
Um exemplo, só mais um entre muitos: por piores que fossem, os antigos ministros e secretários de estado dos governos anteriores ao socas sempre conservaram a noção de que havia limites que, uma vez, reconhecidos publicamente deviam corresponder a demissões. Havia na democracia portuguesa ante-socretina uma espécie de consciência colectiva implícita das regras do jogo: responsável político de cargo relevante apanhado em falta demitia-se! Com zé socas perdeu-se este decoro mínimo. O que não é de estranhar uma vez que, se isto fosse levado a sério, o primeiro a ter que se demitir seria, obviamente, o ingenheiro das mil trapalhadas.
Agora vivemos mais um capítulo desta inconsciência larvar: um número desconhecido, mas elevado, de cidadãos portugueses foi impedido de exercer o seu direito de voto por falhas imputáveis directamente ao governo, mais precisamente ao Ministério de Administração Interna e ninguém, muito menos o ministro Rui Pereira, se demite! Parece que se vai abrir um inquérito e que se pede desculpas aos portugueses... O tanas! As desculpas são inaceitáveis, há é que assumir a responsabilidade desta vergonha.
Num país a sério o ministro rui pereira vinha à televisão na própria noite de eleições e demitia-se na hora. Por decoro, por decência, por vergonha. Num país de fancaria governado por zé socas e sus muchachos abre-se um inquérito, pede-se umas desculpas hipócritas, justifica-se a coisa com falhas técnicas (tanto choque tecnológico, tanto magalhães mais o raio que os parta a todos e, afinal estamos pior que no tempo da esferográfica) e adiante, siga o baile. E ainda dizem que os outros são iguais - tenham lá paciência mas não são! Por muito maus que sejam, esta impunidade nunca se tinha visto na história da democracia portuguesa. E, obviamente, este não é o primeiro caso: é só o último de uma longa história de inconsciência cívica.
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