31/07/08

Os Marcianos São Danados Pá Brincadeira, por Dr. Nlle

Crónicas Marcianas do mais célebre escritor norte americano de ficção científica, Ray Bradbury, é uma obra indispensavel. O livro tem uma unidade de conjunto mas também pode ser lido no formato crónica, uma vez que cada pequeno conto tem uma coesão própria e acabada. No seu todo Bradbury relata/sonha com a futura colonização do planeta Marte nas suas várias etapas, desde a chegada dos primeiros foguetões terrestres até às hordas de colonos que fundam as novas cidades. Mas Marte esconde muitas surpresas e mistérios...

Entre as várias questões que o livro levanta, há uma que já tinha visto desenvolvida em leituras anteriores - nomeadamente em Carl Sagan e nos grandes teóricos comunicacionais de Palo Alto, como Paul Watzlawick. Imaginem que vamos para um planeta cujos habitantes não têm qualquer ponto comum aparente connosco. Podemos comunicar com animais, até certo ponto - toda a gente percebe quando um cão está com um ar ameaçador ou amigável. Os seus códigos expressivos são-nos mais ou menos familiares e existe até uma disciplina chamada Zoosemiótica que procura, precisamente, estudar os signos usados pelos animais na comunicação. Mas... E os Etês? Quer dizer, se eles não forem, como são commumente imaginados, seres humanos mais baixotes com grandes cabeçorras nem homenzinhos verdes do H.G. Wells nem aquele personagem kiducho do Spielberg? Mesmo com os alienígenas completamente ameaçadores ainda há um esboço de comunicação connosco, quanto mais não seja percebemos as suas intenções agressivas, como se passa com a saga Alien. E não esqueçamos o bizarro Tim Burton com os seus cáusticos etês a gozarem e a chacinarem os inocentes terrestres...

Mas imaginemos que vamos dar a um planeta onde nos deparamos com a alteridade radical que não sabemos sequer interpretar como amigável ou ameaçadora... Imaginemos que os etês são inverosímeis luzes ou balões... Como podemos comunicar com um balão? Ou com uma luz? Como podemos comunicar com balões de fogo, os marcianos de Bradbury? Percebo que foi aqui que Watzlawick e Sagan se devem ter inspirado: os balões ígneos de Marte deram que falar e não foi só junto dos cultores da ficção científica. E vocês? Como comunicariam com balões ígneos? A caixa dos comments está à vossa disposição. O tema promete...

11 comentários:

Cão disse...

O Bradbury é um dos gigantes da literatura mundial do século XX. Nem mais nem menos. Escapa perfeitamente ao rótulo de "ficção cientista". É muito mais do que isso. Sublinho, dele, à passagem, "As Maçãs Douradas do Sol" e essa obra extradionaríssima que se chama "A Morte é um Acto Solitário".
Quanto a comunicar com balões ígneos, não sei bem: só se, tendo em conta o gordo que o Grão anda, lhe deitássemos fogo e depois tentássemos falar com ele.

Anónimo disse...

O Bradbury é, de facto, um grande escritor. Não posso dizer que o descobri recentemente - já conhecia o seu universo de alguns filmes - mas foi recentemente que entrei na sua escrita. Brilhante, pura literatura!

Quanto a deitares fogo ao grão, acho mal, embora o gajo, possivelmente, desse um excelente toucinho assado. :) :)

Cão disse...

O Grão é tão grão, que uma namorada dele se chamava Mão de Vaca.

Sioux disse...

E Mão de Vaca poderia ser nome de índio, mas de Aguiar da Beira.

Pé-Negro disse...

E Aguiar da Beira poderia ser uma etnia, mas de que o Grão soubesse a capital.

Osservatore Romano disse...

Capital é ópio do pobo.

Venusiano disse...

Para mim, balão bom, é balão rebentado. O John Wayne é que os fodia a todos, os marcianos, com o seu alfinete.

O Ray Bradbury é rabeta. Venham a Vénus mas é, que a malta tem aqui gajas boas com cus em forma de balão que não rebentam à primeira.

Venusiano disse...

Saphodam, os marcianos!

Venusiano disse...

A gerência comunica que o Tapornumporco vai interromper o seu curso normal durante quinze dias, porque o seu conselho de administração vai ao El Buli fazer uma prova cega de carapaus fritos. Obrigado pela atenção. Marcianos são verdes mas é de inveja dos de Venus. Obrigado.

Anónimo disse...

Grande Postal e pertinaz questão essa da alteridade radical (eu que sou de mentalidade analítica, típica de um jurista, não me atrevo sequer a responder)! Bradbury é um génio e além desse como esquecer "O Homem Ilustrado" e o "Fahrenheit 451". Agora que descobriram que Marte tem água é também tempo de reler a BD "Watchmen".
JNAS

ABS disse...

Bacorada atrasada: O Bradbury é um génio da literatura universal, e a sua FC não é mais do que uma sucessão de metáforas. Além das Martian Chronicles, ficam-me sempre dois contos que quase sei de cor de tanto os reler: "The Picasso Summer" e "A story of Love".
Quanto aos balões e afins, outros exploraram melhor estas áreas - Kornbluth, por exemplo, e, sobretudo, James White, com a sua "Hospital Station".
Enfim, um gozo...