

Nos dois casos a mensagem é primária, bruta, quase infantil. Em In Trance é clara a associação entre o título, a expressão orgiástica do modelo e a guitarra. A rapariga parece masturbar-se com a viola, ou pelo menos, quando se liga a ela (atente-se na ficha da corrente) e por isso vibra, num sentido explicitamente sexual. Simples e directo.
Em Animal Magnetism as alusões não são tão claras, mas ainda assim, estamos no domínio da evidência. Percebe-se que quem tem «magnetismo animal» é o homem que vemos fotografado de costas vestindo uns clássicos e másculos jeans como deve ser. A mulher, de joelhos à altura da breguilha está em pose religiosa, como se adorasse um santo ou um senhor todo poderoso. Parece indefesa, de braços inertes e à mercê do seu senhor. O tema faz lembrar a célebre série Le Clic de Milo Manara em que um homem consegue levar qualquer mulher ao descontrolo sexual mediante o manuseamento de um misterioso aparelho que basta premir, como se fosse um comando de TV. Em ambos os casos trata-se da redução total da mulher à objetidade sexual.
Em Animal Magnetism o olhar da mulher é quase suplicante: prescruta o rosto do seu superior, parecendo esperar uma ordem de cima, que não deve tardar. O cão, símbolo da fidelidade, acentua a dominância do macho. Não olha para cima, como a mulher, mas está concentrado no eixo central do «quadro», isto é, na posição em que emerge a breguilha - o mesmo eixo da face da mulher. É tudo muito óbvio e até brutal. Por fim, um toque de ironia delicioso ou de mau gosto, consoante a perspectiva: o homem segura na mão direita uma lata de cerveja, outro símbolo da indiferença machista.
O que é curioso nesta, como noutras capas da banda, é que esta peça é da autoria da mais famosa produtora Inglesa de Design - em particular de covers - a todo-poderosa e galáctica HIPGNOSIS. A HIPGNOSIS é a mesma empresa que fez as capas míticas dos intelectuais Pink Floyd (sim, o Dark side of the Moon, o Ummagumma, o Animals, o Wish You Were Here, é tudo deles), algumas dos Genesis (como The Lamb Lies...) dos Zeppellin, do Peter gabriel, dos UFO, em suma, de praticamente todas as bandas que atingiram o estatuto de Mega Stars. Experimentem digitar Hipgnosis no Google e vão ter uma surpresa: vão ver que uma boa parte dos mais famosos covers da história são deles. Mesmo quando a mensagem é simples convém que seja eficaz. Os Scorpions que, musicalmente, nunca passaram de um certo estridentismo exibicionista próprio do Heavy Metal, pelo menos, não facilitaram nas capas. E fizeram bem...
2 comentários:
scorpions, não sei. mas em baixo, no post da bola, tratei tão mal a merda do FCP quinté me sinto orgulhoso.
scorpions? bãossapôrnumporco.
Ó dog, fónix, lê ao menos o post até ao fim. Eu também não gramo os gajos e é isso que digo. mas as capas são outra coisa. Baitu...
Escorpião
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