14/08/15

Banhistas, por Ikkil

Playa del Carmen, México, 3 da tarde. Multidão a banhos. Vêm-se cabeças e braços, não se sabe se pertencem a pessoas altas ou baixas, louras ou morenas, mulheres ou homens, pretos ou brancos. Contudo, no meio daquela babilónia, identifico, sem margem para dúvidas, dois indiscutíveis americanos de quem, praticamente, só vejo os braços. E como se reconhecem braços americanos? Fácil: pela forma como lançam a bola um ao outro, a técnica é de basebol. É notável como transportamos a cultura connosco, mesmo imersos a banhos numa praia no meio de uma multidão de cabeças anónimas. Basta um gesto e está lá, agarrada e indissociável,  a marca da identidade.

O japonês, esse só o identifico a postereori: é o tipo de olhos em bico que está há uma hora com água pela cintura a recolher o sargaço-praga-do-mar e a atirá-lo para os lados enquanto roga pragas furibundas de sol nascente. Maldito sargaço que lhe estraga o postal, a praia, as férias, vem um tipo de tão longe para isto...

13/08/15

Rambutões, por Quetzal

O rambutão é um fruto de contrastes. Por fora parece um ouriço marinho, mas é um fruto terrestre. Quando maduro oscila entre um vermelho vivo e um castanho amarelado. A polpa tem escamas pontiagudas que parecem espinhos mas que, afinal, são dóceis como fios pendentes e inofensivos. Abre-se e, lá dentro, o fruto é branco aquoso, de textura aveludada como a pele de um bebé. É doce ao gosto e muito fresco, quase licoroso, mas no final vem a surpresa - o caroço. O caroço é ácido, o que é notável porque contrasta e corta o doce do fruto. Bem se pode dizer que não se chega a saber o que é um rambutão até chegar ao caroço e sentir este maravilhoso contraste entre a polpa dce e o caroço ácido (e tóxico, segundo alguns entendidos, mas não importa). Eu nunca antes tinha provado um fruto cujo caroço fosse tão decisivo. Geralmente o caroço (da cereja, da ameixa, do pêssego ou da nêspera) é uma excrescência que não está ali a fazer nada e que só serve para se deitar fora. Mas no rambutão não é assim, a acidez do caroço é tão fundamental que sem ela, provavelmente, o fruto tornar-se-ia excessivamente doce.
Espinhos que, afinal, são franjas; do mar e da terra; vermelho e branco; doce e ácido; tóxico e refrescante... O rambutão é o fruto  dos enganos, ou então, a luta feliz dos opostos.

Quintana Roo, 7/2015

15/04/15

The Beach, por Vietcong

Maya Beach é a prova de que Deus não existe. Porque se Deus tivesse o poder de criar sítios como este, então faria todo o mundo assim. Maya Beach sugere uma espécie de argumento de Leibniz sobre a perfeição do mundo mas ao contrário. Um mundo que não é todo como Maya Beach mas em que existe Maya Beach só pode admitir a perfeição como acidente. Diz-se que as maiores provas da existência de Deus são a harmonia e a beleza da sua criação. Para Leibniz este era o melhor dos mundos possíveis. Mas Maya Beach faz-me pensar no contrário: porque é que Deus não fez todo o mundo assim, porque é que apenas fez um sítio como este? Porque é que a maior parte dos sítios do planeta que habitamos são pardieiros miseráveis como o hotel Manolo em Madrid, o restaurante O Rei do Cozido na Baixa da Banheira ou o Iraque inteiro?  Maya Beach só pode ser um acidente feliz da natureza, um maravilhoso acaso cósmico, porque se houvesse realmente um Deus capaz de criar tal beleza, Ele fá-la-ia existir sempre e em todo o lado e não só aqui, nas ilhas Phi Phi, ao largo de Phucket na Tailândia. Porque é que Deus não fez todo o mundo assim? Pois, só pode ser porque não existe. (2/8/13)

20/11/14

Pulhice Vitalícia, por Katanada

Tendo zé lello e couto dos santos como proponentes do vómito, ps e psd,  para não ficar um só deles com o odioso da questão, decidiram hoje repor as pensões vitalícias para a maltosa política que já ganha mais de 2000 euros. O cds absteve-se ruidosamente.

Enquanto roubam os outros todos, vulgo povo, com cortes salariais pornográficos, retenções ilegais nas carreiras, aumentos de iva, irs, subidas de imis a valores estratosféricos, de taxas de saúde, de propinas, de iurcs etc, etc, os nossos íntegros e escrupulosos políticos muito preocupados com as nuances jurídicas do respeito pela constituição e de não sei que mais excelsos valores do estado direito (vide isabel tanga moreira, o pai é que não tem culpa), decidiram-se pela reposição das pensões vitalícias para os políticos. Sublinho: enquanto tudo isto, aquilo!

Isto merece-me uma só palavra, pulhice, e um comentário: agora, carneirada do ps e do psd corram de novo a votar nesta gentalha. País de merda, merecemos em dobro toda esta gente que nos acontece!

15/09/14

Frente e verso, por Inverso

A ex ministra da educação,  milu rodrigues, declarou à saída do tribunal, depois de ter sido condenada a três anos e seis meses de pena suspensa (mais uma multa de 30 mil euros), por prevaricação de titular de cargo político, cito de memória, ter «ficado muito mal impressionada com a Justiça». Não percebeu que o problema foi o contrário: a Justiça é que ficou, pelos vistos, muito mal impressionada com ela.

06/09/14

Alá é um escritor mediano, por Mau Mé Mé

Hoje estive a ler o Corão, movido sabe-se lá por que inconsciente desejo de entender o que é que pode levar indivíduos encapuçados a decapitar pessoas inocentes. Cheguei a uma conclusão: depois de ter lido dezenas, centenas, talvez milhares de livros na minha vida (sim, sou um leitor compulsivo) é, para mim, claro que Alá não é um grande escritor. Conheço centenas de escritores humanos que, do ponto de vista literário, filosófico, ideológico ou qualquer outro que se possa conceber, são muito melhores escritores que Ele. Tá bem, Ele pode ser um craque a criar mundos cheios de animais, plantas, até bactérias e amibas, estrelas e galáxias em apenas seis dias (ao sétimo descansou), mas, como escritor, está a léguas de qualquer literato de média craveira.

15/07/14

A minha Selecção do Mundial, por Mau Sete Um

O Mundial acabou e o Tapor também. O Tapor nem tanto, é um morto vivo que espera o final dos mundiais para cumprir, religiosamente, a obrigação de deixar aqui exposta a selecção dos melhores da competição. Então aí vai:

Guarda redes: Neuer  (Al). Este foi o ano dos guarda redes. Neuer merece o título do melhor porque fez grandes exibições, porque apresentou uma qualidade no jogo de pés de que nenhum outro se aproximou e porque foi o guarda redes indiscutível do campeão. Mas não escandalizaria nada que o título de melhor guarda redes fosse para Navas (CR) o principal responsável pelo feito monumental da sua selecção que foi mais longe do que lhe permitiria a sua capacidade.
Outros que estiveram em grande: Ochoa (Mex), Tim Howard (USA) e o careca da Argélia, não me lembro do nome.

Defesa direito - Quadrado (Col). Aqui faço uma adaptação porque Quadrado não foi lateral direito, mas jogou tão bem, só um pouco mais à frente que merece o destaque. Por outro lado a unanimidade Lahm (Al) não foi brilhante, embora tenha estado bem, e jogou uma parte da competição - sem destaque - a médio centro. Gostei do Lahm mas adaptava o Quadrado que tem que estar no onze. David Luís oscilou entre  o óptimo e o péssimo e Tiago Silva idem aspas.

Centrais - Hummels (Al) e Garay (Arg). Hummels porque é só o melhor central do mundo e foi. Garay destacou-se como o grande stopper que já conhecíamos, embora Boateng (Al), Vlaar e De Vrijj (Hol) tenham estado também em grande.

Defesa esquerdo -  Olebas (Grécia)... E não me venham dizer que a Grécia saiu demasiado cedo da prova. A Colômbia não foi muito mais longe e tem jogadores que merecem a inclusão neste onze. O que é certo é que, em todos os jogos que fez, Olebas destacou-se pela capacidade atlética, pelas resistência, pela constância nos vai e vem e tecnicamente não é nada mau.  Acho que é um jogador com um potencial fantástico e só pode estranhar este destaque quem não viu os seus jogos. Num nível muito próximo (e também não lhe assentaria mal o título de melhor defesa esquerdo) esteve Daley Blind (Hol).
Também gostei de Mena (Chile), Laíun (Mex), e Howedes (Al).

Médio defensivo - Shweinsteiger (al). Sou um admirador deste jogador. Tem uma capacidade física bestial e, com ele em campo, sem lesões, já se sabe que a equipa em que alinha é senhora daquele espaço fundamental no jogo. A exibição na final, onde sofreu como um Cristo com sucessivas entradas dos argentinos sem nunca ceder foi monstruosa.
A alternativa - e é uma pena deixá-lo de fora deste onze, tal a qualidade do mundial que fez - é Mascherano (arg) que prova assim que o Barcelona lhe desperdiça a carreira ao fazê-lo alinhar numa incompreensível posição de defesa central.Também gostei de Witsel (Bel).

Médio centro - Kroos (al). Apesar da final em que esteve abaixo. Mas a regularidade discreta que revelou durante toda a competição justifica o destaque. Como alternativas aponto Pogba e Matuidi (Fr) a coluna vertebral dos gauleses. Também gostei do careca dos states, Bradeley (Usa), um desperdício naquelas paragens que merece a Europa.

Médio ofensivo - James (Col). Exibiu-se num inesperado plano estratosférico que nunca logrou alcançar nem no porto nem no Mónaco. O que levanta a questão de saber porque é que este homem rendeu muito mais na selecção. Não que não se tivesse destacado nos clubes, mas a este nível? e melhor goleador? Fónix... Brian Ruiz (CR) também esteve muito bem.

Avançados - Robben (Hol), Muller (al) e Messi (arg). Robben foi, para mim, o melhor jogador do torneio e mereceu, mais que Messi, o título de Bola de Ouro. Mas a atribuição deste título a Messi também não é o escândalo que a imprensa ronaldista tuga quer fazer crer. É certo que Leo não esteve no seu máximo, mas, tirando Robben, não vejo mais ninguém que lhe pudesse arrebatar o título. Afinal Messi foi finalista e fez, nesse último jogo, quatro ou cinco jogadas geniais, duas delas com selo de golo. Excepção feita a Robben digam-me outro jogador que merecesse claramente o título de melhor jogador, mais que Messi...
Mas, voltando a Robben, o holandês merecia mais: fez o mesmo número de jogos que o argentino e foi genial mais vezes. Robben provou no Mundial que é, actualmente, o craque que mais se aproxima da genialidade de Messi, no caso da copa conseguindo, até, superá-lo.
Quanto a Muller foi o melhor ponta de lança do torneio, decisivo principalmente na primeira fase. Nunca joga mal porque quando as coisas não  lhe saem tão bem, luta sempre até cair para o lado.
Mas houve outros avançados que estiveram em grande: Alex Sanchez (chile), Neymar (Br), Di Maria (arg) - que só não está neste onze porque se lesionou e saiu demasiado cedo da competição - e Shuurle (al), arma secreta da competição.  Quanto aos avançados mais cómicos da competição não resisto a citar aqui a dupla BD da selecção brasileira: o Incrível Hulk e o Atacante Invisível (Fred).

O melhor treinador foi Low (al), um técnico competentíssimo de profile discreto. Gosto deste tipo de treinador, mais, muito mais que dos espalha-brasas. Low, como Guardiola, é um exemplo para todos. Muito bem também, o magistral Van Gaal (Hol), noutro registo.
Resta dizer que abominei o argentino Sabella que confirmou na final todos os predicados negativos que dele já se sabiam
- tinha jogadores para fazer mais na e fora da convocatória, escalonou mal a equipa várias vezes e foi um desastre nas substituições - sempre que mexeu na equipa esta piorou. Desde Mennotti, vá lá de Billardo, que a argentina tem os piores treinadores do mundo e este não foge à regra. Agora, para desperdiçarem definitivamente um jogador tão genial como Messi, só falta irem buscar para a selecção o inacreditável tata Martino, coveiro do melhor futebol das últimas décadas no Barcelona. Já se fala disso... E quanto ao «nosso» Filipão que é que se pode dizer quando o homem ainda não percebeu a magnitude do desastre a que conduziu o Brasil?




04/06/14

O que há de comum entre o rei Juan Carlos e os Rolling Stones?

Óbvio. Os Stones já vão nos 50 anos de reinado. Juan Carlos abdicou nuns míseros 38.

01/01/14

Como existir no Dubai? – III, por Bom Mé Mé



Apesar da omnipresença do islão – uma religião que é, como muito poucas, um enorme receituário de regras – os habitantes do Dubai são tão hipócritas como os outros habitantes de qualquer outra parte do mundo. Se levassem o Ramadão tão a sério como dizem, não deveriam comer às escondidas, como fazem, e deveriam obrigar, realmente, os outros, os hereges e infiéis, a cumprirem essas normas. Mas quando nos dizem que, no quarto, secretamente, podemos comer, desde que ninguém veja, isso é ajudar os outros a pecar, é tratar-lhes do passaporte para o inferno. Também há quem cumpra à letra o Ramadão, admito que sim. E não tenho dúvidas que todos aqueles sheiks envolvidos nas suas túnicas brancas que passeiam nos shoppings à frente dos seus haréns de mulheres escondidas em burkas negras, levem tudo muito a sério. Calculo que dormem de dia e vivem de noite, é uma questão de trocar os fusos horários.

Também é curioso desfolhar as páginas de anúncios de arrendamento e vendas imobiliárias num jornal nativo. Enquanto os jornais portugueses dão conta das casas que estão à venda na figueira da foz, em mira ou na tocha, os jornais do dubai publicam anúncios imobiliários de Nova iorque, tókio, londres e paris. Olho aqueles xeques e as suas mulheres e não consigo deixar de pensar que o ramadão e todas as regras rígidas do dia a dia, devem ser muito fáceis de suportar quando se pode tirar uma folga para ir viver durante uma temporada, como um cristão, para Londres, Paris ou Los Angeles.

31/12/13

Como existir no Dubai? - II, por Mau Mé Mé



O Ramadão é um exemplo do que afirmo: se me apetecer comer ou beber (um simples copo de água que seja) não prejudico em nada a pessoa do lado. No entanto, no Dubai, em mês de Ramadão, não o posso fazer. É rigorosamente proibido! Confronto-me com um verdadeiro choque cultural – porque razão terei que andar a beber água às escondidas (não vá a polícia apanhar-me em pleno delito) ou a comer uma banana como se estivesse a carregar uma arma perigosa? Em nada afecto os outros, porque me há-de estar vedada a possibilidade de beber ou de comer? Mas a regra muçulmana entende que o diktat divino é imperativo.
 
 Cheguei ao Dubai na madrugada de ontem, depois de um voo de 9 horas e sem dormir. Estranhamente, as lojas, restaurantes e cafés estão fechadas. Dou por mim no maior centro comercial do mundo – o mastodôntico Dubai Mall – deserto. Ainda deve ser cedo, penso, para os padrões locais. Espero uma, duas horas mas o maior e um dos mais luxuosos centros comerciais do mundo continua a parecer um shopping fantasma de primeira geração da margem sul de Lisboa. Dirijo-me a um segurança que me informa que estamos em pleno Ramadão. As lojas e restaurantes não abrem antes do pôr do sol. Ok, tudo bem, respondo, mas não sou muçulmano, a lei islâmica não vale para mim, hei-de poder comprar comida nalgum lado, não me diz onde... Está enganado, sir, aqui a lei é para todos, se comer ou beber, do nascer ao pôr do sol, comete um crime punido por lei. Penso que é gozo, mas não é. Consigo encontrar um supermercado aberto no rés do chão do Dubai Mall onde me abasteço com umas peças de frango, alguma fruta e umas garrafas de água. Para comer à noite, justifico não sei se a Alá… Ingiro (é o termo) o pequeno almoço, imediatamente, numa cabine da casa de banho, o restaurante mais exíguo onde alguma vez entrei, com a sensação de estar a cometer um crime hediondo, sem fazer barulho, discretamente, sentado na sanita, como se estivesse num filme de Luis Buñuel.

Alimentar-me no Dubai, em pleno Ramadão, foi uma aventura durante todo o tempo que ali passei. Almocei no quarto do hotel, ainda assim receoso, comprei discretos frutos secos – curiosa qualidade para um fruto, a discrição - com que fui enganando a fome no meio dos passeios sob um sol abrasador. E estive sempre a pensar que, precisamente, a diferença entre «nós» e «eles» é que, a «nós», não nos passa pela cabeça impôr-«lhes» os nossos preceitos, como eles nos impõem a nós. Mas aqui, Alá akbá ou coiso, todos, muçulmanos ou não, têm que se sujeitar à lei divina. Coisas tão inócuas como beber ou comer são transformadas em enormes ofensas e de nada valem as lógicas terrenas perante a força coerciva dos céus. Não se percebe como é que um jejum absurdo pode ajudar alguém a atingir a salvação eterna e um bónus de sete virgens. Será o paraíso dos muçulmanos um sítio onde não são permitidos gordos, gerido por um Alá nutricionista ocupado a manter as pessoas magrinhas?

27/12/13

Como existir no Dubai? - I



Os muçulmanos nunca entenderam o princípio mais básico da moderna civilização ocidental que passo a enunciar: a minha liberdade termina onde começa a do outro. Dito de outro modo: posso fazer o que entender desde que não prejudique ninguém. Esse é o nosso grande princípio e é-o tanto no plano civilizacional como no das nossas relações pessoais.
Acontece que os muçulmanos acham que Alá está muito por cima de tudo isso. A omnipresença de Alá é recorrente a propósito de tudo e de nada – curioso como até a festejar um golo num simples jogo de futebol um muçulmano agradece a Deus. Ajoelha e agradece, a ubiquidade de Alá é real porque está sempre presente na cabeça de um crente.
Consequentemente torna-se difícil para nós lidar com alguém que acha que aquilo que eu faço, mesmo não prejudicando os outros, não depende da minha liberdade, mas da sujeição a uma regra superior e transcendente. O problema, de facto, é quando a minha liberdade incomoda a do outro. Como fazer?

A Cidade dos Estrangeiros



Não conheci ninguém do Dubai – dois taxistas  indianos, uma holandesa de lenço ao pescoço que se queixou dos olhares dos árabes,  vários paquistaneses (um de peshwar), um natural do sri lanka, um do Bangladesh, hindu de muitos deuses, um egípcio…
No Dubai real só vivem empregados, criados e trabalhadores. A aristocracia passeia-se no souk sofisticado do Dubai Mall, nas suas lojas de marca, nas joalharias, nas boutiques de tapetes persas e cafés exclusivos. Mas esses, os verdadeiros nativos do Dubai, são tão inacessíveis como os ferraris em que se deslocam.