03/03/11

(Re)pensar a Democracia: Uma proposta. Por E S'Cá Nevasse?

Ter e trocar ideias é importante. Mas não menos é agir em conformidade, dando consequência concreta às palavras, aos princípios e às intenções. Nos meus últimos posts tenho defendido uma maior participação dos cidadãos na coisa pública, sendo que essa é para mim a única saída viável para a crise em que nos encontramos. Não falo da crise económica, mas sobretudo da crise política, que existe e é mais profunda do que os normais conflitos entre partidos ou com viabilizar ou não viabilizar orçamentos na AR. A verdadeira crise reside na apatia ou no desencanto da grande maioria dos portugueses relativamente ao panorama político institucional (partidário, parlamentar) nacional. À sensação de ausência de alternativas que leva a grande maioria dos nossos concidadãos a demitirem-se dos seus direitos (deveres?) eleitorais e de cidadania política. E que, por omissão, ajudam a perpetuar as disfunções.

Falo, em suma, de uma crise de representatividade, que se agrava perante a incapacidade de renovação dos partidos instalados e que se traduz na seguinte triste realidade: «(...)estes resultados já podiam ser previstos num estudo publicado pouco antes das eleições pelo Projecto Farol, um think tank independente. De acordo com o estudo do Projecto Farol, 94 por cento dos portugueses dizem não confiar na classe política, 90 por cento nos Governos, 89 por cento nos partidos e 84 por cento na Assembleia da República. Cerca de 70 por cento revela também não ter confiança nos tribunais, na administração pública ou nos sindicatos. 

Quase metade dos inquiridos afirma ter pouco interesse na política nacional (43 por cento) e na política local (48 por cento).» (in Perplexo).

Significa isto que o modelo democrático que temos está esgotado? Longe disso. O que significa é que precisa de ser melhorado. Melhor ainda: renovado. E não faltam exemplos de outros países onde a Democracia funciona melhor, onde nos podemos inspirar. Sendo certo que, onde funciona melhor, é onde os cidadãos não só participam mais, como são mais esclarecidos, lêem mais e debatem mais. O alheamento não é uma resposta. E a simples manifestação de revolta não chega para alterar o essencial, que passa por ser o sistema. Sendo que o sistema somos todos. Não é uma questão de "nós" e "eles". É sempre uma questão nossa.

Mas este post pretende ser apenas um princípio de conversa. Um princípio de conversa em forma de proposta. E o que proponho é a criação de um fórum, que pode evoluir para um formato associativo, para (re)pensar a democracia. Um fórum de gente verdadeiramente interessada em mudança e em fazer parte dela, pensando soluções, reflectindo alternativas e pugnando pela sua aplicação. Chamemos-lhe "think tank", chamemos-lhe lóbi, chamemos-lhe coletivo ou organização, chamemos-lhe o que os seus membros acharem melhor nas reuniões fundadoras. O importante é congregar ideias, vontades e esforços. Um fórum de gente partidária ou apartidária, de gente de esquerda, de direita, do centro ou de lado nenhum, de gente interessada em aprofundar e aperfeiçoar a democracia representativa vigente. Propunha desde já Coimbra como cidade-sede e, além de reuniões regulares presenciais, a criação de uma plataforma online (um grupo no Facebook, por exemplo).

A ação deste coletivo pode passar pela organização de conferências ou eventos públicos, por atividade editorial, por contactos diretos com partidos ou eleitos, por pressão junto de grupos parlamentares, por lançamento de petições ou por uma miríade de outras formas de intervir na esfera pública e de pensar coletivamente em questões essenciais do nosso tempo. Queremos construir um país melhor para os nossos vindouros? Então façamo-lo. Quem estiver interessado pode manifestar-se nesse sentido nos comentários deste post, deixando um contacto ou escrevendo para jpcruz(at)gmail.com.

6 comentários:

Anónimo disse...

Esta iniciativa parece-me semelhante àquela dos jovens parvos e à rasca que foi criticada em postes anteriores...

E, para completar o ramalhete, agora escreve-se AQUI de acordo com o novo acordo ortopédico?! A tradição não é essa. Nem daqueles que militam por aqui.

Bilú, Bilú

J disse...

Não falo pelos outros, o tapor não tem livro de estilo e é um espaço de liberdade, as tradições são uma batata e eu escrevo como me apetece.

Por outro lado, se esta iniciativa te parece semelhante a essa é porque nem leste este post, nem leste os outros, nem tens lido jornais. Mas mesmo assim, a ti e aos minotauros, aos cães, aos fédons eu pergunto: qual é a vossa proposta? «demitir toda a classe política»? Ir a Lisboa queimar os ministérios e atirar os ministros ao rio? Partir montras do Macdonalds?

O que me custa a perceber, por outro lado, é a vossa indisponibilidade para dialogar a sério sobre isto ou para me contestar no plano da racionalidade. Mas adiante, cantando e rindo.

Anónimo disse...

Dialogar a sério? Mas sobre quê? Uma proposta completammente idiota de reunir os Jotas deste país com que finalidade? Desancas na iniciativa que foi formada pelo facebook, mas a tua é que é séria? Enxerga-te! Não consegues reunir nem os da tua rua, que já te conhecem. A tua verborreia não tem qualquer sentido. Pensas que és o D. sebastião? E, já agora, és mais inteligente e sério que os outros.
Quanto à escrita escreves como te apetecer. Pois. Se tivesses um pingo de discernimento percebias onde estavas a escrever. Não tens blogs teus? Aí até podes escrever de pernas para o ar. Aqui também, obviamente. Só que não é sua identidade. Eu não vou a blogs do Benfica dizer mal do dito. Só se tiver um objectivo.
Ah, não sei quem são esses alter egos, mas trata cada um por si

Bilú Bilú

Anónimo disse...

O porco já tem policia ortográfico e de "identidade"? O porco?! Bilú, a gente agradece-te o zelo, mas viste cair no blog errado e não temos como te pagar, vai dar uma volta ao bilhar grande.



Papa Smurf

Anónimo disse...

Polícia, se faz favor. Não precisas de pagar. Ajudar os ignorantes vale por si só. E este é o blog ideal. Para certo tipo de gente é que não é.

Papa Misto

J disse...

Aceito que seja por demérito do autor deste post, claro, não sou ninguém senão mais um zé à rasca que acerta às vezes ao lado e que nunca quis fazer «loas ao sócrates», mas também me lembro do que aconteceu quando Boaventura Sousa Santos descobriu a «democracia participativa» e pôs Coimbra em frenesim com a descoberta, a reboque da co-incineração em Souselas e do enquadramento científico-académico-ideológico do CES. Pro Urbe, Conselho da Cidade, eventos afins encheram a cidade de espírito «participativo». Uma orgia, perdão, um orgasmo de «participação» morreu na praia «em estado de coma e agónico», pouco tempo depois: http://www.asbeiras.pt/2010/12/o-fim-do-conselho-da-cidade-de-coimbra/. Os portugueses gostam de ser governados, não há nada a fazer.

Ou seja, de uma forma ou de outra não tinha grandes veleidades para este post, que será mais uma metáfora para a ausência de soluções. Admito que haja formas mais lucidas de olhar para a realidade, peço desculpa por ter incomodado almas mais sensíveis, mas tento apenas participar no debate com um enfoque que tenta ser construtivo, no sentido de ajudar a construir alguma coisa. Não sei o que vão dar os protestos de amanhã da geração à rasca, revejo-me nos diagnósticos que são do senso comum, apoio o direito a manifestarem-se, mas à partida não vejo ali propostas, não vejo ali ideias para construir alguma coisa, só vejo para «destruir». E mesmo que haja coisas que precisem de ser destruídas, sinto que é pouco. Não protestam por algo, mas acima de tudo contra algo. É claro que é útil e importante, mas não chega, há que acrescentar alternativas, dar consequência à acção no quotidiano pós-12 de Março. E isso só vejo que possa acontecer num plano institucional, nos diversos planos institucionais. Como este, por exemplo: http://www.precariosinflexiveis.org/ que é o plano do lóbi. Isto em contraponto à «rua» e ao discurso anti-político e populista. Uma retórica demagógica que tem grassado a reboque deste movimento dos jovens à rasca que é cada vez mais uma amálgama de movimentos, interesses, descontentamentos e agendas diversas, anti-precariedade, anti-sócrates, anti-governo, anti-políticos, anti-elites, anti-sistema, anti-Bruxelas, etc.., inflamados pelas sublevações populares no mundo árabe.

E então, das duas uma, ou admitimos claramente que estamos contra Sócrates, que tudo isto é fruto de má governação e temos um projecto alternativo ao actual poder governativo, digamos, o PSD ou o PCP e lutamos por essa alternativa no quadro institucional; ou então admitimos que a coisa é mais profunda e menos conjuntural e não nos revimos em nenhuma alternativa partidária, que não acreditamos no sistema, que não acreditamos na capacidade de regeneração dos partidos e das instituições democráticas e que não nos sentimos representados. E neste último caso, penso ser legítimo que haja outros sectores do povo, nomeadamente sectores da maioria que até se desenrasca, que faça perguntas: Elá! Isso pode ser interessante, mas então e depois, como é?... É com as instituições ou é sem as instituições? É com outras instituições? Quais? Qual é a legitimidade? É melhor para mim e para a minha família? É melhor para o meu país? Como? É com bomba ou sem bomba? E é com quem?