
O mesmo se passa com os xutos e pontapés cá do burgo. Achava-os a melhor banda de rock em portugal. Adorei quando editaram o Sem Eira Nem Beira (a tal do ingenheiro...) que entendi - eu e toda a gente, os xuxas incluídos - como um manifesto político claramente dirigido e mais que evidente. Por isso mesmo foi para mim uma grande decepção quando li o branqueamento que cheirou a encomenda que o zé pedro fez numa célebre entrevista em que veio dizer, mais coisa menos coisa, que a música não tinha o ingenheiro pinóquio como destinatário, que não era nada um manifesto político, que estava lá ingenheiro como podia estar arquitecto... Conta-me histórias... Percebeia-se nas entrelinhas dessa entrevista que os rapazes estavam só a ter juizinho, a tratar da «puta da vida», não fosse dar-se o caso de ainda serem prejudicados... A partir daí nunca mais gostei dos xutos da mesma maneira e agora quando olho para eles e penso na figurinha a que se prestaram só penso: bolas, estes gajos estão gordos!
Por isso foi para mim uma surpresa quando os ouvi no rock in rio de ontem a inventarem um novo verso numa canção que dizia assim:
«Coelhinho, se eu fosse como tu/ tirava a mão da troika e metia-a no cu.
Até pode ser... Mas são estes os gajos que agora se vêm armar em nobres activistas políticos? Os mesmos que renegaram a música do ingenheiro da cova da beira? Os mesmíssimos que tiveram juízinho e que agora, quando convém, voltam a vestir a conveniente farpela dos rockers rebeldes? Não que tenha uma simpatia especial pelo coelho visado no verso. Fossem os xutos coerentes e eu estava agora aqui a aplaudir. Mas assim... Achei repugnante que eles não tivessem percebido que perderam toda a credibilidade que já tiveram. Que se assumam como o que são realmente - uma banda de divertimento que trata da vidinha e não se mete em política. Zé Pedro, pá: devias ter vergonha do autocolante a dizer Rock Against Racism que tinhas colado na guitarra. Os Clash, meu, nunca se renderam ao poder político. E o Keith Richards nunca quis ser sire.
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