25/08/16

First time i saw Pacific, por Teco



O Pacífico pela primeira vez! É certo que ontem já tomei banho numa enseada do fantástico Golfo de Papagayo. Mas, embora de uma beleza invulgar, a Playa Bonita situa-se numa enseada relativamente fechada. Faltava-me o horizonte, sem montanhas nem rochedos a travá-lo, faltava-me a sensação de mar aberto, o feeling de estar imerso num pouquinho só da maior e mais profunda massa de água do planeta. Por isso saímos hoje da Playa Bonita e viemos até à Playa Hermosa, 10 klm mais acima, com o Pacífico aberto, imponente, diante de nós. Daí a sensação de o ver pela primeira vez, quando, realmente, é a segunda vez que o vejo.
 
O nome deste mar é óbvio: as suas águas são calmas, ao nadar parecemos deslizar, viro para esquerda e é como se estivesse a descer, viro para a direita e é a mesma coisa. É fácil nadar aqui, flutua-se facilmente e a água transporta-nos sem precisarmos de fazer qualquer esforço.

O navegador espanhol Vasco Nuñez Balboa foi o primeiro europeu a avistá-lo pela primeira vez em 1513, ao cruzar o istmo do Panamá. Chamou-lhe Mar del Sur. Mas foi Fernão Magalhães quem o baptizou como Pacífico durante a sua viagem de circum-navegação (1519-22) porque lhe pareceu, ilusoriamente, que este mar era mais calmo que o Atlântico. Na realidade não é assim. O Pacífico é muito mais perigoso – é o maior oceano do planeta e, nele, é tudo em grande, até a violência das suas águas, quando se irrita. Também ajuda o facto de ter maior incidência de correntes marinhas que os outros mares e de ser atravessado pela maior fenda geológica do planeta, o Anel de Fogo de cerca de 40 000 klms, localizada na Ásia. Daí a ocorrência de tsunamis devastadores a que se vêm juntar furacões e tempestades regulares. Mas, como oceano esquizofrénico que é, quando é calmo, este mar é mesmo muito calmo e foi, sem dúvida, num dia plácido como o de hoje que Magalhães o contemplou. Terá nadado nestas águas, como nós agora (especulo), e foi o próprio mar a sussurrar-lhe o nome: Pacífico.

Perto da praia, as águas são turvas, mas não se trata de poluição. È simplesmente o efeito do areal escuro – a Costa Rica é um país de vulcões, é natural este cinzento arenoso. Nada-se um pouco e agora o mar já é verde, cristalino, vê-se bem o fundo e os seus peixes psicadélicos. À superfície saltam cardumes de peixes voadores, cangurus do oceano. 

Enquanto saboreio o melhor ceviche de pescado que alguma vez provei, numa simpática barraca de praia, observo o rochedo imponente coberto de vegetação que equilibra o imenso horizonte. Mas quando volto a olhar, o céu que parecia límpido, abriu um pouco mais e distingo um novo pão de açúcar que aparece atrás do primeiro. Já lá estava ou nasceu agora? Neste mar tudo parece possível e o ceviche está tão bom…


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