditos magricelas:

Fonética do Filme Mudo
É óbvia: tratandoa fonética do tema dos sons, não se percebe como é que se pode constituir uma disciplina dedicada a filmes que ignoram o som. Uma dúvida subsiste, porém: não deveria esta disciplina fazer parte da Oximórica e não da Impossibilia, ao contrário do que defende Eco? Eu acho que a Fonética do Filme Mudo é mais uma contradição nos termos que uma impossibilidade empírica.
Poeta Apaixonado

Agricultura na Antártida
É completamente Nonsense ?!?! onde se plantariam as couves , por cima do gelo heheheheeh

O Urbanismo Cigano
Completamente impossivel , não só os ciganos não cumprem comas regras minimas , como não existe nenhum urbanista que lá queira meter o nariz ...

Impossibilidade essa que resulta do facto de qualquer urbanismo pressupor o sedentarismo das gentes que acolhe e os ciganóis serem Nómadas por natureza, salvo seja a redundância de dizer ciganos nómadas que é quase pior que dizer Pastores Nómadas, uma vez que Nómadas vem do grego Nomos que quer dizer pastagens, logo Nómadas são os que andam de pastagem em Pastagem.
Cochabamba

Instituições da Revolução
As revoluções por si representam a rotura com o sistema e com as instituições vigentes, logo é contraditório. Zed
O Zenão acrecentou: Instituição da Revolução é uma contradição nos termos. Por definição, a revolução não tem instituições. Pelo contrário, visa destruir as instituições vigentes

Gramática do Desvio
Não existe. É uma impossibilidade. A Gramática pressupõe a existência de regras fixas de construção da língua. Os desvios pressupõem a abolição da regra ou pelo menos a sua ultrapassagem pela esquerda perigosa. Uma gramática do desvio é fixar regras para o Caos.

"Tecnologia da Roda nos Impérios Pré-Colombianos"
Referindo-se o "Colombianos" a Colombo e sendo que os Impérios a ele referentes deverão ser os Incas e os Aztecas e com mais distância (já não levaram no toutiço dos nuestros hermanos) os Maias, e ainda outros menores como os Toltecas e outros ecas que agora não recordo, que desconheciam e não usavam de todo a roda, sendo que as comunicações dos Íncas num Império que se estendia em distância similar de Lisboa a Moscovo eram todas feitas à pata ligeira.
Cochabamba

Hipismo Asteca.
É sabido que quando os espanhóis chegaram às paragens astecas montados nos seus cavalos, os nativos chegaram a pensar que eram seres híbridos com corpo de besta e cabeça de homem. É que os astecas não conheciam cavalos. O Hipismo asteca é pois uma impossibilidade.
Minotauro

Vêm depois algumas contradições que já não são para todos, já supõem mesmo uns quilinhos a mais de gordura intelectual:

Quanto à Estática Heraclitiana.
Vejamos,a Estática representa o imobilismo. Se nos referimos à Estática Heraclitiana estamo-nos a referir à filosofia que considera como prevalecente a mobilidade das coisas que é estática!!!

Dinâmica Parmenidiana.
É coisa que daria um ataque cardiaco ao próprio Parménides, que defendia que a mudança e o movimento são ilusões, ao contrário do que pensava o Heraclito, que não parava de repetir que estava sempre tudo a mudar e que por isso ia ficar também muito aborrecido com essa coisa da estática heraclitiana..

"Dialéctica Tautológica"
Outra impossibilidade gritante. A Dialéctica pressupõe uma evolução, a novidade, a diálise, a construção, a inovação e o movimento. Não há paragem ou repetição na Dialéctica.
Ao invés a tautologia pressupõe a repetição ad nauseam daquilo a que se refere, que não faz nem sai de cima limitando-se a repetir o mesmo padrão vezes sem conta.

E a dialética tautológica também é coisa de bradar aos céus, pois sabe-se perfeitamente que a tautologia consiste em repetir uma ideia com palavras diferentes, tito subir para cima, ou descer para baixo, o contrário da dialética, portantos

A "Espartânica Sibarítica".
É uma impossibilidade. Referindo-se o Espartânica aos Espartanos de Esparta da Grécia antiga, estes estafermos eram conhecidos e cultivavam a abstinência de quase todos os prazeres e uma filosofia de castigo e endurecimento do corpo, de despojamento mesmo, que supostamente não os distrairia do seu objectivo fundamental: a guerra e dar cabo do toutiço aos atenienses. Ao invés um Sibarita é um gajo que vive para o prazer, que os cultiva mesmo, e os saboreia com calma e sabedoria, sejam eles da mesa, ou do mais que for e vier. Um Sibarita vive para isso. Um Espartano vive contra isso.

Erística Booliana (ou Booleana)
Se a erística é a arte da subtileza, logo a (lógica) Booleana não tem nada de subtileza é muito concreta e racional.

Docimologia Montessoriana.
É uma coisa parva. A docimologia regula a elaboração de exames de avaliação de conhecimento, através de critérios objectivos, em tudo contrário, portanto, ao método Montessori, criado pelo gajo com o mesmo nome, e que defende uma educação livre baseada na individualidade e personalidade da criança.

O espelho é um pormenor de um quadro famoso do Van Eick Os Esponsais Arnolfini ou O Casamento dos Arnolfini. O espelho está na parede atrás e reflecte a cena. Um bocado à maneira das Meninas de Vélasquez.

Cochabamba está certa sobre a figura: o quadro é de Jan Van Eyke, 1434

Merecem ainda Menções Honrosas, o Goldmundo e o Cochabamba (um mister, mais uma vez!) por algumas sugestões excelentes de novas disciplinas para a Faculdade da Irrelevância Comparada. Foram os casos de Lógica Busheana (Goldmundo), da Escalada nas Maldivas, da Esquadra Naval de Gengis Cão e, sobretudo, da fantástica e brilhante A Modéstia dos Prognatas, estes últimos saídos do cérebro sinuoso do Cocha.

O Cochabamba foi, pois, o vencedor indiscutível deste modesto concurso. Havia um prémio que o mentor do concurso, eu próprio, incumbi desde logo,o Grão Mestre do Tapor de arranjar: uma «eventual» garrafita de wisky. No entanto, como suspeito que o Cochabamba que ganhou o prémio não é mais que um pseudónimo do nosso Grão Mestre não ganha nada a não ser que se ofereça a si próprio o «eventual wisky». E já estamos de novo na matéria da Oximórica...

اعتقال مصري يشتبه في علاقته بتفجيرات لند, por Mustapha

عتقلت السلطات المصرية اليوم مواطنا مصريا يشتبه في ان له علاقة بتفجيرات لندن التي جر الأسبوع الماضي.ت


والمشتبه به الذي يدعى مجدي النشار درس الكيمياء وكان اسمه ضمن اوراق عثر عليها في احد المنازل التي تمت مداهمتها في لندن في اعقاب التفجيرات.

وتفيد أنباء بانه ربما كانت له صلة بإعداد القنابل التي استخدمت في التفجيرات.

وتواصل الشرطة البريطانية حاليا تعقب الاشخاص الضالعين في تفجيرات لندن التي وقعت الاسبوع الماضي وكانت قد اعلنت أنها تسعى لاعتقال طالب مصري يدرس الكيمياء اختفى من منزله في ليدز.

كما اعلنت انها تتعقب رجلا خامسا تعتقد أنه العقل المدبر للهجمات، ويعتقد أنه غادر بريطانيا قبل التفجيرات مباشرة.

وقد اعلن اليوم أن المتفجرات التي عثر عليها في منطقة ليدز مشابهة لتلك التي استعملت في هجمات أخرى لتنظيم القاعدة ويعتقد انها مكوناتها المضبوطة متوفرة لدى الصيدليات وأنها يمكن تصنيعها منزليا.

وفي الوقت ذاته قال مسؤولان كبيران في المخابرات الباكستانية ان السلطات في اسلام اباد تبحث في وجود رابط بين احد منفذي الهجمات بلندن وجماعتين مسلحتين تابعتين لتنظيم القاعدة تعملان من داخل الاراضي الباكستانية.
تحقيقات بباكستان
باكستان قالت إن من الصعب السيطرة على المدارس غير المسجلة

ونقلت وكالة اسوشيتيد برس الامريكية للانباء عن المسؤولين ان التحقيقات تركز حول علاقة شهزاد تنوير المتهم بالضلوع في التفجيرات والذي كان قد تلقى تعليما بمدرسة اسلامية بباكستان بهاتين الجماعتين خاصة وانه قام بزيارة سريعة الى هناك خلال العام الماضي.

وقد تعهد الرئيس الباكستاني برفيز مشرف بتقديم "دعم ومساعدة كاملين" للتحقيقات التي تجريها بريطانيا للكشف عن ملابسات انفجارات لندن.

وقالت وكالة الانباء الباكستانية الرسمية ان مشرف قدم تعهده هذا خلال حديث هاتفي مع رئيس الوزراء البريطاني توني بلير مساء الخميس.

وقال وزير التعليم الباكستاني جاويد اشرف في حديث للبي بي سي ان المدارس الاسلامية في باكستان تخضع للرقابة من قبل الحكومة إلا انه في الوقت ذاته أكد ان المدارس الموجودة على الحدود مع دول اخرى او في المناطق الجبلية لا تعلم عنها الحكومة شيئا حيث انها ليست مسجلة ضمن المدارس الحكومية.
متفجرات محلية

وقال مراسل بي بي سي مارك اربان "لقد أخبرني أشخاص قريبون من التحقيق أن هذه الكمية من المتفجرات التي عثر عليها في منزل في ليدز هي في الحقيقة مادة الاسيتون بيروكسايد".

وأضاف أن هذا الكشف يمثل تطورا كبيرا من جهة أنه قد يثبت خطأ الافكار السابقة بأن المواد المستخدمة في تصنيع المتفجرات معقدة أو من النوع العسكري.
اقبال ساكاراني
اقبال ساكاراني يشارك في الوفد الذي توجه لمسقط رأس المهاجمين

وقال المراسل إن الطبيعة "غير المستقرة" بالمرة للمتفجرات اضطرت الشرطة إلى توسيع المنطقة التي عزلتها وسط المنازل وفرض حظر للطيران فوقها.

وأوضح اربان أن تلك المتفجرات "من نفس طبيعة المتفجرات التي كان يضعها ريتشارد ريد في حذائه عندما حاول تفجير إحدى الطائرات عام 2001".

لكن المتفجرات في حذاء ريد كان مضافا عليها مركبا آخر ليجعلها أكثر استقرارا.
زعماء مسلمين إلى ليدز

ويزور ممثلون بارزون من الجالية المسلمة في بريطانيا يوم الجمعة وست يوركشر التي كان يعيش بها ثلاثة من المفجرين الاربعة المشتبه فيهم.

ويلتقي الوفد برئاسة إقبال ساكراني، رئيس مجلس مسلمي بريطانيا، ببعض السكان ومسؤولي الشرطة وقادة الجالية.

وقال السير إقبال إنه يريد التحدث والاستماع، وإنه من واجب مسملو بريطانيا البحث عن من سماهم عناصر شائنة داخل الجالية من أجل اقتلاعها.

وتأتي تلك الزيارة بعد يوم واحد فقط من دعوة ولي عهد بريطانيا الامير تشارلز من اسماهم "المسلمون الحقيقيون" باقتلاع جذور الائمة المتطرفين.
صور حسين

وكانت الشرطة قد نشرت صور فيديو لدائرة تلفزيونية مغلقة وصورة فوتوغرافية للرجل الذي تقول إنه نفذ تفجير الحافلة رقم 30 في لندن الأسبوع الماضي والذي أسفر عن مقتل 14 شخصا.

كاميرات الأمن التقطت صورا لحسين قبل تنفيذه التفجير

وحث فرع مكافحة الإرهاب في شرطة لندن كل من رأى حسيب حسين، 18 عاما، الخميس الماضي أن يتصل هاتفيا بأحد الارقام.

ووقف الملايين في بريطانيا ومدن أوروبية أخرى دقيقتي صمت حدادا على أرواح الضحايا الذين ارتفع عددهم الى 54 قتيلا بعد ان اعلن مساء امس الخميس عن وفاة احد المصابين الـ700 متأثرا بجروحه.

وقالت الشرطة إن محصلة القتلى تشمل ثلاثة من المفجرين الاربعة الذين يعتقد أنهم قتلوا في الهجمات، وإنها تفتش حاليا منازل المفجرين.

واحتشد الآلاف في ساحة ترافلجر بوسط لندن لتذكر ضحايا التفجيرات.

وقامت الشرطة بعمليات تفتيش لمنازل في ايلزبري وباكس وليدز. وقامت بتفجيرات متحكم فيها وتم إخلاء منطقة بيستون في ليدز، التي كان يعيش فيها أحد المشتبه في تنفيذهم التفجيرات، من السكان.

صور المفقودين مازالت تملأ شوارع لندن

وقال بيتر كلارك رئيس وحدة مكافحة الإرهاب: "نريد أن نتوصل لتحركات (حسين) حتى الساعة 0947 بتوقيت بريطانيا الصيفي عندما وقع الانفجار في ساحة تافيستوك."
البحث عن ادلة

"السؤال الذي أطرحه على الناس هو: هل رأيتم هذا الرجل في محطة كينجز كروس، هل كان بمفرده أم معه آخرين."

"هل تعرفون أي طريق سلكه من المحطة، هل شاهدتموه وهو يستقل الحافلة رقم 30، وإذا رأيتموه في أي وقت وأي مكان؟"

وتعتقد الشرطة أن الحافلة كان بها نحو 80 شخصا عندما وقع الانفجار، ودعا كلارك أي راكب لم يتصل بالشرطة حتى الآن أن يتصل بها.

وقال في مؤتمر صحفي للشرطة في لندن إن تحقيقات الشرطة كشفت عن "كميات هائلة من المعلومات" وعن خيوط جديدة تتكشف "كل ساعة فعليا".

وأضاف أن المحققين حصلوا على شهادة 500 شخص ويقومون بتحليل أكثر من خمسة آلاف شريط مسجل لدوائر تلفزيونية مغلقة.

وتابع قائلا: "علينا أن نتحقق من عدد من الأمور: من نفذ الأعمال بالفعل، من قدم لهم الدعم، من مولهم ومن دربهم ومن شجعهم؟"

"سيستغرق هذا العديد من الشهور من التحقيقات المكثفة والمفصلة."


ارسل هذا الموضوع لصديق نسخة سهلة الطبع


إقرأ ايضا في أخبار العال

14/07/05

Apontamentos para um Talk Show: as aventuras da Putona da Stôra, por Pelágio

Image hosted by Photobucket.com

Putona da Stôra - Andam todos a queixar-se da vida, mas nem sabem o que eu passei!
Sou professora de inglês, e como o que me pagam não dava sequer para a lingerie, lembrei-me de fazer uns biscates para ganhar mais algum.
Vai daí pus-me a dar explicações, mas aquilo dava pouquito, que além do mais os putos hoje, com o cinema e as playstation, sabem mais inglês que eu, que sou fraquita em línguas (faladas, claro...).
Vai daí, como a garagem dos papás já estava arranjada para sala de aulas, comecei a receber uns senhores, com a minha fardinha de educadora, óculos e varinha. Dou réguadas, dou o pito, dou o cú e faço mamadas que é um luxo, queridos, e agora é que a língua dá um jeitão, especialmente quando também atendo umas senhoras.
Está claro que não larguei a C+S, porque embora esteja a perder algum graveto, a verdade é que uma rapariga previdente como eu sabe que não vai ser jeitosa a vida toda e qualquer dia os senhores começam a vir menos. Tenho que pensar na reforma...
Enfim, agora não me queixo, só chateia um bocadito é estar sentada nas aulas da manhã,às vezes cheia de dores na anilha, sabem lá, um tormento, e ainda por cima a gramar as criancinhas com as merdas delas e os putos borbulhosos cheios de vontade de me verem a crica. Às vezes mostro, só para os enervar, e já houve um que começou a dizer que tinha de ir à casa de banho com urgência... Camelo, como se eu o não tivesse topado logo; ele que cresça e arranje o bago, que logo se vê.
Mas prontos, com o dinheirão que estou a ganhar quero que isso tudo se lixe e quanto a impostos o que essa gente quer é foder-me, por isso que paguem eles, não eu...
Aprendam, meninas, aprendam, que viver não custa, é preciso é saber!E só para vos mostrar como têm sido parvitas, suas fufas, já troquei o fiesta de 1997 por um SLK novinho em folha. Suas pobretanas, vão lá preparar aulas, vão, com essas unhas que parecem umas pindéricas da Buraca

A minha stôra de inglês é uma puta!
Não digo isto só por chamar-lhe nomes, ou por a gaja ser lixada, ou coisas do género, não, é puta mesmo a sério.
A gaja dava explicações numa garagem do bairro Norton da Silva e depois começou ali a aviar pessoal que é uma fartura. O irmão de um amigo meu da Alliance que é advogado já comeu a tipa toda e disse que é do baril, só que custa nota que até ferve.
A cabrona põe-me doido nas aulas, sempre a cruzar as pernas e a baixar-se para apanhar o giz e essas merdas assim, tudo truques pró pessoal lhe topar a favica, que essa mula nem cuecas usa! Depois é tudo com rebarba e uma vez nem aguentei, tive que pedir para ir à casa de banho que tava apertado!
Puta de merda topou-me logo, a gaja faz de propósito, mas o certo é que tinha de ir e tinha mesmo, a ponto de que quando lá cheguei mal deu para esgalhá-la que já me estava a vir! Foi logo outra!
Agoro tou farto de dar à mão e ando a ver se junto 500 paus para aparecer na garagem da gaja, tipo a dar-lhe a tanga que preciso de explicações (embora toda a gente saiba que a tipa não percebe puto de inglês) e na primeira oportunidade digo-lhe que quero mas é uma mamada e pôr-me nela à força toda.
Se se armar em fina ameaço-a de dizer a toda a gente, mas como em qualquer caso metade da escola já sabe isso não deve pegar.
Que sa foda, tentar não custa. O chato é que a gaja agora anda sempre atrelada ao pai do Eurico, que é chefe das finanças e um gandaldrabão, e ainda por cima com a puta da greve e o caralho se calhar já só a vejo pró ano, e é se calhar numa turma dela!
Até lá, mãozinha ou Fernão Magalhães, foda-se!

Ó Puto Borbulhento, andas cego meu, ainda tás nessa?
Cá a mim a gaja já o abocanhou e desde o ano passado que só tenho cincos a inglês, língua que nem sei ao certo em que país é que se fala.
Querias que eu te ensinasse como é, mas eu não ensino! Safa-te à mão ou vai mas é coleccionar cromos do pokémon!

Outra Putona de Stôra - apre, agora que já estou melhor da garganta vem esta pelintra da coordenadora das matemáticas e chama-me badalhoca, são umas atrás das outras, passo horrores.
Badalhoca, eu?
Olha que comigo é tudo lavadinho e não faço pretos, como umas que cá sei (cala-te boca!), e mesmo que fosse uma porca pelo menos ando cheia de bago e só calço Pablo Fuster, não é como tu que vestes na Babou e depois da prestação do T2 nem podes ter sopeira! Pobre!
Bom, agora vou deixar-me disto de blogues, que não se ganha aqui a vida, e depois de atender um senhor que é chefe das finanças e tem um bruto casão em Ponte De Lima, àla pró aeroporto. Vou para Denver e depois passo os dias de greve em Vail, com uns rapazes que ensinam ski e me divertem à brava e à séria, enquanto essa mal cheirosa das matemáticas se esfrega no piça mole, barrigudo e careca do presidente do executivo, que além de ganhar tão mal como ela ainda leva porrada da mulher, que até os putos da escola já viram.
Vá lá, meninas, abram a pestana...

- Esta tipa além de armar em boa é mentirosa! Eu já a vi com um preto que foi porteiro da "Big Balls"... Ela que vá comer os velhotes da idade dela e deixe os borbulhentos para nós. Vou denunciá-la ao Expresso!


12/07/05

Os Vinhos Puta e o Trio Sulfúrico, por Salmanazar

Image hosted by Photobucket.comComecemos por explicar o que são os Vinhos Puta.

A autoria do nome e definição deste tipo de vinhos cabe por inteiro ao simpático e eloquente velhote francês da foto ao lado, que dá pelo nome de Hubert de Montille, o qual produz com a família o vinho de terroir: Le Mitans – Volnay. Estamos portanto perante o verdadeiro Terroirist. Metam Terroirist no Google Imagens e vejam quem aparece.

No dizer do bom do Hubert, os Vinhos Puta são aqueles vinhos vistosos e espampanantes que prometem muito à vista e ao nariz e que a meio da prova de boca nos abandonam por completo, porque nada mais nos têm para dar. Deixam-nos sozinhos à espera do mais qualquer coisa que nunca vem.

Os Vinhos Puta opõem-se necessariamente aos Vinhos Sérios, aos verdadeiros vinhos. Precisando, os Vinhos Puta opõem-se aos vinhos sérios de Hubert de Montille. Dele e dos outros terroiristes. Que são os vinhos feitos num terroir, feitos com amor, feitos de tradição, de antiguidade romana, de ensinamentos que se perdem na memória dos tempos, de vinhos feitos milimétricamente destinados a velhas pipas de carvalho que os envelhecem a 10, 15 ou 20 e mais anos. Vinhos que se destinam a serem bebidos a lonjuras da data de produção e que por isso mesmo desenvolvem o refinado e raro bouquet (aromas terciários), explodindo então no palato com uma riqueza, complexidade e distinção que jamais se encontram num Vinho Puta. Vivó Hubert, abaixo os Putas.

Ora o Hubert e os outros Terroirists que com ele emparceiram no Documentário “Mondovino” do realizador Jonathan Nossiter, abominam estes Vinhos Puta e explicam quais são, a que sabem, porque surgiram e sobretudo nomeiam as bestas imundas que lhe estão por detrás.

Les Terroiristes apontam o dedo em riste ao Trio Sulfúrico que desgraçou e desgraça a vinhaça. Para eles esse Trio é constituído pela família Robert Mondavi, (a maior multinacional mundial do vinho – americana portantos), pelo crítico de vinhos Robert Parker (americano e amigo dos Mondavi et pour cause) e o enólogo francês Michel Rolland que trabalha também para os Mondavi e é amigo do Parker. Une La Palissade Du Vin. No filme do Nossiter nenhum dos três sai bem da fotografia e diga-se desde já que independentemente das cerradas culpas no cartório de cada um dos três, a máquina foi avariada de propósito para a foto sair verde-vómito. Dá vontade de os fuzilar a todos e beijar as bochechas do Hubert. Jonathan Nossiter Riefenstahl, aqui te baptizo, meu ganda bêbado.

Quando o poder económico dos Américas (leia-se testa de ponte – Mondavi) chegou ao vinho, nos anos 50 e 60, depararam-se com a muralha dos terroirs europeus, sobretudo franceses. Sem terroir, sem tradição e sem tempo para envelhecer o que quer que seja, os Mondavi à boa maneira americana trataram de alterar o nosso gosto do vinho. Se o gosto dominante no mercado não compra o nosso tipo de vinho, há que mudar o gosto e não o vinho. Até porque o vinho é este e não conseguimos fazer aquele.

O vinho América-Mondavi-Puta era e é, o vinho de cor cerrada, de perfume intenso e paladar uniformizado a baunilha, altamente madeirizado em pipas de carvalho francês novo, de gosto achocolatado, muito frutado, doce, alcoólico, aveludado e fácil de beber. Sim, já sei que vão dizer que esse é o vosso vinho ideal e isso só demonstra como o monstro vos domou.

A cabala vínica do trio sulfúrico que agiu em espiral ascendente (segundo o documentário) impôs este tipo de vinho como vinho de moda e hoje o que se bebe são na sua maioria os Putas dos gigantes multinacionais, com os sulfurosos à frente. Há claramente uma madeirização mundial dos vinhos, uma parkerização e um abastardamento abaunilhado.

A cabala do trio é gigantesca e esmiuçada no Mondovino. O Parker edita o mais influente guia mundial do vinho e nele elogia primordialmente os Putas dos Mondavi e do Michel Rolland (que faz vinhos em 12 países do mundo, incluindo Portugal nas Caves Aliança). Mondavi e Michel Rolland só fazem vinhos Parkerizados. O Rolland trabalha para os Mondavi que fazem o Opus One que merece sempre os mais rasgados elogios do Parker. Os Mondavi compram o Ornellaia italiano e logo de seguida este vinho é elogiado como o melhor do mundo. Etc. etc. Uma pescadinha de rabo na boca.

Até a nossa modesta e iconoclasta Confraria não escapa à parkerização e aos Putas, com muitos confrades a apresentarem à prova os cansativos e abaunilhados José Neiva e Casa Santos Lima, João Portugal Ramos e Esporão. Bonzitos, baratos e de fácil gosto. Mas não passam disso. Falta-lhes o qualquer coisa mais de que ficamos à espera na boca e não vem e entretanto já o vinho se foi.

Para quem como eu os guarda na memória, trago aqui à lembrança o Veja Sicília Único de 1986, o Barca Velha de 1991, o Grão-Vasco Garrafeira de 1982 e o Quinta do Côtto Grande Escolha de 1984. E com este travo de sabor e vida a bailar-me nas beiças da memória, cuspo os Putas no Vomitório e abro os braços ao velho Hubert…

11/07/05

A Faculdade da Irrelevância Comparada, por Pelágio

A meio da leitura de O Pêndulo de Foucault do genial Umberto Eco, deparo-me com a ideia de um projecto fantástico que seria muito interessante levar à prática: o da criação de uma Faculdade da Irrelevância Comparada em que se estudariam matérias inúteis ou impossíveis e que culminaria numa reforma de todo o saber.

Esta Faculdade incluiria Departamentos como, por exemplo, a Tectrapiloctomia, «a arte de cortar um pêlo em quatro». Aqui aprenderíamos técnicas absolutamente inúteis como a Avunculogratulação Mecânica que «ensina a construir máquinas para cumprimentar a tia».

Outro Departamento importante é o de Adynata ou Impossibilia. Vejo-me especialmente vocacionado para esta última, assim como para as matérias extraordinárias tratadas na Oximórica na qual interessa «a autocontraditoriedade da disciplina». Diz Eco que «Os Adynata dizem respeito a uma impossibilidade empírica e a Oximórica a uma contradição nos termos».

Assim, a título de exemplo, percebe-se que uma área como a Psicologia das Multidões no Sara, é um importante sub-departamento da Adynata porque não é impossível, de facto, que se junte uma multidão no deserto, mas a constituição de uma Psicologia de tal coisa afigura-se disparatada pela elevada improbabilidade da ocorrência empírica do fenómeno. Já uma Gramática do Desvio cabe que nem ginjas na Oximórica porque a gramática é por natureza a tentativa de padronizar e normalizar o Desvio. Uma contradição nos termos, portanto, uma impossibilidade lógica, mais que empírica.

Deixo-vos aqui as designações de algumas disciplinas da Adynata e da Oximórica que lançam alguns desafios extremamente interessantes. Há-os mais e menos complicados, mas são todos estimulantes. Eu vou nomear algumas das áreas mencionadas por Eco. Agora respondam-me:

1. Quais as razões da impossibilidade das seguintes disciplinas/ramos da Impossibilia?
Urbanística Cigana; Hipismo Asteca; História da Agricultura Antártica; Tecnologia da Roda nos Impérios Colombianos; Instituições de Docimologia Montessoriana; Fonética do Filme Mudo.

2. Porque razão são auto-contraditórios os seguintes ramos da Oximórica?
Instituições da Revolução; Dinâmica Parmenidaica; Estática Heraclitiana; Espartânica Sibarítica; Erística Boolinana; Dialéctica Tautológica; Gramática do Desvio.

Se cada um de vocês responder correctamente a estas questões, temos o enigma decifrado. Posteriormente farei novo post com as vossas soluções/respostas e será atribuído o prémio Santo Graal ao vencedor. Entretanto vou falar com o nosso Grão Mestre para que providencie um prémio em Wyskie (o gajo não gosta de wyskie e como lho oferecem muito está sempre a oferecer garrafas por tudo e por nada). O prémio poderá ser levantado em data e local a designar no futuro Post das Soluções da Faculdade de Irrelevância Comparada.

Pub

Festival de Músicas do Mundo de Tondela – Tom de Festa ACERT 05


A 15ª edição do Tom de Festa – Festival de Músicas do Mundo vai decorrer entre os dias 20 e 23 de Julho do corrente ano. Já ‘institucionalizado’ como um dos mais estimulantes certames artístico-culturais do Centro do País, o Tom de Festa repete, inovando sempre, uma organização que prima por uma programação nacional e internacional de alto(s) valor(e)s.
O objectivo é claro: atrair público de todo o País a uma região que se valoriza como sede de sucessivos grandes acontecimentos culturais, no pressuposto pacificamente aceite de que o desenvolvimento (também) passa por isto e por aqui.
Em 2005, outros grandes figuras da música nacional e internacional vêm dar fulgor a um programa aliciante que honra Tondela e o distrito de Viseu, muito contribuindo para a projecção positiva no exterior da nossa ‘geografia’ cultural.


Programa já confirmado:

Dia 20

– Abertura com “Bicicleta de Recados”, um divertimento poético multimédia produzido pelo Trigo Limpo Teatro ACERT.

CEDECE – Companhia de Dança Contemporânea

GERALDO AZEVEDO (Brasil)

Dia 21

POLVOROSA (Alemanha & Chile)

BOSS AC (Portugal)

NEW SKETCH (Portugal)

DIA 22

URBAN TRADE (Bélgica)

ANGELINA AKPOVO & YAKUWUMBU (Benin)

MOLA DUDLE (Portugal)



Dia 23

RICHARD GALLIANO | NEW YORK TRIO COM LARRY GRENADIER E CLARENCE PENN (França / EUA)

KELVIS (Cuba)

ALEX IKOT (Guiné Equatorial)



Em complemento e durante todo o Festival:

Artes Plásticas
Feira da Cultura e da Solidariedade
Gastronomia
Lançamento de livros


E VINHOS DO DÃO!!!

09/07/05

Adidas tinha razão, por Nike

Ontem lá morreu mais um mito. Fomos jantar à Barca, ancestral Meca do pregado em Aveiro, onde rumamos todos os anos, e o dito cujo estava seco! Miseravelmente seco, ao ponto de termos que pedir um ridículo molho de manteiga para disfarçar a aridez! Ainda por cima, o empregado de serviço, resolveu atrasar-se na vinda dos Peras Mancas para a mesa e tivemos que fazer aquela travessia do deserto ainda mais a seco… A Didas já nos tinha avisado, a Didas, afinal, tinha razão!

08/07/05

Goran Bregovic em Aveiro, uma música dos diabos!, por Sokata

Ontem esteve em Aveiro um dos músicos mais criativos dos últimos anos: o bósnio Goran Bregovic e a sua Weding and Funeral Orchestra (entretanto, no dia anterior, Coimbra desenrascou-se com uma tal de Mafalda Veiga…). Uma delegação não oficial do Porco também lá esteve e garante que foi um excelente concerto.

Ouvi Bregovic a primeira vez quando, há uns anos atrás, vi O Tempo dos Ciganos, um filme fabuloso do realizador, hoje consagrado, Emir Kusturica, o mesmo de Underground, de Gato Preto Gato Branco ou de Arizona Dream. Pessoalmente não gosto tanto de nenhum destes filmes, como gostei de O Tempo dos Ciganos, uma obra prima do burlesco. O Tempo dos Ciganos é uma comédia/drama com uma sensibilidade comovente a fervilhar num ambiente de ciganos, crianças de rua, ladrões, putas e chulos, galinhas e capoeiras e uma personalidade estética inovadora. Entre muitas das coisas que adorei no filme, uma chamou-me particularmente a atenção: a sua incrível banda sonora feita de cornetas, acordeões, latas a fazerem de baterias, e cânticos belíssimos de mulheres e crianças. A música, ora trágica ora deliciosamente cómica, era de Goran Bregovic, esse mesmo que ontem pude ver ao vivo. Durante um ano ou dois eu procurei nas estantes das lojas de discos de Coimbra, Porto e Lisboa a banda sonora d´O Tempo dos Ciganos, mas invariavelmente, os empregados olhavam para mim como se eu fosse um bombista à procura da bomba desconhecida. Nicles! Até que um dia encontrei, finalmente o disco, creio que numa mega store Londrina.
O tempo passou e, entretanto, Bregovic, tornou-se um nome relativamente conhecido, apanhando a onda da World Music. Continuou a trabalhar com Kusturica e gravou com Cesária Évora e Riuchy Sakamoto. Ontem, como ele disse, veio (creio que pela segunda vez) a Portugal «porque não tinha convites de outro lado».

O concerto foi como a personalidade de Bregovic e a da sua música: bizarro. Abriu como eu nunca tinha visto: em vez de aparecerem no palco, como quaisquer músicos normais, os membros da Weding and Funeral Orchestra, surgiram de trombones, trombetas, saxofone e cornetas no meio do público, que se levantava das cadeiras e rodopiava, sobressaltado. A energia da fanfarra foi tanta que à segunda música já estava toda a gente de pé a dançar a empilhar as cadeiras de modo a abrir espaço para o arraial que se adivinhava. Isto é o sonho de qualquer intérprete de música popular, mas Bregovic mandou parar tudo e pediu delicadamente para se sentarem, que ia tocar durante muito tempo e ainda a noite era uma criança (de facto tocou duas horas e picos). Contrafeita, que a música puxava, a malta lá se sentou.

O concerto teve momentos hilariantes e outros sérios. Em particular nos cânticos fúnebres, Bregovic não admitiu faltas de respeito e por duas ou três vezes mandou as cantoras, vestidas com trajes tradicionais bósnios, como os restantes músicos, recomeçarem os belíssimos cânticos de reminiscências árabes e orientais. O homem mostrava assim que, pese embora a energia e a o burlesco de certas músicas, não era uma palhaço e obrigava-nos a sair da gargalhada para o registo sério. Aquela música é uma salganhada fantástica de referências, um cruzamento notável entre o étnico e o moderno, o oriente e o ocidente, o eléctrico e o acústico, o cómico e o trágico. A mim fez-me lembrar a música do demónio – seja lá o que isso for é parecido com isto -, principalmente pelos grupos descontrolados que, não sabendo muito bem como reagir áquilo (como é que se dança uma música que, por um lado, não nos deixa estar parados mas, por outro, tem um ritmo completamente desenfreado e absolutamente estranho aos nossos hábitos de frequentadores amestrados de Discotecas?). Mexiam-se, saltavam e pulavam no que me parecia um sabbath de um quadro de Goya. No fim, acabou tudo a dançar Kalashnikov, um clássico da banda que eu ão fazia ideia de ser tão popular entre o público aveirense.
Resta-me dizer que convidei o Mangas, o maior dos cinéfilos do Porco, para ir comigo ver este concerto. E o gajo, como sempre, disse que estava muito cansado e que tinha que dormir (o Sérgio Godinho diz que «temos a morte toda para dormir»). Eu cheguei a casa passava das duas da manhã e hoje é dia de trabalho. Mas aposto que estou muito mais descansado que o sorna do Mangas.

07/07/05

Queimem Integralmente E Sem Ser Lido, por DervixeRodopiante

Franz Kafka foi um escritor genial. Para muitos autores ele foi o grande escritor do Séc. XX, e é inegável a sua influência na literatura posterior, no pensamento e até na mera linguagem do dia a dia, qualquer que seja o analfabeto. Já vi muito nabo que nunca leu sequer um livro do Patinhas vir com a expressão “kafkiano” ou “Processo kafkiano”. Não sabem de onde vem, mas sabem o que significa.

Obras como A Metamorfose, O Processo, O Castelo e América são obras-primas e qualquer delas - sobretudo A Metamorfose e O Processo - são traves mestras da literatura ocidental. O Realismo Mágico dos autores latino-americanos assenta e parte de Kafka. Gabriel Garcia-Marquez chega mesmo a declarar que decidiu ser escritor quando ao ler a primeira frase de A Metamorfose viu pela primeira vez que se podia escrever assim. No mais escondido dos livros nós descobrimos a influência de Kafka. Até no Materna Doçura de Possidónio Cachapa encontramos o protagonista identificado como Sacha G.. Um pequeno pormenor influênciado de Joseph K. de O Processo.

O engraçado de Kafka é que sendo o homem o génio marcante que foi a escrever, não é graças a ele que conhecemos a sua obra. Kafka, em vida foi um homem frágil e tuberculoso, sempre enfermiço e apagado que tinha uma fraquíssima opinião de si próprio e pior ainda da sua obra. Em vida publicou em edições menores algumas novelas e A Metamorfose. O Castelo, O Processo e América, são obras incompletas e com capítulos contraditórios e descontínuos que apenas foram publicados após a sua morte.

E essa publicação continua ainda hoje envolta em grande polémica. É que tais obras e outras ainda do grande génio foram publicadas pelo seu amigo de toda a vida, Max Brod. Kafka deixou tais manuscritos incompletos a Max Brod e deixou-lhe esta carta:

“Querido Max,
Este é o meu último pedido: tudo quanto em forma de diários, manuscritos, cartas, minhas e de outros, desenhos, etc., for encontrado nas coisas que deixo (portanto na estante, no armário, na secretária, em casa, no escritório ou seja onde for) deve ser queimado integralmente e sem ser lido, assim como todos os escritos ou desenhos que tu ou outras pessoas, a quem em meu nome os pedirás, tenham em seu poder. As pessoas que não queiram entregar-te quaisquer cartas que possuam, devem, pelo menos, comprometer-se a queimá-las.
Teu Franz Kafka.”

Esta foi a última vontade de Kafka. Pediu-a expressamente a Max Brod e morreu num sanatório de tuberculosos aos 41 anos. Max Brod não respeitou a vontade do amigo. Recolheu tudo, leu, organizou, mandou publicar e geriu o legado de Kafka. No final de cada livro de Kafka editado póstumamente por Max Brod há sempre vários posfácios dele a justificar a sua acção. Mas ainda hoje há muito autor que reconhecendo o legado colossal de Kakfa, critica Brod e defende que a vontade do falecido devia ser respeitada e tudo queimado. Para muitos, quando falam de O Processo, O Castelo ou do América, antes da genialidade da coisa, vem a referência de que são obras “publicadas contra a vontade de Kafka”.

A questão é curiosa. O que faria qualquer de nós no lugar de Max Brod? E se a nossa avaliação de que o legado do amigo é digno de publicação ou de que é genial, estiver errada e aquilo apenas servir de escárnio e gozo sobre a memória do amigo? Correndo tal risco, eu publicava. E vocês?

06/07/05

O Espírito do Golf – Mito ou Realidade?, por John of God Pine Tree

A propósito da última ida da malta ao golf – como muito bem documenta o post anterior – muito se tem discutido entre nós o que é «o espírito do golf». Há quem defenda que é um mistério inacessível a mentes simples como nós, qualquer coisa apenas tangível por meia dúzia de cérebros eleitos que captam as subtilezas daquilo. E também há, quem ache, como é o meu caso, que não há nenhum especial espírito do golf, há é uma colecção enorme de disparates e bizantinices e é a isso que alguns chamam «espírito do golf».

Ou melhor, eu acho que o espírito do golf existe, mas não no sentido que os seus defensores lhe atribuem. O «espírito do golf», se é aquilo que ele tem de específico, é precisamente o que ele tem de negativo, é um espírito agoirento, de coisa má. A individualidade do golf em relação a outros desportos está, antes de qualquer outra coisa, no conjunto de futilidades que caracterizam esta modalidade.

O espírito do golf é aquele modo ridículo de equipar mai-los gajos que levam aquilo a sério. Vocês podem não acreditar, mas aqueles gordos que um gajo pensa que só existem na televisão e não na vida real, usam mesmo calções de pregas pelo joelho e pólo por dentro dos calções com a barrigona saliente. Eu já vi mesmo ao vivo, ao pé de mim, gajos com meias pretas quase pelo joelho, acreditem ou não… É claro que, deste ponto de vista, nem um só de nós tem espírito de golf. Arranjámos todos maneira de contornar aqueles equipamentos, mantendo uma vaga ressonância da coisa que impede os puristas de embirrarem connosco.

Também é próprio do espírito do golf a mania que aqueles gajos têm (apesar de adorar jogar golf eu nunca consigo deixar de pensar nos gajos que jogam como «aqueles») de dar nomes ingleses a tudo e mais alguma coisa, mesmo quando há palavras portuguesas para designar o que se quer dizer. Uma vez, uma amigo meu que foi comigo ao campo pediu-me, quase em pânico que fosse com ele ao balcão pedir um balde de bolas porque estava com receio de haver um palavrão inglês para designar «balde de bolas» e ele não saber!.. De resto, eu insisto sempre que vou a um campo, em pedir «uma entrada», altura em que, invariavelmente, o gajo do balcão faz questão de me corrigir: «um green fee», diz ele. E quando peço o cartão para marcar as pancadas o tipo diz outra vez, como se estivesse a converter os ímpios: «o scorecard». Os espanhóis, neste particular como em todos os outros, estão à nossa frente: para eles «fairway» diz-se «la calle» e ponto final.

Outra coisa típica do espírito do golf é a bizarria dos sistemas de contagem. Basicamente, o golf é um jogo simples: trata-se de meter a bola num buraco, usando vários tipos de tacos, com o menor número de pancadas possível. Qualquer criança entende isto. No entanto, para impedir que nós, os simples, topemos a coisa à primeira, houve uns cérebros sinuosos que se lembraram de inventar uns sistemas de contagem - mais uma vez com nomes ingleses como net e gross que têm a ver com os handicaps – que é para poderem chamar burros aos outros. Conclusão: eu ainda não percebi muito bem como é que aquilo se conta, mas depois de muitas e aturadas explicações, já me vou desenrascando. Faz lá algum sentido que, depois de um torneio, um gajo espere uma semana para saber em que lugar ficou e conhecer a classificação final? Tá-se mesmo a ver não é?

Estes são só alguns exemplos daquilo que eu encontrei de específico nesta modalidade. É por estas e por outras que eu acho que o espírito do golf é uma coisa negativa e Deus me livre de um dia vir a ser possuído por tal coisa.

Depois, é claro, existem umas utopias acerca da modalidade, umas ideias bonitas que eu raramente vejo serem praticadas em campo. Podia ser isso o espírito do golf mas infelizmente, o que vejo é que quem pratica esses idealismos são os gajos como eu e a malta aqui do Porco – que é duvidoso terem o tal «espírito» - e não a maior parte dos labregos endinheirados que vejo nos campos, esses sim, a tresandarem a «espírito». Por exemplo, a regra da passagem: nós damos sempre passagem aos outros, mas é curioso, nunca ninguém me deu passagem, muito pelo contrário, só não nos atropelam senão puderem; ou o cuidado com o campo, aspecto fundamental deste jogo: em vez de cuidado em reparar a relva, o que se vê mais frequentemente, são autênticos bulldozers a dizimar tudo à sua volta. Pra não falar dos charutos e cigarros espalhados pelo campo, cascas de banana ou restos mortais de chocolates snickers… Ou ainda, o cuidado em não jogar enquanto o grupo da frente não estiver a uma distância segura. Nós, aqui do Porco, devemos ser estúpidos porque chegamos a perder o ritmo do jogo à espera que os jogadores da frente se ponham a uma distância segura. Mas, só para dar uma ideia, no jogo de segunda-feira, em três ocasiões levámos com bolas dos grupos de trás a cerca de dois metros! Claro que o Lecter queria desfazê-los e estava cheio de razão. Mas em nome dessa coisa etérea que é o espírito da coisa, que ás vezes também se confunde com uma subserviência a raiar o intolerável, lá o impedimos de fazer jorrar o sangue que ele deveria ter feito jorrar. Mas da próxima vez, tou com ele pela simples razão de quem um dia um de nós apanha mesmo com a porra de uma bola nas trombas...

Em suma, o espírito do golf bem podia ser esta coisa mundana e simples da civilidade e da educação, mas infelizmente isso é coisa que, na prática, eu não vejo assim tanto nas ocasiões em que tenho frequentado os campos da modalidade. Vejo isso em teoria e até costumo ler nas revistas da especialidade uns artigos de uma espécie de metafísicos da coisa que acham que o comportamento de uma pessoa no campo é, invariavelmente, um reflexo do carácter das pessoas na vida real. Isto é completamente idiota: eu já conheci indivíduos violentos na vida real que não faziam mal a uma mosca dentro de um campo e, pelo contrário, pessoas muito honestas na sua vida que dentro de um campo de ténis se portam como gangsters autênticos. Não faz sentido extrair o carácter de uma pessoa do seu comportamento numa modalidade desportiva. Mas se assim fosse, eu teria que concluir que, a julgar pela amostra, as pessoas que jogam golf não são assim muito recomendáveis…

Quem me aturou até aqui deve estar a pensar porque raio é que eu ainda jogo golf… Mas a resposta é, mais uma vez, simples: porque o jogo em si - esta coisa maravilhosamente inútil de andar a tentar meter uma bola com um taco num buraco - é realmente divertido e interessante. Eu gosto mesmo do jogo, tal como gosto de jogar futebol que é outra coisa estupidamente simples (11gajos a tentar meter uma bola na baliza de outros 11), como gosto de ténis (que consiste em bater a bola com uma raquete uma vez mais que o adversário, dentro do limites do campo). Tal como estes desportos, o golf fascina-me pela sua simplicidade que os «golfistas» tentam complicar. De resto, aquilo que podia ser o espírito do golf, num sentido positivo, não é mais que o desportivismo inerente a qualquer desporto, seja o golf, o futebol, o andebol, o tiro ao alvo ou as corridas de sacos. Saber perder e saber ganhar, respeitar o adversário e, ao mesmo tempo, ser capaz de encaixar as críticas, saber rir dos outros e, sobretudo, de si próprio, aprender a não se levar tanto a sério, ser sempre honesto e jamais ser batoteiro, tudo isto são predicados que eu sempre reconheci noutros desportos e que, evidentemente, também são essenciais nesta modalidade. Isso, contudo, não é nenhum espírito especial do golf mas o que ele tem que ter em comum com todos os outros desportos. Sem estes predicados, sem desportivismo, nenhum desporto tem sentido, nem cumpre a sua função de nos fazer felizes e o golf não é excepção. E este desportivismo geral é tão importante que, sem isto, o golf torna-se num jogo de caca de donzelas sensíveis e cretinos novos ricos.

05/07/05

Jornada Gloriosa, por Isabel de Arranhão

Ontem, feriado municipal em Coimbra, dia da Rainha Santa, a confraria RS.T saiu em peso para o campo de Montebelo. Jornada gloriosa em dia esplêndido. A foto do Kirk Douglas (não é o verdadeiro Kirk Douglas, é a malta a brincar!) fala por si. No fim, duche tomado e baza para Canas de Senhorim, o País Basco de Nelas. Jantar no «Zé Pataco». Boa jantarada regada com um belo branco da «Quinta da Murganheira». A vida 'tá dura e antes que o Zé Sócrates nos proíba os vícios burgueses, o melhor é começar já a pensar noutra. Eu sugiro o «Bem Haja», também em Nelas, que está para Canas como Madrid está para Bilbao.